BREXIT: Os (novos) Cosmopolitas versus os (velhos) Nacionalistas

Um conflito se aproxima. Mas antes de ser um choque de civilizações, ele será um choque entre gerações.

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“(…)a geração mais jovem perdeu o direito de viver e trabalhar em outros 27 países. Nunca saberemos a extensão de oportunidades, amizades, casamentos e experiências perdidas. A liberdade de movimento foi tirada por nossos pais, tios e avôs — um revés para uma geração que já está se afogando nas dívidas de nossos antecessores(…)” — comentário de um leitor do Financial Times

O que foi que aconteceu?

Aconteceu não uma, mas várias coisas. E que podem desencadear muitas outras mais.

Todos agora repetem a exaustão muitas delas e se perguntam ansiosos sem querer muito saber a resposta, querendo saber logo a resposta seguinte: o que será agora, depois do BREXIT?

O que aconteceu faz parte um pouco justamente disso. As pessoas querem cada vez apenas respostas instantâneas para problemas que se arrastam por séculos, querem apenas respostas imediatas para poderem voltar a ignorar os problemas do mundo, mas não necessariamente soluções.

Querem respostas que caibam dentro das suas velhas, curtas e superficiais visão de mundo. Mas que resposta poderia ser dada, quando boa parte do problema que se materializa neste “cisne negro” advém não tanto da imprevisibilidade do fato, mas é o fato que decorre e muito exatamente desse enorme anseio contemporâneo por uma conetividade virtual não para se ligar solidariamente as outras pessoas, mas para se alienar ainda mais profundamente em seu próprio mundo reduzido a burgo.

Todo mundo agora fala do BREXIT, como se isso tivesse rebentado ali, do nada. Como se tudo isso tivesse nascido da noite para o dia. Como se não estivéssemos diante de uma da pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Como se a guerra da Síria já não durasse anos e a guerra ao terror e os bombardeios dos EUA, já fosse algo banal desde 2001! Como se tudo isso não fosse o resultado de problemas que se arrastam a décadas (para não dizer séculos), e não fossem o resultado justamente dessa completa falta de humanidade e vontade política e sobretudo de coragem das sociedades para enfrentar de olhos abertos as suas causas geradoras destes desastres que a continuar assim só tendem a se multiplicar.

Pelo menos todo mundo, sobretudo a grande imprensa, agora só faz repetir a exaustão as implicações e consequências do BREXIT. E não só as que faziam parte da propaganda de medo do governo britânico, algumas procedentes outras nem tanto, mas também as mais perigosas que não era ‘interessante” expor.

Antes tarde do que nunca. Porque isso é importantíssimo. Claro que não faltam as notícias de futilidades e mais futilidades que, NESTE CONTEXTO, só servem para imbecilizar ainda mais quem já vive numa bolha em outro planeta e que só vão acordar se o quando uma guerra ou a fome baterem também a sua porta. Mas agora há também muitos mais notícias e analises criticas dese momento perigoso de fortalecimento dos já muito mais difundidos do que se imagina movimentos populistas, xenófobos e proto-fascistas que se espalharam por toda a Europa.

Pelo menos agora tanto esses movimentos não serão mais tratados como ameaças fantasmas, nem seus denunciantes como teóricos paranoicos da conspiração, quanto as propostas e movimentos a eles contrapostos serão enfim tratados com a devida honestidade e seriedade e não mais reduzidos como meras utopias de idealistas que não sabem que “a vida com ela é”. Até porque precisamos mais do que nunca deles para frear essa loucura.

Este susto talvez tenha acordado muita gente que simplesmente não queria crer, ou melhor se negava acreditar que isto poderia acontecer (de novo) na sua própria terra. E nunca é cedo nem tarde para se tirar a cabeça do próprio rabo, mas o preço desta pancada que pode abrir os olhos de muita gente pode ter ser caro demais.

Espero estar errado, mas conflitos generalizados pelo mundo são cada vez mais inevitáveis. Isto não significa que eles serão necessariamente conflagrados como guerras globais, mas que tem gente poderosa demais apostando e ganhando dinheiro com a venda do choque de civilizações, e que lucrarão ainda mais com a deflagração de conflitos armados entre Estados-Nacionais, isso é um fato. Não sei se eles conseguirão provocá-los, mas também já não tenho mais tanta certeza que enfrentarão mais resistência popular do que os poucos gatos pingados que somos pelos mundo.

