Desigualdades de fé, ciência e consciência

Das teorias de terras planas às experiências de “viagem no tempo”

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DO QUE É FEITO O MUNDO?

Desapareceu o espaço de fundo, desapareceu o tempo, desapareceram as partículas clássicas, desapareceram os campos clássicos. Do que é feito o mundo?A resposta agora é simples: as partículas são quanta de campos quânticos; aluz é formada por quanta de um campo; o espaço nada mais é que um campo,também ele quântico; e o tempo nasce dos processos desse mesmo campo. Em outras palavras, o mundo é inteiramente feito de campos quânticos

Do que é feito o mundo? De um único ingrediente: campos quânticos covariantes.

Esses campos não vivem no espaço-tempo; vivem, por assim dizer, um sobre o outro: campos sobre campos. O espaço e o tempo que percebemos em grande escala são a imagem desfocada e aproximada de um desses campos quânticos: o campo gravitacional.

Os campos que vivem sobre si mesmos, sem necessidade de um espaço-tempo que lhes sirva de substrato, de suporte, capazes de gerar eles mesmos o espaço-tempo, são chamados “campos quânticos covariantes”. A substância de que é feito o mundo se simplificou drasticamente nos últimos anos. O mundo, as partículas, a energia, o espaço e o tempo, tudo isso é apenas a manifestação de um único tipo de entidade: os campos quânticos covariantes.Os campos quânticos covariantes representam a melhor descrição que temos hoje do ἀπείρων (apeiron), a substância primordial que forma o todo, imaginada pelo primeiro cientista e primeiro filósofo, Anaximandro.

A separação entre o espaço curvo e contínuo da relatividade geral de Einstein e os quanta discretos da mecânica quântica que vivem em um espaço plano eu uniforme agora desapareceu por completo. A aparente contradição já não existe. Entre o contínuo do espaço-tempo e os quanta de espaço há apenas a mesma relação existente entre as ondas eletromagnéticas e os fótons. As ondas são uma visão aproximada em grande escala dos fótons. Os fótons são a maneira como as ondas interagem. O espaço e o tempo contínuos são uma visão aproximada em grande escala da dinâmica dos quanta de gravidade. Os quanta de gravidade são a maneira como espaço e tempo interagem. A mesma matemática descreve coerentemente o campo gravitacional quântico, assim como os outros campos quânticos.

O preço conceitual pago é a renúncia à ideia de espaço e tempo como estruturas gerais para enquadrar o mundo. Espaço e tempo são aproximações que emergem em grande escala. Kant talvez tivesse razão ao dizer que o sujeito do conhecimento e o seu objeto são inseparáveis, mas se equivocou ao pensar que o espaço e o tempo newtonianos poderiam ser formas a priori do conhecimento, partes de uma gramática imprescindível para compreender o mundo. Essa gramática evoluiu e evolui com o aumento do nosso conhecimento. A tensão entre a relatividade geral e a mecânica quântica, portanto, não é tão grande como parecia no início. Aliás, olhando bem, elas se dão as mãos e conversam em profundidade. As relações espaciais que tecem o espaço curvo de Einstein são as mesmas interações que tecem as relações entre os sistemas elementares da mecânica quântica.(…)

O espaço é uma rede de spins, em que os nós representam os grãos elementares e os links são suas relações de proximidade. O espaço-tempo é criado pelos processos em que essas redes de spins se transformam uma na outra, e esses processos são expressos por somas de espumas de spins, em que uma espuma de spins representa um percurso ideal de uma rede de spins, ou seja, um espaço-tempo granular, em que os nós da rede se combinam e se separam. Esse pulular microscópico de quanta que cria o espaço e o tempo é subjacente à tranquila aparência da realidade macroscópica que nos rodeia.Cada centímetro cúbico de espaço e cada segundo que passa são o resultado dessa espuma dançante de minúsculos quanta.(…)

A gravidade quântica em loop, ou “teoria dos loops”combina relatividade geral e mecânica quântica com muito cuidado, porque não utiliza nenhuma outra hipótese a não ser essas duas teorias, oportunamente reescritas para se tornarem compatíveis. Mas suas consequências são radicais.A relatividade geral nos ensinou que o espaço não é uma caixa rígida e inerte, e sim algo dinâmico, como o campo eletromagnético: um imenso molusco imóvel em que estamos imersos, um molusco que se comprime e se retorce. A mecânica quântica nos ensina que todo campo desse tipo é “feito de quanta”, ou seja, tem uma estrutura sutil granular. O que se conclui dessas duas descobertas gerais sobre a natureza?Conclui-se, desde logo, que o espaço físico, sendo um campo, é também“feito de quanta”. A mesma estrutura granular que caracteriza os outros campos quânticos caracteriza igualmente o campo gravitacional quântico, e portanto deve caracterizar o espaço. Assim, esperamos que o espaço tenha um grão.

