Fabi, estava dando uma olhada geral nos seus artigos sobre renda básica. Creio que eles formam conjunto coeso de leituras e propostas com uma abordagem bastante própria. E acho que seria interessante para que um leitor que fosse apresentado as suas ideias e pensamentos, pudesse também ter a opção de devorá-las num fluxo continuo ordenando. Em outras palavras, não sei se você anda pensando nisto, mas deveria: Um livro. Uma coleção desses artigos aonde o leitor possa refazer a trilha das suas próprias descobertas. Em princípio sem preocupação com introduções, prefácio, ou posfácios… isso pode vir num outro momento… até porque foi-se a época das obras acabadas e definitivas, hoje as obras estão permanente “em obras”; e o principal, o corpo, você já tem: o conteúdo.

Tenho certeza que a contribuição das suas ideias e propostas para o movimento seria ainda maior do que já é com essa diversificação de formato para outra mídia. Uma que por sinal você não precisa produzir conteúdo novo nem muito menos sacrificar o conteúdo do que já produziu para adaptá-lo a outras linguagens e estéticas.

Pense nisso. Não só como outro formato de leitura, mas outra mídia. Similar em linguagem, mas diferente em formato. E não estou falando de formatos enquanto meio de leitura- papel, ou na tela. Mas de formatos de estruturação dos escritos. Formato que demanda não só mais tempo de leitura, cuidado, e atenção do leitor. Mais que justamente por tudo isso estimula a reflexão tão necessária ao tema que tratamos.

Pense nisso. Isto é, na forma como parte integrante do significado do conteúdo, do espirito da sua ideia manifesto também na formatação. Uma resistência do pensar literário, conceptivo e reflexivo contra o literal, preconceitual e alienado. Um pensar e se expressar que vai conscientemente na contramão e resistência ao pensamento cada vez mais telegrafado com o mínimo de palavras e ideias possível; ou de preferência palavra nenhuma! reduzidos a sons, imagens e ícones animados pré-fabricados. Excelentes ferramentas de comunicação para homens das cavernas em todos os sentidos de “caverna”, principalmente se a ideia é mantê-los dentro dela. Mas péssimos como instrumentos para a construção de projeções e projetos de futuro, especialmente as utopias — que por sinal nem existiria como noção de lugar nenhum e “falta de” sem esse sinais complexos para expressar esse sentimentos e percepções.

De qualquer forma, se já pensou nisso tudo, então simplesmente pense o seguinte: seus artigos estão cada vez mais elaborados e integrados, e acho que seria muito legal alguém poder lê-los pela primeira vez ou mesmos relê-los através de uma obra que os indexem tematicamente como os reapresentem na linha do desenvolvimento dessas reflexões, de modo a facilitar o entendimento da ligação que existe entre todos eles e que constitui o todo (até agora) do seu pensamento. Em suma, um livro.

Abraços

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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