Greve Geral na Catalunha

E o manifesto português por uma solução negociada sobre a Independência

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Fora as forças de ocupação”, “Barcelona é antifascista”, “Mariano não manda nada aqui” e “SOS Europa” foram algumas das palavras de ordem que mais se ouviam.(…)

“Não sei se na Catalunha há uma maioria pela independência, mas os espanhóis são como os fascistas eram e agora também sou separatista”, disse à agência Lusa Andrea Sassi, acrescentando que lhe parecia ser a “reação normal” depois do que tinha acontecido no domingo.

Os estudantes apoiavam a “paralisação geral” convocada pelos sindicatos e outras associações cívicas catalãs como resposta à “violência desproporcionada da atuação da Polícia Nacional e da Guardia Civil” em várias assembleias de voto no referendo de domingo, considerado ilegal pelo Estado espanhol.

Os populares pedem também a saída dos agentes da polícia nacional que foram destacados para a zona para impedir a realização do referendo e que foram acusados de violência policial. A repressão policial usada por Madrid para impedir os catalães de irem às urnas teve como resultado mais de 800 feridos, segundo o governo catalão.

Também o conselheiro do Território do governo regional catalão, Josep Rull, apelou hoje à partida dos agentes da polícia espanhola, acusando-os de serem “um fator de tensão e não de tranquilidade” na Catalunha.

“Não estão a fazer nada na Catalunha (…) Vão-se embora e regressem a casa e às suas famílias”, disse, em declarações à TV3. -Independência — ″Agora também sou separatista″. Milhares bloqueiam estradas e param a Catalunha

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Várias estradas foram cortadas e o metro de Barcelona funciona com serviços mínimos, permitindo aos passageiros entrar sem pagar.

Os principais sindicatos tinham apelado para que os protestos paralisassem a região, com mais 7,5 milhões de habitantes e uma das mais ricas de Espanha.

Centenas de milhares de pessoas juntaram-se às manifestações de estudantes, de bombeiros ou de simples cidadãos, indignados com a violência de domingo e pela forma como o Governo central, chefiado por Mariano Rajoy, tem gerido esta crise.

A câmara municipal foi protegida por várias viaturas da polícia, dos agentes locais e dos bombeiros.

“A 01 de outubro, tivemos um país ocupado e eles ainda não se foram embora”, comentou à agência noticiosa France-Presse Maria Maura, uma professora de 56 anos.

As manifestações também se têm repetido junto aos hotéis onde os agentes das polícias nacionais estão alojados. — Catalunha — 300 mil pessoas nas ruas de Barcelona contra ″forças de ocupação″

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A Arquidiocese de Barcelona anunciou que vai respeitar “o direito dos seus trabalhadores” a aderir à greve de hoje na região da Catalunha, protesto convocado por cerca de 40 organizações.

As várias instituições coordenadas pela arquidiocese deixaram aos seus funcionários a decisão de “ir ou não trabalhar”, para que “possam decidir se participam na greve geral convocada pela sociedade civil”. -Catalunha: Arquidiocese de Barcelona respeita direito à greve dos seus trabalhadores

Rumo à República catalã. A solidariedade, um dever internacionalista

Apelo subscrito por deputados do Bloco, Podemos e dirigentes políticos franceses e gregos, face às ameaças de intensificação da repressão e da suspensão da autonomia catalã pelo governo de Rajoy.

Uma revolução democrática começou no sudoeste da Europa. A jornada vivida este 1 de outubro na Catalunha foi a maior mobilização de desobediência civil e institucional não violenta vivida na Catalunha, no Estado espanhol e na Europa ao longo da sua história contemporânea. Apesar da extraordinária mostra de violência repressiva das forças policiais e da Guardia Civil por parte do Estado espanhol, mais de dois milhões de pessoas conseguiram exercer o seu direito de voto e exprimiram de forma admirável, pacífica e festiva a sua vontade de caminhar rumo a uma República catalã e a abertura de um processo constituinte participativo.