Esperamos que existam “quanta de espaço”, assim como existem quanta de luz,que são os quanta do campo eletromagnético de que é feita a luz, e assim como todas as partículas são quanta de campos quânticos. O espaço é o campo gravitacional, e os quanta do campo gravitacional serão “quanta de espaço”: os constituintes granulares do espaço.A previsão central da teoria dos loops é precisamente que o espaço não é contínuo, não é divisível ao infinito, mas é formado por “átomos de espaço”.Muito pequenos: 1 bilhão de bilhões de vezes menores que o menor dos núcleos atômicos. Com a teoria dos loops, a ideia dessa estrutura atômica e granular do espaço encontra uma formulação e uma matemática precisas, capazes de descrever sua estrutura quântica e calcular suas exatas dimensões e sua estrutura geral. A teoria dos loops descreve em forma matemática esses “átomos elementares de espaço” e as equações que determinam sua evolução: as equações gerais da mecânica quântica escritas por Dirac, aplicadas ao campo gravitacional de Einstein. Em particular, o volume (por exemplo, o volume de um pequeno cubo) não pode ser arbitrariamente pequeno. Há um pequeno volume mínimo. Não existe espaço menor que esse pequeno volume mínimo. Há um “quantum” mínimo de volume. Um átomo elementar de espaço. (…)

Existe uma diferença crucial entre os fótons, quanta do campo eletromagnético, e os nós do grafo, “quanta de espaço”. Os fótons vivem no espaço, enquanto os quanta de espaço são eles mesmos o espaço. Os fótons caracterizam-se por “onde estão”. Ao contrário, os quanta de espaço não têm onde ficar, porque eles mesmos são “o lugar”. Eles têm outra informação crucial que os caracteriza: a informação sobre quais são os outros quanta de espaço adjacentes: quem está perto de quem. Ela é expressa pelos links do grafo. Dois nós ligados por um link são dois quanta de espaço próximos. São dois grãos de espaço que se tocam. É esse “tocar-se” que constrói a estrutura do espaço. Esses quanta de gravidade representados por nós e linhas, repito, não estão no espaço; eles mesmos são o espaço.

As redes de spins que descrevem a estrutura quântica do campo gravitacional não estão imersas no espaço, não habitam um espaço. A localização de cada quantum de espaço não é definida em relação a alguma coisa, mas apenas pelos links, e apenas em relação um ao outro. Posso pensar que me desloco de um grão de espaço para um adjacente ao longo de um link. Se passo de um grão para outro até fechar um circuito e volto ao grão de partida, fiz um “anel” ou “loop”. (…) não devemos pensar as coisas “como são”, e sim “como interagem”. Isso significa que não devemos pensar as redes de spins como entidades, como se fossem uma grade em que o mundo se apoia. Devemos pensá-las como efeito do espaço sobre as coisas. Entre uma interação e outra, assim como um elétron não está em lugar algum, ou está difuso em uma nuvem de probabilidades em todos os lugares, do mesmo modo o espaço não é uma rede de spins específica, e sim uma nuvem de probabilidades sobre todas as possíveis redes de spins.

Em escala muito pequena, o espaço não é contínuo: é tecido por elementos finitos interconectados.

Em escala muito pequena, o espaço é um pulular flutuante de quanta de gravidade que agem um sobre o outro e todos juntos agem sobre as coisas, e se manifestam nessas interações como redes de spins, grãos em relação um com o outro .O espaço físico é o tecido resultante do pulular contínuo dessa trama de relações. Por si sós, as linhas não estão em parte alguma, não estão em lugar algum: são elas mesmas, nas suas interações, que criam os lugares. O espaço é criado pelo interagir de quanta individuais de gravidade.- Carlo Rovelli, explicando a promissora Teoria dos Loops em “A REALIDADE NÃO É O QUE PARECE — A estrutura Elementar das Coisas”

Enquanto isso…

…uns organizam expedições às “bordas” do mundo para encontrar sua terra plana…

enquanto outros…

…já estão em franca corrida do ouro, agora espacial, para tomar e colonizar outros planetas…

Enquanto isso…

…alguns mais esclarecidos ainda tentam esclarecer outros, (claramente nem tanto e em vão) que não querem ser esclarecidos…

Enquanto outros…

…no caso cientistas, debatem (entre eles) o que é a realidade, sua relatividade e subjetividade… aliás, debatem não, testam e estressam os limites do senso comum (ou a completa falta dele…)

Mais do que isso….

Enquanto alguns (em vão) ainda tentam esclarecer a luz da razão um presente cada dia mais incerto (e ultrapassado) para quem se volta histericamente para as trincheiras de um passado de certezas estupidas, obscuras e escatológica, que ainda sim aparentemente certo, segundo sua credo cego.

