Catalunha: um novo pais na Europa?

Para a jornalista e doutora em História da Arte pela Universidade de Barcelona Graça Ramos, sim

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BARCELONA — Escrevo quando ainda não saíram os resultados do referendo catalão. Mas, seja qual for a resposta das urnas, a “votação de 01–10”, como vem sendo chamada, deixou claro que, em breve, a Europa ganhará um novo país. A resposta violenta do Estado espanhol e a intransigência do governo PP provocaram uma onda de indignação tão forte que será difícil uma reconciliação nacional. Quaisquer que sejam os números apurados, os separatistas sabem que ganharam nos três “es”: na épica, na ética e na estética.

À ação da polícia, que logo cedo disparou o confronto, os catalães separatistas reagiram. Mas não da maneira tradicional, atacando os atacantes, como costuma ocorrer nestas situações. Gritaram, cantaram, e, em algumas escolas, se sentarem unidos. Vídeos que circularam pelas redes e mídias sociais comprovam a decisão que tomaram de não fazer o jogo do governo central e enfrentar os batalhões de choque sem recorrer aos mesmos métodos. Logo cedo, tais imagens foram transmitidas viralmente e muitos que não iam votar, ou votariam em branco, decidiram comparecer e dizer “Sí”.

Tratado politicamente com menosprezo pelo governo do primeiro-ministro Mariano Rayol e questionado na Justiça, o referendo foi organizado nos dias anteriores em ritmo de “festa de la llibertat”. Há uma geração de catalães que cresceu estudando em escolas públicas ou concertadas em que a língua primordial é o catalão. O que antes era um certo sentimento familiar de pertencimento transferiu-se para o espaço público e se transformou em desejo coletivo de nacionalidade.

Se, até a sexta-feira, muitos catalães questionavam como seria o futuro caso o sim ganhasse — se permaneceriam na União Européia, como ficariam nos dias imediatos o pagamento de serviços essenciais pagos com verbas federais –, após a onda de violência, as perguntas foram relevadas. Decidiram apoiar o discurso épico de construir uma nação, reagir com a estética da não-violência e se portar de maneira ética frente ao que defendiam em casa e nas escolas. Um novo e tenso tempo desenha-se para todos dentro do que ainda é o território espanhol e ele começa amanhã. — Catalunha, vitória em qualquer hipótese

Já para o Governo Espanhol ainda literalmente em Franco Estado de Negação o referendo sequer existiu:

MADRI (Reuters) — A região espanhola da Catalunha não conseguiu realizar um referendo de independência neste domingo, disse o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, depois de mais de 760 pessoas terem feridas em confrontos entre policiais e eleitores durante a votação que Madri diz ser ilegal.

O povo da Catalunha foi enganado para participar da votação proibida, disse Rajoy, acrescentando que o referendo é uma estratégia do governo regional contra a legalidade e a harmonia democrática e um “caminho que não leva a lugar nenhum”.

Rajoy agradeceu as forças de segurança por defender a lei e fazer seu trabalho.

Ele também convocou uma reunião com todos os partidos políticos espanhóis para discutir o futuro do país após o referendo. — Não houve referendo de independência da Catalunha hoje, diz primeiro-ministro espanhol

Opa! se é ele que está falando então está falado. E ponto final. Mas por vias das dúvidas ele resolveu convocar uma reunião para tratar do futuro do país (leia-se o dele) depois do acontecimento que NÃO aconteceu, a cerca de um certo referendo que não é referendo.

Agora fico aqui tentando imaginar como se daria esse dialogo sobre coisas que não são elas mesmas porque são acontecimentos que não aconteceram. Esse cara estudou política aqui no Brasil? Se não deve ter feito intercâmbio. Ou será que foi o contrário? Enfim de qualquer forma fico me perguntando como é que ninguém percebeu que o primeiro-ministro espanhol é cara que o mundo precisa: ele é o medidor internacional perfeito para por um fim no conflito na peninsula coreana.

Não tem dialogo? Não tem negociação? Sem problemas. Não precisa nem diálogo, nem de negociação, o cara decreta o fim do conflito, porque não há conflito; e não há conflito, porque as demandas na verdade não são demandas, porque? porque não. Ele disse e ponto final. Rajoy é o cara. Rajoy é o cara. É o tipo de mediador que Trump e Kim estão sentindo falta para encontrar logo a solução final que tanto procuram… e rapidinho, rapidinho.

“A democracia mostrou uma associação mais forte e mais significativa com os indicadores de saúde (expectativa de vida e mortalidades infantil e materna) que outros indicadores como o PIB, os gastos públicos e a desigualdade de renda. Quando tomadas em conta todas essas variáveis, as econômicas perderam seu peso, aumentando assim a importância do efeito da democracia”, concluíram os autores.

A aprovação de leis para a união igualitária entre pessoas do mesmo sexo nos EUA havia reduzido em 14% as tentativas de suicídio entre jovens LGTB

Os resultados daquele estudo continuaram sendo confirmados em novas pesquisas mais recentes que se centravam em outros aspectos. Por exemplo, um estudo canadense do ano passado mostra que viver em uma democracia prolonga a vida em 11 anos, em comparação com viver em outro tipo de regime. O meio democrático também reduz em 62% a mortalidade infantil. Os dois fatores são explicados essencialmente pelo tempo em que os líderes permanecem no poder: quanto mais anos seguidos a mesma pessoa governa, pior é a saúde da população.- A guinada ao autoritarismo nos deixa doentes

A propósito falando em tempo em que ditaduras e o tempo em os lideres permanecem no poder… e a Merkel, hein?Alternância de poder nas ditaduras dos outros é refresco…

Mas vamos ficar só como a Espanha e sua aula da diferença entre democracia liberal e popular. Aprendeu? Democracia é o meu governo, ditadura é o governo dos outros. Até porque é dela olhando para ela que podemos entender melhor as características histórico culturais conservadoras presentes em nossa própria mentalidade servil e autoritária herdadas em parte destes costumes e tradição tipicas de uma colônia ibérica. Um povo que ao contrário dos catalães é tem um pais independente, autônomo e soberano… apenas no papel. Pois é… exatamente o contrário da Catalunha.

E caminhando firme e forte para fortalecer nossas tradições nada libertárias…

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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