Da crise na Venezuela à “Renda Básica” na Itália (Parte I)

Ou É o capital. Lítio: Do ouro negro ao petróleo branco 2 (Dois anos depois…)

BBC: O metal precioso que está criando uma nova ‘febre do ouro’

“Se o ouro já foi o grande ímã de garimpeiros no oeste americano, agora é o cobalto quem faz esse papel.

O garimpo de cobalto não acontece há décadas nos Estados Unidos. Mas agora um grupo de empresas de mineiração está nos Estados americanos de Idaho, Montana e Alasca em busca do mineral azul prateado.

São exemplos do interesse crescente em cobalto — um componente chave nas baterias de íon-lítio, muito utilizadas em aparelhos eletrônicos portáteis e carros elétricos.

No passado, o fornecimento de cobalto dependia dos mercados de cobre e níquel, metais mais valiosos tipicamente extraídos junto com o cobalto.

Mas o crescimento dos preços de cobalto e a previsão do crescimento de consumo, de 8% a 10% por ano, fizeram seu status mudar, diz George Heppel, analista senior na empresa de pesquisas CRU Group em Londres.” — O metal precioso que está criando uma nova ‘febre do ouro’

DW: Carros elétricos à custa de trabalho infantil?

O trabalho de mineração é dividido entre todos. Os homens escavam as rochas na mina, as mulheres as lavam no rio, e as crianças são encarregadas de separar o cobalto da rocha com as mãos nuas. “Nem as crianças nem os adultos que encontramos usavam qualquer tipo de equipamento de segurança”, relata a pesquisadora Lauren Armistead, da Anistia Internacional.

Em maio de 2015, Armistead, seu colega Mark Dummett e uma equipe do grupo africano de monitoramento de recursos minerais Afrewatch pesquisaram as condições da mineração de cobalto na República Democrática do Congo. Quando o relatório deles foi publicado, em janeiro de 2016, causou sensação por mostrar as condições do trabalho infantil no setor de mineração artesanal.

“A criança mais nova que conhecemos tinha entre 7 e 8 anos quando foi enviada para as minas”, diz Armistead. “A maioria dos menores eram adolescentes, que fragmentavam as pedras recolhidas nas minas.” O pó tóxico que se forma quando as pedras de cobalto são fragmentadas pode gerar doenças pulmonares fatais. “Crianças e adultos reclamavam de problemas respiratórios, tosse e sinusite.” Além disso, os sacos com pedras de cobalto costumam ser pesados demais para serem carregados por crianças. E uma jornada de trabalho consiste de 10 a 12 horas no sol ardente, no frio ou na chuva.

A maior reserva de cobalto do mundo encontra-se na região de Copperbelt, na República Democrática do Congo. O cobalto é um subproduto da mineração de cobre ou estanho. Mais da metade da produção mundial vem das províncias Haut-Katanga e Lualaba, partes da antiga província de Katanga. É nelas que começa a jornada mundial do cobalto.

Das minas escuras e inseguras de Kasulu, o cobalto bruto passa por vários intermediários, muitos deles comerciantes trapaceiros e funcionários públicos corruptos, até chegar à costa congolesa, de onde é exportado para a China. Na Ásia, ele é trabalhado. Por fim, o cobalto limpo é entregue aos fabricantes de baterias de íon-lítio, cuja demanda não para de crescer. (…)

O preço de uma tonelada de cobalto gira em torno de 60 mil dólares. As crianças, mulheres e homens que escavam, fragmentam e separam as pedras na República Democrática do Congo recebem de 1 a 3 dólares por dia. As minas industriais, que são administradas por empresas internacionais, usam alta tecnologia, enquanto as minas artesanais, que respondem por 10% do suprimento mundial, dependem muito das crianças, que trabalham em condições miseráveis.

