Idiocracias Tecnocráticas ou Democracias Populares?

Inteligência Coletiva: Quem tem medo do povo? Quem tem medo do senso comum?

“Se você analisar espécies sociais como as abelhas, elas trabalham juntas para tomar decisões melhores. Por isso as aves formam bandos e os peixes, cardumes — isso permite que eles reajam de forma otimizada combinando a informação que possuem. A questão para nós era: pessoas conseguem fazer isso?”, disse Rosenberg.

Tudo indica que sim.

O Unanimous AI conseguiu um índice de acerto muito bom em alguns eventos: a previsão dos vencedores do Oscar; vencedores da Stanley Cup, o Campeonato Nacional de Hockey, em 2016; os quatro primeiros colocados na corrida de cavalos de Kentucky Derby de 2016, transformando uma aposta de US$ 20 (quase R$ 64) em um prêmio de US$ 11,8 mil (mais de R$ 37 mil).

Mais recentemente a ferramenta previu não apenas o time vencedor do campeonato americano de beisebol, o World Series Baseball, o Chicago Cubs, que não vencia desde 1908. Mas também previu quem seria o adversário dos Cubs na final, o Cleveland Indians.

Além disso, o Unanimous AI também previu quem seriam os oito times que chegariam nas fases finais do campeonato. Todas as previsões foram publicadas quatro meses antes no jornal americano Boston Globe. (…) - BBC Brasil

OpenScience

Contudo a abordagem da ciência como uma rede dinâmica panárquica similar a rede que esta justamente se desenvolvendo para governança da sociedade, o governe-se, pode alterar radicalmente a ciência: de uma estrutura de poder que carece de revoluções para operar e cooperar como comunidade cientifica, para um sistema aberto de conhecimento descentralizado não autoritário do tipo p2p. Um sistema que permite a convivência de diferentes teorias ou mesmo metodologias capazes não apenas de partilhar de um mesmo status de conhecimento no espaço-tempo do, mas intercambiar informações para dialogar e formar uma rede de conhecimento. Rede esta capaz de prover a humanidade não mais de definições mortas sobre uma universo sabidamente vivo, mas de multiversões ou verdades não excludentes capazes de formar um cosmo mais amplo, complexo e difuso sem necessariamente perder a capacidade de transitar e discernir entre as diferentes e diversas linhas de pensamento. Sem fazer da luta pela definição dos termos um objeto de poder, deixando o campo da ciência como ele deve ser: um campo aberto para a formulação epistemológica. Sem a necessidade da supressão das demais ou obstrução para que se possa constituir uma ideia de verdade ou ciência una. Dispensando a interferência de autoridade ou poderes absolutos, que julguem ou atribuam falsidade ou verdade as teses, substituindo este poder excludente pelo reconhecimento mutuo dos próprios pares constituintes da comunidades auto organizadas dentro da rede. Um sistema aberto, onde as teses e hipóteses como um BrainNet se compõe e difundem abertamente não para serem julgadas mas para serem co-criadas e cuja aderência OU rejeição não se faz nem pelo autoritarismo do senso comum ou da opinião ou de um estado ou de uma corporação profissional mas pelo compromisso epistemológico daquele cientista com o seu paradigma enquanto ele põe sua fé nele (sim fé) aceitando a autoridade compartilhada de seus pares; formando de fato uma comunidade, uma rede de conhecimento que converge naturalmente a um consenso razoável mas não se fecha, centraliza, totaliza, nem jamais tenta neutralizar, nulificar, excluir, julgar, ou negar outras correntes de conhecimento ou metodologias.

Não estamos falando em tolerância epistemológica, até porque isto já existe. Tanto nos dogmas religiosos quanto nos científicos. Nem tanto nos políticos, não num mesmo território num plano internacional. Não estamos falando em apartheids epistemológicos, (iguais mas separados), ou seja onde existe respeito mas completa falta de vontade de interação ou integração. Estamos falando de entendimento, compreensão, vontade para copula, síntese, conexão, miscigenação, criação de novas e inusitadas formas de pensamento através da critica e reflexão aberta e sem o uso da violência poder autoridade, coerção, repressão, manipulação, coação simbólica ou bem real, mas pura e simplesmente como coloca Paulo Freire a instituição de um processo dialógico que tenha como resultado a completa desescolarização do ser humano como propõe Ivan Ilyich.

“Nosso discurso diferente — nossa palavração — será dito por nosso corpo todo: nossas mãos, nossos pés nossa reflexão, Tudo em nós falará um linguagem criadora de vida” (Freire) (…)

“Grande parte da ordem que reina na humanidade não é efeito do governo. Tem sua origem nos princípios da sociedade e na constituição natural do homem. (…) A dependência mútua e o interesse recíproco de cada homem com respeito aos outros e que todas as partes de uma comunidade civilizada tem umas em relação às outras criam um grande encadeamento que a mantém unida. (…)É dos grandes e fundamentais princípios da sociedade e da civilização — do uso comum consentido universalmente e mútua e reciprocamente preservado, do incessante fluxo do interesse que passando por meio de um milhão de canais, fortalece a massa total de homens civilizados — é de todas essas coisas, infinitamente mais que de qualquer coisa que possa fazer mesmo o melhor dos governos instituídos, que dependem a segurança e a prosperidade do indivíduo e do todo. (…) Com relação a todas essas questões, o homem é uma criatura mais consistente do que ele mesmo sabe ou do que os governos desejariam que ele acreditasse.”- Thomas Paine, Os Direitos do Homem, 1792.

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Quem quiser saber mais das ideias e práticas deste cara que foi um dos maiores defensores do bom senso, precursor da inteligencia coletiva, “inventor” da renda básica e revoluções democráticas, vale a pena ler o texto que conta um pouco da história de vida deste cara, e de como ela se entrelaça com a história da luta da humanidade por sua liberdade e dignidade:

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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