Revolução no Brasil é criar uma Sociedade brasileira Parte I

Catalunha um governo “sem funcionários, sem sede e sem poder” mas que quer resistir. Como?

E quem disse que um é preciso funcionários, sede ou poder para um povo se governar… no século XXI, não só os carros andarão sem condutores

A crise catalã, agora em fase de perplexidade e cansaço mas com continuada incerteza, aparece-nos como anúncio de uma tendência que temos pela frente neste século XXI: o nascimento de novos países. É uma ebulição política e social que nunca parou e que teve uma erupção forte nas últimas três décadas.

O mundo tem, desde 1991, 34 novos países. A maior parte (15) resulta do estilhaçar da União Soviética(…)

Várias partes da Europa estão ávidas de independência. A Escócia já testou essa vontade num referendo que em setembro de 2014 frustrou os independentistas com apenas — mas expressivos — 44,7% de apoios.

As regiões europeias que reclamam maior autonomia ou independência têm em comum serem mais ricas do que a média do país. É uma vontade que contem egoísmos, ao deixar para trás a solidariedade com regiões mais pobres.

No norte de Itália, a Lombardia, que se queixa da “preguiça sulista” do Mezzogiorno, já teve, em 1996,(…)Mas a questão subsiste, é mais fiscal do que identitária. (…)O norte industrial de Itália quer guardar para si o lucro da sua vitalidade. Um referendo há 10 dias confirmou o movimento para maior autonomia na Lombardia e no Veneto.

Na Bélgica, é velha a vontade dos flamengos de meter os valões de lado. Até na Alemanha, muita gente da Baviera não gosta de suportar parte dos custos do atraso dos “lander” da ex-RDA.

Várias outras regiões, umas mais pobres (como a Córsega), outras mais ricas (País Basco) também têm no seu interior sementes pró-independência que, de tempos a tempos, saem da surdina.

Os efeitos brutais da crise financeira e a globalização tão despersonalizante, a que se junta a defesa de valores culturais, levam cada vez mais gente a procurar a possibilidade de recuperar o controlo sobre o seu território.

A Catalunha talvez esteja a ser um laboratório para o que o século XXI nos vai trazer. Mostra-nos que há muitas tensões pela frente. (…) O independentismo vai continuar a colocar a Espanha perante a questão territorial. É o debate que tanto inquieta os chefes de Estado e de governo na Europa, pelo temor de efeito dominó. -A Catalunha anuncia-nos o século XXI?

Embora o artigo seja eurocentrado -nem sequer menciona o Curdistão, por exemplo - o escolhi porque levanta muito questões pertinentes que somente o levante de uma proclamação de independência no antigo e inamovível centro de poder e cultura ocidental podeira provocar. O que por si só já responde de partida a primeira questão do artigo: A Catalunha anuncia o século XXI? Estaria por uma acaso, um articulista preocupado se a fragmentação fosse a do Iraque ou da Síria, ou de qualquer outro pais periférico eslavo, oriental ou ao sul do equador e não do Grão Reino Unido de la Espanha? Logo o simples fato dessas questões estarem sendo colocados em lugares e midias onde até um ano atrás jamais tais questionamentos teriam sequer lugar. Isso por si só é a prova do que a Catalunha não só sinalizou, mas ajudou a catalizar do que está por vir nesse nosso século. E não foi pouco o que ela catalizou.

O referendo da independência da Catalunha está para a democracia direta como o referendo da Renda Básica na Suíça esteve para os novos direitos universais do “homem”. Mas com uma diferença brutal e evidente: na Catalunha esses direitos de autodeterminação venceram no voto popular. E mais: eles tiveram coragem de seguir essa autodeterminação de independência, desafiando a repressão e censura e desqualificação do status quo que era desde o princípio uma certeza. Ou pelo menos uma certeza a quem não é mero espectador dessa disputa que não nasceu ontem entre os que buscam se livrar de mandos e desmandos impostos sem consenso nem consentimento, e os que insistem em manter as pessoas sob seus domínios sempre que necessário apelando para todas as forças incluso a de fato, um eufemismo para a força bruta e armada que configura por definição as tiranias contra toda e qualquer forma de liberdade, direito natural e democracia.

Que a Catalunha é dos “sinais” dos tempos? Isso é óbvio para quem não tem sofre de dissonância cognitiva ou normose (cegueira seletiva e alienação coletiva). Mas qual novo tempo? O que vem de fato por aí?

