Interessante matéria, que corrobora em parte a natureza de farsa e engodo da política representativa.

Porém, há que se lembrar um questão importante:

Por que o presidente Hindenburg nomeou Hitler chanceler?

Dizem que é sábio manter seus amigos próximos e inimigos mais próximos ainda, ao que parece um erro comum das democracias em especial das prepotentes políticos social-democracias (de esquerda e direita), criar cobras dentro de casa achando que não vai morrer picado. Um exemplo claro da esperteza que devora o esperto, mas não é só isso.

Como o artigo aponta o estado crescente de deterioração tanto econômica quanto institucional da democracia alemã de então, abre espaço para um a situação que caracteriza a possibilidade da tomada de poder seja ela por qualquer via. Incluso a utilizada pelos fascistas e nazistas a intimidação paramilitar frente a um sociedade impotente e alienada e a espera de um novo kaiser que os guie para fora da crise.

O mito pode ser produto da propaganda, o termo “tomada de poder” não. Porque não há maior mito de que o destino de uma nação seja definido pelas maiorias e ponto final. É sim definido pelos grupos mais organizados e mobilizados a revelia dos grupos desorganizados e inertes, ainda que o primeiros sejam uma pequena minoria belicosa frente a imensa maioria do segundo não apenas pacífica, mas passiva.

Há um abismo imenso entre ser pacifico e ser omisso. E transformando essa zona cinzenta no campo de batalha dos militantes que os lideres e partidários tomam o que querem do poder, incluso o próprio poder, não só para estabelecer ditaduras mas para manter qualquer governo que não tenha o apoio, credibilidade, anuência, nem sequer respeito da maioria da população ou seja legitimidade.

É isso que inevitavelmente faltará para qualquer candidato que eventualmente ganhe essa nossa pseudo-eleição 2018. Com sorte ele terá de fato um terço da população de fato o apoiando, as outras partes mais ou menos cagando e andando para quem está no poder, ou apenas votando nele para que outro não chegue ao poder, o que serve para tomar o poder nas farsas democráticas e mantê-los nas ditaduras disfarçadas ou não, mas não sustenta a governabilidade e as vezes sequer o governo nem sequer nas mais honestas democracias representativas, imagine nas corrompidas.

Eleição é fotografia. Tomada de poder é história. Como bem sabemos, na história recente do Brasil, nem sempre quem ganha leva, e precisa trazer senão o inimigo o programa de governo do adversário não só para ver carrega o elefante que derrubou, porque em política partidária como se sabe vergonha não é roubar, é roubar e não conseguir levar, mas para ser se não cai do cabide onde se pendurou.

Assim, seja praticando roubo, estelionato, chantagem, ou terrorismo, ou nada disto. Seja ganhando as eleições de mãos limpas e sem manobrar suas hordas de fanáticos e alienados contra o restante da população, ao chegar ao Planalto esse paraquedista não vai governar não para a maioria da população. E por uma simples razão, se ousar tentar fazer isso será deposto mais rápido que Jânio Quadros o pai dos paraquedistas populistas.

Como diria Jânio Quadros como quando foi perguntado porque fez o que fez, porque renunciou a presidência em 1961:

Pois é. Seus adversários, idem. Quem pode, pode faz, quem não pode vota e assiste. Ou como diria o eterno garoto propaganda da sociedade do espetáculo brasileiro, Tony Ramos, “você vota, você decide”:

Como observou o libertário francês em idos de 1900 quando mal tinha acabado o século retrasado:

Pois é certas coisas não mudam, apenas trocam de maquiagem, ou melhor, é a maquiagem é que troca de “coisa”.

Seguem dois textos assinados por Zo d´Áxa, o acima mencionado e mais um ainda mais pertinente a questão…

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.