Duas notícias, passado e futuro, colonias na terra e no espaço, ligados por uma mente uma busca: Capital.

E a monarquia constitucional do ultimo grão-ducado do Mundo, a minusculo pais Luxemburgo

O governo da África do Sul deixou claro nesta quinta-feira seu mal-estar com um tuíte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mandou seu secretário de Estado, Mike Pompeo, investigar as “desapropriações de terras e fazendas de brancos” e o “assassinato de fazendeiros” naquele país. Os tuítes eram uma referência ao projeto de reforma agrária que está sendo discutido no Congresso sul-africano, onde não ocorre nenhuma matança de fazendeiros.

(…)

Com as declarações do presidente americano, a cotação do rand, a moeda sul-africana, caiu 1,5 ponto percentual nas bolsas de valores.

(…) O governo de Pretória logo respondeu, também no Twitter, que a “África do Sul rejeita totalmente esta visão estreita que pretende dividir a nação e nos recorda nosso passado colonial”. “A África do Sul vai acelerar o ritmo da reforma de uma maneira prudente e inclusiva, que não divida a nação”, completou o governo em seu tuíte.

(…) TEMA ESPINHOSO NO PAÍS[só lá viu?]

O tuíte de Trump lançou mais lenha na fogueira de um tema altamente polêmico para Pretória. Com a aproximação das eleições gerais de 2019, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa prometeu acelerar a reforma agrária, com o objetivo de “reparar a grave injustiça histórica” cometida contra a maioria negra da população do país durante o período colonial e o regime do apartheid, que terminou oficialmente em 1994.

No início deste mês, o partido do governo da África do Sul, o Congresso Nacional Africano (CNA), anunciou que iria prosseguir com os planos de emendar a Constituição do país para permitir a desapropriação de terras sem compensação.

Atualmente, a minoria branca, que representa 9% da população da África do Sul, ainda possui 35% das terras, enquanto os negros, que são 79% da população, possuem 9%, segundo dados oficiais.[grifo meu]

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A questão da terra, muito sensível no país, já havia provocado uma polêmica diplomática em março entre África do Sul e Austrália, cujo governo se ofereceu para receber os agricultores sul-africanos brancos “perseguidos”. — Tuíte de Trump sobre ‘matança de fazendeiros’ afeta moeda sul-africana

Malcolm X disse certa feita que Democracia é Hipocrisia. Poderia ter acrescentando sem erro a esse provérbio que Capitalismo é Racismo. E que mas as duas marchando juntas sem máscaras nem teatro, são as velhas conhecidas dos povos não escolhidos pelo deus dos brancos: imperialismo e colonialismo, mas pode chamar pelo neologismo que caracteriza a sua nova fase tecno-ideológica a partir do século XX: totalitarismo. Até então velado, enrustido, mas cada dia mais explícito no que nunca deixou de ser a marcha do progresso feita da pilhagem, sacrifício e extermínio de outros povos, raças e nações em favor das únicas que se consideram filhas de seu Senhor e herdeiras legítimas da Terra e do mundo.

O liberal honesto e libertário dirá um dia que esses regimes históricos nunca foram nunca propriamente capitalistas nem democráticos, mas regimes autoritários e estadistas. Assim como o socialista honesto, o libertário, sabe e diz que os regimes comunistas e socialistas históricos nunca foram nem o socialismo nem o comunismo verdadeiro, mas o falsário, estatal e autoritário. Mas ainda que estejam sendo honestos e mesmo sendo verdade, o fato permanece, o capitalismo e socialismo continuam sendo regimes ótimos como utopia de liberdade e monstruosos como prática de poder e autoridade. Mentiras que as pessoas contam para si mesmas, ou para os crédulos para continuar dormindo. São soluções algorítmicas toscas e primitivas para um problemas complexo que exige um algorítimo e um sistema mais dinâmico e que de uma solução mais inteligente para a questão fundamental que o sustenta: a liberdade concreta: a propriedade.

Até porque a propriedade possui dois momentos distintos que nunca mais saem do seu DNA. O momento histórico da sua tomada de posse, a pilhagem e assentamento. E depois o momento histórico da sua distribuição em favor dos protegidos a revelia dos expropriados, que se não forem exterminados no processo ou feitos eles próprios propriedade, ainda sim permanecerão excluídos do direito a ela.

