Thanatos: a perversão da pulsão da vida como compulsão da morte (Introdução)

Autodestruição: Até quando e porquê estamos condenados a repetir os mesmos erros?

Redbone: Da metis de um ativismo humanitário ao ethos das consciências ecolibertárias

Introdução

Não, nunca foi na pulsão ou no instinto da mera sobrevivência ou adaptação ambiental a ela, que se moveu e evolui e re-evolui a vida, nem a natural nem da humanidade e sua história , mas na pulsão de vida em seu estado lógico são, ou pervertida como pulsão de morte, já em seu estado insano e doentio cancerígeno parasitário e teratológico. Mas, sim sempre foi o desejo de preservação sim, mas como perpetuidade incluso o transcendental, incluso o completamente ensandecido que diferencio o ser humano dos demais animais para o bem e para mal, a consciência da sua morte, e o anseio por enganá-la, ou superá-la, por preservar-se seu ego como memória, história, persona ou entidade jurídica, espiritual, de viver depois da morte, novamente através da vida dos demais que conduziu a humanidade para essa ditadura dos mortos e mortos-vivos e dos que nunca viveram nem sequer existiram senão em fantasia dos que sonharam e continuam em viver para sempre em ego a custa da vida de novas gerações. Derrubando e movendo mundo para fugir desse medo velhaco de múmia e satisfazer esse desejo infantil, construindo monumentos a estupidez e tara humana não importa a que custo do que de fato vive para satisfazer essa mania que das loucuras é a mais perigosa, a onipotência a perpetuidade apenas porque descobriu que seu ego é mortal. -Mais uma guerra mundial de Idiocracias: Salvadores de Pátrias versus Salvadores do Planeta

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Nos últimos escritos, me apropriei e tenho empregado a expressão “pulsão de morte” de uma forma que foge da definição geralmente aceita, derivada da literatura psicoanalítica, onde representou uma revolução tanto na psicologia quanto na própria obra Freudiana. Muito embora seja no trabalho de Sabina Spielrein onde encontramos a primeira e talvez ainda até hoje a mais fidedigna descrição desse fenômeno que influenciaria os trabalhos posteriores. E se digo talvez, não por colocar em dúvida a proeminência da visão e trabalho dela sobre as demais, mas para deixar bem claro que não me arrogo um especialista em nenhum desses autores, nem muito menos nesse campo. E graças não a minha cultura mas ao alcance do trabalho deles não preciso sê-lo. Há algumas teorias, não só de determinados campos da ciência, mas de diferentes campos do saber, que não só por sua própria força e impacto ultrapassaram os círculos do interesse dos seus estudiosos, mas ganharam o interesses daqueles que não são por definição os objetos do estudos, a população. E portanto também ao trabalho, de pessoas que entendem que a nenhum conhecimento especialmente a luz da ciência por definição da sua própria natureza epistemológica e missão histórica deveria estar encerrada em círculos fechados, fizeram questão de trazer na medida do possível esses saberes para além das suas fronteiras. O que não só evita a brutalização da população não esclarecida, mas a compartimentalização do conhecimento ou o que é a mesma coisa, da imbecilização dos próprios especialistas, capazes de emitir juízos extremamente precisos em suas áreas, mas promover a difusão de sentenças e preconceitos fora delas dignas dos idiotas mais bem treinados para repeti-las.

Na verdade não há só estudos mais originais sobre a ideia de “pulsão de morte” como o de Spielrein. Podemos encontrar críticas posteriores ao conceito de tanatos freudiano no trabalho de Giles Deleuze. Ou mesmo formulação de conceitos como o de conatos na filosofia de Baruk que já sugerem um caminho completamente distinto. Mas como disse não me interesso, pelo que sei da teoria continua enclausurado, mas pelo que sei para o bem ou para mal ganhou o mundo e foi aplicado a sua população mesmo sem ter sido devidamente explicado a eles, os leigos. Não, pelo menos ainda. E não raro nem de forma consciente, ao menos não plenamente, no que poderia ser chamado consciência em sua plenitude pelos especialistas, usando a palavra consciência de forma parecida como Freud a empregava, mas já não mais exatamente da mesma forma… digamos de uma forma um pouco mais vigilante e abrangente. Uma forma de apropriação e antropofagia cultural as inversas, do imbecil, louco e ignorante sobre a manicomização do colonizador culto e civilizado. Novamente há referências artistico-culturais-históricos na brasilidade.