A formação de novos países menores será a tendência do século XXI? Se sim? Esse processo se dará a partir de qual interesses ou motivações ? liberdade e autodeterminação? Ou riquezas e poder? Por Solidariedade? Ou por egoismo? Ou como é muito mais provável, numa combinação complexa de todos esses interesses comuns e difusos, que tornam paradoxais a abstração das generalizações e altamente imprevisíveis os resultados finais desses processos de transformação, que não são lineares, determinista nem monocráticos.

Se esses novos países se formassem viriam a se isolar em pequenos feudos armados até os dentes, guiados por mentalidades conservadoras e reacionárias racistas e xenófobas, transformando a globalização numa grande guerra de culturas nacionais e regionais? Ou se re-unirão em confederações completamente novas de povos e nações se apropriando da globalizando como processo de cosmopolitização da humanidade sem os atravessadores e intermediários dos velhos políticos e seus mais ultrapassados ainda Estados-Nações? Mas e esses velhos todos poderosos e seus Estados-Nações? Iriam assistir seus dinossauros de estimação serem extintos sem fazer nada? Iriam assistir seus privilégios de poder político e econômico decair junto com o status quo de braços cruzados? E claro que não.

Como os grandes Estados -Nações, especialmente as grandes potencias econômicas e militares reagiriam ao risco de desintegração dos seus domínios políticos e econômicos e jurídicos sobre os povos do qual retiram os tributos que sustenta tanto sua máquina burocrática fiscal quanto policial e militar? Se por ventura a Espanha perder a próxima eleição, ela por uma acaso iria dizer, “agora sim, tudo dentro dos conformes, a burocracia está em ordem, carimbado, podem proclamar sua república”. É de uma ingenuidade gigante achar que libertações políticas ou econômicas são feitas com as bençãos e graças de quem se arroga a prerrogativa de nada menos que o monopólio do bem comum e pela violência - inclusive contra civis desarmados e inofensivos. Pelo contrário o direito natural e universal a legítima defesa e logo tanto a repressão quanto a insurreição pertence legitimamente aos pessoas e povos de paz, que resistem ou se insurgem contra as tiranias.

De acordo como o direito natural a legitima defesa só existem dois tipos de Estado. E um e tão somente um contrato social. E um e tão somente um é um legitimo: Um é o estado de paz constituído por consentimento e livre associação de todas as partes em permanecerem unidas mesmo na discordância. O outro é uma grosseira falsificação desde posta em papel como se do papel emanasse a legitimidade do contrato social e não da relação e associação consensual. Um falsa estado de paz, ou rigorosamente um estado de se denomina de paz, mas que institucionaliza a guerra e dominação através da legalização da relação forçada e criminalização da resistência e insurreição ainda que pacifica contra a mesma.

Em outras palavras existem apenas dois tipos de contrato social: os nulos e ilegítimos por falsificação da adesão das pessoas e povos, e os de fato legítimos por expresso e reiterada manifestação de consentimento de todos as partes que por meio deste formam uma verdadeira sociedade. A legitimidade do direito de associação política e social não está a parte nem muito menos acima dos direitos fundamentais e universais de todos os seres humanos enquanto lei natural, enquanto direito fundamental inalienável a resistir com todas as forças e meios a relações não consentidas e mantidas a força, ameaça da violência da agressões ou privações. A relação social se manifesta e legitima ou criminaliza portanto a imagem e semelhança das relações pessoais: ou são relações criminosas de poder mantidas a força sem consentimento da parte que não consegue resistir a violação ou estupro. E as relações legitimas de liberdade mantidas por consentimento manifesto de cada uma das partes em negociação, discussão, e sobretudo em comunhão. O problema da Espanha portanto não é eles serem um reino, até um monarquia é contrato legitimo se os povos consentem em ser súditos ou vassalos ter um rei ou presidente. Assim como até uma democracia é uma tirania da maioria ou minoria, popular ou representativa se mantém uma única pessoa ou comunidade de paz submetida as decisões sem consentimento EXPRESSO. O estado de paz, é o por definição o contrato social formado pela associação mutua livre e solidária ente pessoas para se proteger não só dos pequenos criminosos e tiranos, dos bandidinhos e gangues que pilham violam e tiranizam, a vida e satisfazem suas vontades de ter e poder no corpo e propriedade alheias. O Estado de Paz é o contrato de proteção e defesa mútua contra todos os criminosos e gangues de violentos e violentadores sobretudo as mais poderosas que não só pilham e roubam vidas e propriedades, mas liberdades e dignidades, ao se impor a força como tiranos-mor dos corpos e terras daqueles que não querem se entregar como servos ou escravos. Tirania e crime são sinônimos. Mas tirano é o criminoso que não se satisfaz “só” em roubar e violar os direitos a vida e liberdade dos outros, ele precisa tomar para si, roubar e violar e a própria justiça. Precisa criminalizar a liberdade para renegar os direitos naturais, e criminalizar e renegar a liberdade e o direito para legalizar seus crimes e institucionalizar sua tirania criminosa. Tirana imposta pelo método que todo o qualquer bandido, traficante, sequestrador, terrorista, ou estuprador mantém as pessoas sob seu domínio a ameaça, a privação, o medo e a força armada. E aí daquele homem que ousa em se lembrar do seu direito natural e legítimo a defesa, resistência e insurgência, pacifico ou não, será tratado como se ele fosse o tirano ou maniaco.

