Imortalidade: a desigualdade social como solução final.

A eterna guerra de Cronos contra as novas gerações e uma apologia do sentido da vida e da morte

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Se Bill Gates pudesse mudar uma coisa no passado, seria o Ctrl + Alt + Delete

Gosto de pegar no pé de Bill Gates, mas justiça seja feita neste caso tenho que concordar com ele. Não sei qual a sua motivação social: se é o medo de uma pandemia; a imunização estratégica para outros fins; ou se é só o que parece mesmo, humanitária. Mas neste caso pouco importa, porque não preciso conhecer suas razões para concordar com as prioridades. Até porque tenho as minhas…

Peter Thiel é um ícone do Vale do Silício. Fundador do Pay Pal e um dos principais investidores do Facebook, ele é taxativo sobre um tema: a morte. “A maioria das pessoas lida com a morte através de uma estranha mistura entre negação e aceitação, mas isso as deixa passivas em relação a morte. Eu prefiro lutar contra ela”.

E ele não é a única pessoa que acredita ser possível viver para sempre. Ray Kurzweil, Diretor de Engenharia do Google, famoso por ter acertado 86% de suas previsões sobre o futuro, disse que atingiremos a imortalidade ainda neste século. -Para engenheiro do Google, vamos atingir a imortalidade ainda neste século

Vamos? Vamos, quem cara-pálida? Mas, não. Não se preocupem. Não vou ficar aqui batendo nesta tecla. Não vou fazer desse texto mais outra critica a essa vida de eunuco, de quem vive de “gozar com o pau dos outros” quando nem pau tem, castrado antes mesmo de nascer. Que as fantasias daqueles que sonham em viver para sempre não são as mesmas dos que lutam para sobreviver mais um dia (sem sequer se dar o “luxo” de sonhar) isso é- ou pelo menos deveria ser mais do que evidente. “Nós” não somos “eles”. E não adianta acreditar nisso, ao menos não unilateralmente. Por isso quero ir um pouco além. Quero falar porque entre o projeto de imortalidade do Vale do Silício ou o fim da mortalidade para todas as idades, sobretudo a infantil, nas “Nambias” da vida -como diria, e disse, Trump- todos nós deveríamos priorizar o segundo projeto, o de futuro também para os “nambianos”. Logo quando me refiro a todos, não estou falando apenas de nós os “nambianos”, mas também deles os Donalds ou Bills, passando é claro por todos aqueles que se acham ou pensam que estão muito mais para “eles” do que para “nós”. Quero portanto argumentar porque acredito que não importando sua classe, raça, berço ou riqueza, porque todos nós deveríamos estar mais preocupados em construir um projeto cosmopolita, para toda a humanidade, e que portanto priorize a inclusão desse “homem”que não está aparece nem nos mapa-mundi atuais, nem nos projetos de futuro para a humanidade. Mas não da perspectiva dele, ou de quem de identifica com ele, mas do outro que o renega ou desconhece.

Quero portanto me colocar no lugar desse homem que prioriza o contrário. No entanto, ao invés de simplesmente comprar a sua ideia de esse progresso, que ele vai chegar um dia até o resto da humanidade, vou supor o contrário, vou fingir que tenho como comprar minha entrada para o show do progresso deles. Mas só eu e não você. Vou fingir que pertenço ao clube mas que por outro lado sou sincero. Não vou ficar então ficar vendendo que esse progresso mais hora menos hora vai chegar também até você ou a alguém menos afortunado ainda que mal tem que mal que vai perder seu filho na próxima hora morto por falta de um soro caseiro. Eu sei que por enquanto ninguém tem a fonte da juventude ou da vida eterna e que eu e você, como todo mundo, vai morrer, a diferença por enquanto é que uns vão morrer mais cedo de causas completamente evitáveis, outros mais tarde porque tem acesso aos melhores condições de vida e tratamentos disponíveis. Não me interessa porque, é assim que as coisas. E se você está entre aqueles que não tem como preservar proteger ou prolongar adequadamente a sua vida, isto é problema é seu, não meu. Não te coloquei no mundo, nem roubei nada de você. Se roubaram vá se entender com está roubando seus recursos e oportunidades. Portanto não tente me demonizar. Não pense que esse meu eu rico hipotético é do tipo eugenista xenófobo ou fascista, que diz “dane-se um boca a menos no mundo”. Não sou um fracassado, com medo de perder meu emprego de merda para um imigrante, nem um político populista carente tentando receber atenção dessa massa de perdedores. Não te odeio, nem te amo. Simplesmente não te conheço, não faço a menor questão em te conhecer e não dou a mínima para você. Sei que existem malucos que amam e odeiam quem nunca viram na vida, a ponto de querer perseguir essas pessoas. Não perco meu tempo com isso.

