Do Incêndio do Museu Nacional:

A marca indelével do extermínio do patrimônio cultural e natural do passado e futuro pela geração presente

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Preparem-se para o show de absurdos: os mesmos canalhas dos dois lados da trincheira, a esquerda e direita sempre alertas para tomar de assalto o poder no Brasil, vão agora vai tentar capitalizar politicamente mais uma tragédia criminosa jogando a culpa uns nos outros, fingindo que nasceram ontem e que nunca esse patrimônio esteve sob suas administrações criminosas. A direita irá acusar a esquerda de aparelhar o Estado até ela não ter recursos sequer para preservar o patrimônio até cair e virar cinzas, só para ficar com o cabide de emprego e a propina. A esquerda irá acusar a direita de sucatear o patrimônio até ele cair ou virar para entregá-lo os restos a preço de banana e ficar com o troco propina e não se engane também o cargo só que no grupo privado que levar.

O modus operandi de cada quadrilha político-partidária isto é a forma como ele prática a sua pilhagem até as cinzas do patrimônio público até ele virar cinzas pode ser distinta, mas o resultado não é só o mesmo, a tragédia criminosa anunciada, mas a alternância de saques desses bandos durante 200 anos compõe a história desse crime de rapinagem continuada, onde tanto o aparelhamento quanto o sucateamento dos quais esses polos em disputa dentro de uma mesma classe política são ambos os culpados.

E não é preciso de museu para lembrar nem esquecer essa história, como um idiota. Basta apenas querer fechar os olhos e gritar feito um fanático da sua respectiva massa de manobra, nome técnico para as milenares manadas de amestrados cultuadores de ídolos e personalidades que podem ir a direita ou esquerda, tudo depende da ordem sebastiana dada pelo padrinho ou coronel.

Um vem e promete honestidade e faz a sua farra:

O “outro” idem, é claro:

E nisto o terceiro, que se apresenta como a solução de força o retorno da ordem e progresso que nunca existiu. Pelo contrário entregou como herança uma democracia que não passa de um entulho da ditadura, cheia de filhotes bastardos da ditadura. Ex-governadores biônicos que se tornaram sinônimo da corrupção eterna, coronelismo, truculência, populismo rasteiro e parasitismo do norte ao sul do pais, espíritos de porco do naipe de Maluf e Sarney. Passando por Delfim Netto, mister 10 por cento e pai eterno de todos os consilheire de todos os capos travestidos de presidentes. E não se esqueçam de Lula o eterno pelego traira e quinta coluna do socialismo, e seu “nucleo duro” que dinamitou a ameaça comunista, de dentro como um submarino bolchevique, expurgando, degredando e acabando com os “radicais” que como ele não fizessem as alianças para o qual foi alçado a grande líder fazer. Das oligarquias financistas paulistas aos velhos coronéis do Nordeste; de Renans, a Odebrechts. O falso vendedor da falsa luta de classes para gringo ver, que sempre manteve o gado no curral e entregou as massas populares como moeda de troca do seu poder pessoal para seus patrões. O terceiro que se diz o representante de tudo que antítese disso, mas que foi a fabrica, celeiro de tudo isso, e matadouro e degredo nos porões do seu regime, de toda vida inteligente cultural, cientifica e política. Porque a nova república é filha do período da ditadura. Não houve uma revolução, como tudo no Brasil houve uma transição. E se não era para Sarney ter sido o primeiro presidente, do Brasil mas Tancredo, não se esqueçam que o candidato da oposição dessa eleição indireta era Maluf, e não ele Sarney. Um filme que você o remake recentemente na ascensão do assistente de zumbi Temer.

Temer… esse aí, se não for um completo abajur senil, ou uma barriga ambulante, se tem alguma traço de amor filial pela prole que vai carregar seu sobrenome como maldição, deve se arrepender profundamente do dia que se agarrou ao trono como se a renuncia fosse ou a cadeia fosse o pior legado que pudessem escrever na sua testa. Sem contar o período que eramos colônia e oficialmente súditos e não cidadão de uma republica- de fachada, mas república. São exatos 200 anos de governos corruptos, impotentes, idiotas, entreguistas, subservientes, incompetentes e pode acrescentar tudo o que quiserem de adjetivos pejorativos a seus antessores, que nada muda a marca históricas que esses infeliz fizeram a ferro e fogo na sua própria carne…200 anos queimados em 2. Poderia ter queimado antes? Sim. Se Dilma tivesse continuado no poder, queimaria? Sim. Mas não queimou. O fato histórico é indelével assim como a perda é irreparável. O nome Temer e a perda de 200 anos de história do Brasil estão para sempre ligadas enquanto houver memória e história da Humanidade.

E não se engane a vergonha não é só dele, mas também é nossa. Porque ele é cafetão do Brasil, que tocou fogo no puteiro, mas os putos que não conseguiram arrancar esse verme de lá somos nozes. A nossa geração. Não foram nossos pais, nossos avós, que perderam esse casa para a incêndio subsequente fomos nós. Se nosso antepassados foram um bando de filhos dessa puta-política egoístas, que comeram todos os recursos e entregam esse barril de pólvora político e econômico, isso não nego. Mas quem resolveu sentar em cima dessa herança maldita do passado fingindo que era um presente e não uma bomba para futuro, não foram eles. Fomos nós que ao contrário de Temer, não podemos renunciar nem a nossas falsas obrigações essa múmias bandidas estatais, nem com as verdadeiras responsabilidades mútuas com a sociedade e as novas gerações.