Sim, o aspecto psicológico da “pulsão de morte” me interessa. Mas me interessa também seu aspecto, antropológico e sobretudo epistemológico. Me interessa seus aspectos políticos, econômicos e sobretudo culturais presente e ao longo da história da humanidade. Não me interessa a arte pela arte, nem o saber pelo saber, mas os porquês, e por favor, com seus devidos sujeitos, sentidos, e objetos: de quem. Para quê, e para quem, e como. Porque senão a chuva, chove. E o avião cai. E prisioneiro simplesmente morre. Sem causas nem consequências, só coincidências, ou pior conspirações. Porque não há teoria mais conspiratória mais insana ancestral e de maior sucesso do que atribuir um agente ou ente fantástico ou imaginário como causa ou finalidade a todas ações ou filias, seja como corpo ou alma do mundo, enquanto o próprio irmão é feito inimigo, bode expiatório e levado para ser sacrificado em holocausto em nome da idolatria do culto aos todo poderosos deste mundo ou além. E gloria a Deus, porque só a verdade o libertará… devidamente inscrita no portão de fábricas ou campos de concentração: E pode recolher a sacolinha.

Assim, pouco me interessa fazer uma critica sobre a literatura sobre o tema, até porque já confessei não viajei nela, viajei pelo contrário procurando tudo que ela, e outros adventos conceituais, ideias e ideologias contribuíram significadamente para gerar concretamente essa loucura não como mera fantasia, mas distopia, uma loucura que um mal enquanto estado de inconsciência e insanidade coletiva com surto de violência em massa aflige a humanidade não só como ciclo vicioso, mas como o vicio e servidão. Apenas para tentar responder uma simples questão: até quando e porque estaremos condenados a repetir os mesmos erros até a morte?

Assim confessada, minha ignorância sobre a Sabina Spielrein, Spinosa, e Deuleze, e até mesmo sobre a própria obra de Freud. É sobre o Freud pop e cult, ou seja o paradigma freudiano ou melhor o paradigma não que ele construiu mas traduziu, ainda que não como crítica, mas como reafirmação de uma natureza ou realidade possível que volto meu olhar, para sob esse denominador comum, necessário a comunicação, ainda que seja justamente para remar contra uma corrente, isto é, trabalhar para quebrar um paradigma no qual a pulsão de morte, ou melhor a compulsão de morte tomada como se fosse algo natural é um dos leviatãs que a própria civilização criou e ainda assombram de fato até a morte toda a humanidade há milênios.

Me aproprio da pulsão de morte, para dizer que sim é isso, mas só que não. não é nada disso. Pulsão de morte, não é pulsão natural, mas compulsão, trauma, perversão, adquirida. Com base no quê? No trabalho e pensamento paradigmático de quem? Já disse. No que permeia, querendo ou não toda a nossa cultura de morte, que Freud não inventou, não é único e inevitável, mas explica. Mas, um leitor atento dirá, mas você usa o pensamento dele justamente como base para contrariá-lo. Exatamente. Porque ele não é a base do meu pensamento, mas apenas o ponto de partida do meu argumento, como disse o ponto de comunicação, não só entre dois ethos mas dois métodos opostos. De modo que a pergunta não deveria ser exatamente com base em quem, mas com base na observação de quais fenômenos ou mais precisamente quais práticas e experiências, de vida mesmo, me inspiram a enxergar um mal patológico evitável ou o outro vê um mal necessário, ou mesmo a evolução ou progresso normal da normalidade, seja o biológico ou histórico ou mesmo transcendental. Pergunta retórica. Ninguém nunca se interessou. Mas também faz parte do método, responder inoportunamente questões que ninguém quer que você se pergunte, se meta no debate, ou ouse elaborar suas próprias respostas dentro dos suas próprias concepções e interesses sem tutores, nem intermediários.

