FEBEAPÁ: Das patrulhas ideológicas do politicamente correto ao Festival da Besteira que Assola o País

Desculturalização,Desescolarização e Libertação

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Introdução ao FEBEAPÁ

Já é lugar comum dizer que o Brasil não respeita nem reconhece a cultura, as artes e ciências. E não só a cultura popular, mas até mesmo a burguesa. Da erudita então literalmente nem se fala.

Não por acaso se atribui essa falta de cultura a falta de cultura. Ou seja, a falta de cultura enquanto bem seria a resultante da falta de cultura enquanto seu processo de transmissão produção e reprodução. Processo este identificado com a educação compreendida de forma obtusa com escolarização. E esta escolarização por sua vez reduzida ainda mais a mera instrução e capacitação do infeliz para a sua empregabilidade.

Mas não é só isto que as escolas enquanto fabricas produzem. Capacitação que por sua vez é entendida somente enquanto ensino e instrução formal e institucionalizado, dentro das escolas, e não propriamente o aprendizado natural que se efetua nas relações e ações pessoais e sociais e sua comunicação, a capacitação enquanto emancipação, formação ética, moral, cultural e cívica de adultos independentes independentes, responsáveis e ativos.

Porém também é lugar comum que a educação seja como processo de desnaturação do ser humano, seja como o desenvolvimento de todo seu potencial natural, não ocorre só nas escolas. Mesmo quando visa a desintegração do ser social e humano ele é um processo integrado e que perdura por toda a vida estando presente em todas as esferas da comunicação, relação e associação. Da língua aos costumes de um povos que coabitam um mesmo território a cultura é um processo que vai muito além das escolas, educação.

A palavra cultura, assim como o seu processo de reprodução, a educação, é -tem e é empregada em diferentes acepções e sentidos. Mas em qualquer uma delas dizer que o Brasil não tem cultura nem educação é um erro. A cultura e educação brasileiras são uma das mais fortes do mundo quando desde que se entenda quais os valores comportamentos e formas de relação quem produz cultura e educação intenta transmitir e reproduzir. Certamente nossa cultura é uma das mais pobres e desintegradoras da emancipação, livre iniciativa e humanismo. Mas é fortíssima no quesito obediência cega aos ordens e ordenamento, culto a autorialidades, instituições e lideranças.

É um erro projetar e julgar a educação e cultura brasileira de acordo com valores de liberdade e igualdade e solidariedade que não nos apropriamos nem fomos aculturados. É enganar-se ou ser enganado aceitar a pressuposição de que nossa cultura e educação sejam formada por essas concepções e valores. Nossa cultura e educação não é feita para o desenvolvimento natural e humano da pessoa, mas para exploração de recursos naturais e humanos. Não é uma cultura de independência, emancipação autodeterminação e criatividade conceptiva própria. É um aculturação para reprodução de comportamentos, ritos, costumes de conformação a preceitos e preconcepções de adoração da autoridade enquanto poderes supremos. Seja qual for esse poder, seja quem for que o ocupe seja quais forem seus os ritos de sacrifício e preconceitos. Não é um cultura nem de educação cívica nem muito popular, mas de culto e doutrinação para a dominação e alienação que não fica devendo em nada ao adestramento animal.

O culto a celebridade, a autoridade, ao ídolo, a iconização e doutrinação esta tão fortemente incutida em nossa inconsciência coletiva que até que a contra-cultura e educação alternativa não deixa de replicá-la essa nossa superestrutura cultural enquanto superego educacional. Uma cultura e educação autoritária fraquíssima para a produção da crítica e criação intelectual, artística e cientifica e social, mas fortíssimas no seu reprodução controle de comportamentos que reduzem os povos as massas, as pessoas a empregados profissionais, e a consciência pessoal e compartilhada a opinião pública. Nossa educação tanto formal quanto social é de fato praticamente inexistente enquanto formação do livre pensamento e livre iniciativa social, artística, politica econômica e cientifica. Porém enquanto reprodução da servidão, subdesenvolvimento, conformismo nossa engenharia social é phd, temos uma das mais bem educada de arquitetos, engenheiros, administradores, gerentes, professores e policiais, treinados para ocupar cargos de chefes e subordinados do mundo.

Temos uma das mais capacidades e organizadas burocraciais gerenciais para reproduzir suas culturas corporativas de governança. Tanto que não importa o nível da imunocompetência, ineficiência ou corrupção ou dano que esses costumes causem eles estão intocáveis, sagrados pois pertencem a outro plano, a um plano que transcende a vontade e julgamento, pertencem ao plano da realidade e legalidade que em nossa mentalidade são formas divinas de organização mandamentos, e não produtos da autodeterminação e autoorganização de seres livres e pensantes.

