Fabby, gostei muito deste texto. Não só pela ideia, mas pela abordagem, você conversa com a visão de mundo do leitor. Esse é um ponto muito importante. A tecnologia, as possibilidades estão aí. A questão não é mais provar a correção das propostas ou sua viabilidade. A luta foi para outro plano,até porque sendo impossível desqualificar como utopia o que se tornou uma realidade, e não falo apenas da renda básica, mas do que ela representa apenas como uma pequena parte da mudança de visão e mentalidade, a estrategia quase orgânica de preservação do status quo deixou de ser a mera obstrução, desqualificação e marginalização, ela passou para outro estágio, o da caos programado. A estratégia do pombo enxadrista, que não podendo mais vencer e convencer o público cativo, simplesmente vira a mesa, e passa a apostar na difusão não só do medo e insegurança irracional, mas da completa perda da capacidade de noção e julgamento do que real e racional. De tal modo que já não basta mais a quem propõe soluções como por exemplo a renda básica são possíveis e realizáveis, mas restabelecer o senso comum onde o que já é real, possível e racional não seja engolido pela cegueira fanáticos dispostos a queimar e destruir tudo e todos para (viu?) provar que sempre estão certos -de um jeito ou de outro.

Estamos num momento delicado onde as forças reacionárias estão dispostas a apostar na disseminação do absurdo insanidade não só como discurso demagógico, mas como práticas monstruosas para manter as massas fidelizadas as agendas e programas do seu sistema. De modo que enquanto provamos que 2+2 são 4. Eles trabalham para criar dúvidas e ruídos de modo as pessoas perderem completamente a confiança em sua razão e sensibilidade e se voltarem como crianças para a autoridades paternal suprema deles não importa que eles continuem a somar 5 par de fato continuar pilhando os 4 de fato.

Essa é uma importante dimensão do ativismo que não só não pode ser subestimada, mas deve estar inserida na própria dimensão da arquitetura do projeto não só enquanto tecnologia, mas enquanto método.

A virtude das tecnologia e projetos e práticas libertárias é também muitas vezes a razão do seu fracasso. Libertários respeitam a liberdade das pessoas e suas ferramentas e sistemas não só fazem isso, como são desenhadas para garantir isso. Porém, muitas vezes elas caem no erro de contam com isso. Algo que as ferramentas e arquiteturas autoritárias até mesmo por se saberem desnaturadoras nunca fazem, elas não são desenhadas para produzir os resultados e objetivos planejados, mas para obrigar as pessoas a trabalhar em favor da produção desses objetivos e resultados, ou seja, são desenhadas para modificar a cabeça, uma ação que é ao mesmo tempo industrial e pedagógica monstruosa, mas ainda inegavelmente transformadora em si, e que não precisa contar com a boa nem a a má vontade das pessoas.

Nós que não temos nenhum projeto de poder, mas justamente o oposto, obviamente não podemos, nem queremos nos valer desses métodos asquerosos, mas isso não quer dizer que devemos cair no erro de pressupor que a vontade e visão do outro irá trabalhar pela transformação ou preservação do que propomos apenas porque ela é a mais correta, racional ou natural. A prática e o discurso precisam estar sintonizados com essa necessidade, mais do que dizer o que correto, é preciso dizer da forma correta, e a forma correta é sempre aquela que toca o coração e a mente do outro para sua própria dúvidas, certezas, seus próprios juízos e entendimento. Mais do que provar ou demonstrar que 2+2 são 4, precisamos convidar as pessoas a somar, porque em somando elas chegarão ao resultado. E é isso que seu texto faz. Trabalha tanto no plano da proposta, quanto no outro plano tão importante quanto que dá sustentação a proposta como verdadeiro projeto para humanidade, o projeto enquanto verdadeira escola.

E como você já deve ter percebido, não estou dizendo isso de graça, ou melhor de graça estou, mas não estou dizendo sem um proposito. De coração fiquei bastante entusiasmado com tudo que você escreveu e que só li agora de uma vez só. Não fui educado, considero extremamente promissor, por isso não gostaria que interpretasse o que vou dizer agora como um porém. Mas sim como a contribuição que eu gostaria de dar. Tente ajudá-los a fazer o que eu não consegui fazer pelos outros projetos pilotos. Tentei fazê-los enxergar a importância da experiência não só como tecnologia social mas como processo pedagógico, capaz de ser transformar a realidade através da sua vivência como aprendizado, e não precisar de uma transformação da consciência ou sua pré-existência de um para funcionar. É isso o que condicionamento autoritário da realidade faz sozinho como sistema, e que se o projeto libertário não for capaz também de desfazer e preservar, vai sempre cair, por uma razão muito simples. Enquanto atuamos no mundo, eles atuam no sujeito que o cria com ele: o homem.

Sei que não é sua responsabilidade, nem a minha, não deixá-los cair em erro, nem um deles pessoalmente, mas do pouco que tivemos com o Musk via Seastending com certeza, você tem de longe mais condições de evitar as armadilhas que os projetos anteriores caíram.

O que a propósito textos como esse e seu blog já o fazem. Espero que eles tenham acesso a eles. Agora se vão ler ou não isso já é um outro problema ou quem sabe solução.

De qualquer forma considero importantíssima para todos essa abordagem simultânea da solução tecnológica social e sobretudo humana combinadas e equilibradas que se refletem nesses seus escritos. Até porque responsabilidade e liberdade ninguém dá, se chama.

Mais uma vez, parabéns e abraços.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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