Pense em mim com um sujeito “normal” que como você que apenas ganhou muito dinheiro. Porque eu tenho que me preocupar com sua vida e não com a minha? Se eu tenho dinheiro para comprar uma bala ou helicoptero, ele é meu, e não tenho obrigação nenhuma de dar ele a ninguém apenas por que está morrendo de fome. Porque eu tenho que me preocupar se você vai morrer, na sua hora ou cedo demais por causa da violência ou privações extremas? E eu com isso? Te conheço? Sou teu pai? Porque uma pessoa deveria se preocupar com outra e não com ela? Em que ponto ela é obrigada a deixar de cuidar dos seus interesses particulares e passar a se preocupar com o dos outros? Quem inventou essa obrigação? Se é que ela existe? E se não é uma obrigação onde é que as pessoas ganham em parar de cuidar de suas fantasias? Porque como ou onde eu sairia ganhando ao invés de comprar sei lá, um par de tênis para mim, em doar para a pesquisa da malária, ou o combate a fome em algum lugar que como Trump nem sei nem quero saber onde fica, Enfim qual é o problema dos caras do vale do silicio, pegarem a grana o tempo e a capacidade deles e dedicarem ao prolongamento da vida, a fim do sofrimento natural com o envelhecimento, e quiça a imortalidade? Porque a prioridade deles deveria ser cuidar de gente que não foi capaz de cuidar de si mesma? Se são incapazes, ou não tem os meios para desenvolver suas capacidades que diferença faz? Que se adaptam, que aprendam a sobreviver, com a herança genética, cultural ou seja lá o que for que herdaram dos seus pais, tribos ou povos para sobreviver. É seleção natural, quem não se adapta morre. E não reclame comigo, não fui que inventei isso, nem estou jogando bombas, metendo balas na nuca, nem colocando ninguém em câmaras. Se estão envenenando sua comida, seu ar, sua terra, sua politica, sua economia, se estão te matando. Vá se entender com eles.

Não estou sendo canalha estou sendo sincero. Sei que tudo o que estou dizendo soa como o cara no lobby pedindo calma num prédio em chamas para quem está preso no último andar. Eu sei que a escada não chega, e que os bombeiros não vão chegar a tempo e que nem todos vão escapar, mas de novo que culpa eu tenho de viver nos primeiros andares e os outros nos últimos? Se é sorte ou mérito não importa, reclama com seu deus que jogou os dados. Não sou o incendiário, apenas faço parte daquela parte da população que os progressos tecnológicos incluso o da medicina chegam primeiro, ou a tempo, porque nada chega de graça e eu posso pagar.

Então se ponha no meu lugar, quem é que se pode não quer viver com mais qualidade e se pudesse chegar até o ponto de não se morrer, ou de sofrer de absolutamente nenhuma dor ou doença? Não iria colocar sua grana nisso. Quem entre um bom jantar ou doar para um bando de mendigo vai gastar seu dinheiro com eles e não com consigo mesmo. Não sejam hipócritas, por favor. Qual a diferença entre nós senão o tamanho da conta bancária? Sei que vocês pensam, mas nós não somos mendigos fedidos. Para vocês, queridos. Se você da nossa visão, olfato, e paladar apurado vocês fedem com seus perfumes baratos, suas roupas arrumadinhas fedem, e ofendem tanto nossa sensibilidade quanto eles a vocês. Sinto muito, quando se é de uma raça pura, não é a cor da pele que determina a sua gene. E até engraçado ver vocês tentando se apartar como porcos num chiqueiro, tenho certeza que os mais branquinhos se acham mais limpinhos, mas todos vocês são para nós apenas porcos mais ou menos encardidos que por mais que tente se higienizar continuar a ser porcos. Para nós vocês são todos como japas ou negros, são sapos, todos iguais.