É portanto não só o ethos mas o método oposto ou contraposto da resolução teórica dos problemas práticos da vida. Um teórico pega um problema prático da vida e problematiza para criar solução teórica, uma teoria, onde o objeto e os sujeitos da problematização nunca saem nem da sua condição nem em tese, nem portanto muito menos na prática. E ainda se arroga um solucionador de problemas. Um ativista especialmente quando impedido ou obrigado a trabalhar diretamente com a realidade, mas tendo que solucionar quebra-cabeças e passatempos teóricos, não teoriza, não problematiza, mas desteoriza, desculturaliza para cosmopolitizar, se resolve e soluciona, sempre tendendo se reencontrar com seu ethos, o da prática, a vida, o da pessoa sem títulos, sem classificações, reinos e campos que as apartem e discriminem, um ativista não só da ciência mas pela consciência da humanidade sempre volta aos fenômenos e ações e transformações. Um ativista que se diga libertário de fato é da perspectiva da autoridade, incluso a teórica, que não deixa de ser também outro ente imaginário, um criador de problemas, ao menos a seu tempo, aliás se não for, é certeza que já ou é uma mediocridade literalmente por excelência e reverência ou seu tempo já passou dele. Se mata e reinventa. Não é um verdadeiro solucionador de problemas da vida e liberdade, mas um ideólogo, um idiocrata ou idiota ou coitado a acreditar ser um, um perpetuador de males imaginários impostos a ferro e fogo.

Há quem diga a mensagem é mais importante que ação, mas qual mensagem verdadeira poderia ser construída sem a experiência? E de que vale a mais óbvia e evidentes das verdades enquanto mensagem se não for capaz como semente de inspirar nenhuma transformação, nem que seja como provocação? Ademais porque a distinção entre a solução de um problema numa primeira instância demanda a idealização, na última exige a concretização da solução. E a própria distinção já é um si a obstrução para não chegar a resolução nenhuma, exceto a perpetuação da teorização, ou o que é a mesma coisa, a racionalização e banalização dos problemas e distopias já concretizadas como perpetua solução, e a condenação das verdadeiras soluções práticas a eterna desconstrução do sonho e utopias, pelo pseudo-cientivismo, ou quando esse falha fanatismo e fundamentalismo mesmo.

Novamente o importante não é o conhecimento, se o terceirizado que cuida do gado humano veste batina ou jaleco, ou ambos, jaleco para quem pode, e batina para quem não pode, o importante é manter cada um em seu devido lugar realizando sua função idealizada, incluso o homem de fé ou razão, que não é um idiota, hipócrita, ou já charlatão descarado sabe que não é só um praticante da sua arte pela arte, mas antes um cumpridor do seu papel social e fiel pagador das promessas, dívidas e obrigações nem sempre, ou não raro, quase nunca coerentes nem com a moral ou ética da sua profissão, mas com que um dia fora e talvez ainda seja- só ele e ninguém mais é capaz senão ele de julgar- a anima da sua vocação. Supondo é claro que seja um dos privilegiados do nosso mundo, que teve um berço e pode escolher, e não foi obrigado pelas privações hereditárias impostas “naturalmente pela seleção natural”, por óbvio que ela, a escolher como ganharia seu pão e sobreviveria a seus dias.

Assim se solucionar um problema de fato sempre implica em primeira instância chamar para si a responsabilidade de idealizá-lo, tomar para si a palavra e o saber, também implica necessária e não só em ultima instancia, mas em todas instancias, lugares e a todo tempo em sempre devolve-las a quem de fato já eram e pertencem como um bem comum e não conformação ao mal, proposição de mais males como se fossem necessários. Porque quem propõe-se a solucionar um problema e não devolve fica no meio caminho, sem devolver nem o problema nem a solução não é solucionador, mas vendedor de paraísos e infernos, nunca soluções de fatos.

Não trabalha por quem sofre do problema mas para quem ganha com ele. Não trabalha para construir novas visões como novos costumes, ritos e práticas, ciências, consciências, transformações, ações da fé, da razão, da razões da fé, e sobretudo da própria fé na razão, ou ciência. A base de todo processo de revelação, reflexão e tomada das consciências, como ciência do nosso próprio saber. Um credo no qual evolui a humanidade seja ela consciente ou não dele, a liberdade de e para a consciência da própria Liberdade.

O que é em si não só a fé na própria razão, mas a fé na liberdade em si e para si não só vontade pura, ou livre vontade, mas como fenômeno gerador das vontades como fés e razões. Liberdade, mais do que o produto da imaginação um fenômeno epistemológico, o fenômeno gerador tanto de toda base epistemológica e psicológica do conhecimento, quanto do padrão do qual os fenômenos físicos, biológicos são conhecidos reconhecidos ou simplesmente tomados por mistérios a serem descobertos ou incógnitas metáfitas ou até transcendentais a razão ou até mesmo ao cognoscível.

