Diretas Já?

Sim. Mas não só Eleições… Democracias.

Porque o resto só não vê quem não quer: é Propaganda Política Eleitoral… e obrigatória.

É claro que é. E quem dúvida disto? E quem é louco de acredita neles? É por isso que defendo o mandato de injunção para a democracia direta ou qualquer outro dispositivo que o saber jurídico encontrar ainda dentro da desta legalidade e constitucionalidade atuais. Na verdade qualquer saída democrática, cidadã e popular para que possamos reaver nossa independência e soberania é bem-vinda e tem meu apoio. Mas mover ação cidadã para que a justiça mande legislar não é o ideal mas é o instrumento que temos mais próximo daquele que precisamos e o único que dispomos agora com a urgência necessária.

Porque se não funcionar, ou sequer conseguirmos advogado para essa causa, receio que não teremos tempo ou outras oportunidades legais para fazer essas transição democrática não mais dentro desse antigo sistema. Aí é Temer muita reza brava para que ele não supere a Dilma, e muito trabalho para colocar a democracia direta na agenda da nação em 2018, e se infelizmente o caldo desandar antes: rua.

Quem veio primeiro o ovo ou a galinha? Tanto faz, desde que do ovo saia uma galinha e da galinha um ovo, quem se importa? O problema é que não vai ter ovo, nem galinha sem iniciativa popular. Porque eleições gerais só com democracia direta e democracia direta com eleições gerais. E se elas não encontrar a justiça na “justiça” terão que se encontrar na sociedade civil e nas ruas.

Porque esgotado até mesmo os instrumentos jurídicos, rendido o STF, não restará ao povo nenhum outro lugar público legítimo para lutar pela liberdade senão a ruas e nenhum outro meio senão o sagrado direito de reunião, manifestação e livre associação de paz convertido ele próprio em assembleia popular permanente via internet para reinstituir de fato a verdadeira democracia.

Muito bonito revolucionário e necessário, mas posto na prática meso só será quando as pessoas sentirem que isso é mesmo absolutamente necessário. Ou, o que é a mesma coisa, se for de fato movido e mantido pelo interesse das necessidades comuns. Menos que isso simplesmente não funciona — e nunca funciona por muito tempo. E por uma razão simples: as pessoas querem e tem que seguir a sua vida.

É portanto absolutamente necessário que toda assembleia constituinte cumpra seu papel e coloque as coisas no lugar: os governos trabalhando para as pessoas e não mais as pessoas trabalhando para os governos. Fácil de falar, nem de fazer…

Talvez você esteja se perguntando se é tão necessário porque não existe ainda? Qual é a diferença de hoje para ontem então? É que nunca tanta gente sabendo, nem jamais pode ficar sabendo tão rápido do que realmente precisava. E isto mesmo com as toneladas de desinformação governamental e da mídia tradicional.

Lógico que os bandidões de sempre já estão querendo virar pai da criança, e pegar carona nessa onda ou barrá-la. Mas isso pouco importa, porque o movimento não é deles. Não é de ninguém.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,temer-critica-golpe-de-eleicao-antecipada-e-lula-discute-plano-com-renan,10000028255

O importante é que cada vez mais as pessoas acordam, que o único meio que temos para reaver ou conquistar liberdades é o exercício direto dos direitos naturais como cidadania de fato. Cidadania que se não for reconhecido pela justiça o será nas ruas e praças públicas, como aliás já está sendo, mesmo com repressão.

Posso estar sendo tolo, mas particularmente tenho ainda uma vaga esperança (mesmo ainda sem quem advogue por ela) de que podemos via atual legalidade e constitucionalidade recuperar nossa soberania sem necessariamente fazer das manifestações um levante popular, até porque não acredito que governantes não apelariam a violência perante a demanda popular por redução do seu poder- nisto pouco importa o quão pacifica fossem as manifestações.