A vanguarda da ciência, não perdem tempo e continua rumando ao futuro, não só com viagens interplanetárias, mas computadores quânticos, capazes de desafiar a segunda lei da termodinâmica e “viajar em qualquer direção do tempo”, incluso o passado. (Exageros retóricos do titulo da matéria, um feito e tanto).

Pois é.

Enquanto extremistas malucos vão disseminando e pegando todo o tipo de doença, cuja a causa de fato não é propriamente os germes, mas a estupidez humana.

E ativistas tentam em vão combater a industria que se apropriou dessas ciência para fabricar não só armas biológicas, mas o lucro fácil, por sinal uma das causas criminosas da perda da credibilidade da ciência para teorias paranóico-conspiratórias especialmente quando submetida a esses interesses outros...

Cientistas (ao menos não aqueles que estão trabalhando em produzir drogas para deixar velhos de pau duro), estão aprendendo que não somos um corpo feitos apenas de nossas células e genes, mas um bioma que não apenas hospeda trilhões de micro-organismos, mas é composto de, e que não raro precisam ser combatidos, mas reintroduzi-los para restabelecer o equilíbrio e curar doenças, incluso psíquicas e mentais.

Falta só agora, efetuar aquele que será o maior salto não só biologia e medicina, mas na psicologia e física, ou mais precisamente sua epistemologia, uma verdadeira revolução do paradigma cientifico: a (con)ciência de que o o ser humano (e a mente) não é um propriamente (só) um corpo, ou mesmo só um bioma, mas um campo de força, ou mais precisamente em termos físicos, sua natureza não é apenas corpuscular, mas uma função de onda schrödingeriana, um campo de força eletromagnético em interação a distancia com outros corpos dotados de campo de força eletromagnética, incluso a própria Terra.

Claro que para isso, acontecer as teorias quânticas de campos teriam não extrapolar o mundo micro do extremamente pequeno (das partículas elementares) onde reinam como explicação de tudo e prevalecer no mundo não só no mundo macro do extremamente grande, (dos planetas) onde quem reina é a relatividade einsteniana, mas também no plano mediano, dentro do espectro da percepção natural humana, onde ainda reina como visão os sensos e dissensos comuns, tanto naquilo que é raciocínio lógico quanto não raro mero credo absurdo.

Um teoria que é séria candidata a efetuar esse passo em direção a tal revolução paradigmática da ciência é a teoria da gravidação quântica em loop de Carlo Rovelli e Lee Smolin que tiram a teoria de campos e seus sistemas com número infinito de graus de liberdade “apenas” dos “campos ” atuais de explicação cosmológica e aplicação, por sinal responsáveis por alguns dos mais literalmente inacreditáveis avanços tanto da computação quanto nanotecnologia.

Segundo o físico italiano Carlo Rovelli, a teoria da gravidade quântica em loop reconhece que nós precisamos mudar nossa noção de tempo e espaço para entender a física dos primórdios do Universo e de dentro dos buracos negros. Ou seja, os conceitos de tempo e espaço simplesmente não existem para esta teoria. E é por isso que ela é uma das ideias mais interessantes da física.

No livro A Realidade Não é o que Parece (Objetiva), Rovelli se dedica a informar os leitores de modo simples e didático todos os aspectos deste conceito que parece absurdo, mas que ganha cada vez mais relevância dentro da comunidade científica. (…)

Esta tensão entre os dois tipos de física não existe na teoria da gravidade quântica em loop porque, no fim, as duas conversam entre si. Rovelli explica: “A gravidade quântica em loop combina relatividade geral e mecânica quântica com muito cuidado, porque não utiliza nenhuma outra hipótese a não ser essas duas teorias, oportunamente reescritas para se tornarem compatíveis. Mas suas consequências são radicais”.

Com a relatividade geral, aprendemos que o espaço não é mais uma caixa rígida e inerte, como um recipiente em que você joga suas coisas. Ele é mais parecido com o campo eletromagnético (por onde se propagam coisas como as ondas de rádio ou a luz que chega aos nosso olhos, que também é onda): um imenso molusco imóvel em que estamos imersos, um molusco que se comprime e se retorce, como escreveu Rovelli.

Já a mecânica quântica nos ensina que campos como este são feitos de “quanta”. Isso quer dizer que o espaço seria formado por pequenos pacotinhos, como os fótons que formam a luz — a isso damos o nome de estrutura granular. A diferença entre os fótons e os pacotinhos de espaço, ou “quanta de espaço” (para dar um nome chique), é que, enquanto os fótons vivem no espaço, os pacotinhos de espaço são eles próprios o espaço. Doido, né?