Em se colocar no meu lugar, considerando que já tenho tudo o que o dinheiro pode comprar, me pergunto que faço como o meu capital? Vou investir meu tempo livre e fortuna, em quê? estudar pesquisar e desenvolver tecnologias como me tornar estender ao máximo meu tempo de vida e bem-estar? Ou investir meu tempo livre e fortuna para findar as mortes por privação e desigualdade estrema de quem tem carestia das coisas mais básicas? Se tenho recursos para sonhar em ser um Faraó, construir pirâmides e me mumificar? Porque vou sonhar em ser imperador porque vou me deveria me preocupar em libertar vocês “hebreus”?”

Tenho poder, tenho posses, o que eu faço então? Vou usar tudo isso que eu tenho para preservar a vida da única pessoa que me importa? Ou vou gastar meu tempo livre de vida que é enorme, mas se esgota a medida que envelheço e morro como os recursos, vou gastar isso com o meu bem-estar para preservar a minha existência ou mais precisamente sua forma? Ou vou jogar Ou vou jogar tudo isso fora como pessoas que não conheço, reconheço e nem valem nada para mim?

Cuidado com a sua resposta. Porque essa pergunta é uma armadilha. Pois se a pobreza in natura (em recursos vitais a subsistência) é absoluta; a pobreza (e portanto a riqueza) em termos dos recursos para perpetrar ações sociais e produtivas tanto para si quanto para os outros é sempre relativa. E se logicamente nas pontas das desigualdades sociais há sempre em uma aqueles que possuem absolutamente mais posses e tempo livre, enquanto na outra aqueles que não tem praticamente nada nem de uma, nem portanto de outra. No meio em diferentes gradações relativas de pobreza/riqueza há também sempre uma imensa maioria que se não possui posses ou tempo livre para sonhar com sua imortalidade, sempre tem mais de um ou de outra para amenizar o sofrimento e a mortalidade alheia.

De tal modo que não é tão difícil assim se colocar no lugar daqueles que tem mais. E entender seus valores e prioridades. Porque esses valores e prioridades ao contrário do que se prega não são fruto de ideologias de classe, mas as ideologias de classes, fruto dessa valores que se dá a própria vida alheia. Ou sendo ainda mais preciso antes mesmos da divisão de classes, há própria classificação não só dos seres vivos e humanos de acordo com a visão e valores a preconceituação que a pessoa tem de si e do mundo. Essa percepção e valoração do mundo tem muita relação com origem e herança, mas não está predeterminada em definitivo por elas, pois a medida que as experiências de vida vão constituindo a visão e valor que a pessoa tem de si e das coisas, também mudam. Desde que a pessoa não tenha perdido ou sido completamente amputada dessa sensibilidade que constituiu o fundamento do seu autodesenvolvimento e evolução inteligente. Vide Gates.

Logo a questão de prioridades antes de ser uma questão de ideologia, ou moralidade é uma questão de visão e valores, ou mais precisamente dos preconceitos que definem a amplitude da noção que a pessoa tem do que são seus interesses mais ou menos seus em particular ou completamente alheios. Concepção inteligente que se dá muito mais por gradação via sensibilidade da relação do conexão existencial, do seu ego com o mundo, do que por abstração binária da alteralidade entre o eu e o(s) outro(s).