“Essas pessoas não têm outras alternativas para a sobrevivência”, diz Armistead, que é contra um boicote internacional. “Se as empresas boicotarem o cobalto da República Democrática do Congo, isso terá grandes consequências para essas pessoas, que mergulharão ainda mais na pobreza.”[grifo meu](…) -Carros elétricos à custa de trabalho infantil? | DW | 28.08.2017

Vale até repetir a citação:

“Se as empresas boicotarem o cobalto da República Democrática do Congo, isso terá grandes consequências para essas pessoas, que mergulharão ainda mais na pobreza.”- qualquer um tentando dormir um pouco mais tranquilo com qualquer coisa parecida com uma consciência

Quanta nobreza, a escravidão como humanitarismo, e depois não sabem como a extrema direita populista ressurgiu com toda a força, como poderia ressurgir algo assim dentro desse caldo de tamanha humanismo e civilidade mundial? Qualquer semelhança com os argumentos de um fazendeiro escravagista do século XIX, ou um um dono de fábrica do inicio da revolução industrial do século XX , não é mera coincidência. Aliás, as datações e nomenclaturas são meramente ilustrativas; afinal. quando foi que os argumentos mudaram? senão de eventualmente de cor e endereço?

Mas para não dizer que não falei das flores…

Blockchain ajuda a combater trabalho infantil na África

Enquanto a maior força do mercado relacionada a tecnologia de blockchain ainda é a valorização das criptomoedas e a possibilidade de investimentos, é preciso lembrar que muito da teoria da blockchain está ligado a ações que podem mudar o mundo e que podem, efetivamente, melhorar a vida das pessoas.

A blockchain e as suas capacidades de transparência e proteção contra fraudes, demonstram uma incrível habilidade de encarar alguns problemas que podem ser difíceis de serem resolvidos contando apenas com o envolvimento humano. Um dos últimos exemplos relacionados a esse potencial é a união da Ford, IBM e LG para combater a escravidão infantil em minas de cobalto na África.

As três multinacionais e a chinesa Huayou estão usando a tecnologia de blockchain para rastrear cobalto minerado na República Democrática do Congo. O cobalto é rastreado ao longo da cadeia de suprimento para produção de baterias para celulares, dispositivos eletrônicos e carros elétricos.(…)

As quatro companhias disseram que estão usando a blockchain para monitorar o cobalto que chega às fábricas através de uma base de dados à prova de fraudes. O rastreamento começa desde o ponto onde o mineral é extraído.

Com um controle mais rígido de onde o cobalto é extraído e por quais pontos ele passa, é possível identificar as minerações que utilizam o trabalho infantil e parar de comprar desses locais, o que, supostamente, diminui o lucro dos que estão agindo contra a lei.

A IBM pretende usar o caso como um teste piloto e que no futuro irá implementar a solução para o resto da indústria automotiva e de eletrônicos. O projeto está em execução desde dezembro do ano passado. -Blockchain ajuda a combater trabalho infantil na África | Guia do Bitcoin, Janeiro de 2019

Resolve? É claro que não. A não ser que o trabalho e a matéria-prima já tenham sido transformados em capital. Pois qualquer procedimento que gere custos, ou impeça o produtor de obter tanto a mão-de-obra quanto a matéria-prima a preço de banana, ou melhor da carne tenra e barata de criança é um impeditivo a própria produção e reprodução do capital, cuja transformação e aquisição depende dessa diferença de valores. Sem apropriação primitiva sem custos sem trabalho sem custos sociais ou humanitários, sem roubo e escravidão devidamente legalizada, ou seja que não pode ser indenizada depois, é simplesmente impossível acumular as quantidades necessárias de capital para erguer e mover impérios, não só empresariais, mas os estatais, e isso muito antes do advento do capitalismo propriamente dito.

Um mera questão de contabilidade. E em matéria de construção de impérios, a carne infantil sempre foi a mais fácil, dócil e barata, para os sacrifícios de todos as especies e esferas que sustentam a cultura de uma civilização, do Oriente ao Ocidente, do velho ao novo mundo, da antiga Suméria, até a Europa Medieval, até chegar em tempos mais modernos numa fábrica na China, Bangladesh, ou Paraguai a produzir o último grito da moda e tecnologia de Paris, Londres, NY ou mesmo nas altas rodas de SP. Não é a toa que o “medium” João de Deus, incorporava (ou dizia que), entre outros, ninguém menos de fundador da Companhia de Jesus, Inacio de Loyola, esse entendia constroem impérios, na base.