Não costumo usar do luto nem o meu nem o alheio como púlpito nem palanque. Mas como essa ainda que irreparável não é sobre vidas mas sobre posses, tanto melhor refletir enquanto o sentimento da perda desse legado antes que ele seja apropriado capitalizado e apropriado. Até porque a perda não é só de uma herança valiosíssima, mas de um legado que embora não seja uma vida humana, com uma, não é precificável nem substituível. São registros da memória nacional de uma pais que não tem memória, não consulta, não investiga, não repara e pior capitaliza em cima das tragédias. Mas sejamos sinceros, se não damos valor importância e valor a perda de uma vida de uma criança com uma bala perdida- ou a vida de qualquer pessoa sem classificação, ou qualificações, sem nenhum tipo de discriminação, seja do soldado seja do bandido, histórias de vida que carregam dentro de si muito mais do que o códigos, genes, ou legado natural e cultural dos seus antepassados, vidas que carregam mais do que passado, do que fomos e porque somos, mas toda a força da potência o espírito do que podemos ou pelo menos poderíamos vir a ser. Se não conseguimos mais dar valor, nem a essas perdas que carregam a esperança de futuro, como é alienados e impotentes dessa monta, cultuadores de mitos, ideologias e personalidades conseguirmos dar qualquer valor a herança do passado que dessa semente é o solo?

O patrimônio brasileiro não queimou. Ele está queimando, ele vem sendo queimando. A diferença é que o museu era um simbolo, e o sua destruição é um marco um sinal, e simbolo igual. O simbolo da vergonha e falência de um regime, a metáfora e prenuncio da sua queda, como o incêndio do MAM de 78. A diferença é que o perda do museu nacional não dá para relativizar, embora os idiotas idiocratizadores, já tenham se prontificado a restaurar o irrecuperável. Tenho uma sugestão, matem esses múmias e empalhem. E até teremos peças substitutas não do mesmo valor ou que contam um momento histórico, mas de outros valores e que contam uma outra história.

Da mesma forma que as comunidades se unem ou reúnem em torno do que consideram sagrado.as ideologias e seus regimes se apropriam ou inventam símbolos e ícones de unidade para arrebanhadores e guiar fiéis em torno dos seus sinais. O terrorismo, ou mais precisamente a propaganda pelo de terror pelo ato faz, atua no mesmo campo mas na direção em contrário: destruindo e desconstruindo os símbolos para quebrar ícones unidades, desintegrando as massas ou comunidades, não importa, dispersando e dividindo para arrebanhar. Estamos aquém, disso. Quem precisa de terroristas quando o Estado é o próprio aparelho de terror que destrói divide e vulnerabiliza mental, econômica e culturalmente sua para população para ser arrebanhada por qualquer projeto populista , corrupto, traíra ou fascistoide de poder?

Logo se você não decidiu para conseguir efetuar a proeza que é viver nesse ambiente tóxico se acostumar a viver na merda, sabe que o que a perda irreparável do patrimônio material do museu nacional, é mais do que a perda de um símbolo. É um sinal visível, do incêndio de um patrimônio imaterial que está queimando a nossa carne sem que a maioria de nós sequer consiga mais sentir. É o velho Brasil queimando não só o passado o patrimônio do Brasil, é o velho Brasil queimando a herança, o legado e futuro do Brasil, não só como símbolos, mas como gente, como potência, e chances, a vida de mais uma nova geração perdida para velhos malditos que insistem em perverter diabolicamente a ordem natural da vida, e se perpetuar eternamente no poder como Herodes e Neros nem isso implique no sacrifício de crianças e que a polis inteira queime.

Uma forma carregada nas figuras de linguagem para dizer que Educação no Brasil, é amestramento de Massas. Que cultura não é aquisição de ciência, nas perpetuação de mitos e ídolos. E que governo não é projeto de futuro, mas perpetuação dos crimes e classe políticas (e econômicas) criminosos do passado, que deveriam elas arder e virar peças de museus devidamente preservadas. E não o oposto.

Não, nem mesmo o mais ufanista, em coragem de dizer que educação no Brasil, é qualquer coisa além de adestramento de consumidores, trabalhadores e eleitores, para cumprir seus respectivos papeis até morrerem, trabalhar, comprar, pagar suas dívidas, tributos e dízimos e reproduzir sua prole (mas não muito) para obedecer e cultuar as figuras de autoridade, esperando que cuidem bem dela. De fato para manter esse sistema você não precisa de cultura, precisa apenas de ministério da; para tanto você não precisa de educação, pedagogia nem aprendizado só precisa de ensino, escola e pregação, de preferência tão compulsória e alienada quanto pode ser tudo que é imposto pelo subsidio da força e claro privilégios derivados da rapinagem legalizada.

Esse incêndio para quem acompanha entre os projetos de poder que lutam como parasitas de um lado para aparelhar e se apropriar do outro para sucatear e vender, um patrimônio que não pertence a nenhum desses grupo ou partidos mas ao povo, sabe que isso não foi mais um acidente. A menos que você considere que deixar sabidamente motorista bêbado dirija um ônibus que um pedófilo fique perto ou pior sozinho de crianças, que um psicopata ande armado e comande tropas, ou que mafiosos representem e governem ad eternum os estados e a união.

Isso não é acidente, não é uma tragédia, como o rompimento da barragem de Mariana também não o foi, o incêndio na boate no RGS, a morte das crianças na creche em MG. Isso é o produto de uma cultura. Uma falsa cultura de tolerancia. Toleramos o intolerável, a imcopetência, o ódio, a violência, a autocomplacência, o vitimismo, o ladrão que rouba mas faz, e até o assassino pragmático, e a hipocrisia toleramos tudo que mata, aleija, amputa, mentes, corações e vidas, mas tolerar credos, diferenças, opiniões, formas distintivas de viver, diferentes identidades, culturas isso não.

Não senhores, essa geração maldita que não assume responsabilidade por nada, que só suga e destrói a vida e o patrimônio dos antepassados e das geração futuras, que prolonga sua existência no poder e como poder, não importa as perdas e custos é criminosa, mas nós não somos meras vítimas. Muito de nós podem não ser comparsas ou capatazes, mas de duas alternativas uma ou somos cumplíces por omissão, na medida daquilo que poderíamos ter feito ou não fizemos, ou somos de fato impotentes fracassados que mesmo fazendo tudo que estava ao nosso alcance, tudo o que vamos entregar é a derrota. Não importa o quanto lutamos, quando a luta é sobre o que importa, o lutar com todas suas forças não consola, porque há perdas que não se reparam.

Esse incêndio é uma marca. Uma marca dessas perdas e derrota. É aquelas perdas que servem como choque de realidade não apenas do fracasso, mas da falsidade ideológica em que se construi esse falso projeto de futuro chamando Brasil.