De qualquer forma é importante não confundir nacionalistas com os Eurocéticos nem emancipacionistas com cosmopolitas. Porque assim como quem vota pela emancipação de uma povo, nem sempre quer mais do que de libertar de um poder centralizador (o que não é pouca coisa) mas não é necessariamente a demanda por liberdade para se relacionar ou mesmo se integrar livremente com outros povos- podendo até ser o oposto. Nem todos os que votaram pela saída são necessariamente velhos nacionalistas. Mas é inegável entre os que votaram, pela saída da UE muitos são muito mais nacionalistas do que se esperava, são xenófobos sem eufemismos- e sem serem “velhos caquéticos” ou “caipiras”.

Generalizações e bodes-expiatórios, em qualquer lugar do mundo dão sempre no mesmo buraco. Porém não há como negar : temos claramente um choque não só entre velhas e novas formas de pensamento, mas entre velhas e novas gerações pré e pós globalização, ou mais precisamente internetização.

As velhas tanto a direita quanto a esquerda ainda apostam em seus poderes e autoridades mais fechados e centralizados. Já as novas embora mais abertas não são convergem para a completa descentralização ou horizontalidade.

Assim como não pode se dizer que a tendência emancipacionista da nova esquerda é propriamente internacionalista sem um certo exagero e otimismo. Não se pode também dizer que o conservadorismo da nova direita seja simplesmente isolacionista, sem ser por demais ingênuo, porque ele é muito mais propriamente segregacionista.

Chamo essa nova direita de segregacionista ao invés de isolacionista, porque eles continuam querendo todos as benesses econômicas da globalização, mas com as mesmas fronteiras geopolíticas que definem a divisão internacional do trabalho e separam os países mais burgueses e desenvolvidos dos povos mais proletários e marginalizados- muitos deles agora as suas portas como refugiados. Pode-se dizer que eles são conservadores clássicos ou primitivos. Não é a toa que querem um mundo cada vez mais a imagem e semelhança da urbanidade brasileira: jardins e periferias devidamente guardadas e separados por muros.

Já digo que essa a nova esquerda emancipacionista tende muito mais a um novo federalismo do que para qualquer solidariedade internacional. Porque eles não querem propriamente uma integração universal e cosmopolita e por isso mesmo também não uma completa independência. Pretendem mas uma integração restrita aos seus vizinhos mais “próximos” e “semelhantes” do tipo união européia, com relações internacionais ainda distintas com o resto do mundo mas sem a intermediação dos seus atuais governos centrais aos quais estão submetidos.

Vale notar que embora esta demanda por uma cidadania independente que reflita a identidade própria e igualdade de dignidade deste povo especialmente perante aqueles que um dia foram, e ainda são vistos por muitos como, seus conquistadores é pode não ser aina a ideal, mas é uma avanço e é acima de tudo é mais do que justa.

Olhemos para o caso da Escócia. Ela desistiu de se separar sobretudo pela propaganda de medo da saída da UE, e agora pode retomar sua independência buscando justamente a integração.

Entretanto se agora se fala com muito destas forças, até então propositalmente subestimadas e ignoradas. Isto é porque a estratégia de reduzir artificialmente fracassou de forma terrível nesse referendo.

Muitos erros estratégicos relacionados a falta de noção do nosso novo tempo foram cometidos, e mais a frente vou falar sobre eles. Mas um dos maiores entre eles, foi apostar num velho liberalismo e conservadorismo moderados para conter essas novas forças.

Velhas ideologias de direita ou esquerda podem até se polarizar e entravam os mutuamente, mas em relação aos novos movimentos tanto de esquerda quanto direita inerentes a nova sociedade da informação e afeitos a sua tecnologia o efeito é o contrário, eles alimentam ainda mais a ambos. Passam por obtusos e desastrados dando mais argumentos tanto para os libertários que buscam emancipação e união internacional, quanto aos ultranacionalista que buscam o isolamento e o fortalecimento dos poder central.