As máquinas diminuem os custos de produção. Mas enquanto as máquinas não reproduzirem a si mesmas, incluso o custo de extração da matéria-prima necessária para fabricá-las e mantê-las a um custo menor que o trabalho escravo e semi-escravo de quem não tem como se (mais) como se sustentar da sua terra sem se vender, pessoas serão escravizadas, ainda que com nomes mais modernos e bonitos. Uma relação de custo e beneficio, onde crianças nunca deixarão de ser uma opção de mão de obra barata para trabalhos ignóbeis, justamente pela naturalmente alta dependência carestia e pouca defesa e resistência que a infância possui por natureza que dificulta sobremaneira qualquer possibilidade delas se organizarem ou rebelarem como povo, classe, categoria ou gênero de qualquer espécie contra a exploração dos adultos da sua própria espécie. Dependem pura e exclusiva da solidariedade, que não é propriamente a mutual, mas a humana, quando não de familiares mais próximos ou de estranhos cada vez mais distantes, e quanto mais estranhos e distantes aos olhos que as veem como estranhos e estrangeiros (ainda que sejam elas que estejam em sua terra e não o contrário) menor as chances dessas crianças sobreviverem para se tornar adultos.

E pobre do pobre que acha que quando algorítimos ou máquinas subsistirem esses homens sua condição vai melhorar. Não vai. Primeiro porque essas máquinas e algorítimos reproduzirão os valores e interesses de seus proprietários. E segundo porque ao fazê-lo nessa nova condição onde esses seres humanos se tornarão obsoletos, eles não irão prover uma existência de ociosidade para eles, mas pelo contrário, senão puderem encontrar nenhuma nova função produtiva para tantas almas, tratarão de diminuir sua quantidade de bocas, simplesmente descartando deixando se virar como podem, e se essa solução por ventura causar mais prejuízos que o custo de uma eliminação mais positiva não titubearão em empregar todos os meios incluso as novas tecnologias para reduzir essas populações, seja diminuindo sua taxa de natalidade ou reduzindo sua expectativa de vida e interferindo positivamente no aumentando da sua mortalidade. Uma questão de contabilidade dentro da sua escala de valores e prioridades.

Sintomático, portanto, que a governo resultante da união entre os populistas antisistema e a extrema-direita italianas tenham produzido, um pequeno incidente diplomático com seus vizinhos francesas, na sequencia da sua briga de quem vai ficar com a cota do lixo da humanidade que está vazando das latrinas entupidas de mão-de-obra barata e expropriada e empobrecidade do mundo- do qual só para deixar claro, para quem, não sabe, fazemos parte.

A tensão entre os governos de França e de Itália por causa das políticas de imigração subiu mais um degrau nos últimos dias, depois de o vice-primeiro-ministro italiano, Luigi Di Maio, ter acusado Paris de continuar a colonizar África e contribuir para a imigração em grandes números para a Europa. Em resposta, o governo francês convocou a embaixadora italiana e disse que as declarações de Di Maio são “hostis”.

“Não é a primeira vez que as autoridades italianas fazem comentários inaceitáveis e agressivos”, disse à agência Reuters um diplomata francês citado sob anonimato.

A troca de acusações entre os dois países atingiu outro ponto alto no Verão do ano passado, quando o Governo italiano convocou o embaixador francês depois de o Presidente Emmanuel Macron ter acusado Roma de “cinismo e irresponsabilidade” por recusar a entrada nos seus portos do navio “Aquarius”, com 629 pessoas a bordo.-Governo italiano acusa França de colonizar África e criar refugiados

Não briguem. Quando se trata de cinismo, exploração, especialmente sobre a Africa, até nós da outra latrina do mundo, a latina-americana também temos nossa parcela de hipocrisia, pilhagem e corrupção diretamente proporcional ao tamanho da nossa participação nos lucros e dividendos. O Brasil não é do clube, nem teve colônias, mas se vira como pode, e come pelas beiras. Nosso comercio ainda é baseado em trafico das riquezas de terras e escravidão disfarçada da própria gente, ou seja basicamente ainda vivemos no lixo que produzimos, mas sempre que temos uma brecha, também jogamos o lixo no quintal do vizinho, e as vezes, até conseguimos deixar de ser só um país de corruptos propinados para corruptores bem sucedidos, ou pelo menos não se pode negar que tentamos.

