Liberdade, consciência e ideologia

Consciência versus ideologia: Não é só o peixe que morre pela boca.

Era para ser só um texto sobre a “ética” corporativa, mas virou uma reflexão sobre… muitas coisas.

Fala-se em holocausto, pensa-se em nazismo. Fala-se em genocídio de povos negros e indígenas e imediatamente pensa-se em escravagistas e colonizadores brancos. E não perder isso de vista, quando se reflete friamente sobre a questão é fundamental para compreender e evitar que tais crimes se repitam. Contudo, não basta. Não é suficiente, porque embora seja uma ordem de causas e consequências absolutamente correta, ainda está incompleta.

É mais do que evidente que o genocídio, o extermínio em massa, está diretamente ligado a propagação das ideologias de ódio, preconceito e supremacismo- tanto racial como nacional- e ninguém em sã consciência, advoga o contrário… fora é claro os próprios pregadores e seguidores fanáticos e propagandistas fundamentalistas dessas ideologias. Mas é um erro tomar essas ideologias de supremacismo e ódio que são inegavelmente a causa direta nesse processo de extermínio como se fosse a causa primeira desse crimes contra a humanidade. Não são. Um erro que não é cumplice desse crime, mas ainda é fatal, pois nos coloca a mercê desses criminosos.

Logo, quando digo que a a explicação para monstruosidade não se encerra meramente na sua loucura correspondente, não estou negando a relação direta entre a pregação do ódio, preconceito e violência na corrente de causas e consequências, estou afirmando que a propagação dessas ideologias são sim a causa imediatamente e última, anterior as vias de fato, mas não são nem de longe a primeira. o primeiro elo da corrente. Não são a origem do problema, mas parte intermediaria do processo, a ultímo etapa imediatamente anterior a barbárie. É portanto não só causa imediata desses crimes, mas igualmente produto da mesma causa original e etapa nesse processo.

Lógico que nem na origem nem em nenhuma parte do processo, as chamadas causas são únicas, mas uma somatória de fatores. Mas há fatores que são meramente condicionantes, enquanto outros, determinantes e a esses chamamos de causas. A vulnerabilidade das populações,por exemplo. Ela é a condição (e fator condicionante) que mais facilita a ocorrência e disseminação desses pensamento criminoso. Entretanto assim como não é um monte de lixo que cria os ratos por geração espontânea, nem é a mera ocasião faz o ladrão, também não é a pobreza nem a propaganda do terror e do ódio que grassa nessa vulnerabilidade social os fatores que constituem a gênese dessas ideologias contra-sociais e anti-humanas. São definitivamente seus vetores, mas não as matriz.

A matriz, que precisa comportar tanto os fatores determinantes quanto os condicionantes, tantos como causas quanto como seus vetores precisa possuir muito mais do que só propaganda ou mesmo as condição material de vulnerabilidade para que tais pensamentos e enfim atos sejam tomados por são e normais. A matriz precisa ser tanto o próprio campo cultural onde esses ideologias germinam quanto ter o clima social, que as permitam crescer e se espalhar uma vez plantadas. A matriz é muito mais do que uma condição social é a própria cultura, cultura político, econômica e social. tanto como mentalidade quanto na sua concretização institucional como status quo. É um paradigma institucionalizado social. De modo que se o ódio é a semente desse fruto do mal, essas culturas são os campos ideias para seu cultivo. A matriz.

O extermínio e o genocídio, explicito ou branco, não é simplesmente algo que acontece. Não é uma falha do sistema, acidente de percurso, ou condição circunstancial. Pode-se não conhecer, reconhecer ou até mesmo renegar a relação causal entre as ideologias que se propagam e as mentalidades que culturalmente são suas hospedeiras, nem sempre como parasitária oportunistas a aproveitar as suas falhas, mas muitas mais comumente como relação mutual simbiótica. Uma relação que permanece latente e adormecida em tempo de calmaria, mas que sempre vem a tona para atacar com todos os meios disponíveis quem ou o quer que seja identificado como o inimigo dos organismos que constituem o sistema, primeiro com ideias ameaçadoras depois como a prática das mesmas se só o medo e a ameaça não for suficiente.

Ideologias de ódio identificam e explicam quem e porquê tais crimes são cometidos, mas não explicam quem as cria ou porquê, propositada ou irresponsavelmente. E não explicam nem podem contém a explicação, porque não ao contrário do que se propaga não são a causa geradora de si mesmos. Há quem se contente em acreditar que essas pessoas são apenas dementes e insanas. Porém se contentar com esse tipo de explicação é parte da mesma insanidade que conforma os potenciais algozes, mas suas futuras vítimas. Quando simplesmente qualificamos tais pensamentos e comportamentos como loucura, ou pior nos contentamos como esta palavra como se ela fosse capaz de explicar causas e porquês, pode ter certeza os louco somos nós. Loucura é um nomes que dizem mais sobre nossos problemas e suas causas incluso o desconhecimento dos problemas e causas alheios, do que qualquer coisa sobre os problemas e suas causas que não só entendemos, como não queremos propriamente entender. Em geral, não dizemos que nosso entendimento não compreende as causas e razões desse fenômeno, dizemos que é o fenômeno que não possui sentido razão ou causa. No plano cosmológico usamos os coringa do acaso e arbitrário, no plano psicológico, o seu par, o coringa da loucura ou insanidade para sustentar nossa visão de mundo, não importa o quão insustentável, vulnerável ou obsoleta ela já seja.

Porém diferente da cosmologia na pisicologia, nem tudo o que não entendemos ou entendemos como mero acaso ou arbitrariedade não está propriamente além dos horizontes da nossa compreensão, mas pelo contrário, está perfeitamente profundamente enterrada e guardada a sete chaves dentro de nossa mente. O que não queremos é olhar para dentro desse arcabouço das nossas inconsciências. E não queremos olhar, porque é impossível abrir os olhos e não ver os muros e fronteiras que construímos para não enxergar além o horizonte do confortável da normalidade e entendimento.

O que nos incomoda profundamente em tentar entender a mente de sociopata ou estatopatia, seja ele um predador solitário, ou o líder de uma seita de fanáticos por seus delírios não é ver o ser humano por traz da monstruosidade dos sues atos, mas ver a nossa própria monstruosidade refletida na desumanidade de quem é nosso semelhante. Talvez esses bloqueios advenham porque intuímos que muito da responsabilidade por esses crimes não pode ser atribuída a loucura de outros, mas a irresponsabilidade da nossa de uma mentalidade e realidade confortável ou reconfortante que não queremos colocar em questão, e que compartilhamos inclusive com o talvez seja a mais perigosas das loucuras enquanto psicopatia, inclusive pelo número de vítimas, a tirania.

Na verdade esse é um procedimento psicológico padrão de negação frente a qualquer evento ou fenômeno que estresse os limites dos nosso modelos paradigmáticos de entendimento, que sendo fundados em pressuposições, julgamentos e prepotências não conseguem lidar ou lidam muito precariamente com padrões que desafiam a as pressuposições de normalidade para o bem ou para o mal. De modo que quase nunca conseguimos reagir a tempo de abraçar um, e afastar o outro. E a humanidade vive mais de colocar trancas em portas arrombadas do que propriamente prever, precaver e se livrar dos males. Vide a declaração dos direitos humanos ou as nações unidas.

Em suma é mais comodo atribuir a responsabilidade exclusiva a esses atos criminosos a essas ideologias, fingindo que essa loucura e propagação nasce sozinha por geração espontânea, e não é fruto daquilo que consideramos a nossa absoluta normalidade. Aparentemente é mais comodo a nós enquanto enquanto massa, não pensar sobre isso. Mais comodo, mas não seguro. Tal proceder é comodo mesmo só a quem realmente interessa que esses sistemas e processos não sejam colocados jamais em questão. Até porque a eles que desfrutam de todos privilégios e comodidades, incluso de não serem questionados, tais assunto não são fonte de conforto, nem desconforto, não são objetos para o questionamento, e sim para a conformação… do outro, é claro. Conformação do outro a mentalidade e visão de mundo que lhe interessa.

Não é só uma questão de definição da normalidade, e logo da loucura, suas respostas e questionamentos. É uma questão de controle das definições de realidade, que por sua vez definem a normalidade ou loucura de quem adere ao não ao que é dado ou imposto primeiro como real depois como legal. No fundo a raiz da palavra entrega que a origem do conceito é a mesma e permanece a mesma : o rei e a lei, não importa o quão louco ou nus estejam. É portanto sem dúvida questão epistemológica e pisológico, mas que estão devidamente submetidas aos interesses estratégicos políticos e econômicos que tem sua própria ordem e logos, o ideológico.

OS interesses políticos e econômicos, esteja algum campo transcendental, pairando como a realidade ou representação verdadeira dela, acima dos princípios que e valores que governam as massas. Muito pelo contrário, essa visão onde um certo conjunto de valores e princípios ou mais precisamente ausência deles, corresponde a realidade também não deixa de fazer parte da propaganda de massas e visão de mundo das lideranças e suas “massas populares”. Parte portanto de ambas as pisques, mas de forma e com função conceptivas completamente distintas. Pois se na psicologia das massas, esses valores não são sequer concebidos ou percebidos como elementos ideológicos, mas como realidade ou normalidade conformativa; na psicologia das lideranças não são nem uma coisa nem outra, nem ideologia, nem realidade ou sua representação, mas as ferramentas preconceituais dessa conformação e deformação ideológica. Componentes da matriz onde as ideologias são inseridas como programas de arquitetura social e comportamental. Uma matriz mental, onde a própria discriminação entre preconceptores e preconcebidos, entre sujeitos e objetos redunda em divisões de todos os tipos, (classes, espécies, genes…) e seres, incluso os humanos. Um abstração, tomada como um dado tão natural e como se concreto fosse, tanto quanto as próprias fronteiras próprias geopolíticas e divisões e classificação que constituem domínios como se fossem territórios.

A mente conhece discriminando os seres e reduzido-os a ideias. E isso não é o problema, mas o fenômeno que permite e constitui a cognição. É um procedimento intelectivo absolutamente necessário para produzir o conhecimento. O problema está em pressupor que o produto final desse processamento mental as coisas concretas correspondam a realidade e não a ideia abstratas que fazemos dela. Reduzir os seres a entidades matemáticas, por exemplo, números ajuda compreender a realidade de uma forma que sem esse proceder seria impossível, entretanto se ao final do processo ignoramos que o produto desse raciocínio não corresponde aos seres, mas aos seres reduzidos a estes signos, produz o erro ou ilusão que de essas projeção das coisas concretas a partir das abstratas e compostas pelas idéias é a própria representação da realidade dos seres, a imagem ou reflexo, e não a reflexão.

Esse é não é um erro menor, mas gigantesco. Porque ao supor que as coisas concretas compostas são a representação da realidade, não só ignoramos que a existência real dos seres e fenômenos vão além do conhecemos ou supomos inexistente porque ignoramos. Não só passamos a projetar a nossa ignorância o incognoscível como se fosse uma propriedade da realidade- como se o nada “existisse”, e não fosse a projeção como coisa concreta de uma ideia abstrata necessária as operações mentais- Mas também passamos a atribuir arrogante e prepotentemente que tudo que constitui o ser que não esteja ao alcance da nossa cognição e redução a coisas concretas, é nada, não existe. E logo se somente aquilo que conseguimos conceber como coisas concretas corresponde a realidade da existência, não sendo o ser nada além do que o essas coisas concretas. E o sujeito enquanto outro sempre um objeto daquele que concebe seja para estabelecer como coisa ou ser, como se essa sua propriedade dependesse da autoridade ou autorização do julgamento e jurisdição do outro para existir de fato e e ser reconhecido justa e naturalmente como tal.

Não surpreende portanto que nesse modelo inconsciente de como produzimos nossa conhecimento e a ciência dos seres como se fossem coisas, tendamos a supor que de fato os outros seres não passem de coisas, sejam na realidade como os objetos da nossa percepção e ordenação, apropriáveis enquanto objetos e não seres que são de fato sujeitos da sua própria existência. Quando o mundo dos fenômenos é exatamente o contrário. O entendimento consciente do ser não se dá por aquilo que concebemos como ideias abstratas nem coisas concretas sobre sua realidade, mas sua realidade é reconhecida justamente aquilo que percebemos como suas propriedades que não nos pertencem, nem mesmo como concepção quanto mais como preconcepção. Nas suas propriedade que existem para além das nossas concepção. que não são exatamente o produto do conhecemos, mas do que somos capazes de reconhecer por consciência dos limites e limitações inerente da nossa mente e cognição, como o real e a realidade. O ser não é portanto aquilo que temos ciência como objetos do nosso conhecimento, mas justamente aquilo que temos consciência que existe além da nossa ideias de coisas abstratas ou concretas. Um conhecimento que não se produz pela ciência do que é objetivado, mas pela ciência do está fora da compreensão e apropriação da própria cognição, isto é, a consciência que como força é a vontade sobre as vontades mas como estado é a ciência da nossa própria ciência.

Passamos a conceber que a existência de um sujeito é uma condição passível de apropriação conceitual e até concreta de outros sujeitos, quando essa concepção é produto justamente da falta de noção dos limites da nossa cognição, ou o que é equivalente a pressuposição de que essa cognição limitada pode compreender perfeitamente a realidade dos seres. Sem essa consciência de que tomamos ciência dos seres imperfeitamente primeiro como coisas abstratas e depois concretas, tendemos a cometer o erro do cientista que toma e disseca seres vivos como se fossem relógios a buscar entender a vida como se fossem engrenagem.

E evidente que não deveriamos ao não encontrar as engrenagens do fenômeno da vida não descarta que o ser vivo não um relógio, mas que a vida sim que é mais do que ilusão de arquitetos e suas engrenagens. Porém esse humano fechado em sua próprio mundo decreta que aquilo que vê e concebe é o real, e a realidade do ser que não pertence nem é lhe é apropriável sequer como objeto de saber não existe. E assim se faz senhor para dispor da vida desses seres como quiser, porque eles de fato não passam coisas. E se o quanto este indivíduo está disposto a de fato crer e por em prática essa fantasia de coisificação de todos os seres incluso seus semelhantes determina o grau de periculosidade dessa mentalidade psicopática. O quanto os demais estão dispostos a permitir que ele adquira meios concretos e até mesmo institucionais, políticos ou econômicos (como por exemplo o controle de empresas ou até mesmo do estados com suas forças armadas como dirigente) determina não só a vulnerabilidade de seus sistemas a sua instrumentalização, mas afinidade com a mentalidade a qual se permitem dominar.

Poderíamos supor que portanto que tal redução dos seres a coisas e objetos de discriminação e apropriação daqueles que se consideram os sujeitos exclusivos ou superiores do mundo é apenas um erro epistemológico de pressuposição da representação da realidade como sua correspondência. Uma falta de consciência daqueles que tomam suas ideias que são coisas abstratas, construtos mentais, como se fossem ou pudessem compreender ou representar a ordem da realidade e natureza dos seres e fenômenos, reduzindo-os assim a qualidade de meras coisas concretas quando são aquilo que nenhuma objetivação ou reificação pode representar nem dar a compreensão perfeita: seres e fenômenos. Mas se assim o fosse, um erro involuntário derivado da ignorância e prepotência há muito ele já teria sido corrigido pela experiências das suas consequências nefastas e desastrosas. Inegavelmente é um erro, mas um erro que não se pode dizer que se desconhece historicamente os danos que causa. Um tipo de erro que portanto que quando não é cometido contra sua própria vida e humanidade mas contra a dos demais tem outro nome : crime.

Não é um acidente.

Podemos facilmente imaginar, basta olhar para o Facebook, uma condição onde populações inteiras “de idiotas”, trabalham sem perceber para manter sua condição, se sabotando em suas bolhas. Uns a convencer, persuadir, e reforçar o comportamento uns dos outros. Mas por quanto tempo podem viver assim? Principalmente quando não se trata do mundo virtual, mas do real? Há menos que se acredite que existe uma sorte que permite alguém praticar roleta russa por toda eternidade sem levar uma bala na cabeça, as chance do ser humano idiotizado de sobreviver nessa condição sozinho é ínfima. Da mesma forma que por outro lado, não importa quantos cegos estejam a se guiar uns aos outros, a chance de cair no poço não só é exatamente a mesma, como ainda é maior! justamente pela falsa sensação de segurança que o comportamento de manada produz. Logo, se pessoas vivem como idiotas, imbecilizadas em graus tão extremos de dependência é porque há no mínimo um ou mais entre eles os guiando que não seja completo cego ou imbecil a guiá-las, explicita ou tacitamente na arquitetura da sua ilusão de liberdade, como processo de escolhas entre opções predeterminadas sobre que coisas preconcebidas.

Há de haver “alguém” que não só os mantendo vivos nessa condição, mas rigorosamente falando os mantendo nessa condição por toda a vida. prisioneiros da imbecilidade a serviço de seus imbecilizadores. Pois a mesma mão que os guia, poderia retirar o véu que encobre a sua visão até com menos esforço do que os mantém. E se não o faz, é porque seu interesse esta em manter e se assenhorar das manadas de alienados como idiotas úteis. Para quê, não é questão. Porque um idiota alienado é um idiota alienado, e sua serventia é exatamente essa: fazer qualquer coisa que quem quer que o aliene e comande, mande.

Em suma onde a idiotia é base de um sistema político e econômico de produção há de haver os idiocratas, pois não existem alienados sem seus respectivos alienadores. Encontrar um idiota pelo meio do caminho, não é sinal de nada, já encontrar uma multidão deles e não se perguntar pela fábrica, ou pior encontrar a fábrica e não se perguntar quem são e onde estão seus donos é sinal de muita coisa, a começar que somos também idiotas, porém não temos como perceber, porque uma vez idiotizados a primeira coisa que perdemos a capacidade de perceber é justamente os sinais.

