Deseleições 2018: Quem vai contar para a esquerda? Inês é morta

Bolsonaro já ganhou?

Me perguntaram após tanto bater e denunciar porque nesse momento tão grave decidi pelo silêncio e já não me pronuncio como antes.

Essa é daquelas perguntas que já respondem a si mesmas: Momento. Momento em todos os sentidos da palavra.

Explico.

Previsões sinistras do Passado para o futuro do Brasil acontecendo hoje[ o “hoje” no caso já era então Fevereiro de 2017, e a “previsão” era de Março de 2016: Prisão do Lula II]

(…) Resumo da opera, seja de esquerda ou direita: não adianta prender o Lula ou só derrubar a Dilma sejam suas intenções legí­timas ou ilegítimas; o fato é que: a mera destruição de tudo que há de podre no poder sem colocar nada de novo no lugar implica logicamente :

Ou na volta dos mortos-vivos. Bandidos da mesma laia, que vão precarizar direitos e entregar patrimônio nacional e natural a predação.

Ou na ascensão de populistas de extrema direita: fundamentalistas religiosos.

(…)

FUTURO

E o que se faremos agora? Vamos para frente ou para trás? Renda básica ou precarização de direitos trabalhistas? Democracia Direta? Ou semi-teocracias evangélicas[neopentecostais]? Impossí­vel? Impossí­vel é o Trump comandante em chefe do maior arsenal bélico do Planeta Terra, o resto.. o resto é piada.

E aí­, o que vai ser? Vamos esperar as eleições de 2018 para ter um segundo turno entre Bolsonaro e quem, Edir Macedo? Ou Lula e qualquer um deles?

Não, não adianta só acabar com a velha canalha polí­tica ou trazer sangue novo, o sistema está podre. Ou começamos imediatamente a tratar da democracia direta e a renda básica ou os vermes voltarão a tomar a república na falta destes dispositivos constitucionais de proteção a independência e cidadania plena e sociedade.

Não adianta polí­cia, não adianta ficar apenas correndo atrás. É preciso proatividade, é preciso acabar logo com os currais de miséria ou deixar esses canalhas plantar sua pobreza para colher seus fanáticos. É preciso acabar com a miséria e ignorância sobretudo a POL͍TICA. E isso, meu amigo, não se faz com cursinho de capacitação não- é preciso ser competitivo- isso se faz com mais garantias reais de liberdade, mais direitos polí­ticos e económicos básicos e inalienáveis para todos: renda básica e democracia direta já.

Isto supondo é claro que você não seja um fascista. (…)

Esquece. Ninguém vai bater Lula sem ampliar os direitos destas pessoas. Ou pior, vai sim! Vai ter gente sim que vai se erguer no vácuo do Lulismo e da implosão dos ganhos sociais com a crise econômica. E não serão as múmias do PSDB ou PMDB, mas gente ainda pior: mais autoritária fanática e reacionária, só que não de direita, mas de extrema direta, com discurso fundamentalista cristão e misógino.

A extrema direita

Não se deve menosprezar o avanço da extrema direita no Brasil. E por um simples motivo: da mesma forma que as bases do PT não são (ou pelo menos não eram) só mantidas por fanatismo e exploração, essas ideologias estão ligadas as igrejas evangélicas que fazem hoje parte do trabalho das comunidades de base. Essas igrejas exploram a pobreza alheia? Esses polí­ticos exploram os pobres? Sim. Mas a pergunta não é essa. A pergunta é o que é que nós que discordamos desta exploração estamos fazendo de efetivo para proteger essas pessoas deste tipo de aliciamento ideológico? oferecemos um curso de capacitação e um emprego semi-escravo?

Esqueçam o que os cabeças de planilha e seus números [não] te contam. Eles não entendem nada de pobreza e privação.

Por mais que um programa autoritário como o bolsa famí­lia roube a dignidade de uma pessoa, o que eles dão com ele não é só dinheiro, mas atenção - pervertida em relação de poder e dominação, mas ainda sim muito mais atenção do que muita gente irá receber pelo resto da vida de uma sociedade que nem sequer olha na sua cara. Por esse mesmo motivo, uma igreja mesmo tomando dinheiro dos fieis, provê neste sentido até mais; porque o senso de comunidade e de acolhimento dela é maior que toda humilhação das burocracias estatal e corporativas.

Não me entendem errado. Não estou fazendo um elogio as igrejas que exploram a pobreza, pelo contrario estou falando de como é fácil para elas e também aos partidos polí­ticos fidelizar gente onde prevalece a privação primitiva. Isto não é um elogio a eles; é uma critica a sociedade civil que se julga culta, rica e capaz mas deixa que eles construam seus exércitos bem debaixo da sua cômoda ignorância. -Previsões sinistras do Passado para o futuro do Brasil acontecendo hoje

O nome da Rosa: o idealismo como falsidade e o cinismo como verdade — Parte 1 / Da homenagem a tortura as cusparadas… e depois? [Abril de 2016]

(…) Porque pobre pode aguentar muita coisa quieto, mas só mesmo marxistas de restaurante para achar que cabeças só vão rolar pela fome ou quando os lideres do proletariado pelego quiser. Só mesmos essa burguesia brasileira metida ao mesmo tempo a revolucionário russo e burguesia francesa para achar que pode cagar e cuspir na cara dos outros sem acabar mal. Só eles mesmo para achar que a vida é a Disney de Paris ou o “Salve Jorge” do Projac.

No delírio deles, não duvido que acham que estão certos. Acho até que já estão entrando na fase Edir Macedo, onde o doido de tanto repetir suas baboseiras começa ele próprio a acreditar nelas. Só espero que gente a ultradireita não siga o exemplo deles, e comece a praticar o que realmente pensa….

Quem diria que seria a esquerda falseta da patrulha ideológica, que reclama até de piada que iria abrir estupidamente essa porteira; que bastaria ser apertada para evocar as mais belas coisas para justificativas as piores barbaridades.

Então eu pergunto para quem ainda não entrou nesta histeria coletiva de briga de velho de condomí­nio burguês:

O que estamos esperando então para tirar todas as prerrogativas de ameaça e violência de todo mundo?

O que estamos esperando para deixar bem claro que crimes cometidos pela violência das palavras e dos atos não são proporcionais?

O que estamos esperando para dizer que palavras jamais podem levar as vias de fato?

O que estamos esperando para deixar bem claro que as legitimas defesa de coisas inanimadas não podem vir a ferir coisas vivas? Assim como a legitima defesa contra a violência simbólica não pode apelar a violência de fato?

O que estamos esperando para que até mesmo as punições do estado às ofensas não pode se constituir em agressões?

Enfim, o que estamos esperando? Alguém ser morto?