Confesso, embora os autores não confessem, que tentamos; desastradamente, mas tentamos. Tentamos sair da condição geral de meros propineiros explorados, para propinadores exploradores. Tentamos nos capitalizar antes de sermos completamente descapitalizados. E falhamos. Mas não foi por falta foi por excesso de escrúpulos, pode perguntar para os executivos nativos daqui, ou os ditadores de lá, em juízo é claro. Definitivamente não, não foi por falta de “pragmatismo” que falhamos em nossas empreitadas d´além mar. Diria o menino do foguete de ontem, e estadista até segunda ordem de hoje, o ditador da Coreia do Norte, que o Brasil cometeu um erro primário, para não dizer infantil em suas pretensões primeiros mundialistas: faltou lastro para sua economia internacional, ou mais precisamente o único e verdadeiro lastro do valor de qualquer commoditie, incluso o das próprias moedas nacionais, armamento de gente grande. E quem não tiver uma bateria de lítio que atire a primeira pedra, ou a primeira bala se tiver um míssil de respeito, um míssil por favor, afinal o que somos?, estado-nações mero ou terroristas de protoestados?

Mas confissões imaginárias e alheias a parte. Eis que voltamos ao teatro de operações da America Latina, e seu momento mais atual. mais precisamente, o rica região onde está inserida os mares e terras semivirgens do Brasil e sobretudo a bola da vez, Venezuela, mundial.

Os pemones passaram séculos vivendo segundo suas próprias leis e costumes nesta área, que tem com maravilhas naturais como a cachoeira de Salto Ángel — a queda d’água mais alta do mundo e um dos principais cartões-postais da Venezuela. A região também é extremamente rica em recursos — especialmente jazidas minerais.

Mas, no último dia 8 de dezembro, este povo indígena ganhou as manchetes da mídia venezuelana depois de um episódio turbulento.

A imprensa local noticiou a morte do jovem pemon Charly Peñaloza, de 21 anos, morto na área do acampamento El Arenal, próximo ao rio Carrao, por um destacamento da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), do governo venezuelano.

Segundo o relato da imprensa local, Peñaloza foi morto enquanto defendia outros indígenas que foram alvo de um ataque com armas de guerra. A incursão teria sido parte de uma operação secreta da DGCIM e da Corporación Eléctrica Nacional (Corpoelec), a companhia estatal de energia elétrica da Venezuela.

Por estarem em maior número, os moradores acabaram rendendo os servidores da DGCIM e da Corpoelec, e capturaram alguns deles. Também ficaram com as armas e explosivos dos funcionários.

Os líderes pemones classificaram a morte de Peñaloza de “assassinato” — assim como a Anistia Internacional, uma ONG transnacional que agora exige o fim das agressões do governo venezuelano contra a comunidade indígena.

‘Combate à mineração’

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, demorou até o dia 12 de dezembro para mencionar o episódio.

Disse que o conflito foi parte do “combate contra a mineração ilegal, que causou um dano terrível ao Parque Nacional Canaima”, e assegurou que “há grupos armados que conseguiram se infiltrar nas aldeias indígenas”.

Mas não há apenas um interesse ecológico por trás da ação do governo.

Desde que começou a perder receitas do setor petroleiro e a sofrer sanções econômicas dos Estados Unidos, Maduro têm dito que a combalida economia venezuelana sobreviverá graças à exportação de riquezas minerais.

Em 2016, o governo criou a Zona de Desenvolvimento Econômico Nacional do Arco Mineiro do Orinoco. Trata-se de uma tentativa de criar uma fonte alternativa de renda com base nas minas desta região, que se estende desde a fronteira com a Guiana, ao leste, até o Brasil, ao sul. Além de ouro, a região tem ferro, bauxita, diamantes e coltan (um tipo de minério rico em nióbio e em tântalo) em abundância.

Nos últimos anos, Maduro fechou dois acordos com a Turquia para a venda de ouro venezuelano, evitando que este comércio seja paralisado pelas sanções de outros países.

Ambientalistas alertam para o fato de que o garimpo irregular que proliferou nos últimos anos ameaça não só a bacia do Orinoco, mas também a região paradisíaca habitada pelos pemones.

São três milhões de hectares de natureza selvagem, reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Unesco. A região abriga ainda os montes Tepuyes, uma das formações geológicas mais antigas e singulares do mundo.

