Lula e o PT: “a esquerda que a direita gosta”

Uma história de amor paternal entre as cortes brasileiras e os populismo para todos os gostos

Você deve estar se perguntando porque depois de tanto bater em Lula e PT, as “zelite” agora começam o processo reverso, de blindagem. Uma razão das razões que já não é nem mais obvia mas declarada é a chantagem Palocci deixou claro, se eu abrir a boca não fica ninguém. Não vai cair só oligarca da Bahia, vai o coração do sistema que não está em Nordeste nem em Brasilia, mas no eixo financeiro e midiático de Rio-São Paulo: o cinturão das famílias tradicionalíssimas e escravagistas sudestinas. “Quando você se pergunta porque que esse cara ou porque ele nem sequer jamais será preso?” isso responde sua pergunta, é porque esse cara tem berço, esse berço. A gene da aristocracia brasileira.

Digno de nota os esforços destes juízes e procuradores que tentam já quase desesperadamente mudar o sistema do qual querem ou não fazem parte. Mas o buraco é bem mais embaixo, farsa é bem mais antigo. O Estado brasileiro como inimigo da livre sociedade, como representação da sociedade do espetáculo. O Brasil como grande farsa, um grande golpe histórico permanente da aristocracia corrupta não é uma falha do sistema, não é um evento, é a condição, e seus ciclos políticos-políticos econômicos de crises e conflitos a renovação deste estado do Brasil.

Contudo desta feita uma revolução aconteceu no Brasil. Tanto a burguesia quanto a plebe finalmente descobriram o que se passa pela cortina de todos os 3 poderes, a quem interesses eles de fato estão a serviço dentro e fora do território nacional. E o mais importante ao que parece finalmente está entendendo que não existe salvadores da pátria nem a direita nem a esquerda. Talvez essa consciência não seja uma maioria, não esteja ainda tão forte em todas as pessoas, mas ela finalmente está presente. Extremistas de direita, esquerda, oligarcas, racistas, escravagistas, autoritários tiraram suas mascaras e saíram do armário para defender seus preconceitos e privilégios. Mas também uma nova geração se formou e acordou. Uma geração que tanto a direita quanto a esquerda, não confunde mais as representações com a realidade. Lideranças com bases. Governo com Nação. Estado com Sociedade e poder público com bem comum.

Se ontem, inteligentemente o STF tivesse jogado para a opinião pública, e mantido Dirceu preso, se tivesse mandado uma mensagem de idoneidade para a população e não de esperança para os delatores presos manterem seu silêncio. Ainda teríamos hoje uma parcela considerável de crença e de crentes que essa cosa nostra deles é a nossa res (coisa) pública. Adoradores de poder supremos estão desesperados pela traição e perda de mais esses ídolos da sua cultura. Estão de luto por essa batalha perdida pela Lava-Jato. Mas nisto se enganam, na batalha por corações e mentes aquela que leva a verdadeira revolução as pessoas que querem mudar o Brasil venceram. Conseguiram expor o inimigo, força-lo a sair da sua confortável falsa neutralidade. Conseguiram revelar suas reais posições para muita gente que ainda sonhava acordada. Se isso foi uma estratégia consciente ou uma consequência da sua luta, pouco importa. Obrigar essa classe a mostrar quem são e quem de fato servem foi de longe o maior serviço que eles poderiam prestar ao despertar do povo brasileiro.

Belchior morreu. Mas enfim os ídolos já não são mais os mesmos e mesmo que os coloquemos de volta para tentar continuar vivendo como nossos pais, o mal-estar de viver como um corno conformado um idiota voluntário não irá se dissipar tão fácil com copas do mundo, novela, nem compras. Podemos não ter conseguido nos curar ainda, podemos relutar ainda em nos tratar e tomar os remédios amargos mas sabemos que estamos doentes, e quão fraco está o fraco sistema de defesa da sociedade e infectado.

Não sei em quanto tempo esse dinossauro vai demorar para cair, ou quanta gente ele ainda vai esmagar, mas a cabeça foi ferida de morte. Pode andar muito tempo como uma galinha sem cabeça, pode passar por retrocessos desumanos inimagináveis como contrarreação deste sistema, mas vai tombar. Os ídolos podem até permanecer no pedestal, mas o culto, o mito se quebrou, o brasileiro médio não acredita mais em papai noel. Demorou mas enfim estamos voltamos a crescer como gente, estamos deixando de ser um povo infantilizado, para nos tornar uma nação adulta. E quando essa hora da emancipação enfim chegar, e pode chegar mais rápido do que os patriarcas imaginam, a revolução estará completa.

O que está acontecendo historicamente no Brasil não tem preço. Finalmente o fatalismo e conformismo do povo e agentes públicos!!!! brasileiros estão se estão descobrindo que a barragem quebrada, o acidente ambiental, o crime organizado, a revolta e o massacre no presidio, a falência dos serviços públicos, a pobreza a doença não são uma conjuntura “metafisica” macroeconomia, não são acidentes naturais fortuitos, mas crimes com vítimas mandantes, executores, beneficiários. Com organizações e uma industria monopolista que vive da eterna promessa de tirar bode na sala. E eis que descobrimos que o bode na sala é deles!!! Uma coisa é você deduzir logicamente isto e escrever, outra é você ter a prova empírica desta lógica perversa cagada e esfregada na sua cara.