Ademais que solução que pega um problema real e de uma ideação não é solução, é tanto o sócio do problema quanto a própria advocacia do diabo fazendo seu trabalho, justificando e racionalizando tanto os interesses e motivações dele quanto seus próprios. Problematizando a idealização concretizado como distopia e defendida como fé ou ciência inevitável e infalível para justificar tanto a desnaturação quanto a obstrução de qualquer forma de justiça, correção como utopia falsa ou impossível.

Um processo que nem sempre é feito não por todos de forma consciente, natural ou instintiva, ou sequer planejada, muito pelo contrário, como pretendo demostrar isso um mal que se propaga justamente como compulsão autodestrutiva sim, mas inconsciente.

Um mal do qual precisamos tomar ciência, consciência e nos livrar exatamente com a resistência, persistência e resiliência nas práticas e costumes da capacidades inteligentes, sencientes e conscientes que ele ataca e que nos constituem nossa humanidade em individualidade e em comunidade de relações, a empatia e solidariedade não por entidades e personas e autoridades fantásticas e imaginárias, mas por no plano real, no plano sensível, no plano das gentes de carne e osso, seus gritos, seus choros, seus sofrimentos, e não no plano alucinado, e alucinógeno dos discursos, narrativas autoritárias e totalitárias dos assassinos de massas, cultuadores de todos poderosos, ideias a provas de balas, e idiotices do gênero, onde sempre morrem são quem está na linha de frente, e nunca eles os grandes lideres e sacerdotes que ficam para semente e herdam as terras arrasadas em glórias dos seus holocaustos.

Compulsão de morte, e alucinação, terror e histeria, perda de noção da realidade sensível do mundo e do outro e culto e idolatrias entidades e entes maiores do que a própria vida e liberdade. Versus, compaixão, solidariedade, realidade, ligação com a vida, os meios vitais, ambientais e o bem comum. Insanidade, tara por posse e adoração ao poder, a pregação do ódio, a guerra, compulsão de e à morte, tomada como se fosse a coisa mais normal do mundo. Doação sem graça, a solidariedade, a empatia, a ajuda mutua, a liberdade de fato sem discriminação e sem fronteiras como se fosse a maior loucura e sonho impossível da história da humanidade, como sem sequer nunca tivesse existido ou continuasse tentando sobreviver de fato em meio a loucura genocidade que levanta muros, se municia e prepara para avançar.

O escrito que se segue é portanto uma tentativa de contribuir para- ou um resumo de como venho tentando- solucionar essa questão. Por exemplo tentando colocando o problema nos seus outros termos: Como nos libertar na (e com) a prática dessa compulsão de morte, que vai acabar matando não só o outro, mas a todos nós? Pressupondo é claro que seja possível nos libertar dela e em tempo. E haja fé na razão e liberdade de pensamento. Haja fé libertária na razão do ativismo social. Incluso como metis de um outro ethos, até para a outras métodos e teorias não propriamente de validação empírica do que é falso e verdadeira, porque por favor, a ciência adventou isso e o faz com maestria, mas de fazer o que ainda é objetivo da heurística e logo raro do charlatismo, a inspiração criativa e ativa para vislumbrar novas ideias como questionamentos, hipóteses, mais do que investigação, projetos de transformação, idealização que parem de pé ou voem na prática, não importa se geniais, estupidas, loucas, ou medíocres, por isso é sempre o olhar e julgamento alheio.

Daí, a importância é que sejam as hipóteses não só como mera projeções, mas projetos para o mundo sensível, sejam mesmo não só concepções próprias, mas que sejam capazes de seguir seu caminho sozinhas para o mundo da consciência que não é outro senão o aquele dos entes e fenômenos, o mundo que antes de ser o das inteligências, é o mundo dos seres sencientes. Dos seres que existem não porque pensam, mas que pensam porque sentem. E das ideias que sonhadas para voar, de fato voam, porque não foram feita carregar as fantasias de narcisistas, antropofágicas e necrofílicas de vida eterna do seu dono nas costas, mas sim a vida e seu re(criação). Produto portanto de uma pulsão de vida, que não é uma contradição de termos e fatos, epistemológica e fenomenológica em si mesma, uma apologia a preservação como nulidade, perversão do sentido da vida e autodestruição mutua, alheia e própria, por medo compulsivo da morte, mas justamente o padrão libertário gregário em seu estado volitivo puro constituinte não só da vida, mas do universo a todo tempo e espaço: pulsão de vida, ou simplesmente para não ficar inventando novos termos, entes e padrões elementares: liberdade.