Como disse melhor seria não ter que passar por isso. E se tivessem se feito de surdos para o clamor das novas gerações talvez não tivessem passando mesmo. Mas o revés do BREXIT obrigou a grande imprensa a fazer o que já deveriam estar fazendo faz tempo buscando e dando voz a nova geração que não se enquadra mais exatamente onde o velho status quo gostaria — nem que seja só para criar o contraposto que não conseguiram com sua velha propaganda politica de medo incapaz de conter a onda reacionária.

Como eu disse o Brexit tem uma série de implicações negativas. Mas ele também foi para muitos a revelação que não estamos mais apenas passando por um nova revolução industrial e informacional, mas já a revolução do geracional sempre subsequente a essas transformações do tempo e espaços. Os nascidos sob esse novo mundo não são mais os mesmos e não querem mais viver como seus pais. E isso não é apenas uma questão de ideologia, ou doutrinação, que assim como é posta dada pode ser revertida. Estamos falando de gente que nasceu com essas liberdades, não tem nelas um sonho ou ideal, tem nelas suas propriedades e tirá-las não é algo que se consegue sem violência e repressão.

Não estamos falando de meros privilégios. Ou só das belas coisas tão bem colocadas pelo jovem inglês, na abertura deste texto. Estamos falando junto com elas de outras mais “pragmáticas” e tão cruciais em tempos de revolução industrial que já resultaram até em guerras civis.

Estamos portanto falamos de coisas belas como uma nova geração dentro de uma urbanidade cosmopolita disposta a conviver com a pluralidade de outros povos credos e culturas, mas também de coisas nem tão belas assim como pessoas acostumadas demais com imigrantes limpando suas latrinas, dirigir seus taxis, servindo mesas e fazer tudo o que os cidadãos nativos ou de primeira classe não estão mais dispostos a fazer. Estamos portanto falando tacitamente também de um choque similar ao ocorrido entre o Sul e Norte dos EUA em torno da abolição da escravatura, ou mais precisamente em torno do futuro de um pais: se atrasado e subdesenvolvido dentro de um sistema produtivo ultrapassado ou independente de todos os preconceitos e afinidades dentro de um novo mais competitivo.

Fechar-se, desta forma por causa de preconceitos no fundo raciais e culturais significa não apenas um retrocesso civilizatório significa renunciar ao futuro. E eis todo o problema pois temos acima de tudo não só uma nova geração mais acostumada a liberdade que as anteriores, temos ela enfrentando a mais egoista de todas as gerações, a keineysiana, que como poucas na história está disposta a destruir o futuro de todos para não ajustar suas contas com o presente.

Isto posto quero falar de transformações e consequências bem mais profundas não do Brexit, mas daquilo que o BREXIT são um sinal, ao menos para quem, como diria Paulo Freire dialoga com a alteridade e assim está disposto a aprender a ler o mundo:

Guerra de Gerações, Revoluções, e o Espírito Libertário do novo tempo

Quando uma nova geração se nega a obedecer os ídolos e reproduzir os preceitos e preconceitos de sues pais

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Quando a propaganda de terror dos Estados-Nações falha e a vontade de emancipação dos povos e dos jovens se une e se encontra com o sonho da Paz Universal, o complexo de Cronos redesperta para assassinar o espirito do novo tempo recém-nascido em mais uma nova geração.

Tenho escrito sobre essa síndrome de cronos que afeta as pessoas não simplesmente conforme elas vão envelhecendo, mas sim renunciando a sua juventude. Um complexo que faz dos frustrados que renunciam ao que são e gostariam de ser a própria cópia dos seus genitores repressores prontos a reproduzir e perpetuar em seus filhos o seu “DNA” frustrada-repressivo por mais geração praticamente idêntica a anterior.

Logo quando falo de uma nova geração não estou falando apenas de pessoas nascidas num determinado período histórico, mas daquelas que alteraram ou foram alteradas por seu período histórico de modo a constituir-se de fato em uma geração revolucionária.

Revolucionários nascem vivem e morrem em qualquer lugar ou tempo. Mas uma nova geração é produto do espirito libertário de um novo tempo. E ela não é propriamente uma filha muito querida ou bem-vinda.

