Liberland: A magnífica sensação de ver quando se está errado (Intro)

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http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/viagem/liberland-esse-pais-tem-futuro

De um utopista para outro: As novas utopias não podem se dar ao luxo de ignorar a invasão humanitária da realidade

Terra Nullis

Como é bom descobrir o quanto estamos errados. Como é bom quando começamos a ter com certezas retóricas (sempre inúteis) contrariadas pela simplicidade dos fatos, e atos mais singelos — e que por isso mesmo são os com maior potencial transformador.

Escrevi recentemente:

“O sonho acabou. Ao menos o americano. Não existem nenhuma nova América por descobrir. A água não cai mais do céu, a comida não nasce em arvore e não há pedaço de chão que não tenha dono nem chefe. Não se engane no futuro vão rir de você como de quem acha que o ar e a luz solar não são produtos cobrados e tributados, assim como se ridiculariza hoje quem acha que água ou uma fruta poderiam ser de graça. O sonho americano está morto; e por apropriação lockeana. Esgotamento dos meios naturais, tomada de posse estatal e privada de todas as terras e territórios natural; encercamento, embandeiramento e destruição de tudo e coisificação de todos.”

E eis que vejam as seguintes noticias sobre Liberland que não vou reproduzir aqui. Vale apena zapear e se interessar ainda voltar para cá:

· http://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2015/07/21/conheca-a-liberlandia-o-lugar-sem-impostos-onde-reina-o-crowdfunding.htm

· http://spotniks.com/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-liberland-o-pais-autoproclamado-libertario-que-acaba-de-nascer/

· http://www.theguardian.com/world/2015/apr/24/liberland-hundreds-of-thousands-apply-to-live-in-worlds-newest-country

· http://deolhonailha-vix.blogspot.com.br/2015/09/liberland-o-suposto-novo-pais-europeu.html

· http://globotv.globo.com/globo-news/estudio-i/v/cidadao-tcheco-tenta-criar-um-pais-entre-a-croacia-e-a-servia/4399916/ (tentem ignorar o apresentador se puderem)

· http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/rodrigo-wolff-apolloni/o-homem-que-criou-um-pais-479hlvxfr1cb1h3csddg950b4

Bem, nem importa que o cara tenha sido tragado para algo muito maior do que ele esperava, ou se tudo não passará de uma zona temporária, a questão é simples: ele descobriu sua América; ou pelo menos colocou um ovo em pé. “Pare de falar e apenas faça.” foi o que ele fez, como pediu Zephania Kameeta no congresso da renda básica aqui no Brasil em 2010 falando de outra utopia: o projeto-piloto da renda básica incondicional na Namíbia. Hoje ministro do recém criado ministério para a redução da pobreza do seu pais, tem a chance de fazer dela realidade para todos.

Parecem coisas fora de lugar. Liberland e Renda Básica. Não são. Se você leu minhas propostas para o Seastanding e renda básica para refugiados na Europa vai entender exatamente a relação de Repúblicas Libertárias, terra nullis, águas internacionais e até piratas e democracias diretas. Não, não estou falando coisas sem nexo, nem fora de lugar; todas elas estão interligadas por princípios e finalidades.

A renda básica é a utopia da humanidade por excelência, era quando tinha sentido pejorativo, agora o é mais ainda no sentido pleno da palavra tão bem definido por Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua a utopia não é digno de se espiar, pois ignora o único território em que a humanidade sempre atraca, partindo em seguida, para uma terra ainda melhor”. E acreditem está é uma utopia que não me contentei em descobrir nos mapas, confesso que a vivi e luto por elas desde a época em que ainda era só moinho-de-ventos.

Renda básica e utopias são ideias tão profundamente intrincadas, que a primeira defesa de um mínimo vital que se conhece está no livro “Utopia” de Tomas Morus. Também não por acaso a primeira proposta como política de estado de uma renda básica foi feita por outro Thomas, Paine- o revolucionário das 2 revoluções: americana e francesa- olhando para a questão da terra exatamente pelo mesmo princípio lockeano do homestead no qual se funda tanto os EUA quanto Liberland. Aliás, a proposta da renda básica de Paine entregue a assembleia revolucionária francesa não é apenas o nó desta rede de conexões que estou demonstrando aqui, mas é ainda tão atual e pertinente a tudo que estamos vivendo no Brasil e no mundo até hoje que seu nome se já não diz tudo, diz muito: “Justiça Agrária”.

É sobre utopias, justiça agrária, terras de ninguém, pax romana e sobre o direito natural que escreverei aqui, olhando para as utopias como elas são: necessidades não meramente emergentes, mas quando renegadas e ignoradas as desastrosas necessidades vitais e emergências não mais dos povos invisíveis de classes e mundos inferiores, mas de toda a humanidade.

É da relação das utopias com a queda dos reis, impérios, feudos; das revoluções iluministas do passado e presente; da abolição de trabalhos forçados e servidão alienada; é da queda das desigualdades de autoridade sobre o bem comum, da queda de todas as formas de privação de liberdades fundamentais; é da garantia de direitos naturais e sociovoluntários como a fonte constitucional de repúblicas democráticas e libertárias que tratarei neste artigo dividido em 10 partes sobre Liberland.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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