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Impitimam. E se ela cair, mas não quiser sair? Parte 3

Da disruptura institucional a ruptura constitucional

Segundo a oposição das 3 alternativas que haviam para este governo restaram apenas 2:

1. Renuncia.

2. Ou impeachment

Convenhamos não são alternativas. Assim como a terceira que há se é que ainda há ou havia nunca foi:

3. Conformar-se com a deposição branca, e ficar no cargo sem o poder de fato.

Veja portanto que dadas as opções já nem importa o que ela pretendia ou planejava isto não são escolhas que se imponha, nem portanto que se aceite.

Se foi posta ou se pôs, o fato é que Dilma está numa camisa de força que quanto mais ela se debate mais ela parece insana e menos chance de escapar tem. Isto porque a camisa de força parece ter sido feita sob medida para suas manias e idiossincrasias, entre elas a prepotência. Contudo prepotência por prepotência, por mais imbecil que ela seja ou se suponha é o outro lado que conseguiu a façanha de não só perder a eleição, mas ao que tudo indica não perceber ou deixar que o aparelhamento do estado se desse para muito além dos seus interesses outros. Roubada ou não as eleições, ninguém dos partidos dos trabalhadores nasceu dono do poder, foi preciso que os herdeiros perdessem ou entregassem o que era seu, ou melhor do povo para eles.

Não há nada pior do que subestimar a capacidade das pessoas não só para fazer coisas boas e ruins, mas para acertar em tudo que é de errado, e errar em tudo que é certo. Não há prepotência maior do que pensar que se sabe o que o outro vá fazer ou é capaz. Seja por supor que outro seja muito estupido, seja por supor que ninguém pode ser tão idiota. A pressuposição é em si a estupidez. Por isso, pior do que arrogância é a prepotência E no Brasil ambas dormem juntas e dão filhotes no poder. E o que não falta nas altas esferas do poder é gente cheia de pressuposições e certezas de tudo e si mesmo. Não é de surpreender como a esperteza tenha devorado tantos espertos, mas como os espertos estão se devorando — e pare para ficar assistindo ou achando graça para ver o que te acontece.

Nem o mais maquiavélico dos anarquistas conseguiria conspirar por uma tamanho quadro de insegurança institucional como estes amantes do poder estão conseguindo criar. Para quem não trabalha só certezas, dogmas ou pressuposições, o risco hoje de uma quebra da ordem constitucional é proporcional aos da ruptura na ordem institucional.

Sinceramente tenho serias duvidas se eles estão considerando com seriedades as consequências de três possibilidades:

1. os riscos de um impedimento com um embasamento jurídico perfeito mas não incontestável.

2. os riscos, de um impedimento contra uma presidente que parece disposta a se entrincheirar no Palácio do Planalto.

3. os riscos de revoltas populares se vier um operação abafa ou pizza.

Será que tem gente se preparando pro impossível, ou só existe hoje gente se preparada para ficar depois revogando o irrevogável. Hoje o impossível é que realmente Dilma cumpra o que está dizendo: “de lá ela não sai de lá ninguém a tira”. Não importa muito mais o que você acredita ou se eles acreditam mesmos no que falam, temos uma presidente parece cada vez mais disposta a defender sua posição insustentável e uma oposição cada vez mais disposta a ocupar seu lugar, para preservar tudo o que há de pior.

Por isso passa da hora de perguntar, a quem sem retórica as forças armadas guardam sua lealdade:

· a seu comandante em chefe, a presidente?

· a lei, a constituição?

· ou aos em derradeira instancia aos verdadeiros soberanos o povo?

A quem o cano será apontado se a crise não for resolvida a contento de todos: aos que jogaram o pais no estado que ele está congresso ou governo seja quem for ou a população cada vez mais revoltada a ponto de explodir? Temos que entender a questão não apenas do ponto de vista políticos ou econômico, mas também da sociedade que se levanta também para cobrar sua fatura como os outros setores, geralmente só paga as contas, mas quando se levanta….

Estamos, portanto diante ainda do mesmo impasse institucional desde que a validade das eleições foi contestada, e agora com um agravante o contestação está mudando de lado, e quem desqualifica a ordem é quem mais de fato a sustenta e se sustenta nela. Não quem perdeu o poder mas quem ganhou, mas ao que parece não levou. E isto não é apenas autodestrutivo é perigoso: porque quem chora agora detém a força de fato para não ficar só na reclamação.

