Sei que o texto não precisa, mas posto em corroboração ao excelente escrito:

“Willian Roberval Garcia da Silva juntava patas, cabeças e gordura de gado no frigorífico de Coxim, cidade de 33 mil habitantes localizada a 258km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Os restos bovinos eram jogados em um moedor. As sobras seriam torradas para produzir óleo vegetal e dois tipos de farinha: a de osso e a de sangue. A primeira é usada como componente de adubo, enquanto a segunda serve para reforçar a ração destinada a animais. Mas aquela tarde de janeiro de 2015 foi a última em que Willian, à época com 24 anos, abasteceu a máquina.

As hélices dilaceraram parte do braço esquerdo do rapaz, justamente o que tinha uma tatuagem: “Vida Loka”. Por ironia do destino, as lâminas deceparam a inscrição pela metade, deixando na pele a lição que Willian hoje carrega no corpo: vida.

Em 2014, um ano antes da tragédia, Willian começou a trabalhar no frigorífico de Coxim. Na época, recebia uma cesta básica, um pacote de costelas e cerca de R$ 900 mensais como salário. Recém-saído da atividade de jardinagem, ele “queria melhorar de situação”. Para isso, passou a exercer outras tarefas dentro da empresa, chegou a acumular três funções e fez 120 horas extras em um único mês.” — Ossos do ofício: a rotina cruel dos trabalhadores de frigoríficos

“Conhecido pelos inúmeros casos de acidentes e doenças ocupacionais, o trabalho nos frigoríficos também é fonte de assédio moral. Mesmo representando 41% do total de trabalhadores do setor (cerca de meio milhão), as mulheres são as principais vítimas de constrangimentos e humilhações constantes. (…)

O setor frigorífico é o que mais emprega mulheres no ramo da Alimentação, e nessas indústrias, práticas de assédio moral são muito corriqueiras, segundo denuncia a CNTA Afins. “Com toda certeza nesses locais é bem mais comum ouvir trabalhadoras sendo desacatadas do que os trabalhadores. Com elas, a intimidação é muito forte”, afirma Luiz. “Ouvimos relatos complicados, como o de uma denúncia feita na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, durante uma audiência pública, onde uma grávida teria entrado em trabalho de parto no chão da fábrica, por ter trabalhado mesmo sentindo dores, pelo fato da chefia dizer que a trabalhadora estava com preguiça de fazer suas atividades.”, diz.

Outra forma frequente de assédio moral ocorre durante as idas das trabalhadoras ao banheiro, quando são monitoradas do lado de fora. “Além de trabalhar em um ambiente que já gera diversos problemas de saúde, quando elas vão ao banheiro, a demora de um minuto ou dois já é justificativa suficiente para sofrerem agressões verbais e psicológicas como, por exemplo, quando o superior hierárquico chega a chutar a porta e xingar a funcionária”, relata Luiz, que também destaca a dificuldade que as mulheres enfrentam para exercer suas atividades domiciliares ou escolares mediante a extensão frequente das jornadas de trabalho, chegando a atingir até 12h ou 14h diárias.” -Assédio moral atinge mais mulheres no setor frigorífico

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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