Dizem que é um macaco amarrado a um piano por um tempo infinito pode compor uma sinfonia. De fato se você der um tempo infinito a ele é altamente provável que saia uma. De fato é possível, embora a probabilidade beiro o impossível, o milagre, que ele simplesmente saia tocando a sinfonia de cara. Mas como bem sabemos e estamos experimentando na pele, o mais provável. É que ele não componha nada, coloque fogo no piano, e ainda jogue bosta na audiência cativa.

Segundo o próprios assistente de macaquices da política, 70 por cento da população brasileira não é capaz, como já era de se desconfiar de ler e interpretar um texto. Isso quer dizer que ao contrário de você leitor, a maior parte da população brasileira é uma analfabeta funcional para entender que o quem é ou melhor quem são os macacos da metáfora. Mas não é analfabeta política para entender seus próprios interesses, mesmo que eles se resumam a puro sentimento de vingança e caos.

Sim vingança. A direita e esquerda, Bolsonaro ou Lula. O que fala no fundo do amago da alma dessas pessoas ainda que não tenham consciência disso é a vontade de ver tudo isso explodir. Ver o circo pegar fogo, antes que ele coloque fogo em todo o pais. O desejo inconsciente que a candidatura falso-marginal e o discursos fascistoide de Bolsonaro representam não é mais o da esperança, mas o da desesperança. Se um meteoro pudesse ser candidato, um meteoro apocalíptico mágico que caísse milimetricamente apenas na praça dos 3 poderes, levando com eles apenas a podridão desses parasitas e nenhum inocente. Não só brancos e nulos votariam no meteoro, mas até aleijados voltariam a andar no dia da votação só para dar esse grito pelo caos que funda a ordem, revolução.

É por isso que a cada instante o populismo e principalmente o totalitarismo reacionário tanto da velha direita quanto da velha esquerda crescem. E crescem para virar semente de ódio e discórdia e sectarismo na juventude, cresce no vácuo da solidariedade da sociedade que já germinou como pulsão de revolta latente.

Não importa qual será o resultado dessa não-eleição, o vencedor será o caos como ordem, porque a ordem como caos reinante já se tornou insuportável. Já tivemos uma amostra desse tendencia nas revoltas caminhoneiras onde a população permaneceu dispostas a enfrentar privações e provocar danos a si mesma na esperança de que tal poderia provocar danos ainda maiores no câncer político que está matando e desintegrando como povo.

Notem como o poder funciona, o inimigo se divide em falsos frontes, direita e esquerda, arregimentando manadas de fanáticos desesperados e oportunistas, que levam a divisão da sociedade para uma verdadeira guerra. Dividem para conquistar e permanecer no poder como falsos aliados e falsos inimigos. Jogos povos contra povos, povo contra povo, para eles jamais se voltem e revoltem de fato contra o verdadeira raiz do problema: eles. Ou que é a mesma coisa a divisão, discórdia, alienação e divisão da população em manadas de alienados em classes voltadas uma contra as outras e não unidas para preservar sua vida, liberdade e bens comuns contra esses de monopolizadores da violência, da lei, do governo e justiça. Uma nação sem sociedade civil, não é uma nação, é um arrebanhado de servis impotentemente e clementes, Brasil.

Tolo de quem finge não entender que sentimentos Bolsonaro busca despertar quando fala em fuzilar, bandidos, petistas. Senão tolo mentiroso, mas de toda forma prepotente. A esquerda que qualifica o popular que apoia Bolsonaro de fascista por medo e discurso de terror da insegurança pública, é tão canalha quanto a direita que a qualifica o popular que apoia o Lula de corrupta, por medo e discurso de terror frente a insegurança social. Não é possível discordar, ou concordar, não lúcida e criticamente sem entender. Sem entender as razões, não só as ideológicas, mas as de factuais, que levam um grupo de pessoas a aderir a um determinado grupo.

Para discordar é preciso entender porque alguns empresários do Vale do Silício ao menos num primeiro momento apoiaram Trump.

Para discordar é preciso enteder porque alguns intelectuais honestos apoiaram num primeiro momento a revolução cubana, e tiveram Che como exemplo.

Para discordar é preciso entender porque o discurso de violência a violência de Bolsonaro passou a fazer sentido para tanta gente.

Para discordar é preciso entender o fenômeno da união do liberalismo e conservadorismo, até mais do que a maioria dos que acham liberais e conservadores entendem, ou estudam a história para entender. Entender como o discurso de Bolsonoro não é só meramente um anti-petismo, um anti-malufismo de esquerda, uma reedição do Janismo contra getulistas e ademaristas. Entender como quanto guardada as devidas proporções e atrasos esse discurso traz os vícios do fascismo europeu, mas o quanto essa união do conservadorismo e neoliberalismo - guardada as devidas proporções e atraso, reedita, a mesmo “casamento” das eleições norte-americanas de 1964, sim 64, com a parceira entre o papa do liberalismo Milton Friedman e do conservadorismo de então Senador Barry Goldwater. incluso como o mesmo aparente (ou melhor superficial) paradoxo ao pensamento liberal-conservador: a proposição de uma renda básica no seu programas de governos.

E cito a renda básica não para marcar uma posição - como em geral de fato o faço. Mas como evidencia ao argumento de que as crises cíclicas e intestinas dos sistemas socieconômicos, trazem a tona todos os problemas empurrados para debaixo do tapete, e com ela novamente as ideologias quanto as ideias e soluções, dadas por mortas; tanto as que apelam belicosas que apelam para o que há de pior ou mais primitivo quanto as sociais e humanitárias que tentam evitar o pior. Os anos 60 e 70 do século foram marcado por essas crises e transformações, assim como a década presente e a vindoura.

E já que a história do Brasil queima, vamos falar de história.