Entretanto como disse não pretendo me me aprofundar na questão da desigualdade daqueles que terão acesso a essa tecnologia e aqueles que não terão, porque isso já acontece. A conquista de uma tecnologia que seja capaz de preservar por tempo indeterminado a vida, apenas aceleraria o processo de extermínio dos excluídos durante o período da seu barateamento e universalização (supondo que ele de fato processo de fato ocorreria). Sendo muito mais provável que a morte precoce chegue aos excluídos até a sua redução da sua gene e prole, do que o progresso, por mais que instintivamente as populações mais pobres compensem esse processo de eliminação aumentando o número de filhos. De forma que tanto étnica e culturalmente aqueles que restaram como o universo ou universalidade da humanidade, o conjunto de toda a diversidade de homens vivos com os mesmos direitos a vida e sobrevivência- seja evitar mortes precoces ou prolongada a vida por tempo indeterminado- será a imagem e semelhança dessa totalidade se não for exclusivamente eles mesmos e sua própria descendência. É uma questão matemática, minorias mais vulneráveis a guerra, pobreza, doenças, desastras, hoje sobrevivem porque sua taxa de natalidade porque compensam suas altas taxas de mortalidade, com suas perdas humanas com altas de natalidade. A medida que não houver nenhuma redistribuição das propriedades, através da herança que já é extremamente desigual, a acumulação dos meios vitais e ambientais dos dos que enceraram e ficaram primeiro sua bandeira no mundo se ampliará na exata medida na proporção inversa que a o aumento populacional não compensará perdas, mas aumentará a carestia e disputa pelos recursos rarificados.

Mas vou aqui portanto deixar de lado, o quanto essa utopia deles é a nossa distopia. O quanto esse processo funcionaria como uma espécie de solução final desse holocausto lento e silencio dos povos e pessoas excluídas dos projetos civilizatórios para o progresso da humanidade. Vou me deixar levar que eu e minha prole estará, não importa a razão no conjunto daqueles que sobreviverão para formar o clube da universalidade futura da humanidade. E que faremos “todos nós” parte desses herdeiros que irão ter acesso a imortalidade e ao fim do envelhecimento e sofrimento. Como seria essa tão nova ordem dos eleitos, tão antiga e sonhada desde os anjos caíram dos céus?

Não é preciso de ficção cientifica para projetar isso, porque esse progresso é uma progressão do próprio avanço ciêntifico já presente não só nas relações de classes e gêneros, mas nas relações entre gerações de um mesma gene ou povo. A tendência é que tendência da exclusão que se opera entre tribios ou povos, ocorra dentro dos povos e tribos, e que num mundo de adultos imortais as crianças também desapareçam, ou menos dramaticamente que as taxas de natalidade já decadentes entre os mais ricos e mais desenvolvidos, continuem a cair até tender a praticamente zero, conforme a noção de perpetuação de cada ser em particular se ensimesmar cada vez no tempo e espaço da sua próprio ego.

Sendo altamente provável que a geração de filhos passe a ser regulada. Não por uma questão de tara, ou fobia, fora o medo desesperado de morrer, ou desejo de viver para sempre, mas sim novamente por uma questão econômica, decorrente da alocação dos recursos escassos derivadas da definição de propriedade a partir da ideia de quem chegou e fincou primeiro a bandeira leva. Hoje está mais do que evidente que o planeta não tem recursos infinitos, ao menos não para saciar ambições e desejos eternos e infinitos. E num mundo atualmente já é uma corrida de posse por sobrevivência entre irmãos, onde em geral os primogênitos levam tudo, a presença ad eterno dos que largaram primeiro nesta nessa competição, os progenitores, nos conduz ao que na verdade já estamos assistindo: e não é uma guerra de classes, mas uma guerra de gerações, onde os velhos (os que detém as posses e poder por óbvio) não só não abrem passagem para o nascimento e crescimento dos novos e do novo, como obrigam que essa juventude sustentem suas posse e poder como privilégio “adquirido”. “Ainda bem” que somado a imortalidade eles terão robôs, de modo que não precisarão cultivar seres humanos como replicantes biológicos apenas com o propósito de fazer o trabalho forçado que eles (nem ninguém) quer fazer- por isso a necessidade dele ser forçado. Afinal de que adianta uma toda uma vida eterna ou não de labuta e sofrimento. Melhor mesmo descansar em paz.