Será que ninguém percebe que as cusparadas, os xingamentos, o elogio [apologia], as bravatas são o prenuncio do que está por vir? E não estou mais falando de ninguém em especial, mas de um sentimento geral que está se tomando as pessoas e pode ser inclusive capitalizado por oportunistas?

O que estamos esperando? que voltem a formar esquadrões da morte? Ou fazer atentados políticos? Será que ninguém percebe que essa gente e essas tipo de coisa vem sempre juntas?

Da burguesia de esquerda e direita não espere nada, como da política, também nada além, fora o ainda pior.

Eu sei que esses doidos não são de esquerda nem direita e a verdadeira esquerda e direita também sabe. Mas o problema é: é o povão sabe?

A vida não é uma ilha de Caras ou um BBB, esperando que o Boni ou o STF edite e apague tudo. Deixem o petismo e seus submarinos dentro dos partidos de esquerda, deixem Bolsonaro e Felicianos dentro da direita destilarem seu ódio e você verá que o Dilmismo e seu bolchevismo tardio foram mais do que a quinta coluna da esquerda; foram o abre-alas da hegemonia polí­tica do fundamentalismo religioso evangélico no poder do pais. E logo eles! Os especialistas em desconstrução dos inimigos e vitimização do seu banditismo!

Casa de ferreiro espeto de pau? Não, pimenta nos olhos dos outros e refresco.

Bolsonaro e afins agradecem. -O nome da Rosa: o idealismo como falsidade e o cinismo como verdade — Parte 1

Idiocracia, Idiotas e Idiocratas no Brasil [Outubro de 2017]

Uma idiocracia, é sempre uma relação de quem se acha muito esperto e os outros muito idiotas. E de alguém [ou alguns] que idiota ou não, por causa da posição que ocupa, é de qualquer forma tratado como se fosse. Mas isso não obrigada, a você engolir as bobagens que outros falam sejam como repetidores idiotas sejam como os ideólogos da idiotia: os idiocratas.

Compre essa historinha do teto do Lula e Bolsonaro que você, vai terminar tendo que escolher entre um dos dois. Nas pseudo-democracias: onde o acesso só a candidatura é restrito as gangues partidárias e a possibilidade de não votar em nenhum candidato que essas gangues impõe é nula, isto significa (matematicamente falando) que se nem a mãe do canalha votar nele, e todos os demais anulassem o voto que um único voto até de quem nasceu de chocadeira, ou até de um Temer, seria o suficiente para eleger o canalha com 100% dos votos válidos. O que também significa que não existe teto. Porque se Temer por exemplo de fato concorresse, até o macaco Tião se elegeria.

Não há teto. Eleição é uma ilusão de decisão. É como ir a um mercado querendo comprar pão, mas que só vende bosta e lixo, e quem decide que não quer comprar nenhum dos dois, acaba levando para casa e tendo que pagar e engolir o que o outros compraram também para ele, querendo ou não. É um jogo de cartas marcadas, os donos da jogo, a casa, sempre ganha, porque todos os produtos pertencem a eles: os donos do jogo. E se não pertencem, ou não pertencem mais, de duas, uma: (1) ou eles tiram a força o produto do mercado; (2) ou fecham o mercado; e não abre de novo até o produto ter perecido de vez. E se esses donos quiserem muito que você leve um determinado produto que ninguém quer, a solução é fácil: basta maquiar qualquer produto estragado ou reciclar o lixo, e aí então colocá-lo do lado do resto completamente podre e sem embalagem, e deixar que o cliente consumidor de polí­ticos, o idiota tenha a sensação de que é ele a escolher, o que eles, os donos do mercado, os idiocratas, já impuseram como única escolha para ele.

Então, meu querido, não há tetos, nem chão na polí­tica, porque você vai ter que levar e pagar, mesmo sem escolher nada; e até o pior dos lixos tem um potencial infinito desde que concorra com um monte de merda, que conseguem ter o dom de ser mais asquerosos e repugnantes que ele. Por isso que não há cabo eleitoral universal melhor do que Temer. Na idiocracia Temer virou o cabo eleitoral de todos os candidatos- mesmo aqueles que só vão se desvincular dele aos 46 minutos do Segundo Tempo. Ele é 3 em 1. É a cabra na sala cagando, que ao mesmo tempo que faz o serviço sujo, que caga os interesses do donos do jogo na cabeça das pessoas, mantem os idiotas sonhando com alguém que o tire de lá. Servindo de referencial mais baixo possível ou seja, mantendo uma perspectiva onde até um macaco de zoológico que não jogue seus excrementos nos visitantes será melhor do que ele.

Ou seja quem anda dizendo que polí­tico tem teto ou não conhece teoria dos jogos, e é um idiota bancado o idiocrata, ou conhece e muito bem, e portanto um idiocrata se fazendo de idiota. Problema dele. O nosso é que essa conclusão é falsa. Em sistemas de escolhas fechadas, como as eleições, qualquer opção tem a possibilidade ilimitada de valoração, porque suas possibilidades de crescimento não dependem do seu valor intrínseco, mas do valor relativo dos concorrentes disponíveis. Se as pessoas não fossem obrigadas a comprar, isto é, se o voto nulo, não fosse um protesto [vão],mas fosse uma ordem: “troque o lixo” seria diferente. Assim como seria também diferente se as pessoas controlassem esses mercados ou pudessem abrir livremente concorrência. Mas não podem. Em 2018 vão ter que comer lixo. E lembrando isso se eles não fecharem o mercado até se livrarem dos produtos que não fazem parte do cartel dos donos, ou foram expulsos dele. E não estou só falando do Lula. Estou falando também do Bolsonaro. -Idiocracia, Idiotas e Idiocratas… no Brasil

E estes são apenas os artigos que citam nominalmente Bolsonaro fazendo um alerta acredito bem claro ao exato momento que vivemos hoje. Se fosse então citar trechos de cada artigo analisando o neofascismo, o Trumpismo e a hipocrisia velha esquerda reacionária, aí não só teria que citar trocentos artigos do Medium, como alguns bem antes dele, originalmente publicados no meu extinto blog pessoal lá 2013 durantes as revoltas de Julho… Mas de que adianta isso agora? Para quê marcar uma posição?

Ok. mea culpa. Alguns eram até que bem sérios, outros tão esculachados e alucinados que até o Cabo Daciolo diria: “irmão, você tá ficando meio doído…”.Mas não é essa a questão. E sim qual o proposito (no meu entender) de falar ou calar agora?