64 é um daquelas anos, que não só no Brasil mas no mundo, os conflitos geopolíticos e guerras e em alguns “teatros” nem tanto, onde as divisões nacionais e internacionais do trabalho entre os polos norte e sul, ao leste e oeste, resultam no acirramento do enfrentamento entre as posições ideologias e seus projetos de poder. Ciclos de crises sistêmica politico-econômica e aumento da tensão que a disputa pela hegemônica que eventualmente pode levar ao escalamento até tensão até o ponto de ruptura, e ponto de ruptura seja no âmbito interno ou externo implica na solução da via de fato, chamem de revolução ou golpe, regime ou ditadura. O fato é há uma quebra na narrativa histórica, seja para mudar tudo seja para manter tudo como esta. E esse é o ponto. Em ambos os casos a estrutura não sustenta mais nem uma nem outra coisa. E a disputa não é mais sobre o edifício, condenado, abandonado e falido, mas já sobre o novo, que será uma replica do anterior modernizada em fachada, ou de fato uma nova estrutura, uma nova instituição.

Nesse processo de transformação histórica há portanto não apenas duas forças em disputa, a direita e a esquerda, uma terceira força que ocupa as fundações institucionais desse estrutura politico-econômica, que entre sindico saia sindico, nunca abandona a posse nem administração desse condomínio. Eles formam o que nos EUA chamam de stabilisment, o que aqui chamamos de oligarquias, o que em geral chamamos de sistema, são os “punhos de ferro por trás da mão invísivel” como disse o libertário Kevin Carson. São aqueles detentores do capital que não são mais uma classe mas literalmente um sistema, o financeiro, que naturalmente definem pelas leis de mercado, os destinos dos países, e digo naturalmente, porque quem detém as posses de fato detém o poder de fato, logo quanto maior a concentração do capital, maior a concentração de poder, nas mão dessas oligarquias que não são mais nacionais, mas internacionais.

A questão é a que a esquerda e direita se alternam no poder, ora fazendo cartinhas ao mercado e se aliando a essas oligarquias, ora batendo de frente de contra elas. E não se enganem a esquerda e os trabalhadores nunca tiveram o monopólio do levante popular contra essas oligarquias, a burguesia e os militares não raro, especialmente no Brasil protagonizaram sem fazer juízo de valor, os embates históricos mais bem sucedidos do século passado. Antes de Prestes montar se converter ao comunismo e montar sua coluna, os tenentistas se rebelaram sobretudo contra a corrupção da oligarquias da velha república. E Getúlio amarrou seu cavalo no obelisco no coração da obtusa oligarquia brasileira como um ditador que caminharia pela senda do fascismo, antes de como macunaíma hábil se vender como o pai dos pobres e do trabalhismo.

Lula já tentou atrelar sua imagem a todos os mitos, de Prestes, a Lampião, passando Padre Cicero e Antônio Conselheiro, (até Tiradentes), mas a grande sacada e burrada da inteligência de direita que tomou o Brasil em 64, foi o desmonte da esquerda por uma estratégia distinta da Hooveriana e Marcartista norteamericana. Nos EUA a esquerda bem ao estilo americano foi exterminada sobraram os democratas que são tão esquerdistas quanto um social democrata tucano pode socialista e um FHC revolucionário, quanto um Clinton defensor dos direitos humanos.

No Brasil, a caça as bruxas da ditadura militar combinou o fronte do DOPS, a polícia política criada ditadura Vargas, com a estratégia da cooptação e infração e traição, estratégia universal usada por reis, papas e claro ditaduras bolcheviques. Criou-se o peleguismo, cooptou-se sindicatos e plantou-se pelegos. A ideia central era a mesma socialismo cristão que longe de implantar o marxismo na igreja, o que diga-se de passagem é uma idiota, era desmobilizar o marxismo, plantando um socialismo fabiano e cristão, mais palatável e menos revolucionário e mais messiânico bem ao gostos de bispos e já presente no inconsciente coletivo da nossa cultura herdeira do sebastianismo e servilismo dos países que nunca saíram da esfera de influência ao menos não a cultural do papismo. E que ao invés de se levantar a cabeça para não mostrar o rabo, aprenderam a choramingar e ir reclamar com o bispo- não raro ganhando em contrapartida a fidelidade canina, disciplinamento na forma das mais variadas formas de bolinação.

O ponto fundamental é que direita e esquerda são e sempre foram uma falácia. Ou se você preferir uma analise menos radical, elas sozinhas não compõe a totalidade das forças históricas que disputam o poder no Brasil. Além da direita e esquerda, há um centro de poder que nunca foi derrubado nem por revoluções populares que nunca existiram, nem por ditaduras militares, que podem ter fundado e acado com períodos democráticos e republicanos como suas intervenções, mas em todas elas fracassaram em criar o que pretendiam a seu modo, autoritário, mas inegavelmente pretendiam, um nação soberana.

Em momentos de crise direita e esquerda se radicalizam respectivamente em seus projetos mais conservadores e liberais, mais progressistas e socialistas respectivamente, e não raro de enfrentam até a morte para decidir que terá o privilégio de se apresentar como o verdadeiro adversário das oligarquias, ou falso, seu aliado e o traidor da população. Mas se vão a batalha já coptados e vendidos ou se depois se rendem e captulam e corrompem. O fato é um só. As oligarquias permanecem e prevalecem. Saiam velhas e novas republicas civis, entre ou saiam ditadores ou regimes militares, dos Marechais que proclamaram a República, passando pelos velha republica oligarquica descarada do café com leite, revoltas tenentistas, ditadura e populismo Vargas, Novamente os militares, e enfim a “nova” republica e sua tardios e bota tardio nisso, estado de bem-estar social — que enseja a igualmente retardária de nada menos meio-século critica liberal a esse new deal tupiniquim- o que temos como constante ou fator determinante é um, as oligarquias prevalecem.

Nunca houve comunismo, nunca capitalismo. Nunca houve socialismo, nem liberalismo. Nenhum projeto ideológico nem conservador, nem progressista, nem revolucionário, nem reacionário, nem autoritário, nem libertário, nem projeto popular nem elistista, nem trabalhista nem burguês, jamais conseguiu ameaçar a hegemonia que esse oligarquia cuja braços nacional não passam de capatazes do capital e internacional que não tem povo, nação nem humanidade, nem valores humanos mas só interesses contábeis e pecuniários e da sua gene (e olhe lá).Nenhum projeto seja de pais nem sequer de poder jamais ameaçou o domínio que faz do Brasil uma colônia e província modernizada, mas não uma nação moderna nem muito menos um livre mercado, quanto mais uma república ou democracia, esteja ela sob o governo de quem quer que seja, incluso se um dia estivesse do seu próprio povo, sem intermediários, via democracia direta.