As ideologias de ódio que se propagam e potencializam em momentos de crise sistêmica o extermínio em massam, pertencem portanto ao campo da psicologia das massas, que podem estar mais ou menos alienadas das suas causas e consequências teratológicas, mas não pertence a pisque nem psicologia dos idiocratas, daqueles que como ideólogos e alienadores se consideram seus manipuladores condutores, seja como vigias, diretores ou ditadores. Essa “outra” mentalidade- que compõe a psique daqueles que se concebem como lideres políticos, econômicos, sociais ou religiosos- não é regida pela leis e ordens que eles mesmo pregam, mas pelas por suas próprias doutrinas.Mentalidade onde ódio e amor são meras peças de propaganda de guerra ou de paz; e a paz e a guerra meros estados e posições estratégicas feitos para flutuar de acordo com seus interesses. Nelas as consequências não são boas ou ruins mas mais ou menos conformes aos objetivos e resultados esperados. E o que nós, as massas chamamos de mal quando não é meio, ou objetivo, é mero efeitos colateral, perdas irrelevantes frente as conquistas planejadas nas lentes dessa cracia.

Pregadores portanto que se acreditassem no bem ou mal, no amor ou ódio que pregam como necessários seriam péssimos ideólogos. Seriam como mestre em hipnose que se deixam hipnotizar junto com a multidão, como publicitários ou empresários que compram o lixo que vendem. Assim do ponto de vista da mentalidade psicopática dos dominadores, a loucura nunca estará no seu desprezo ao sofrimento alheio nem na predisposição a fazer qualquer coisa para se conseguir o que querem, mas no máximo naquele que ocupando a posição privilegiada deles, de liderança, passar mesmo acreditar no credo que propagam como mitos ou encarnam como ídolos. É definitivamente um erro para não dizer uma crendice muito conveniente crer que a gênese das monstruosidades cometidas pelo homem contra o homem, se origine da loucura ou mera ascensão de loucos ao poder. Quando não só esses loucos como a loucura da suas ideologias são o produto da mentalidade de outros ideólogos que se acreditassem e seguissem o que pregam teriam o mesmo fim que seus seguidores. A falsidade ideológica e a demagogia que são por eles consideradas como falhas de caráter pelos crédulos, são para os amestradores mais do que uma virtude, são a práxis da sua ideologia, uma necessidade profissional. sem a qual cairiam em transe junto com os hipnotizados. ou comprariam as ideias que vendem- as vezes acontece. A guerra e o genocídio não é contudo a mera falha que “acontece” no sistema quando ascende ao poder um “maluco” que acredita mesmo no discurso de ódio que prega. Sem dúvida que essa ascensão esteja diretamente relacionada a muitos dos piores crimes contra a humanidade, mas não não é exatamente uma “falha”, mas o mal necessário, onde o mal é nada mais que um efeito colateral para quem pensa que seus fins (sejam eles ideais ou materiais) justificam o emprego de qualquer meios necessários. E por serem considerados necessários, não raro passam a ser considerados como parte objetivos, apenas uma de suas etapas de consecução. Entre seres inteligentes para cada crime contra a vida e humanidade não há só uma uma quantidade absurda omissos lavando as mãos em nome da comodidade, mas cúmplices não só por saber da insanidade, mas que por deterem posses e poderes para impedir (e logo permitir) fazem justamente isso, o contrário, encobrem ou armam os genocidas. Permitem que eles pratiquem seus holocaustos não só para não terem que renunciar aos seus privilégios, mas até mesmo para pilhar seus corpos impunemente.

Se detivéssemos poderes e posses iguais seria justo afirmar que nossas responsabilidades sobre esses crimes contra a humanidade e natureza são de responsabilidade igual de todos. Mas não são. Sim eles são responsabilidade de todos na exata medida equitativa de nossas posses e poderes para impedir- permitir, dificultar-facilitar esses crimes. A responsabilidade é proporcional a esses poderes políticos e econômicos. E portanto não é exatamente a desigualdade de posses e poderes o fator determinante desses responsabilidade ou cumplicidade criminosa, mas sim a posse e o poder exercido como se fosse um privilégio e não uma responsabilidade, como se ela conferisse apenas direitos não os deveres correspondentes. E o emprego irresponsável de posses e poderes sobretudo os que matam, ferem ou privam os demais, da sua vida e liberdade longe de ser um erro, acidente ou engano. É uma instituição, produto cultural de uma mentalidade.

Nossa cultura de idolatria a posse e poder implica necessariamente em coisificação dos seres para poderem ser possuídos e submetidos ao julgamento e controle de quem possui a jurisdição e governo sobre os seres reificados nessas relações, seja dentro do território de uma empresa seja dentro de um Estado, ou mesmo dentro de dominados pelo tráfico. Não importa se é no morro e periferias ou nos centros e planaltos se o território tem dono, isso quer dizer que os demais que o habitam não o são. Ou você é o sujeito que toma as decisões sobre o que é seu objeto ou também seu objeto, ou é o nada mais do que mais um objeto de possessão quem toma as decisões. Recurso, humano, mas ainda sim recurso. E é por isso que se você não é o soberano absoluto sobre o que só pertence, seu pensamento e corpo, nem o co-soberano, sobre o que é bem comum, você não é um pessoa livre mas uma alienado, uma pessoa segregada dos meios necessários para ser ela mesma em igualdade e respeito não só a participação no mundo e seu destino, mas antes disso da sua próprio-concepção, a concepção do sujeito que você é ou quer vir a ser nesse mundo.

Entretanto a nossa ideia de soberania está tão contaminada pela tirania, pelo desprezo a vida do outro como sujeito igual do mundo, que confundimos constantemente soberania sobre nossas vidas com tirania absoluta sobre a alheia, emitindo e intervindo com a naturalidade de células de um estado policial no viver uns dos outros como se a mera existência alheia ofendesse, ou sua forma de vida nada representasse perante a suprema autoridade monopolista da nossa. A porta constantemente aberta para todo reino do terror, o trono.

Não existe soberania absoluta nem mesmo sobre aquilo que pertence legitimamente a nos para governar sozinhos como nossos bens mais particulares e inalienáveis. O poder, e o direito de poder, decidir por conta própria, não implica em poder ou direito de decidir a revelia do respeito a autodeterminação, soberania e jurisdição do que nossas ações

Mesmo sobre nosso corpo sob o qual tão somente a nós mesmos pertence o direito de controle e tomada de decisão, nossos poderes estão delimitados pela responsabilidade e por isso mesmo são denominados muito mais propriamente liberdades e não poderes. Porque nunca são absolutos, mas relativos, e variam conforme as possibilidades que não são só delimitas pelas circunstâncias e condições são constituídos por elas. E assim como é obvio que o dono ou o condutor da força motora de um veículo ou do seu próprio corpo não detém essa posse ou controle para fazer o que quiser com eles, mas não passar por cima de onde ou quem bem entender. O mesmo vale para nossos juízos e julgamentos, somos livres para emití-los como bem entender, mas não para os impor como sentenças sobre coisas que não temos nenhuma jurisdição absoluta ou monocrática, mas sim compartilhada, e nem muito menos para impor juízos ou sentenças sobre o que sequer temos qualquer jurisdição, a existência e o modo de ser alheio. Legitimamente só temos o direito ou o dever de intervir sobre o que nos pertence como jurisdição, ou seja como liberdade para defender o que é nosso e não propriamente como poder para subtraí-la ou concedê-la o que é alheio. Ou seja legitimante não é o poder que define as jurisdição, mas o respeito a liberdade que define a natureza e legitimidade das nossas posses e poderes. se eles são arbitrária e tirânica violentos e violadores por degeneração e corrupção da liberdade, ou estão estabelecidos dentro dos limites da nossas liberdades e juízos que os constituem por justiça. Seja socialmente enquanto acordo consensual entre as pessoas de paz ou unilateralmente em defesa contra a tomada de posse, mando ou juízo imposto por tiranias, invariavelmente apelando aos meios que as define na prática: o convencimento devidamente subsidiado pela ameaça da violência, violação e privação.

E isso vale para essa propriedade, não vale apenas para essa máquina, mas para qualquer posse para qualquer máquina sob o controle de quem quer que seja, incluso o máquina estatal ou qualquer corporação privada. Porém, como pensamos em liberdades e propriedades ao império da desigualdade de poderes e autoridades de quem detém a maior força para impor seus juízos, e jurisdição e preconcepções sobre os demais, consideremos que há posses e poderes que são regidas por outras leis que não a da liberdade como responsabilidade, mas a do poder e seus interesses como se eles estivessem em outro campo, o reino que se arroga a “prerrogativa” de definição incluso o poder de preconceber o fenômeno da liberdade e a abstração dos seus direitos e deveres humanos e sociais. Um poder e possessão das coisas que não só se considera acima e superior a esses direitos e deveres, mas se considera seu adventor e concessor a habitar outro universo, e responder por outra lógica, as quais ele mesmo estabelece ao poder. Uma lógica que responde portanto a preservação dessa posses e poderes, incluso como licença para matar e pilhar desde que revertida a manutenção e ganho desse valor máximo e sagrado.

A desigualdade que marca e macula a humanidade, não é a de posses e poderes, é a de responsabilidades que ao invés de aumentar com as posses e poderes que se acumula diminui e é transferidas aos despossuídos e impotentes produzindo duas castas: as do que usufruem dos direitos inerentes a propriedade e seu controle, e o que são obrigados por privação desses direitos tanto a cumprir com os obrigações deles, quanto a pagar pelos crimes cometidos contra eles mesmos! A responsabilidade gerada pela quantidade de posses e poderes que se possui sobre estas não gera só obrigações morais, gera custos. Custos que são transferidos como obrigações a quem não tem direito nem de posse nem de poder como sacrifícios sobre a única coisa que expropriados possuem sua vida e liberdade. O problema não está na posse e poder está tanto na transferência das responsabilidades sobre elas para os demais como obrigações e custos impostos pelo uso dessa posse e poder. De modo que se os poderes deixassem de ser privilégios sem responsabilidades e passassem a ser direitos como liberdades devidamente delimitadas pelas respectivas deveres e responsabilidades que as constituem, a desigualdade descomunal de poderes e posses passaria então a ser uma prerrogativa e privilégio criminoso inclusive para impor obrigações a desempoderados e expropriados para enfim ser a obrigação proporcional aos direitos e sua defesa. Ou seja uma concepção de posse ou poder legítimos, mas que evidentemente não interessa a mentalidade psicopata e criminosa de pilhadores, escravagistas e assassinos que buscam na posse e poder não só a impunidade, mas a legitimação legal dessa prerrogativas criminosas de violência e violação. E conseguem todo o apoio pragmático e estratégico, todo suporte político, financeiro, midiático, judicial que precisarem para chegar ao poder desde que estejam dispostos a fazer o serviço sujo.

Por isso quando pensamos em crimes de guerra, crimes contra a humanidade, pensamos em fanáticos e fundamentalistas capazes de praticar todo tipo de atrocidade em nome dos seus mitos, credos ídolos e ideais, ou sob o comando de que se traveste ou os encarna esse papel. Mas isso explica a cabeça dos peões e gerentes dessas industrias de morte, em tempos de crise no mercado, e não como funciona a diretoria, a cabeça dos diretores e proprietários especialmente em qualquer tempo de crise ou normalidade, onde a morte e privação, a perda de vidas e liberdades não passa de um mal necessário para manter seus bens maior ou menor conforme a própria necessidade patológica do mal.

Quando tomamos noção da propaganda de ódio e guerra, as ideologia que regem o comportamento das pessoas reduzidas a massas, a inconsciências e inconscientes coletivos entendemos o comportamento dos alienados não dos seus alienadores. Nos dedicamos a estudar o pathos desse razão enlouquecida que leva os nazistas a queimar seres humanos, mas não o pathos da razão daqueles que bancam esses crimes e continuam a bancar qualquer crime do gênero desde que amparados pela impunidade dos ritos e costumes estatais e sociais. Não consideramos nem estudamos como patológica essa outra mentalidade, igualmente degenerada que também coloca seus interesses e objetivos acima da vida e sofrimento como absolutamente normais, porque a loucura da qual tomamos parte se chama sanidade, quando o centro do mundo são nossas ideias e não a vida.

Assim um louco a matar inocentes sem nenhum fim lucrativo é um psicopata, mas se ele fizer por visando o lucro ele é só um criminoso comum. E se fizer buscando tomar o poder nem isso, é um golpista ou estadista conforme a bandeira nacional ou ideológica das suas respectivas massas de manobra. Uma pessoa a matar obedecendo vozes de entidades internas que o comandam é um esquizofrênico, a matar obedecendo a voz de entidades é um fiel, militar, civil ou religioso. A esquizofrênia na verdade é a mesma, o que muda é o teatro, ou a concretude das representações das entidades e autoridades imaginárias. que saem do abstrato para o concreto, não por elas mesmas que não existem, mas pela credo e fidelidade de quem obedece vozes que sabe que não são as suas. Pode não ser pelo deus dinheiro pode ser por pela pelo deus pátria, ou pelo senhor todo poderoso até do além, pode mesmo ser até pela natureza ou a liberdade como ídolo. Pode ser por qualquer coisa, pelo fiofó da mama, tanto faz… e esse é o ponto, tanto faz. Arrume um deus como desculpa e um diabo para colocar e culpa e pau na máquina e nas gentes. Não importa o ídolo, o que importa é a idolatria, a carestia que faz do carente (de si mesmo mesmo) um fã. O adorador do seu ego frustrado no outro, como entidade e identidade que encarnada no corpo da organização e e idealização do seu líder sua fantasia de poder. O templo, a corporação é consequência, produto da servidão e fidelização, construído exatamente do trabalho e alienação dos fanáticos e fiéis religiosos, políticos ou econômicos. Fanáticos fundamentalistas não importa de qual ídolo ou ideologia nem de qual campo cultural.

Esses fieis em princípios eram cultivados e eventualmente colhidos nos campos da carestia, nas plantações de gentes encercadas pela privação primitiva. Hoje são pescados nos aquários nas fábricas de alienados em cidades e escolas. Não é a toa que se diz que nasce um idiota a cada minuto, ou que eles dão em árvore. Eles não dão em árvore, o custo de sua produção e aquisição não só hoje menor que o de plantar uma ou deixar uma pessoa crescer e se emancipar natural mas o é inversamente proporcional- como o de um copo de água natural diante de uma garrafa de coca-cola ou uma bala de fuzil. E se a produção desses automatos de carne-e-osso é ainda mais barata que a da automonia, não é só porque alienação humana foi ainda mais automatizada que a das máquinas e produtos artificiais, mas sobretudo porque o ser humano ou natural e sua autonomia não tem valor ou mais valia nenhuma nesses processos. São valores que simplesmente não entram nos custos de produção, assim como seus prejuízos inerente dessa exclusão são igualmente externalizados aos excluído. para manter os ganhos. São valores que não existem, não representam nada nem de contábil, nem de conceitual a quem controla esses processos, simplesmente porque são conceitos sobre fenômenos que não existem a sua sensibilidade e percepção da realidade. Sofrimento, solidariedade e empatia, são ideias tão abstratas, metafísicas e paranormais aos destituídos desses senso e inteligencia básicos e comuns quanto é a ideia de alma espirito e além para um materialista, ou mesmo de vida para um racionalista mecanicista. A ideia de empregá-los como máquinas ou cobaias ou bucha de canhão lhes provoca tanta sensibilidade quanto a um cientista do século passado de comer uma vaca dissecar um cão, ou a um racista de eliminar outras raças inferiores.

Esse pathos criminoso não está portanto na violação dos direitos humanos, mas sim na violação da ordem que coloca esse valores e interesses que representam o poder (econômico-político) acima da própria vida e liberdade, ou que é a mesma coisa no desprezo a elas frente aos valores que realmente tem algum valor para eles. Porém na cabeça do psicopata ou do seu fiel esquizofrênico de estimação, o crime não está na agressão da vida e liberdade, o crime está na desobediência ao valor máximo na sua cabeça demente, poder. Mesmo ao fiel que respeita a vida e liberdade, elas não são valores em si, ou superiores ao poder que dita suas ações e valores. Eles tem valor porque assim dita o poder que adoram e obedecem e se ele ordenasse o oposto que renegasse e violasse assim o fariam, tristes, mas fazer o quê?

Na cabeça do fiel alienado, O valor supremo e fonte de tudo que é legítimo e sagrado não é a própria vida e liberdade; não é o respeito a esses valores fundamentais que legitima o poder, ou comprova a veracidade do seu credo, mas sim o poder supremo que legitima, põe e dispõe da vida e liberdade; E se ele ordena sua negação e violação não é a veracidade ou legitimidade da ordem e seus valores que é posta em questão, mas a sua fidelidade. Não é o ordem que é questionado, mas a sua obediência, porque o seu chão, o fundamento da sua existência já não é mais o fenômeno da vida e condição de viver como liberdade, mas a abstração do poder supremo que ele acredita senão como criador ou provedor das vidas e liberdades, como o legitima soberania sobre todos elas, incluso a sua. E não poderia ser diferente, para funcionar. Não basta o piscopata acreditar que tem o poder e direito de canabalizar o que bem entender, ele precisa convencer quem já não bem entende mais nada de que é dever dele se entregar ao sacrifício.

Porque consideramos os crimes que os nazistas e americanos cometeram com suas armas químicas fornecidos pela Bayer ou Monsanto para matar nos campos de concentração em nome de sua ânsia insana por poder, mas tão somente quem forneceu subsidiou esses crimes? Porque aquele que assassina em nome das suas fantasias sexuais é um piscopata e o outro que assassina por poder e dinheiro é só uma pessoa normal sem escrúpulos? Quer dizer então que se os nazistas tivessem matado 6 milhões de judeus em nome do lucro, e não do ódio, se não fosse pessoal fosse apenas business ou disputa de poder isso não seria tão monstruoso ou perigoso. Diríamos “ufa, pensei que ele tivesse matada por que acham que são uma raça superior ,mas foi só por dinheiro mesmo, que bom…”’(???).

Se a tara do outro for a mesma que a nossa então o crime se torna menos grave e perigoso? Pois é exatamente assim que se comporta o ser humano degenerado por suas ideologias se comporta. É por isso que o estupro de uma mulher vai deixando de ser criminoso na exata medida que a noção que a supremacia masculina é natural. Da mesma forma que o assassinato vai deixando de ser um crime conforme aquele que o comete encarna mais e mais a projeção do poder, aquilo que tudo pode contra qualquer coisa, incluso a vida. Assim, se a ideologia que racionaliza a loucura é compartilhada por nós, a condição do ser vivo reduzido a objeto da tara, o crime se normaliza. A medida que as taras passam são consideradas valores normais é diretamente proporcional ao desprezo que temos a natureza da vida e liberdade dos outros seres, que são tomados como meros objetos dessas taras de forma inversamente justamos ao valor que damos a nossa ideia e encarnação de poder como ordem suprema acima de tudo e todos. Nisso os cultuadores de poderes totais e todo-poderosos tem razão não se pode servir a dois senhores, se o seu deus, general ou rei manda tirar uma vida, ou você tira ou é um traidor. Não se pode ter o respeito a vida e liberdade como sagrados ao mesmo tempo que o poder. A sua fidelidade a um, é diametralmente oposta a renegação ou desprezo ao outro. Do contrário você não consegue obedecer a ordem e tomar uma vida, nem enfrentar o poder e mandá-lo para o inferno, bem quentinho, que é a representação mitológica do seu lugar.