O estatuto da propriedade sempre possui duas dimensões: a de quem se apropria e define suas regras de posse e distribuição, através de títulos e heranças e a continua e reiterada expropriação parcial ou total através do tributos ou trabalho servil. E a destes que recebem uma uma licença precária de subsistir nesse território, seja com algum direito de posse que precisa ser continuamente pago para a mafia monopolizadores da violência se não quiser perder sua proteção, seja sem nenhuma outra posse senão a licença de servir nos empregos aos quais for autorizado, pagando também para isso, ou seja pagando para gastar todo o tempo útil e produtivo da sua vida que poderia ser usado para adquirir possem com trabalho livre, servindo ao emprego da produção de mais posses para quem já as detém. Não só portanto reproduzindo e mantendo a sua condição de expropriado, como cavando a sua própria cova e a dos seus filhos na exata medida que aumenta a distancia com quem aumenta em relação a quem quer que esteja acumulando os bens que são absolutamente e estrategicamente essenciais a provisão das suas necessidades vitais.

Há portanto duas dimensões da propriedade: a dimensão civil, referente do processo de paz ou pax pela qual ela é instituída e distribuída na fundação de uma sociedade, e ao longo das gerações dessa nação. E a dimensão militar, um processo não só anterior mas permanente presente no social. Um processo pelo qual essa propriedade não só é tomada e estabelecida na exploração, ocupação e tomada do território de outros povos, mas com a qual ela é continuamente mantida ou expandida nessa relação seja com os excluídos fora dos muros que demarcam as fronteiras da jurisdição que compõe um território, ou dos muros que demarcam as mesmos limites da propriedade dentro do próprio território, seja em relação as vizinhos proprietários ou as periferias marginalizadas constituída basicamente dos descendentes dos expropriados das liberdade concretas seja como propriedade dos meios vitais, os expulsos das suas terra, ou como propriedade sobre seu próprio corpo e vida, os ex-escravos. Não é de se espantar portanto que a dimensão militar da garantia da propriedade adquirida continue a permear esse processo de ocupação e expansão e garantia das posses, ao menos enquanto esse processo histórico de expurgo dos expropriados não encontrar seu derradeiro fim, com a perda da utilidade dessas massas como mão-de-obra servil para a manutenção dessa sociedade da qual não participam efetivamente, mas apenas sustentam como sócios, mas sim como empregados, quando não semi-escravos, completamente desprovidos de meios de fugir desse território e dessa relação de produção sem correr todos os riscos decair e morrer numa vida literalmente marginal.

A dimensão estato-militar com a qual a propriedade ou mais precisamente o estatuto da propriedade é estabelecido como direito, e a posse é garantido de fato é portanto estabelecido pelas vias de fato, pela potência da armas, por aquilo que os militares e estadistas gostam de chamar de capacidade de dissuasão, um eufemismo para a chantagem que pode ser usada pelas ovelhas para espantar os chacais, ou pelos chacais para espantar as ovelhas, tanto faz. É a arma em cima da mesa de negociação que serve tanto para dizer não tente tomar o que é meu, quanto me dê o que é seu, algo que pode variar conforme o caráter, o humor, e os interesses e até mesmo as necessidades de quem quer que sente na falsa cadeira de negociação internacional empunhando uma arma.

A lógica ou o algorítimo que rege a tomada e manutenção das posses de territórios que garantem subsequentemente as posses de recursos com as quais não só se produzem riquezas materiais, mas as quais esses singulares e frágeis seres produtores de conhecimento, tecnologias, e posses matérias se alimentam, respiram, dormem, e descansam, para produzir tudo que é imaterial, as propriedades coletivas, ou bens comuns que os seres humanos carecem para sobreviver, é a grosso modo simplesmente quem tiver a maior arma: leva e fica, ou a mais precisamente a nação ou nações eventualmente aliadas que detiverem a maior potencia armada mandam quem tiver juízo obedece.