Foi o Estado espanhol que perdeu definitivamente a sua legitimidade na Catalunha, enquanto a resposta exemplar das mais de 2 milhões de pessoas nos centros de votação e nas ruas e praças das cidades e povoações face à repressão policial atingiu uma legitimação internacional inegável. Uma resposta que pôs em evidência o altíssimo grau de autoorganização e empoderamento popular conquistado e que sem dúvida pode e deve estender-se aos centros de trabalho e estudo na Greve Geral, política e social convocada pela grande maioria das organizações sindicais e sociais da Catalunha para este dia 3 de outubro em defesa das liberdades, do direito a decidir e a favor de uma Carta dos direitos sociais.

As respostas do chefe de governo espanhol e do corrupto Partido Popular, Mariano Rajoy, e do líder do PSOE, Pedro Sánchez, continuam a mostrar uma total falta de vontade de reconhecer a derrota política que sofreram neste 1 de outubro. Pelo contrário, agarram-se a uma defesa fundamentalista da Constituição de 1978 e só apelam à obediência a uma legalidade caduca face à nova legitimidade conquistada neste 1 de outubro. O Partido Popular no governo decidiu dar a Catalunha como perdida, num cálculo eleitoralista que menospreza os direitos e as liberdades da sua cidadania.

É o momento da mobilização e da solidariedade com o povo catalão face às ameaças de intensificação da repressão e da suspensão da autonomia catalã pelo governo de Rajoy. Está em jogo não só o futuro do povo da Catalunha, mas também o dos povos do Estado espanhol e da Europa na luta pelas liberdades, a democracia e a soberania de todos os povos. Por isso apelamos à solidariedade internacionalista dos trabalhadores e dos povos face à do grande capital e das grandes potências com o regime de 78.

Em 1898, com o “desastre” vivido após a perda pelo Império espanhol de Cuba, Filipinas e Porto Rico, o poeta Joan Maragall escreveu um poema sobre o abandono e a incompreensão do governo em relação ao povo catalão que acabava com um “Adéu, Espanya”. Hoje, esse adeus dirigido não contra os povos do Estado espanhol, mas contra um governo e um regime antidemocrático e austeritário, é o sentir da maioria do povo catalão.

Estamos convencidos de que a rotura democrática que já começou na Catalunha ajudará sem dúvida a avançar no caminho para a rotura com este regime e a abertura de processos constituintes a partir do protagonismo dos povos em todo o Estado. Porque, como se pôde ouvir nas manifestações destes dias quando se entoou uma das canções que foi hino da luta contra a ditadura franquista, L’Estaca, de LLuís Llach, “Si estirem tots, ella caurá/ i molt de temps no pot durar,/ segur que tomba, tomba, tomba/ i ens podem alliberar”.

Sonia Farré — Deputada do En Comú Podem

Miguel Urbán — Eurodeputado do Podemos

Jaime Pastor — Membro de Anticapitalistas

Olivier Besancenot, Christine Poupin e Philippe Poutou — Membros do Nouveau Parti Anticapitaliste (França)

Jorge Costa e Joana Mortágua — Deputados do Bloco de Esquerda (Portugal)

Antonis Ntavanellos — Fundação A Comuna e portavoz de DEA (Grécia)

Maria Bolari — Ex-deputada do Syriza e membro da DEA (Grécia)

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O manifesto “Catalunha: pela democracia, contra a repressão”

Não podemos ficar indiferentes perante a forma tão evidente pela qual as autoridades espanholas (sejam elas o Governo, a polícia ou os tribunais) desrespeitam o direito do povo catalão a ‘dispor de si próprio’ e, ’em virtude deste direito, determinar livremente o seu estatuto político”, indicam os subscritores do manifesto.(…)

Para os subscritores do manifesto, ao qual a agência Lusa teve acesso, “a independência da Catalunha, a manutenção do atual estado de coisas ou qualquer outra solução política é uma questão que deve ser decidida pelos catalães”, pelo que não se pronunciam sobre qual seria a melhor solução.

No entanto, os signatários dizem que não calam a sua “indignação perante a multiplicidade de atropelos aos direitos cívicos, políticos e humanos que, sobre a questão catalã e por intermédio da polícia, do Ministério Público e dos tribunais, o Governo espanhol cometeu e continua a cometer na Catalunha”.