Sublimar sua perversão explicitamente sexual tomando vidas e seres incluso humanos como meros objetos da satisfação dos seus desejos não deixa de ser crime, mas deixa de imediatamente de ser patológico ou teratológico se devidamente sublimados com o que nossa cultos e culturas permitem, alguns sociedades permitem por exemplo o estupro coletivo e “corretivo” do comportamento “subversivo” das mulheres, outras permitem que essa taras se satisfaçam na posse de bens mesmo que essa posse e bens no final das contas sejam mulheres ou resultem na sua dominação. Um questão de rito e costumes.

Na Idade Média, ou mesmo agora na renascença do pensamento fundamentalista neomedieval entre fanáticos religiosos contemporâneos islâmicos e cristãos e patriotas, o valor preponderante da civilização era o culto ao poder total representado pela ideia do todo-poderoso. E nele tudo se justifica, até mesmos guerras a holocaustos, tudo é possível em nome desse ídolo. Em sociedades capitalistas o ídolo e a idolatria é outra, mas a mentalidade idolatra é a mesma, e tudo se justifica em nome do poder, representado pela acumulação material. O capital é valor sagrado, o deus mitológico do capitalista e a econômica sua teologia. E assim como o crente sua ideologia é uma verdade não só transcendental, mas material ou materializada, um logos acima dos fenômenos tudo que justifica qualquer comportamento. A diferença é que ele não precisa de bezerros de ouro, mas só do ouro, mas do sacrifício da vida dos outros, especialmente crianças não há culto que tenha existido na terra que prescinda. Até porque economicamente o custo de e sacrificar os mais vulneráveis entre os vulneráveis seja crianças ou adultos eternamente infantilizados, é sempre menor que enfrentar quem pode oferecer resistência- algo que qualquer predador instintivamente sabe.

Logo essa mentalidade fundamentalista não é um produto de ideologias autoritárias e populistas dos povos , mas sim essas ideologias é que são o produto ideológico dessa mentalidade. Quando portanto falamos dessas duas empresas que agora são a mesma Bayer-Monsanto e observamos sua história tão suja quanto dos Estados-Nações onde nasceram e se hospedaram, sua história de envolvimento direto com crimes de guerra e contra a humanidade não conseguimos explicar nem entender as razões dessa cumplicidade recorrendo a loucura, ou uma suposta adesão de seus gestores a ideologia nazista ou outras ideologias eugenistas e supremacistas menos explícitas em seus fins. E não conseguimos porque ser ou não ser eugenistas ou supremacistas não é o fator determinante da “personalidade”m “missão” desses organismos artificiais, dessas corporações. Eles podem até ser, mas dentro da sua mentalidade não são essas concepções ideológicas que ocupam o topo da sua escalas de valores e fazem dessa visão de mundo tão perigosa.

Transmutar ódio em amor é perfeitamente possível, para quem sabe lidar com essa arte. É como transformar ignorância em conhecimento. Mas como transformar o vazio, em algo? Uma coisa é curar a cegueira de quem olhos para ver, ou surdez de quem tem ouvidos para escutar, outras é dar olhos para não os quem, nem sente nenhuma falta deles. Pelo contrário, toma a sua insensibilidade como fonte da sua força e poder e dominação contra os que sendo sensíveis podem sofrer por paixão e compaixão. Porém o grande X da questão, é que esses seres humanos que se comportam como bestas ou máquinas, não nascem robôs ou monstros, mas gente tão cheia de capacidade de amar, odiar, de ter paixão e compaixão quanto qualquer criança e tão vulnerável, quanto qualquer uma delas. E assim como um dia eles essas foram crianças, os monstros de amanhã são as crianças de hoje, já sendo amputadas em sua humanidade e não por elas que são vulneráveis, mas por nós que nos julgamos tão humanos, cheios de amor e compaixão, razão e conhecimento. O assustador é que esses homens sem olhos assim como os cegos não são outros homens, mas os mesmos que nasceram, cegados e amputados por aqueles que eles confiavam que deveriam os guiar para luz. Nós os velhos malditos que temos olhos e visão, mas preferimos olhar para o outro lado. Quem são as bestas? Os monstros sem olhos e seus séquito de fanático cegos, ou nós que ainda não perdemos completamente os olhos ou visão, que nos achamos conscientes e livres mas preferimos fechar os olhos?

O que torna esses indivíduos monstruosos é uma forma de pensar, um entendimento do qual a grande maioria das pessoas também compartilha. A maximização da sua felicidade e do seu bem-estar que dentro de uma sociedade materialistas se resume a posse e poder, ou mais especificamente dentro da fase atual do nosso sistema de produção, se traduz, pela busca da acumulação de comodidades. No entanto, é um erro demonizar em si essa busca pela maximização do bem-estar, esteja ela manifesta resumida na busca por acumulação de capital ou lucros. Valorizar essas coisas, ou ter esses valores como propósitos de vida pode ser uma visão extremamente pobre de sentido existencial, mas não são necessariamente um mal ou ameaça em si. O mal ou a patologia desse, ou de qualquer outra visão ou ideia de mundo, está exatamente quando esses valores se sobrepõem ao respeito a vida e liberdade.

As pessoas minimamente lúcidas ou despertas tem medo de serem governadas por máquinas e algorítimos. Tolice, já são. Nós somos os autômatos e os algorítimos já nos governam. Já rodamos a programação. A única coisa que a tecnologia está fazendo é automatizando e portanto acelerando, otimizando a eficiência do que já produzimos e reproduzimos com eficácia: a nossa alienação como parte dessa máquina que já roda na nuvem como inconsciência coletiva. De modo que se a ideologia é o programa a mentalidade é o sistema.

O problema dessa mentalidade, como de qualquer outra, não está nas concepções que a constituem, mas na ordem, rigorosamente na posição dentro da escala de valores. Ou em outras palavras o que torna esses valores perigosos e danosos não é tê-los mas simplesmente colocá-los acima de outros valores natural ou socialmente mais fundamentais. Não há problema nenhum em desejar possuir ou poder, o problema é achar que esse desejo possa sobrepor a natureza dos demais. O mal e o perigo não estão propriamente na busca dos lucros, não estão na busca da satisfação dos desejos ou felicidade, mas na busca dos lucros e satisfação desses desejos a qualquer custo. E isso é relativamente evidente, àqueles que não partilham desse mentalidade e comportamento psicopático. São noções um tanto quanto obvias para aqueles que por exemplo não estão dispostas a sequestrar assassinar ou ameaçar ninguém ou populações inteiras, para conseguir o que querem.

Entretanto o que não se nota ou convenientemente se prefere ignorar é que o perigo não está nesta ou naquela ideologia em particular, não está no conteúdo das pregações, mas na suposição de que certas ideias podem ser pregadas ou não, e pior que certas ideias dão o direito de impor dispor ou intervir na vida e liberdade seja com poder de mando ou juízo. Está na prepotência e poder que ela se arroga para si e que os outros concedem em ceder para esses ideias como status daquilo que pode ser imposto a força contra a vontade do outro.

O mal não está no ódio ou desprezo as outras pessoas nem o bem está no amor. Nem muito menos no saber ou ignorância. Está na pressuposição que exista qualquer ideia positiva ou negativa de saber ou amor com direito sobre a vida e a natureza para tomar essas liberdades reais a força. Esse mal, o da prepotência, evidentemente contamina o próprio conteúdo das ideias e a visão de mundo, mas ele não surge a partir do conteúdo degenerado desta ou daquela ideologia, ele é a prepotência que produz o erro, e está presente em todas, ou todas que partem dessa mesma pressuposição geradoras dessa degeneração: a ideia de que há ideias que podem se impostas dependo do seu contéudo, ou o que é a mesma coisa que existe alguma doutrina ou juízo ou verdade que conceda o direito a quem as concebe sobre os outros.

Sem a menor sombra dúvidas que esse saber produz poder, assim como uma porrete na mão, mas o fato de possuir esse o aquele poder, não confere ao seu portador nenhum direito de usá-lo ou impor sua vontade através dele. Conhecimento é na realidade uma entre muitos potencias que produz força, e consequentemente poder, mas não produz legitimidade, ou o direito de usa-lo ou impô-lo pela força. Conhecimento é poder, mas nenhum forma de poder é legitimo por sua natureza. E o conhecimento não tem nenhum estatuto diferenciado dos demais fenômenos. Ademais que se a realidade é o verdadeiro juiz supremo da verdade das ideias. Esse juízo sobre a realidade não pode ser encarnado por nenhuma pessoa ou grupo, nem pode ser representada por nenhuma ideia que a simule perfeitamente, de modo que a ultima instancia do juízo sobre o que é verdadeiro ou falso, querendo ou não, nunca irá pertencer a nenhum julgamento da inteligência humana.

O ódio, o desprezo a ambição são potencialmente perigosos mas a origem dessa mal está na precariedade não do valor que se dá a vida e liberdade — mas da noção de que vida e liberdade não cabem na pequenez das nossas escalas de valores. E mesmo o respeito a vida e liberdade quando é reduzido a ideia de valor para ser operado por nossa racionalidade, se não compreendido de fato como é, uma mera operação mental e não a imagem da realidade da vida e liberdade, é o caminho para perda da noção do que é o fenômeno da vida e liberdade tomada como se fosse um valores e reduzida a abstração da definição. E aí já era. O erro, a perversão já está instalado. A realidade já foi tomada pelo próprio campo dos juízos, a projeção da realidade já se confundiu com o real, e os seres estão reduzidos a objetos vazios que dependem da nossa valoração subjetiva e ordenação segundo a escala de valores para terem algum sentido, confundido portanto com o valor relativo atribuído ao objeto pelo sujeito, e não mais o sentido inerente do ser em si e para si. A suposição de que nossas ideias sobre as coisas reais, são dados e não projeções das nossas ideias da realidade impera. E sobre o império dessa mentalidade onde o ser e seu sentido próprio estão sujeitos a valoração e submetidos a escalas de valores subjetiva e relativa alheia, o caminho para o absurdo e sua banalização estão pavimentados, pois onde vida e liberdade são meros objetos de valoração dentro de uma escala de valores basta alterar seus valores ou sua posição dentro da escala em relação a qualquer construto mental, porque no campo dos juízos tudo é igualmente um ideia e qualquer uma pode ser tomada como um valor maior que a vida ou liberdade, porque essa já não passa de um mero conteúdo ideal e não mais justamente o que define a coisa como real: aquilo que não cabe nem pertence ao campo dos juízos e idealizações.

Assim sendo a superposição de qualquer razão ou sentimento como valor supremo em detrimento dos seres fenomenais não é causa, mas consequência da perda da noção da natureza dos fenômenos no processo de redução mental deles ao campo delimitado da nossa capacidade cognitiva. O problema portanto não está nem no fato da pessoa colocar qualquer outro valor acima da vida e liberdade a motivar ou justificar a sua desvalorização ou destruição. O problema está em reduzir os fenômenos naturais da vida e liberdade ao campo dos juízos e tomadas de decisão, de modo não só que estes se tornem vulneráveis ao absurdo do desprezo perante a prepotência humana, mas que eles pela mesma causa precisarem ser valorados para terem sua existência e sentido respeitados!

Pouco importa as motivações que leva uma pessoa a matar ou violentar outra, porque não há motivação ou visão do mundo que justifique em si (como valor) tal ato. Ou em outras palavras tanto faz se o assassinato é em nome da honra, amor, deus, ou do ódio, preconceito e supremacismo, nenhuma concepção que compõe a escala de valores, ou as noções de bem ou mal, a moralidade, concede nem retira qualquer jurisdição de um ser sobre outro. Rigorosamente o assassinato, o roubo ou a privação do outro não é um crime contra os valores que damos a vida liberdades suas propriedades, ele é um crime contra a pessoa, o ser a natureza, o real e não nossos juízos ou mandamentos ou idealizações.

A violação não está naquilo que transgredimos do que prescrevemos, está na prepotência em achar que temos jurisdição sobre a existência alheia antes de tudo para prescrever como ela deve ser. Não somos deuses e não temos o direito natural nem de mandamento, nem julgamento, muito menos de execução uns dos outros. Nosso direito de interferir na vida alheia está limita a autorização do outro. Sem ela tudo que nos atribuímos como poder, não importa qual a desculpa, seja fazer o bem ou mal, trazer a liberdade ou ordem, o conhecimento ou paz, nada disso justifica o ato, pelo contrário é parte desse crime, que não é de apropriação, mas de expropriação da forma de vida alheia, pela imposição das nossas formas. E assim como nós temos o pleno direito de nos defender contra quem quer que nos prive dos meios essenciais a vida e liberdade, também temos o mesmo direito de defesa contra quem busca eliminar a nossa forma de vida, seja para impor a sua ou não. Porque sem a sua forma a existência não tem propriedade nem identidade, não próprias, é natureza morta pelo mal da prepotência que gera o pathos da impotência. Vidas e liberdades estão tão profundamente interligadas e são fenômenos tão interdependentes que é impossível não matar uma sem ferir de morte a outra bastando para tanto apenas separá-las.

Matar ou não matar não é só uma questão de certo ou errado, é uma questão muito mais profunda e anterior a própria invenção da moralidade. Não é só um objeto de decisão da moral, porque a vida e morte não pertence nem estão submetida a lei dos homens, mas antes as forças da natureza, a vontade de viver e sua compreensão sensível e inteligente. E sem essa senso e razão, ela, a moralidade é casca vazia, arcabouço de mandamentos completamente sem sentido ou princípios, constituídos desta casca vazia que se faz propósito de si mesma como corpo de ideias e de comandos.

E é por isso que somente a chamada legitima defesa, assim como a própria natureza existencial que ela defenda não se funda em nenhum juízo de valor ou moralidade humana, mas é simplesmente o reconhecimento dessa vontade de existir e lutar não por um bem ou mal mas pura e simplesmente pela vida em tudo que ela é e pode vir a ser, a liberdade. Vida e liberdade portanto que não são manifestação do bem, mas o bem assim como sua negação o mal, conceitos fundados em fenômenos que sequer existiriam sem o fenômeno gerador da possibilidade de ambos: a vida e liberdade. E se tudo aquilo que agride essa fonte geradora da existência, é a definição e entendimento do que é o mal, nem uma coisa nem outra, nem o mal nem seu entendimento moral existiram sem esse fenômeno vida-liberdade gerador das possibilidades, incluso do bem e mal.

De modo que uma ser dotada não só de sensibilidade e ciência, mas de consciência intuitiva não mata reserva a vida e luta pela liberdade não porque isso foi prescrito ou porque é bom, mas porque a vida e liberdade de ninguém pertence ao mundo das prescrições e decisões alheias, mas da natureza da força das próprias vontades em todas as formas que se manifestam como vida e liberdade. Ele não se considera um deus, nem servo de nenhum senhor todo poderoso imaginário encarnado na terra ou no além com mandato para dispor das vidas e liberdades de ninguém. Mas sim um ser com direito natural de existência igual aos demais, ou seja sem nenhum direito ou prerrogativa de jurisdição de intervenção ou posse sobre os demais sobre as vidas das pessoas que não lhe deram tal consentimento ou sequer tem capacidade de consentir para dar o que eles querem para justificar suas ações. Sobre o que não sequer a possibilidade de haver tal coisa, a manifestação da consensualidade, as ações se limitam pela mesma suposição de consentimento tácito, aquilo que o sujeito pressupõe que outro quer, mas pelo respeito a aquilo que está manifesto como sua vontade não como ideia abstrata, mas como concretude: a sua existência em toda sua forma.

Ou seja não é uma questão do que se deve ou não fazer, mas antes de tudo do que se tem ou não direito de fazer. Quando afirmamos que a vida e liberdade são direitos naturais e logo respeitá-las um dever isto não nos confere nenhum direito ou poder de impor esse dever, mas apenas o direito de assumir a responsabilidade por defendê-los. E a distancia entre se arrogar a prerrogativa de impor dever, e defender direitos é infinita. Porque a primeira se impõe como a agressão poder, a segunda com a legitima defesa da liberdade. A primeira se outorga poderes de definição e intervenção sobre o destino dos seres, a segunda tão somente as suas ações.

Dizem que é licito e correto fazer aos outros aquilo que eles gostariam que fizessem a você. Isso é tirania da prepotência de quem acredita a encarnação do que é bom e o bem. Muito melhor viver entre sado-mazoquistas, e até mesmo entre idolatras e seus cultos ao poder, mas que ainda sim não pedem autorização para fazer o que acham certo ou gostam com você, do que entre pessoa que se considerem o senhor da verdade para impor por duas ideias e valores sobre os demais, sejam esses hierarquistas ou anarquistas. O problema não é a ordem ou ausência dela dos outros sobre suas vidas, o problema é a imposição de ordem ou desordem ao que nos pertence ou também nos pertence a nossa revelia. Muito melhor viver entre gente ruim e maluca, que sabe que não pode impor e submeter os outros a sua maldade e loucura do que gente que por se achar boa e sã, se considera autoridade e senhora da normalidade e bondade dos outros. Melhor viver entre gente insana e ruim que não faz nada de bom, mas pelo menos não faz mal a ninguém do que entre gente que se acha boa e normal para fazer o mal que acha necessário, e não fazer nenhum bem, porque já são bons demais. Gente que move mundos e fundos para se fazer juiz da mãe que aborta, mas que não levanta um dedo ou um centavo para que a criança nascida não morra de fome nas suas guerras políticas e econômicas e antes de tudo ideológicas. Gente que se acha melhor que o nazista ou racista apenas porque não pega um pedaço de pau para executá-lo, mas assiste de braços cruzados ao miserável definhar e morrer de fome ou na mão deles. Prefiro gente ruim que não está disposta a assistir as pessoas morrerem ou serem mortas porque não acha que não lhes tem serventia, do que gente que acredita que só o trabalho salva encravado nos portões seja do seu céu, ou dos seus campos de concentração. Prefiro os vagabundos que olham os lírios do campo do que os ditadores genocidas e suas maldições dos gêneses. Prefiro enfim fazer o que os outros me pedem para fazer, e só se e quando quero fazer, do que pressupor o que eles querem ou outros acham e mandam que eles e eu queira como querer, contra a minha própria vontade consciência sobre minha vontade e ciência.