Porém também não tenho dúvidas que fechadas estas últimas portas; esgotados esses últimos dispositivos constitucionais, as pessoas frente a continuidade da crise não teriam outra alternativa a recorrer senão a revolução.

Sim, Re-vo-lu-ção; aquele fenômeno que nunca vimos acontecer no Brasil. E por isso mesmo ainda somos colonia de qualquer um.

Se está crise não for meramente econômica, se estamos diante mesmo como suponho de um modelo de produção e representação por conta da evolução cultural que se materializou em tecnológica então isso não é literalmente uma mudança revolucionária de paradigma.

Revolução o contrário do golpes e governos ilegítimos, autoritários e ladrões no sentido mais amplo da palavra. O principio dos verdadeiros governos e estados de paz, o levante popular para reaver os direitos sobre o que é nosso.

Porém, não sou moleque, nem teórico. Sei que para falar todo mundo tem coragem, mas na hora da prática não sobra ninguém. E sei disso na pratica do ativismo. E olha que redistribuir renda independe do governo pode ser bem mais perigoso e revolucionário do que muita gente imagina, mas não é nenhuma revolução como seria um povo demandando sua verdadeira independência.

Por isso não quero simplesmente afirmar mas perguntar. Quero ter a certeza absoluta que todas as possibilidades estão esgotadas, antes mesmo de afirmar que não restam alternativas ao povo senão a revolução. Alguém vê outra saída? Claro que sei que a maioria não vê isso como um grande problema. A maioria quer eleições gerais mas se tiver que ficar com Temer, “fazer o quê? a gente vai levando”. Essa é basicamente o velho brazilian way of life.

Porém suponha que por acaso eu esteja correto. Que assim como o governo perdeu o controle, o descontentamento e a crise não serão corrigidas pela mera troca dos lados dessa mesma moeda. Suponha que essa crise de representatividade é mesmo algo maior, que não só o Brasil mas o mundo e tem trazido de volta velhos fantasma do autoritarismo da esquerda e direita que pensávamos ser passado.

Suponha que esses políticos que se fazem de cegos surdos e loucos, não são (só) desonestos, mas que sem limites. E não importa o que aconteça, eles não vão sair voluntariamente do poder em hipótese nenhuma. Mais do que isto. suponha que eles, todos eles, não são as pessoas cheias de escrúpulos, solidariedade, amor e respeito ao próximo e ao povo como demostram em cada gesto e palavra. Suponha que ao contrário disto, eles colocam seus cargos, ideologias e desejos de poder acima de qualquer coisa e são mesmo capazes de tudo?

Tudo isso suposto. Imagine agora que as pessoas se revoltem não porque o urubu da Dilma e do PT saiu da sua vida, mas porque quando se pensavam livres entraram outros que em verdade são os mesmos: Temer e o PMDB.

Imagine que não para a surpresa de todos a Lava-Jato de repente pare, antes de chegar em Renan, Temer, Cunha e Aécio entre outros. Imagine que assim revoltadas não sem razão a população explodisse enfim em revoltas enquanto os problemas econômicos persistem. Se não duvidava que seus antecessores o fariam, será que seria muita leviandade da minha parte supor que eles mandariam descer borrachadas nelas?

Seria muita leviandade da minha parte supor que mesmo com manifestações pacíficas ou greves gerais o governo não seria tolerante? Ou será que seríamos recebidos com flores pelas polícias militares e forças armadas? E os governantes? Será que assim de repente comovidos com tamanha mobilização popular entregariam seus cargos e chamariam enfim as novas eleições gerais? Seria assim que dar-se-ia o inicio dos trabalhos de elaboração das leis de participação popular direta e democracia direta?

Não sei se lidar pessoalmente com os políticos por tanto tempo me fez uma pessoa descrente, um infiel e herege deste culto ao poder e aos poderosos, mas sinto muito, até onde eu sei, solidariedade é uma palavra morta entre políticos, e tudo que eles conhecem e reconhecem senão é a toma-lá-da-cá, é aquilo que é subsidiado ou impostos especialmente pela força.