Justamente por isso. Porque entendo que a hora de gritar e alertar foi aquela. Se foi. Já entramos em outro momento, o de se reorganizar e resistir. Porque agora gritar e denunciar pouco efeito tem para mudar a situação ou posição das pessoas, muito pelo contrário. Em suma, válido como desabafo, e sei lá, demonstração de disposição para fazer oposição ou melhor do que isso que do levante de uma vontade de construir (de fato) um novo projeto de Brasil… talvez, não sei. O que sei, é que como estratégia de enfrentamento do problema é inútil, e como prevenção então, com certeza, mais inútil ainda, por causa de uma simples e inconveniente verdade, que já não adianta negar, nem fugir tapando com a peneira: Inês é morta.

Já era. E não de ontem. Ontem, as (des)eleições, foram apenas o atestado de óbito. Sim o atestado de óbito de uma velha esquerda reacionária que vivia nada menos de falsificar a realidade, e insistir cegamente em enfrentar o presente romantizando o passado e renegando o futuro. Mas não só dela, infelizmente da esperança real de quem honestamente foi iludida ou se deixou enganar por suas narrativas.

Não. Quem avisou há tempos, e não fui o único, não teve nenhum dom de clarividência para ver o futuro, mas sim eles que tiveram o dom de cegar tantos para não perder sua liderança, e acabaram por levar muitos mais a caírem nesse conto que virou um buraco, sem ter tempo para entender como ou porquê. Até porque não fazia mais parte dessa agenda professar futuros possível, mas impor a pregação de um passado que nem sequer completamente verdadeiro era. Construiu-se com esse discurso um castelo de areia de meias verdades e meias mentiras, um castelo que se desfez no primeira onda conservadora que veio nada menos do choque de realidade popular. Veio como manifestação clara não só de protesto e rejeição, mas de completo desencanto e adesão a um novo discurso, ídolo e ideologia.

O desfecho da velha estratégia pragmática de um velho projeto de poder que prepotentemente não só apostou numa (des)eleição com menos confiabilidade- para não dizer legitimidade que de costume- como arriscou transformá-la em referendo sobre assuntos outros que para opinião pública do povão eram na melhor das hipóteses no mínimo controversos, na pior descaradamente uma mentira deslavada. Uma eleição onde uma narrativa demagógico que vinha até então se sustentando dentro das bolhas mas que fora delas não só derreteu, como deixou o caminho completamente livre para outro projeto poder que a essa altura já uma realidade presente que não pode mais ser desfeita, nem sequer enfrentada não com chances reais de vitória.

E Agora, José? Agora, o negócio, é esconder o homem, copiar a estratégia do inimigo, trair as bases dos fiéis mesmo antes mesmo de chegar no palácio, rezar por um milagre, ampliar as alianças com o capeta, e fazer o diabo para ver se acha ou fabrica algum fato novo para destruir o adversário. O básico.

Mas não resolvi abandonar meu silêncio para tripudiar mortos-vivos, nem muito menos marcar uma posição do tipo neutrão, ou contra tudo e todos, até porque essa opção já fiz e não de ultima hora, mas faz tempo- e agora nem se quisesse tinha volta. De modo que se fosse para reforçar minha posição bastaria mandar de novo todos irem se fuder de verde-amarelo ou vermelho, juntos ou apartados, tanto faz, e pronto acabou. Mas tenho mais o que escrever e espero continuar a fazer como ação social. Assim sendo, entendo e solidarizo com quem honestamente quem não quer ficar omisso, mas é por isso mesmo que banco o chato, faço questão de ser inoportuno e dizer: Inês está morta.

Sinceramente gostaria de respeitar mais o momento de perplexidade negação e luto dessas pessoas honestas. E sei que ninguém é dono da verdade e milagres acontecem. O altamente improvável de fato pode sempre vir a se tornar o real, mas a verdade é que a matematicamente cada instante que passa essa possibilidade já diminuta vai decaindo ao zero, de modo que o diagnóstico tende a se confirmar ainda mais em fatos: a esquerda, ao menos aquela velha e totalitária que prevalecia arrogante e convicta que o século retrasado era eterno, morreu e nem sabe. E o que sobrou dela infelizmente vai ficar aí por um bom tempo só para nos assombrar e como mortos-vivos canibalizar ainda mais explicitamente as novas, mais loucos e desesperados ainda por devorar novos cérebros e idéias… brain!!! Do outro, lado a direita, gostem ou não, não só passou como veio para ficar. De modo que aprender como lidar com ela, a direita como ela é, é um imperativo tanto a convivência quanto o enfrentamento- novamente necessário dizer ao malucos de plantão- o enfrentamento pacífico da contra-violência.

A ação e profilaxia social sempre foi cura, e isso fica ainda mais evidente quando a intelecção e o dialogo entre as partes se torna impossível. Porém como todo vacina ou remédio ele se administra antes do paciente, a sociedade, estar babando de raiva hiperfóbica e hipocrítica e não depois.

Reconstruir a sociedade não como abstração, mas como ação e organização, ou melhor organismo social, é um imperativo que transcende as aspirações e ideais de esquerda ou direita. É um ideal que vai de encontro as aspirações de uma população que aprendeu (e com razão) a desprezar e odiar seus governos e Estado como outra classe inimiga, a política.

Jogar a culpa na população, na sua “ignorância” ou “conservadorismo” do povão, é tipo argumento estuprador mimado e burguesinho. Vocês foderam e não quiseram sair de cima, e agora que a vítima te põe para sangrar, não adianta a velha vitimização do paternalismo autoritária: “que ingratos!”

Reconstruir a sociedade civil, e as organizações da sociedade civil sobretudo as de base que fornecem a capilaridade que hoje as igrejas evangélicas, não só por desmérito, mas pelo mérito da não omissão com a população que está excluída da sociedade como contrato social, é fundamental. Fazer política, não é ser pelego ou chupar saco de pelegos, é trazer todo sem discriminação povo para polis. E quem se diz de esquerda e esqueceu que é aqui e não lá em palácios que se constrói um projeto de Brasil; que é de baixo para cima, libertária e não de cima para baixo, autoritariamente que se faz política e justiça social, não sabe mais o que é ser de esquerda, mas sabe perfeitamente o que é ser de centro, sobretudo do poder.

Reconstruir as bases da ação sociais livre dos tentáculos dos projetos de poder e doutrinação ideológica. A reconstrução das bases sociais é um imperativo anterior a própria resistência e oposição ao autoritarismo e elitismo, por sem bases libertárias e populares, o que temos é isso: ilusão e impostores, ou seja, nenhum chão, ou realidade para construir nem preservar nada.

