Humanidade: O que há por trás do discurso de Bill Gates

Das coisas que não se aprende em Harvard ou se aprende não se ensina

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Voltando a Gates, o empresário falou sobre um grande arrependimento seu — ter deixado Harvard sem consciência das terríveis desigualdades do mundo ao nível de saúde, riqueza e oportunidades, “que condenam milhões de pessoas a uma vida de desespero”.

O desafio, para Gates, é como podemos fazer o máximo com os recursos que temos e estimular o mercado capitalista a resolver as disparidades sociais. É que salvar crianças não dá dinheiro e os Governos também não subsidiam isso — mas “se pudermos encontrar abordagens que satisfaçam as necessidades de maneira a gerar lucro para os negócios e votos para os políticos, teremos encontrado uma maneira sustentável de reduzir a desigualdade no mundo”.

Não duvido que Harvard ensine sobre as desigualdades do mundo. Pelo contrário tenho certeza, afinal John Rawls, Amartya Sen,Robert Nozick e Philip Van Parijs lecionaram por lá. Duvido que ela pudesse ajudar a Gates no segundo desafio. Isto é ajudar Gates a entende que a solução que ele procura é impossível de ser encontrada por que está fundamentada em uma falsidade ou engano na proposição do problema que induz ou a becos sem sáidas ou conclusões absurdas e igualmente enganosas e falas. Ou o argumento de Gates está viciado com falácias nos princípios:

a primeira falsidade ou engano nas proposições mais evidente e conhecida: “encontrar abordagens que satisfaçam as necessidades de maneira a gerar lucro para os negócios e votos para os políticos, teremos encontrado uma maneira sustentável de reduzir a desigualdade no mundo”.

Gerar lucro para corporações e votos para políticos sem aumentar desigualdades sociais é como querer alimentar o monstro

Não é possível satisfazer as necessidades de maneria geral e os privilégios particulares, não porque não existem riquezas, mas porque os negócios que geram desigualdades como o dele (subsidiado pela proteção jurídica e tributária do estado) bem como os agentes de estado não se sustentam gerando riquezas mas pilhando, ou seja produzindo e reproduzindo pobreza como sua riqueza relativa, leia-se desigualdade social, mas na prática se chama poder político e econômico.

Para que os negócios e a politica não gerarem empobrecimento como diferenças hereditárias de poderes e oportunidades haveria de :

  1. extinguir as vantagens e privilégios indevidamente adquiridos;
  2. restituir as propriedades e direitos dos herdeiros dos bens e usufruto a quem pertence realmente de direito.

Mas isso não interessa provavelmente nem a Gates nem a Harvard, afinal esse privilégio hereditário mantido por subsidio jurídico e financeiro é a base do poder e riqueza da sua classe no Capitalismo de Estado. E Gates como porta-voz do capital que o alçou a onde ele está hoje, não vai dizer o contrário. Provando portanto que ele chegou a onde está também por seus méritos, afinal fora os políticos, poucos sabem vender tão bem aos clientes argumentos tão cheio de backdoors aos interesses dos governos e empresas quanto ele.

A segunda proposição é talvez mais um engano do que uma falsidade proposital, dado que decorre da primeira, e não só impede os clientes do discurso mas seus vendedores de entender as inferências falsas e consequências danosas depois que se assume a primeira mentira como verdade.

“É que salvar crianças não dá dinheiro e os Governos também não subsidiam isso” (???)

Na verdade esse argumento é composto de 2 premissas falsas:

a. crianças não dão dinheiro.

b.governos não subsidiam isso.

Eu poderia responder a essa questão apenas com um fato: Disney.

Crianças dão muito dinheiro. Manter os adultos imbecilizados como crianças dá mais dinheiro ainda. Instruir as crianças para que quando adultos dêem muito dinheiro é a alma do negócio.

E o governos subsidia e como subsidia tudo isso… Praticamente não só financia com absorve todos os custos gigantescos para manter seres humanos em fábricas para produzir clientes consumidores e trabalhadores adestrados instruídos e obedientes que salivam quando toca o apito, e executam tarefas sem se questionar porque em troca de biscoito até ficarem velhos demais para querer fugir do canil ou morder o dono. Em termos mais economicistas o governo absorve todos os custos com a capacitação e profissionalização das crianças para se tornarem cidadãos produtivos e contribuintes.

