Democracia, Liberdade e Dignidade são três valores que não existem apartados

É o que a coragem dos curdos e catalães tem a ensinar a bovinidade brasileira: Não existe pais do futuro nem futuro para um povo que não se dignifique a acordar e se levantar. Há sim cabrestos e currais nacionais.

Image for post
Image for post
Dos cravos vermelhos em Barcelona… a Revolução dos Cravos em Portugal

Não duvido que eles paguem um preço caro por sua coragem, que os covardes e servis chamariam de temeridade. Não duvido que os dois movimentos sejam esmagados pelos reacionários autoritários e covardes unidos. E tenho absoluta certeza que se conquistarem sua independência e emancipação não será porque ela foi dada graça por nenhum poder central ou supremo. Quem milita pela liberdade e dignidade sabe que a libertação politico-econômica das pessoas e sociedades não tem preço, mas custa caro. E se já é difícil encontrar uma comunidade inteira disposta a lutar por ela, que dirá então todo um povo mesmo diante das ameaças e terrorismo estatal.

Por isso maior ainda do a certeza que as dificuldades que enfrentaram eu só tenho uma: não terá sido em vão. Mesmo diante de repressão que paira sobre ambos povos. Ainda que mais uma mesma policias e exércitos desfaçam a força e porrete ou pior a balas e bombas o sonho de liberdade e emancipação dessas pessoas, tamanha demostração de coragem, consciência e solidariedade popular e cidadã, não terá sido em vão. Nunca é. O mundo já girou. E quando ele gira pode até parecer que volta para o mesmo lugar, mas o fato é que nunca mais é o mesmo. Não mesmo. Foi. Impostores forem desmascarados. Falsos ídolos, santos e símbolos quebrados. Uma nova geração renasceu. E ela não se move pelas ideologias nem respondem aos ideólogos dos séculos ultra-passados. Porque nós não somos um, somos muitos e não somos uma legiões que seguem cegamente lideres e generais. Ela se move por ideais, se movem pelo espirito da liberdade, e o espirito da liberdade.

Não duvido que para manter intactos seus domínios reinos jogarão seus forças armadas contra seus povos. Não duvido que reacionários jogarão até mesmo os povos uns dos outros armados para frear essas forças essas vontade popular de liberdade em paz e democracia. Já estão a fomentar isso. Mas não adianta. Com ou sem guerras o mapa-mundi neste século mudará, para incluir um novo ator soberano que pela primeira vez na história tem meios pacíficos para lutar por sua identidade autodeterminação e espaço geopolítico, o cidadão, que não é nada mais nada menos que a pessoa humana que define junto com seus iguais seus destinos. Mais um duro golpe para as regimes autocráticos e oligárquicos. É a humanidade saindo da infância. São os povos atingindo a idade adulta e exigindo sua emancipação. É o processo natural do crescimentos seres e espécies dotadas de inteligência. É história da humanidade em movimento. Resta apenas saber se nós que militamos pela democracia direta e renda básica por aqui, conseguiremos manter a resistência ou vamos o pais se render a retroceder perante a onda autoritária e reacionária desses Herodes malditos que se mantem no poder matando o futuro, a crianças e a boa nova enquanto ela dorme no berço nada esplendido.

Há quem milite pela causas libertárias e humanitárias e sociais, e que esteja profundamente desanimado que os as mudanças e transformações que tem as jornadas de Julho de 2013 como marco, tenham provocado essa onda reacionária, autoritária e antissocial. Eu não. Sou grato por poder enfrentá-los aqui na minha terra. ao invés de ter que fugir do meu país. Mesmo sabendo que provavelmente essa janela vai se fechar logo, e denunciar abertamente o que eles são e fazem será em breve criminalizado. O que lamento é o tempo que os ativistas mais jovens que se desiludiram e retraíram estão demorando para recuperar do baque. E entender que a luta não é um carnaval, é trabalho constante, persistência e resiliência. Para quem está nesse guerra era obvio que haveria reação de quem vive e muito entranhado nesses Estado Criminoso disfarçado de Direito. Era obvio que que não bastaria sair as ruas e gritar que com por mágica, séculos e séculos de famílias encostradas no poder como parasitas abandonariam os hospedeiro. Mas esse é o ponto. O saber que diferencia os velhos frustrados e jovens ingênuos, dos ativistas de toda idades e gerações. Isso não importa. A questão é agora sabendo que o buraco é mais embaixo, que precisamos fazer mais, que precisamos de mais compromisso ação continuada, o que vamos fazer, nos render e juntar a eles? Digo com todos as letras é quando a ilusão se vai, quando descobrimos as reais posições e interesses, quando os carates se revelaram e os disfarces caem inclusive dos que se diziam aliados é que começa a verdadeiro desafio da transformação social. O desafio gigantesco que é para a pessoa humana que só quer ser uma pessoa livre e viver em paz plantar um semente que seja, que ela não sabe nem onde o vento levar e germinar.

A Piada Catalã

Como escocês, já dei aos meus amigos catalães bastantes motivos para risos ao longo dos anos. O tempo, o estado das nossas respetivas economias, a gastronomia e, claro, o futebol: as fontes do seu divertimento coletivo são muitas.

Mais recentemente, porém, o motivo de riso de dois amigos de Barcelona era algo diferente. Enquanto tomávamos uma bebida, expliquei-lhes os planos da cidade deles para introduzir um programa-piloto de Rendimento Básico Universal (RBU) . Excluindo a linguagem colorida, a conclusão deles foi que “Nunca vai funcionar aqui!”

Quando quis que explicassem o ponto de vista deles, as principais razões apontadas centravam-se nas noções de democracia e cidadania. “A nossa democracia é demasiado jovem. Muitas pessoas continuam a não confiar no Estado. Se o Estado lhes desse dinheiro para não fazerem nada, muitas pessoas considerariam que se tratava de uma loucura. Pode funcionar em Copenhaga ou Estocolmo, mas em Barcelona será um desastre. “

Alguns dias depois, estive com os responsáveis pelo programa-piloto do Rendimento Básico em Barcelona. Lideram a URBInclusion, uma nova Rede de Implementação URBACT focada em novas formas de solucionar a pobreza. Numa escala mais ampla, estão a entrar no B-Mincome , um ambicioso programa-piloto para introduzir o RBU nas zonas mais pobres da cidade, numa parceria que inclui a Fundação da Juventude . Financiado através do programa das Ações Urbanas Inovadoras (UIA), reflete o compromisso da administração da cidade para combater a pobreza urbana crónica de diferentes formas. Ao fazer isso, reconhecem algo que muitos de nós sabemos: que, independentemente das largas somas de capital investido nas cidades europeias, as desigualdades continuam a aumentar.

A experiência-piloto do RBU faz parte de uma nova abordagem radical, que tem por base o conceito do Rendimento Básico. Outros elementos do pacote coordenado incluirão a introdução de um esquema de moeda local, utilização extensiva de cláusulas sociais nos contratos públicos e a criação de percursos apoiados para o emprego, incluindo o voluntariado.

Durante a nossa discussão com a equipa do URBACT de Barcelona , decidi partilhar o ceticismo dos meus amigos catalães sobre as possibilidades de sucesso do programa-piloto do RBU em Barcelona. A resposta dos peritos da cidade foi interessante. “Eles podem ter razão. Poderá falhar. Mas o que fizemos no passado não resolveu o problema, por isso, precisamos de novas lógicas, precisamos de novas ideias. A inovação tem tudo a ver com arriscar. Se não tentarmos, nunca saberemos.” -Rendimento Básico Universal: quem está a rir agora?

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store