A corrupção da velha esquerda não foi só dos ideias de justiça burguesa e liberal que nunca comungou, mas dos sociais que um dia aderiu, ou pelo menos no começo enganou bem. Se agora, o progresso humanitário, libertário e social passa pela oposição e resistência a reação e reacionários, esse frente muito antes de ser uma resistência em prol de tudo que há de podre e insustentável passa pela demanda da reconstrução das bases sociais e populares mas antes de tudo e sobretudo utópicas dos ideais e princípios universais perdidos da esquerda para a falsidade ideológica dos vendidos e travestidos de pragmatismo e realismo político(realpolitk) sem caráter, sem princípios, sem limites, de uma esquerda que não só envelheceu, mas envelheceu, envelheceu mal. Podre, corrompida, esvaziada, rancorosa, amargurada, invejosa, autoritária, reacionária e hipócrita, em suma, envelheceu para se tornar a imagem e semelhança de tudo que sempre combateu, ou pregou combater, uma classe política e high society burguesa de burocratas e tecnocratas governamentais completamente apartada do povo e baixa sociedade a viver dos privilégios dos aparelho e aparelhamento estatal como fidalgos.

Não foi a esquerda que morreu. Foi essa esquerda que morreu, e que vá pro inferno junto com tantos outros os capetas que abraçou e compactou que caíram juntos. Embora, como já disse, e Aécio e Temer são a prova maldita, e tantos outros que vão ressurgir das cinzas agora como bolsonarianistas, they alive. Vide a pusilanimidade desse falso-novo, tipo Dória e afins.

Porém uma coisa é inegável, gostem ou não, a direita se reinventou e não foi só como propaganda, mas como ideologia e agenda programática como diria o vernáculo do marines. Até porque críticas justas (ou nem tanto) fora, extremista e perigosa ou não, o fato inegável é que a direita soube se reinventar e adaptar estrategicamente a atualidade do século XXI, enquanto a esquerda se contentou em putrefazer lentamente nas mesmas leituras e ideologias dos séculos passados, ou em fugas e embates hollywoodianos com a justiça e mídia burguesa. Mesmo sabendo que burguesia no Brasil é um termo completamente alienígena, e mera força de expressão, já que nem revolução liberal ou industrial tivemos direito. E burguesia por burguesia, esquerda e direita discursos e demagogia a parte, na prática e na práxis formam um mesma elite encastelada no estado, universidades, e condomínios fechados, a brigar por quem será o será sindico e a cartilha dos empregados.

Em suma, o fato é que depois dos resultados das (des)eleições não estou mais fazendo aqui projeções ou previsões, mas comunicando uma boa e uma má, ou melhor péssima notícia. A boa nova, é que não só a velha esquerda faleceu, mas toda a velha política se não morreu, foi oficialmente ferida de morta, foi jurada de morte nas urnas. A péssima notícia, é que já nem precisamos má notícia. Todos já sabem, muitos ainda não queiram acreditar, habemus papa. E aí se ele não for entronado...

Não, a verdade é que não houve uma eleição. Nem nenhuma mudança significativa. Nunca há. Até porque eleições não mudam nada. Mas não vou bater nessa tecla, porque já o fiz em outros textos, inclusive criticando a obtusa preocupação com as fraudes nas urnas eletrônicas, que para mim equivale a discutir a honestidade ou não de uma roleta de cassino de Las Vegas como ou sem máfia como proprietário. E não quero aqui falar de novo do que nunca muda, e sim do mudou dentro do sistema que permanece.

O que houve foi uma troca de guarda. Ao menos na direita. Da velha guarda pela nova. Enquanto o mesmo velho sistema por predefinição não só se renova mas sabidamente prevalece e perpetua das vãs esperanças que vem dessas repaginação. Porém é possível fazer uma leitura um pouco mais otimista. Também é possível e crível enxergar, um sinal, ou recado dado pela população através das urnas, talvez a única coisa que sirva essa bosta, mandar recados escolhendo governantes!!! (E isso é otimismo… mas ok, vamos lá, força) Um recado já ignorado como protesto com Tiririca, e agora foi dado com seriedade, qualquer coisa é melhor do que está aí, incluso o “coiso”. O slogan do pior que está não fica, já antecipava tudo. Fica, como prova Temer. Mas o Brasil já não suporta mais viver no passado. O Brasil do futuro quer desesperadamente nascer quer tenha ou não tenha alternativa correta ou verdadeira para isso. E é isso que a esquerda não entendeu e instinto do animal político de Bolsonaro captou e capitalizou oportunamente, o sentimento do momento. Aventureiros, demagogos, fascistas, etc… o esgotamento e falência e teimosia burra e prepotente dos atores e donos do sistema e esquemas abriram a avenida, eles colocaram o bloco na rua (e no zap) e fizeram literalmente a festa.

Longe de uma eleição, houve bem ou mal o que era possível dentro do imposto, a renegação, houve uma deseleição em 2018 e como não existe meio termo, eis o resultado que não é a mera negação, não adianta tentar desqualificar, porque não é assim que funciona o sistema ‘eleitoral”, empurrados ou não pela rejeição, a repugnância por A produziu a onde de adesão a B e a efemeridade desse capital político depende agora muito mais dos erros e incompetência de quem o detém para administra-lo do que da iniciativa sobretudo de quem o perdeu para reconquistá-lo.

Logo isso não significa que os velhos partidos e grandes líderes derreteram completamente em seus ideologismo, silogismo e fisiologismo, nem que os eleitos são apenas o mero produto da negação e rejeição do sistema seus esquemas e deterioração. Uma coisa não implica na completa exclusão nem contradição da outra. Mas significa sim que para usar um termo bem ao gosto da velho vernáculo, tergiversar sobre o fato que a velha política está morta e só para nos assombrar, e que a dita nova política de direita, a revelia do nosso repúdio prevaleceu, só vai aumentar ainda mais a o avanço e hegemonia de fato daquilo que veementemente repudiamos.

Ou em bem português, Inês está morta.

Não adianta mais. Não adianta colocar tranca em casa arrombada. Agora é tarde. Já era. Bolsonaro já ganhou. E quando digo já ganhou, não me refiro só a irrealidade dessas deseleições, mas a volta a dura realidade que virá imediatamente depois da “festa da democracia”. Bolsonaro não só já venceu, mas prevaleceu. E salvo ocorrência ou invenção fato novo Bolsonaro será eleito presidente do Brasil como mesmo que por uma milagre isso não aconteça, e eventualmente Bolsonaro perca ou mesmo ganhe mas não leve, ele já ficou. Não a onda não é uma marolinha era (de novo) outro tsunami e eles passaram, e não só vão ficar por um bom tempo, como também suas marcas.

