Liberland: A magnífica sensação de ver quando se está errado (Parte 3)

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De um utopista para outro: As novas utopias não podem se dar ao luxo de ignorar a invasão humanitária da realidade

Contra-Violência

Como disse sou latino-americano, libertário, de esquerda, mas não sou um socialista a espera revoluções bolivarianas ou pelegas. A revolução que prego é antes de tudo por independência; é libertária em seu sentido mais natural e significativo: liberdade para os povos e gerações privadas do direito fundamental a existência, um lugar e tempo próprios. Libertários de esquerda ou direita que usam a palavra liberdade pronunciada sem seu sentido revolucionário, não são libertários e sua liberdade não é só vazia, é fake, são propagandistas estatais, e no pior sentido da palavra Estado: o histórico.

A constituição de estado libertários legítimos, passa por constituições de contra-violência e contra-privação em oposição aos estados de monopólio violento do bem comum. Passa, portanto não só pela renuncia a pressuposições tácitas de legitimação da violência, posse e valores forçados, mas pela dissuasão dos projetos de poder. Passa pela garantia igual do exercício da autoridade sobre o bem comum e participação publica, através da provisão mútua voluntaria e constitucional de liberdades fundamentais como propriedades e rendas básicas.

Tais disposições constitucionais presentes em estados comprometidos em garantir a plena liberdade de associação resultam em sociedades dinâmicas onde as pessoas podem constantemente negociar e formar associações político-econômicas para equilibrar suas forças garantindo assim a igualdade de poderes não entre instituições, mas entre pessoas de paz, livres para cooperar e concorrer na formação de acordos políticos e econômicos.

Tal compromisso social de provisão de liberdades fundamentais é ainda mais importante do qualquer defesa que eventualmente tenha que ser organizada ou mantida contra supremacistas internos ou externos. Porque sistemas de defesa meramente reativos, como demonstra a história, não podem ser sustentados legitimamente sem uma ameaça de fato, e tendem para se justificar e perpetuar a fabricar ameaças fantasmas e reais contras si e a paz. Daí a necessidade de dispositivos de defesa, mas da sistemática neutralização das causas primitivas da violência não só dentro do próprio território, mas como economia mundial.

Em outras palavras a garantia do mínimo vital precisa ser não a base de um sistema de seguridade social de estados libertários, mas o princípio que norteia as relações entre economias livres de modo que boicote toda economia sustentada no monopólio ou segregação dos meios vitais e subsequente exploração das populações excluídas e submetidas político-ecomicamente por privação de suas necessidades básicas, ou simplesmente o boicote aos estados e economias de neoescravagistas que inevitavelmente decaem nas armadilhas corporativo-armamentistas que corrompe seu estado de paz.

Para se livrar das ameaças mutuas de agressão ou retaliação, é preciso, portanto de disposições constitucionais não apenas reativas, mas declaração de compromisso voluntaria e universal como um novo sistema capitalista fundado na provisão das condições naturais necessárias a paz, a livre iniciativa. A promoção da democracia e liberdade não se faz com bombas, fome, distribuição de alimentos ou empréstimos para reconstrução. Mas com a garantia de direitos dos indivíduos e não governos. Não como o subsidio financeiro para governos prepotentes e corruptos, mas como garantia que nenhum poder subtraia dos povos soberanos seus territórios, propriedades naturais e meios vitais essências para que se sustentem independeste do assistencialismo governamental dos estados nacionais e internacionais.

Proteger a natureza e os recursos naturais ao que parece já é um consenso mundial, ainda que hipócrita, mas proteger a vida e liberdade de cada ser humano e suas formas de vida nem isso. Cada vez mais se entende que a vida no planeta é uma rede e que cada ser depende da coexistência em equilíbrio ecológico com os demais, mas ainda se insiste em se quer admitir que a Paz no mundo também é formada por uma rede igualmente interdependente do grua de liberdades fundamentais garantidas para cada pessoa.

Se a borboleta para de bater asas no Japão, e neva sem parar em Nova Iorque, a criança que morre de fome num fim de um mundo qualquer, também está caoticamente ligada a bomba que explode sem nenhum sentido em um dos centros do mundo. Vidas perdidas sem razão nem sentido, acredite ou não, sempre reencontram seu nexo em outros tempo e espaço de liberdade ainda que muito além do nosso vão entendimento.

Você não vê? Não são eles, não é a vida, somos nós que ficamos que vamos perdendo cada vez mais o sentido da existência, ainda que não sejamos nem mais capaz se significar ou sentir a perda da liberdade ou da coexistência. Não senhores, não é só o meio ambiente como habitat que está em extinção, somos nós antes dele que estamos nos desligando cada vez mais de qualquer noção do princípio gerador da vida: o fenômeno transcendental da liberdade.

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