É assim que as coisas funcionam. É assim que as propriedades, ou mais precisamente o capital e suas regras e seu sistema é determinado e mantido em primeira e se necessário for em ultima instancia. Mas isso não quer dizer que essa é a única forma possível. Apenas que é a mais antiga, primitiva simples e fácil de determinam quem leva e fica com as coisas, tanto que você não precisa de muita ciência, cultura, tecnologia, educação, literatura ou capacidade de debate para chegar a isso, outros grandes primatas também forma capazes de desenvolver essa estrategia evolutiva de resolução de conflitos, convivência, demarcação de territórios e organização de seus clãs e tribos, sem precisar desenvolver nada disso. E nisto diga-se de passagem os macacos são bem mais inteligentes, afinal se o negócio é só para mijar para marcar territórios; rachar umas cabeças; e viver da rapinagem (em todos os sentidos da palavra); eles fazem isso com muito mais eficiência e sustentável que os humanos: gastam muito menos tempo e energia e recursos para produzir o mesmo resultado- e sem burocracia e neurose. A não ser que você meça os resultados pela contabilidade pela quantidade de tempo, energia e recursos gastos como um jogo acumular maiores quantidades de tempo, energia e recursos e ainda que o sentido dessa vida não seja mais o usufruto do que se tem e possui, mas ter e poder. A doença mental que se espalhou pelas espécies, raças, povos humanos, e suas nações, territórios e sociedades.

Seria curioso para um biólogo ou naturalistas observar o equivalente desse comportamento da nossa espécie em alguma população de outros animal, por exemplo, o que não deve ser fácil, porque não duraria muito ela nem seu meio ambiente. Não é preciso imaginar sequer nenhum tipo de grande predador, mas qualquer pequeno animal, que ocupe o topo de sua cadeia alimentar que tenha desenvolvido por estratégia evolutivo guardar recursos nas primaveras para utilizá-los no inverno. Agora imagine que por alguma razão, não importa qual um evento natural por exemplo, um longo período de carestia e excessos , capaz de provocar tenha produzido um seleção natural um animal com um estranho e curioso comportamento instintivo que não mais o abandona em nem mesmo em tempos ou lugares de abundância de recursos. Um animalzinho, que não como um castor, derruba árvores e constrói barragens, ou como uma aranha que é capaz de capturar manter suas presas em casulos para serem guardadas e digeridas lentamente, mas que ao contrário desdes ou dos demais, nunca pará, nunca diminui. Uma espécie de predador que mata a maior quantidade possível de presas, independente se pode carregar ou não apenas para reduzir os riscos de não as tê-las disponíveis no momento imediatamente seguinte. Que acumula quantidades de recursos que não irá usar incluse os perecíveis, apenas para garantir que na sua eventual escassez, nada lhe falte, e que não pare jamais, nem mediante a saciedade de acumular meios, porque simplesmente assim como aranha não consegue deixar de fazer suas teias, ele não consegue parar de buscar e acumular e guardar recursos. Ou seja um castor que não para de construir barragens e mudar o curso da água para obter alimentos e que ao saciar sua fome, pará e usufrui da sua satisfação, mas um castor que a cada barragem construída, precisa imediatamente construir outra porque ele não está lutando contra a carestia e escassez atuais e reais, nem buscando a satisfação dos ganhos e interesses atuais, mas lutando o jogo das ganhos e perdas futuros, vivendo o mundo da projeção de riscos, possibilidades, oportunidades e hipóteses, e não o atual, presente e real.

Um curioso animal caracterizado portanto por esses hábitos e comportamentos instintivos, que o tornam permanentemente insaciável, e constantemente temeroso, uma estranha estratégia de sobrevivência já que inverte o viver e sobreviver. vive para lutar constantemente pela sobrevivência. Ou mais precisamente usa todo seu tempo de vida para acumular meios a sua subsistência, de modo que não prática mais a subsistência para viver, mas vive em função de maximizar o seu subsistir. Aliás, não só uma estratégia de adaptação evolutiva curiosa mas estupidamente fatal, a medida que a seleção natural não elimina esses comportamento dos indivíduos das espécie, em ambientes e circunstâncias de abundância onde tal acumulação é possível, mas elimina toda a especie e o todo o ecossistema afetado junto, quando os recursos vitais não-renováveis ou mesmo os renováveis que não tiverem tempo nem espaço para se reproduzir e que foram simplesmente transformados em recursos a serem acumulados e consumidos enfim se esgotam. É o paradoxo das estratégias e planejamentos primitivo. O planejador e estrategista buscando evitar uma catástrofe, torna-se o fator determinante que a acelera ou desencadeia. Ou rigorosamente quanto mais ele acelera e amplia seus domínios sua estratégia de acumulação, mais ele diminui suas chances de chances e aumenta a velocidade da sua autodestruição.