Tanto faz se a esquerda neste exato momento está rezando a espera de um milagre ou fazendo o diabo para fabricar um; a posição estratégica dessa esquerda político-partidária representada pelo PT, está reduzida nas melhores hipóteses em:

a. dar um cavalo de pau, tentar reduzir a extensão das perdas e estragos de uma derrota certa (a mais realista), contanto com a boa vontade com uma meaculpa tardio e oportunista;
b. ampliar as alianças e atos mais desesperadas e espúrias, que antecipem o premeditado estelionato eleitoral e acelerando a decomposição desse corpo sem vitalidade.

Para tanto há duas estratégias clássicas de propaganda política : a da construção e desconstrução.

No campo da construção, há a tal frente democrática tardia. Ou melhor não há. Esqueçam. Essa é mais outra farsa, não só porque as alianças com elementos do naipe de um Calheiros e outros vendidos aos incautos como seus inimigos mortais: os golpista, mas porque dentro dessa própria esquerda a democracia liberal nunca passou senão de um meio alternativo ao armado para a tomada do poder e implantação dos seus regimes. Uma frente que não passaria de uma reedição da própria da antiga coalizão de governo, a união de grupos que usam e abusam da democracia como fachada e hospedeira do seu projeto de poder, como grupos tão mafiosos mas menos megalomaníacos que fazem dela a mera hospedeira da sua cleptocracia e corrupção transmitida de pai para filho.

Entretanto não se engane quem não embarcou nessa, mas pegou avião e foi se embora não o fez por princípios, mas por vendeta (justa, mas vendeta) contra um partido que antes de descontruir e destruir seus inimigos ou o pais, descontruir aliados dentro de correntes e fora do partido, não raro utilizando a velha tática (incrível que ainda funcione) dos submarinos até mesmo contra seus mais fieis e caninos satélites. É aquela história… para cada esperto, há de haver no mínimo um otário se achando mais esperto. E se Lula foi mestre em alguma coisa na sua vida política foi nisso: tirar vantagem de quem cola nele achando que vai levar vantagem as suas custas; e quantos não caíram ou foram sacrificados como meras peças nesse xadrez do barba, antes que o rei sequer levasse um xeque.

Já no plano da desconstrução, não duvido que agora mesmo estejam trabalhando para encontrar ou fabricar um fato- o na guerra amoral da política tanto faz. Porém, vale ressaltar que a essa altura do campeonato talvez nem apelando para isso seja possível virar o jogo. Nem mesmo o surgimento de um fato novo adverso, a clássica denuncia bombástica próxima as eleições, nem mesmo ela sendo absolutamente verossímil ou até mesmo verdadeira, nem mesmo isso seja mais capaz de alterar o posicionamento dos eleitores. Alguns porque já entraram no estágio de fiel de Igreja que nem não compra nem prova publicada em jornal nacional ou diário oficial- independente de falsa ou verdadeira, não por acaso justamente por serem publicadas neles. Disto se infere que a perda de credibilidade de A é diretamente proporcional a adesão fanática de B e vice-versa. É a fábula de Pedro e o Lobo, (ou do bigbrother e o povo) de tanto o menino gritar lobo quando não havia um, quando enfim apareceu um, ninguém mais acreditava nele.

De qualquer forma, seja na construção de alianças, ou na desconstrução de adversários; ou seja ainda, na da própria fabricação da imagem e reputação, a demagogia e falsidade ideológica matou qualquer possibilidade de credibilidade para além dos aquários das audiências cativas e fieis convertidos. De modo que não surpreende que na falta de qualquer verdade e honestidade nos discursos de paz, amor e democracia tantos prefiram discursos de ódio, violência e autoritarismo e ao menos eles são verdadeiros, e não lobos em pele de lobo e não de cordeiros. Bons tempos diria o septuagenário dirigente partidário em coro com o dono de jornais, revistas e televisões…

Já era. Agora o lixo corre solto em outras mídias e programas e quem aprendeu a navegar e nesse ambiente e ler e programar nessa linguagem não só tecnológica, mas culturalmente, seja para o bem ou para o mal saiu na frente. E adivinha quem foi? Uma dica não foi a burguesia de esquerda e sua pesdo-intelectualidade orgânica. A intelligentsia que enche a boca para falar de lugar de fala e apropriação cultural, mas na hora de passar pelo povão não abram mão nem de preconceitos missionários de tutela, gerencia e catequização doutrinária, nem pretensões de classe intelectual a conduzir e educar as massas ignorantes, não abrem nem fudendo a mão do seu lugar que não é só de fala, mas poltrona tão confortável nas costas dos seus escravos assalariados. E que hoje pateticamente também clama por uma frente dos intelectuais para salvar sua boca do que qualquer outra coisa. Me mostre um socialista que não quer escravos assalariados submissos ao deus do trabalho e trabalhismo, que eu lhe mostro um capitalistas disposta a competir num livre mercado formado por cidadãos que não estejam expropriados da sua participação na patrimônio nacional em favor da máquina e tecno-burocracia estatal. Ou seja me mostre um unicórnio, que eu mostro um duende.

Claro que há os honestos (e logo trouxas) que caíram no conto. Mas seja o revolucionário de gabinete, ou o ativista pé no barro, não importa, o fato que enquanto houver miséria vai haver cabresto. Tiveram 12 anos para acabar pragmaticamente com ambos, mas preferiram instrumentalizar tanto um quanto outro para fidelizar gente como massa de manobra. E hoje desgraçadamente precisam se agarrar não só a esses currais mas os coronéis e oligarcas que vivem da exploração colonial dessa miséria para sobreviver eleitoralmente. Poderiam ter feito da transferência de renda projeto de empoderamento e emancipação, mas isso implicaria em perda do controle político. Sim miséria e pobreza tem dono, mas não dono fixo. E hoje a condição de vulnerabilidade carestia e pobreza incluso política e cidadã que servi-lhes para catapultar e manter no poder, serviu e servirá novamente ao adversário para plantar servidão e colher tirania. Quem vive pela espada morre pela espada, quem vive de explorar a carestia, morre pela revolta desses “ingratos” carentes.

E evidentemente não digo isso com euforia assemelhada a dos bolsonaristas, nem com a tristeza ou nenhuma solidariedade como a dos petistas, nem mesmo mais com o prazer vingativo dos outrora perseguidos. Mas com a frieza de um necrotério e o respeito que cabe aos mortos, mesmo os que estão em decomposição faz tempo. E os mortos que enterrem os mortos. Porque o perigo sempre nos vivos e muito vivos. Mas talvez, sequer os próprios bolsonaristas obececados pelo poder tenham tomado pé da dimensão da sua vitória nestas primeiro turno das deseleições. Eles podem até perder o segundo, que ainda sim vão prevalecer. Não só a esquerda, mas o centro perdeu as bases, perdeu completamente a conexão com o realidade popular, com o povo, e nisso está a vitória da direita que soube capitalizar o sentimento anti-sistêmico. Nisto está a sua prevalência um estado ainda mais poderoso do que eventualmente vencer ou perder.