Seria portanto exagero considerar o Brexit como parte dessa contra-reação, um evento que poderá ser inclusive considero um marco na retomou conflitos e rivalidades jamais encerrados mas apenas adormecidos? Seria o reinicio de em crises econômicas e conflitos que vão tragar-nos em mais guerras e desastres humanitários e ambientais sem precedentes?

Seria mesmo uma declaração de guerra das velhas gerações contra as novas que resistem a se enquadrar? E se for onde esse conflito agora aberto e declarado vai dar?

Estamos a assistir nossa queda em mais uma armadilha de guerra de todos contra todos promovida por nossos Estados-Nações? Ou será que a humanidade finalmente esta crescida e vacinada para não cair nessa farsa genocida dos poderosos? Será que vamos comprar a briga das nossas patiras e patroes ou vamos finalmente lutar a verdadeira luta, a luta pela nossa própria causa comum, lutar para não sermos manipulados nem coagidos por medo ódio a nos matar mutuamente enrolados em bandeiras nacionais e escondidos por trás de muros fronteiras e preconceitos?

Isto não é propriamente uma pergunta mas o desafio do nosso tempo, o desafio da nossa geração: Seremos capazes de organizar a resistência contra a reação conservadora e autoritária que já declarou guerra aberta a mais nova primavera dos povos e que não está disposta a ceder nenhum lugar ao Sol a ninguém mais nesta nova revolução industrial e informacional nem mesmos aos seus próprios filhos?

É impossível saber o que virá. Até porque não nos cabe saber mas lutar, porque o futuro dependerá e muito da nossa livre vontade de não nos conformar e agir (e reagir) contra tudo o que se impõe. Entretanto é impossível negar uma coisa, não sem bancar o avestruz: um conflito se aproxima no horizonte. Se ele será um guerra entre civilizações alienadas pelo estadismo ou um choque entre gerações. Isto será definido sobretudo pela vontade dos mais jovens em resistir e lutar por sua liberdade, porque dos mais velhos já sabemos o que esperar.

Os velhos patriarcas que estão no topo dos clãs, famílias e sociedades corporações e governos, eles que digamos para não falar dos mortos, tomaram posse de tudo porque simplesmente chegaram primeiro ao mundo . Não vão renascer nem retomar a sua alma vendida em troca de conforto, posse poder e status. Eles já se renderam e venderam faz tempo. E estão dispostos a entregar até o futuro que não lhes pertence para cumprir sua parte no velho pacto e ficar com o prometido. Eles renovaram seus votos de obediência e servidão aos seu senhor e já mostraram que estão dispostos a sacrificar seus filhos aos pés dos seus velhos ídolos e bandeiras para manter seus privilégios e confortos.

Resta portanto saber o que os jovens e libertários e humanistas estão dispostos a fazer para defender o direito natural a vida e liberdade de todos as novas gerações e povos que querem sua independência não para se isolar da humanidade e se rebaixar servilmente aos senhores das suas terras e territórios, mas justamente para caminhar na direção contraria: se livrar da sua servidão e opressores patriarcais para abraçar a humanidade como adultos iguais em liberdade.

Com o Brexit pode-se dizer portanto que uma guerra que até então estava velada foi declarada. A guerra dos velhos nacionalistas contra os juventude cosmopolita.

Essa guerra milenar entre os fieis do estadismo, manifesta nos últimos seculos como nacionalismo (seja ele secular ou religioso) é e sempre será uma guerra fraticida contra a própria humanidade, porém quanto mais próxima do derradeiro, mais filicida irá se tornar.

Quando da minha segunda visita a Europa em 2012 comecei a falar sobre isso, me olhavam como se fosse um louco. Mas disse o que tinha que falar e não vou deixar de fazê-lo principalmente agora: Não pensem que isso pará aí. Não sem resistência.

Da segregação da irmandade entre todos os povos e pessoas o estadismo uma vez em crise vai cada vez mais tendendo ao populismo e xenofobia e se tornando cada vez mais vulnerável ao nacionalismo de viés totalitária, seja eles de direita ou esquerda. Mas isso não é o pior. O pior vem sempre quando esses regimes se instalam porque eles flertam abertamente com os crimes mais hediondos contra a humanidade: o holocausto dos excluídos e o sacrifício infanticida da sua própria juventude. Tudo para defender os privilégios e posses e “estilo de vida” dos mais velhos no poder contra todos os inimigos desse Estado tomado definitivamente com se fosse o corpo da nação.