Em suma prefiro companhia de gente que ri e fala tudo que é errado, mas faz o que é certo sem precisar dizer nada, do quem trata como seriedade tudo que é ruim, mas não move um a pena ou um dedo para fazer absolutamente nada de bom mesmo a quem implora, além de cagar regras e fazer caras e bocas feias Estou cagando e andando para os ditadores ideológicos do politica e impoliticamente correto. Que os odientos morram afogados em seu próprio ódio e que os amorosos virem luz e desaparecem dentro deles mesmos de tanto amor platônico por sua própria bondade. Que vão para seus céus e infernos. Mas que não venham colocar a mão sobre os outros, nem privá-los do que eles precisam para viver são e em paz, livres dessa psicopatas megalomaníacos e seus exércitos de esquizofrênicos histéricos. Não quero nem saber o que os os outros acreditam ou fazem com o que é da conta deles, quero saber quem se importa o suficiente com as pessoas que estão morrendo e sofrendo para ouvi-las, e ouvindo fazer alguma coisa além de só falar. O resto é resto é mato. Vai em paz, e não me enche o saco. Antes sozinho e do que bem cercado.

A psicopatia consiste basicamente em fazer o bem ou mal se quer a revelia do sofrimento alheio. Uns não conseguem convencer os outros a ceder a suas taras e fantasias como corretas e normais, e vivem escondidos como bandidos, outros conseguem e se tornam líderes religiosos, políticos e econômicos. Mas se eles são piscopatas então o que são seus seguidores senão esquizofrênicos? Pessoas que ouvem e e até obedecem vozes que sabem que não a sua e habitam a sua própria cabeça? Uns ouvem vozes de seres que eles conseguem ver outros nem precisam disto, mas todos igualmente estão disposto a seguir sem questionar essas vozes de seres imaginários ou concretos, e não a sua consciência. Há esquizofrênicos internados que ao menos sabem e tentam pelos menos resistir a essa vírus na sua cabeça. Os mais doentes que geralmente não são internam, mas internam os outros não só acham perfeitamente normal com os mais perigosos entre eles não se preocupam nem em criar hospícios, mas fazem do mundo a sua casa e fábrica de dementes. Estes estão dispostos não só a seguir, mas a perseguir quem não segue as vozes que os comandam. De modo que para cada líder psicopata há de haver ao menos um, seguidor esquizofrênico que acha ele e seu mestre normal. E vice-versa e se ao menos um mestre, imaginário ou encarnado. E eles em geral são muitos porque quanto mais vozes a gritar em manada o que fazer, mais alta é na cabeça do alienado a voz de comando imaginária como pessoa, ou pessoa imaginada como a voz que lhe comanda.

A mente é muito mais frágil e vulnerável do que nossa prepotência racional acredita. O ponto é que toda concepção de mundo por definição não é a realidade mas representação. De modo que essa desconexão da realidade, não está propriamente no fato de ter ideia que não correspondem ao real, mas sim de pressupor que essas ideias, que são por definições abstrações, são ou tem ou forma a realidade quando de fato constituem tão somente a concepção sobre a mesma. Logo mesmo quando falamos que o problema não está no conteúdo das ideologias, mas sim já como o germe da pressuposição de que as ideologias tenham qualquer valor superior aos fenômenos naturais e reais. Isto também inclui os direitos humanos ou jusnaturais. Fenômenos que uma vez confundidos com a sua representação das coisas concretas ou mesmo reduzidos a valores morais perdem seu sentido e literalmente deixam de ser compreendidos pela mente. Na verdade tal perda de sentido do próprio fenômeno vida e liberdade como primordial e gerador de tudo, incluso o bem e mal como moral, são a perversão e destruição da própria possibilidade da moralidade sobretudo como uma forma de concepção critica da realidade e e não a idealização hipócrita narcisista do verdadeiro.

Até mesmo as ideologia que preguam a superioridade da concepção dos direitos naturais não como preservação da jurisdição dos sujeitos seres vivos e livres, mas como jurisdição dos ideológos como sujeitos e os seres com seus objetos para impor deveres e não direitos estrito a defesa é tão fundamentalistas e perigosa quanto o racismo, o socialismo, o capitalismo, ou qualquer forma de ideologia de alienação reificante. Pois sempre coloca o ideal acima do real e o outro como mero objeto do sujeito que idealiza. Enquanto o E o real antes de ser o direito a vida como ideal, é a realidade da carne, do sangue, da alma, e do sofrer como vontade de viver. Sejamos ou não sensíveis a esse sofrer alheio, ou intelectualmente capazes de inteligi-lo para fazer sentido a nosso senso ou razão ou a falta delas. A nossa subjetividade relativa não governa nem delimita a natureza das coisas. Governa nosso cognição e sua delimitação, de modo que o direito a vida e liberdade não está submetido ao nossos juízos e cognições, mas sim a concepção desses direitos e todos nosso juízos a vida e liberdade. E quanto maior a consciente que nossas ideia de vida e liberdade não são fenômenos, maior é a correspondência entre a ideia e a coisa. O direito a vida, não é o código e seu conhecimento. É o saber como estado de espirito, uma intuição antes de ser a reflexão que a codifica.

Deveria ser obvio que as ideias e normas e leis sobre direitos naturais humanos não se sobrepõem aos própria vida e liberdade que constituem esses direitos como realidade e não abstração. Que a ideia ou ideal não se sobrepõe, nem é exatamente a mesma coisa, nem sequer a perfeição da sua representação. Contudo não é isso o que acontece. Porque seja o capitalista, seja o nazista, seja o socialista ou humanista, todos tendem egocentradamente a confundir a sua concepção de verdade com a realidade. De modo que a loucura não está apenas em supor que a acumulação ou divisão do vital ou capital se sobrepõe ao direito a vida, mas antes a loucura da prepotência de pressupor que qualquer preconcepção se sobreponha ao que é nem está jamais predeterminado, mas por natureza se autodetermina: a existência como ser e vir a ser, em forma e sentido.

O credo do fundamentalismo não afeta apenas aquilo que se considera religião, mas ciência e até mesmo a consciência, de que há uma visão de mundo que enquanto verdade possa representar perfeitamente a noção de realidade que se constitui pela noção do que se concebe é real, e substituindo assim aquilo que permanece incognoscível e que deveria ser representado pelo reconhecimento ou consciência dessa impossibilidade ao invés de ser anulado para impor o possível sempre de acordo com os limites da nossa (in)compreensão do mundo e do outros- compreensão portanto mais limitada no mais das vezes muito mais pela nossa vontade de entendimento ou a falta dela do que por nossa capacidade de inteligir e nos entender.

É por isso que aquele que advoga pelos direitos a vida e liberdade, mas julga que tem o direito de encarcerar ou condenar a morte a morte quem viole esses princípios não se diferencia em termos de mentalidade do supremacista que pretende eliminar os “degenerados” exterminando-os; ou o capitalista que pretende prevalecer pelo desprezo a vida alheia mesmo que isso implique igualmente na extinção dos “incapazes”. Todos colocam seus valores, suas razões de mundo acima da vida e liberdade como o fenômeno que não lhes pertence nem como jurisdição, propriedade, poder ou liberdade para dispor ou sentenciar a nada, reduzindo-a a mera não como concepção ou preconcepção perfeitamente ajustável a suas escalas de valores conforme seus interesses convertidos nos própria base ou index dos valores. Tanto que o ser vivo, animal ou humano faz para se preservar e defender isto é uma coisa. O que ele faz ou é feito para preservar o que se conceitua com tal é outra completamente distinta. Tanto que o animal que não possui a capacidade de conceber esse direito a vida, nem precisa para exercer esse direito, e ainda sim não se defende como pode como tem esse direito quer o reconheçamos ou não respeitá-lo como um dever humano ou social. Fazer do respeito a esse direito não constitui seu advento mas não é o evento da sua criação, e sim meramente do seu reconhecimento por nós. Exatamente como na lei da gravidade, as forças e ordem natural que a compõe não surgem das abstrações conceituais do que entendemos e conceituamos por gravidade, mas estão lá desde que o mundo é mundo e mas maças caiam, prestássemos atenção ou não a esse fenômenos. É muito mais uma descoberta da América, por quem a não conhecia, e nem era América, a invenção de uma ideia que não do território que já existia e existe a independente dessa conceituação e tudo que ela representa do nosso conhecimento e ignorância, saibamos ou não disso. A força que constitui a ordem daquilo que entendemos por projeção cultural como lei e direito e dever existe como ordem natural. O que fazemos é respeitá-la ou contrariá-la seja jogando pela janela ou jogando os outros pela janela seja porque queremos ou mandam, mas a gravidade das coisas e o resultado não muda.

Quando se tem uma mentalidade fundamentalista, ou seja, que estabelece como valor supremo aquilo que se concebe, sem consciência que aquilo que concebemos não é a realidade, mas por definição a sua contradição enquanto ideia e representação, produz para si a visão insana onde as ideias das coisas concretas são tomadas pelas próprias coisas concretas, e não a projeção e representação do nosso ego sobre a realidade, onde o ser o mundo sequer existem como as abstrações completamente distintas que nos e os concebemos. Confunde-se assim completamente a noção de verdadeiro que se refere a cognição dos fenômenos com a realidade das coisas enquanto coisas concretas e não ideias dessas coisas. É uma mente encerrada e perdida nos labirintos da sua própria concepção tomada pela própria falta de senso do rela como se fosse a própria realidade.

Uma falta de noção que nos estágios mais graves leva a degeneração do pensamento humano a desumanidade, e perda da própria noção do valor da humanidade para a ideia de realidade como a realeza das suas ideias como verdade, fato e poder sobre as coisas. Ou seja a falta de juízo, tomada por rei com direito de ser juiz e governante não só dos outros seres humanos, mas de tudo aquilo que sua mente for capaz de reduzir a objeto de suas preconcepções e fundamentos. Uma loucura, cuja periculosidade vai aumentando conforme esse sujeito vai perdemos sua capacidade de abstrair a significação dos outros sujeitos e coisificando a tudo como se fosse uma propriedade de si ou do seu mundo, exatamente como a criança que ainda em desenvolvimento da sua consciência não distingue sequer o que é seu corpo e não. Tudo que ela vê é parte dela. E ela está certa até porque ela não preconcebe nem desconhece o contrário, que ela faz de tudo. A desintegração que compõe seu compreensão da eu e o mundo através dessa abstração não está completa, e se não for amputada em sua capacidade de desenvolvimento cognitivo nem vai terminar como um piscopata insensível que acha que tudo que vê e deseja está a revelia da sua vontade e força, nem será adestrada adestrada para ser sua vítima servil, que acha que tudo que ela é ou quer está submetido a qualquer vontade e força que se imponha como maior sobre ele.

Em tempos de crise somos confrontados a sair dos lugares comuns e rever nossa visão de mundo. E provando que essa visão não tem nenhuma correlação necessária ou obritória com a realidade, nem todos saem da posição de avestruz, pelo contrário, muitos enfiam a cabeça ainda mais fundo na terra como se a realidade fosse mudar ou desaparecer quanto mais fundo ele enterrar sua cabeça no seu mundo. E tem gente que ainda chama isso de fé.

Um bom exemplo disto, é a falsa polêmica neomedieval sobre a terra plana, que no fundo não é tão nova nem embasada em nada de diferente das antigas polemica antropocentristas. Mas é um sinal grave não só da vulnerabilidade a imbecilização, mas da fragilidade de como as ideias hoje tidas como verdades evidentes, estão sendo transmitas a população. Por sinal da mesma forma com são transmitidas qualquer dogma, pelo credo na autoridade de quem prega, e não propriamente pelo entendimento do que é apregoado. Ou seja não é de hoje que muita gente contesta o que para outros é uma verdade evidente, mas quem defende suas verdades evidentes novamente se esquece que elas não a própria realidade, nem propriamente evidentes sem que evidente não para si mas para outro.

De modo que assim como crente cego que busca ajustar o mundo aos que vê e crê e não ampliá-la, como a terra plana, muita gente que acredita no contrário o faz pelo mesmo, sem se pergunta porque acredita que é isto é verdade ou evidente e o contrário é absurdo. O conhecimento dito científico não é transmitido nem guardado de forma muita diferente, por ladainhas doutrinárias sem fim nem sentido e não de fato repetição do procedimento que valida o conhecimento científico. O quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa também é verdadeiro, e daí? Por que? E se dissesse que é o cubo? Quantas pessoas que dão fé ou aplicam fórmulas são capazes de explicar sua verdade? Porque então a surpresa quando as pessoas que recebem a informação como arcabouços vazios de sentido próprio preenchido meramente pela autoridade de quem os professa, trocam um conjunto do que propositadamente foi reduzido a um conjunto de dogmas e fundamentos por outros? E dái que a verdade dos argumentos não precisa de argumentos de autoridade para se sustentar se até mesmo essa afirmação não é produzida pela sua ciência mas pela afirmação da mesma também como argumento de autoridade? A verdade de uma concepção não é corresponde a realidade, mas a seu entendimento, e se seu entedimento advém do entendimento da autoridade e não do própria pessoa, essa verdade não passa de um credo, e credos como dogmas se substituem sem evidencias nem provas, apenas transferindo o credo de uma autoridade para outra, ou mais precisamente fornecendo os argumentos que a pessoa quer ouvir. Exatamente o mesmo se opera na política, ou na econômica ou na própria divisão epistemológica do mundo neste campos de saber e suas fronteiras. Logo não é de surpreender que alguém deixe de crer num determinada doutrina em favor de outro completamente oposta. Bastas substituir os mandamentos de uma mesma autoridade, ou simplesmente trocar a autoridade. Por isso não raro que crentes fervorosos de uma ideologia política ou religiosa quando jovens, viram seus combatentes igualmente fanáticos depois de velhos. A mentalidade, ou o idiota é o mesmo, o que muda é aquário ou o programa ideológico rodando na sua cabeça. Ele alterna os polos, e até mesmo varia entre os diferentes campos da sua manifestação, mas nunca escapa da força que o prende a polarização. E não raro o critico da ideologia é nada mais que um pregador ideológico concorrente.

E isso não se aplica apenas a religião ou politica, mas a economia, ou seja a todos os campos de divisão de saberes que não é conceitual mas ideológica. E quanto mais somos incapazes de enxergar essa corrente ou campo de saber como tal abstração do nosso ideário projetada no mundo, é porque mais crentes e fanáticos cegos estamos de que essa ideologia ou idealização é o mundo ou a sua imagem e semelhança como ideia. E não o mundo feito a imagem e semelhança da projeção de nossas ideias e ideais, com a realidade perdida no meio dessa confusão, na exata medida da dimensão reduzida da nossa noção e consciência inversamente proporcionais a ignorância das nossa prepotência e suas pressuposições.

Quando portanto presumimos que seja perfeitamente normal, ou a única realidade possível uma companhia ou pessoa perseguir lucros ainda que eles impliquem em mortes porque essa é a natureza dos seres, maximizar suas posses, poderes e bem-estares a revelia da vida e liberdade dos demais, não estamos constando nenhuma lei natural, mas normalizando dogmaticamente uma doutrina que se prega como lei da natureza. E se essas doutrinas estão sendo postas em algorítimos isso não é nenhum advento de uma nova visão ou codificação do mundo, mas tão somente a automação da codificação do velhos dogmas.

Logo as ideologias de ódio e supremacismo longe de ser falhas do sistema, são suas versões mais radicais em momentos de crises. Ou o que é a mesma coisa, as ideologias menos explícitas e agressivas em seus desprezo a vida alheia são a versões mais moderadas em tempos mais cômodos. Ambas estão pertencem a uma mesma mentalidade e estão dentro da programação tanto como proteção e defesa do sistema nos momentos de crise não raro por eles mesmos gerados quanto de facilitação da sua adesão nos intervalos entre tais crises onde as coisas se rerranjam para manter mais do mesmo em novas roupagens ideológicas. São racionalizações que buscam justificar os comportamentos mais absurdos e desumanos levadas ao extremo que for necessário para manter a adesão de pessoas doutrinadas a responder tão somente a propagandas de massa, e assim preservar tanto o ideário quanto os privilégios e exploração deles como realidade que antes de ser “como as coisas são” são a imposição real de quem controla a preconcepção impõe a banalização de qualquer mal ou absurdo se ele julgar necessário para manter a conformação de todos a sua normalidade. É em tempos de crise e fora dele, exatamente a mesma forma de pensamento que despreza e dispõe da vida alheia para a imposição dos seus valores e paradigmas para consecução dos mesmos objetivos, o que varia é a intensidade do males e crimes cometidos contra o direito natural, que se intensifica como pregação e prática pervertida em bem ou mal inevitável o quanto tal perversão cumprir sua função de manter o status quo- tanto como superestrutura conceitual quanto suas infraestruturas materiais.

Se em tempos de crises que colocam em risco a adesão e manutenção desses paradigmas, o desprezo e menosprezo pela vida e liberdade se intesificam , fora deles durante o dito funcionamento normal do sistema, eles não são abolidos, mas praticam dissimulada e hipocritamente até com maior facilidade através da mera omissão à solidariedade e subordinação conformada a autoridade, ou agressão de quem nem em tempos ditos normais tem sua vida e liberdade levada considerada. Quando a “mera” segregação e marginalização das vidas das pessoas não é suficiente para sustentar a negação e renegação dos direitos naturais e a reafirmação de superioridade privilégios e monopólios contra os excluídos até do básico, não consegue mais manter a como normal essa visão de mundo, nem como banal, real ou legal esses violências e violações, seja porque elas chegaram no limite da sua exploração ou porque os violados tomaram consciência da sua condição, quando não podem mais serem dissimulados como uma pequena falha de um sistema, ou o encobertos pela propaganda do seu progresso, tais processos de coisificação e desumanização não recuam, mas saem das sombras e se intensifica tanto como pregação, ameaça e enfim práticas que passam a exigir a volta a aceitação passiva tanto das circunstâncias monstruosas quanto da culpa pelas repressão monstruosa causada não pela sua desobediência em aceitar o que lhe é imposto como realidade, mesmo que ela seja feita da sua privação e violação.

