Ensaio sobre uma Humanidade EcoLibertária Parte 1

Reflexões Sobre Liberdade, Autoridade e Igualdade

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Paz e Justiça

Não há Paz sem Justiça. Nem Justiça sem Igualdade.

Os mitos autoritários dos velhos liberais e socialistas

Na cultura da violência há mitos tanto de liberdade quanto de igualdade. Mitos que falam de liberdades e igualdades impostas a força. Especialmente no estadismo encontramos estes paradoxos: Igualdades garantidas por desigualdades. E liberdades estabelecidas por sua violação.

A igualdade forçada ou imposta é uma contradição de termos. É uma abstração que só existe ao homo economicus ao homem não apenas reduzido apenas a condição produtiva estatizada, mas desintegrado da sua condição politica de cidadão livre.

O socialismo autoritário é por exemplo um exemplo histórico recente desta falácia da igualdade imposta a força.

Não existe igualdade em nenhum regime autoritário, porque a solução do terceiro homem, é a solução da igualdade seja política (democracia) seja econômica (socialismo) entre muito imposta pela extrema desigualdade de poder político e econômico (estado) de alguns. É como pregar o desarmamento entre todos — todos, menos as autoridades.

Da mesma forma que não existem liberdades. Não apenas nos regimes socialistas, mas nos ditos liberais, fundados não apenas na mesma desintegração e desigualdade de poder, mas na mesma reiterada privação primitiva, permanente estatização e redistribuição desigual de propriedades privadas e comuns contra os segregados-desintegrados em favor dos desiguais em poder politico-econômico.

Os regimes estatais desde que foram inventados dividem os homens em duas castas: povo e governantes, plebe e reis, cidadãos e autoridades. E mesmo que na democracia representativa haja “possível” rotatividade do poder político mediante a formação de maiorias. Esta rotatividade não quer dizer que todos têm o mesmo direito de participação, isto quer dizer apenas que as minorias e os indivíduos estarão não importa que governo esteja no poder excluído e marginalizados do seu direito de participação tanto politico quanto econômico sobre o bem comum.

Quando tratamos de liberdades e igualdades estamos sempre fugindo da pergunta cabal que não é liberdade ou igualdade sobre o quê, mas para quem? Igualdade para todos? Liberdade para todos? Todos quem?

É evidente para quem não pertence aos cultos ao poder que liberdade e igualdade são bens que não se dão por imposição, se desfazem. Mas nem sempre conseguirmos ver que não existe igualdade sem liberdades garantidas, nem garantia de liberdades sem a igualdade sobre elas.

Igualdade e Liberdade não existem apartadas, uma vez abstraídas da realidade onde estão integradas servem apenas a constituição de abstrações e ficções que em verdade as colocam na oposição fictícia da superficialidades das ideologias e suas concepções meramente negativas. Tal e qual o corpo e a alma, ou o ideal e sua materialidade.

Liberdade e igualdade estão solidária, ecológica e sistemicamente integradas no plano real como propriedades absolutamente necessárias a paz e justiça, e ao equilíbrio social e natural.

Os estados de inconciência coletiva materializado como territórios da politica economia ou saber, estes domus que apartam os seres humano uns dos outros não se erguem da mera posse ou poder ou dos seus cultos como culuras, mas antes pela desintegração de cada pessoa de si mesma e a natureza, e posterior compartimentalização dos seres vivos em esferas ideológicas desinteligentes e incomunicáveis.

Fora do plano teórico e ideológico, fora da caverna platônica, é na prática absolutamente ridículo sonhar com qualquer possibilidade de garantia de liberdades básicas sem a mínima igualdade de poder, e vice-versa. É impossível sonhar com qualquer igualdade de poderes sem o garantia mínimas de liberdades.

Estas liberdades e igualdades fundamentais não se processam apenas nas relações pessoais, mas os atos e posses sobre mundo já que não nos relacionamos no vácuo. Ou mais precisamente neste processo de transformação do mundo em propriedades pela interação dos seres dotados de forças volitivas, que é exatamente o mesmo processo da afirmação da identidade destes seres dotados de força de vontade.

Constituímos nossas propriedades e identidades da não só da mesma forma simbiótica como o fazemos como nossas liberdades e igualdades, mas os dois complexos proprietário-identitário e libertário-igualitário são construídos integrados sistemicamente.