Então, propaganda estato-nacional de lado. Mais importante para o futuro próximo não é o que a Catalunha anuncia ou proclama, mas DENUNCIA e RECLAMA. O que Catalunha clamou em ação é só metade do que se prenuncia, a outra é o que a Espanha decretou (e fez) em reação. Isto é o prenuncio do século XXI um conflito que não se dará apenas entre 2 forças, mas 4. Porque se dentro dos Estados-Nações decadentes as nuances entre os mais totalitários é na prática tão insignificante quanto as diferenças de sanidade e estatopatia entre Trump e Kim, ou o ditador Síria e os terroristas rebeldes bem coo seus respectivos fiadores nas grandes potenciais mundiais do Oriente e Ocidente.

Síria. Eis o outro sinal dos tempos, porém absolutamente inverso e mais imprevisível e perigosos hoje que outrora. A pax romana. O primitivo método de desintegração e formação de velhos países por ocupação e destruição, genocídio, e divisão geopolítica em Norte e Sul, conforme o posicionamento estratégico militar e alinhamento ideológico das regiões aos grandes blocos das grandes potenciais. Na Síria sim. É bem possível dentro do velho paradigma surgir 2 novos estados cada qual como o apoio da sua “comunidade” “internacional”: Raqqa Ocidental (EUA e aliados) e Damasco (Rússia e aliados). Clássico.

Daí que quando falamos em independências: devemos falar em 4 forças ou interesses motivações e logo atores distintos:

As forças populares que buscam sua independência por razões libertárias e solidárias. Isto é que não querem propriamente se separar dos outros povos, mas se libertar dos governos centralizadores. E até mesmo restabelecer a união de baixo para cima, em co-federações para além das fronteiras delimitadoras e excludentes do antigo Estado-Nacional.

As forças populares que buscam a secessão por razões nacionalistas ou até mesmo racistas. Querem se livrar das populações ou de qualquer vinculo com outros povos que não consideram como seus iguais.

As forças aliadas estatal e financeiras que buscam manter a todo custo o domínio politico e econômico sobre os territórios sob sua jurisdição de fato ao mesmo tempo que buscam sabotar e desintegrar partes do território das forças concorrentes, de modo a instalar bases políticas, econômicas e militares literalmente na porta das forças concorrentes e inimigas. Logo portanto forças de uma mesma natureza governada e agregadas apenas pelo mesmo principio da discordia, mas que exatamente por essa razão distintas e beligerantes em dois grandes blocos.

Considerando portanto não só a natureza mas o histórico desses Estados-Nações. Não só lá atrás durante quando jovens durante a sua constituição como proto-Estados, mas a sua folha corrida recente agora que já são velhos. Envolvimento direito e indireto em alguma guerras internacional ou civil que não ultrapassam tréguas de 10 ou 20 anos. Invasão, ocupação, anexação e pilhagem inclusive armada de territórios. Apartheids. Tráfico de armas, drogas, e substancias tóxicas, pessoas, trabalho “análogo” a escravo, encarceramento e genocídios em massa, posse e uso de armas de destruição em massa, biológica, nuclear e química. Penas capitais e execuções sem julgamento, ou julgamentos falhos. Censura. Estados de exceção. Experimentos “científicos” desumanos com populações nativas. Subsídios a empresas criminosas. Concorrência desleal. Manipulação monetária. Legalização e proteção armada a atividades e organizações criminosas. Perseguição, prisão e até morte legal e ilegal de civis e pessoas não-violentas ou doentes. Apropriação, privação e destruição de bens privados e comuns naturais culturais naturais e humanos. Imposição e supressão e renegação de credo e identidade política, religiosa, econômica e cultural. Sequestro de meios vitais e ambientais e imposições de impedimentos a ir e vir e as relações e associações de paz. Ataques de falsa bandeira, sabotagem social e industrial, espionagem, traição. Falsidade ideológica e apologia a violência. Alguém em sã consciência acha que conscientemente ou inconscientemente pertença a esse gangue que é um culto fundamentalista totalitário da supremacia da violência pela violência para a violência, seja como chefe ou sacerdote, ou como fanático ou capanga, vai aceitar pacificamente a convivência com a pluralidade ou reconhecerem a liberdade alheia ou sequer a condição de igual as pessoas de paz? Gente de paz. É para eles como aleijado. Tem que ser sacrificado para purificar a gene da sua visão ariana do que é ser um humano perfeito.