Os velhos patriarcas bem nascidos em eterna guerra contra seus irmãos mal nascidos não vão só precarizar e endividar o futuro dos seus filhos que mal nasceram, eles não titubearão em sacrificá-los, se preciso for para preservar seus domínios. Quando o sistema de exploração econômica entra em crise a guerra dos patriarcas, que se julgam os donos e primogênitos do mundo contra o resto da humanidade irmanada pela privação de sua parte na herança natural, tende a ir as vias de fato. Nos momentos de crise se torna uma guerra contra todo a natureza, contra tudo e todos inclusive se precisar contra seus próprios filhos e descendentes.

]Aqueles que venderam sua alma em troca de poder, status e conforto, convocados pelas novas líderes propagadores desses velhos cultos, desenterram seus velhos preconceitos (jamais renegados apenas dissimulados) e cumprem sua parte no pacto, renovando seus votos de fidelidade e servidão no velho altar de seus ritos preconceitos supremacistas. Abraçam assim sem nenhum pudor mais uma vez abertamente seus credos e deuses, invocam seus velhos mitos e preconceitos, desenrolam suas bandeiras e apontam suas armas.

Fieis aos pactos que fizeram quando ainda eram jovens quando venderam sua alma e liberdade e dignidade, eles não vão exitar se tiverem que fazer muito mais do que roubar a liberdade da sua prole, eles hão de ser mais que covardes e tolos obedientes para cumprir sua parte neste pacto antisocial: eles hão de ser criminosos, vão sacrificar seus próprios filhos aos pés dos seus velhos ídolos senão em troca de favores, como crentes de que obedecem a um “propósito maior”.

O Patriarcalismo e a luta de uma nova consciência contro o velho inconsciente coletivo

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O patriarcalismo não tem filhos, tem herdeiros, não tem bens tem patrimônios. E portanto desconhece senão como hipocrisia qualquer ética ou moralidade, desconhece qualquer sentido ou sentimento que possa impedir sua vontade de poder de estende seu holocausto urbano cotidiano do proletariado para o da sua própria prole nos campos de batalha.

Isto não é apenas uma luta de oprimidos contra gente dispostas a matar estranhos para preservar seus domínios, uma guerra de gente xenófoba e racista que consideram outros povos culturas e classes e outras formas de vida inferiores dispensáveis e reificáveis é uma guerra do patriarcado contra o mundo.

Isto é uma luta não entre ocidente e oriente, imigrantes e nacionais, ricos ou pobres, é uma luta entre aqueles brancos supremacistas dispostos não só a matar todas as formas de vida para perpetuar sua existência, mas a acabar com a vida dos seus irmão e filhos para preservar suas poderes e posses.

Isto é uma guerra e uma guerra patriarcal. Não são só uma luta entre povos, culturas classes, e gêneros. mas uma guerra de gerações onde os velhos sacrificam gerações inteiras para preservar seus cultos e culturas e alimentar suas máquina estatais de discórdia e belicosidade. Uma guerra onde não só lideres dessa cultura mas seus seguidores mais aculturados estão dispostas a assinar qualquer pacto e seguir qualquer liderança que lhes promete conforto e privilégios, posses e poder, mesmo que ao custo do futuro ou até mesmo da vida dos seus filhos ou gene.

Uma luta portanto entre velhos vendidos e infantilizados sonhando com sua juventude e materialismo eternos e os povos e jovens sonhando apenas em se livrar deles para poderem viver e conviver livres e em paz seu próprio tempo de vida juntos. Uma luta entre aqueles que nascem sem nada contra aqueles que estão dispostas a acabar até mesmo com todas as outras formas de vida para ficar com tudo.Uma luta entre aqueles que sonham com um pouco mais de liberdade, um lugar ao Sol e os dispostos a fazer qualquer coisa para não ceder absolutamente nada, nem mesmo devolver o que não é seu.