Ou como Rovelli explica no livro: “O espaço como recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica. As coisas (os quanta) não habitam o espaço, habitam uma os arredores da outra, e o espaço é o tecido de suas relações de vizinhança.“

Assim, entende-se que, em uma escala muito, muito pequena, o espaço não é mais algo contínuo, ele tem um limite, que é o limite dos pacotinhos que o formam. E essa é um dos pilares da teoria da gravidade quântica em loop.(…)

Aprendemos com Einstein, há mais de um século, que cada objeto do Universo possui um tempo próprio. Se na Terra, em altitudes diferentes, o tempo já muda, imagina em Marte ou em Proxima B. É isso mesmo o que você está pensando, fã de Interestelar, foi exatamente essa ideia que permitiu com que Matthew McConaughey ficasse mais novo do que a própria filha.

Antes do alemão, o próprio Newton já havia afirmado que não podíamos medir o “verdadeiro” tempo, mas, se assumíssemos sua existência, teríamos uma forma eficaz de descrever vários fenômenos da natureza. De fato. O problema é que em uma escala muito pequena, uma escala quântica, o tempo como o conhecemos não funciona.

“Trata-se de uma mudança simples, mas, de um ponto de vista conceitual, o salto é grande. Temos de aprender a pensar o mundo não como algo que muda no tempo, mas de alguma outra maneira. As coisas mudam apenas uma em relação a outra. No nível fundamental, o tempo não existe”, escreveu Rovelli.

Resumindo: o espaço é um campo e o tempo nasce dos processos desse mesmo campo. Logo, o Universo inteiro seria formado por campos quânticos. E estes campos quânticos não viveriam no espaço-tempo, já que eles seriam o próprio espaço-tempo, ou seja, tudo o que nos cerca seria formado por campo sobre campo.

A estes campos que vivem sobre si mesmos sem a necessidade de um “suporte” damos o nome de “campos quânticos covariantes”. O nome é assustador, mas a ideia é bem simples. “A substância de que é feito o mundo simplificou bastante nestes últimos anos. O mundo, as partículas, a energia, o espaço e o tempo, tudo isso é apenas a manifestação de um único tipo de entidade: os campos quânticos covariantes.”

A ideia fica mais clara quando a comparamos com a luz, que é formada por fótons e ondas. Se você se afastar o suficiente de um punhado de fótons vai conseguir enxergar as ondas. Ou seja, os fótons são a maneira como as ondas interagem.

Da mesma forma, o espaço e o tempo seriam formados por quantas de gravidade. Como os fótons que permitem a interação entre as ondas de luz, os quanta de gravidade possibilitam a interação entre espaço e tempo.

Basta olhar para si mesmo. O que forma os seres humanos? Um braço? Uma célula? Um átomo? Não. O que forma um ser humano é o conjunto de todas estas coisas. Se você se afastar o suficiente de uma molécula do corpo humano vai poder ter uma visão geral do humano que ela forma.

Como coloca Rovelli: “Pense nas montanhas. Onde ela começa? Onde ela termina? Quanto ela continua sob a terra? São perguntas sem sentidos, porque uma montanha não é um objeto em si, é só uma maneira que temos de dividir o mundo para falar dele mais facilmente. Seus limites são arbitrários, convencionais, cômodos. São maneiras de organizar a informação que dispomos, ou melhor, formas da informação que dispomos”.

Tudo bem, é complexo, mas não é difícil. Segundo Rovelli, o preço conceitual pago para entender a teoria da gravidade quântica em loop é a renúncia à ideia de espaço e tempo como estruturas gerais para enquadrar o mundo. Ninguém pode chegar para você, dizer esse absurdo e fingir que não aconteceu nada. Aconteceu, sim.

Talvez, a dificuldade em entender o conceito se deva ao fato de que é praticamente impossível pensar em um mundo sem tempo e sem espaço. Isso porque essa ideia coloca em risco a própria realidade a nossa volta — daí para o niilismo de Nietzsche é um pulo. Mas, como alertou o físico italiano, “compreender o mundo muitas vezes significa contrariar a nossa própria intuição”. (…)

Para entender a dimensão das implicações dessa revolução na nossa concepção do que é a realidade, e o que o real ou não, é preciso entender o que a ciência que está por trás, ou melhor na base da computação quântica e da informação viaja não só no espaço mas no tempo sem respeitar os limites de velocidade da luz da lei da relatividade através desses entrelaçamentos que Einstein denominava (pejorativamente) de: “ação fantasmagórica a distancia”.

Entretanto, não pense que seu desgosto era pura vaidade, o que incomodava nesse paradoxo (EPC) era suas implicações que vai muito além da ciência e filosofia. Tal possibilidade fenomenologia é um golpe não só sobre o realismo, mas sobre as bases (pre)conceituais sobre as quais construímos nossa noção e visão do eu e o mundo, seus fatos, entidades, a identidades dos seres e veracidade dos fatos e eventos não só relatados, ou observados, mas os vivenciados. Esta é uma questão que vai muito além das disputas entre teorias cientificas cosmológicas concorrentes para explicar todo o universo, as ditas “teorias de tudo”; é mais do que uma mera disputa cientifica, ou mesmo uma disputa filosófico cientifica entre realistas e relativistas, é uma disputa antes de tudo epistemológica entre deterministas e indeterministas.