Daí talvez a difilcudade de entender algo que é tão obvio a nossa sobrevivência como individuo e coletividade. Não se pode privatizar nem socializar irracionalmente, ou o que é a mesma coisa ideologicamente. Eventos como a queima do acerco levam os privatistas não sem argumentos por óbvio a dizer que se o patrimônio estive sob a gestão privada ou se tal acervo não estivesse monopolizado e centralizado num único lugar tal desastre jamais teria ocorrido em tais proporções. Que é melhor se desfazer de tal riqueza do que tê-la queimada por corrupção e imconpetencia. Assim como levam a estatizadores a pedir mais poder e ausência de freios para os gastos e contratações do aparelho estatal, para que ele possa cumprir seu dever. Mas são ambos meias verdades, e portanto meias mentiras, que ensejam falácias que ou são um erro honesto, ou mais um solução desonesta.

Ponto 1. Monopólio e centralização são males distintos

È possivel descentralizar inclusive democratizando o acesso sem precisar se desfazer do patrimônio nacional, construindo redes, ao invés de centros. O monopólio do patrimônio nacional permanece sob a posse de quem é de direito, porém sem o vicio da centralição dos polos econômicos historicamente privilegiados. A rede de distribuição desse patrimônio, sequer precisa ser estática ela pode ser dinâmica e rotativa.

Ponte 2. Privatizar não é sinônimo vender

É possivel privatizar e profissionalizar gestão incluso da coisa público sem novamente se desfazer do seu patrimônio. Ou em outras palavras, é perfeitamente possível um pais contratar a gestão privada de seus bens e serviços públicos e nacionais, sem precisar vende-las ao gestores. Isso é absolutamente ridículo.

Ponto 3. Estatização não socialização

E só é mais ridículo que isso defender que um governante por não ser um gestor privado tem ele o direito de negociar, vender ou entregar esse patrimônio, como se ele adquirisse direitos de propriedade, e não meramente delegação administrativas e funcionais. É como se um banco pegasse seu dinheiro e usasse como quisessem e quando você quisessem pegar ele de volta ele dissesse “já era, cherei.” Para quem não sabe eles fazem isso, já era, eles cheiram, e não vão pagar por isso, você vai.

Logo é perfeitamente possível, tanto privatizar a gestão, quanto ao mesmo tempo socializar o patrimônio, ou em outras palavras, tirar políticos corruptos e colocar empresas que podem ser mandadas embora a qualquer tempo pelos assembleia dos verdeiros sócios proprietários do patrimônio nacional, o povo, não como plebe semi-escrava e pagadora de tributos a fidalgos, mas como sócios e herdeiros do SEU patrimônio natural e histórico, como sociedade e não como alienados e exproprieados impotentes a eleger seus expropriadores estatais e privados inimigos na disputa pelo expoli, aliados e comparsas na espoliação. E qualquer semelhança do processo socioeconômico com o ideológico-político não é mera coincidência. Isso é o sistema, onde no topo da cadeia alimentar, no topo da hierarquia, estão aquelas poucos clãs que compõe esse poder a que chamamos oligarquia. Uma chama perpétua que consome mas que não se apaga nem se se queima, joga e engole os outros no fogo.

Mas piromanias a parte. O fato é que o passado queima e o Brasil atual está em pé de guerra. E é por isso que os discursos dos generais e capitães tem tanto apelo. Negar isso é fugir de uma realidade que está nos dados e fatos cotidianos. E aí não adianta jogar na conta nos milicos e seus 20 anos de regime militar do 64–88. Essa conta é nossa. Dos civis que fizeram da nova república uma reedição da velha república das velha dentro do entulho da ditadura. Mas pode chamar: a volta dos que não foram: as oligarquias a procriar com os filhotes da ditadura.

E quando digo nossa responsabilidade civil, não me refiro só a esses entes institucionalizados como parasitas profissionais, políticos hereditários, sindicatos pelegos, federações patronais de lobistas, latifundiários grileiros, toda a fauna, monopólios bancários, que povoa os centros de poder, que faz de qualquer candidato que encarne a figura de um meteoro a prometer a explodir metaforicamente os 3 poderes do Planalto Central como o último grito do populismo. E digo populismo, e não popular, porque ele por lógica e definição e função parte desse sistema e não é um meteoro, e logo não vai desintegrar essa fauna e flora de parasitas, mas se integrar a ela ou ser desintegrado.

Quando digo responsabilidade civil não me refiro portanto só aos parasitas que se passam por representantes da sociedade, mas aos membros de fato da sociedades. O nós de verdade enquanto e somente enquanto cidadão sem nenhum poder, privilégio, prerrogativa, cargo ou cela especial. O nós de verdade. E em especial. Eu, eu sou o homem mais fracassado do mundo.

Não tenho a menor vergonha em admitir a maior derrota. Sem raiva, nem amargura, e sem abandonar o meu fronte, nem meu horizonte, mas eu sou um perdedor e não nos termos dos jogos e valores dos outros. Mas dentro dos meus próprios valores e termos. Mais do que isso. Não sou só um perdedor. Sou um perdedor convicto. Um perdedor que não desisti. Um perdedor convicto na luta de por uma causa perdida e que no enteando não troco de lado nem abandono o campo de batalha, mesmo sabendo que vou tombar sem ver o que sonhei. É fato. E principalmente quem se considera um ativista social e libertário mas não consegue ver a dimensão da derrota quando escuta um Bolsonaro ou Haddad falando enquanto um Temer ainda continua obrando, é porque não tem ideia da responsabilidade que chamou nem como ativista da sociedade nem da liberdade.

Quando um Bolsonaro desafia a sociedade perguntando se uma uma mulher quer no bolso uma arma ou a lei do feminicídio, ou quando Haddad desafia a sociedade se querem se livrar do Lula que acabem então com a miséria, eles esfregam descara e escarnecidamente na cara da sociedade, além é claro quem são, e o produto de quê, o quanto eles sabem quem são e o quanto sabem que são produto oportunista dessa irresponsabilidade e inadimplência da sociedade.

