Laranja-Mecânica: Não é por 40 reais

Os mitos totalitários do “nós não sabemos de nada”

Polícia de Mafra investiga morte de bebê após 15 horas de espera por ambulância

Teria custado 40 reais para abastecer a ambulância do Samu que deveria ter transferido a menina de 2 anos, que ainda poderia estar viva, se não tivesse esperado mais de 15 horas para ser atendida. Mas você sabe, eu sei, essa criança não foram 40 reais que faltou.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deixou de usar este valor para abastecer a ambulância e não aceitou que outra pessoa pagasse para agilizar o transporte do bebê (…)

O médico regulador informou que a ambulância de Mafra não tinha combustível e que para abastecer só seria possível com o cartão corporativo da empresa que administra o Samu[grifo meu].

Às 15h, a Secretária da Saúde de Mafra apelou para o coordenador do Samu na Capital, mas o médico também negou a autorização para abastecer a ambulância por conta própria. No final da tarde, eles acionaram o Ministério Público para tentar uma liminar que autorizasse o abastecimento. Só pouco antes das 23h, uma ambulância de Canoinhas chegou a Mafra.

Os profissionais foram informados que o transporte seria feito até Rio Negrinho e de lá até Joinville, por outra ambulância, também por falta de combustível. De novo, eles pediram autorização para abastecer e o pedido foi negado pela coordenação do Samu.

O quadro de saúde da criança começou a desestabilizar. Só às 3h do dia 9, ou seja, 17h depois, a menina deu entrada no Hospital Infantil de Joinville. Às 12h30, ela não resistiu à terceira parada cardíaca e morreu.(…)

Em 2012, o governo do estado terceirizou a administração do Samu para a Sociedade Paulista para Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

A equipe da RBS verificou o registro de pagamento que mostra que só neste mês de junho, a SPDM recebeu quase R$ 8 milhões para o custeio mensal do serviço.

Até agora, nem a SPDM, nem a secretaria estadual da saúde, disseram onde está expressa a proibição para receber doação de combustível em caso de emergência, nem porque não abasteceu as ambulâncias que atendem o Planalto Norte a ponto de não dar conta de prestar o serviço. (…)- Relatório detalha tentativas de conseguir ambulância para bebê no Norte de SC; criança morreu

Não. Não é por 40 reais. E não, essa criança não morreu só por omissão de socorro. Ela morreu assassinada por uma máfia que monopoliza os serviços públicos e não presta e deixa prestar. Por trás da burocracia está a corrupção, um esquema formado para pilhar um serviço essencial. Um esquema que no momento em que se constitui a regra, a lei, passa a ser o próprio sistema. O crime legalizado que não apenas se impõe como autoridade, mas passa a ter poder para processar, despedir, e criminalizar quem não cumpre suas ordens, quem não entra no esquema.

Basta se perguntar:

o que teria acontecido se um subordinado, tivesse desobedecido as ordens e abastecido a ambulância e levado a criança mesmo, assim.

o que teria acontecido se os pais dessa criança desesperados tomassem a ambulância para salvar sua filha ? Seriam presos por roubo do patrimônio público? Seriam preso a mando dos verdadeiros ladrões que mataram sua filha?

E que daqui a um ano estarão sorrindo e pedindo votos nas ruas, distribuindo santinhos e pegando crianças no colo, as mesmas crianças que os esquemas que suas quadrilhas políticas vão eventualmente matar impunemente. Vão desfilar toda a sua psicopatia se fingindo as vitimas e heróis dos crimes hediondos que praticaram, vão abraçar os familiares das suas antigas vítimas e sorrir para suas novas vítimas em potencial. Não, eles não estão vendendo bebidas ilegal, traficando drogas, produtos contrabandeados, nem muito menos cd piratas.

A relação da sua atividade com a morte, que causam não tão direta quanto do assassino que faz o serviço sujo para a mafia e puxa de vez em quando o gatilho, mas é tão direta quanto a do mandante que não precisa estar presente e por vezes nem sequer dizer mate este ou aquele. Basta apenas estar no topo da cadeia de comando de uma grande organização assassina. Ou você acha que Hitler ou Stalin puxaram o gatilho ou assinaram cada ordem para matar ou “deixar morrer”? Ou que no século passado eles não sabiam destruir provas ou ignorá-las mesmo depois de públicas e notórias? Eles? que inventaram esse aparelho monstruoso chamado de propaganda política?

Não é nem sequer contra a corrupção do Estado, mas contra um Estado corrupto que lutamos, é contra esse monopólio maldito, essa cultura de servidão que faz do Brasil essa ditadura da inação e omissão. Onde assassinatos viram fatalidades. E a nossa sina uma questão de sorte e predestinação e não de autodeterminação. Porque para ser corrompido, um dia esse Estado haveria antes de ter estado nas mãos do povo, e esses governantes sido servidores e funcionários; e não como sempre esteve, nas mãos de reis, fidalgos e coronéis com o povo reduzido a massa, plebe, a obedecê-los.

