António Pedro Dores: Reeducar o século XXI: Libertar o espírito científico

“Perante as sucessivas crises financeiras, a decadência da democracia, a crise ambiental, a crise pandémica, soluções tecnocráticas como o 5G, a quarta revolução industrial, o grande reiniciar do Fórum Econó­mico Mundial, a inteligência artificial, o pós-humanismo, devem ser escrutinadas por uma razão sábia, maduramente treinada, em vez de uma razão subordinada aos interesses das elites. As gerações mais bem formadas de sempre estão reféns do seu próprio profissionalismo, im­potentes perante os desafios conhecidos e falhados há décadas, como a humanização das instituições. As evidências do caminho destrutivo que estamos a seguir levam as elites a promover campanhas de medo e ter­ror para encobrir as suas responsabilidades e adiar qualquer oposição. A ciência e, sobretudo, o espírito científico também estão reféns da situa­ção. O que se ensina nas escolas e nas universidades, o discurso único, a tecnocracia, reduz o espírito científico a seguidismo ignaro. Este livro propõe um diagnóstico da situação — a imposição política da ciência centrípeta — e uma perspectiva de libertação — a promoção institucional da ciência centrífuga.” — Reeducar o século XXI — António Pedro Dores www.livrariaatlantico.com.br

Do autor

Professor Auxiliar com Agregação do Departamento de Sociologia e do
Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES/ISCTE-IUL)

Sou sociólogo abolicionista (1956-).

Depois de me perguntar para que serve a sociologia? (2014–2019) e de ter encontrado uma resposta, a de que sou um profissional ao serviço do estado, no quadro de uma hiperdivisão de trabalho excludente de muita gente, em vez de renegar a sociologia — que seria renegar-me a mim mesmo e a qualquer mérito e lugar social a que possa ter direito — decidi levar a sociologia a sério: prosseguir e insistir no caminho de transformar a filosofia social em ciência, em nome do enriquecimento da ciência.

Que fazer?

A sociologia deverá, então, servir para participar na nossa libertação do império!

Tendo estudado as prisões (1997–2016) em espírito de empatia com os prisioneiros e respectivas famílias e amigos, escolhi — sem disso ter consciência, ao início — a minha sub-especialização profissional. A viragem do século marcou o meu interesse pelo abolicionismo. Na altura entendia-o como a vontade de viver num mundo onde não existissem prisões. Hoje sei que o abolicionismo pode ser muito diferente e muito mais do que isso: é a vontade, por exemplo, de acabar com as escravaturas, os racismos, os sexismos, os usos de crianças para fins sociais manipulatórios frequentemente abjectos, os genocídios, as guerras, etc. Para que tal desejo se compatibilize com a empatia para com a humanidade, a representação social do abolicionismo pode transfigurar-se conceptualmente, historicamente, desejavelmente, na capacidade dos abolicionistas de procurarem activamente as injustiças para as enfrentar, denunciar, descobrir, apresentar, persistentemente. Independentemente de quem possa ser o financiador das nossas vidas. — Sobre o blog(ger)

Mais:

Observatório Europeu das Prisões & WorldSSHNet, TM +351 933 615 537

Trilogia de estados de espírito & Escola para Além das Ciências Sociais

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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