Dilma, a capitã do nosso Costa Discórdia

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Já ironizei os absurdos e argumentos das elites sanguessugas nacionais para manter nossa presidente rendida/vendida no poder e continuar estuprando o Brasil. Dizer que o motorista não cometeu crime nenhum porque não teve a intenção, é tentar abolir a diferença judicial entre o dolo e a culpa. Mas o pior não é isso, o pior é defender que ele continue atropelando, dizendo que incompetência e irresponsabilidade não são razões suficientes para tirar ninguém do comando de coisas tão assim menos importantes que aviões ou navios, como nações. Será que é mesmo muita injustiça minha em equiparar o comando de uma nação a responsabilidade do comandante de uma nave? Será que quando um erra, inocentes morrem e quando o outro erra nada acontece? Não. Não cabe ironia porque não é brincadeira e não vejo graça em naufrágios.

Sei que se perdeu a vergonha e noção de tudo, mas há que ter o mínimo de coerência: ou se assume a importância da gestão pública e a responsabilidade de quem gere, ou se assume descaradamente o único papel do Estado: tributar. E já que está na ordem o aumentar impostos ou diminuir programas sociais, como se não houvesse nada no meio disso, justamente proponho que se corte o mal pela raiz: o intermediário, e sem aumentar um centavo dos impostos. Corte-se tudo, absolutamente tudo que é desnecessário no governo a começar pelo próprio governo. Não. Como disse isso não é uma brincadeira. Sei que minha proposta não será sequer levada a sério. Mas não se deixe enganar, não é porque não deva, ou não possa ser executada. Mas porque sei que é preciso primeiro se livrar do pernicioso, antes de tentar cortar o desnecessário.

Pegue a arrecadação[i] corte tudo menos o que funciona bem no Estado, ou seja, tudo menos a receita federal e teremos (sem descontar os custos operacionais da própria tributação) aproximadamente 482 reais todo mês para distribuir como imposto negativo para cada brasileiro. Pronto, deixe que o resto cada brasileiro pague com o SEU dinheiro. Quase 500 reais para todo mundo não fazer nada? Não, para nos manter livre do custo político do Brasil. Mas e os serviços públicos? A família média brasileira com quase 2000 reais por mês na mão somados ao que ela já ganha trabalhando, tudo poderia perfeitamente bancar o funcionamento de todos os serviços públicos pagando diretamente os funcionários que trabalham e não sustentando os políticos. Tire as propriedades e rendas públicas das mãos dos políticos e devolva-as às populações; ponha os serviços sociais nas mãos dos gestores e funcionários públicos e deixem que as pessoas paguem por aqueles que elas precisam e querem, e teremos tanto qualidade quanto pagamentos justos.

O que falta agora no Brasil para chegarmos nisto? Coragem do povo, porque estupidez governamental maior que a de agora só se o congresso assumir de vez o poder. Se a Dilma é mesmo uma espécie de capitã de Costa Concordia já passou da hora de alguém falar para ela “Vade a bordo, Cazzo”. Ou então, “pula fora logo, porra”. Se ninguém o fizer, o navio vai naufragar; não adianta esperar a maré mudar ou um milagre na ponte, se há duas coisas que não vão acontecer espontaneamente neste mandato da Dilma são:

· Uma, a presidente assumir de fato qualquer coisa;

· Outra, é ela renunciar a coisa alguma que mal consegui assumir.

Dilma não é arrogante, pelo contrário, ela para padrões do poder é bem humilde: se contenta em continuar sendo só prepotente mesmo, mesmo que sem poder nenhum. Ou seja, é mais fácil o povo perder o gosto pela vida do que ela pelo cargo, ainda que completamente vazio. A questão, portanto não é quando, mas quem irá pregar o último prego no caixão do governo. E o que todos estão menos ligando é se vai ou não ser enterrada junto, ou viva. A presidente não servirá de bode expiatório, já é. O dilema da esquerda é exatamente o mesmo do Brasil: vai mesmo deixar que os outros famintos por poder tomem conta de tudo, ou vai assumir a responsabilidade social e acabar com este um delírio que ajudou a criar? E não adianta apelar a razão dos governantes. O governo não pode ser um ato de sequestro e chantagem nem do povo nem da esquerda, mas é o que é. E pedir de nada adianta a sequestradores, porque quanto mais você pede ou cede, mais ele cobra sem nunca jamais libertar nenhum dos reféns.

