Brincando com o fogo e a vida alheia

Resposta às críticas sobre o artigo Refugiados no Brasil

https://br.noticias.yahoo.com/fotos/partid%C3%A1rios-movimento-pegida-participam-manifesta%C3%A7%C3%A3o-dresden-dia-19-photo-221410513.html

Introdução

Num pais que nunca teve coragem de ajustar suas contas com seus crimes políticos e raciais nem mesmo atuais. Que continua a flertar com uma política corrupta e corrompida. Não felizes com todo o estrago provocado com suas lutas pelo poder, agora os militantes partidários de esquerda e direita resolveram também politizar questão humanitárias internacionais.

Que eles não parecem ligar para os direitos humanos fora do discurso isto já é lugar comum. Mas será que eles tem noção do mais novo buraco que estão cavando? Será que eles tem noção dos perigos e inconsequências dos seus atos? Será que têm a mínima noção que a questão dos refugiados está muito além da capacidade de cooptação, manipulação e cobertura dos seus aparelhos de propaganda político partidária pelegos e afins?

Enfim, será que eles sabem o que estão fazendo? E se sabem, pergunto o quê eles querem afinal?

A quem interessa o quê?

Quem trabalha com seriedade com refugiados no Brasil que não tome minhas críticas como se fosse contra sua pessoa nem tome as dores de quem não merece, mas se a carapuça serviu, por favor, fique a vontade e a vista.

Não julgo pessoas. Não faço policiamento ideológico, nem moral. Não sou adepto do politicamente correto. Aliás, tenho ojeriza dessa gente. [i]

Sou, portanto um libertário de esquerda, que na falta de vida inteligente na esquerda prefere libertários de direita, especialmente quando são eles que respeitam os direitos fundamentais que a esquerda reacionária sistematicamente viola — sobretudo agora que está alinhada ideológica e pragmaticamente ao neoliberalismo da ultradireita emergente.

Respeito alianças estratégicas e programáticas. Mas quem vem bem-dizer a mão que te alimenta com que direito quer impedir as pessoas de procurar onde estão os seus donos? Aliás, pergunto (se é que vocês sabem ou querem contar) a quem vocês servem? Pergunto, a esquerda instrumentalizada a política partidária: a quem vocês servem hoje? Ou pior a o quê vocês servem?

Não, por favor, nem precisam responder. Minha pergunta é meramente retórica. Não sou juiz e sinceramente não tenho estomago para ouvir discursos de autojustificação que meu senso comum soam apenas como confissões involuntárias das quais não quero ser nem testemunha. Até por que quem terá que responder por sua honestidade intelectual e ideológica ou até mesmo legalidade de suas ações, parcerias, recursos e serviços publicamente prestados não sou eu, mas vocês que sentem ofendidos por estarem implicados com organizações nem um pouco mais insuspeitas.

Eu presto contas pelas minhas iniciativas, recursos e parcerias, e não devo nada ninguém; nem governo, nem oposição, e se minhas críticas incomodam organizações governamentais não-governamentais, para-governamentais, afiliados políticos intelectuais militantes declarados ou enrustidos estou obrando para seus intensões e pretensões.

Pouco me importa o que os políticos e suas crias de esquerda ou direita pensam ou deixam de pensar porque aprendi como muita gente marginalizada e a periferia dos sistemas políticos-econômicos, como bom “sub-urbano” a sobreviver sem eles e apesar delas. Como todo dissidente político num pais até onde a perseguição política é velada sei que eles funcionam como drones norte-americanos: entrou no radar é para ser abatido. Enfim somos todos americanos ao norte e ao sul do continente! sempre temos uma boa causa capaz de justificar nossos crimes mais hediondos.

Eu que nunca vi nenhum deles preocupada com a liberdade e emancipação das pessoas nas comunidades onde vivi e trabalhei, nem soube delas no resto do Brasil, senão pregando senão o seu clientelismo político disfarçado de assistência social, sei o quanto são poucos os humanistas de esquerda e direita que tem coragem para defender o empoderamento de uma verdadeira democracia direta sem nenhum tipo de tutor sobre o povo, e quão mais raros ainda são os que defendem uma renda básica verdadeiramente incondicional para todos. Não vou nem falar então dos ativistas capazes de viver onde trabalham ou enfiam a mão no próprio bolso (e não no bolso dos outros) para financiar suas nobres causas.

Por isso não me nego nem me intimido de continuar fazendo a crítica como análise de riscos dos atos e inconsequências do uso e permissividade da manipulação das pessoas vulneráveis que tem a infelicidade de cair nesta terra sem meios. Por isso não apenas faço pública minha denuncia de um modos operandi que não li mas tive o desprazer de verificar na prática cotidiana dos programas governamentais e como eles funcionam como sustentação a projetos de poder políticos podres e corruptos.

Ponho sim em suspeita os nada insuspeitos movimentos e entidades partidárias e seus militantes desta velha e carcomida política representativa brasileira em seu permanente afã desavergonhado em aliciar gente vulnerável para seus “exércitos” e jogá-los estrategicamente contra seus eventuais adversários políticos de hoje para força-los a se tornarem novamente aliados de amanhã.