Na política e no trabalho e na seguridade social, a batalha final dessa guerra que é tão antiga quanto o tempo cronológico e histórico, como o tempo como mito e senhor do poder, já começou e está mais do que evidente que em breve se esse relógio for parado vai encontrar seu fim nessa derradeira guerra infanticida de gerações, onde as crianças e os jovens não tem a menor chance, não só porque são mais fracas e dependentes ou não detém o capital enquanto os velhos não morrem, mas simplesmente porque elas crescem e envelhecem e vão passando por interesse particular para o outro lado quanto mais velhas, se egoístas, vão ficando.

Não é portanto só do ponto de vista humanitário que essa mentalidade obtusa e ensimesmada é altamente destrutiva, é do ponto de vista biológico mesmo, que essa cosmovisão, ou mais falta dela. Esse pensamento que é a antitesitese do inteligir é autodestrutivo para a espécie. Pois se a empatia tem uma função evolutiva muito bem definidade na seleção natural dentro da própria espécie. A morte tem uma ainda mais determinante na preservação não só das espécies, mas de todo ecosistema.

Nenhuma riqueza, seja ela conhecimento ou material se constrói no vácuo ela é feita ainda que seja como exploração da interação com o outro. De tal modo que o ser humano completamente isolado, ou em solidariedade restritiva aos grupos apenas unidos por consanguidade, proximidades, afinidades, semelhança aparente, enfim unidos em pequenas comunidades, caíram ou foram engolidos perante os grandes tribos humanas que pregavam essa unidades maiores entre os mais diversos e estranhos seja lá qual for catalizador dessa união, seja o ódio a um inimigo em comum, a uma divindade genitora de todos, seja simplesmente a noção transcendental de uma essência comum, a humana. O fato é que essa percepção de mundo cosmopolitizante mais do que uma preconcepção era catalizadora de um instinto presente nos animais, essa empatia. essa sensibilidade que diferencia pessoas e animais sociáveis daqueles que por extrema primitividade, trauma ou grave patalogia tem extremamente reduzida ou perderam essa capacidade de se projetar e sensibilizar em relação aos aos seres não apenas da mesma espécie, mas qualquer outro ser, que ele suponha dotado de sensibilidade. Essa sensibilidade que forma os bandos e tribos, promoveu a força que permitiu as as especies em particular menos competitivas se tornarem mais não apenas pela número, mas pela divisão e especialização das tarefas e o estabelecimento de comportamentos e estratégias coletivas. De tal forma que a perda dessa noção a inversão dessa estratégia evolutiva da cooperação entre o maior número possível de cooperantes para o parasitismo e competição entre o menor de predadores, resulta inevitavelmente em canibalismo primeiro entre as diferentes genes depois dentro da própria gene.

A morte tem uma função biológica ainda mais evidente. Além de abrir literalmente espaço a renovação para a adaptações que uma geração não consegue efetuar por limitação e cristalização necessária da própria solução que sua forma existencial constituem no seu tempo e espaço. Ela é essencial para que essas novas gerações não se acumulem com uma população infinita num planeta com espaço e recursos finitos de modo que essa espécie não desapareça com o velhas formas de vida não adaptadas mas já maduras a impedir a germinação e crescimento, ou mesmo se alimentando ad eternum das novas já mais adaptadas. Isso é a seleção natural. E aqui estou advogando contra meu interesse particular, porque oficialmente faz algum tempo que estou mais para velho do que para a molecada. Sinto muito véio, mas a gente

Porém numa sociedade onde o credo materialista, onde a morte do corpo é o fim. E a corpo é a vida é evidentemente que natural que o ser se agarre desesperadamente aquilo que ele concebe como a totalidade da expressão da sua existência. Não que o idealismo necessariamente ajude, porque em nome do sonho da imortalidade, o medo de morrer para além da vida, exterminou mais vidas e atormentou almas que do quem tentando preservar a vida material ou diminuir o sofrimento espiritual. Essa Fantasia megalomaníaca e egocêntrica da imortalidade que leva os poderosos a construir monumentos gigantescos, a sacrificar direta ou indiretamente milhares de recursos (ou vidas) ao longo de todo história perseguindo essa proposito não aparecem ontem. Tecnologia para projetar a imortalidade dentro do plano biológico, ou até mesmo dentro das inteligências artificiais é que é a novidade. Mas no passado esse sonho se expressou de se tornar imortal se expressou de outras formas mais matérias outras nem tanto. Não é então propriamente uma questão apenas de materialidade e espiritualismo, mas de concepção da existência e seu sentido tanto material quanto imaterial ou ideal.