Façam suas apostas: quem vai dar um passo à frente? O Temer? O PMDB? A direita protofascita? A esquerda reacionária? Ou será de novo o Planalto que conseguirá antes de todos eles dar mais dois para trás? Não sei. Mas quem livrar a população deste desgoverno cairá nas graças da população… por enquanto. A população não é ignorante, nem ingrata, nem oportunista como dizem os rejeitados e reacionários de esquerda e direita das ruas e urnas. A população estará do lado que sempre esteve: de qualquer traidor que, por enquanto, esteja do seu. Porque sabe mais do que ninguém que tudo que pode fazer por ela mesma é se defender como pode e com quem tiver.

Na base da pirâmide, nos lugares que ninguém vê porque foram feitos para estarem fora da linha de visão, não existem ideologias, mas necessidades básicas e emergenciais. Por isso, ou paramos para ouvir, e entender mesmo sem sermos mais capazes de nos solidarizar ou nunca vamos acabar com esses campos de exploração clientelistas e neoescravistas da pobreza. Sei que tanto a burguesia de direita quanto a de esquerda é hipócrita, e ambas estão defecando e andando para a liberdade da população mais pobre. A direta vê objetos de empregados, a esquerda objetos de estudo, ambos só enxergam eleitores e discursos, e ninguém quer ver gente em igual condição para exercer sua cidadania, não sem a tutoria deles. Por isso, não sonho com amor ao próximo nem solidariedade, mas há que ter um mínimo de inteligência para perceber a necessidade da uma renda básica incondicional, e para ontem. Afinal, a vulnerabilidade do Brasil, a exploração econômica e politica da miséria e pobreza nunca esteve tão evidente e exposta para ser aproveitada por qualquer populista não só de esquerda mas de direita. E se não for fechada é certo que será aproveitada (ainda mais).

Derrubar a Dilma é mesmo necessário? Derrubar todos os políticos é realmente necessário? Não, é claro que não. A única coisa absolutamente necessária é viver. Minha pergunta é portanto, quando vamos tirar esses desgovernados do poder para poder começar de fato a nos governar? Quando vamos nos livrar destes atravessadores dos nossos direitos naturais? Quando vamos declarar independência e celebrar o pacto social sem ladrões nem intermediários? Quando nossa sociedade civil vai sair da infância e tomar posse das nossas terras e território? Quando vamos nos emancipar e nos proclamar donos da coisa pública e bens comuns?

Não. A renda básica nunca foi impossível, ela sempre foi o dividendo devido de nossas propriedades naturais. Impossível, insustentável sempre foram os custos políticos de sustentar a eles: os governos e os políticos. Acordem, o bem comum sempre teve dono sim, mas nunca foi o Estado, nunca foram os políticos e seus amigos, mas a sociedade, você. A propriedade pública é sua. A renda básica também. A vida é direito não é favor. O mínimo vital nunca foi benesse coisa nenhuma, foi sempre dever e obrigação de quem deteve o poder. E se não o cumprem que saia de cima dele e de você. Entenda: o que é seu ninguém dá; nem tira. Direitos são ordens, cumprem-se, e como renda paga-se. Sem condição, sem contrapartida. De todos os crimes de responsabilidade estatal já cometidos o roubo, a negação e o condicionamento dos direitos naturais foi e continua sendo o maior. Porque a privação dos meios vital serve só a três propósitos: ao genocídio; a escravidão, e a guerra. Todos crimes que um dia serão julgados como devem: crimes contra a humanidade.

Governe-se.

[i] Arrecadação de 2014. População 2015.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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