Para se ter uma noção do que é isso, basta imaginar que se Bolsonaro morresse hoje, seja da causa que fosse, natural ou em decorrência de complicações do atentado sofreu; se viesse a perder as eleições seja lá como isso fosse possível. Ou mesmo se viesse como pregam seus propagandistas conspiracionistas ganhar e não levar. Ainda sim, o bolsonarismo prevaleceria. E prevaleceria por uma razão muito simples: o antipetismo se cristalizou em Bolsonarismo. O mito messiânico de Lula já não é mais o ídolo do cultos e fanos políticos, mas sim o outro mito e messias do campo oposto. O próprio bolchevismo da cúpula do partidão petista, apelou ao stalinismo descarado e tratou de apagar as pressas a figura da velho grande líder até das fotografias de campanha. Sintomático.

Se engana quem pensa que a esperteza da nova direita se resumiu em capitalizar o sentimento antipetista para da rejeição forma a base da sua coalização, eles já foram além, capitalizaram o sentimento anti-sistema como base para eventualmente tomar reformar e moldar o sistema de acordo com a ditadura dos seus preceitos e preconcepções. Ou seja conseguiram se apropriar do sentimento de revolta e anseio por transformação como veículo não só para conseguir chegar ao poder, mas para tomá-lo e se perpetuar nele até não poder mais, como gostaria um Zé Dirceu. Eis o denominador comum entre eles. todos eles, de todos os projetos autoritários de direita ou esquerda, que mal eles conseguem não confessar, reformular o sistema não para empoderar a sociedade nem muito menos a população, mas para adequá-lo a sua visão de mundo e vontade de poder, que o diga precipitado General picado pela mosca azul.

Mas eles que são brancos- perdão nativos em franco processo de embranquiçamento da raça- que se entendam. Não escrevo estas palavras para nem para essa direita nem esquerda totalitária que evidentemente não tem nenhum outro projeto ou ideal senão o a tomada, retomada e perpetuação no poder. Nunca fiz (nem deixe de fazer nada) nada que eles queriam nem sob paga nem sob ameaça que dirá de graça ou por medo frente a uma ameaça do outro lado. Não nem por desespero. Por sinal uma ameaça de viés fascista que embora não seja nenhuma invenção da esquerda bolchevique, mas é ainda sim, sem a menor sombra de dúvida, em dimensão e projeção ganhas um produto das suas mais desastradas e desastrosas políticas de governança, economia e sobretudo estratégia eleitoreira. É inegável que Bolsonaro, como tanto outros figuras que surgiram no mundo faz parte de uma onda mundial, mas o sucesso ou fracasso em cada país desse projeto, dependente de muitos fatores, e aqui um dos determinantes foi a a completa perda da credibilidade dos outros polos do espectro político e da esquerda em especial.

Bolsonaro jamais teria ganho a proporção e amplitude sem as desastrosas prepotentes e criminosas omissões, manipulações, perseguições e alianças da esquerda palaciana travestidos de pragmatismo e realismo político que fariam corar os mais reputados canalhas do coronelismo e populismo mafioso da nossas velhas e “novas” repúblicas oligárquicas. Não é a eles portanto que me dirijo, porque não são parte da solução mas a outro face da moeda do mesmo problema. Um câncer que se alimenta bipolarmente um do ódio autoritarismo do outro, numa disputa de quem seria a menor ameaça e deformação teratológica para a grande maioria da população e democracia. Como se cada por si só já não fosse ameaça suficiente, e a guerra que é tudo os sustenta não fosse composta de fanáticos fundamentalistas a se retroalimentar do extremismo radical alheio que salvo portanto as cores e paixões ideológicas são idênticos em mentalidade e comportamento. O culto da discórdia onde impera quem conseguir dividir e apartar mais. No fundo o mesmo projeto a gosto do freguês: a ditadura dos seus valores via tomada do aparelho estatal e constitucional.

Evidente portanto que não é a eles que dirijo minhas palavras, mas sim a esquerda que mesmo não sendo libertária sabe que a igualdade não se promove através da desigualdade de poderes, ou o que é a mesma coisa pela privação de liberdades fundamentais, mas sim pela garantia de igualdade de liberdade fundamentais incluso como direitos as condições materiais básicas que constituem essa igualdade de liberdade não mais como privilégios hereditários ou autoritários, mas chances iguais e oportunidades iguais e reais. Enfim me escrevo para aqueles que considero a verdadeira esquerda que carrega como ideal a transformação e desenvolvimento humano e social e não quem se apropria e monta nesses ideias e idealistas como bestas e cavalos para levarem a sua finalidade e objetivo de vida: os palácios e o poder.

Me dirijo portanto àqueles que sabem que princípios meios e fins jamais podem ser separados, não sem matar tanto os ideais quanto as realizações. Escrevo portanto para quem tem como ideal a realização dos princípios como meio e não fim. E não para aqueles que a direita ou esquerda acreditam e praticam a máxima da perversão que funda a política muito antes da sua ciência: os fins justificam os meios- incluso a redução de tudo e todos a meros meios a consecução de uma finalidade que destituída de principio e ideais, não representa nada senão o fim em si mesmo, o poder pelo poder.

Assim sendo meu luto não é pelo projeto de poder corrupto e totalitário que tomou e feriu de morte a esquerda muito antes da ascensão do seu abajur do capeta, ou o perigo que bolsonarianismo representa, mas sim pela dimensão profundidade do estrago que esse monopólio político-partidário produziu para muito além dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, mas dentro da própria senso e noção comum da população e sociedade dos princípios, ideais e causas, que até mesmo na qualidade de direitos tão fundamentais quanto os civis, sociais e humanos, foram tomados e propagandeados como se fossem causa exclusiva não só de um campo do espectro ideológico, mas propriedade privada e logomarca político-partidária. Direitos portanto que assim se tornaram presa fácil a seus opositores e perseguidores que hoje vendem a sua renegação como se fossem mera propaganda e ideologia esquerdista ou petista e não um o que são de fato direitos naturais e humanos por definição, sem cores, bandeiras nem partidos.

Direitos que um lado tenta se apropriar outro expropriar, porém ambos com o mesmo proposito instrumentalizar a batalha em torno deles como território da conquista da sua ideologia e tomada de posição estratégica do seu projeto de poder. E em meio a essa guerra direitos e o próprio estado democrático de direito vai sendo abatido a cada atendado não só simbólico, mas real, não contra ideias mas pessoas naturais humanas que ao contrário dessas vivem de fato, sofrem de fato e portanto perecem nesse jogo pela posse do poder de fato e suas representações simbólicas e institucionais.