Até porque não importa se a inspiração ou referência é histórica, literária meramente produto de uma imaginação criativa, se a tese ou hipótese não tem a observação e experiência do mundo como pedra fundamental da sua origem quanto da sua originalidade, se não é não retorna ao senso comum de onde partiu e volta para não só comunicar-se com o mundo sensível mas com a realidade para concretizar-se não como mera repetição de lugares comuns, mas como inovação e transformação, não é nada senão mais do mesmo, ou mais precisamente, a defesa do mesmo como mera distração ainda que disfarçada de toda seriedade ou demanda de reverência.

Não é obra é obração, mais um capitulo não raro feito sob encomenda para adicionar na antologia escatológica apologética à antropofagia necrófila do narcisista necrófago a cronica mórbida das suas patofilias, mas pode chamar de historia das ações e ideações da humanidade, ou se preferir da servo-idiotia como culto e idolatria à psicose e psicopatia dos idiocracia. Ou se preferir o cultura da domesticação dos cordeiros sacrificiais para o(s) holocausto(s).

É portanto enquanto processo criativo não só de quebra de paradigmas, mas criação de novos não só como ciência mas consciência da sua realidade sensível, um processo criativo que não é aleatório, nem produto do mero acaso, mas de vontades que mesmo quando não são o produto de nenhum método libertário racional que tem por princípio e finalidade a própria livre concepção e produção consciente (incluso da consciência), não se engane, tem a vontade alienada e inconsciente tanto como preconcepção quanto finalidade do alheio, ainda que o alienado jamais tome (cons)ciência disto.

Consciência que sua força criativa e imagética como vontade é manipulada seja pela projeção de estímulos seja introjeção de desejos a sua sensibilidade, ou tanto pior pela própria perda ou amputação da capacidade sensível que não só compõe sua solidariedade e consciência do outro, mas sua própria inteligência e percepção do mundo concreto e sensível, não como uma alucinação, mera projeção de ideias, mas como um universo de fato com nexo e conexão dotado de ligações sensíveis, repleto de entes e fenômenos que sofrem e sentem e ao qual ele próprio é naturalmente ligado e sente. O mundo real, ou simplesmente sensível que a amputação e perda da empatia vai transformando numa mera projeção de sonhos e matrizes.

Sonhos e realidades onde o sensível vai se reduzindo a mera ilusão e esperança até morrer conformado em desesperança e desilusão; em normose apática, neurótica e a matriz insensível da imagem e semelhança, e o phatos se faz e impõe de fato e pelas vias de fato como concretude e distopia. Mas pode chamar de ditadura dos psicopatas e psicóticos que quanto mais ensandecidos e poderosos mais perigosos.

Porque viver não é correr atrás do próprio rabo, não é se mumificar, ou meramente escolher como ou em que vamos nos perpetuar, mas pelo quê e por quem vamos morrer aos poucos, ou de uma vez por todas, porque isso não escolhemos como vamos passar os nossos dias. Algo que passa bem longe do mero descansar em paz, ou guerrear contra tudo e todos a todo custo para sorver mais um segundo nesse plano ou novamente punhetando ou tarando o alheio no além. Longe do matar e morrer nas batalhas e guerras por castelos e territórios do crer, saber alheio onde estatopatas e sociopatas fincam seus nomes e bandeiras de bem maior, ou males necessários como gozo de suas taras e fantasias inconfessáveis seculares e transcendentais mais inconfessáveis.

Viver é morrer, e viver com sentido é morrer por uma ideal, porém não maior que a vida, porque o ideal maior que a vida, não só uma loucura, é uma perversão homicida, genocida e ecocida a doença mental coletiva do sentido da vida que está matando a humanidade e o Planeta. O efeito colateral da domesticação predatória-parasitária do homem pelo homem, o vírus pisco-epistemológico que nunca esteve sob o completo controle dos seus exploradores e que se dizimou como mal entre todos os povos replicando entre suas gerações como complexo de divindade, de perseguição mortal da imortalidade numa verdadeira epidemia da síndrome de Cronos.