Quem garante que o governo não irá gritar: é golpe! Quem garante que o congresso não conseguindo o que quer não continuará até de fato chegar ao golpe? Ou pior quem garante que depois de destruírem as duas casas elas não vão arrastar ainda o que sobrar do poder judiciário que não feito de virgens vestais? E quem acha então que os militares neste ponto ainda vão estar assistindo a tudo com a mesma impassividade? E mesmo que estiverem, se seu comprometimento com a democracia e a constituição for maior que o do executivo e legislativo, quem disse que a população não vai reclamar por conta própria que se devolva o que é dela: a soberania?

Vejam, por exemplo, o juiz Moro: o novo ícone do sebastianismo eterno dos idolatras por símbolos de autoridade, ele séria e sabiamente recusou este papel ridículo e ainda por cima cravou: “a Justiça não funciona para os poderosos”. Nenhuma novidade aos lúcidos, mas e para estes outros que não vivem sem sua ilusão? Quem garante que esse povo não fará nada? E os que precisam mais do que ilusão? Os que precisam cada vez mais de condições concretas para sobreviver, e que já começaram a voltar a faltar? o eles vão fazer?

Você pode dizer: não, a presidente, o congresso, nossas forças armadas, nosso povo, a justiça todos irão respeitar acima de todas as coisas nossa constituição. Ótimo, mas e se não? E se as coisas não só no Brasil, mas no mundo já não forem mais tão simples assim? E se neste de hoje depois de tudo que aconteceu, o governo e congresso para se salvarem da justiça (leia quem quiser da cadeia) se aliarem para encontrar uma saída legal (e para eles sempre há uma)? E se simplesmente a crise politica sem mais nem menos acabar e só ficar a conta da econômica como é que fica? Será que a população vai mesmo depois de tudo voltar quietinha para o mesmo curral da velha ordem institucional?

Já não importa se você como eu, não é crê na democracia representativa. A questão não é o que eu, você, ou o que eles acreditam; a questão é o que eles esqueceram de fingir que acreditam. Representação é atuação. Quando questionam uma ordem institucional não estão pondo em duvida está ou aquela decisão estão contestando as regras do seu próprio jogo que depende da qualidade da sua farsa ou atuação — como queiram.

Peço uma vez que esqueçam se puderem seus espectros ideológicos, suas convicções politicas e até julgamentos morais, apenas analisem os fatos e eventos sob a luz da coerências dos próprios argumentos, e me por favor me ajudem a responder minha dúvida: aonde estão os sinais claros que não haverá ruptura da ordem constitucional?

Não acho a constituição tábuas dos 10 mandamentos, longe de mim crer neste tipo de blasfêmia ou mito secular de poder total, mas quando vamos parar para ouvir o pronunciamento dos verdadeiros soberanos? Onde está a convocação da justiça aos legítimos detentores do poder para reescrever uma nova constituição? Onde sequer estão os verdadeiros revolucionários para convocar o povo para celebrar um novo pacto social? Não tenho dúvida que muito em breve isto será necessário e inadiável, mas não com estes atores, não nestas circunstancias. Com eles e do jeito que as coisas vão com ou sem o desgoverno atual, a paz e os direitos humanos tem mais chance de sofrerem perdas do que ganhos.

A pergunta correta, portanto, a pergunta legitima a ser feita: não é se o povo brasileiro irá respeitar a soberania do pais e a ordem institucional, mas sim se a ordem institucional não irá violar a soberania do povo e a ordem constitucional?

Posso estar sendo trágico, mas não sou pessimista, tenho certeza que não devemos recuar por medo deles. Se eles querem se explodir que se explodam todos abraçados com sua corrupção, mas não carregando a nós nem o pais como seus reféns, por favor. Que acordemos, porque se dos governantes não se pode acreditar me nada do que dizem, também não podemos duvidar de nada do são capazes. No que depender deles só sei que se Roma tiver que pegar fogo, ela vai pegar fogo. Uns dirão que foi Nero, outros os cristãos. O fato é que ela vai queimar. Por isso, mais do que nunca não hesite: governe-se, porque ao menos uma coisa eles já decidiram por nós: se governar eles não vão.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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