Não é nem sequer o amor ao ego. Porque sem o amor próprio não haveria identidade nem individuo, não haveria consciência, e o seres mas apenas partes de um todo. Não seriamos seres humanos, mas a humanidade um grande organismo, onde nós seriamos apenas células. Não seriamos em si cada um de nós um universo em rede dentro dos universos a formar os multiversos. É justamente a falta de amor ou o que é exatamente a mesma coisa a falta de entendimento que esse ego, que esse eu, não começa nem termina na extensão finita da materialidade ou materialidade do eu. Na verdade esse eu, é uma abstração quando pensado isoladamente no tempo ou espaço da sua própria existência exclusiva. porque sequer existe abstraído dessa rede. A vida do ser e do todo são inseparáveis. O individuo não existe sem a comunidade e a comunidade não existe sem cada individuo. O ser é um fenômeno relacional que desaparece com um ponto vazio, de modo que sozinho no universo, a existência de um ponto infinita no tempo e o vazio infinito no espaço são identicos em sua nulidade do não-vir-a-ser.

E isso é a patologia da imortalidade, do morto-vivo preso em seu corpo material ou só como vontade pura de viver sem corpo vagando eternamente pelo universo. Eles são igualmente condenados a não-vida. Porque a realização da vida, não está naquilo que é a dado, mas naquilo que não existe, a existência é perpetua mas criação, como fenômeno daquilo que se desfaz para gerar e dar lugar ao novo. Morre para dar vida ao novo, recriando sentidos e vocações que a sua finito não pode transcender nem se fosse uma macaco amarrado a um piano por um tempo infinito. A vida não é feita de museus com múmias de faráos que se pensam divina e suas pirâmides, a vida é feita da dança da evolução e revoluções que nascem e morrem. Ou mais precisamente dos que vivem e morrem para a vida renascer nas novas criações. Há uma arte na vida que os meros colecionadores de vidas e arte não conseguem entender por que envelheceram e já morreram sem perceber, a emulação do ser não é o ser. O ser que era, não é sequer nem igual a si mesmo. E ainda que se parasse a oxidação do corpo o homem não tem como frear a oxidação da sua alma, porque essa só rejuvenesse nascendo de novo, não necessariamente em outro corpo, mas definitivamente com outra cabeça.

Não há distopia mais perfeita que uma especie de mortos-vivos eternizados, velhos eternos, uma desumanidade que não renasce nunca, um mundo sem crianças, ou pior onde as crianças precisam sequer ser quebradas em velhos prisioneiros de seus egos, mas que já nascem velhas e presas dentro desse arcabouço de vazio infinito e eterno de um eu sem sentido para vida que não o meramente sobreviver. Como se a divindade dos deuses estivesse no sua onipontencia, e onipresencia e onipresencia, como se deus fosse uma mera projeção dos medos e taras do homem, e não a vontade pura, o poder imanente e transcendente do criação do dar a vida com a morte, e renascer da sua própria contradição e autodestruição eternamente no nova, na criação eterna.