Uma disputa sobre os fundamentos com os quais construímos tanto nosso chão quanto nossos céus. Não é portanto “só” uma disputa sobre entre teorias de mundo, mas sobre visões de mundo, uma disputas paradigmática revolucionária não só sobre o conhecimento mas sua negação, não só como limite mas em sua forma primordial, ou se preferir em sua gênese, enquanto mistério e destino. E que, portanto, se reflete na forma como lidamos, abordamos e tratamos naquela que é a propriedade mais essencial a vida, seja em seus momentos ordinários e cotidianos quanto extraordinários e derradeiros, a liberdade.

Porém antes de entrarmos de cabeça nessa questão, precisamos primeiro entender que as luzes da ciência e humanismo não são os únicos paradigmas epistemológicos concorrendo nesse momento de crise literalmente para definir o que será, se é chegaremos a ela, da próxima era, o melhor idade da humanidade, nos próximos séculos e talvez sem exagero, milênios. A realidade está liquefazendo numa velocidade maior do que a de tempestades perfeitas, como um verdadeiro dilúvio, e nesse mar de desesperança na falta de terra firme, e um céu, as pessoas buscam desesperadamente qualquer tabuas de salvação que estão a seu alcance, e uma estrela que os guia mesmo que não essa estrela não seja a da manhã, e no final não as leve novamente a lugar nenhum, não real.

Há um desconhecimento da natureza da vida, ou melhor um estado de inconsciência, porque no fundo da nossa alma sabemos, ainda que jamais pensemos nem por um segundo que aquilo que mais desespera, desempara e angustia, até o limite do insuportável a sensibilidade quando a dor patologicamente se torna não só desempatia mas apatia pela vida, não é propriamente o sofrimento em si, ou o medo dele, mas o terror absoluto do nada ou da nulificação de tudo. Um medo que vai muito além da morte, ou do que ela significa, mas sim de tudo ela insignifica e torna insignificante enquanto ideia de um apagar completo da existência. A perda de tudo que se viveu, sentiu, conheceu, não meramente como memórias ou lembranças, mas como um um fato verdadeiro com sentido no seu tempo e espaço, com causas e consequências, um momento que não só verdadeiramente existiu, mas que de alguma forma ainda permance como algo real ainda com algum sentido existencial. Tome de um ser vivo, aquilo que dá sentido a sua existência, e ele se tornará um morto vivo espera da morte chegar, ou talvez usando o que resta de volição para ir ao encontro dela.

Lennon estava certo e errado, deus é uma concepção para lidarmos com a dor da perda, mas não de qualquer perda, mas a própria da própria ligação com o que é sagrado, um campo onde habita nada mais nada menos que o sentido existencial da vida. Um campo do saber e sobretudo sentir que a luz da razão e ciência não somente recuo diante da imensidão do desafio, escondendo sua covardia com prepotência, encastelando-se nas torres e fronteiras dos seus campos devidamente delimitados do conhecimento. E nesse dia assim como o homem que perdeu seu sentido existencial, as luzes da razão também quando perdeu o seu sentido passaram a esperar não só o fim chegar, mas ir ao seu encontro engedrendo-o enquanto paradoxalmente progride.

A ciência se contentou em investigar e explicar de onde viemos e para onde vamos. Invadiu os campos dos mitos e lendas e concorre abertamente para dar explicações sobre a origem da vida e do universo, mas diante do desafio epistemológico de lidar que regem e movem a humanidade como massas não só recuou, preferindo riscar uma fronteira gnóstico-política entre o território da ciência e da religião, como nesse processo perdeu sua vocação libertária e revolucionária, de tal modo que a ciência e conhecimento que outrora libertou tantos dos todos-poderosos e suas farsas, o conhecimento que outrora significou a própria liberdade para os povos, não é senão hoje o conhecimento como poder, ou pior, mero servo a serviço do poder, uma congregação cada dia mais hermética e fechada e apartada como um elite monástica de uma população governada por medos e credos de potencias e poderes que reclamam e avançam pela retomada seus privilégios absolutos perdidos para mais uma longo noite de trevas, onde pessoas morrerão sistematicamente em massas, lenta ou rapidamente, sem nem saber porquê, enquanto dormem entorpecidas e embaladas nesses sonhos fugindo de uma realidade transformada mais uma vez em pesadelo para tantos quanto for necessário.