Não vejo portanto que outras opções nos restariam para corrigir essa rota ao abismo depois de esgotadas as jurídicas. Não vejo nenhum força capaz de detê-los fora a própria força de fato da legalidade da justiça ou a da legitimidade da resistência e pressão popular não-violenta, porque a violenta, aí é que eles rasgam de vez a fantasias mesmo.

Politico e bandido se se entregassem voluntariamente não existiria crime, nem violência. Ou eles são desarmados ou nós que não temos nem queremos viver armados ou em pé de guerra estaremos sempre rendidos. E quem tiver juízo e poder para fazê-lo que o faça antes que se rendam também. Porque fechado o portal isso vai virar uma guerra de guerrilhas para chegar exatamente ao mesmo ponto que se deveria se chegar sem tantas perdas de tempo dinheiro e tomará que só.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,gilmar-mendes-descarta-possibilidade-de-novas-eleicoes-gerais-antes-de-2018,10000028469

Que Dilma sai logo. E que Temer não fique e se possível fosse que nem entrasse, para não completar o desserviço.

Que eleições gerais venham logo, ao menos para presidência e congresso, e se eles entenderam o espirito da coisa, que estas eleições não esteja em hipótese alguma restrita aos velhos partidos e velhos nomes, que cidadãos livres de cabrestos, que pessoas comuns possam concorrer abertamente. Porque se tivermos uma eleição geral e terminar Lula e Bonsonaro, Aécio, Alckmin ou sei lá mais dos mesmos que nunca saem do poder, aí não tem jeito duvido que não hajam revoltas e revoluções.

Não basta reembaralhar as cartas, todo mundo já sabe que o baralho é todo de cartas marcada. É preciso trocar todo o baralho. E isso só para começar.

Eles derreteram a instituição do parlamento, derreteram a instituição do presidência, do impeachment e deixaram o STF bem mais do que chamuscado, porém ainda resta dispositivos jurídicos-legislativos para que o povo como multiplicidade possa constitucional e pacificamente restituir seus direitos e soberania usurpadas.

Contudo garanto: deixem eles darem as cartas, e eles levarão essa palhaçada criminosa para dentro da última trincheira da democracia representativa, a sua fonte mínima e original de legitimação, o voto popular. E aí o sistema perde de vez a capacidade de se regenerar. E de duas uma: ou vamos as ruas para lutar pela democracia direta de verdade e não lideranças ou veremos esses líderes reacionários de direita e esquerda e seus fiéis marcharem de novo sobre nós.

Dilma nunca perdeu a vontade de tudo, perdeu a credibilidade para apelar a força. Porém novos ocupantes do palácio, podem até ser menos aloprados, mas tem sabidamente tanta disposição a apelar e até menor apreço pela população que ela. Resta saber se terão credibilidade, algo que não depende só deles, mas se do outro lado haverão aloprados que lhe apelem a violência e lhe todos os motivos e desculpas que precisam para fazer o que querem.

E considerando a atual conjuntura infelizmente o que não faltará é aloprados na oposição e fascistoides no poder. E este é um problema sério para qualquer ação revolucionária legitima e de paz, porque cada dia mais os políticos parecem perder a vergonha de tudo, até mesmo de apelar ou defender agressões, deste que sejam do seu grupo ideológico; assim como os militantes dos seus grupos parecem igualmente mais loucos para poder não só agredir até mesmo tempo apanharem só para que terem desculpa a reagir, ou para que o outro seja punido. Freud explica.

Portanto, não se surpreenda, com muitas borrachadas já nas Olimpíadas mesmo.

Se não queremos perder até mesmos os direitos e liberdades precários que não foram dados mas conquistados com luta e o sacrifício de muita gente. Precisamos mais do que novas eleições, precisamos de uma novo marco legal para a política: precisamos de democracia direta já.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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