Não, não é portanto o ódio ou ao negro ou a ideia de supremacia branca que promoveu o advento da escravidão, ou fez dos estados a igrejas a considerar perfeitamente legítimo o trafico ou escravidão desta ou daquela raça humana. A propagação do ódio e desprezo vem dentro do mesmo pacote de valores e interesses. Está dentro da mesma doutrina imposta como “razão”. E a mesma razão que leva um governo ou empresa a matar e violar milhões é a que leva a um estuprador a violentar, o desprezo e prepotência são os mesmos, o que muda é o tamanho do poder e portanto a capacidade de manter-se impunes ou até mesmo punir quem não se submeta as suas ordens. Rigorosamente não é portanto o que eles tem na cabeça ou no coração que os diferencia das suas potenciais vítimas, mas justamente o que eles não tem e falta neles. Essa falta de noção da humanidade que renega e prega sua renegação para justificar seus atos e sua forma predadora de ser é o que eles tem o comum entre eles. Conceber esses desejos como os valores ou as motivações “justas” ou “legítimas”, conceber tais monstruosidades como normais naturais, legais ou reais é mais do que racionalização para si mesmos, é propaganda perante aqueles que não estão ainda complemente destituídos dessa filia, dessa sensibilidade que constitui instintiva e naturalmente o respeito a vida e liberdade para aceitar sua psicopatia como normal em seus cultos e culturas.

A ideologia não é senão a máscara, a embalagem que vende esse produto tanto escondendo seu verdadeiro conteúdo quanto dando impressão mais palatável do conteúdo que lhes falta. Sem ela a patologia fica explicita: eu faço simplesmente porque quero e posso. E se esses indivíduos tiverem mesmo o poder para impor essa ordem, o poder e violência se manifestarão na sua forma mais “sincera” sem pudores nem meias palavras: violência pura e simplesmente como projeto e vontade de poder, total.

A ideologia não é motivação dessa vontade doentia dos ideólogos. é instrumento de motivação e manipulação da vontade alheia. A ideologia não é força elementar que move os que governam, mas sim o motor que move os governados; é dirigida e dirige as massas até onde tiverem que ser levados, mesmo que seja a matam ou deixar morrer sem ter algum tipo de sentimento ou razão para fazer isso uns com os outros. Nem que seja preciso incurtir o ódio contra quem sequer se conhece pessoalmente. E precisa. porque pessoas que não foram completamente destituídas de seus instintos naturais e solidários precisam de mais motivos e sentimentos fortes o suficiente para matarem umas as outras, mesmo desconhecidos. A promessa de pilhagem dos seus corpos e terras, e a mera obediência cega não é capaz de mover, não a todos, não um população inteira como massa. Preciso de propaganda de ódio ou de amor possessivo para efetuar a desumanização das vítimas e cometer crimes que cometem contra a humanidade das outras pessoas.

Pessoas que já foram completamente amputadas de sentimentos e inteligência, que perderam completamente a sua filia humana não precisam ser convencidas a ver outros seres como coisas, nem de razão nenhuma para justificar o que já não sentem nem inteligem; não precisam ser convencidas, nem de motivações para a matar ou deixar morrer, precisam apenas de mais fome e desejos de ter e poder. Quem precisa de motivações emocionais como ódio e amor para superar o que resta desse instinto natural, para matam e deixar morrer são as pessoas que não foram ainda devida e suficientemente amputadas da sua empatia. São as massas que precisam de ideologia de ódio ao outro ou amor pelos ídolos e ícones que reduzem o ser a meros objetos dessas ideologias para seguir suas ordens homicidas das lideranças- sobretudo as proativas.

E somente quando através do ódio e idolatria que em geral estão combinados como ato de adoração do que se ama, e desprezo a existência que se odeia, o ódio por tudo que nega seu amor, e amor por tudo que odeie o que o renega. É somente quando esse amor por tudo que ele identifica como a seu a si, e ódio, a tudo que lhe negue isso passa a se manifestar através da ideologia que os poderosos passam a mover as massas imbecilizadas por seus tiranos e doutrinadores que são mais servos e feitores desses poderosos do que os lideranças do clamor das massas.

Tiranos e exploradores não colonizam nem pilha povos e territórios inteiros sozinhos, ele precisa que de fieis que os obedeçam e financiem suas fantasias e desejos. E esses fies alienados não seguem essas ordem porque compartilham da mesma mentalidade monstruosa de sua lideranças, mas porque estão mais ou menos vulneráveis psicológica e/ou materialmente a serem manipulados. É por isso que as propagandas de massas nunca apelam a razão. Elas apelam a emoção aos instintos mais primitivos para emular o comportamento psicopata naqueles que não sendo desprovidos de sentimentos precisam ter seus sentimentos despertos e alienados para se moverem conforme os interesses de quem os estimula e manipula.

A ideologia funciona assim como um vírus dentro de um mente que não tem por hábito a próprio-concepção, crítica ou reflexão, e que portanto responde diretamente pressuposições de realidade e sentimentos sem processe-la por nenhum forma de pensamento consciente, podendo assim ser manipulada simplesmente através dos dados e circunstâncias que alimentam suas amores e repulsas, filias e fobias, reproduzindo o comportamento esperado em massas através do controle das informação e condições de vida de pessoas que processam esses dados sem o filtro interno (e soberano) da consciência. Logo uma mente destituída do desenvolvimento dessa capacidade inata a do pensamento consciente é presa fácil do amestramento por adestramento. E muito do que chamamos educação especialmente a dirigida as massas, não é senão um processo de freio e desligamento dessa defesa natural da autonomia justamente para facilitação destas respostas condicionadas pela manipulação e estimulação dos instintos mais primitivos e preconceitos mais estúpidos através da manipulação dos dados ou condições dadas, que jamais seriam tomadas como verdades, nem provocariam respostas assim condicionadas pela privação e desnaturação do estado de consciência e suas faculdades.

Assim fora das crises sistêmicas, onde não existe o levante dos excluídos e discriminados, tudo que basta é manter aqueles que não possuem os meios alheios ignorantes e insensíveis a sua própria condição de excluídos, com conforto, passatempos, ou ansiedades e dilemas fúteis de modo que por outro lado o tédio e o vazio existência não denunciem sua condição. Porém quando essas superestruturas estão em crise e os paradigmas são colocados em xeque, é preciso muito mais do que a pregar a futilidade e o egoismo imbecilizante como expressão do desprezo e desconsideração pela condição vida e liberdade, Não basta imobiliza-las em favor da inércia do sistema; é preciso mobilizar reacionariamente. Mobilizá-las não só para resistir a continuar não fazendo nada, não importa a dimensão do incêndio ou o cheiro de podridão, mas reagirem agressiva e repressivamente contra quem questionar a incoerência e falsidade desta dados preconcebidos. Uma verdadeira guerra de propaganda, de desinformação e contrainformação , duas estratégias são amplamente usada para introdução lixo nos dados dentro e minar a capacidade de processamento da realidade, e difusão das ideologias de ódio e desumanização, que por essencialmente apelarem a brutal anulação da intelecção e consciência, permitem uma resposta ainda mais automata, alienada e desumana dos alienados. Exatamente o tipo de resposta condicionada que se precisa de gente que sem esses princípios perdeu a capacidade de lidar com a realidade caotizada sem receber comandos não mais como estímulos mas como dados, ordens, o que constitui a própria arquitetura do sistema.

Assim, se em tempo de conforto e comodidade basta convencer os conformados e acomodados que os excluídos deste estado merecem a condição em que viviam porque são perdedores ou vagabundos. Quando a crise se agrava, é necessário ir além, no propaganda ideológica de desumanização de modo que os alienados possam cumprir sem consciência ou peso sobre ela ordens que por ventura impliquem em “soluções” mais rápidas e proativas. E eis que entram (ou voltam) as ideologias de ódio que não precisam ser reinventadas, porque continuam presentes não só residual, mas de forma latente, carecendo apenas de promoção e propaganda que as dissemine e encrudeça.

E tantos em tempos de normalidade e moderação quanto em tempos de crise e radicalidade, é na predisposição a responder funcionalmente a essa ordem que constitui a utilidade ou emprego do indivíduo e consequentemente o seu posicionamento social na hierarquia. De modo que quanto maior for a disposição de cumprir sem questionar maior é sua posição de mando e comando. Daí vem impressão de que sempre há um idiota numa posição de comando em um corporação privada ou pública ou liderança de manadas. Essa impressão existe, porque não é impressão é uma realidade. Nas estruturas hierárquicas os mais idiotizados ocupam as posições chaves para manter estrutura, porque o verdadeiro comando não se coloca acima, mas fora da ordem com a qual mantém os demais. E mesmo se não são completamente imbecis se comportam como tais, porque a esperteza dentro dessas organizações só servem para comer o esperto. É fora dela que ela serve para devorar os outros. Logo quem detém de fato poder, não o delimita ao corpo coletivo que constitui esse poder anulando as individualidades, mas estrategicamente o controla de fora, para não estar sujeito nem submetido a sua ordem, mas ele submetido a seus interesses particulares. De tal modo que as verdadeiras cabeças do sistema, não estão na liderança ou cabeça do sistema processando, mas fora dele, programando. Os verdadeiros donos nunca se colocam dentro, mas fora dessas estruturas. Não são governados pela ordem preconcebida, governam concebendo a ordem como preconcepção, sem se submeter nem expor nem a ordem, nem a sua queda, até porque a cabeça que está exposta ou é obrigada a se expor está vulnerável a ser cortada. De modo que o verdadeiro poder não está na força, mas na invulnerabilidade, e o que não pode ser visto não pode ser atingido, ou melhor até pode, mas como quem o atinge quase nunca sabe quem ou o que está atingindo, tem mais chance de nem saber o que contra-ataca e derruba do que continuar acertando. Isso não quer dizer que existam governos “ocultos”, como acreditam paranoicos e teóricos da conspiração, isso quer que se algo está exposto é porque provavelmente ainda que esteja escrito “a cabeça” não é a cabeça. E nisto reside uma confusão razoável em relação sobre quem sustenta quem. Se é o corpo que sustenta a cabeça, ou a cabeça que mantém o corpo funcionando, quando o fato é que um não existe sem o outro nem o servo sem o senhor, nem o senhor sem o servo, não enquanto tais.

De modo que é lugar comum dizer que os governos e poderes públicos como qualquer pessoa jurídica, organismo ou corporação está submetido ao interesses de que de fato detém o poder e o sustenta financiando. O que está parcialmente correto. Porque quem detém o poder de financiar na fase ainda atual do capitalismo detém o poder de fato, mas não é propriamente ele que se sustenta nem sustenta o poder, mas justamente o alienado que serve e produz. O poder de financiar ou prover não advém da capacidade de produzir, mas de controlar essa produção, de modo que o poder não está propriamente em “sustentar” o sistema, mas se apropriar de modo, que ele passe não só a depender dele, mas aderir a ilusão que depende dele, porque come na sua mão, se esquecendo que quem produziu o que uma mão dá é o que tomado pela outra, e não raro, quem produziu foi ele mesmo. De modo que quem detém o verdadeiro poder, é quem de fato o financia para preservar e representar seus interesses, a começar o da segurança do anonimato e da a essência da dominação que logo o fundamento do seu poder: a ideologia, a visão de mundo que não passa de uma ilusão de que quem controla é quem produz e quem é controlado depende dele, não justamente o real e oposto: quem controla é que depende de quem produz e do controle e da ilusão que mantém essa alienação.

Isso é ideologia. E é uma ilusão tão sem correspondência com a realidade quanto a própria ideia que essa divisão de alienados e alienados se dá em classes e não em graus ou degraus dentro dessa pirâmide do status quo, da base ao topo, até o além que paira fora e acima dessa lei e ordem com uma divindade terrestre nessa vida mundana, ou filhos e escolhidos na terra dentro dessa mitologia. Basta olhar para a massa numa manifestação organizada, nem todos ali são completamente alienados, e nem estão distribuídos fora desta ordem. Com os fanáticos a frente como soldado servindo de bucha de canhão, os capitães e generais mais atrás, e as verdadeiras cabeças bem longe e seguros de onde o couro come. O que não quer dizer que essa massa que se expõe está exposta da mesma maneira, nem portanto alienada ou suscetível a sacrificar-se da mesma forma. É uma tolice imaginar que todos que aderem ao mesmo culto estão acometidos da mesma disfunção cognitiva ou que não se movimentam usando o próprio movimento para tomar posições de vantagem dentro da ordem, desmobilizando-se com facilidade na medida que o movimento não tem nada mais a oferecer aos seus interesses particulares e que claro que tenham condições e alternativas além do que possa oferecer. Por isso não é a a toa que a base fundamental da conversão e fidelização é a miséria. Fora dela, onde o desespero obriga as pessoas a se agarrarem ao que tiverem por falta e privação de o que prevalece a liberdade, inclusive para renunciar a ela, e se entregar ao jogo do poder: onde todo idiota sonha em bancar um idiocrata, e idiotas de fato idiotas bancando os idiocratas, e idiocratas bancando os idiotas. De modo que o servir é muito mais o meio que encontram para tentar se assenhorar, e tentar escalar posições, daí que todo esse jogo social de poder ser um jogo de dissimulação de fidelidades e imbecilidades entre chefes e subordinados; uns a fingir que são fielmente cegos e idiotas e o outro a fingir que acreditam, se cercando de quem realmente o é, perdendo assim competitividade e produtividade mas garantindo sua posição ao desempoderar quem tem potencial para superá-lo, e empoderando a mediocridade que não a ameaça, ou então cercando-se de quem é capaz mas constante podando para que jamais venha a tomar sua posição. Eis a suposta arte de gerenciar pessoas. Equilibrar mediocridade e criatividade, a livre iniciativa e obediência, a produtividade e a impotência de modo a não matar nem empacar o burro, nem deixá-lo fugir ou tomar o seu lugar. O oposto portanto de toda pedagogia e desenvolvimento humano, isto é, “ensinar” uma pessoas a se tornar autônoma, ser capaz de se viver por conta própria sem depender de ninguém, incluso você. E há quem se surpreenda que só tenhamos pessoas corrompidas ou imbecis no poder. “Meu querido”, se já não são ficam senão pede para sair.

E se essa relação de loucuras corporativas e hierarquicas, genitora de todas os piores crimes contra a humanidade já se tornou normal é porque a nossa “normalidade” já se tornou o próprio deserto da banalização dessa forma de ser como poder faz tempo. O que varia é só o grau de deformação teratológica e absurdo do mal que se comete de tempos em tempos. Nossas relações humanas se perderam, se reduziram até a insignificância das relações de poder, contudo não podemos dizer sequer que somos animais políticos, mas muito mais animais econômicos pronto a fazer de tudo para saciar um vazio existencial insaciável de uma existência sem nenhum sentido além do estômago. De modo que esse homem, chamado de lobo do próprio homem, nada mais do que exatamente o mesmo homem, hora em tempos de vacas gordas, hora das vacas magras. E se em tempos de vacas gordas, a exploração e abate se torna mais “humano”. Já em tempos de vacas magras o esse abate e exploração das populações bovinas, aumenta na exata medida do que preciso for para manter seus padrões de vida o mais inalterados possíveis. E quem controla e regula esses recursos pode controlar os seres reduzidos a suas bestas de carga, abate ou briga. Mas ainda sim passa longe de controlar a sua própria bestialidade. Das bestas ele é o príncipe, o primeiro dos escravos da próprias bestialidade. Satisfaz seus desejos, mas não as governa é governado por elas, e assim como os próprios bestializados é tão vulnerável a dominação de quem controla a estimulação e saciedade dos seus desejos quanto eles, e pior é tão servil e dependente desses desejos constituídos como a força motriz sem freios que governa esse nosso mundo de idiotas e idiocratas onde uns governam os outros mas são completamente incapazes de governar a si mesmos. Ou seja, que não governam a sua vontade são governados por elas. E embora o complexo dessas vontades não seja nenhum organismo ou entidade com vontade própria, é ainda sim o fenômeno que efetivamente governa o mundo dos incapazes de controlar sua própria vontade, esteja ela submetida a de outros ou a tirania dela mesma contra com ou sem freios.

Na verdade já disse isso, praticamente com as mesmas palavras, mas vale a pena reforçar. Governar-se de acordo com sua livre vontade não é a mesma coisa que governar as coisas de acordo com sua vontade de poder, ter ou mesmo vir a ser. A livre vontade, ou livre-arbítrio longe de ser a mera vontade de poder (ou ter) é a vontade de ser livre, governar-se, algo que não se faz sem tomar consciência e o controle consciente das suas próprias vontades; não se faz sem a tomada de posse e controle de si mesmo como vontade consciente constituinte da sua própria vontade como vontade própria de fato. Um fenômeno derivado das relações de poder, mas da consciência como próprio-concepção, inclusive da vontade.

A alienação do fundamentalismo é a base epistemológica das propagandas de massas tanto de omissão e desprezo, mas não é a base psicológica. E confundir uns com os outros é tanto ser um cordeiro que se acha um lobo, porque veste sua pele quanto um idiota que crê que o lobo é um cordeiro porque se veste com as roupas de peles dos cordeiros que devorou. O modelito básico que nunca sai de moda nas sociedades de culto ao potencia dos predadores, ou o que é mesma coisa de normalização da predação (uso e eliminação) dos impotentes ou alijados de toda sua potencia e direito a vocação. E portanto tomar o raciocínio de que esses lideres, ou projetos de lideranças, governamentais ou corporativas e por extensão governos e corporações como pessoas naturais ou juridícas que executam suas tomadas de decisão de acordo como a mesma escala de valores e princípios do dito cidadão comum é um erro crasso. É um erro gigantesco perguntar porque eles fariam isto ou aquilo, quando a pergunta a se fazer nestes casos é justamente a oposta: POR QUE ELES NÃO FARIAM?

