Doria Jr: Ter complexo de vira-lata é simplesmente um Luxo! E ser fascista então é o must!

Quem será que é o terrorista da tinta cinza, mestre em disfarces, que está destruindo a arte urbana que é patrimônio cultural de São Paulo? Mistério… dizem que ele está se passando até por prefeito!!! Que medo.

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Já sei.. é o homem do microfone de ouro

(…)Doria anunciou que pretende criar um grafitódromo inspirado num projeto de Miami. Para o curador alemão Kaltenhäuser, a ideia é absurda.

“São Paulo foi a inspiração para o projeto de Miami, cidade que não tem tradição em arte urbana. Ele quer destruir algo nativo para copiar uma cópia do modelo da sua própria cidade. Seria como se a Alemanha resolvesse destruir todas as cervejarias daqui para importar o modelo dos Estados Unidos”, argumentou Kaltenhäuser.

Nem os gringos conseguem acreditar no tamanho do complexo de vira-lata de quem se acha a elite brasileira tem. Mas fosse só complexo…

Me mostre um povo complexado e eu lhe mostro imediatamente um pseudo-artista, fake e medíocre, uma subcelebridade desesperadas por fama e poder, um genuíno candidato a ditador e tiranete.

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Os complexos podem não ser o mesmos, mas reis e autoritários nus são sempre parecidos

Os complexos até podem não ser o mesmos, mas reis e autoritários nus são sempre parecidos. Enquanto eles se contentam apenas em comprar e trancar obras que valem muito mais que dinheiro em cofres ou em seus banheiros para satisfazer suas carências afetivas e compulsões mais inconfessáveis, eles não parecem tão perigosos. Mas e quando eles não satisfeitos dão um passo além? E se julgam no direito de definir autoritariamente o que é e o que não é arte urbana? E se apropriar de todo patrimônio artístico e humano até mesmo se quiser para destruí-lo?

Não por acaso foi na Alemanha tinha políticos que se acharam no direito de definir o que era e o que não era arte. Os políticos nazistas e fizeram a mesma coisa com a arte que eles consideram lixo, as destruíram deliberadamente.

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Dória: uma cópia da cópia… e mal feita

Estou dizendo que Doria tem tendencias nazistas? Não, é claro que não. Disse com todas as letras que Trump tinha e ele vem provando até agora o quanto tem. Mas e Doria? não acredito que ele tenha tais tendencias, até porque tem se provado ignorante demais para saber quais tendencias tem ou não, e não parece capaz de seguir nada a menos que algum estrangeiro dite para ele como modismo para copiar.

Bem, pensando assim, mesmo como um cópia fajuta (uma cópia da cópia) ele até pode ter lá seus perigos. Ou meu desprezo pelo autoritarismo do Junior esta a subestimá-lo?

Pode ser mesmo que não falte nada para o racismo e higienismo brasileiro se tornar um supremacismo. Exceto uma coisa. Que também o impede de ser qualquer coisa, seja para o bem, seja pra o mal: falta perder essa mentalidade servil.

Todo autoritário é por definição medíocre e pouco original, mas o autoritário brasileiro não é só uma cópia mal feita é um apêndice politico econômico e sobretudo aculturado. “É simplesmente um luxo.”

Talvez um desavisado diga que isso é um exagero afinal “um grafite um dia vai desaparecer sozinho mesmo, sumir com o tempo.”

Bem, as piramides também. Palmira idem… ia desaparecer sozinha sem o Estado Islâmico explodi-la. Até você vai morrer com o tempo, mas isso não é desculpa para nenhum maluco ir lá e dar fim em você ou nas obras. “Pirâmide? mas que piramide, nada…derruba essas porcarias velhas cheias de múmia de índio e poeria e vamos construir um condômino de luxo, com shopping dentro e segurança privada… simplesmente um luxo”.

Talvez você não acha que os grafites apagados fossem tão importantes assim, talvez só dê valor aos monumentos se já forem reconhecidos lá fora, pois então chora:

E se não fosse o maior mural da America Latina? Aí lógico que teria gente pensando que se fosse o grafite dos becos, das ruas, a arte que não está nas galerias, nos museus ou nas mãos dos colecionadores e ricaços essa poderia ser destruída por não ter nenhum valor. Não entendem nem sequer seu sistema de valores e valoração das coisas. Como se essa arte privê -que hoje é revendida por milhões- não tivesse sido um dia popular, ou pior, até mesmo marginal, não tivesse sido apropriada por trocados de quem a criou, esses marginais degenerados e subversivos que morreram na miséria, esses malditos Van Goghs.

Doria só consegue provar que faz parte parte daquelas manadas de estúpidos e ignorantes que acham que podem impor a sua definição do que arte e o que não é arte, do que acham e não acham, aos outros. Você pode achar que não é, pode até ser que não seja, pode até ser até ruim demais, mas quem tem o direito para dizer ao outro o que é o ou que não é arte para ele? E o que é pior de tudo: quem disse que ele é o dono de uma arte de rua que uma vez integrada ao espaço urbano não pertence exclusivamente a ninguém, nem ao governante, para determinar seu destino como proprietário particular, mas sim a assembleia dos cidadão como co-proprietários. Como pode ele querer regular os espaços autocraticamente como se fosse o dono dos espaços públicos e patrimônios da cidade?

Doria prova enfim que o “vândalo” que picha e o governante maniaco que limpa quando resolver por sua cabeça para funcionar e destruir um grafite ou mural de arte urbana tem exatamente a mesma coisa na cabeça. A unica diferença, fora, é claro, que o pichador pode estar pensando em algo além de cinza, é que governante autoritários tem (ou pensam que têm) a licença para destruir o patrimônio da sociedade.

Agora não tomem essa critica a Doria como uma critica exclusiva a ele ou só a direita higienista paulistana. Estou pegando no pé, dele e deles, porque eles são a vanguarda dessa mentalidade. Porém esse complexo de vira-lata, esse higienismo infelizmente continua a ser um dos maiores preconceitos do brasileiro contra o próprio brasileiro em todas as classes sociais. Por isso feliz de quem consegue escapar dessa caixas cinzas e quadradas, porque com tamanha criatividade reprimida voa longe.

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No seu início o dadaísmo surgiu como um movimento “anti-arte” um ataque satírico sobre o capitalismo, e o estilo era completamente menosprezado por Adolf Hitler, o que deixava seus artistas de certa forma até lisonjeados. Por esse motivo, a obra de Otto Dix permanece perdida, a pintura que ironiza tanto os comandantes como os pobres que iam para a guerra e voltavam aleijados porem cheios de orgulho do país que os colocaram nessa situação foi destaque na exposição de “arte degenerada”, e sumiu logo em seguida, provavelmente a tela foi destruída.

Encerro então repetindo a pergunta: Quem não consegue ver a diferença entre crime e arte urbana? Ou melhor. Quem não consegue ver quem são os verdadeiros criminosos?

Quem não consegue ver a diferença entre crime e arte urbana?

Jura que não consegue? Então vai dar mesmo uma volta em Miami. Mas esquece um pouco a Disneylândia que você encontra em todo lugar não só em Orlando e dá uma passada no http://www.thewynwoodwalls.com/. Quem sabe pagando pau pra gringo, não aprende, mas cuidado lá pode ter perigos criminosos subversivos brasileiros expondo.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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