Não estamos falando do século passado. Estamos falando do século XXI. Onde ainda há potenciais que outrora declaram suas independências, fizeram suas revoluções, proclamaram repúblicas, democracias e liberdades contra metrópoles e impérios e hoje não só são os novos impérios, como possuem elas mesmas colônias! Sim colônias ultramarinas! Reino Unido, França e EUA as grandes potenciais ocidentais da “democracia e liberdade” são os países que em pleno século XXI não só tem mais territórios com status legal de colônias, mas com as maiores empresas e fundos transnacionais envolvidos nos maiores “desastres” (crimes) ambientais e companhias que exploram trabalham escravos com anuências dos países que mesmo sem serem legalmente suas colônias, se prestam a condição de províncias coloniais traficando seus recursos naturais e a carne do “seu” povo- entre aspas porque aqueles feitores que governam essas províncias contemporâneas não consideram essa sub-raça o povo, a mesma espécie de gente que eles. Se enxergam cidadãos brancos das grandes metrópoles e civilizações em postos avançados entre selvagens e bárbaros. Enquanto os cidadão das grandes metrópoles não os vem senão como capitão-do-mato, preto a caçar pretos quando nas feitorias, ou pretos-da-casa, quanto por ventura entre eles, na casa grande das grandes metrópoles como suas duplas cidadanias que não valem uma de minoria de segunda classe nativa.

Assim sendo a grande questão (e dilema) da independência seja como libertação dos povos que são servos e escravos em sua própria terra; seja como constituição de novos paises para quem vive como sub-raça ou não-cidadão em terras estrangeiras é para todos que vivem sem liberdade, cidadania plena ou direitos universal em todo e qualquer lugar do mundo: como escapar deste domínio ou se livrar dos seus dominadores, sem plantar o germe de uma nova dominação? Ou mais precisamente: como instituir uma verdadeira república democrática dentro de um mundo onde todos os territórios estão já ocupados? Ou o que é mesma coisa como instituir essas sociedades de paz dentro dos domínios ou jurisdição dos Estados-Nações de pax sem ser esmagados pelas prerrogativas e supremacia de violência deles? Como criar espaços e relações de convivência pacifica e consensual capazes de resistir a agressão e repressão dos tiranos que estão de fato no poder e aqueles que pretendem se constituir no próximo projeto de poder? Como proceder a fundação de verdadeiros estados democrático de direito, isto é repúblicas libertárias, sem ser esmagados pela nacionalismo xenofobia e belicismo dos grandes Estados-Nacionais? E isto sem replantar apenas filhotes do mesma besta, que podem ser até “fofinhos” quando novinhos e pequenos, mas são em essência apenas versões mais novas e menores da mesmo monstro artificial, do mesmo fundamentalismo supremacista patriarcal, do mesmo primitivo pátrio-poder.

Todas essas são questões estão em ponto de ebulição, mas não são exclusivas do nosso século. Apenas de tempos em tempos, entre gerações, como ondas, elas retornam com toda a força, rompendo os muros das marginalidade e invadindo os centros do mundo, quebrando paradigmas e preconcepções e alterando definitivamente a geografia política e história de toda a humanidade. E não só nas relações geopolíticas, mas sociais, porque o pátrio-poder antes de ser um Estado-Nação, é um sociedade patriarcal. São os costumes e culturas de uma sociedade que geram a institucionalização do pátrio-poder como Estado que serve como ferramenta de vigilância e imposição desses credo como doutrina, norma e rito sobre todos os demais não só que não compartilham desse mentalidade, mas sobretudo que não pertencem ou não pertencem plenamente a essa sociedade: pessoas, grupos, raças, minorias, descendentes de nativos ou imigrantes bastardos e degredados que não tem a gene, gênero ou não pertence ainda a geração que faz dela um legitimo patriarca, e herdeiro do privilégio de uso da violência para impor leis a revelia do resto, literalmente visto por eles como tal, resto.