Repito: a pergunta não é a que nós fazemos a nós mesmos quando nos encontramos diante de um dilema emocional intelectual, em extensão a eles: não é se deixar tomar pelo absurdo e se perguntar porque eles fariam coisas dessas? Mas levar em conta o emocional e intelectual deles e se perguntar: porque eles não fazer isso? Porque é exatamente assim, que procede a mente patologicamente destituída da sensibilidade e inteligencia que gera esse impressão de absurdo. Nada é absurdo. Eles não precisam de razões para fazer, eles precisam de motivos que os impeçam, e isso eventual e circunstancialmente. Porque em si, neles não tal senso, noção logo nem impedimento.

Logo, é um erro crasso confundir as mentalidades com ideologias. A propaganda de massas com os interesses dos fabricantes desse produto ideológico. Na verdade um erro basilar a manutenção do status quo. Que permite a plebe se projetar nos líderes e os líderes se projetarem como se fossem a encarnação da totalidade da plebe. Ou a plebe se faz povo e potencia através da sociedade sobre o bem comum, da associação sobre o que compartilham e lhes é por isso comum e a base da sua comunhão, ou se deixa apartar e dividir e conquistar sobre a(s) bandeira(s) propagadas de uma ou mais lideranças a disputar o poder sobre seus eles e seus bens perante sua impotência e alienação.

O maior mito ou falsificação ideológica do estadismo depois é claro da própria falsa divisão entre privado-público, entre os interesses dos verdadeiros donos do território, e seu administração mal disfarçada é o que essa administração não é deles, mas nossa. Que esse poder público e governos representam o povo enquanto sociedade, quando sequer o povo é uma sociedade, ou o que é a mesma igualmente parte dela como tal, nem portanto é propriamente povo mas massa e plebe perante o que instituições sociais e governamentais que mudaram de nome, discurso e fachada, mas não de comportamento, costume, nem portanto de entendimento e mentalidade, continuam com a mesma vontade de ser e poder: uma aristocracia. A sociedade continua a se compor como a corte, como corpos sem luz e satélites a girar em torno de si mesmo e corpos maiores a girar por sua vez em torno do que é o centro de poder, do sol do seu sistema que por sua vez, gira em torno de sistemas maiores… Corpos a girar a viver orbitando e o mais próximo do seu centro do sistema e o mais distante possível de quem está a margem. cortês e cortesãos e fidalgo, em disputa pelo osso que cai da mesa do rei e os donos do reino, burocratas e tecnocratas. Não são plebe, mas também não são livres. Não na liberdade que se define pela posse de dignidade. São súditos, e não um assembléia de pessoas livres com soberania absoluta sobre sua vida privada, nem muito com poderes e autoridades iguais sobre a vida pública e o bem comum. Uma corte, e não uma sociedade livre.

Um estado todo poderoso é a anulação completa do povo enquanto sociedade e sua redução dele a plebe, e da sociedade a corte real. Enquanto uma sociedade completamente empoderada é a anulação do estado enquanto tirania e sua redução completa a condição de governante a servidor público do povo não como setor ou parte da sociedade, mas como a própria sociedade e fonte de fato da soberania, não como principio demagógico ou falsificação ideológica, mas como soberania de fato: igualdade de poderes sobre o que é público e comum como direito de usufruto e controle, e dever de preservação e não dever e direito de…bem do que quem de fato é o dono da terra como nação definir seus direitos e deveres, propriedades e expropriação a revelia dos seus direitos e deveres legítimos.

Não se pode ter dois senhores sobre uma nação. Não legítimos. Quando uma pessoa tem o direito de posse e controle sobre algo mas não o possui nem a posse ou controle, ou ela não é o legítimo dono ou o outro que detém o que é seu é um ladrão. Ou quem governa é rei e nós somos servos e propriedades do seu direito divino de mandar sobre nós, ou ele é uma ladrão a roubar o direito das pessoas de governarem igual e compartidamente seus destinos. As piruetas filosóficas e demagógicas que os escribas da corte fazem para justificar que o rei é o dono da sua bunda ou você continua dono dela mesmo quando ela pertence ao rei não passam disso, falsificação ideológicas.

Ou o Estado divide e e conquista a soberania sobre o territória anulando a sociedade como corte e reduzindo o povo a sua plebe. Ou o povo se une e reconquista sua soberania como sociedade reduzindo os tiranos a servidores iguais em autoridade sobre o bem comum como membros da sociedade. Até porque quando um setor da sociedade reduzido a uma classe, toma o poder, trocam os papéis entre senhores e súditos, mas a plebe continua a mesma. E mesmo que a plebe tomasse o poder, a tomada da casa não muda sua arquitetura apenas coloca outros lideres e seus lugares tenentes nas posições governamentais e sociais de reis e aristocratas, enquanto o povo permanece exatamente no mesmo lugar e condição da plebe, desde que o mundo é poder, servo, escravo e empregado. A unica mudança que ocorre é que os ideólogos da “revolução” Perdem sua legitimidade, ou melhor a vendem em troca do poder, para findar-se na imagem e semelhança da monstruosidade que outrora usaram como pregação para se levantar e tomar o poder e não propriamente para por um fim a esse absurdo degenerado e degenerador.

É por isso que esse tipo de arquitetura tanto social quanto estatal atrai sempre predadores e carniceiros. Uma vez constituído como jurisdição de A sobre a vida de B ela é como a ferida pobre e sujeira para as larvas e parasitas, o ambiente perfeito a sua reprodução. E parasitas seja por natureza ou escolha não precisam inocular ideologias neles mesmos para se fazerem parasitas, precisam inocular a ideologia no corpo dos hospedeiros para poder sugá-los. Não precisam de ódio, nem muito menos de idolatria para tomar decisões que implicam em envenenamento e morte de milhares de pessoas, porque saúde ou doença, a vida ou morte de uma ou tantas quantas forem os seres vivos ou humanos não significa nada para eles, ou no máximo centavos na contabilidade da suas escala de valores, onde o valor maior e a fortuna são literalmente outra coisa já tão banalizadas que viraram de fato sinônimos de fortuna até mesmo para os desafortunados. Raiva, drama, sentimento, é coisa de pobre, coisas deletérias e sem valor, o verdadeiro holocausto é sempre sistemático e racional, e movido por valores materiais e objetivos concretos, podem até fazer parte da solução final, mas não são seu objetivo em si.

São esses objetivos e valores que importam. É a manutenção ou expansão das posses e poderes, é a preservação tanto da sua posição quanto da condição não importa quão desumana ou monstruosa seja como corpo institucional a razão existencial dessas pessoas. Eles não odeiam nem amam o povo, as outras classes sociais, raças ou qualquer outro tipo de diversidade de gênero e ou gene que não considerem a projeção da sua imagem e semelhança; não ligam para o que sente ou pensam delas ou que elas sentem ou pensam deles; simplesmente tem por elas tanto consideração ou emoção pela vida dessas pessoas quanto nós em geral temos pela de uma mosca ou suas larvas.

Idiotas entregam o que quer que seja, até eles mesmos ou quem amam, a idiocratas. Idiocratas não entregam nada a ninguém. Exigem, manipulam e se preciso for e puderem tomam. Fanáticos matam e morrem por seus ídolos e idolatrias. Idiocratas mandam se matar e morrer. Idiotas obdedem ou se conformar, odiando ou amando o que estão fazendo ou sua condição, simplesmente odedecem porque estão adestrados a servilidade e impotência fosse o normal o correto, e a inércia e conformidade ainda que mórbida fosse natural a forma de existência. Idiocratas não prezam a vida como fenômeno, não existem fenômenos tudo que existe é a força, que determina o quanto uma coisa é sua propriedade de acordo simplesmente com a sua vontade. É por isso que se diz que a única coisa que eles respeitam é a força, entendida com a igual disposição para a violação e violência. Mas o emprego da palavra respeito é um erro, uma mera força de expressão, porque respeito implica um código ético e moral. e uma conduta relativa ao grau de intimidação que se sobre ou impõe. Isso não é respeito, isso se chama covardia, a força que é usada contra você quando não você não tem força para resistir, ou por você contra alguém que tem menos força ainda para resistir. A base moral e “bons costumes” de toda relação do poder e hierarquias: a covardia dos que baixam a cabeça e levantar o rabo para quem pode mais, e pisam no pescoço e passar por cima dos que pode menos. A moral que funda os territórios dos “bravos e valentes” que crescem contra os pequenos na exata medida que se apequenam temerosos e submissos “contra” os grandes. Moral que portanto é a mesma seja na bravura seja na servilidade, é a covardia dos violentos. Não é a toa que neste mundo de valores invertido até a perversão, coragem se torne portanto sinônimo da capacidade psicopática de cometer as maiores barbaridades; os mais criminosos mais covardes sejam adorados como heróis dos covardes, e seus piores crimes e massacres não sejam convenientemente esquecidos como os menores, mas devidamente registrados e lembrados em verso e prosa como apologias dessa bravura… essa é a moral dos monopólios da violência, a moral dos covardes.

Porém se a ética corporativa consegue harmonizar esses princípios contraditórios em condições extremamente favoráveis, isto é, onde os escrúpulos não implicam em perdas de grande monta, nem os grandes ganhos exigem a completa falta de escrúpulos. Em crise, essa moral conhece suas essas situações limites, onde a contradição se torna tão evidente quanto extremada, e a escala de valores e prioridades é posta a prova, não havendo mais zona de conforto para manter a ambiguidade do paradoxo “maximizar os ganhos com responsabilidade social e ambiental”. Porque se tudo for preservado enquanto ser não espaço para ter coisa nenhuma. De modo que a contradição até então mais ou menos ambigua de ou se maximizar esses ganhos sobre as coisas, ou se preservar os seres, se torna concreta quanto não vender um produto sabidamente tóxico e até mortal para muita gente e manter seus ganhos ou encobrir e fingir que nada sabe sem assumir perdas ou correr o risco de falir. E a respostas determina a verdadeira ética do indivíduo ou grupo, seus limites ou se ela não passa de falsidade ideológica pura. Ou seja se ele vai justificar seus ganhos afirmando que é impossível fazer um omelete sem quebrar alguns ovos. Ou se não vai dizer que seus omeletes não são feito de ovos. Entretanto nos dois casos seja daqueles que acham que os fins justificam os meios, por que os fins são elevados para justificar o mal necessário, ou daqueles que julgam que os meios não tem valor existencial nenhum que justifique o impedimento de qualquer uma das suas finalidades, o resultado é o mesmo, a desvalorização da vida e humanidade e a sua consequente destruição e descarte como se fosse lixo.

É por isso que neste status quo, na cabeça das corporações, privadas ou estatais não há lugar para quem tem escrúpulos precários, mas somente para quem não tem escrúpulos nenhum. Ganhos e escrúpulos não são somente conceitos distintos, são na prática valores inversamente proporcionais. Logo é um erro se perguntar, por exemplo, porque a Monsanto produziu e vendeu agente laranja na guerra do Vietnã, ou a Bayer colaborou com o nazismo, ou ainda porque governos e sociedades proibem certos produtos em seus territórios, mas permite que se produza e venda a outros povos e nações. A pergunta correta é porque: eles deixariam de fazer isso ao que não vale nada para eles? Quando essas pessoas falam em direitos humanos, direitos ao devido processo legal, respeito as condições e etc,etc, elas estão falando e pensando exclusivamente no delas e não das outras pessoas. Os mais espertos dissimulam, fingem e negam que saibam até onde não mais puderem, não importa as provas e evidências. A grande questão portanto não é o que eles pensam e querem, isso é evidente. Mas o que não tem, não pensam e não tem fazem a menor questão de querer. Motivos, dentro da sua escala de valores não lhe faltam o que lhe faltam é princípios. E quando digo “princípios” não estou falando de valores dentro da sua escala, mas de outra escala completamente diversa de valores, dentro de outro processo de valoração dos seres e das coisas, onde o seres não são meramente coisas ou valores de suas valorações e desvalorações. Em outras palavras, estou falando não de ideias e ideologias mas de sensos, noções, intelecções e sensibilidade que permitem a construção destas ou de outras mentalidades. Estou falando de outras propriedades e faculdades que eles perderam ou lhe foram roubadas, e que certamente tiveram um dia, ao menos quando ainda eram crianças em potencial. Estou falando de tudo aquilo que nos falta que fazemos questão de amputar na geração seguinte: humanidade. Algo que não existe como realidade, mas como potencia e prepotência, sonho e fantasia do que de fato ainda realmente somos.

Não faz sentido portanto perguntar porque eles fazem isso ou não fazem aquilo, por mais desumano que seja,quando o que falta ao entendimento deles (e o nosso) não é o “porque” fazer, mas a noção ou sensibilidade que nos diz não como consciência e não um superego porque deveríamos ou não fazer isso. A realidade e informação podem até ser a mesma, mas o processamento é diverso. E se a diferença em essência é de graus, na prática se torna de literalmente de gênero, número e classe. Numa estrada escura sem ninguém por perto, a maioria de nós é tomado pelo medo e o pensamento: “estou ferrado se alguém me pegar aqui, não vão nem encontrar o corpo preciso sair daqui”, outros serão tomados pelo desejo: “ái se eu cruzo com alguém por aqui”. A vulnerabilidade de ambos de fato é a mesma, o que muda é a disposição. O erro está portanto em supor que eles processem a informação sensível ou racional da mesma forma. Não processam. Nós os que se veem como predados precisa de um motivo uma ordem um ídolo uma ideologia para cometer uma atrocidade para predar. Os predadores não. Tudo que precisa é literalmente poder e saber que tem uma boa chance de predar e escapar ileso. Tais indivíduos respondem apenas aos pesos e contrapesos, aos poderes que possuem e não possuem, os poderes que os permitem agir ou não. Não são morais nem imorais, mas amorais. A pergunta portanto não é porque eles colaboraram. Porque a resposta está nas suas prioridades, precariedade de escrúpulos. O valor da vida como qualquer outra é a de capital. Uma coisa a ser tomada e usada a satisfação dos seus objetivos e desejos. Não há mistério, nisto. A questão não é porque eles fazem o que fazem. Mas sim porque concedemos posses e poderes para continuar fazendo. Porque permitimos e (financiamos!!!) para que tais pessoas e instituições acumulem poder suficiente não só para colaborar com ditadores, mas muitas vezes para interferir na redação dos ditados das ditaduras, para compor as leis e mandamentos que vão reger o comportamento fundamentalistas, como ser regido por doutrinas fundamentalistas laicas ou religiosas e não a inteligência fosse o são e o natural. A pergunta é porque é que nos colocamos literalmente a merce da paixões de quem desconhece o que seja compaixão e misericórdia??? Porque continuamos a deixar nos levar para suas caminhos obscuros? A pergunta é porque aceitamos como normal que tanto que psicopatas nos governem quanto que eles continuem a propagar o fundamentalismo que serve tanto para sustentar a insolidariedade em tempos de crise quanto a ódio e a guerra quando seu status quo periga cair? O absurdo está nos olhos da vítima, não nos olhos do monstro ou predador. Aos olhos predador o que há é belo espetáculo e banquete.

É um erro portanto supor que essa ou aquela ideologia de ódio surja (e se propagem) do “nada”. Elas se desenvolvem no campo fértil de um cultura de doutrinação que tanto desnatura a vocação humana para a e consciência quanto predispõe a mentalidade dos povos reduzidos a massas a seguir qualquer ordem por mais monstruosa e absurda que seja desde que seja ditada e predefinida como a ordem. Neste processo os ideólogos e arquitetos dos sistemas, os redatores das leis e agendas nacionais e internacionais preferem enfrentar o risco de um louco que acredita nos mitos de dominação e segregação que eles vendem para as massas, do que correr o risco de ver as massas pensando fora das caixas onde encaixam os preconceitos e preconcepções. É uma questão de prioridades. E a prioridade não é a vida nem muito menos a liberdade, mas a manutenção do seu status quo, custe o que custar, incluso vidas das as massas mantida fiéis a ordem predeterminada. Se o custo da manutenção do conformismo pode ser comprado com conforto, tanto melhor porque quanto mais confortável em sua conformidade menor o risco de “sedição”, porém se não, se o custo da conformação por conforto se tornar insustentável, a brutalidade e cabresto e seus agentes voltam a agenda.

A emergência da consciência, pessoas tomando decisões próprio-concebidas é a restituição de uma natureza e ordem natural cuja consequência é a morte dessas instituições antinaturais e antissociais. O fim de um paradigma onde crimes contra a humanidade e a natureza cometidos por aqueles que se julgam no direito de definir o que é crime e o que é direito natural e humano são a ordem legal, normal e real. Porém antes disso há a guerra entre o status quo guardado representado pelo poder estatal e a plebes. Se fora dos períodos de crise sistêmica, as posições ambíguas não só são toleradas mais alimentadas, dada a sua incapacidade de criação de alternativas concretas. Nos períodos derradeiros a sobrevivência do sistema, seja através da confrontamento e extermínio do novo, seja através do contrabando das velhas ideologia dentro da arquitetura da nova, nas duas estratégias o que está configurado é o mesmo objetivo, manter o status quo seja qual for sua forma aparente, manter a mentalidade, a cultura de poder e as preconcepções vigentes não importa qual seja a sua roupagem ideológica ou arquitetura sistêmica.

O pensamento fundamentalista é a mentalidade da qual emerge as ideologias que se colocam acima da vida e liberdade normalizando a marginalização e eliminação dos que sofrem e carecem, e institucionalizando como real ou legal quem os elimina seja por exclusão e privação seja por agressão ou prisão. As ideologias podem variar da esquerda para direita o quanto quiser desde que o autoritarismo, o culto ao poder e projeções egocentradas coletivos e individuais permaneçam no centro como o real. Mais do que isso as ideologias não só podem, elas DEVEM, sempre que preciso for, variar para os extremos para manter intacto o centro do poder. De modo que a marginalização, exploração e eliminação dos rejeitados e indesejados como se fossem lixo apenas sai da moderação e dissimulação da segregação, exploração e extermínio lento, passivo e omissivo e passa diante da ameaça para as soluções finais: rápidas, brutais proativas e explícitas de exclusão, escravidão e genocídio.

Da moderação progressista ou conservadora as respectivas radicalizações genocidas revolucionárias e reacionárias, da pregação e doutrinação político ou religiosa a inquisição e apedrejamentos e fogueiras não há um salto ou quebra, mas exatamente um mudança de grau que os termos moderação e a radicalidade deixam bem claros. A disposição, os escrúpulos precários e desvalorização da vida-liberdade continuam miseráveis os mesmos, muda são as circunstancias que os coloca seus verdadeiros valores a prova.

