Liberland: A magnífica sensação de ver quando se está errado (Parte 6)

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De um utopista para outro: As novas utopias não podem se dar ao luxo de ignorar a invasão humanitária da realidade

Utopias

Quer praticar libertarismo? A crítica sobre Liberland é um bom exercício mental:

Quem pensa em criticar Liberland use sua covardia ou coragem a seu favor. Pense que não está criticando um homem com uma bandeira em lugar nenhum, pense que está falando mal de seu governo, patrão ou grupo militante fanático (de um Estado Islâmico por exemplo), enfim pense que não está falando com um libertário pacífico, mas com uma autoridade com todas suas prerrogativas poderes políticos econômicos judiciais e policiais, agora faça sua critica. Você verá que esse tipo de exercício mental não é só libertador, mas vacina contra a subverniência pusilânime, e te ajudará tanto a fazer críticas menos covardes aos livres e pequenos quanto críticas mais independes e corajosas aos grandes e poderosos.

Talvez para quem acompanha sabe dos projetos que fui responsável, dirá que minha defesa de Liberland ou Seastanding é passional. Mas se você analisar com mais profundidade verá que na prática as iniciativas libertárias de direita ou esquerda enquanto permanecem genuínas acabam se reencontrando e reconhecendo. Libertários podem ir em direções opostas, mas depois de dar uma volta completa, ao se encontrarem são capazes de se reconhecerem tanto princípios quanto em instrumentos de liberdade que defendem e valorizam: Bitocoin, Crowdfounds, internet, redes.

Da mesma forma a esquerda e direita também completam seus ciclos de práticas e pensamentos mas ao se esgotarem e reencontrarem continuam a se estranharem e só se reconhecem no denominador comum de todo autoritário: o estadismo. Em crise o estadismo nunca se supera, ele sempre se volta para seus malditos lugares absolutos, seus partidários fanáticos fascistas, comunistas, e até nazistas para que defendam seus crimes contra a humanidade. Reconhecer utopias como Liberland não é apenas uma questão de coerência é uma questão de necessidade. E eu que abracei a vivencia das minhas próprias utopias a muito tempo, o suficiente para a ver morrer de inanição e indiferença não posso dizer que não tenho razões para perseverar.

Hoje nem é preciso mais gritar que a outro mundo possível, o mundo está mudando e não são mais os utopistas que querem um novo mundo, são as pessoas que estão pedindo. São as pessoas que estão precisando de novos mundos não apenas em águas ou terras sem dono, mas dentro dos velhos mundos ainda dominados pela desigualdade de autoridade e privação de liberdades fundamentais. Somos profetas malucos pregando no deserto, anunciando o dia do juízo final e o caminho da salvação? Claro que somos e estaremos enquanto não derem um fim em nós, mas não estamos mais só fundando nossas comunidades, nossas Canudos, projetos-pilotos, micronações ou utopias ultramarinas.

Estamos voltando a sonhar nossos sonhos de emancipação reprimidos por velhos reinos. As novas politicas públicas, as novas nações livres, as novas cidades, sociedades livres e democracias diretas estão renascendo. E não se deixe enganar pela propaganda de massas: Quem pensa que a América nasceu um monstro? que grandes transformações foram feitas por multidões de fanáticos alienados? quem pensa que 1, 3, 10 ou 300 ou 1000 pessoas não uma nada: quão profundamente vocês estão enganados: Quantos idiotas assistiam as pessoas de digladiando em coliseus romanos enquanto um Cristo fazia um sermão da montanha? Quantos o viram pregar na Palestina? Quantos coitados marcharam e se mataram em guerras nacionais ou religiosas enquanto os primeiros colonos fincavam o pé no novo mundo? E quantos negros e índios estariam livres se não tivessem conhecido a nossa civilização branca?

De quantos pessoas precisamos para revolucionar o mundo, fundar um povo, começar um êxodo encontrar paz em uma terra? Ou levar uma nação a loucura genocida? Quantas? Evidente que republicas libertarias, novas políticas públicas, novos experimentos democráticos econômicos políticos, as utopias do século XXI, até mesmo por não serem mais sonho, mas uma necessidade não podem se dar ao luxo de serem para poucos privilegiados, efemeridades excêntricas isoladas dos problemas do mundo.

Utopias devem ser a trasposição de toda a realidade absurda e distópica do status quo, mas não podem ignoram as carências e necessidades e problemas geopolíticos econômicos e humanitários gerados não por acaso por esse mesmo paradigma que se tenta superar. Uma utopia ao mesmo tempo quer precisa quebrar com os grilhões do velho mundo precisa lidar com curar todas as feridas deixadas por ele. Toda libertação é de um modo ou outro a abolição de alguma forma de servidão politica e econômica. E não basta abolir a escravidão, há que reparar os danos causados pela escravatura. E não adianta apenas restituir as liberdades há que se restituir as propriedades e rendimentos roubados a todos afetados pelo crime estatal e privado contra o direito da pessoa natural. Projetos como o de Liberland, estão vulneráveis a repressão e sabotagem estatal, e devem e estar prontos para lidar com demandas humanitárias causadas por atos criminosos ou omissão de estados convencionais.

Em verdade estou sendo insincero a questão humanitária sempre foi emergencial, apenas hoje ela é mais evidente porque está mais ao centro do mundo e portanto bem próxima do ponto de ruptura. A constituição de novos mundos para mim nunca foi meramente uma questão de experimentação politica ou econômica nem em hipótese alguma experimentação social humana, politica ou acadêmica, mas o desenvolvimento de novas tecnologias sociais, de novas sociedades e estados que nunca poderão ter outra finalidade senão a garantia de direitos humanos e naturais. Menos que isso não para mim é apenas falta de solidariedade ou visão, mas falta de ambição como sentido de vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.