Entendi Fabiana. Você tem toda razão. Cripto-moeda.

Vou passar a usar a terminologia da cripto-moeda.

Um grande texto. Referência. Não só para projetos que pretendam pagar rendas básicas com cripto-moedas. Mas para ajudar na transição das moedas sociais do Terceiro Setor que ainda no papel para o universo p2p, não meramente na sua digitalização, um cartão de crédito eletrônico.

O algorítimo que se estabelece como metáfora a mineração. Que simula as antigas moedas baseadas em metais preciosos, tende a reproduzir todos os defeitos da antiga lastreada desta forma. Penso que a metáfora adequada para produzir um algorítimo de cripto-moeda que atenda a renda básica, seja exatamente aquele que simule uma arvore da vida, já que a própria renda básica nada mais é do que tentativa dentro do mundo artificial da economia de reintroduzir esse principio ecológico fundamental.

O grande desafio no desenvolvimento dessa moeda é justamente a produção portanto do equilíbrio. A produção da taxa de renda básica/hora para cada pessoa evidentemente seria baseada simplesmente no tempo, mas qual a base do calculo para a geração do seu valor?

Sabemos que natureza produz recursos mais do que suficientes para sustentar a vida mas não produz ilimitados. Ela é capital por excelência e a renda básica os frutos necessários a subsistência. Porém se o valor da renda básica é estabelecido de forma a consumir o principal e não o rendimento. Temos a falência tanto econômica quanto ecológica. O que temos hoje no mundo é o cumulo do absurdo, não temos falta de meios de troca, pelo contrário eles superam em muito a quantidade de riqueza circulante de fato, mas estão concentrados na mãos de poucas corporações privadas e estatais. Do ponto de vista da desigualdade a redistribuição resolveria o problema. Do ponto de vista da sustentabilidade não porque a quantidade de recursos dentro do sistema continuaria superior a quantidade real de recursos disponívies ao consumo imediato.

É a história de Jeremy Rifkin sobre a energia gratuita. Energia gratuita não significa energia limpa, quer dizer capacidade ilimitada de consumo. O ser humano como especie tem inteligencia de peixe devora tudo se explodir de tanto comer ou se preferir de gafanhotos, devora tudo até morrer de fome. A produção do bem comum pela somatória dos indivíduos perseguindo seus interesses particulares só é possível onde os recursos naturais não foram todos apropriados, nem a capacidade de demanda por eles é superior a da natureza de se regenerar.

Logo a produção de meios de troca baseada nos recursos disponíveis não deve estar condicionada somente a demanda por suas trocas e meios para fazê-las. Mas a capacidade do ecossistema de suportar a quantidade e natureza e impacto dos negócios. O lógica da árvore da vida demanda a produção de um programa que esteja ao mesmo tempo conectado as necessidades vitais dos seres e a capacidade de provisão do meio ambiente. É desta correlação entre o capital natural disponível e a necessidade vitais que se produz a taxa de distribuição de renda básica. A produção da moeda regula a quantidade de consumo e produção. Sua distribuição desigual o que se produz e quem consome ou é consumido.

Eu confesso que esse é um desafio notável ao programador desse sistema de eco-sustentabilidade da vida natural e social. Dado que ele deve como a própria vida se regular e usando como indicadores para indexar suas equações apenas os metadados das pessoas naturais que participam desse mundo virtual. Deduzir necessidades a partir de demandas é dificil mas não impossível. Contudo deduzir a disponibilidades de meios ambientais e vitais a partir delas sinceramente não vejo como. Seria precisa portanto introduzir a leitura dessas variáveis ambientais no sistema. Essas variáveis funcionariam como o lastro ecológico, completariam a correspondência do sistema com as necessidades e possibilidades naturais dando sua sustentabilidade.

Mas quais são esses indicadores ambientais dos limites do capital e rendimento disponíveis ao consumo? E como equacioná-los num sistema autorregulado?

E mesmo as demandas de cada pessoa ou até mesmo ser vivo ou ecossistema natural e social, como determinar o valor do mínimo vital?

A economia ainda é um ciência muito primitiva de emulação do jogo da vida.

Não sei. Mas sinto que não falta apenas dados uma logica de adequada para implementar esse sistema. Sinto que nos falta ainda a concepção dos nexos para compreender o logos da complexo da vida.

É por isso que piro no seu trabalho com a criação de novos meios de troca através das cripto-moedas. Se não é neles que está a chave para a solução do enigma. Certamente é na reflexão sobre eles que está o principio da formulação da perguntas, a formulação adequada do problema que ensejará logicamente a solução que buscamos.

Abraços

Fabi

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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