Portanto não adianta demonizar governos nem corporações, a maldade não surge do transcendental, nem é produto de uma ideologia mas literalmente da falta de uma consciência não como valor moral, mas falta ou perda dessa faculdade cognitiva . Uma perda da qual todo sofremos querendo ou não. O quanto é o que determina a nossa impotência e vulnerabilidade. E é um erro grave a abordagem moral de um problema que é sobretudo de desenvolvimento da sensibilidade inteligente que não é uma predisposição a ao bem ou mal, mas simplesmente uma maior ou menor facilidade ou dificuldade congênita ou adquirida de se conectar e entender ou o outro, um potencial que pode ser desenvolvido como capacidade ou não conforme é trabalhado ou não em um sentido ou outro. Ou seja desenvolver essa capacidade ou manter anulado todo esse potencial.

A sensibilidade e por consequência a própria consciência não funcionam de forma diferente de outras capacidades cognitivas, quanto mais são trabalhadas mais desenvolvem seu potencial, e assim como qualquer dificuldade de cognição ou motora podem e devem ser trabalhadas o quanto for necessário para que a pessoa cresça com uma capacidade suficiente. Não importa o quão sensíveis e inteligentes todas as pessoas carecem de liberdade como condição para desenvolverem seu potencial e mais atenção e estimulo para o seu desenvolvimento quanto maior for a necessidade. De modo que quanto menor essa sensibilidade ou por outro lado extremamente hipersensível maior a necessidade de atenção e cuidado no estimulo na medida correta para o desenvolvimento da empatia e solidariedade.

Condenar alguém por sua psicopatia num mundo onde a solidariedade é tão trabalhada é como condenar alguém que foi criado dentro de um quarto escuro por não ser capaz de enxergar ou não tolerar a luz ou alguém por não conseguir correr por viver numa sociedade sedentária. Se possui dificuldade para enxergar ou se locomover então essas condições são agravada ainda mais pelas privações. E assim dificuldades que facilmente poderiam ser superadas se deixássemos de abordar a questão ideologicamente pelo moral e passemos a tratar como uma questão de desenvolvimento da faculdade da consciência, passam a se tornar problemas a justificar o moralismo.

Mas como cegos que castigar crianças que enxergam perfeitamente por não conseguirem se mover na penumbra do seu mundo de intolerância adquirida a luz poderiam compreender e ajudar quem de fato tem dificuldade para desenvolver sua visão? Como podemos ajudar quem sofre demais, ou de menos com a condição alheia, se criamos um mundo onde lidamos com essa sensibilidade anulando-a, furando os olhos uns dos outros, porque em terra de cego quem tem um olho é rei? Não; não estamos preocupados com o mundo, mas com as nossas visões de mundo. E elas não são a mesma coisa.

Nesse sentido a educação se constitui muito mais em processo de reprodução e fabricação da cegueira e amputação nas novas geração para comodidade e satisfação das frustrações dos gerações antecessoras, num ciclo vicioso de degeneração do potencial e vocação humana. Mas deixemos em paz a educação das crianças e voltemos as nossas patologias adultas. Até porque não vamos quebrar esse ciclo pela mudanças de hábitos transferindo a responsabilidade de transformação da humanidade as novas gerações. Afinal como querer ensinar o que desaprendemos? Enunciando regras e formulas que não somos capazes de cumprir?

Se esses lideres e corporações portanto ocupam posições para promover crises econômicas, humanitárias e políticas para fazer suas propagandas de idolatria ao consumo, conformismo, ou servilismo e predação em detrimento a toda a vida e humanidade isso não decorre exclusivamente do grau de ignorância degeneração e insensibilidade e humana e social deles, mas também da exata medida em que compartilhamos não só desta ou daquela ideologia, mas do mesmo fundamentalismo que coloca nossas concepções acima da vida e liberdade. Da exata medida em que compartilhamos como mentalidade mitológica- como (in)consciência coletiva ou mais precisamente corporativa- do mesmo culto e cultura as relações de poder com nossos mitos e ícones e personas que os encarnam como corpo e cabeça com todas suas prerrogativas criminosas de mando e obrigação de renuncia e servidão das vítimas, colaboradoras ou não.

E nesse ideia de corpo não há pessoas mas células com funções que podem e devem ser descartadas para salvar o mito: o corpo. E perante essa mentalidade patológica não só se contabiliza o sacrifício de alguns para salvar muitos, mas o sacrifícios de muitos para salvar a parte mais importante do corpo não importa quantos: as cabeças. E o que as cabeças chamam de anarquia ou estado de natureza em seus velhos tratados políticos-econômicos nada mais é do que as pessoas em seu estado natural buscando salvar seguindo sua cabeça e procurando salvar e cuidar da sua vida e não da deles. Pessoas naturais cuidando de sua vida natura em comunidade naquilo que lhes é de interesse comum e solidário e não alienado a inconsciência do mito ideológico do poder encorporado pelo deus rei, senhor e juiz da vida alheia e alienada. E enquanto acreditarmos que temos ou qualquer um tem o direito de ser o senhor e juiz não só uns dos outros mas do mundo, continuarão a nascer e renascer mostro entre nós e não adianta por a culpa nem em deus, no diabo, nem na natureza ou no acaso, porque o fator determinante desse fato não é outro senão nosso credo que confunde liberdade e poder. Confunde nossas mitos e realidade, visão de mundo com o mudo, as idéias das coisas e as coisas que não objeto de ideias, as representações e os fenômenos. O mundo e nossas ideias.

Hoje nos entendemos equivocadamente que essa capacidade nos dá poder e jurisdição sobre as coisas. Quando tomarmos consciência que essa capacidade não nos dá poder nem direito a nada, mas sim liberdade inclusive para assumirmos como dever social e vocacional humano a defesa e provisão dessa liberdade não como donos e senhores da vida, a começar pela vida das outras pessoas, então poderemos dizer que finalmente estamos saindo da era dos mitos de servidão e entrando da era da consciência. Deixando de ser uma espécie idolatra, carente de crenças mitos e vulnerável a seus pregadores insanos e lideranças maniacas. Deixando de ser uma espécie presa dos seus próprios indivíduos que não partilham dos sentimentos gregários de amor e ódio que nos unem e dividem mas os exploram como ao medo e a esperança. E o mais importe não nos reproduziremos como predadores maiores ou menores uns dos outros de acordo com nossa força e poder. Porque no final das contas o que persegue de tão diferente assim aquele que busca acumular o máximo de poder, idolatra o poder total ou os todos poderosos ou busca ser um? O que faz essa pessoa senão perseguir aquilo que todas as culturas humanas concebem ainda como valor supremo, acima de todas as coisas: poder. Até mesmo quem diz venerar a deus acima de tudo, não o concebe senão como o Poder supremo, o Todo Poderoso. Idolatram exatamente a mesma coisa que todo fanático supremacista totalitário: o poder. O que muda é a sua representação, para um ele é a pátria, para outros o dinheiro, outros o senhor da sua igreja, para alguns ele é até a liberdade, mas a liberdade como poder, como privilégio, superioridade e desigualdade de forças e não liberdade como igualdade de poderes, como igualdade de possibilidades.

Para entregar seus próprios filhos e irmãos ao sacrifício aos senhores todo-poderosos da guerra e escravidão não é preciso ser um tirano psicótico nem um fiel esquizofrênico, não é preciso odiar nem desprezar sua gene e prole, basta se conformar como prerrogativas desses poderosos contra a vida e liberdade tanto dos estranhos quanto dos vizinhos, tanto dos distantes quanto dos vizinhos, basta se conformar como se fosse normal que qualquer pessoa se arrogue o direito de juízo, mando e sentenciamento sobre a vida alheia porque tem o poder, o poder de fato para julgar, mandar e sentenciar seja em tempos de vagas gordas, de exploração e extermínio moderado lento e dissimulado seja em tempos de exploração e extermínio rápido explícito e radical. Não é preciso desprezo, ódio basta aceitar como normal, legal ou real a existência de poderes que disponham da vida e liberdade, aceitar suas desculpas e justificativas teratológicas de que fazem o que fazem para o bem ou como um mal necessário. Basta aceitar o poder como a lei e ordem acima do próprio direito própria vida e liberdade.

Para entregar uma pessoa a morte, não é preciso odiá-la, nem amá-la, basta se conformar a potencia do outro como jurisdição sobre sua vida, ou o que é a mesma se conformar a impotência como a justiça da sua vida. Para entregar qualquer pessoa, inimigo ou amigo, ou até mesmo os pais os filhos ou irmãos, tudo que é preciso é se omitir e conformar com a prerrogativas contra toda e qualquer forma de vida dos todo poderosos. Não é preciso idolatrar o poder acima da vida mesmo de quem se ama ou a sua, basta aceitar por a omissão, a servilidade e todo a impotência como condição confortável e reconfortante dos conformados. Não é preciso ser cego para não ver os genocídios, basta olhar para o outro lado e fingir que não sabia. Claro que no futuro seremos cobrados como foram as gerações passadas pelas futuras, os filhos e netos a perguntar como eles não sabiam? E não sabemos?

De certa forma nossas governos e corporações, mercados e estados institucionalizam nossa cultura, ou mais precisamente são a institucionalização do nosso culto ao poder ou o que é a mesma coisa a nossa condição servil confortada pelo eterno sonho de um dia também nos tornarmos tiranos. Servilismo cultural vendido por propaganda de adoração ao poder e ambição de ascensão a ele social, política e econômica. E como nem todos ficam na base da pirâmide dessa ilusão, o mito que não é verdadeiro nem útil para todos, o é para quem chega ou já nasceu no topo. E manter esse mundo de valores completamente invertidos é essencial para a manutenção da sua própria posição dentro da pirâmide de poder, e como diretos “adquiridos”.

Logo, direitos humanos portanto não são nem pode ser somente “o direitos a o ter direitos. Direitos humanos é ter direitos sem juízes, ou não ter juízes sobre seus direitos, seja para dar ou retirar o que não lhes pertence. Ter direitos humanos é viver numa sociedade onde não é direito nem dever de ninguém se ajuizar dos direitos alheios, mas sim dever de todos não permitir que ninguém que se assenhore do direito que não lhe pertence nem como juiz, nem como governante, nem como ladrão legalizado ou não. O signo do direito a vida e liberdade não constituem a vida e liberdade nem muito menos os direitos de quem a possui sobre elas. Esses direitos são fenômenos que quer o homem ou animal conheça ou reconheça racional ou instintivamente, quer não, continuam presentes como fenômeno naturais, inerentes a vida como liberdade e a liberdade como vida. A mente tem sensibilidade e inteligência para dar o devido significado e valor então tem capacidade para proteger esses fenômenos não porque seja obrigado, mas porque fez dessa capacidade e escolha a vocação que dá forma (e significado) a sua vida.

Nessa cultura onde o homem se julga por direito autoridade e juiz do mundo e dos outro homem, ele pode tomar para si o direito de decidir sobre seres e responsabilidades que não lhe pertencem como a vida e corpo de uma mulher e seu filho, criminalizar o que ela fará com eles. Mas sobre as coisas atos que lhe cabem responsabilidade, como as posses e poderes que toma como senhor, rei ou juiz, as posses que toma e mantém não raro com uso e supremacia da violência e sua “legitimação” sobre essas que são de fato não são sua jurisdição mas suas responsabilidades criminosas, sobre essas coisas ele não responde e criminaliza quem ousar questionar por justiça. E a mesma criança que esse homem e senhor do mundo que obriga a mão a parir, e a viver e sobrevir sem os viveres que os priva é por vezes é aquela que ele também sentencia a prisão ou a morte se não se aceitar sua ordem, os trabalho que ele lhe impõe ou ouse tentar reaver qualquer liberdade que estiver em suas mãos, seja como posse ou poder.

Qual é portanto o crime cometido pela Bayer e Monsanto ou até mesmo os nazistas contra os direitos humanos se o reconhecimento desses direitos humanos está submetido ao juízo de quem detiver o poder para definir o que é um crime ou esse direito? Seria portanto nenhum se aqueles que cometem os crimes permanecem no poder assim como são os crimes não só enquanto todo criminoso continua legislando, mas enquanto damos o direito a quem toma o poder para definir o certo e o que é errado, acima das próprias necessidades fundamentais naturais e universais dos seres vivos. Seres que não carecem de poder para viver, mas justamente do oposto, do respeito a liberdade que se constitui como o próprio fenômenos vital, ou simplesmente como a vida.

O problema não é a falta de leis, cartas, declarações que protejam esses direitos, até mesmo porque com ou sem tais dispositivos eles continuaram a ser violados e desrespeitados. O problema está justamente em precisar de qualquer coisa do tipo, crendo que tal resolveria o verdadeiro problema que não é outro senão reconhecer que já temos não só os direitos mas as liberdades e poderes sim poderes naturais para defender esses direitos quer sejam ou não reconhecidos por quem quer que deveria ou os viole. O problema está em acreditar que somos senhores do mundo, ou de que precisamos de um para nos salvar ou defender. Que exista ou precise existir esse tipo de coisa: poderes, forças e poderes totais ou todo poderosos, mitológicos ou reais.

No dia que entendermos que direitos não são prerrogativas nem privilégios sobretudo de intervenção na vida alheia, entenderemos que não são nossas liberdades que terminam onde começam a do outro, são sim nossos poderes de interferência que sequer começam onde não existe o consentimento ou sua possibilidade. A nossa vontade de justiça não está acima dos limites de nossa jurisdição natural.

É evidente que se não queremos viver em guerra contra a tudo e todos, humanidade e natureza, não basta reconhecer o direito a vida do que vive, mas as obrigações inerentes a preservação desse direto que não são de intervenção, mas justamente o oposto de legítima defesa contra todo tipo de intervenção que não seja consentida, isto é, violência. Sim a imposição de uma jurisdição sobre outras pessoas nada mais é do se arrogar a prerrogativa tanto de agir com intervir contra a vontade usando da violência ou privação quanto de reagir com violência ainda maior caso a pessoa use da legitima defesa para resistir. Nossos direitos e deveres, nossa jurisdição, poderes e liberdades começam e terminam onde todo e qualquer ser se institui e delimita legitimamente, na defesa do necessário, não ideal, subjetiva ou relativa, mas como fenômeno concreto: vida e liberdade.

Criminalizar o ódio ou a vingança é tão hipócrita quanto travestí-los de justiça para poder exercê-lo sem o assumí-los de fato como são. Quem não odeia e não quer vingança, sobre aquele que violenta ou toma a sua vida ou a dos seus filhos é um morto-vivo, é o incapaz e impotente inclusive para perdoar. Porque não tem em seu coração e vontade ao que renunciar. E ao que não é obrigado a renunciar. Isso não quer dizer as sociedades devem tolerar que cada um busque justiça pela suas próprias mãos. Pelo contrário, se queremos a paz, precisamos impedir que a violência se consume, mas naquilo que temos o direito e jurisdição para interferir, que não é punir, principalmente, aquele que busca a reparação do mal que sofreu, mas promover a reparação, se é que tal reparação é possível perante o mal e o dano causado. Não é sequer mais uma questão de legitimidade, mas de possibilidade, é simplesmente impossível fazer justiça ou satisfazer a sede de vingança porque nenhum delas compensa o que foi subtraído, nada repara o que foi quebrado e a prepotência de quer a punição seja como justiça ou vingança vai conseguir reparar ou restituir o que foi perdido é uma ilusão de controle, ordem e segurança. Uma falsa sensação de recompensa e segurança.

Essas concepção de jurisdição como poder e violência não é só ilegitima mas inútil e impotente como provedora e garantidora de justiça e direitos. Seja como o “direito” de quem tem a autorização para se valer dela seja como a dever de quem a obrigação de renunciar em favor daqueles que a monopolizam legal e ilegalmente, tal força lida sempre com estado de violação e exceção geral ou particular de direitos naturais, e não com suas garantias e provisões. E lida reativamente as consequências dos direitos violados e não com a proatividade das suas garantias, não senão como a ameaça de violar os violadores, algo que funciona contra quem deliberadamente

E antes de tudo buscar impedir que tal violação e violência se consume, porque tudo o demais que advém dela.

Nossas obrigações uns para com os outros e para com todos os seres dotados de vontade própria em geral, está em não tomar nem privar absolutamente ninguém da sua vida e liberdade, inclusive como meios vitais e ambientais. E isto é algo que inevitavelmente fazemos (mesmo sem violência) pelo simples fato de co-existirmos num mesmo espaço e tempo materialmente delimitado. De forma que tais obrigações deixam de ser meramente negativas, e passam a se tornar positivas e propositivas, quando vivemos em comunidade ou sociedade, isto é quando partilhamos dos mesmos bens comuns (meios vitais e ambientais). É sobre esses bens comuns que nossa responsabilidade social ou comum é positiva e proporcional a exata medida que controlamos ou possuímos, individual ou coletivamente qualquer bem assim sendo também pertence ainda que residualmente ou infimamente aos demais.

Ninguém tem o direito de destruir ou privar os demais daquilo que não é absoluta e exclusivamente seu. O que muda, é que quanto maior o e posse controle sobre o que é bem comum e difuso maior as obrigações de provisão e preservação positivas. E quanto menor as negativas. Ou simplesmente, aquele que não tem praticamente nenhuma posse ou poder ainda sim tem obrigação a mesma de preservar de não fazer nada contra o bem comum da mesma forma que aquele que detém a posse ou poder, seja como representante público seja como proprietário particular, aquele que de fato possui e controla aquele bem comum como pessoa natural, tem não só todas as obrigações de não fazer dos destituídos de posse e poder, como as responsabilidade de fazer proporcionais a quantidade de poderes e posses do que é comum que está sobre a sua propriedade particular seja como dono seja como representante, sozinho ou em assembléia.

Possuir poderes ou posses majoritárias não só não dá direitos nem poderes absolutos, como gera responsabilidades de proteção e provisão positivas proporcionais a exata medida do grau desse controle mesmo que eventual. Quem senta no banco da praça o tem para sentar e não depredar. Quem bebe do poço, tem para saciar a sede e não sujar. Quem tem colhe da arvore frutífera tem para saciar a fome e não para derrubá-la. Quem tem ou casa própria ou terras a tem para viver nela e não para incendiá-la colocando em perigo a vida dos vizinhos ou matando os infelizes que vivem nelas. Ou até mesmo nosso corpo e nossa força que são absolutamente nossos para fazermos o que quisermos como eles, mas com eles e não através deles o que quisermos com os outros.