Não foi apenas a ciência e a razão que fracassaram. Foi o iluminismo, e humanismo. E fracassaram exatamente onde decidiram parar de avançar e se fechar acreditando que o progresso dentro do materialismo poderia dar todo o sentido que a humanidade carecia. A ciência cientifico não só prepotentemente subestimou o pensamento religioso, ignorou de onde vem sua força, como e porque tantas pessoas há tanto tempo se voltam para as ideias de um deus, uma alma, e uma vida após a morte. Esqueceu-se do aviso de Voltaire, mesmo que deus não existisse, ele teria de ser inventado. Ou pelo menos reinventado como outra concepção completamente distinta de um fenômeno que não pode ser apartado, compartimentado nem muito menos meramente desqualificado, nem pela negação, nem pela agnose, mas pelo contrário precisava ser encarado de olhos abertos, compreendido e explicado naquilo que o constitui não só como farsa, como o fundo de fundo da verdade com o qual até mesmo a mentira precisa ser fabricada. Enfrentar as falsificações toscas não basta, necessário se faz desvendar e encarar esse fundo de verdade, por trás das ideias de todas construções e projeções mentais de mentais relegadas numa estratégia desastrada ao metafisico, incluso aquelas que semanticamente descrevem esses fenômenos através da ideia de divindades.

A ciência hoje nem sequer é uma fé no conhecimento racional e sua libertação. Ela e seus praticante são somente mais um instrumento no jogo do poder. Suas descobertas e experiências serem ações e revelações por mais revolucionárias que sejam, estão longe de serem capazes de transformar o mundo e a visão da humanidade dele como outrora; ciência serve mais para construir carros, foguetes e torradeiras, serve para fazer e manter as coisas funcionam, mas não para revelar e esclarecer as pessoas como as coisas funcionam e o mais importante por quê e para quê. E por não ter mais esse noção nem do seu porque e para quê a própria razão e ciência não só se tornaram incapazes de dar um sentido existencial para a humanidade, mas também para a si mesma. É serva e não senhora do seu destino, encastelada ou não está subordinada e submetida as visões e interesses que governam o mundo, o movem e financiam, interesses econômicos, geopolíticos de natureza ideológica cada vez mais obscura, incluso, vejam só, religiosa.

Esperava-se que com o ultimo avanço tecnológico-cientifico nas ciências, a informática e sua maior realização concreta a internet adviria uma nova era: a popularização do informação e democratização do seu acesso. E veio, mas não propriamente como informação, ou pelo menos não como sinônimo de conhecimento, mas também como desinformação, contra-informação ou simplesmente ruído sem maior significado ou utilidade do que o entre-ter e passar o tempo. Ou seja, a nova era inegavelmente , veio, mas não exatamente como muitos esperavam e profetizavam e sim como outros poucos gostariam e ao invés de esperar se apropriaram e a moldaram de acordo com seus interesses. A nova era chegou, e chegou para ficar, mas não como a popularização do saber, e sim como a imbecilização dos populares, senão em proporções maiores, em quantidades absolutas nunca antes atingidas, uma exponenciação da difusão da imbecilidade em massa.

Como isso é possível? Como com um mar de informação de que se abriu, com a Internet, que permitem que você adquira em poucas horas de investigação e que levariam anos de tempo disponível fora uma grana considerável, com viagens a bibliotecas e consultas a livros raros, entrevistas e pesquisas, como é possível que ao invés pessoas minimamente alfabetizadas que não moram num vilarejo isolado de qualquer outra cultura, ou do conhecimento se voltem para visões de mundo que chamar de medievais é um desrespeito e desconhecimento as teorias em voga nesse período. Pois, se a maioria da plebe mal sabia ler, e alguns lugares havia perdido não só a condição, mas o saber necessário para fazer sequer um pão, nos mosteiros medievais, ainda que a cegueira fanática também fosse uma regra, os modelos de mundo não eram as primitivas terras planas, mas sim os aristotélicos, onde ainda que a terra estivesse no centro desse sistema, e não o sol, algo que surge não com a NASA, mas com a revolução coperniciana, onde a terra deixa de ser o centro do universo, e passa a ser mais um planeta a girar em torno do Sol.

Como isso é possível? Ora a resposta é simples. Pela razão que na idade das trevas também a plebe servil também não tinha nenhuma condição, tempo, para saber disso. A desigualdade. Desigualdade material que se reflita na infinita distancias do conhecimento. Não se engane senhores feudais ricos e poderosos na idade média como hoje e muito antes dela já eram poços de ignorância e não raro analfabetos, incapazes de fazer qualquer leitura, incluso a do mundo. E não é a toa que o poder hegemônico desse período é a Igreja que controlava a escassez planejada de todos os capitais, incluso o saber. Uma desigualdade de conhecimento como falta de liberdade para uns, que constitui o poder e autoridade de outros sobre eles, e que quanto mais aumenta mais abre um infinito não só de (exploração do) capital mas (de processamento da) informação.