Em que resultará isso?

Posto desta forma parece que a liberdade e humanidade estão ainda mais fadadas a desaparecer senão em corpo e alma, nas reflexões do que já parecem estar na dureza e crueza das práticas cotidianas das relações de poder. Não, não está. Se há algo que está finalmente indefinido depois de muito, muito tempo sem janelas para o novo, é o futuro. Isso não quer dizer, que teremos mais do mesmo, porque mais do mesmo já se sabe é ecológica e humanamente insustentável. Mas não quer dizer que a credo da vida, liberdade e razão prevalecerão, quer dizer temos uma certeza: mais uma vez ele terão que enfrentar a reação do fanatismo, fundamentalismo e idolatria aos todos poderosos e poder total e claro soluções finais.

Mas não estamos num momento histórico de mínimas transformações graduais, das evoluções praticamente imperceptíveis e para poucos. Já estamos em plena período de revolução dos sistemas de produção e administração inclusive pública, revolução industrial e geopolítica. Mas essas revoluções. Movimentos libertários, ecologistas, soberanistas, emancipacionistas, independentistas, referendos, renda básica, democracia direta, novas repúblicas e democracias, tudo isso é apenas a ponta do icebergue, a parte mais visível de uma revolução cultural muito mais profunda. Muita mais profunda porque não é ideológica, mas epistemológica. Literalmente revolução. Mudança de paradigmas. Transformação da cosmovisão de mundo. Cosmovisão que não está para vir, como promessa de salvação, mas que já nasceu. Já caminha entre nós na mentalidade de uma nova geração que não pensa mais como seus pais. Não sei se espíritos nativos “alienígenas” que caminham entre os alienados são maiorias ou minorias, sei que eles existem e pensam, porque eu penso e existo, e por isso mesmo, sei que eles sabem que basta uma única pessoa humana para constituir a maioria absoluta e legítima sobre sua vida e destina ainda que em cativeiro.

Uma nova geração nasceu, e ela nova porque seu corpo pode estar preso ainda no velho mundo, mas a sua mentalidade já são outras. E mentalidades não forma não apenas a sua visão mas a relação como o tempo e espaço, formam e transformam a visão e relação das pessoas com o mundo e as outras pessoas. Um novo ser humano nasceu, ele não é uma espécie raça diferente superior nem inferior, mas de outra mentalidade regida não mais pelo medo e adoração ao poder, mas pelo amor e coragem de ser livre, a vocação da humana com ser e criatura.

É por isso que um sinal dos tempos tão importante quanto o levante e a repressão na Catalunha ou Curdistão, ou em tantas pequenas e invisíveis comunidades e sociedades que primam pela autodeterminação e autorreconhecimento de identidades e diretos das pessoas pelas próprias pessoas, são apenas uma parte dessa revolução da consciência coletiva que nasce em uma nova geração enquanto outra vai para o lugar que a natureza reserva até para os mais poderosos e antigos mortos-vivos do mundo, os sarcófagos.

Mas de onde vem tamanho otimismo, diante de tamanha desigualdade de poder e força entre os que clamam por direitos e liberdades e os que os fundamentalistas e templos seculares e os que reprimem e perseguem? Será que não vejo as ondas conservadores e reacionárias que se levantam com toda a força organizadas e desorganizada? Patrões, patrões, pais, maridos, senhores, feminicidas, racistas, escravagistas, inquisidores, salvadores, saqueadores, padres, pastores, reis, Lords, e landlords, beatos e patrulheiros a praticar a vigilância repressão, prisão, violação e até mesmo o estupro como “corretivo” e castigo nesse grande presidio-mundi?

Será que não consegui enxergar que é impossível, enfrentar esse monstro?