Ou será que além da criminalização dos protestos já entramos também na fase da censura e policiamento da crítica? Será que já entramos na fase onde só os comediantes podem fazer questionamentos razoáveis dos nossos problemas e riscos sociais sem temer perseguições de todos os tipos legais ou não?

Vou então colocar a problema dos refugiados no Brasil, exatamente como a questão exige sem fazer acusações, mas levantando dúvidas mais do que razoáveis na forma ainda mais explícita e didática de um ensaio de análise de riscos e responsabilidades. Vamos a ela:

Considerando a conjuntura política e econômica atual instigadora de constantes protestos e manifestações inflamados não só contra o governo mas a favor providas inclusive por entidades profissionais como a própria CUT. Todas manifestações legitimas mas evidentemente com os riscos inerentes de conflito sobretudo se a crise não só econômica mas institucional continuar se agravando e a disputa pelas ruas começar a ser ainda mais fundamental do que a da legitimidade institucional.

Considerando ainda a internacionalmente denunciada e reputada incapacidade da polícia brasileira em lidar com manifestações que promovam atos de desobediência civil, — e sem entrar no mérito da legalidade ou não destes atos - mantendo-se apenas ao sabido alto risco de eventual reação desproporcional de no minimo algum membro da corporação policial.

Sabendo portanto de tudo isto me pergunto: não poderão refugiados ou mesmo imigrantes de países integrantes do Mercosul estando entre os manifestantes serem feridos. E se isso vier acontecer, por menor que seja a probabilidade alguém se importa não só com as consequências diplomáticas, mas de fato com eles? Pergunto com todas as letras: quem e quanto ficarão consternados os responsáveis pelo envolvimento destas (não importa a probabilidade) quem se responsabilizará além é claro deverá ser responsabilizado além é claro dos próprios agentes do estado por eles?

Pergunto ainda o quanto ficarão consternados os políticos e partidos políticos já sem nenhuma capacidade moral nem capacidade programática para permanecer no poder sem um inimigo ou uma desgraça nova a cada dia, não? O quão entristecidos não ficarão os políticos de esquerda e direita que vivem e precisam destas crises e do ódio entre povos e classes para continuar assombrando e apodrecendo como mortos vivos nossa sociedade com este tipo de episódio?

Pergunto mais: sabendo de tudo isso e da natureza de falsa cordialidade do brasileiro (especialmente em relação aos nossos irmãos latino americanos), quem serão os lideres dos movimentos de refugiados que vão se colocar na linha de frente entre a policia que eles tanto criticam e quem serão os lideres de vão entregá-los a outros movimentos, que vão jogá-los no fogo da nossa crise política e torcer para que o pior não aconteça.

Quem é o maldoso e quem é o ingenuo quando pensamos que talvez exista gente torcendo para que isso aconteça? Eu que denuncio o riso ou quem no mínimo o ignora?

Não há maldade, somos todos anjos e eu estou simplesmente errado? Tomará que sim. Mas e se não?

Que todas as minhas dúvidas e suspeitas sejam infundadas. Que não existam golpes contragolpes nem autogolpes. Que todos os militantes, ativistas e políticos sustentados com dinheiro público sejam anjos. Que todos os crimes e conchavos sejam mesmos só intrigas da oposição que todos sejam até mesmo depois de provado o contrário mesmo inocentes.

Que as crises políticas econômicas e institucionais sejam mesmo coisas de velhos de rastelos. Que não haja revoltas nem protestos. Que todos os poderes públicos e forças policiais para lidar com a revolta da população nem sequer existirem. E que ninguém nunca mais duvide dos nossos insuspeitos movimentos sociais, ONGs, partidos políticos, igrejas, e políticos mídias e intelectuais e estudos brasileiros.

Que de fato eu esteja completamente errado. E que todos eles estejam certos. Que tudo esteja perfeitamente correto e que meus receios sejam completamente infundados. Que sem ironia as pessoas que fazem seu trabalho com honestidade e genuína preocupação com o ser humano não se ofendam com minhas palavras até porque obviamente não são dirigidas a elas. Mas e se não?

Se não:

se o que a ultradireita quer é o circo pegando fogo, para poder vender o ódio e a violência primal como solução para suas bases;

se o que a esquerda quer é vender para seus novos clientes seus programas governamentais compensatórios de origem neoliberais (como o bolsa-família), sabotadores dos verdadeiros programas sociais emancipatórios e empoderadores (como a renda básica);

Então meus caros amigos saibam que o buraco é mais embaixo, ou melhor, muito além das suas cercas embandeiradas, tutores ou porretes. Porque o controle destas povos ao contrário do nosso não termina nas nossas fronteiras geopolíticas e depende da conivência e discriminação velada das classes sociais e raciais recenseadas de outras nações.