A burocracia e corrupção de um Estado de Crime Oligárquico Legalizado não são falhas jurídicas ou administrativas do sistemas, não são esquemas dentro dos sistemas, mas os esquemas que constituem o sistema. São o sistema. Isto é o Estado! a máquina, que amplifica os poderes e alcance dos que as detém para satisfazer suas manias e perversões, a revelia do sofrimento alheio, ou pior, diretamente ligado ao prazer que extraem do que para vitima é sofrimento, mas para eles é o próprio prazer do poder: o saber do controle absoluto sobre a vida e morte sobre elas, suas vítimas.

Sentado numa poltrona de couro ele acende seu charuto cubano, toma um Whisky escocês e sozinho se delicia, entre uma tragada e outra, com a ideia que como a fumaça envolve a sua mente… vida e morte.

Psicopatas ou sociopatas têm como característica a falta de empatia com as vítimas, insensibilidade, a falta de remorso e a frieza para agir. Mas nem sempre eles se personificam como um assassino cruel, como se fossem um Coringa ou Hannibal. Ao contrário, eles podem ser “gente como a gente” e estar no seu trabalho, na sua vizinhança, no seu círculo social e até ter conseguido o seu voto nas eleições.

Os estudiosos chamam de “psicopatas de colarinho branco”, os psicopatas que têm atitudes destrutivas, mas não letais. “Há um mito nessa associação ao serial killer. Os seriados e os filmes criaram a caricatura do psicopata violento. Existem psicopatas que são pessoas destrutivas de forma indireta, desorganizam os ambientes, constroem prédios com material de baixa qualidade e até fazem investimentos de alto risco, por exemplo. Podem ser empresários, políticos corruptos ou indivíduos comuns”, diz o médico Antonio de Pádua Serafim, coordenador do núcleo forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“Às vezes parece que o psicopata está ligado a outra pessoa, mas ele tem um egocentrismo patológico, todas as ligações pessoais e as familiares são para benefício próprio. Essas pessoas não sentem remorso e culpam os outros pela sua atitude. É comum ouvir justificativas como: ‘eu o agredi porque ele me provocou’”, diz Serafim.

A psicopatia e a sociopatia são vistas pelos especialistas como sinônimos que representam a mesma condição mental chamada transtorno de personalidade antissocial ou dissocial. Mas para Hototian psicopatia não é doença. “É algo intratável. É um traço de personalidade que faz o indivíduo tentar destruir o outro social ou profissionalmente por prazer.(…)”- Político corrupto pode ser um psicopata. Será que você identifica algum?

Não, definitivamente não é por 40 reais.

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Morre menino com câncer atendido ao lado do lixo no Infantil

E que não adianta imitar a falsidade de nossos líderes, a dizer que não sabíamos… Porque assim como os capos sabemos e a “história” nunca perdoa.

Frustrados com o experimento democrático da República de Weimar (1918 a 1933) — instaurada na Alemanha logo após a I Guerra Mundial, herdando todo o peso da derrota do país na disputa, resultando em caos econômico, social e político -, os alemães se mostraram orgulhosos ao enxergar Hitler como um líder que conseguiu lhes devolver a sensação de segurança e normalidade, além de combater o desemprego e a inflação. Ao avaliar um vasto material sobre a polícia secreta e os campos de concentração publicados na imprensa naquele período, Gellately comprova que o povo alemão formou a base sólida do regime nazista. As autoridades não só publicavam histórias de “crime e castigo”, como elaboravam uma teoria prisional e policial coerente, racional e científica. (…)

“Entre 1933 e 1939, a maioria dos cidadãos sabia sobre os campos de concentração e a Gestapo (polícia secreta do regime nazista), simplesmente porque se podia ler abertamente sobre o assunto na imprensa. Conhecendo o mito “nós não sabemos de nada”, fiquei chocado com a quantidade de material que era publicado na imprensa local, regional e nacional. Muito do que aconteceu estava ali — as pessoas apenas ignoravam por rejeitar a informação. Isso porque o regime nazista não ameaçava todos os alemães, apenas grupos minoritários selecionados, incluindo, claro, os judeus. A grande maioria da sociedade tinha pouco a temer. Já durante a II Guerra, entre 1939 e 1945, as informações eram mais encobertas. Não obstante, um grande número de pessoas estava envolvido diretamente com as ações do governo, e as notícias chegavam a qualquer um que quisesse de fato saber o que acontecia por baixo dos panos. Nesse período, os campos de concentração cresceram, ocupando fábricas distantes dos centros urbanos e também no interior de algumas cidades, tornando-se parte da vida cotidiana das pessoas e, portanto impossível de serem ignorados.”