O documento cita, especificamente, atentados “contra a liberdade de associação”, devido à apreensão de propaganda eleitoral, ao encerramento de centenas de páginas web e ao envio de 10 mil polícias para a Catalunha, “um ato deliberado de intimidação” sem precedentes na democracia espanhola.

Já “contra a liberdade de expressão, a polícia espanhola apreendeu material político relativo ao referendo, impediu a realização de debates sobre o referendo dentro de qualquer instituição pública (…) e mandou encerrar contas nas redes sociais de membros do governo catalão ou de qualquer cidadão que se atreva a divulgar a localização de assembleias de voto”, realça o manifesto.

O documento assinala que “os piores receios confirmaram-se” no dia do referendo na Catalunha, considerado ilegal pela justiça espanhola, nomeadamente pelo Tribunal Constitucional.

“Assistimos a uma intervenção deliberadamente violenta da polícia espanhola nas assembleias de voto de toda a Catalunha, carregando sobre milhares de pessoas que pretendiam votar ou que exerciam as suas funções de escrutinadores, provocando centenas de feridos, destruindo equipamentos públicos para apreender a urnas e boletins de voto, detendo cidadãos”, recorda o manifesto.

Assim, consideram ainda, “o Governo espanhol assume a atitude que, no passado, abriu caminho para o pior da história de Espanha”, optando “pela via da repressão e da intimidação, suspendendo de facto a autonomia da Catalunha, que custou séculos a conquistar”.

Estas personalidades associam-se “aos apelos internacionais para que se consiga uma solução política negociada entre as autoridades que representam o Estado espanhol e a Comunidade Autónoma da Catalunha”.

“Mais até do que o legítimo direito à autodeterminação dos catalães, o que está hoje em causa na Catalunha é a democracia e a liberdade. Dos catalães e dos espanhóis, e de todos nós”, concluem. -Catalunha — Personalidades portuguesas lançam manifesto por uma ″solução política negociada″

O manifesto recorda que a Constituição da República Portuguesa estabelece que “Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão”. Fontes do governo regional da Catalunha afirmam ao Expresso ter recebido este documento como “um gesto reconfortante” após o tumultuoso domingo do referendo.

O texto acusa as autoridades espanholas de “atropelos aos direitos cívicos, políticos e humanos”, cometidos “por intermédio da polícia, do Ministério Público e dos tribunais”. “Quase 900 feridos… é muito ferido. Houve muita brutalidade”, afirma Rosas, para quem este assunto diz respeito a todos os cidadãos europeus. O manifesto partiu do meio universitário e da investigação, explica, mas estendeu-me a sindicalistas e outros ativistas sociais que desejam defender “a liberdade de expressão e associação”.

O documento classifica o envio de agentes da polícia espanhola para a Catalunha como “ato deliberado de intimidação que não tem precedentes em 40 anos de democracia”, reprovando o cerco à sede de um partido político pela polícia espanhola, as buscas em tipografias, a apreensão de propaganda e o encerramento de páginas web de entidades independentistas. Também a detenção de funcionários do governo regional catalão merece críticas, lembrando os subscritores que o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas se mostrou “preocupado com as medidas a que estamos a assistir porque violam direitos individuais fundamentais, censurando informação pública e impedindo o debate num momento crítico para a democracia em Espanha”.

Considerando que a autonomia da Catalunha foi suspensa “de facto”, o manifesto antevê “o pior da história de Espanha” e considera que o Executivo de Madrid “perde qualquer legitimidade em solicitar a solidariedade dos países e dos povos democráticos”

Rosas explica que o documento foi entregue “a várias pessoas e instituições” e que, embora não se dirija a nenhuma entidade específica, deverá ser do conhecimento dos Estados português e espanhol. Reconhece que houve reações “positivas” de cidadãos da região ligados ao movimento por um referendo legal e vinculativo, mas frisa não se tratar de “posições oficiais”. -Intelectuais portugueses criticam “repressão” espanhola na Catalunha

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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