Gelderloos: A Não Violência é estadista

Como a Não-Violência protege o Estado (Parte 3)

Em última instância, os ativistas não violentos dependem da violência do Estado para proteger seus “ganhos”, e não opõem resistência à esta violência quando é usada contra os militantes (inclusive, várias vezes a animam). Negociam e cooperam com a polícia armada em suas manifestações. E, mesmo que os pacifistas honrem seus “presos de consciência”, sei por experiência que tendem a ignorar a violência do sistema penitenciário nos casos em que quem está preso tenha cometido um ato de resistência violenta ou de vandalismo (para não mencionar um delito apolítico). Quando eu estava cumprindo uma sentença de prisão de seis meses por um ato de desobediência civil, choveu apoio dos pacifistas de todo o país. Mas, em conjunto, mostraram uma falta de preocupação incrível em relação à violência institucionalizada que enjaulou os 2,2 milhões de casos da Guerra Contra o Crime[34] do governo. Parece que a única forma de violência à qual se opõem de uma maneira consistente é a rebelião contra o Estado.

O próprio sinal de paz é uma metáfora perfeita para sua função. Em vez de alçar o punho, os pacifistas alçam seus dedos indicadores e o anular em forma de V. Este V significa vitória e é o símbolo dos patriotas que se regozijam na paz que segue ao triunfo de uma guerra. Em conclusão, a paz que os pacifistas defendem é a dos militares vencedores, a de um Estado sem oposição que conquistou toda resistência e monopolizou a violência até o ponto em que a violência não precisa mais ser visível. Esta é a Pax Americana.

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Notas

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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