E agora, tem ainda alguém aí que acredita que Trump estava só blefando?

Muitas pessoas mais conscientes estão chocadas, como alguém que assumiu abertamente sua misogenia, xenofobia e racismo possa ter se tornado comandante-em-chefe da maior potencia armada do mundo; não sem razão, portanto, muitas delas também estão com medo do ele possa fazer.

Contudo algumas pessoas já começam a tentar se conformar com a nova realidade e poder real. Começam a pensar nele como um político comum, afinal agora é oficial: ele é um político. E já dizem para si mesmas: “Não… ele não vai fazer nada disso… eram só promessas para ganhar a campanha, quem já viu algum político cumprir suas promessas?”

Talvez muita gente deva estar pensando, não. O negócio é ir na do Trump, na das midias. É hora da união. Ele não vai fazer nada.

Afinal, em qual Trump devemos acreditar: o conciliador ou no raivoso? Na midia que o despreza ou de repente o respeita?

Não sei quanto a você mas me parece ser o mais razoável não acreditar em nenhum dos dois e pelo mesmo motivo. O ente que tem duas-caras não tem nenhuma. Ou pior… qualquer uma. E, é, portanto, capaz de qualquer coisa, especialmente, quando (como agora) detém o poder maior.

A cruzada americana de Trump começou… e os primeiros alvos são os mexicanos

“Donald Trump já assinou o decreto que autoriza a construção do muro na fronteira com o México…”

E Como se não bastasse o muro, Trump fez um anuncio que consiste praticamente numa declaração de guerra comercial ao vizinho:

“Na mesma entrevista ao canal americano ABC, Trump, que tomou posse no passado dia 20 de janeiro, insistiu que “em última instância” o custo do muro será “reembolsado pelo México” e que o pagamento vai cobrir “100%” do custo do projeto de construção.” Trump — Ordem está dada. Muro com México vai ser construído

Se você a acha o termo guerra econômica um exagero da minha parte. Eu explico.

Nem é preciso fazer considerações de cunho humanitário para entender que isso não é a divisa entre entre propriedades privadas vizinhas, mas um muro entre nações e que Trump de cara já criou (na melhor das hipoteses) um incidente diplomático. E isso como disse, no melhor dos mundos, que dependerá muito da diplomacia e boa vontade do México do que agora do governo americano. Mas não foi com o muro que Trump declarou sua guerra comercial, mas quando nas palavras dele “só disse que existirá um pagamento, que vai acontecer de alguma forma, talvez de uma forma complicada”.

As pessoas acostumadas talvez até demais com politica podem pensar, mas qual é o problema disso? Governos mais poderosos fazem isso o tempo todo com os mais fracos… Onde está a novidade no que disse ?De fato não há novidade nenhuma no que ele disse, exceto o fato, de tê-lo declarado que vai fazê-lo. E se fazê-lo não deixa de ser um problema porque é feito com mais descrição, feito descaradamente não só não ajuda, mas é o fator determinante da declaração informal de guerra comercial:

De fato é básico e corrente um pais mais poderoso forçar um mais fraco a pagar economicamente pelos seus gastos, se quiser pode chamar isso de capitalismo de Estado. Mas quando um chefe de Estado declara política e descaradamente seu intento de fazer outro país pagar por seus gastos econômicos isso não é mais nem esse jogo sujo entre Estados é guerra econômica mesmo E que vai acabar no mínimo em um litigio internacional entre partes amistosas- novamente é claro considerando o melhor dos mundos.

Trump tinha outro opções menos drásticas para fazer suas maldades. Mas aí ele não estaria provando a seu eleitorado xenofóbico o que prometeu, certo? E ao agir dessa forma agressiva e explicita ele não deixa muita margem de manobra para o governante do outro pais. Por exemplo, supondo que os governantes de países periféricos são mesmos mais ou menos iguais por todo o mundo, e que os governos mexicanos são bem parecidos aos brasileiros, posso dizer com segurança então que se Trump fizesse tanto alarde poderia fazer a maldade ou a merda que quiser, que poderia obriga-los a pagar o quanto quisesse e ainda por cima fingir que os problemas que viessem depois nem tinham nada a ver com ele. Basta olhar a crise financeira de 2008 exportada para o mundo inteiro. E as invasões com dados falsificados no Oriente Médio. Tudo passaria, mas desde fosse feita na surdina.

Se assim procedesse, não importaria se fosse um partido de esquerda ou direita no poder daria no final das contas na mesma… a esquerda esperneia mais, faria as bravatas de praxe contra os imperialistas yanques, mas no final faria as pazes e entregariam o butim que paga-se as contas em troca de qualquer favor menor. Com a direita seria mais fácil ainda, dariam de braços abertos e sem pudor tudo o que eles querem e ainda por cima fariam de graça o serviço de propaganda para eles de vender para o povo que vendendo o que eles querem para pagar a conta dos gringos ainda sim estariam no lucro.

Porque ele não fez isso? Isso com certeza só ele sabe. Mas quem ainda não perdeu a sanidade já desconfia, e tem razões de sobra para desconfiar. Como se sabe nenhuma política isolacionista e protecionismo se sustenta a longo prazo, muito menos é capaz de manter a hegemonia o expansionismo, ao menos não sem guerras e conflitos de todos os tipos.

Infelizmente dias piores virão antes de voltarem a melhorar.

Afinal ao Norte e ao Sul das Américas temos de volta, do que há de pior no passado, gente que ainda acredita no mito do “pleno emprego”. Nem os mais cretinos dos desenvolvimentistas ou os mais bitolados economistas ortodoxos ainda acreditam nessa baboseira…

E quem dera fosse esse o tipo de baboseira que eles acreditassem…

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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