Logo é óbvio que esse comportamento não é instintivo nem natural. Não há ecossistema nem tempo infinito capaz de prover o o tempo nem o espaço como recursos necessários para que tal estratégia se firme no código de uma espécie, nem mesmo como catástrofe, onde só os castores e suas manias por ventura tenham sobrevivido ainda sim a transmissão de tal comportamento e hábitos precisaria teriam que ser efetuado por um tempo muito mais longo do que tal cultura é capaz de sustentar sua predação para transformar homens em castores ou toupeiras. Pois não importa quantos meio ambientes essa estratégia de praga possa descobrir e colonizar para consumir até se hospedar e parasitar outro, a longo prazo os riscos aumentam na medida das possibilidades desconhecidas e recursos e oportunidades destruídas e perdidas, de modo que a probabilidade de sucesso vai sempre decaindo ao zero na proporção inversa dos domínios, poder do homem continuar a se comportar como praga de si e do mundo.

É por isso que tanto o ufanismo quanto a paranoia com a tecnologia são temores e esperanças que tem fundamento, mas não são o fator determinante. Não são as máquinas, os instrumentos e as criações mesmo as autônomas o problema do homem, mas o homem e sua mentalidade que cria tanto seus criadores quanto suas criaturas a sua imagem e semelhante. O que torna nossos temores e esperanças no mínimo esquizofrênicos frente a permanente negação dos traços psicopáticos da nossa pisque coletiva. Traços que repito, não o resultado de instintos, mas o resultado da manipulação e amputação e desarmonia tão artificial quanto nossas realidades muito antes do advento da eletrônica, mecânica ou informática, ou a própria psicologia e propaganda de massas que usa massivamente esses conhecimentos para reproduzir nossa preconcepção do que falso e verdadeiro enquanto percepção do real.

Pedir pelo fim dos robôs assassinos. Como se o problema fossem os robôs,ou o fim do emprego de gente de carne e osso para o assassino legal-estatal, é o equivalente a queimar livros para eliminar o mal uso do conhecimento do conhecimento, quando o problema não está e nunca estará na obra, na liberdade materializada, como ser ou coisa, entidade autônoma ou propriedade sem anima, mas justamente na redução e uso dos seres dotados de anima como propriedade alheia, e das elevação das entidades fictícias sem volição, como deus ou estados, como a provedoras dos códigos e estatuados que regem a vida e liberdade em sua toda sua concretude e potencialidade. Mais do que uso que faz das coisas, o problema está na submissão da vida, liberdade e propriedade natural seres naturalmente autônomos as suas fantasias e criações preconceituais e artificiais. A loucura e idiotia e fantasia de reis e realezas institucionalizada como norma, normalidade tão profundamente na mente que não chamamos a verdade do mundo senão pela raiz da nossa alienação histórica e precondição antes de tudo mental servil, como de subject e plebe do poder real (com ou sem o rei na barriga): a realidade, como ditadura das posses e possibilidades.

Mas não percamos o fio da meada. A liberdade de fato como propriedade.

A liberdade concreta como direito a propriedade como bens privados e riquezas. E a liberdade concreta fundamental, que compreende tanto o controle do seu próprio corpo e movimento quanto dos meios ambientais e recursos vitais para tanto, os bens comuns. Cuja privação portanto leva invariavelmente o excluídos a um estado de guerra de classes ou povos pela liberdade de acesso e uso, ou o que é a mesma coisa a independência (e o risco de uma vida livre ou morte rápida) ou morte lenta e certa por carestia e servidão.

Há portanto duas dimensões da propriedade: uma estabelecida após o contrato social, dentro do estado de direto como o próprio estatuto desse título enquanto direito de posse pacífica ou mais precisamente pacificada dos bens privados e comuns. A propriedade como estatuto e direito de paz. A outra dimensão anterior, e atuante como evento da fundação desse contrato social é a propriedade como produto da força de fato, que não distingue inteligência de violência, um produto fruto senão de um permanente estado de guerra, mas ou senão de guerra, no mínimo um estado belicoso de vigilância e proteção justamente contra a sua instauração.

A dimensão violenta da propriedade mesmo aquela estabelecida por ocupação pacífica, embora ela seja quase sempre um mito dos invasores, antes mesmo da pax de Roma, passando pelas Bretanhas até chegar as Américas. Mesmo quando a ocupação fora pacifica, a preservação da comunidade e sociedade estabelecida, sempre foi belicosa, seja na estratégia agressiva e expansiva resultando no modelo totalitário imperial, seja de forma defensiva ou , dentro do hoje chamamos de legitima defesa e não ingerência das soberania dos povos e sua culturas. Minto, há as que não ofereceram nenhuma resistência. Essas genes, civilizações e culturas foram absorvidas e extintas, a propósito junto com aquelas que mesmo oferendo resistência pacifica ou belicosa foram exterminadas, e hoje sua propriedade não só da sua cultura mas da sua identidade, pertence aos antropófagos colecionadores de cabeças que incorporaram a si o que interessava, apagaram o que não interessava e empalharam o resto no museu do folclore da sua história.