Se o advento da imprensa de Guttenberg, permitiu quebrar esse monopólio, permitindo que entre coisas as pessoas pudessem ler suas bíblias, sem intermediários. Tais saltos tecnológicos não tem mais o mesmo poder revolucionário, por uma simples razão, há séculos quem domina os meios de produção, aprendeu como não só lidar mas se apropriar rapidamente dessas revoluções tecno-culturais para incrementar seu poder e controle. E o fazem de forma cada vez mais rápida e eficiente. Nem o radio, nem a TV, e agora a Internet conseguiram ter o mesmo desempenho nem educacional nem muito menos revolucionário que o advento da popularização dos livros.

Um revolução tecnológicas não transformar o mundo elas são o produto da sua transformação da sua visão, não quebram paradigmas, são o produto volitivo da sua quebra. Mais revolucionários do que as tecnologia é o método e ainda mais revolucionário que estes a concretização de ideias e ideias em atos que dão significado uma nova forma de ver e lidar com o mundo. O meios, métodos, garantem a ampliação dessa percepção, mas o advento de uma nova noção, esse avanço em direção ao futuro é um fenômeno espontâneo talvez tão raro quanto uma partícula elementar a voltar no tempo.

Não confunda o rigor da validação de teoria cientifica nem com sua descoberta, nem muito com o insight que leva a sua concepção que é muito próximo do estado de espirito que um cético chamaria de delírio, e um religioso de revelação. A ciência produziu avanços revolucionários completamente dispares. Avanços tecnológicos gigantescos, e de mentalidade ínfimos, ou mais precisamente gigantescos para poucos iniciados e ínfimos para a grande maioria da população. O ser humano está completamente imerso num mar de tecnologia construído pelas revelações e visões revolucionarias de um pensamento que não compreende, assim como não é compreendido por ele, a ciência. E quanto mais essa vanguarda avança desigualmente em relação a plebe que vai ficando num mundo que seu senso comum se liquefaz, mas e mais, como a ciência humana vai se tornando o novo deus do trovão, a divindade a ser adorada ou morta por aqueles que querem se libertar do seu medo do desconhecido.

A ciência demarcou seu território, construiu seus castelos e sentou no trono. E quem se encastela e entrona mais hora menos hora, tem sua cabeça cortada, assim como quem delimite seus campos assim aparta os demais deles, também se aparta destes. Verdadeiras revoluções não reconhecem limites preestabelecidos, e deixam de sê-las quando se prendem a esses arcabouços. Não são mais pedra, mas vidraça. Poucas ideias foram suficientemente revolucionárias para quebrar os paradigmas econômicos, políticos, culturais, científicos ou religiosos vigentes, e um número ainda menor delas, capazes de permanecer atemporalmente revolucionárias.

Ideias que dividiram tempos, e criaram e derrubaram culturas e civilizações capazes de criar tanto campos do saber quanto territórios geopolíticos de seus adeptos, contam-se nos dedos de uma mão. A ideia de um deus único, invisível transcendental supremo e todo-poderoso que matou a ideia da infinidade de outros deuses e que até hoje motiva a paz e a guerra entre os povos é até hoje uma delas. Outra, quase tão poderosa quanto foi a ideia que ninguém nascera para ser servo e escravo de nenhum todo-poderoso, nem na terra nem além. Quase tão poderosa quanto, porque até hoje, essa revolução foi apenas politica, econômica, cultural, mas não epistemológica. Não adentrou na capital dos domínios dessa outra visão de mundo. Prepotência, não medo. Medo, preferiu negar e renegar todo esse campo abandonada, onde cresceu novamente os exércitos que crédulos que hoje invadem com seu fanatismo e guerras santas os campos e estados de paz do seu pensamento racional, por uma simples razão, não tinha como vencê-los, em seus campos, como sequer os tem para vencê-los agora quando retomam seus domínios.

Como a ciência sabe, não existem teorias definitivas, ou pelo já deveria ter aprendido com sua própria história, mas apenas teorias que explicam e fazem previsões mais amplas e com mais precisão os fenômenos do que as visões anteriores. E sobre esses fenômenos, ciência preferiu se quando não escolheu apenas renegar a luz da razão, preferiu diplomaticamente apenas se abster de dar. O problema é que a cognição humana não vive sem uma base, não importa se essa é de uma terra apoiada nas costas por 12 anões escandinavos, por mais distante que tal concepção seja da realidade, ou mesmo que não faça nenhuma predição, a mera negação do paradigma anterior, não gera outro paradigma, nem mentalidade, mas apenas um vácuo, um vácuo que será ocupado por novas ou velhas ideias que deem as respostas, ou mais precisamente as bases do pensamento, o chão e o céu, que as pessoas carecem para pensar. E se não há nada de afirmativo e propositivo, além do velho deus patriarcal todo poderoso, para dar sentido ao além que a ciência não os meios nem os métodos para dar uma resposta, que não seja outra mera especulação ou fantasia, então na dúvida o velho patriarca fica ou melhor prevalece.