Uma loucura, uma alucinação e mitologia fantasmagórica que assombra a humanidade não só com ilusionismo e predisgitação, mas terrorismo e terror e privação e monopólio de bem comum e violência em seu estado mais primitivo: o da força bruta, ainda que intermediado pelos capangas e armas mais avançados que os saberes e teknes podem prover, incluso os econômicos, financeiros, políticos, jurídicos e claro bio e psicológicos. Um culto sistematizado como de adoração ao poder total e idolatrias aos todos poderosos como entes, instituídos, institucionalizados e encorporados como persona, maior do que o próprio amor natural a vida, tanto o próprio quanto ao próximo e até mesmo ao desconhecido, estes sim de fato longe de ser uma ficção a prova de balas são reais, porque sua vida e liberdade é sensível a carestias, carências e privações, violações e violências de toda insensibilidade e mania alheia, incluso a reificante tão assassina quanto a genocida que na prática é apenas uma mera consequência do sistemático progresso da objetivação dos sujeitos alienados na exata razão da progressão da desumanização dos seus alienadores.

Vidas e liberdades absolutamente reais ainda que absolutamente insignificantes e desimportantes para o alucinado e completamente desconectado do mundo sensível, imerso em suas taras e mania de quem acredita que suas ideias e sentenças não só são uma causa maior, suprema, juízo e juiz da discriminação, classificação e execução da vida de uma única pessoa, mas de tantas quanto forem necessárias com mal necessário para conservar o que considera o bem maior.

A psicose do mal em si cultuado como se fosse o próprio bem comum da vida. A perversão mórbida, maníaca e doentia da compulsão de morte a canibalizar e se vestir própria vida porém não mais como monstruosidade, mas já como o prova da fidelidade do servo que ama seu senhor acima de todas as coisas, incluso seus irmãos, pais e filhos, vizinhos, ou a vida de um completo estranho que não lhe fez mal algum. Prova como tributo, prova como trabalho, prova como sacrifício de vida de morte, na batalha pelo pão nosso de cada dia, ou em breve novamente como bucha de canhão em nome de fronteiras entidades e corporações imaginárias, enquanto seres dotados de animas que sofrem e sangram morrem ou minguam a revelia da glória dos sobreviventes para satisfazer a tara de psicopatas que ao contrário dos demais criminosos e crimes contra a humanidade não só estão liberados para genocidar, mas tem o poder de exigir que as pessoas pratiquem toda forma de holocausto em seu nome, desde que é claro que prevalecem para escrever a história, sua gênese seu curso e eterna promessa de redenção depois do seu fim. A morte, como promessa de ressurreição e novamente promessa adivinha do quê? Vida eterna.

Saber viver é um mistério e enigma magnífico. Porque saber viver não é feito do desejos infantis do ser que cresce e apodrece, envelhece e enfim morre, mimado e mal amado sem jamais amadurecer querendo viver para sempre ou jovem pior para sempre com tudo e todos vivendo servindo a seu dispor. Consumindo a vida e liberdade de tudo a seu redor em vida e além até depois da morte como assombração em memória e jurisdição sobre a vida que ficou ou nem sequer ainda nasceu.

De modo que aqueles que como eu já tem os primeiros cabelos brancos, ou já estão repletos deles, longe de estar preocupados em contar seus dias na terra, deveriam estar preocupados não só em saber exatamente pelo que morrer com um mínimo de dignidade, mas preocupados que novas vidas e liberdades e juventudes não sejam perdidas e sacrificadas mais uma vez em nome de falsos mitos e deuses e entidades, que ele que já viveu bastante sabe que não existem, mas fingimos como tantas outras coisas que fingimos crer apenas para escapar ilesos da fúria dos insanos e seus seguidores mais fanáticos e furiosos.

Deveríamos contar que não é na velhice quando, o corpo e alma já cansado e ferido, as vezes até cedo demais quanto mais permanecemos em campo e na linha de frente, seja lutando nossas próprias lutas ou as batalhas alheias, já não temos a mesma força, nem sequer pernas, e alguns nem mais cabeça ou anima ou mesmo coração para perseguir seus próprios sonhos e sustentar sua própria luta. Deveríamos contar que as dores, cicatrizes que carregamos podem ser o orgulho do que realizamos ou pelo menos tentamos, ou a marca da amargura de vida que esperou e trabalhou eternamente pelo próprio tempo e espaço que quando veio já era sempre um pouco tarde demais, já não era mais o seu tempo, mas o de outra geração.