Não adianta negar. Ambos tem razão e na verdade falam e se aproveitam de uma mesma realidade. De fato uma vez consumado o problema social, quando ele atinge o estágio da violência atual, a ação social ela é tem o poder de construir futuros e e até corrigir o passado, mas não desfazer o que está feito e configurado. A ação social, a paz é profilática, se não é feita no antes pelo civil, o militar entra e “resolve” pragmaticamente na bala o conflito instaurado. Ou seja o pragmatismo e inteligencia que falta para a paz, o dar o pão sem perguntar nada é exatamente a ação que falta para que depois a situação de estupidez e violência do quem atira primeiro e pergunta depois não prevalece, como prevalece e Bolsonaro explora.

O mesmo vale para o discurso do boneco de ventrículo, Haddad. Quando ele desafia a sociedade se juntar ao PT para acabar com miséria, ele tripudia duas vezes. Como se programas sociais visassem libertar as pessoas das condicionalidades político governamentais e garantir propriedade e renda do cidadão tem direito como cidadão e ser humano sem esses cabrestos e grilhões políticos que formam seus exércitos de fanáticos e desesperados. Mas ele sabe disso. E sabe que a sociedade não se importa com isso. Pelo contrário, o problema não é que este povo esteja abestado, a divergência está para onde a manada está sendo levada, para o curral de quem. Tirar do curral e parar de currar, isso não se discute. É como briga entre igrejas, uns pescando no aquário de fieis do outro. Na verdade o capital humano dos 3 é o mesmo. Ou melhor dos 4, -porque pode colocar junto deles aquela parcela do mercado que busca mão de obra semi-escrava- os 4 fazem parte de uma uma mesma industria de desumanização e desumanidade que investe e fabrica condição de privação e alienação para comprar politica e econômica barato gente e vender caro a si mesmo como solução para toda a sociedade.

Um golpe. Mas um golpe que só funciona por uma razão. Porque entre colocar a mão no bolso, e pagar barato para sanar o problema, de uma família e logo criança que não conhecemos, a sociedade prefere pagar pelo risco de levar uma bala e todo o custo social, político e econômico, mas sobretudo humano que as soluções futuras implicam. Uma sociedade estupidamente insolidária. Mas certamente mais estupida do que insolidária, porque o Brasil não é (ainda não) um pais pobre, mas desigual. Um termo econômico eufemista para dizer que ainda vai morrer muita gente inocente seja de fome ou com bala perdida enquanto bandido com mandato para matar e roubar vai continuar comprando e vendendo o espolio dos mortos, dos vivos e dos que nem sequer nasceram ainda em troca de bugigangas.

E de quebra ainda por cima tripudiam. É o verme que ri. Eles venceram. Enquanto não houver solidariedade social suficiente para tirar mover o brasileiro a tirar pragmaticamente o brasileiro da miséria, os parasitas políticos que vivem e se reproduzem política-economicamente da miséria humana vão continuar se vendendo como profetas da salvação da pátria. E não adianta ficarmos bravinhos e indignados que eles ainda por cima descaradamente tiram sarro da nossa cara. É fato estamos estamos cobertos e rolando em bosta e sangue uns dos outros, e pior chorando para eles limparem a nossa bundinha toda assada. Uma sociedade infantil gigante de 500 anos que não sabe se limpar e alimenta sozinha eternamente presa a fase oral-anal-fálica com salvadores da pátria, sem irmandade e que se acha filha única na América Latina. URSAL… que piada pronta. União de Repúblicas da América Latina com o Brasil junto? Esquece o Socialista, podia ser republica qualquer-bosta, tirando Belchior que brasileiro se acha uma rapaz latino-americano? Ou melhor achava, porque Belchior morreu. Meu amigo, sem fuzil e baioneta nem o Sul, e o Nordeste teriam ficado sob o mesmo Império, que o diga o Caxias ou Garibaldi.

E eis que voltamos a composição genética, genealógica e sobretudo histórica do Brasil e da mentalidade ou psique do brasileiro ou sua brasilidade. O Brasil não tem memória, o brasil tem genealógica. A gene da arvore o lugar em que ela está plantada se mais ao Nordeste ou Sudeste na geografia tupiniquim, ou mais ao Sul ao Norte do Equador, na terrestre. Ou seja real nenhuma nenhuma fora o preconceito de quem os julga ou absolve como semelhante ou estranho a si e aos “seus”.

A esquerda se diz inocente perante a justiça burguesa, mas é criminosa perante o tribunal de ambas o dela e o seu, se de fato um dia tivesse sido revolucionário. Culpada por corrupção. Culpada por traição. No mesmo ato continuo. Praticou corrupção, e o fez não só como troca de favor das piores especies de parasitas do povo brasileiro, mas favorecimento dessas oligarquias e em prejuízo da população, não só enganado, e manobrado, mas usado muitas vezes como moeda de troca nessa negociatas. Não era só contratos e cargos e nacos do patrimônio público que era dados como todos os demais partidos fizeram e ainda fazem, davam em troca o que sindicalistas e representantes de classe dão para patrões, a cabeça dos trabalhadores torpedeando como submarinos as suas reivindicações, a especialidade histórica lulista. Mas não é por isso que ele está na cadeia. E sim porque corre o risco de novamente se eleger. Pela razão simples que elencamos e Haddad ironizou, como se dissesse nós exploramos e colocamos cabresto, vocês nem isso. Nós damos pão e cobramos servidão, vocês nem isso.