De fato o estado de paz é uma bolha,ou mais precisamente uma célula onde o ph necessário para o desenvolvimento da vida em paz e liberdade é mantido por uma carioteca uma membrana que o envolve em estado permanente de guerra.

Para sairmos dessa bolha, desse estado de pax precário onde as liberdades e propriedades privadas e comuns não deixam de ser efêmeras, duas fantasias foram sonhadas ao longo da história da humanidade: uma totalitárias, uma outra libertária.

A totalitária, encarnada pelo culto as personalidades e entidades de poder total e absoluto, generais, profetas, messias, cesares e kaisers com suas legiões, a marchar sobre todo o mundo conhecido, até que houvesse uma só credo, um só estado, um só culto um só deus e um só rei, a pax imperial, das ditaduras e conquistadores. O mundo dos todo-poderosos e seus súditos e servos fieis e protegidos. Pacifica no discurso, belicosa na prática.

A outra a libertária, encarnada pela defesa contra essa expansão, pela preservação da liberdade, pela igualdade de direito de co-existência, e autodeterminação e fraternidade entre os povos. Com chances razoáveis de vitória ou no mínimo sobrevivência quando organizadas em federações e confederações. E absolutamente nenhuma chance quando dividas e isoladas, ou pior, quando assumem a versão cultural do totalitarismo militar, a suposição prepotente que podem converter a todos, incluso os que se recusam a aderir a sua visão de mundo, sem violência, domesticação e extermínio. Ou pior ainda do que isso, se engando ao acreditar que ao utilizar dos mesmos dos impérios não se converteram a eles próprios em totalitários, apenas porque suas ditas finalidades ideológicas são outras. Os ideias são outras, mas as práticas são as mesmas. Logo o estado é o mesmo, o que muda são as fantasias e desculpas.

Na verdade o sonho da dominação total seja pela aculturação, seja pela conversão ideológica ou subjugação cultural, seja pela militar não é o mesmo fantasia megalomania de poder. Mesmo uma educação da paz onde a autoridade constituída faça das populações dos ursos e leões, animais de circo ou ovelhas domesticadas, laranjas mecânicas, narcotizados ou lobotomizados genética, farmacológica ou psicologicamente. Ainda sim o produto dessa sociedade é a alienação e o totalitarismo, a desumanização.

Não é que a liberdade como movimento (ser livre), ou a liberdade como materialidade (ter bens [comuns e particulares]) seja mais importante que a paz. Não é uma questão de valores. É uma questão de ordem. Ou mais precisamente de lei da física, ou da natureza, de causa e consequências. O que vem primeiro a paz ou a liberdade. Simplesmente é impossível manter a paz sem liberdade, porque a paz é por definição a preservação da liberdade tanto como o fenômeno da vida da anima, quanto dos meios necessários para sua preservação. Quando um estado para preservar a segurança corta liberdades ele procede como um cientista maluco que corta pernas, para que a pessoa não corra o risco de cair quebrá-las, tranca pessoas em casas para que elas não corram o risco de se perder, amarra bocas para que elas não corram o risco de ofender, nem serem ofendidas. Aponta armas e ameaça para que elas não corram o risco de apontar armar e se ameaçarem.

Notem portanto que não há muito o que inventar. Não enquanto não habitarmos um mundo espectral, onde nossos vidas e viveres forem invulneráveis e inesgotáveis. A guerras de colonização e resistência, por poder e liberdade continuam, onde houver recursos a serem transformados em capital. Seja onde for que o bicho homem resolva fincar suas cercas embandeiradas, haja vida inteligente a ser suprimida ou não.

A aprovação da lei em Luxemburgo acelerou a nova corrida espacial. Agora, o país é o segundo no mundo — depois dos EUA — a ter uma estrutura legal abrangente de exploração dos recursos fora da Terra.

“Desde fevereiro de 2016, quase 200 empresas entraram em contato”, afirma Paul Zenners, representante do Ministério da Economia de Luxemburgo, que coordena a iniciativa do governo SpaceResources.lu.