Mesmo portanto sobre as coisas que possuímos com exclusividade praticamente absoluta em relação a quem quer que seja. Pois quer tenhamos 50,000001 ou 99,99999% da posse e controle sobre algo isso não nos dá o direito nem de excluir, nem impedir o usufruto dos demais na exata proporção dos seus direitos de participação ainda que seja de 0,000000001 sobre a coisa. De modo que nem um nem outro, nem aquele que possui quase tudo ou quase nada está excluídos nem dos direitos nem dos deveres inerentes desse posse e participação. Isso implica na prática que ninguém simplesmente pode dispor de tudo que possui como quiser, nem pelo contrário se eximir porque não possua quase nada. Pelo contrário, as obrigações de preservar e usufruir e garantir que ninguém seja privado do que é necessário são exatamente mesmas, proporcionais ao controle do que podem fazer com as coisas.

Seja portanto controlado por apenas um individuo, ou coletividade em sociedade ou assembléia, o bem, seja particular ou comum, possui parcelas que pertencem a outros seres vivos e humanos e não humanos que carecem dele para viver e que não podem exercer o seu políticos e economicamente seja porque não são são ainda adultos, são incapazes, ou sequer são humanos, mas tem direitos naturais sobre as coisas por que assim como nós vivem e tem o direito direito de lutar e se preciso for até lutar e matar para tentar sobreviver. O principio é o mesmo para tudo que é vivo. O fato do ser vivo não ser capaz de defender socialmente seus direitos naturais não anula esses direitos e portanto também não existem o dever de quem os reconheça socialmente em respeitá-los e protegê-los. Logo não importo se o controle da propriedade é um ou muitos, isso não extingue os direitos de participação econômica e política dos seres humanos e nem muito menos de todos seres vivos na exata medida das necessidades de de da preservação da sua vida natural que é tanto fisiológica quanto ecológica, que é tanto a sua forma de ser quanto os recursos vitais e meios ambientais necessários para que ela possa ser.

Quem se apropria da terra, politica ou economicamente, mesmo que sem violência ou sem seu subsidio dela, e não assume tais responsabilidades naturais está violando direitos naturais a vida e liberdade alheia, não está portanto tomando pacificamente a posse e controle de nada, mas declarando guerra a vida e liberdade dos outros pelos recursos naturais que priva e bloqueia com seus domínios políticos e econômicos irresponsáveis e tirânicos.

Propriedade é liberdade, e liberdade é responsabilidade e não privilégio. Não importa se individual ou coletiva. É responsabilidade daquele que a possuo e controla com aqueles que também depende dela. E a posse que se constitui como privação dessas necessidades seja subsidiada pela ameaça das força das armas e violência ou não, constitui-se roubo. Não há nenhuma obrigatoriedade de divisão das riquezas artificialmente produzidas, mas sim de não privação e claro destruição das necessárias, as naturais. É sobre essa parcela que cabe obrigatoriamente preservação, usufruto comum e dividendos sociais ou desocupação do espaço se vital. Claro que se essa ocupação é feita sem violência ela se desfaz naturalmente pela própria ocupação e uso das pessoas que carecem desses meios e ambiente vital, porém em geral é impossível privar uma quantidade gigante de pessoas e seres de necessidades vitais, sem uso massivo de armas e violência. De modo que em esse roubo e sua manutenção é sempre mantido por forças armadas.

Privilégio é poder, e propriedade como poder não é só roubo é violência. A propriedade como privilégio por definição sempre irá controlar de alguma forma os meios vitais e ambientais de algum outro ser vivo ou humano e isso é um crime ainda que institucionalizado como legalidade pelos criminosos. Porém a propriedade em si não é um roubo, não se não privar socialmente quem também carece dela do que ela proveria naturalmente. A propriedade e jurisdição legítima não implica portanto apenas no respeito mas na provisão da vida e liberdades daquilo que depende do que se controla e possui, implica em responsabilidade sobre direitos naturais. E a irresponsabilidade sobre essa propriedade ou jurisdição não apenas anula toda posse e poder, ela é um crime contra a vida e liberdade contra quem é submetido a ela ao qual toda defesa enquanto reação proporcional para se livrar desse possessão e tirania é legítima.

Tomamos nossas noções de propriedade como se fossem convenções ou verdades absolutas, quando não são uma coisa nem outra, mas construtos mentais que demandam constante reflexão para o desenvolvimento da nossa liberdade e consciência. Nesses sentido podemos dizer que nossas noções de propriedade bem como nossas propriedades de fato refletem tanto nossa liberdade quanto nossa consciência da nossa existência do mundo e a forma com a qual ela está distribuída tanto como possessão não só econômica mas política uma medida tanto das liberdades que os seres vivos desfrutam de fato, quanto da igualdade de fato entre as pessoas e populações humanas. No final das contas uma medida geral da consciência coletiva que compõe esse fenômeno mais ideal que real, a humanidade.

Há quem pensa que a consciência (a individual) é uma forma de delimitação da liberdade. Não o é. Ela está para liberdade individual, a livre vontade que o constitui, como o corpo, não é a forma existencial que delimita a sua potencia virtualmente infinita, é a forma existencial que a constitui concreta e materialmente como liberdade real, como a nossa forma de ser. E assim como não existe corpo que comporte a potencia infinita da liberdade, aquele que não compreende as limitações intrínsecas da materialidade que dá forma a sua existência tanto como corpo como meio que ele não só habita, mas se constitui em conexão, não amplia as suas liberdades concretas ao limite da potencia virtual de tudo que é possível, mas a perde corrompida e nesse câncer extremamente destrutivo que é a concepção da liberdade como vontade de poder, ou que é a mesma coisa a falta de noção e sensibilidade de que a liberdade real, biologicamente materializada como fenômeno da vida não é o mero produto da livre vontade de cada pessoa, mas da rede formada pela interação dessas vontades como liberdade.

A consciência está para a liberdade como a ideia de o corpo está para a de alma; não é sua prisão ou receptáculo é a próprio campo que dá materialidade a liberdade, é a extensão perceptível e concreta, inerente e consequente dessa potencia criativa chamada liberdade. E assim como nossos braços não são empecilho para abraçar o mundo, mas a materialização dessa vontade como gesto, a consciência não é impedimento para a liberdade, mas a sua concretização tanto como força quanto condição, tanto como vida quanto sua libertação. Isto é, tanto como o próprio fenômeno da liberdade manifesto como anima, ou força motriz própria (dita de vontade) que da forma a vida, quanto como a condição e estado que constituem a possibilidade da realização dessa potencia ou potencial (dito vocação) como forma de vida, sua libertação.

A liberdade concebida como poder não é apenas metade da compreensão do que é liberdade. Não existe meia compreensão da liberdade. A falta de entendimento da liberdade como respeito a liberdade alheia não é só nenhuma compreensão do que é a liberdade, mas a concepção fantasiosa, desconexa do fenômeno e realidade, que faz dessa ideia de liberdade como poder, a sua corrupção e destruição. A falta de sensibilidade instintiva que compõe a percepção de si e outro por relação e distinção, não desconstituiu o corpo e mente pervertido, pelo contrário o transforma em força manifesta e materializada dessa destruição pela desinteligência e inconsciência, essa incapacidade de conceber e logo distinguir entre seres e coisas. Entre o que é objeto passível de apropriação, e o que é sujeito da sua própria forma e existência, ser inalienável.

Pensar o poder como se fosse a própria manifestação da ordem natural quando é justamente a força perversa da desnaturação da força geradora da vida, a liberdade, não é só uma perversão que inverte e se apodera da realidade se passando pelo principio contrário, é uma força degeneradora que ao falsificar e inverter a ordem natural da gene das coisas, as esteriliza e destrói. A cegueira, estupidez, dessa desinteligência, que constitui a psicose coletiva de idolatria ao ter e poder, essa fantasia prepotente ritualizada em cultura é a razão de nossa degeneração e consequente extinção senão como animais como seres dotados de humanidade, isto é com vocação para o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisão cada vez mais livre, consciente e autônoma, para a manifestação deste fenômeno denominado anima cada vez mais forte e presente, por oposição a fraqueza ou ausência percebida do mesmo nos seres ditos inanimados como as pedras que são governados tão somente por forças elementares tanto externas quanto internas que o constituem ou movem, e não por qualquer força que determine ou interfira arbitraria (e logo imprevisivelmente) no seu movimento ou constituição.

A perda da capacidade evolutiva de dar forma a nossa existência através do desenvolvimento da inteligência como consciência, é a própria perda da capacidade de constituir a nosso ser e sua forma de ser, é a perda do sentido da existência, em dar sentido a si mesmo, não de acordo com as possibilidades e alternativas predeterminadas ou impostas por forças ou poderes alheios, mas construir a nossos próprias alternativas e possibilidades para tomada de decisões, tanto como capacidades interior quanto condição externa. O que portanto não é um mero escolher entre tudo que está dado ou posso, mas justamente transcendê-lo, construindo nosso própria forma existencial não pela falta ou privação, mas pela liberdade como autodeterminação e condição para constituir os mesmos.

Liberdade não é ter poderes e forças para se fazer tudo que se deseja, isso é ser um escravo dos seus própria materialidade, do próprio funcionamento do seu corpo que está submetido antes de tudo ao meio e portanto é manipulável por aqueles que eventualmente o controlam. Liberdade não é sequer ter o controle de todos os meios que predefinem o comportamento daqueles que respondem por seus estímulos. Liberdade é ter força antes de tudo própria e interior, para construir o próprio corpo da sua liberdade, a própria concretude da sua liberdade como fenômeno tanto como consciência como força sobre a vontade. É conhecimento não do mundo, mas de si mesmo como força que reconhece e rege todas as forças e vontades que o compõe. Liberdade é ter consciência. É liberdade como vontade pura. Uma força que não só transcende o poder, mas permite que tudo seja gerado e destruído por sua própria força e vontade sem contudo ser gerado destruído degenerado como força elementar e criativa tanto do possível quanto do impossível.

O conceito de liberdade possui de fato propriedades únicas que transcendem os próprios conceitos máximos de poder: onipotência, onipresença e onisciência. A liberdade possui propriedades que o poder não tem e jamais terá: gerar não só a si mesma, mas a sua contradição, permitir a sua negação limitação ou destruição na existência do outro, sem perder a sua infinitude. É a única força que ao se desfazer ou ser desfeita se amplia e reforça naquilo que é, criação. A única força que compreende a sua degeneração e negação sem se degenerar ou deixar de se reafirmar. O poder mesmo dos todos poderosos como o próprio vazio termina na simples existência de um simples ponto no seu espaço infinito, termina onde começa a existência do outro. Termina onde ele não responde a sua ordem. A liberdade pelo contrário não se amplia nem diminui ela simplesmente se manifesta em toda a infinitude em cada forma múltipla, divergente e até mesmo contrárias de existências e ordens. Se essa força criativa se degenerasse e reduzisse se não tivesse a propriedade de gerar aquilo sobre o qual não governa, porque não precisa governar para existir, não seria então mais potencia criativa mas destrutiva, seria a contradição de si mesma, a liberdade que não é mais liberdade, mas liberdade decaída em poder. Poder que se desfaz e degenera em cada ser que desse poder se livra e emancipa. Poder que se desfaz portanto força elementar criativa da liberdade. Se uma entidade ou fenômeno fosse ou atingisse uma forma total e absoluta isso não seria um deus, um universo, a criação nem o criador, seria o vácuo, o nada, o absoluto. E o simples criação de um único “buraco” nesse vazio, uma unica perturbação da ordem, nesse nada absoluto seria tanto o fim desse reinado, pela criação de um único ser, mas pela criação de todo um universo.

Existe um erro epistemológico grave nessa compreensão do que ser e não ser, do tudo e do nada. É a própria existência que se realiza pelos contrários, exatamente como a concepção de eu é por definição o contraposto da concepção de mundo. E tanto uma concepção de mundo que anula o eu, ou de eu que abarca o mundo é fantasia, como se não o fosse, se fosse a realidade de qualquer universo ele não existiria, ou mais precisamente seria a imagem e semelhança daquilo que concebemos como nada, o vazio. Uma continuidade absoluto no tempo e espaço do mesmo. Noção portanto que é mais produto necessário de uma necessidade inerente da cognição, do que propriamente um cognato de como as coisas realmente são. Um produto da limitação da nossa percepção, e não propriamente a ciência da ausência de formas distintas de existência além ou aquém do nosso horizonte de eventos.

Fugi do assunto? Já nem sei…

O culto ao poder, é o culto a destruição e nulidade, é o culto a perpetuação do mesmo como ordem e destino em direção ao nada, tanto como sentido quanto como a própria existência e criação. É a completa falta de noção daquilo que como lógica é complexo, mas que como sensibilidade é instintivo é natural. Porque se não o fosse, na qualidade de câncer da vida não só já teríamos levado a nós e tudo que nos hospedamos a morte, mas sequer teríamos emergido como seres inteligentes. Isso que chamamos liberdade é a força elementar não apenas que gera nossa livre vontade, mas que as une como sensibilidade e consciência coletiva. É a força geradora do nosso sistema. É é na ciência e consciência dessa força que reside todas as chances possibilidades e perspectivas do nosso futuro. No conhecer e reconhecer essa força e saber como usá-la e não usá-la naquilo que nos pertence e não nos pertence, naquilo que constitui a nossa imperfeição. Não somos feito de vontade pura, nem de liberdades infinitas e transcendentais. Essa liberdade transcendental nos é inerente, não imanente. Não é nem está em nós compreendida, mas nós estamos nela. E ao contrário dela não nos reafirmamos quando a contrariamos, nos desfazemos, desligamos e destruímos. Não somos forças elementares, mas seres dotados de forças elementares. Confundimos o ter com deter. Temos essa força elementar libertária que constitui a vida em nós, não a detemos. E tentar possuir tal existência como fenômeno é como tentar de apoderar da liberdade, um contrassenso que só taxidermistas tão vazios e empalhadas quanto os seres que coleciona podem supor que são a mesma coisa, ou a coisa morta e presa, o que era a viva e livre.

Não somos deuses, mas nos comportamos como se fossemos. Como se tivéssemos poderes e direitos que não temos. Não temos nenhum poder, o que temos vida é liberdade na forma de livre vontade a qual podemos enfraquecer e perder até o ponto de nos tornarmos servos e tiranos dos desejos alheios; ou fortalecer para tornar consciência e nos libertar não só dos desejos alheios ou nossos, mas da vontade reduza a desejo prepotente e totalitário. Oque na prática implica não a anulação, destruição ou sequer repressão de nossos desejos e sentimentos mais primitivos para nos tornar laranjas mecânicas, mas sim em governá-los para não ser governado, nem por eles, nem muito menos por qualquer signo, ideologia ou ordem que na falta deles cumpra esse papel de dar significado a uma vida inteligente que perdeu sua maior capacidade ou vocação enquanto liberdade: dar valor e significado e sentido próprio a própria existência.

Eis a diferença entre uma mentalidade fundamentalista que carece do programas ideológicos que lhe ordene, persuada, manipule convença, estimule, para fazer ou não fazer algo, seja respeitar e preservar solidariamente a vida e liberdade, seja tomá-la obediente e violentamente; e a mentalidade consciente que não precisa ser persuadida nem convencida nem a preservar a vida e liberdade, nem muito do contrário a violá-la de livre e espontânea vontade. Ela é livre para ver e acreditar no que seus olhos quiserem, mas não a credo, razão, racionalização ou justificativa que a convença a arrancar os olhos da sua consciência, não enquanto tiver e estiver em plena consciência.

Poder é uma abstração, não existe sem relação. Liberdade é um fenômeno, uma força elementar, que se realiza tanto na relação quanto na própria solidão. Liberdade não é poder; E consciência não é razão nem credo, é vontade de ser livre pelo governo de si mesmo, não como um tirano ou repressor ou tiranizado e reprimido das suas próprias vontades, como mero juiz ou mero soberano de mesmo, mas como o responsável pela autodeterminação não só dos destinos que lhe pertencem, mero escolhedor de caminhos, mas o descobrir e definidor dos seus próprios. O que não quer dizer que estamos condenados a estar sozinhos, muito pelo contrário, quer dizer que finalmente podemos conhecer e reconhecer as pessoas em verdadeira comunhão que não anula quem as pessoas são, para formar fantasias e corpos artificiais unos, sozinhos nesse pesadelos de poder total e mundos de todos poderosos, mas finalmente livre para sermos simplesmente iguais, na única igualdade que não é uma abstração e uma violência o direito de todos sermos absolutamente únicos e diferentes em toda nossa potencia e vocação de acordo com a nossa livre vontade - juntos ou separados… medíocres ou geniais… idiotas ou inteligentes, mas jamais impondo nossa condição e visão de mundo aos demais, nem roubando o seu lugar ao sol para que ele também possa ver e viver em paz como bem entender. Emfim em paz conosco e outros, por finalmente entender que não nos cabe ter nem muito menos deter a vida, liberdade ou saber alheio, mas tão somente com todas as nossas força, vontade e meios os nossos, inclusive como contra-violência e libertação de quem não aceita, respeita nem tolera outra existências que não lhe sirvam ou não considerem da sua serventia.

Consciência que quer adormecida ou entorpecida permanece em nós como potencia e vocação, porque assim como a liberdade é a natureza da vida, e a vida seu destino manifesto; nossa natureza e destino a espera da plenitude da sua manifestação em liberdade. A nossa vocação inata para sermos humanos em todo seu potencial, incluso como liberdade de abraçar ou renegar nossa humanidade de acordo como nossa vontade. Em suma uma questão de liberdade, incluso para sermos tão humanos ou desumanos como só os seres dotados da capacidade de governar suas vontades podem um dia vir a ser. Um dia em que a humanidade deixará de ser uma ideia e ideal, um projeto ou projeção da nossa presunção e prepotência de superioridade, para se tornar enfim no nosso senso e razão comuns manifestos não como potencial, mas forma de vida tão humanas quanto nosso potencial.

É pensando bem, talvez tenha fugido do tema mesmo…

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.