Nossas liberdades e igualdes definem nossa identidade tanto particular quanto comum. Da mesma forma que nossas propriedades particulares e comuns definem tanto nosso identidade tanto comum quanto particular. A propriedade do que é comum define tanto a nossa noção de igualdade quanto de identidade comunitária, assim com a propriedade particular define a noção de liberdade não só como expressão da individualidade mas da diversidade.

É neste jogo de concepções e interações em que nos afirmamos ao mesmo tempo que nos apropriamos do mundo que consumamos as nossas igualdades liberdades tanto entre nossos iguais quanto os diferentes. E nesse processo de discriminação entre as pessoas e as coisas, que construímos nossa noção de direitos naturais ou fundamentais quanto comentemos os crimes contra os direitos absolutamente iguais dos outros seres dotados de vontade de viver de existir ou lutar por sua existência em paz.

E neste processo que constituímos a legitimidade de nossas sociedades de paz e liberdade para os eleitos e estados de poder e violência contra os excluídos.

Se os excluídos serão as pedras, abelhas,plantas, os animais, primatas como nós, ou outros povos, classes gêneros, gerações apartados e destituídos da natureza por tais abstrações feitas poder real, isso será apenas o grau determinante do nosso grau de consciência, inversamente proporcional a nossa independência do culto as “nossas” preconcepções, ou o que é a mesma coisa a evolução humana enquanto projeto social de cosmopolitização.

Do ponto de vista do desenvolvimento o que estaremos verificando é nossa capacidade de compreensão da vida: e em que nível tecnológico somos capazes de efetiva-la: isto é capazes de subsistir e coexistir sem destruir as outras formas de existências.

Ou até mesmo verificar o quanto nos constituímos perversamente no oposto disto: seres cada vezes mais desinteligentes de dominados por suas inconsciências coletivas, ampliando seu domínio tecnológico não apenas para se espalhar como uma praga. Mas como se fossem corpos hospedeiros, células que alimentam os mitos que nos mesmos fabricamos e que servimos contra os instintos mais básicos de preservação não apenas da espécie, mas absolutamente individuais.

Todo ser e fenômenos são dotados de força própria mas somente os seres dotados de consciência tem inteligência e sensibilidade aplicadas o suficiente para controlar sua vontade como força.

Seres e fenômenos são dotados se forças que podem ser eventualmente destrutivos, mas somente os seres dotados da capacidade para não o serem, somente os seres dotados de livre vontade para desenvolver consciência pode ser voluntaria e moralmente responsáveis por seus atos e estabelecer contratos sociais.

Devemos recobrar nossa visão da justiça. Direitos e deveres estão socialmente, integrados e definem não apenas as liberdades e poderes mas o grau de igualdade/desigualdade de autoridade de cada pessoa não apenas sobre a posse do mundo como bem comum, mas da identidade das pessoas em relação uma sobre as outras, inclusive com não-pessoas.

Toda questão da igualdade direito e liberdade gira portanto em torno da discriminação dos seres que institui poderes e autoridades e deveres. Depende do nosso entendimento do quem são sujeitos de mundo e quem são os seus objetos.

Quem são os seres com tem o direito e o a vida, liberdade e pensamento? E quem são aqueles como o dever de legitimamente defendê-los? Quem são os seres dotados da capacidade de autopreservação, de autodeterminação e próprio-concepção e quem tem o direito e dever para defini-las ou protege-las?

Quem são os dignitários dos direitos e deveres? Quem são os seres e as coisas? E quem tem a legitimidade para definir a dignidade alheia?

A paz e justiça, tudo gira em torno desta resposta. Por isso mesmo não pensem que deixarei minha pergunta assim em aberto, no vácuo deste relativismo ou me abrigarei no lugar comum da solução autoritária. Minha reposta é libertária: O dever pertence aqueles que chamam em paz e voluntariamente a responsabilidade em paz para si, mas não o direito natural. O direito natural embora não exista com segurança sem a proteção social de um estado de paz, não deixa de existir fora dele e com justiça não pode ser negado ou subtraído de ninguém senão em legitima defesa.

Cabe portanto aqueles que buscam paz e justiça reconhecer e proteger os direitos naturais não apenas apenas entre os signatários dos seus contratos sociais, mas universalmente a todos os iguais em direito a vida liberdade. A todos os seres dotados de anima dos quais são capazes de compreender e defender.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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