Se é alarmante a formação de uma falta de ética malufista (do rouba mas faz) entre as velhas “esquerdas” e de o renascimento do fascismo entre a “nova” direita. Esse retorno perigoso e patético das pessoas que não querem lidar com a nova sociedade e seu mar de novas informações. Por outro lado, temos finalmente a formação no brasil de um pensamento próprio, original e livre. A formação de um pensamento brasileiro social mais critico e menos ideológico que consequentemente começa a se desinstitucionalizar não só da lógica autoritária partidária mas da logica totalitária do nosso Estado Arcaico.

Somente os mais fanáticos querem e permanecem cegamente fieis a suas instituições sejam elas partidos, sejam ela o próprio Estado corrupto. A velhas falácias “tem gente boa no meio”. Não podemos condenar as instituições e corporações pelo que seus membros e lideranças fazem” começa finalmente a ser exposta. Esse mito de que um instituição bandida, regida por bandidos e comente crimes precisa ser preservada a todo e qualquer custo social econômico e humano, está completamente desnudado. E as pessoas começam a entender que o fato de precisarem de uma ponte para atravessar um rio, não quer dizer que precise ser apenas a ponte que esses criminosos impõe a ela como seus pedágios. Começam enfim entender se querer chegar ao outro lado, vão ter que construir suas próprias pontes suas próprias infraestruturas políticas e sociais e se quiserem se livrar e libertar destes conchavos de monopolistas.

Estamos tendo uma aula prática e intensiva de história do Brasil: uma classe bandida que toma ou já instalada no poder se apropriando do que é o bem comum e privado das pessoas que formam o restante da nação. Ampliando a a expropriação e exploração para sustentar seus domínios políticos e econômicos sobre um território e seu povo. E tudo isso claro pelas grandes metrópoles e impérios a quem servem ainda como feitoria colonial.

Mas a batalha ainda continua. Novas farsas e farsantes não param de ser fabricados. E quando não a novos farsantes para inventar, recicla-se o que há de velho. Não importa. O importante para a manutenção da democracia como farsa eleitoral é que todas as opções aparentemente mais a esquerda ou mais a direita estejam devidamente alinhadas por trás das cortinas de ferro ao centro de poder. E se para tanto precisarem de novo usar o populismo para falsificar ideologicamente qualquer aspiração popular, não exitarão de novo em flertar com o perigo, afinal na pior das hipóteses repetem a história: derrubam o antigo aliado e colocam um biônico.

Seja o velho populismo de esquerda representado por Lula, ou o novo populismo de direita representado por aquele que faz de tudo para ocupar a vaga de anti-Lula, Doria Jr. O importante é que os dois continuem a ser uma farsa tanto para seus apoiadores quanto opositores. Ademais, se considerarmos que a nova farsa em cartaz é do populismo de direita, ter um Lula como vilão, e não nenhum elemento verdadeiramente de esquerda ou novo. É o ideal para consolidar a impostura da nova direita como mero antilulismo. E ela não é só isso. Mesmo não sendo de direita sei que o conteúdo da sua critica não é meramente o fascistoide soft do higienista Dória, ou o hardcore do fascista (na definição mais clássica da palavra) de um Bolsonaro.

Entretanto é evidente que a estratégia de apropriação empregada a esquerda serve igualmente a direita. E o mesmo processo de apropriação e concessão dos bens e posições materiais, também pode ser aplicado no que concerne o monopólio de novas correntes de pensamento: tomando e atribuindo a velhos aliados travestidos como se fossem o novo, os novos ideais.

Na industria da produção de ídolos políticos ocorre a mesma “apropriação”que na industrial cultural e musical. Para cada nova estilo revolucionário inventados pelos negros do mundo, há um branco da casa com berço para assumir e ser projetado em seu lugar perante o grande público. Depois de morto as distorções são corrigidas, e a obra do morto enfim devorada até porque morto não reclama.

Para encerrar fecho com um curta (documentário) produzido ao que parece por integrantes do partido comunista. embora não compartilhe das suas ideias de luta de classes sociais, considerando a mesma como parte do processo de divisão e alienação da sociedade a quem detém a supremacia, reconheço que eles não são uma farsa e que embora praticamente antagônica são uma esquerda autêntica e não mitológica.

Fecho portanto com o video deles mesmo não subscrevendo embaixo tudo o que o curta denuncia, e fazendo a ressalva que a construção de mitos e ídolos populares não seja um processo tão simples e nem tão desprovido de bases populares quanto ele sugere. Há que se lembrar o papel fundamental das igrejas tanto católica quanto agora evangélicas nas construções dos projetos de poder como alienação.

Subestimar ou pior negar a ligação dessas narrativas com o imaginário popular, e as parcelas da população que se matem fieis a essa cultura, é praticamente como entregar o ouro ao bandido, seja ele um populista a esquerda ou direita. Mas a iniciativa de buscar entender e desvendar como se processou tanto a desintegração da esquerda político-partidária brasileira durante o período militar, sua reconstrução como farsa pelega símile a sindical é fundamental para reagir a essa realidade que hoje enfrentamos e se desnuda como mais uma aventura das “zelites tupinicanas” mais um capitulo dessa novela ficcional de Padi Ciços e macunaímas da história do Brasil.

A história não se repete como farsa ela se perpetua, mas não é por ser uma farsa que deixar de ser um retrato fidedigno da nossa própria história. E como não custa nada lembrar: esse é um capítulo que ainda não terminou.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.