Alguém pode pensar. Mas se o Universo, for infinito, então não há problema. Porque sempre haverias novos planetas com recursos para que as novas gerações humanas explorar e colonizar sem precisar competir com as velhas nos velhos mundos. Fora para as formas de vida no outro planeta que não desenvolveu lá para serem exploradas e colonizadas, aparentemente nenhum, em tese, coloca em tese nisso poderiamos “nos” replicar e multiplicar dessa forma parasitaria e predatória ad eternum. A questão é que não a vontade de viver eternamente dificilmente vem junto com uma vontade humilde de viver numa quieto na sua casinha de sapê, o desejo de maximar o tempo de vida, vem junto incluso por necessidade de sustentá-lo, com o de maximizar ao máximo o espaço, os territórios que essa forma de vida domina ou ocupa, para inclusive reduzir os perigos inerentes do desconhecido ou não-dominado, ou simplesmente de uma eventual falta de recursos. Basicamente o raciocínio é quanto mais recursos tenho, menos chance tenho de ficar sem. e quanto mais territórios controlo menos chance tenho de ser supreendido e atacado por um “agressor” desconhecido. É um lógica novamente que do ponto de vista do instinto animal faz todo o sentido. Mas novamente quando você um monte desses animais junto, pensando da mesma forma. O que você tem é o que conhecemos historicamente uma sucessão de conflitos intermináveis do que se busca evitar mortes prematuras na luta por posse e poder. Ou seja a visão estratégica que parece inteligente numa perpectiva estreita e obtusa, é extremante estupida e contraproducente na realização da própria finalidade quanto se considera todos os riscos. É o mesmo caso das colonizações espaciais. Uma questão de prioridades. O que se faz quando se tem primeiro, ou o que se faz de preferencia quando não se tem recurso para fazer tudo. Tem gente que acha que é mais viável, ao menos para ela se mandar da Terra, o que será certamente impossível para a grande maioria, e ainda é bem duvidoso ou pelo menos bem mais arriscado do que salvar o meio ambiente que já se tem, por mais ferrado que ele já esteja.

Logo não há problema nenhum em querer prolongar ao máximo sua própria vida, ou evitar ao máximo seu próprio sofrimento, mas tenho que concordar com Gates, isso não uma das melhores prioridades, ao menos não para a humanidade como um todo. Tal visão de “prioridades” não depende só da visão de mundo, mas da extensão da compreensão que o individuo tem do próprio eu, ou mais precisamente do significado da existência: se o campo que comprrende seu eu é minúsculo e fechado as fronteiras da ponta do seu nariz, ou vai um pouco além permeando também não exclusivamente (talvez aí esteja a dificuldade da comprensão) o mundo a sua volta. De tal modo que podemos ficar punhetando até 100 ou 1000 anos, ou arriscar a nossa segura imortalidade ou correr o risco de sentir sofrer junto as dores do mundo (solidária ou no próprio corpo) ao tentar mudar a condição do outro, que quer queira ou não, é a nossa senão do sofrer do vazio e estupidez existencial que nenhuma eternidade ou poder infinito cura.

A questão do envelhecer não é o não morrer, ou não sofrer, porque quem vive fora das bolhas do mundo sabe que viver é sofrer, e sofrer assim como morrer é o próprio viver, é a própria transformação material do existir operando na alma. Todos queremos o máximo e o melhor, mas a custa do quê? De que forma chegaremos a imortalidade material ou imaterial definirá o que seremos e com o peso de toda a eternidade.

O problema não é portanto o sofrimento o risco ou sacrificio, o problema é o sofrimento o risco e sacrificio que não é voluntário, que uma pessoa não assume por livre vontade e cosnciência, mas que lhe é imposto pela vontade ou desejo alheio, ou simplesmente falta de condições para manifestar sua vontade, vocação e todo o potencia do significado da sua própria existência.

Não é fácil compreender a razão de tantas perdas, dores e provações, mas elas são que transformar, tanto formando quanto deformando a plasticidade tanto da mente quanto do espirito. E simplesmente eliminar a caminhada, os riscos e provações, simplesmente chegar ao topo do monte de helicoptero, não é a mesma coisa que conquistá-lo, porque a conquista não está no chegar lá, permanecer, tomá-lo só para si, mas conseguir percorrer o caminho de olhos abertos sentindo (as dores e prazeres) a cada passo que faz do homem que chega ao topo outro daquele que partiu. É simplesmente impossível neutralizar a morte e o sofrimento e ao mesmo tempo se viver a vida. Porque a mortalidade e sofrimento, fazem parte do sentido da vida, tanto como tomada de consciência do fenômeno não só próprio sensação de estar vivo, mas como processo inerente da materialização e transformação do ser vivente. Sem essa noção e sensibilidade o ser mortal ou imortal se torna um monstro. E sem essa propriedade a inteligência natural ou artificial se torna morta porque esses desfazer e sentir desfazendo é estar vivo ao mesmo tempo que o mundo se reconstrói é fazer parte é estar da vida, é estar ligado ao principio gerador da vida.