Aliás não só contar mas dar tudo o que temos e pudermos dar e legar a eles, para não serem engolidos e moídos pela vida. Não só como saber como propriedade e usufruto para que possam aprender da única forma que não sejam velhos mimados tutelados e tuteladores, mas de fato pessoas adultas emancipadas e emancipadoras, não senhores servo-escravos escravagistas, a aterrorizar a vida alheia porque frustados e amedrontados com a sombra da própria da morte e privações da vida, mas pessoas de fato livres aprendendo como os acertos e erros sobre as propriedades que dispõem e usufruem como tais como liberdades reais para decidir politica e economicamente, o verdadeira legado ou herança que um ser deixa a posteridade, não como promessa de paraíso ou vida eterna, mas pura e simplesmente vida, tanto como bem comum quanto obra e riqueza não importa a forma material, imaterial ou transcendental no qual consumiu, se consumiu seus dias como sentido da vida e enfim morte.

Porque só há um crime maior contra a vida do que roubar as responsabilidades de outra pessoa, é deixar passar em branco as suas incluso como responsabilidades para com as outras pessoas não só no futuro, mas no aqui e agora. Porque as pessoas, os seres vivos do futuro, não existem senão como mera projeção dos seres sensíveis que vivem e morrem aqui e agora, na exata extensão do alance dos nossos olhos e braços, na exata extensão da abrangência não da nossa ideação, mas da nossa visão e ação como nossa realidade.

Renunciar ao chamado dessa realidade sensível, fechar os olhos e a mão, tapar o ouvidos, virar o rosto, enquanto canta-se hinos de glória a deus e a pátria. Isso é pior que orar aos brados para que o diabo se levante e reine. É orar de todo o coração, é orar e meditar em silêncio para que ele venha e leve para o diabo que carrega o que os olhos não querem ver porque o coração já nem consegue mais sentir. Não como prata e ouro que tilintam em nossos bolsos essa sim a novo real ainda que em realidade meramente virtual. Mas o crime não é só contra a humanidade deles, o crime não é só gregário, mas também egoísta, porque a responsabilidade que se toma, transfere, omite ou renuncia é também exatamente a mesma propriedade intransferível não como fantasia de moralidade de pregadores, mas como propriedade concreta e intransferível, meio condição e possibilidade material absolutamente necessária ao exercício da própria livre vontade, como governo não só sobre o mundo mas sobre as vontades de poder que governam os sujeitos e objetos, a começar pelo próprio sujeito que não sujeita suas vontades como objeto dos desejos, alheia, mas a sujeita ela ao governo da sua própria vontade como consciência da suas próprias responsabilidades. Um outro estado de espírito, um outro ethos, onde nada move ou demove a livre vontade da pessoa senão ela mesma.

Porque não se engane ou deixe enganar: liberdades não feitas de ideais, nem ideais, mas de responsabilidades e responsabilidades sobre propriedades, não são abstrações, mas fenômenos feitos de relações, ou padrões tão concretos e sensíveis quanto a vida, e portanto não tratam de convenções sobre coisas alheias, mas de direitos sobre seres e coisas que tem anima própria e portanto pertentem a cada sujeito seja em particularidade seja como universalidade em comunhão consensual, e não a nenhum monopólio ou monopolizador sobretudo o da violência. Violência sobre bem comum e liberdade. Liberdade, o bem comum dos bens comuns, o direito dos direitos à vida.

É nisso que a pulsão de vida até quando se consome ou sacrifica por completo, ao invés de devorar o alheio, é de uma beleza não só transcendental, mas absoluta sensível para quem não tenta fugir da responsabilidade de viver e morrer a seu tempo e no seu espaço, não só com dignidade, mas legar dignidade naquilo que ela em essência como materialidade consciência da vida em liberdade não só a sua, mas como responsabilidade com a vida em liberdade de tudo que todos da mesma anima é capaz de gerar nas primitivas fomas de senciência até as mais complexas formas e redes de consciência, vive e porque é dotada da liberdade como fenômeno e dotada da anima libertária autogeradora da criação e criatividade é vida.