Quanto os alemães de fato sabiam sobre os campos de concentração e a Gestapo? “Eles sabiam muito. O regime tinha orgulho de sua nova polícia e a celebrava anualmente no “Dia da Polícia Alemã”. Um bispo católico chegou a se gabar à congregação sobre como um campo de concentração na região tinha dado à área um novo “sopro de vida”. Hitler apostou no apelo popular por meio de um regime baseado no lema “lei e ordem”. Não são poucos os que preferem a repressão em nome da lei e da ordem em toda parte do mundo. E nós sabemos que esses recursos podem ser perigosos para pessoas ingênuas e inocentes. Por isso, o terror trouxe muito mais apoio ao nazismo do que tirou. O regime se vangloriava de sua nova abordagem contra criminosos reincidentes, alcoólatras crônicos, criminosos sexuais, desempregados e mendigos. Hitler prometeu “limpar as ruas”, e a maioria das pessoas aprovou a medida. Algumas acreditavam de fato no Hitler e no nazismo. Outras queriam proteger seu país e lutar como nacionalistas e patriotas. E provavelmente a maioria lutou para manter distantes os russos e os comunistas, que eram amplamente temidos e odiados no país.”(…)

Como a imprensa construía histórias consistentes sobre o regime? “A abordagem nazista para o crime, a raça, a polícia, os campos de concentração não eram apenas casuais, irracionais e esquizofrênicas. O regime, na verdade, apresentou medidas racionais consistentes ao público na imprensa e no cinema. A censura — além de deixar de fora judeus e desligar as vozes comunistas e socialistas — não foi martelada a cada dia. As organizações nazistas, incluindo a SS e a Gestapo, sabiam perfeitamente bem o que queriam dizer, mas Joseph Goebbels e seus parceiros tinham em mente que os cidadãos perceberiam se todos os jornais divulgassem notícias idênticas. Então, era dada aos editores uma ideia geral do que o regime decidia que seria noticiado, e cada veículo seguia aquela ideia a sua maneira. O jornal diário do governo, o Voelkischer Beobachter, era o de maior circulação no país e suas histórias eram frequentemente repetidas por outras publicações. A SS também tinha sua própria publicação, igualmente popular. Para reforçar a boa imagem do sistema, Hitler e Goebbels ainda favoreciam e tratavam com condescendência certos escritores, diretores de cinema e outros artistas. Com isso, os filmes que se destacavam elevavam a raça alemã e promoviam o racismo e outros valores nazistas.”

Quais “benefícios” o nazismo deu à Alemanha? “Até hoje, Hitler é lembrado por ter garantido uma segurança tal que permitia que as mulheres andassem à noite sem medo ou que os cidadãos deixassem suas bicicletas destravadas sem riscos. Todas essas histórias são só parcialmente verdadeiras, mas ajudam a explicar por que as pessoas apoiaram Hitler. Depois de Weimar, os alemães finalmente podiam dar boas vindas a tempos melhores. Hitler lançou mão de programas de ordem pública e investiu no rearmamento do país para a guerra. O que realmente contou para muita gente foi que ele reduziu consideravelmente o desemprego e trouxe de volta ao país seu orgulho — especialmente ao rasgar o odiado Tratado de Versalhes (1919), acordo de paz que representou o fim da I Guerra Mundial e foi considerado uma vergonha nacional, por impor uma série de restrições à Alemanha.” -Os alemães sabiam — e aplaudiam — atrocidades do nazismo

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Dizem que o Papa agora quer excomungar os corruptos e mafiosos. Só tem um sério problema de direito teológico: a jurisdição. Esse reino não é de deus, mas do capeta. Ou melhor, é território que pode até pertencer aos filhos de deus, mas está sob o domínio do(s) diabo(s). Rigorosamente, portanto, não é caso de excomunhão, mas exorcismo.

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O que foi o Holocausto brasileiro: 60 mil mortes dentro de um hospital psiquiátrico (Foi?)

Não, senhores, a Estatopatia não é uma insanidade apenas de lideranças alienistas, mas de povos inteiros alienados.E alienados não só da sua própria história, mas do seu destino reduzido a sina de predestinação como sacrifício humano.

Não sei se o inferno é aqui, mas que é o campo de concentração dos alienados, isso eu não tenho dúvidas. Afinal de contas, sou brasileiro e o estado de monopólio da ultraviolência, as laranjas-mecânicas, estão aqui.

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O termo Ultraviolência foi usado pela primeira vez no livro Laranja Mecânica para se referir a atos de extrema violência totalmente aleatórios e injustificados. É a violência pelo prazer da violência” Permitam-me completar: é a violência que justifica e “legitima” a si mesma enquanto violência; a supremacia pela supremacia da força de fato como finalidade e meio em si mesma. Mas para quem é obrigado como essa família a assistir (e sofrer) impotente a agonia dos seus filhos, que é a sua própria, ela se chama: máquina estatal. Ou simplesmente Brasil, um sinônimo para um pais sem nação, um pais desprovido de sociedade, reduzido a um Estado de concessão e possessão privada de quem o controla e detém para a satisfação de todos seus desejos e prazeres, mesmos os mais perversos, desnaturados e corrompidos. Clockwork Orange.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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