Mesmo quem concorde ou queira servir neste processo de subsidio e socialização para outros fins por evidente que não o adestramento humano a servidão e escravidão assalariada. Há de saber que os custos destes beneficios não podem ser subsidiados, ou mais precisamente socializados, enquanto os ganhos da produção da riqueza e desenvolvimento pelo contrário não distribuídos equitativamente entre todos os contribuintes conforme não a sua capacidade de contribuição, mas os seus ganhos que vão auferir dela!!!

É uma questão de distorção tributária, mas que não se explica pela generalização dos mais ricos pagam menos e levam mais e os mais pobres pagam mais e levam menos. Não é qualquer rico, que tem pagar por tudo. Porque não é o fato de ser rico por ser rico que gera a desigualdades e dividas sociais. Mas o fato de enriquecer com o enpobrecimento alheio. Um processo que se faz não só expropriando quem já perdeu e não tem nada senão seu trabalho para vender. Mas expropriando quem não é tão rico e em breve vai se tornar relativamente pobre, (terá menos capital, isto é poder de fato para bancar a produção). O canibalismo de Estado não vive de lamber osso, com osso eles fazem sabão, eles vivem do filé de quem ainda tem carne sobretudo se for nova.

É uma distorção que não se corrige sobre tributação de riquezas, mas de distribuição igual dos custos entre os igualmente interessados e distribuição equitativa desses ganhos de acordo com a contribuição. Uma questão de investimento. Quem ganha sobre o bem ou serviço que pague por ele. E se todos ganham quem ganha mais e diretamente que pague mais e diretamente pela sua produção.

Logo quem tem que financiar qualquer empreendimento não é este ou aquele por serem mais ricos, mas este e aquele que tem interesse seja qual for a natureza dele no empreender. Daí a suma importância de numa verdadeira republica democrática a sociedade não como um coletivo administrado por terceiro (o Estado) mas como cidadãos com plenos direitos de livres associação e dissociação deterem o controle absoluto do seu capital particular e co-soberano do comum, porque é da livre associação destes capitais privados como da decisão democrática do uso dos capitais públicas que se compõe todo os recursos que os povos como sociedades possuem para o sua proteção social e desenvolvimento. Agora nas mãos de quem e financiando o quê você que está toda essa riqueza das nações?

Trocando em miúdos. Seja na escola, seja na estrada, seja num porto toda a sociedade pode vir a ganhar dependendo do modelo de desenvolvimento, mas como por obvio os os donos dos negócios e seus usuários são os mais beneficiados pelo subsidio da produção destes bens e serviços que eles se ficam com os lucros, arquem também os custos e sobretudo com as falências. Vide a crise de 2008.

Quem ganha que financie, se o cara cria um negócio onde todos ganham, social ou economicamente ótimo, quem ganha mais ou se beneficia mais que pague mais, ou melhor que se quiser invista e recebe a sua parte do investimento. Isso é capitalismo. O que eles praticam é roubo estatizado disfarçado de livre mercado. Onde a sociedade que banca com trabalho e capital que é a sócia capitalista majoritária destes negócios gigantescos que recebem subsídios fiscais, legais e financeiros do Estado ficam com os custos e eventuais prejuízos, e os “empresários” e “governantes” como o lucros e dividendos.

Não é injusto é criminoso. É um roubo da propriedades naturais mediante sequestro de liberdades fundamentais. Tome por exemplo, os carros, estradas e montadoras. A pessoa livre que não anda de carro, que não é dona de montadora, não quer carros, é ainda sim obrigada a sustentar a industria automobilista e sua a burocracia jurídica-governamental pagando por um tipo de beneficio e desenvolvimento que ele não não quer não usa, não usa e não concorda e que só, se ganha alguma coisa, é indireta e marginalmente um valor que não cobre os prejuízos a sua vida, saúde e meio ambiente, e nem cobre sequer os custos da contribuição compulsória para a sua produção!!! Não é de se espantar que como uma contabilidade dessas o cidadão fique cada dia mais pobre e doente e o governo e compadres mais ricos e cheios de soluções para vender (subsidiados, é claro) para os seus problemas inclusive de saúde.

Então crianças dão dinheiro sim tanto como consumidores atuais quanto futuros. E o governo socializa os custos da produção de riqueza e fidelização desses tanto como clientes como mão-de-obra para ele e para seus braços paraestatais, as empresas pseudo-privadas que não por acaso tem orçamentos maiores que muitas nações inteiras juntas!!! Como será que tamanha pobreza e desigualdade social ainda persiste em pleno século XXI em meu caro Gates e catedráticos muito bem remunerados e alinhados com quem lhes paga em Harvard?