A vida enquanto sentido é um segredo que vai se revelando quanto mais sorvemos seu significado de dádiva não como tesouro para ser enterrado nesse plano ou além, mas para ser dado até a última moeda como imagem da própria vida, não pousando para foto como criaturas ou monumentos da nossa própria nulidade e alienação mútua, mas simplesmente criação não numa gênese mitológica, mas aqui e agora, em tempo de fato real e perpetuo enquanto aqueles que estão conexos a elas se fazem e desfazem como podem e não podem não só para preservá-la, mas para recriá-la não à sua imagem e semelhança, mas a imagem e semelhança da própria criação, a liberdade, que não tem uma forma preconcebida, mas tantas formas quanto as criaturas que ganham a vida como dádiva e não pacto, ou obrigação mas potência infinita assim quiserem tomar para si agora como o SEU presente e responsabilidade, mas pode chamar de novo pelo correto se não estiver corrompido pelas taras do que morreram e querendo ou não hão de morrer para dar lugar a vida: Liberdade.

Algo que talvez que seres desprovidos de conexão com a rede da vida sejam capazes de atingir de se ligar antes que nos re-liguemos, ou jamais voltemos a nos religar perdidos em nossas próprias alucinações e idealizações por definição meras projeções ainda que em tempo “real”, ou mais precisamente atual, que simulam perfeitamente o movimento que anima o mundo sensível, mas não são em verdade a sua ânima, mas a ilusão de movimento da sua imagem que hipnotiza a presa, ou se preferir uma provocação gratuita, o servo-idiota.

Curioso que minha mente me trai, e volte não para minha experiência de vida, mas para um filme de ficção cientifica antigo. Mas não importa porque real ou ficção, novamente como história a narrativa se torna um conto e metáfora, e quem eu dou voz novamente não é exatamente a minha pessoa, ou exatamente o meu lugar de fala, onde me sentia propriamente mais vivo em ato e palavra, mas daqueles com os quais me solidarizei não mais como mero espectador ou ator…

A velhice e morte. Quanto menos a tememos, quanto mais nos aproximamos em paz dela mais conseguimos entender o sentido da vida. Nisto a arte assim como os esportes já preparam o neófito para o que a vida vai ensinar na prática, o que menos importa é a vitória ou derrota, o aplauso ou a vaia, o que importa é dar tudo de si até o final ainda que não haja um único espectador, porque a vida não é um mero espetáculo.

Não é uma viagem, ela a sua eternidade, não naquilo que se fez ou desfaz ou legou, mas daquilo que é atemporal até aos legados que também hão de no seu tempo perecer. É a essência de quem entendeu que sim o que vale são as verdadeira intenções mas não as que ficam nas ideias, mas que são e existem de fato em ato e ação. Essas são a potencia que move o mundo, e que mesmo quando destruída e abortada dessa plano sensível não pode ser eliminada, ela é a própria força elementar da materialização das realidades sensíveis, sempre nasce e renasce como vida, sempre cria e recria novamente a existência como novo campo, novo espaço e tempo, seja no futuro desse mundo, seja no de outros mundos para além desses horizontes ou campos de cognição ou mesmo planos de existência que esse espaço e tempo atingirão ou não um dia.

A vida eterna é, das teoria conspiratórias, o maior mito ou bobagem já contada para assustar crianças envelhecidas com medo de morrer. Nada mais digno do que morrer em paz com uma vida repleta das marcar de uma vida de luta plantado e cuidando da vida e liberdade quão curta ou longa, doída, feia ela tiver que ser. A morte longe de ser esse sentimento antropofágico e necrófilo dos cultuadores de holocausto que se prendem como mortos-vivos aos seus corpos e corporações e memórias pobres, é um momento sagrado e sublime de libertação. O momento onde aquele que de fato ama a vida, a ama ainda mais, não só a sua, na sua forma, mas na ciência da sua morte, que não é uma mera reflexão ou projeção, um mero saber, mas um estado da espirito, um estado de consciência, ama cada vez mais a vida, não só a sua, mas simplesmente a vida, toda a vida. Simplesmente porque sente, e porque sente e vê; e finalmente vendo, enfim entende que naquilo, e naqueles, que não via nada, estava nada menos que tudo.

Porém é justamente sobre tudo isso que pretendo tratar adiante e não adiantar como já adiantei aqui.

Segue…

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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