Bolsa-Família: o começo do fim (B)

Idiocratas: Tirar as rendas para dar crédito?

Como disse essa mais uma tragédia anunciada denunciada e ignorada. E se como se não bastasse vai dar em outra que aqui reiteramos nosso aviso: Microcrédito deve andar junto com a renda garantida e não apartados um do outro.

Para quem não vive numa bolha, no mundo paralelo da tecnocracia, o que vou dizer pode até parecer ridiculamente obvio mas é simplesmente ignorado pelos fazedores de politicas publicas (governamentais). Para que a micronegócio funcione é necessário:

  1. que os moradores das comunidades pobres tenham dinheiro para gastar nele.
  2. que os moradores possam emitir sua própria moeda e desatrelada da oficial.

Ou um, ou outro, ou melhor ainda: Os dois. Mas nenhum. Ou só dinheiro para o micronégocio é burrice.

Aliás burrice não, canalhice. Antes do Yunus e seu microcrédito até isso era negado sistematicamente, que o que faltava as pobres era o acesso ao capital, ao menos como crédito. Quem pensa mesmo na renda básica como ação social e não decreto cagado de cima para baixo por políticos, quem quer colocar ela em prática tem nas leituras sobre microfinanças, economia solidária e microcrédito matéria obrigatória.

Mas você não precisa dela, nem fazer como nós um projeto de renda básica em uma comunidade nem muito menos depois passar um ano emprestando sem juros para os moradores e consignado a própria renda básica para saber que basta se livrar um pouco da venda dos preconceitos para o bom senso enxergar:

Tanto o empreender precisa mais do que uma renda básica para seu micronegócio. Como nem todo mundo pode viver a base de microcrédito.

Na verdade um complementa e potencia o outro em ciclo virtuoso de oferta e demanda. Alias você pode até tirar o microcrédito, que isso vai desacelerar o desenvolvimento, mas retire a renda básica de uma comunidade e ela quebra. Isto é se torna como pais que não é dono das suas terras e negócios, uma grande periferia onde em geral a população está condenada a disputar a faca as raríssimas oportunidades de não ser apenas parte de um exercito de mão de obra cada vez mais desempregado e precariado.

Se você entende que o dinheiro não pode ser um pedágio aos donos das terras e territórios para quem trabalha e serve obedientemente viver, mas sim e tão somente um meio de pagamento. Então é obvio que ele em si não passa de créditos, e que precisa estar disponíveis conforme a demanda por negocio sem outros custos embutidos na sua emissão, para que ao invés de cumprir sua função social ele não sirva para produzir pobreza e expropriação das pessoas ambas em favor dos macroemissores da moeda.

O dinheiro é tudo para os viciados em posse e desesperados por privação, mas o monopólio da moeda seja como emissões de formas de pagamento ou credito é uma arma mais poderosa que o voto ou bomba. Ela não pode até refrear o desenvolvimento ou pelo contrario reativá-lo.

O microcrédito não é porta de saída a garantia de renda ele é porta de entrada a garantia de direitos econômicos plenos principalmente quando está não apenas junto mas integrado a renda básica.

Afinal se a pessoa tem uma renda básica ela tem sempre como pagar seus empréstimos. Até nisto o programa é estupido e revoltante. Ouvir de governantes e burocratas falar de trabalho, sentado numa máquina cuja fundação é a expropriação primitiva e a manutenção é a expropriação reiterada, ou seja impostos sobre a posse e trabalho alheios é algo que cada vez mais ultrapassa minha capacidade.

Por desencargo de consciência. Segue aqui alguns trabalhos e resultados deste microcrédito consignados em renda básica e observações sobre microeconomia.

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store