Olhamos para nossa realidade e legalidade por mais criminosa injusta que seja e como bons cristãos apenas aceitamos nossa sina pois é nosso destino e vontade de deus. Choramingamos, e reclamamos com nossos mestres e sacerdotes, mas quando a palavra revolução, mesmo que a cultural, mesmo que a pacífica é pronunciada instantaneamente como cães adestrados encolhemos o rabo ou latimos para defender o dono. Nos mijamos ou enperdigamos cada qual conforme foi adestrado a reagir. É portanto uma injustiça dizer que o somos um povo bovino. Nessa fazenda quem pastoreia o gado não é o dono mas os empregados e esses empregados tem adestramento e fidelidade canina.

Mas tanto esse mentalidade bovina quanto canina está dividida perfeitamente em classes. Pessoas de todas as classes sociais e profissões perfeitamente capazes de reproduzir em qualquer campo da vida produtiva, social e pessoal, da casa ao trabalho, na rua ou na família as relações de poder que sustentam o pais e a vida como ela é. Cidadãos mais bem treinados que a cumprir ordens que soldados, mais subordinados e fiéis as suas lideranças e autoridades instituições que fanáticos ideológicos, mais crentes e obediente as suas doutrinas que fundamentalistas religiosos.

De modo que empreendedor, o ativista, o artista e o cientista não se faz graças a esse cultura e educação nacional mas apesar dela. E não raro se não tem como ir fugir dessa terra reduzida a arcabouço e matadouro do pensamento e produção aprende a fazê-lo não apenas sem nenhuma condição material ou humana, a revelia desse ambiente tóxico a criação e produção, mas a fazê-lo contra ou até mesmo usando o lixo que o mata para produz o novo levando a estratégia popular da resistência e disrupção ao estado da arte. No Brasil o autodidata não basta ser auto precisa também ser do contra. O novo o original o criativo não nasce apenas por oposição dialética ao velho, nasce fugindo desse Herodes e suas tropas para não morrer no berço e se tiver sucesso ser renegado e crucificado e depois de morto devorado não como cultura, mas novamente como culto iconoclasta pela mitologia do poderes e todo poderosos.

Nossa cultura pressupõe, como tantas outras que a a formação do individuo e da sociedade, a transmissão do conhecimento, a formação dos propriedades materiais e imateriais e suas relações são legadas de geração para geração como herança tanto natural quanto cultural por predeterminações de leis e autoridades. Sejam ordens naturais ou artificiais, sejam temporais ou transcendentais o credo da cultura desse povo é que a produção e reprodução da sua identidade bens, procederes e conhecimentos estão estabelecidas por poderes que estão só fora do seu alcance intelectual e cognitivo, estão não só fora dos seus direitos de concepção e ação, estão além das suas capacidades e possibilidades e vocações. Um povo condenado a padecer no paraíso, que não conhece a arvore da vida nem experimentou o fruto do conhecimento, um povo incapaz de reconhecer o bem ou mal sem ser eternamente tutelado por forças superiores sem direito pleno ao livre-arbítrio. Um povo escravo da cultura patriarcal milenar institucionalizada como seu Estado. Um povo fiel e temente ao estadismo e seus sumos sacerdotes. Na verdade um povo que ainda não desistiu completamente da sua liberdade que ainda resiste a institucionalização da sua servidão como doutrina perversora da sua condição natural e vocação humana. Mas amputado e cegado para não conseguir fazê-lo com todas as forças.

Neste processo não é só a produção criativa e a criatividade para a produção e criação que é morta ou pervertida. é a própria liberdade que se torna um processo marginal e criminoso. Um completo assassinato do espirito da vida e seu desenvolvimento onde o assassino não apenas fica impune, mas esse assassinato se torna a lei.

A liberdade, a liber da produção da existência e dos significados e sentidos existenciais, a liberdade tanto como fonte geradora das formas de vida e seu conhecimento é assim alienada até mesmo enquanto capacidade de distinção entre o bem e o mal. A moral e a ética se tornam propriedades dos preconceptores; privilégio exclusivo daquele que detém a posse e controle do processo não produtivo e criativo da cultura, o monopólio corrompido de poder alienação.

Quando isso ocorre, a Idiocracia atinge seu ápice. E a sociedade deixa de flertar com o autoritarismo e ditaduras para passar ao elogia da sua imbecilidade e a apologia da idiotia autoritária e servil. Esse processo é extramente perigoso pois enseja as piores violências e brutalidade, mas não deixa de ser extremamente ridículo e risível não só pelo radicalismo da ignorância, mas pelo espetáculo do tragicômico e absurdo que o idiota arrogante ao tomar o poder proporciona como personificação apologética da própria imbecilidade. Produzindo o que o escritor Sergio Porto (Stanislaw Ponte Petra) de FEBEAPÁ ou Festival da Besteira que Assola o País.

É sobre o mais nova edição do FEBEABÁ que já teve sua pré-estréia que tratarei no artigo seguinte.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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