Lula, ou melhor seu dublê e Bolsonaro e o clássico dilema entre a cruz e a espada. Falso dilema, aliás, porque o principio e fim são exatamente os mesmos.Um faz o discurso que coloca todo pobre como fosse potencial bandido, ou no minimo já suspeito de vadiagem e culpado por vagabundagem, um bando de malandros e indolentes. O outro pelo contrário faz de todo bandido um pobre coitadinho, incluso o bandido que nem sequer é pobre e nem sequer é um simples cidadão, mas um rei, com ex, com direito que só essa diplomação garante ao privilegiado. Privilegiado não, ungido… e pelo povo, a versão da meritocracia… da burguesia de esquerda. Eis a cruz e a espada, mais gente pobre e inocente sendo sistemática e institucionalmente tratado como se fosse bandido com direito a enquadro e balaço sem nem saber porquê, ou mais bandido de classe e pedigree sendo tratado como se fosse pobre coitadinho inocente. O que vai dar? Vai dar a merda, isso é certeza. Ou melhor vai continuar dando merda, porque nenhum resultado que sair, vai poder contrariar o esperado. E se sair o resultado errado. Desfaz-se o pleito e faz-se outro, se é que vão perder tempo como em continuar mantendo a fachada do faz de conta. Mas esse não é o ponto. Não interessa as mentiras do circo montado, mas a verdade de como funciona a mentalidade coletiva que determina o comportamento ainda que conscrito (o voto é obrigatório) do brasileiro nesse jogo de cartas marcadas.

Na falta de um meteoro, um de verdade, há quem prefira votar em absolutamente ninguém, Mas ninguém não se elege nem que ele tenha tenha 200 milhões de votos e seu concorrente seja o inimigo público número 1 e tenha portanto apenas um voto, o dele. Não importa que o inimigo público será certamente deposto, na nossa democracia constritiva ele assume, nem que seja para cair. O que provavelmente vai acontecer com um governo que novamente nascerá isolado. Eleito apenas por uma minoria absoluta de no máximo 3 ou 4 brasileiros em 10 que votarão nele. Sendo que deste apenas 1 ou 2 votarão de fato nele por outros 3 ou quatro estão votando é para impedir que outro chegue ao poder, ou seja, estarão pouco se lixando que fim esse governa terá, ou se conseguirá chegar até o final. Por outro lado, ou melhor do outro lado teremos uma maioria composta de mais ou menos metade que odeiam quem entra, ou odeiam quem governa sem distinção; e metade que também não dá a mínima para derrubar nem muito para apoiar. A receita de uma crise pronta não só para continuar, mas se agravar, já que as quadrilhas partidárias não só permaneceram mas fortaleceram suas posições. De modo que quem governa ou cede e entra no esquema, supondo ingenuamente que não esteja dentro del, ou o presidente eleito cai. Há uma terceira, fechar o congresso. Mas essa hipótese é o fim da democracia representativa e como provavelmente não se dará o inicio de nenhuma revolução nem democracia direta, o que veremos é a ascenção novamente agora declarada de um autocrata.

Vai acontecer isso?

Não sei, mas quem diz que esse não é um dos possíveis cenários possíveis ou é o estrategista cego que não quer ver, ou que conta na cegueira e caos para colher sua forma primitiva e paternalista de ordem e progresso.

Os fatores determinantes para que tal configuração ocorra são os seguintes: a mentalidade da população, os alienados e dos manipulares da massa, os alienistas prepotentes que não raro erram por isso mesmo.

Delfim Netto é um canalha, mas um canalha alquimista que sabe a natureza da sua profissão é pura enganação, um prestidigitação. Sabe que as tomadas de decisão da coletividade da rede que forma a sociedade não só decisões racionais complexas, mas acima de tudo irracionais e altamente imprevisíveis. Ou melhor, até certo ponto previsíveis na sua instabilidade emocional. Assim como isso em mente, voltemos a pergunta quem levará, a eleição: os candidatos do centro, da manutenção do status quo, do establishment, da estabilidade do sistema, ou qualquer um que represente um meteoro?

Muitos analista dos irmãos gêmeos da social-democracia simbionte PT-PSDB acreditam que o pleito no final acabará entre eles. Acreditam que prevalecerá a racionalidade. Que os pobres entre o porrete e o pão ficarão com o pão ainda que com linha e anzol ficará engolirão a isca até porque não tem nada, e que a burguesia, entre a guerra declarada e a paz de fachada, ainda sim prefira fechar os olhos do que encarar uma realidade de olhos bem abertos, até porque no final das contas ninguém quer mudar nada, mas sim que as coisas voltem a ser como eram. Ninguém se importa por exemplo o quanto a economia da antiga corte sem o dinheiro da crime legalizado, depende da criminalidade marginal, o quanto o pó que abastece a playboizada faz a economia girar, desde que o dinheiro e pó continue girando nas altas rodas, haverá oferta e procura inclusive da alta burguesia não só econômica mas política, paulista e mineira. Oligarquias e fidalgos intocáveis. Pobre Marielle, não sei nem se fazia ideia de que estava lidando apenas com a ponta dos dedos desse monstro que devora o Brasil. Porque as pessoas, as instituições, os governos e até mesmo os regimes passam, mas essa arquia enquanto houver riqueza e vida para devorar fica.

Nestas pseudo-eleições essas forças e seus caciques políticos apostam que depois de todo barulho o gado vai voltar cansado para o cercado. Apostam basicamente na racionalidade da coletividade. E nisto está o erro. As escolhas nem individuais nem coletivas são racionais. Mas movidas por impulsos muitas vezes fáceis de serem manipulados e controlados por meio ou por quem controla os meios de produção da comunicação ou bens de consumo e ou os próprios meios de regulação desses meios de produção, mas por vezes não, especialmente em momento de crise sistema e paradigmática, onde a normalidade derrete, a tendencia é que impulsos não só imprevisíveis e incontroláveis assumam o controle da situação, como impulsos inconscientes, muitos deles não só destrutivos, mas até mesmo autodestrutivos.

O que isso quer dizer? Quer dizer que estão subestimando o fenômeno do trumpismo, o poder simbólico do voto de protesto anti-sistema, escatológico e apocalíptico que Bolsonaro tenta encarnar: o meteoro. O Chê dos direitista a acabar com a classe dos bandidos e corruptos, os inimigos do seu povo, os cidadão de bem ,com a solução clássica dos justiceiros de uma classe que sente oprimida : el paredon. Pois é. Quem planta subjetividades de deveres como a mão esquerda colhe relativização de direitos com a mão direita. E a mão que planta autoritarismo das sua correção política colhe a censura e privação das suas liberdade com a outra.