Se não então que especialmente depois de agora, tenha ficado claro que se por ventura gente que mal pisou em nosso pais fugida da violência política for envolvida, ferida ou ferir, sem nem saber direito porquê ou pior contra quem estão sendo jogadas contra nestes luta nojenta por poder político-partidário, que fique bem claro, não foi sem aviso. Não será apenas o dedo no gatilho o único responsável,ou a voz dos comandantes em chefes os únicos responsáveis pelas vidas em risco ou perdida, dos dois lados, mas todos que mais uma vez estão pervertendo os valores humanitários em favor dos seus interesses políticos e particulares.

Que a partir de agora não haja mais a desculpa esfarrapada de não se é criminoso porque não existe leis contra ou não se sabia as inconsequências dos riscos que premeditadamente se assume contra os direitos humanos de fato a vida. Tomara mesmo que eu esteja errado também para vocês velhos atores e neófitos no jogo político de sempre, porque se pensam que continuam desapercebidos e que todo o respeitável público é um completa idiota manipulável são vocês que estão se enganado. Não é apenas o seu rei e rainhas que estão nus, mas a corte e seus bobos.

Quem é que precisa de educação política?

Dá vontade de vomitar (Juan Arias El Pais)

“Parlamentar declarou que quando for possível se saber que um feto tem tendências delituosas, a mãe será obrigada a abortar

Chega de demagogia e falsidade: não se pode mais fingir que estamos convidando os imigrantes para um grande carnaval de “homens cordiais” e sem preconceitos nem mais velados. nem muito menos jogar ninguém num covil de hienas que é nosso dever social debelar. Ou nos libertamos destes protonazistas e fundamentalistas que começam a dominar a politica ou somos tão criminosos quanto eles se fingimos que não estamos vendo o risco que estão sendo expostos por nossa omissão e falta de responsabilidade política.

Conclusão

E para não dizer que estou batendo apenas no pequeno poder. Deixo a mesma pergunta da militância, as lideranças; aos FHCs e Lulas da vida: o que vossas ex- excelências pretendem? Quem são seus verdadeiros donos? A quem vocês servem? Com quem vocês pactuam vocês mesmos já se denunciaram mutuamente, mas não estou interessado nos seus credos e cultos. A minha pergunta é a quem vocês se venderam por aqui na terra mesmo, em termos mundanos. Quais interesses vocês representam? Ao quê vocês afinal servem?

Ou será que a ninha pergunta deveria ser outra: será que a perguntar é qual é o preço de um governo, um presidente ou ex para acabar com seu próprio pais? Qual é o preço de um governo para vender seu povo e suas riquezas naturais ao menor preço possível de mercado? Em suma, quanto vale em dólares um líder disposto a reduzir um pais como Brasil ao preço de uma República de Bananas?

Dedico a vocês estadistas e musos da nova velha república a lei da Relação Totalitária entre a corrupção repúblicas autoritárias periféricas pseudo-revolucionárias e do impérios pseudo-democráticos centrais corporativo-imperialista: Para cada empresa multinacional criminosa há no no mínimo um governante traidor e corrupto traficante e vendedor da sua terra e de sua população.

Lideranças micro ou macro só servem para uma coisa, serem compradas. Elimine os intermediários com poder de mando e decisão negociação ou decisão monocrática e sigilosa e teremos senão um livre mercado internacional ao menos um mundo menos corrupto com menos fomes menos guerras e menos migrações forçadas por governos tiranos e corporações bandidas.

O que eu estou dizendo? Estou dizendo que o fim da corrupção e das crises humanitárias e econômicas estão diretamente relacionadas aos males da geopolítica sobretudo os econômicos subsidiados por seus respectivos monopólios da violentos. E que portanto a paz e o fim dos desastres humanitários passam pela extinção da democracia representativa e adoção imediata da renda básica sem nenhum tipo de discriminação e a democracia direta radical. E isto via novas assembleias constituintes e pactos federativos descentralizados obviamente não apenas sem esses governos e políticos e partidos podres, mas já via exercício pleno da cidadania através de plebiscitos populares de proposição direta dos cidadãos.

E se você é um ativista e está se perguntando o que isto tem a ver com os refugiados. Se você é um ativista dos direitos humanos e sinceramente não vê conexão nenhuma entre uma coisa ou outra. Então eu peço perdão a você pelas minhas críticas: você não é um manipulador nem um vendido, você não é um traidor entre os oprimidos, você é o primeiro dos alienados.

Governe-se.

[i] Já disse antes, e não me canso de repetir: Entre moralistas e hipócritas prefiro a companhia dos que eles perseguem, porque é entre os sem virtude ou consciência social que ao menos encontro gente com preocupações humanas genuínas — é certo, raríssimas delas dirigidas ao próximo, mas ao menos sinceras quando existem. Prefiro mesmo estar entre amigos que trabalham no “mercado” que não finge se preocupar com a desgraça de desconhecidos, do essa gente que usa a defesa do interesse público e social como um meio de atingir seus interesses particulares frustrados e recalcados.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.