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http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/27/politica/1430156536_377858.html

Impitimam. E se mesmo depois do sim, a Dilma disser não? Parte 1

Impeachment? De novo? Façam a pergunta certa: se mesmo depois de cair, ela não quiser sair?

Tome coragem e se pergunte logo em voz alta? Se derrubarem a presidente ela vai sair? Que eles querem derrubar eu não duvido; que eles podem também não; não é nada disso o que eu estou perguntando; não estou perguntando no que você acredita ou acha certo ou errado, estou fazendo uma perguntando simples e direta: o que você acha que ela, a presidente acredita: Justo ou injusto, paraguaio ou brasileiro, uma vez aprovado no congresso ela vai obedecer a ordem constitucional suspeita ou insuspeita, ou irá contra a decisão do congresso?

Loucura? E o que você tem visto de são na política ultimamente? Ademais, não estou afirmando nada. Estou perguntado. Alguém sabe o que ela vai fazer ou todo mundo está naquelas ainda: não ela não faria uma coisa dessas…

E não, para demostrar que até a loucura tem suas razões, ou que temos pelo menos nossas razões para desconfiar e muito de gente aparentemente sã que não para de cometer as mais insensatas decisões. E não estou falando só da presidente.

Não questiono a legitimidade do congresso nem a da presidente. É incontestável a legalidade do congresso para mover um impeachment, mas pergunto: tem dentre os congressistas tem credibilidade ou moralidade para tanto? Imparcialmente inverto a pergunta: e o governo tem credibilidade ou moralidade para contestar o congresso ou qualquer decisão constitucional seja ela juridicamente perfeita ou falseta? Minha pergunta é simples e direta e está baseada em nada além do evidente estado de insegurança e conflito entre poderes institucionais: Quem realmente acredita que qualquer um dos lados esta disposto a ceder frente a argumentos jurídicos incontestáveis? E quem depois da guerra ficar de pé não será ou pelo menos não terá de ser colhido ou pior acobertado pela justiça?

Ninguém está vendo ou não quer ver? O argumento politico-jurídico incontestável da oposição para o impeachment é aos olhos dos governistas a essência do próprio golpe paraguaio. Enquanto os entendimentos de que os movimentos políticos do governo sem nenhum respeito a juridicidade são aos olhos da oposição a legítima razão para seu impedimento. E as olhos do povo os dois lados nada mais do que uma grande famiglia. Tradução: o que o governo chama de governo é para a oposição no congresso um golpe, e o que a oposição no congresso chama de impedimento constitucional é para o governo o golpe. E aos olhos do povo o que cair ou subir será ainda sim um bando de golpistas e nada baratos. Pelo contrario os mais caros da história.

Ignorando para variar o que o povo está vendo ou pensa, algum legalista poderia dizer simplesmente que a primeira e última palavra é da constituição: e ela diz neste caso que quem tem a última palavra é o congresso. Contudo, se ainda não me fiz entender, vou tentar me expressar de outra forma. Peço que por hora esqueça sua opinião e posicionamento ideológico; questione-se de uma forma diferente; pergunte a você mesmo tão somente o seguinte: justa ou injusta; revolucionário ou não, quem garante que este governo não alegará a inconstitucionalidade da decisão do congresso e simplesmente não acatará o impeachment?

Ele não pode insistiria ainda sim um crédulo teimoso. Mas pergunto de novo: não é justamente por fazer o que não pode que está sendo deposto? Ou é tudo não passa mesmo de um golpe? E eis a questão que isto importaria frente ao fato? Será que não estão mais uma subestimando o já afamado descompensado espírito aguerrido da presidente mesmo frente as piores consequências estratégicas ou até mesmo racionais? Se ela impensadamente resolver se entrincheirar no Planalto, estaríamos, portanto, saindo do atual conflito institucional para entrar num evento de ruptura da ordem constitucional que qualquer tentativa de previsão depois disso seria puro achismo.

Veja não estou dizendo que ela vá fazer. Não estou dizendo nem que o impedimento irá ou deva ou não ocorrer. A questão que não pode ser descartada com o clássico “imagina ninguém faria uma coisas dessas”, não se aplica a movimentos políticos desta gravidade. Poxa, o moleque anarquista e inconsequente sou eu, vocês estão tirando meu nicho de mercado. Acho que lá em Brasília deve ser é tanta a vontade de simplesmente desaparecer com os problemas, tanta a vontade de não acreditar que todo esse absurdo seja verdade, que a negação já fez os atores políticos perderem a noção não apenas dos danos econômicos e politica, mas dos riscos institucionais que até ontem oficialmente “não existiam”. Assim como antes não havia crise econômica, e não havia crise politica. Ao que parece eles só tem coragem para diagnosticar doenças em necrológicos.

Então, sem essa historinhas da carochinha, velhos de rastelo,(ou sei lá que cogumelo alucinógenos se usa por aí), se há algum consenso ainda que falso entre vocês que a competência, sanidade, sensibilidade politica da presidente e casa civil foi-se ou nunca existiu de fato, então vossas excelências oposicionistas declarados e nem tanto: gostaria de esclarecimentos se ela fizer mesmo o que está falando: “daqui eu não sai daqui ninguém me tira”, e aí, como é que ficamos? Vou melhorar minha pergunta: que representantes institucionais ficarão do lado de quem?

Isto posto, alguém já pensou, nem que por curiosidade, em no mínimo sondar os militares para saber se sua lealdade é a constituição (leia-se: congresso), ou ao governo (leia-se: a comandante em chefe das forças as armadas)? Ou está todo mundo se guiando mesmo pelo senso comum: militar não gosta de petista logo…

Não sei, confesso que entendo pouco de ordens militares mas tenho por mim que militar gosta mais de ordem e hierarquia do que desgosta deste ou daquele partido que nem de esquerda de verdade é. Digamos que eles façam a opção correta e ficam do lado da ordem, restará saber aonde está ordem onde eles enxergarão está caso o enfrentamento institucional deflagre uma ruptura da ordem constitucional.

Você acha que as coisas que eu falei tem algum sentido. Então suponho que você está entre os tranquilos porque as coisas com mais sentido parecem hoje ser as menos prováveis de acontecer no Brasil. Agora você achou tudo o que eu falei, um completo absurdo. Então não repasse este artigo a ninguém com poder, porque ao que parece a preferência atual é pelo absurdo.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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