Os pemones acusam o governo de usar o pretexto da proteção ao meio ambiente para militarizar a região e assim garantir o controle dos recursos naturais. O Ministério das Comunicações da Venezuela não respondeu o pedido de informações da BBC News Mundo sobre a situação em Canaima.

Quando Maduro comentou o assunto, em 12 de dezembro passado, os pemones já estavam protestando pela morte de Peñaloza. Interromperam o tráfego na rodovia Troncal 10, que liga a Venezuela ao Brasil; deram início a uma greve geral e tomaram o controle do aeroporto de Santa Elena de Uairén, próximo da fronteira com o Brasil — portanto, é impossível agora acessar Canaima sem a autorização deles. (…) -Quem são os indígenas que se rebelaram contra o governo Maduro na Venezuela

Esqueça, as bobagens sobre ideologia, incluso democracia, direitos humanos e afins, porque em nenhum dos lados da trincheira esses valores não passam embora não sejam só isso, não passam de mera instrumentos e manobra e manejo de massas, propaganda e engenharia para conquistar mentes e corações. No final das contas a economia se resume a uma disputa geopolítica, uma disputa por territórios, suas riquezas e claro seus povos, como mão-de-obra para a riqueza das nações, leia-se, a riqueza de quem governa as nações, e se você, acha que é o povo, então com certeza é porque você não faz parte de quem de fato administra esses corporações estatais, nem é faz parte do board dos seus “sócios” que recebe seus lucros e dividendos, a sociedade de fato de uma nação.

Seja nas terras indígenas amazônicas, ou nos mares da China e Japão, ou ainda na corrida espacial, o interesse é desses grandes Estados-Nações e seus tentáculos corporativos transnacionais, de fato maiores que muito poderosos que muitas Estados-Nações, é um só: as fontes necessárias para a reprodução do capital, ou seja, matérias-primas e mão-de-obra. Porém, não a uma razão muito mais desesperado do que o capital pelo capital, mas o capital como a alimento absolutamente indispensável para manter essas máquinas estato-privadas funcionando. E considerando que gente pobre e desesperado não é um bem raro e escasso, muito pelo contrário é um bem que de se produz e reproduz seja com políticas econômicas e governamentais, incluso como mero efeito colateral da própria pilhagem das riquezas da terra, podemos resumir essas disputas a sua razão estratégica prioritária: as riquezas das nações. O resto, ou seja, gente para ser empregada, vem como mera consequência da conquista.

Uma equipa de investigadores japoneses quantificou em 16 milhões de toneladas as terras raras presentes numa área localizada no fundo do Oceano Pacífico, o que poderá ser suficiente para abastecer o mercado mundial durante centenas de anos. Até agora, 97% das reservas mundiais destes elementos minerais fundamentais para a indústria de componentes electrónicos estavam nas mãos da China.

O Japão poderá desta forma fornecer o mercado mundial de forma virtualmente infinita, de acordo com um estudo publicado na revista Nature esta quinta-feira. Aos valores de consumo actual, a reserva encontrada em 2013 e agora quantificada equivale a pelo menos 780 anos de consumo mundial de ítrio, 620 anos de európio, 420 anos de térbio e 730 anos de disprósio, minerais necessários o fabrico de baterias de carros eléctricos, turbinas eólicas, painéis solares ou telemóveis, entre outros produtos.

A área em causa tem mais de 2000 quilómetros quadrados e situa-se ao largo da ilha de Minamitorishima, a 1800 quilómetros de Tóquio. Foi identificada em 2013, mas só agora se conhece o seu potencial de exploração.

“A enorme quantidade de recursos e a eficácia do processamento mineral são fortes indicadores de que esta reserva de terras raras pode ser explorada num futuro próximo”, lê-se no estudo. Agora, um consórcio de empresas japonesas (algumas delas apoiadas pelo governo nipónico) e de investigadores planeia conduzir testes de viabilidade da exploração durante os próximos cinco anos, de acordo com o Wall Street Journal.

Em 2012, a China impôs restrições ao acesso a 17 minerais com propriedades químicas e electromagnéticas indispensáveis ao fabrico de produtos de alta-tecnologia. Estas restrições motivaram uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC) por parte dos EUA, União Europeia e Japão, alguns dos principais afectados.