Tenho pena da alma presa a um corpo seja amarrada como Teseu ao eterno inferno de ser devorada pela dor do sofrer pela privação ou pelo tédio de tudo ter, por que ambos são a condenação ao morte eterna da nulidade perpétua existência não em si, mas em frente ao espelho da própria projeção e representação do seu existir. Preso a sua imagem, a abstração mental que não é o seu ser nem o mundo. Com um corpo ou não são inteligências prisioneiras das próprias fantasias do seu intelecto.

Pobre do homem não tempo livre senão para pensar em sobreviver, mas mais pobre ainda do homem que sendo rico e tendo todo o tempo livre do mundo, não se liberta e tudo o que consegue em pensar é como sobreviver.

MInha critica portanto não é só do ponto de vista estratégico como um projeto de humanidade excludente eugenista, que levará a guerra entre gerações. mas de um projeto de humana sem nenhum sentido existencial, sem nenhuma concepção de vocação humana para além da lógica parasitária e predátória insustentável do crescer e multiplicar a revelia ou as custa das vidas e formas de vida alheia. Ao projeto de humanidade que ao invés de expandir e se intregar, desintegra-se e encerra-se em si mesmo, até se extinguir em unidades completamente desconexas fechadas e não só desinteligentes, mas por definição mortas em suas simulações artificiais de vida, porque desligada uma das outras que compõe ao mesmo tempo a rede universal e a existencia em particular que abstraidas perdem seu nexo seu sentido existencial, mas que definitivamente perdem sua existencia enquanto ser reduzindo a coisa. em outras palavras ao invés de preservar a vida natural dos seres e naturezas, ou construir vida e inteligencias artificiais, procede-se no sentido inverso, descontroi-se a sua própria autonômia, transformando a sua existencia ao invés de ser vivo regido por sua força da sua própria livre vontade, indeterminada por definição, num matéria morta, regido pela força predertemida da preservação da sua materialidde, expansão, e replicação da sua forma. Isto não nem uma bactéria é, é um vírus.

Felizes os não estão preocupados em escolher a sua hora de morrer, porque eles sabem que a vida não importa o quão eterna ela seja é sempre finita demais para não se preocupar com nada menos do que em dar um sentido a vida. Sentido que não se encontra encerrado em uma unica pessoa, raça, gênero, geração, ou espécie não importa o quanto ela perdure, não se o encontra no Todo, por mais poderosos que ele seja, mas no que hoje sequer existe, no mal nasceu e não é nada, mas amanhã será pela força libertadora da eterna criação absolutamente tudo.

Quem não consegue entender o sentido da morte, não consegue dar significado nem a amar a vida. Não só outra vida ou outras formas de vida além da sua, mas a sua própria vida além da sua forma aparente. Sonha em ser um Cronos, uma divindade do tempo que não vive para criar o futuro, mas para devorar como um vampiro o o corpo das novas gerações nascentes e suas novas formas de vida.

O sonho de vida eterna nesta ou noutra vida, é o sonho do frustrado que não sente o viver da vida, que não consegue sentir que cada momento vivido é em si eterno enquanto indelével no tempo e infinito na existência do outro. Que a morte não está no deixa de ser, mas naquilo que nunca se foi. O ente insignificado, a vocação não-liberta. Não entende a vida, porque não sente. Não se co-move, não se co-nexa, não se com-paixona. Não consegue entender porque o “robô”, o escravo replicante de Blade Runner salvou a vida do seu caçador. Ou o que significava a pomba em sua mão ou o unicórnio na mente do caçador de andróides. Não consegue entender a relação entre a eternidade da vida, a liberdade e vir- a-ser por amor a vida. Simplesmente não consegue entender o diz o replicante que renasceu como liberto, é hora de morrer.

Há homens que nascem homem para morrerem como robôs. Assim como homens que nascem escravos para morrerem livres. Mas será que no futuro restará apenas aos robôs e escravos, os últimos humanos, esse “privilégio” de poderem renascerem na vida e na morte para a liberdade?

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