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Ladrões governamentais e empresarias fora. È evidente que a desigualdade de riquezas não vai desaparecer, mas vai desaparecer a pobreza absoluta alimentado por esse criminosos enriquecimento ilícito sustando pela empobrecimento e predação natural e humana. Quem investir para o desenvolvimento da produção dos seus bens serviços comerciais sociais e seguridade vai continuar ganhando mais sobre a produção e inovação, mas não sobre as propriedades e liberdades naturais que monopoliza graças ao protecionismo do monopólio mor o da violência institucionalizada como ameaça legal.

Nisto encerra a falácia mais perversa do discurso pervertido de Gates

Crianças não dão dinheiro. Crianças não dão, nem devem dar dinheiro. Mas isso não significa em absoluto que numa verdadeira sociedade livre as crianças representem custos e não ganhos humanos não só futuros, mas presentes.

Se não existe investimentos sobre a produção de bens e serviços sociais é porque eles estão monopolizados por um Estado cujo objetivo não é atender essa demanda evidente porque essencial, mas sim subverter essa produção não ao desenvolvimento humano e econômico, mas a reprodução do poder e privilégios governamentais e corporativos, voltada a formação e capacitação de escravos assalariados e não de sociedades de cidadãos capitalistas, isto é, donos do seu capital que trabalham e investem na produção do social e riqueza. A desigualdade social é produto direto não da falta de políticas estatais de igualdade mas do roubo direito ou subsidiado pelo Estado das propriedades que compõe a materializada das liberdades de fato como direitos fundamentais que deveriam ser em estados de paz inalienáveis.

É perfeitamente possível investir e obter ganhos e lucros gigantescos bancando e financiando a produção e desenvolvimento social de uma comunidade, cidade, nação. Tanto o é que quem detém o monopólio sobre o financiamento das corporações que produzem o deveriam produzir esses bens são de fato os donos de todo esses sistema produtivo, sua mão-de-obra, meios-de-produção e burocracia gerencial estatal e privatizada.

Não é preciso destruir o capitalismo. Basta se livrar dos ladrões e barões que a democracia e livre mercado se universaliza pela própria demanda da sociedade constituída como a dona do verdadeiro mercado, a proprietária dos seus bens, e controladora das suas rendas e investimentos e trabalho produtivo e não alienado. Não é preciso acabar com o capitalismo é de fato aplicá-lo sem exceções as sua lei mais fundamental que rege a oferta e procura: não pode haver monopólios. Não é preciso acabar com bancos nem com governos, basta quebrar seus monopólios violento e criminoso que teremos não só sociedades e economias verdadeiramente livres mas enfim verdadeiras democracias.

Billy the Gates? Bill Gates é bunda todo o dinheiro dele não é nada, são escravos de luxo perante dos Césares que cunham as moedas e ainda as lastreiam com suas guerras e pilhagem. Dinheiro não é nada diante do verdadeiro poder político e econômico. Não é a economia, é o capital seu idiota.

Mas tirando tudo isso concordo com eles na prática, a melhor coisa que fizeram foi abandonar a universidade a tempo. Até porque se dissesse o contrário seria um hipócrita fiz o mesmo, ainda que não tenha nascido no mundo nem na classe social deles- nem a que eles tinham antes muito menos a que eles detêm agora.

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Por trás do discursos dos Gates da vida há conclusões e consequências possíveis que não acredito que eles sequer tenham noção, há propagandas de distopias que nem eles sonham para o mundo.

Um mundo onde esses velhos eternamente infantilizados não precisassem mais nem sequer se reproduzir para realizar seu sonho doentio d perpetuar-se de vida eterna, seria a distopia das distopia, Uma sociedade sem crianças, sem almas livres. Uma sociedade de homens-máquinas mortos-vivos. Constituída por seres que se replicam assexuadamente, por clonagem formada por uma só espécie superior , formada por um único gene uma unica raça, um único sexo, um único gênero, descendente dos autoproclamados patriarcas.

Uma egregora materializada não apenas como inconsciência coletiva, mas como corpo totalitário formado não mais por pessoas e sociedades usurpada e presas a Estados, mas tão somente Estados onde as corporações não passam de órgãos; e os seres humanos suas células, sem existência com sentido própria, mas predeterminado a preservação dessa monstruosidade desta besta enfim completamente encarnada.

Sinceramente não acho que eles tenham consciência disto. Não quero quer que estejam tão mortos enquanto ainda estiverem vivos. Sei que isso já é fé, e não nego porque está é a minha fé: enquanto houver vida ainda há esperança de liberdade.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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