Enxergo, e por isso mesmo estou otimista. Toda essa onde reacionário. É desespero. Desespero frente a um levante. Desespero frente ao fim de uma era. A sua. É o Desespero. Desespero frente a uma revolução que não é só industrial ou cultural, mas geracional e portanto de mentalidade e forma de vida. Desespero por confrontar, por buscar confrontamento pelo fim de uma era. Desespero de gente autoritária, fundamentalista, e que cultua o poder a supremacia e a violência, com baixíssima sensibilidade vontade inteligir com o que diferente que não entende nem quer entender, logo extremista e extremamente perigosa. Mas expondo todo o seu pathos doente, que antes era devidamente enrustido pelo conforto da dominação e submissão das vítimas por uma razão, muito clara, seus vícios, corrupção crimes e domínios estão sendo expostos e como não vivem sem sombras, sem o oculto, estão caindo, na razão da informação, transparência e conhecimento. Lógico, que a agora eles despejam toneladas de lama, de fakenews nesse novo ambiente que já não podem controlar nem monopolizar, mas a dano já está feito. Não foi um Lutero, nem um Gutemberg, mas centenas, talvez milhares deles a expor o crime e a falsidade do seu credo. Inquisições e conspirações vão queimar muita gente inocente. Mas não vão parar o curso da história.

Contudo, muita gente inocente não precisa morrer. Não que apelar para os patriopatas estatopatas e crenteopatas em geral vá dar algum resultado. Eles não respondem ao dialogo e a razão, mas só a ordens, e vindas de quem sua mente amestrada reconhece como mestre. Mas o enfrentamento também não é a solução, mas justamente a armadilha: o problema.

Esse é o maior erro da filosofia ocidental: o enfrentamento. Aliás o maior erro autodestrutivo do Ocidente e tudo o que a arte da guerra do sábio chinês não contou (talvez porque como general não soubesse): como vencer a guerra sem desembainhar uma espada. De fato essa é a única vitória possível nas guerras, porque uma vez desembainhada, o que se tem de fato são maiores e menores perdedores. E principalmente quando se é mesmo inevitável, o resultado da guerra já está determinado antes mesmo de todos desembainharem. Porque guerras não são feitas de se, são feitas de tomadas de decisão sobre o possível, mas sobre o necessário. E os erros e acertos por mais gigantes que sejam apenas aumentam os custos e perdas para se por ou chegar ao fim do conflito, mas não alteram significativamente seu resultado nem mesmo quando as forças são equivalentes. Na verdade, a dúvida, perante a equivalência de forças não é a incerteza de quem vai vencer, mas a certeza ainda maior de que todos envolvidos vão perder ainda mais, e aqueles que conseguirem permanecer o mais longe e o maior tempo fora do conflito vão emergir como a nova força do futuro. Assim entre os maiores vencedores estão que conseguem evitar o conflito. E entre os menores aqueles que não podendo escapar se prepara para entrar nele para ter só sacar a espada quando tem a certeza que irão guardá-la o mais rápido possível.

Das terras arrasadas pela arte da guerras emergem os reis e reinos de um olho só para povos cegos. Das terras onde se cultiva a arte emergem os povos com os dois olhos abertos, que não precisam de reis nem reinos. Nem muitos menos guerras. Mas não existem essas terras mais no Planeta Terra. Como uma doença o culto e a cultura da violência se espalharam por todos os continentes.

Novos mundos, agora só no mares. Por pouco tempo. Ou dentro do próprio velho mundo. Esse é o grande desafio do nosso século a construção dos novos mundos. Não do confronto impossível e inútil com os velhos monstros do Estados-Nações. Impossível de ser vencido porque eles são inimigos muito mais poderosos, capazes de esmagar qualquer povo ou sociedade que se levante. Inútil porque não é preciso vencê-los. Mas “apenas” não confrontá-los. Não só porque é tudo o que querem e precisam para continuar esmagando os povos. Mas porque os Estados-Nações estão morrendo. E vão se extinguir pelo peso insustentável da sua potência. De modo que o que é preciso ser feito, que por sinal é o mais difícil, é construir sociedades capazes de sobreviver a esse período de transição. Ao fim dessa era da supremacia da violência.

Quanto tempo esse período revolucionário vai durar? É impossível prever. Mas uma coisa é certa. O futuro pertence a quem conseguir, se conseguir escapar dessas confrontos e confrontamentos.

Nos próximos dois textos, detalho: 1. Porque os Estados-Nações como conhecemos estão fadados a desaparecer nas próximas gerações, ou se falharmos como humanidade com as próximas gerações, o que dá no mesmo. E 2. Como seriam esses novas sociedades, estados e nações do futuro, supondo que vencemos e conseguimos construir um.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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