Nessa guerra simbólica e institucional onde gente é bucha de canhão, não basta apenas se posicionar do “lado certo”, mas tomar posições no momento certo. O certo aqui, longe do sentido da propaganda ideológico tem o sentido da estratégico, do cumprimento da função ou objetivo pretendido e não do contrário. Isto quer dizer que as mesmas posições em diferentes momentos podem não só ter o mesmo resultado, nenhum resultado como podem até ter o resultado adverso. Podem funcionar como verdadeiras armadilhas, na qual tanto a liderança político-partidária, que manobra o movimento social ou popular na tomada de uma posição pode instrumentalizar ou mesmo queimar a causa em beneficio ou sacrifício do seu objetivo estratégico de poder, quanto a adversária da causa pode capitalizar e desconstruir a causa se valendo da associação ideológica-partidária para produzir divisões ou mesmo desqualificar sua natureza ou reivindição universalista. Supondo é claro que tal movimentos movimentos sociais ou populares genuínos, movimentos suprapartidários de fato não-governamentais e não pelegos, paraestatais ou meros comitês ou aparelhos de interesses partidários e ideológicos constituídos para atuar na frente dessas causas.

É nesse sentido, com tais preocupações que aqui se fala em reconstruir uma esquerda, não portanto como partido ou ideologia, mas como movimento e organização social que visam a emancipação da população, de natureza libertária, livres não só do autoritarismo das próprias vertentes e viesses autoritárias que corromperam e não raro reduziram povo e movimentos causas e até mesmo leis enquanto direitos constitucionais em moeda de troca dentro do balcão de negócios com inimigos-aliados do tráfico político-governamental dentro da máquina estatal.

Porque é por essa e outras razões que vou encher o saco: Inês é morta. Ou mais precisamente é exatamente por causa dessa estratégia proposital e premeditada que só levantou seriamente a bandeira da denuncia contra o fascismo de forma tão tardia, só levou a sério essa ameaça que ontem as pessoas riam, e pintavam como um palhaço, e hoje choram e se descabelam (e dependendo porquê, como razão). Não, a estratégia dita kamizaze da esquerda petista tenha sido uma estratégia suicida, ela foi mais uma vez tudo menos suicida. Estupida? prepotente? irresponsável? Canalha? Um estrategia típica de um status quo falido disposto a usar e abusar de tudo e todos para obter o que quer? Um estratégia desconecta com as diferentes camadas da população, seus interesses sentimentos e aspirações de quem caga e anda para os outros? Sim para todas as alterativa, e sim com certeza. Mas por isso mesmo foi literalmente um tiro que saiu pela culatra. Foi um erro crasso. E o que pior um erro crasso, foi erro que já tinha precedentes público e notórios. A estratégia democrata na eleição norte-americana de Trump.

Não foi só o petismo que pensou que alimentar Bolsonaro para enfrentar um adversário politicamente incorreto era então seu passaporte garantido de volta ao Planalto, mas todos os contendores do dito “campo democrático”, ou sendo menos presunçoso, os centro e a esquerda. Porque vamos e convenhamos se guardadas as devidas proporções Bolsonaro é Hitler, do outro lado da foto também guardadas todas as devidas proporções o que não faltam é estatopatas com genocídio de civis inocentes em horário de expediente comercial, mas pode fechar os olhos e chamar de estadista se algum deles for o da sua estimação.

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Mas perdão pela digressão. Voltemos a estratégias “democráticas”:

Por mais incrível que pareça, não só partidos, mas novamente imprensa resolveram seguir (inacreditável a parvice) o mesmíssimo o roteiro do filme norte-americano, com direito inclusive as mesma intrigas nas articulações e desconstruções entre aliados mais competitivos, mas que não eram caciques tão fortes dentro dos seus respetivos campos, correntes e partidos para desbancar os capos como Lula ou Alckmin, que assim como Sanders foi engolido por Hillary. A aposta aqui foi a mesma de lá. Figuras que mesmo desfrutando de popularidade pífia, ou reputação suja mesma, preferiram e conseguiram impor seus nomes. Aqui como lá, o calculo era simples: a maioria da população sendo obrigada a escolher entre o Coiso e qualquer coisa preferia qualquer coisa no lugar do “Coiso”. Mas como vimos erraram feio. Entre o “Coiso” que só fala bosta (como diz com propriedade o próprio humorista de direita) e qualquer coisa que só fizeram bosta, a população preferiu dar o beneficio da dúvida para o “Coiso” obrar na coisa pública. Vai dar merda? É lógico que vai. Mas esse é o problema de escolhas forçadas e cartas marcadas. Aqui e lá, Trump e Bolsonaro souberam usar esse descontentamento e a prepotência de gente que acha que o povo é idiota ou pode ficar impunemente no trono a sua revelia, em seu favor. E o resto é a repetição da história de como fascistas e assemelhados nas crises capturam o sentimento da população para ditar suas agendas.

E se você por uma acaso vinha já se perguntando porque só agora, porque só aos 45 do segundo tempo os vídeos que estavam disponíveis na internet há anos, ganharam ampla divulgação pelos veículos alinhados e aliados, a resposta é simples, porque eles não entenderam nada, e erraram de novo. Nos seus prepotentes cálculos político-partidários não interessava a nenhum deles descontruir Bolsonaro, mas pelo contrário vê-lo crescer para então supostamente desconstruí-lo com facilidade. E o que deveria ser balas de prata no momento certo, manifestações virou não só o tiro desesperado na hora errada, mas o tiro que passou a ter o efeito adverso! aumentando ainda mais a curva do crescimento do “Coiso”.

Bolsonaro, não era mais Zé Mayer, ou Aécio não era figura pública, uma celebridade. Ele como Lula ou Trump já havia entrado no estagio do mito, poderia ser gravado mandado “agarrar mulheres pela buceta”, ou mandado mobilizar “as de grelo duro”, que não mudaria em nada o seu conceito. Não que a esquerda não soubesse como funciona a idolatria e mitificação, é obvio que são especialistas, mas em criar em não identificar e destruir. Eles sabem que o mito sempre cresce não só segundo a lei Caubi: “falem bem, falem mal, mas falem de mim”. Mas também- sabendo como se martirizar e demonizar o adversário- como massa de pão: “quando mais bate mais cresce”. Vide Lula na prisão. discursos de vitimização somadas a teorias de conspiração e perseguição garantiram a invertida de um partido que saiu praticamente morto depois do dilmismo. Na verdade isso estava claro e patente, mesmo até para quem não entendia a semiótica e psicologia de porquê os ídolos crescem quanto mais martirizados e perseguidos aos olhos de seus fieis. Era um dado estatístico. Porém, no entender deles Lula era o mito. Bolsonaro não. Erro clássico dos autoritários e absolutistas: Só pode haver um. E claro esse Um é sempre o mito e mitologia deles e nunca a dos outros. Como diria Lula sobre si mesmo Lula já não era mais uma pessoa mas uma ideia, e ideias não se prendem nem se matam. Megalomania fora, ele esqueceu outra propriedade do mundo das ideias. Ideais e ideias não tem dono em muito menos monopólio, mas concorrência. De modo que Bolsonaro agora surfa na mesma onda que outrora foi dele, a dos fanáticos.