A quota de exportação chinesa está oficialmente fixada pela OMC, mas por vezes a China deixa de fornecer terras raras a certos países. Foi o que aconteceu em 2010 com o Japão. Motivada por medidas proteccionistas do governo chinês e por uma disputa diplomática com o Japão, os preços dos minerais aumentaram quase dez vezes para os japoneses, que foram forçados a importar de outras partes do mundo. Desde 2010 que procuram as suas próprias terras raras.- Japão identifica reserva “quase infinita” de terras raras

A geopolítica internacional é mar de tubarões, onde quem sangra deixa imediatamente de ser caçador para ser caça de seus outrora parceiros. É a bola da vez. Toda a retórica envolvida, todos argumentos e razões e justificativas, tornam esse processo mais complexo, mas não antera a sua natureza, nem a nossa, continuamos a ser tribos de primatas a disputar a urros, batidas no peito, e claro se necessário for assassinatos nossos territórios. A diferença, é que ao contrário os demais primatas não existe território com recursos que bastem para sustentar nosso modo de vida. Não por uma questão malthusiana, de mera expansão geométrica da população versus a aritmética dos recursos, mas sim por uma questão de preservação de culturas, que se desenvolveram e não tem como se sustentar se não pela predação e pilhagem do espaço vital alheio. Não é portanto a toa que a economia, ou mais precisamente a economia politica seja a ciência da administração dos recursos dos recursos escassos, não importa o prazo, num dado momento todos sempre serão. De tal modo que mesmo que houvesse qualquer fonte de energia infinita, longe de frear essas eterna guerra, ela apenas forneceria combustível sem limites para continuá-la, pois o paradigma continuaria o mesmo, e teríamos apenas uma ou mais fonte de recursos ilimitados para acelerar sem parar a disputa e exploração até o fim, seja ele qual for, dos demais que continuariam se tornando cada vez mais escassos. Com uma fome predatória tão insaciável, mais realista portanto seria portanto começar a pensar em partir para colonizar outras mundos. E é exatamente isso que nós, aliás nós não eles, estão fazendo, o topo dessa cadeia alimentar canibal e armados para o dentes para evitar concorrência nativa.

Trocamos de teatros e cenários, e as vezes os atores, mas o roteiro, a direção, e sobretudo a trama continua sempre a mesma, ruim, diga-se de passagem. Não é portanto de se surpreender que a história se repita não só em diferentes tempos, mas em diferentes espaços quase ao mesmo tempo com ligeiras mudanças e peculiaridades locais. E eis que uma Venezuela corre o risco de se tornar o próximo palco das disputa dos grandes disputas grandes chacais da atualidade que não agem como leões, nem abutres, mas como hienas. O espetáculo está pronto, um ditador e uma burocracia corrupta disputa a matar e deixar morrer quantos forem necessários para se manterem no poder, e potencias sempre prontas para intervir até onde puderem para manter e claro expandir suas zonas de interesse concorrentes. Liberdade? Igualdade? Fraternidade? Comunismo? Democracia? Justiça? Não sejamos tolos, povos fazem revoluções por causas como essas, porque são suas causas e interesses. Corporações estatais e privadas, ou melhor seus donos, diretores pensantes ou servos burros, não. E por uma simples razão, há um conflito de interesses aqui, e sobre meios e recursos escassos, ao menos para satisfazer ambos interesses que não são apenas concorrentes, mas contrapostos.

A humanidade dentro da ordem inter-nacional (e não raro dentro da própria realidade doméstica nas nações que não tem poder econômico nem militar para externalizar seus custos vive) como um bando de náufragos numa ilha onde o mais fraco e desavisado é a jantar. E a história é o papo jogado fora entre os convivas para terem uma boa digestão, ou melhor, para não terem uma congestão, a conversa absolutamente necessária para esquecerem que alguém será o próximo. E como diria o estadista de periferia: antes ele do que eu. De fato, nisto consiste toda a sabedoria possível da política externa de prudência de tantos países periféricos e impotentes por comparação as grandes potencias: antes ele do que eu. E deixa um pedaço da asinha, que ninguém é de ferro.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.