Música aos ouvidos de uma população impotente mas não se iluda, ainda sim revoltada por não ter nenhuma justiça nem burguesa, nem popular.

É importante levar em considerando o componente do inconsciente coletivo na mentalidade, comportamento e principalmente na tomada decisões coletivas principalmente quando as pessoas são induzidas ou coagidas a se comportar não como redes gregárias e solidárias mas como massas egregadas desprovidas de autodeterminação consciente. Jornalistas acreditam que estão a sabotar a candidatura de Bolsonaro quando arrancam dele em entrevistas que apenas fortalece o fundamentalismo dos seus apoiadores que já estão comprometidos com a causa antissistema, e ainda converter mais insatisfeitos a retórica apocalíptica do caos; mesmo o ouvinte sabendo que esse caos irá atingi-lo. Isso não é uma eleição isso é uma roleta-russa ou desistimos e ficamos com um status quo insuportável, ou escolhemos um candidato que é como pode ser só um blefe, uma bala vazia no tambor… ou não. Diria que a bala vazia, está para uma em quatro. Deixo para o leitor adivinhar quem é o ou a candidata de espoleta e os que chegando ao poder serão como uma verdadeira bala na agulha apontada para um barril de pólvora. E o pior, é que quando digo isso, muito gente já imagina o circo pegando fogo, e isso não diminui em nada a vontade inconsciente de realmente ver quem tudo queima enfim queimar. Mais do que medo, a retorica dessas fake eleições é a revanche é a vingança.

Porque por mais egoísta ou racionais, (coisas que não são sinônimos) que as pessoas sejam, há no fundo da alma de cada brasileiro nas camadas mais submersas dos seu subconsciente, um profunda angustia com a situação que vivenciamos como coletividade, como brasileiros, não importa a classe social. Essa angustia que hora se manifesta como complexo de inferioridade, hora como sentimento teratológico de competição destrutiva ou mesmo sentimento autodestrutivo, muitas vezes de expressa das únicas formas que as pessoas tem a sua disposição no momento para dizer um basta. Isso evidentemente não racionaliza o voto em Bolsonaro, continua sendo uma decisão estupida. Assim como a de Lula-Haddad isso explica porque as baleias encalham ou gado se joga do precipício. Principalmente quando é assombrada por opções de centro, que significam justamente a continuidade de absolutamente tudo o que o Brasil é de pior, e não consegue ser de bom. Eles estão a fazer o jogo do anti-petismo e anti-fascismo para empurrar todos volta ao curral da normalidade do centro (absolutamente oligárquico e corruptor) de poder. Mas o efeito pode ser justamente oposto, a população votar em absolutamente qualquer um, sem confessar jamais em quem votaram, só para não votar, no votar no candidato da continuidade do sistema. A estratégia Clinton deu errado nos EUA e pode dar errado no Brasil, empurrado para a beira do abismo, o povo pode preferir pular a espera de um milagre (ou messias), pode preferir até mesmo votar até mesmo um demente dublê de Trump, ou um poste dublê de Lula, do que voltar ao curral.

E só para adiantar. Pesquisas de opinião ou urnas honestas ou manipuladas, não vão funcionar para reverter uma sensação falsa ou verdadeira de vitória de fanáticos de nenhum dos lados. Pelo contrário, só vão dar mais munição para dinamitar a já combalida credibilidade da imprensa livre pelo corporativismo das grandes empresas que tomaram as esse quarto poder ao bem prazer dos seus interesses e monopólios. Primeiro porque eles são fanáticos, e suas impressão não mudam com os dados, mas eles mudam os dados para justificar suas impressões. E segundo, e mais importante, porque monopólios de comunicação ainda existem, mas a centralização do fluxo da informação já era. E se na era da informação não é possível verificar exatamente onde está a falsa narrativa, é possível verificar os buracos deixados pela intransparência que alimentam tanto as dúvidas razoáveis quanto as teorias das conspiração, e que não importa, diluem ainda mais a confiabilidade de um sistema que já em estado de pré-falência institucional tanto a classe dos velhos representantes políticos profissionais quanto da imprensa privada formado de opinião do velho cidadão de bem, vide a não só mais decadente mais recém literalmente pré-falida revista Veja. Decaídos e em guerra não só no Brasil mas no mundo. Vide o manifestos dos jornais contra o aspirante a ditador de republicas bananas Trump.

O circo do Brasil e do mundo pegou fogo, e os donos do espetáculo ainda estão escolhendo as cores do papel de parede e oferendo nas prateleiras mofados do seu supermercado político seus produtos com o prazo de validade vencido, podres, mofados não só mais por dentro, mas até na embalagem. Ou melhor quem dera tivesse sido o circo.

Definitivamente Belchior ainda tem razão. Eles venceram, e nós ainda vivemos como nossos pais. Mas, de boa, não toda eles venceram, não eu. Como eu venci, nem me convenci de coisa nenhuma. Não vivo como nossos pais. Não pertenço, nem faço parte essa egrégora, nem crio filhos para serem tomados por ela. Nem estou pagando para ver no que isso vai dar, mas literalmente pagando para por um fim nela. E mesmo assim não é o bastante.

Sim o prefeito do Rio tem a razão quando disse que “sociedade falhou como um todo”; a começar por não fazer o básico: transformar figuras dessa laia em peças de museu. Não, não basta por um fim, a esses parasitismo de extinguir essa doença devemos construir um museu. O museu da alienação, com declarações descaradas como essa, para que as futuras gerações jamais esqueçam como nós seus antepassados eramos manadas de idiotas que entregavam a sua liberdade e soberania para tiranossauros dessa espécie. Para que nossos filhos sempre se lembrem do que nos nem aprendemos para nos esquecer: Liberdade, Dignidade e respeito não são dadas elas se tomam e conquistam, especialmente quanto se trata de parasitas prepotentes cuja profissão é justamente essa: roubar direitos e patrimônio e transferir obrigações, como trabalho servil e tributos.

E que eles queimem no inferno, que eles mesmo semeiam e pregam. Até porque se depender do bispo, é mais um futuro prédio para Universal.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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