Talvez aqui alguém proteste dizendo o liberalismo, é mera fachada e propaganda de autoritários que estão se contendo seu antigo e declarado desprezo pela vida e liberdade das pessoa humana, e que quando eles chegarem ao poder, mostraram sua verdadeira face e voltarão com toda carga para implantar seus preceitos de forma autoritária.
Pois então. Exatamente. Isso te lembra alguma coisa? O próprio MBL já declarou em entrevistas que se inspirou nas estratégias da esquerda, para articular e mobilizar seus movimento e concretizar suas agendas.

Some-se portanto esse outro erro disseminado no campo da esquerda, a falácia do politicamente correto e eis que a bomba Bolsonaro está armada. Quem tenta impor uma ditadura ideológica através da transformação da ofensa da agressão subjetiva em agressão concreta, abre uma via de mão dupla. De modo que aquilo que é ofensa mortal para a esquerda progressista, é uma medalha de honra para a direita conservadora, mas também o que é um direito básico de liberdade de expressão, manifestação e identidade para essa esquerda, agora é de novo a ofensa a honra, moral e bons costumes, em sua a ditadura ideologia e cultural oposta. Construa um sistema onde você quer impor valores e o sistema de imposição de valores irá devorar suas liberdades. Ótimo para tiranos, ditadores, péssimo para pessoas que ainda lutam por fazer respeitar seus mais básicos direitos como respeito a sua liberdade e não obrigações sobre o alheio.

Assim no campo de batalha da luta simbólica, enquanto a esquerda ia desaprendendo o valor e poder disruptivo da subversão e humor. A chamada direita alternativa que se tornaria o guru das novas direitas mundo afora ensinava explicitamente como se apropriar e empregar essas estratégica clássica da esquerdas subversivas contra déspotas e ditaduras, contra sua próprias vertentes autoritárias e totalitárias, convertendo para si não liberais, mas fazendo reacionários se acreditarem verdadeiros revolucionários. Ah, esses bolcheviches e suas incríveis máquinas estatais e partidárias…

A chave para compreender como Bolsonaro conseguiu chegar onde chegou, está dentro da própria historia que já é passado, mas ainda sim passado recente da esquerda brasileira e mundial. Está em como as correntes mais autoritárias tornaram um projeto de emancipação e empoderamento e desenvolvimento da população brasileira, em mero projeto de doutrinação, fanatismo, corrupção e perpetuação no poder. E eis a grande dificuldade de tal reflexão e re-volução surgir dentro desse ambiente reacionário e autoritário travestido de progressista. Seria necessário olhar e mais do que fazer uma autocritica renunciar a vícios que constituem toda a base que restou de poder e manobra desta velha esquerda- incluso para escapar da condição de boi de piranha dos seus outrora perante a fúria judiciária.

Oh, que dilema? Dilema uma ova. Dilema para quem tem o rabo preso, ou come na mão e do butim deles. Que eles respondam por seus atos, queiram assumir ou não sua responsabilidade. Porque para quem não está interessado em projetos de poder, nem ideologias, mas na defesa de gente da sua vida, liberdade e dignidade como direitos fundamentais não há dilema nenhum, nem lado ou partido algum a ser tomado deste ou daquele impostor. Porque seu lado o seu partido a sua classe é um só, o seu e não por acaso é do todo população, de cada um particular e de nenhum coletivo com primazia nem exclusividade.

O desafio de quem se coloca sempre organizadamente do lado da sociedade e população, do povo, do social, da nação, não como partido, governo ou estado, mas como comunhão em torno do bem que antes de ser privado ou estatal é público e particular, e sobretudo bem comum, o desafio de quem não se alia a A nem B nem C , mas compartilha e se solidariza com a sina da seu povo, que estará sob jugo de um ou outro é um só, não se deixar cair em tentação e livrar-se e livrar-nos de todo o mal. E amém.

É por isso que ao contrário dos autoritários que como bichos não podem viver no mesmo lugar, mas só em jaulas ou sozinhos até só haver um. Os verdadeiros libertários da esquerda ou direita, conseguem viver em paz porque concordam com uma coisa: o problema não está desde ou daquele lado, mas em quem está em cima e quem está em baixo, e principalmente em quem não consegue viver se não for pisando, montado ou regulando a vida dos outros.

Porém, nossa maior virtude e também nosso maior falha, porque enquanto não conseguirmos de fato nos governar livre da prepotência dos tiranos e autoritários, assim como os povos que nunca são governantes mas governados por definição, nunca estaremos livres deles, mas presos ao eterno ciclo de esperança e frustração dos condenados a ser tiranizados, querendo ou não, crendo ou não, por aqueles que um dia foram chamados de seus salvadores por seu povo.

Mas como a esperança é a última que morre e sonhar é de graça. Vai que cola né? Quem sou para dizer que não?

Agora quem não quer esperar para ver o que acontece na próxima loteria, quem não quiser bancar a Marina Silva e reaparecer com suas consciência e reponsabilidade político-social só na próxima festa da democracia, recomendo investir seu tempo e dinheiro em utopias e não ideologias; em Menos demagogia e doutrinação e mais ação social e libertária. Sai mais barato que a campanha do Meirelles. Você pode pagar tanto mico quando o Daciolo; não precisa lamber o saco do Lula nem do FHC. Nem entrar pro esquadrão do Capitão. E se não gostar de aparecer pode fazer igual ao Eymael (fingindo para fins retórico que ele faz algum), pode fazer seu trabalho quieto e em paz. E bônus: ainda tem garantido o seu prazer sádico de pobre fudido que mesmo sabendo que vai se ferrar amanhã de novo (como sempre),ao menos pode desfrutar desses raros momentos da vida: ver quem tanto fez para te foder se fodendo… e muito.

Nessas horas juro que queria ser um moleque de novo ou um velho já completamente boçal para esquecer do que mitos são capazes, só para poder comemorar de verdade, ao menos um dia, o rodo que tanta gente ruim levou. Só que não. Amanhã, como ontem, é “dia de branco”.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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