A estrutura legal espacial de Luxemburgo tem diferenças importantes da dos EUA. Em terras americanas, é exigido que companhias tenham mais de 50% de capital ali. O país europeu não impõe tal limitação e, além de ser um dos locais com o maior PIB per capita, também é visto por alguns como um paraíso fiscal — oferece incentivos e benefícios fiscais, incluindo taxas extremamente baixas para a repatriação de capital.

Americanos interessados

A entrada de Luxemburgo na corrida por recursos especiais atraiu as maiores empresas americanas do ramo, incluindo a Deep Space Industries e a Planetary Resources.

Esta última têm investimentos do empresário Richard Branson, do grupo Virgin, e de um dos fundadores do Google, Larry Page. É ainda uma das mais antigas da indústria espacial e vendeu uma participação para Luxemburgo por US$ 28 milhões (R$ 105 milhões). Não se sabe o quanto isso representa, mas o diretor da empresa admite que o país europeu é um dos principais investidores.

O Ato de Recursos Espaciais de Luxemburgo abriu as portas para os investimentos no setor. Hoje, o Ministério da Economia diz que a indústria espacial representa em torno de 1,8% do PIB nacional, a maior proporção de qualquer país europeu.

Mas apesar de receber altos investimentos, a indústria de mineração espacial ainda lida com as armadilhas de leis ambíguas.

“Não está claro se a lei internacional espacial permite ao país o direito pela propriedade dos recursos naturais extraídos do espaço”, apontou um estudo da Allen and Overy, um escritório de advocacia de Luxemburgo.

Depois que os EUA aprovaram a primeira lei de mineração espacial em 2015, a Rússia foi um dos países a levantar objeções.

Para entender a ambiguidade, voltemos ao Tratado do Espaço Exterior de 1967, um acordo do período da Guerra Fria proibindo a apropriação de corpos celestes por países. Nele, o espaço é entendido como uma propriedade coletiva, como a Antártida.

O desenvolvimento militar é bastante limitado no espaço devido ao acordo, assinado por 105 países. Para implementar a Força Espacial recentemente anunciada pelo presidente Donald Trump, Washington teria que sair do tratado, isolando ainda mais os EUA.

Mas o acordo de 1967 não faz qualquer referência à propriedade dos recursos espaciais, para os quais os EUA e Luxemburgo decidiram definir regras. E provavelmente não serão os únicos: os Emirados Árabes Unidos recentemente estabeleceram uma parceria com Luxemburgo para entender a estrutura de sua lei promulgada.

“A lei de Luxemburgo sobre exploração e uso de recursos espaciais aborda isso (a omissão) e traz mais clareza a nível nacional, servindo como um primeiro passo para permitir atividades com recursos espaciais”, diz Zenners.

“Não tem o objetivo, propósito ou efeito de abrir caminho para qualquer apropriação de corpos celestes. Apenas a posse dos recursos espaciais é abordada no marco legal, que também estabelece normas para a autorização e supervisão de missões”, completa.

Desta forma, Luxemburgo pode ficar na liderança na corrida pelas riquezas do espaço.

“Junto aos EUA, Luxemburgo provou ser um país com visão de futuro, e seu sucesso permitirá que empresas privadas conduzam profundas missões espaciais”, diz Bill Miller, CEO da empresa americana Deep Space Industries, que usa Luxemburgo como sua sede europeia. — O minúsculo país que lidera a ‘corrida do ouro’ espacial

Seja no mar, ou no espaço é fora novamente fora dos velhos continentes que as esperanças do amanhã em todos os sentidos moram. Para os idealistas e pioneiros eis as utopias e seus novos mundos. Para os especuladores, eis a bolha do futuro, onde muita gente vai ficar trilhonaria, e outras tantas vai perder tudo. Para os tarados por poder, e predadores, eis mais um mundo para tomar posse e devorar. Façam suas apostas. Mas lembrem-se. De qualquer forma, as corporações tiranossauricas já eram (só ainda não se deram conta disso).

Bem-vindo ao futuro, onde os últimos podem não ser os primeiros, mas os pequenos são bem rápidos e revolucionários que os velhos, lentos reprodutores da obsolência programada. Ainda que dentro das mais velhos jogos de aparências e teatros para inglês ver.

E quem tiver entendimento que entenda, que eu não vou explicar: feliz é o povo que tem um um paraíso fiscal e social para chamar de seu. Porque se ele não deve, nem pilha nada de ninguém, esse povo é livre, para ser soberano sejam eles muitos ou poucos.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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