É uma luta da humanidade contra a sua própria desumanização. Uma guerra entre supremacistas e libertários. Entre nacionalistas e cosmopolitas. E num sentido transcendental a guerra milenar entre velhos pervertidos e decaídos que insistem em manter seu matar e não deixar viver para manter seu corpo artificial e materialismo consumista, e espirito sempre renovado mais uma vez reencarnado em novas formas vidas pronto para revolucionar novamente a existência. A guerra de uma nova geração que não veio ao mundo apenas para ser escravos de suas dívidas, ou pagar com sua alma o pactos dos seus antepassados.

Mas não se engane estes que hoje tentam enterram o sonho de paz e liberdade de uma nova geração, também já foram jovens e estiveram cheios desta mesma vontade de viver de seus filhos. Se o que resta do jovem cheio de vida é apenas o velho frustrado e reprimido porque o jovem que ali habitava também foi sacrificado ao culto servil e repressor dos seus ancestrais.

Quando os Domus são ameaçados por uma nova arque libertária e libertadora, os Cratos, e suas cracia tiram sua mascará paternalista e revela a sua verdadeira arque patrimonialista e patriarcal: Cronos. E os velhos dominados por essa egregora de discórdia e conformação, se sentem mais uma vez compelidos pelo medo e ódio a sair a sair sua tumbas confortáveis e prestar seus serviços para proteger esse pacto anciente.

Ou em outras palavras, nós que não somos nem tão jovens para nos dar ao luxo de sermos ingênuos, nem somos tão velhos a ponto de sermos velhacos pervertidos. Nós que conseguimos envelhecer sem apodrecer não somos privilegiados, temos uma missão:

Proteger as novas gerações dessas velhas que tão bem conhecemos e que podem matá-las antes mesmo que elas cresçam. Ou pior podem se perpetuar como em tantos também nelas.

Porque a guerra está declarada.

De que lado você está? Dos dinossauros que tementes e crentes dos monopólio da violência, os adoradores dos velhos decadentes belicosos caros e armados até os dentes Estados-Nações que estão apostando e investindo alto numa guerra de civilizações e no entrincheiramento e genocídio dos povos excluídos, marginalizados e refugiados ?

Ou você está do lado do espirito do novo tempo, do lado das pessoas e povos que só querem viver livres em paz? Daqueles que querem encontrar o sentido da sua coexistência e sua própria forma de vida livres do ódio do medo da perseguição e coerção contra toda a diversidade humana e formas de vida?

De que lado você está dos jovens que querem se unir em paz com o mundo, dos povos obrigados a se manterem em reinos unidos, de nacionalistas que querem se fechar em seus territórios com armas até os dentes, mas com suas multinacionais extraindo riquezas a todo vapor do resto mundo? Ou dos povos e pessoas que querem se unir como pessoas e países emancipados livres da coerção de poderes centralizadores lideres populistas e fronteiras subsidiadas pela violência?

Você está do lado dos jovens de Londres, Oxford, Escócia e Irlanda do Norte, ou do lado daqueles que vivem de plantar medo e ódio nos outros para vender proteção? Daqueles que querem viver sua sua própria vida livres, ou dos que não conseguem viver senão podando propositada e despropositadamente a vida alheia?

Não podemos ser ingênuos conflitos serão deflagrados. E devemos estar prontos tanto para cada vez mais corajosamente a nos juntar e apoiar as causa justas quanto para com mais justiça e corajosas também nos negarmos a servir e obedecer as injustas.

Como tenho dito dispositivos de democracia direta como o plebiscito e o referendo não podem ser objeto de projetos de disputa de poder ou reduzidas a meros instrumento de ditadura das maiorias. A Democracia Direta precisa ser capaz de compreender a não inclusive a diversos politica inerente a sociedade contemporânea e isto significa não apenas diversas instancias de governo convivendo em harmonia num mesmo território, mas múltiplos governos de paz dentro de um mesma região seja ela uma União Europeia ou um Reino Unido.

A era dos governos impostas contra a vontade de uma unica pessoa livre está prestes a acabar. Resta saber se em paz ou guerras. Mas tanto essa nova era de democracias plenas quanto os possíveis caminhos que precisamos trabalhar para construir até chegarmos a ela. Tudo isso é uma outra história.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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