O trabalho dos divulgadores da ciência aos meros leigos (nós), explicar para o povão o que eles afinal de contas estão buscando com suas investigações cientificas (e filosóficas) é portanto de suma importância, uma importância tão grande quanto o própria produção da ciência, que é o produto de consenso de uma comunidade que infelizmente acreditou que bastava seu consenso interno e fechado e autoridade natural que emanava das conquistas sobre os leigos, e não a democratização e popularização desse processo para se manter seu progresso num olimpo.

Neste grupo de Divulgadores entre Hawking, Rovelli,está o merecidamente recentemente premiado por seus esforços do brasileiro Marcelo Gleiser, por advogar a conciliação entre a espiritualidade e a ciência.

O que faz o premio soar, (o premio, não o autor) , quase como um pedido de arrego e trégua, agora que os fundamentalistas fanáticos saíram do armário e tomaram não só as ruas, mas alguns dos mais importantes palácios dos governos que financiam, ou pelo menos supostamente deveriam, financiar o progresso cientifico.

Tal diplomacia é inútil. Porque os fanáticos podem ser loucos, dementes e idiotas, mas não são burros. Não são tão estúpidos para não entender que a luz da razão fez, ao contrario do Gleiser, num esforço louvável, tenta apaziguar foi declarar guerra, invadir territórios e sim praticar o regicídios e teocidio do que era sagrado para esses fanáticos. Gleiser está correto em dizer que a ciência não veio necessariamente para matar Deus, as religiões, ou o senso do divino e sagrada. Mas sim, é inegável que ela para matar a ideia de um deus a imagem e semelhança do criador de servos e escravos e ignorantes. Assim como outrora a própria ideia de um deus único, matou o panteão de cultos com uma ideia simples e viral.

A ciência não falhou portanto não só não se tornar um conhecimento popular, mas ao se prestar ao instrumento não da ilustração das pessoas, mas da sua instrução para a formação e conformação para a reprodução de processos alheios não só a própria razão e ciência, mas a sua finalidade enquanto conhecimento para as pessoas, para o povo, e não fazer dos povos instrumentos e prestadores de serviço desse poder incluso como conhecimento reprodutores de saberes, muitas vezes dos quais não se possui de fato nenhum ciência ou consciência. Saberes que não são reproduzidos pelo mesmo método sem o qual jamais seriam descobertos e concebidos, mas pelo contrário, pelo método que permite transferir qualquer tipo de informação, não importa o qual descaradamente falsa ou impossível de verificação pelo teste da falsificação ela seja, o fácil, o autoritário. Onde não importa a autoridade do argumento, mas a autoridade de quem o argumenta, independente se o quem o ouça entenda ou mesmo o que ele diz faça qualquer sentido. Tanto faz nesse modelo se a terra é plana ou redonda, a verdade não está na dedução de quem aprende, mas na autoridade e obediência de quem professa como axioma ou doutrina.

Logo, a disputa não é pelo nexo, mas porque dita as conexões e suas formas e ideações. E seus ideólogos são padres ou professores, profetas do fanatismo religiosos e políticos, ou da ciência, se dizem que 5+5 são 10 se deus quiser, ou 9 porque 10% é dele. Se a terra é redonda ou está apoiada no casco de uma tartaruga cósmica, a verdade disso não é fruto do aprendizado do pensar, mas do crer e repetir ainda que nada faça o menor sentido. Porque o objetivo não aprender a conhecer, mas a se submeter ao saber, qual é o que está em disputa, mas não importa qual vença desde que não se coloque em questão a base que sustenta qualquer território fechado do saber e suas fronteiras, a autoridade. Daí a suma importância da frente dos cientistas que não se contentam em operar suas teorias como pilotos desconhecedores de mecânica conduzem suas máquinas, isto é, sem a menor ideia de como funciona, mas funciona, buscando não por trás do como os porquês que verdadeiramente motivam suas investigações.

As desigualdades abismais precisam ser dirimidas, e não só as materiais, mas as imateriais. A ignorância. Porque elas andam de mãos dadas. Mas a miséria da ignorância é mais “democrática”; ela se espalha de forma muito mais igualitária entre pobre e ricos, imbecilizando e brutalizando a ambos, sem distinção, e não raro, muito vezes de forma ainda mais brutal e pervertendo mais gravemente aquele que se imbeciliza voluntariamente e não por falta dos meios e condições tanto matérias quanto emocionais para desenvolver sua empatia e inteligencia que tanto carece dessa capacidade de ler o outro e mundo sem ser um completo cego e idiota.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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