Amigos e Inimigos no Sul das Américas

Aprendendo história do Brasil na pele

Só não entendi o porque do Suplicy ser visto como “inimigo”. Entendo o posicionamento contrário à política (no sentido partidário tradicional da coisa), mas “inimigo” por que?

Vocês (Bruna e Marcus), por terem longa experiência com a comunidade internacional da renda básica, devem ter conhecimento de muita coisa que eu não faço ideia hahaha.

Inimigo é uma palavra forte. Mas a palavra correta. Isso se não levarmos para o campo pessoal. Conhecemos pessoalmente Eduardo Suplicy que é sujeito muito educado, moderado e arrisco até dizer, honesto pelo menos até onde eu sei. Portanto me refiro a ele como aos outros dois FHC E LULA, em seu papel público. a critica é ao ator político que ele representa, tanto que os outros eu nem conheço pessoalmente para fazer o menor juízo da sua pessoa e sinceramente nem quero conhecer.

Mas na política é dito e sabido que amigos e inimigos não só mudam ao sabor do vento, mas pode nunca ter lutado realmente do mesmo lado ou pela mesma bandeira. O cidadão pode não entrar na politica, ou achar que não faz implica, mas qualquer atuação social ele pode não saber, mas já caiu na arena deles e se o animal politico sente que ele está invadindo seu território, mexendo com o seu patrimônio politico eleitoral, a coisa nunca é pessoal para eles, mas garanto vai ser pessoal para você.

Eu sinceramente não quero remexer no passado, porque além de doloroso é contraprodutivo. Precisamos nos concentrar no presente e no futuro. Tudo que eu posso garantir para você é que nós (cidadãos e ativistas) não somos seus piores inimigos. Eles são. Seus piores inimigos e mais falsos amigos. Por isso eles que são brancos que se entendam. Deles quero distancia, não por razões ideologias, mas porque gato escaldado tem medo até de água fria.

Contudo não adianta fugir do fato que enquanto atuarmos nestas áreas extremamente estratégicas e sensíveis da transformação social estaremos incomodando as estruturas e os atores políticos tradicionais e seu patrimonialismo. O ideal é não levar a ferro e fogo, tratar tudo como se fosse uma luta, uma batalha ou uma guerra. Mas não estamos na Europa. Aqui nada, absolutamente nada que não é dado por troca de favores, ou seja tudo que conquistado por mérito ou direito tem que ser tomada, precisa ser conquistado com muita luta numa um verdadeira guerra ou revolução ainda que silenciosa principalmente se você não pertence as dinastias politicas e econômicas.

Logo não importa que não sejamos políticos, quando você atua de forma independente com um projeto de transferência de renda quer queira quer não você está fazendo politica ainda que não-partidária, e se fizer isso com renda básica quer queira quer não está contrariando interesses. E não importa que você não veja ou até mesmo que eles em publico não te tratem como inimigos. Não existem tontos, sonsos, santos, tolos ou ingênuos na política, política é guerra feita por serpentes, e pintinho que entra achando que cobra é palhacinho não passa da janta.

Nossa aversão a política não foi gerada por doutrinação ideológica de professores libertários ou leituras anárquicas, como a de muitos socialistas e marxistas de gabinete, ela é digamos o resultado da seleção natural. E medo dessa selva não um medo abstrato, é medo de cada um dos animais políticos, dos mais fofinhos e aparentemente inofensivos, mas extremamente peçonhentos até os que os mais apavorantes que no fundo só mordem, mas de qualquer forma arrancam pedaço.

Em outras palavras politica não é brincadeira. E o ativismo cidadão na politica menos ainda.

Antes da renda básica ser o movimento que é hoje, quando era um utopia maldita ou ridicularizada, a pouquíssimo tempo atrás, antes se sairmos do pais quando tudo que tínhamos era o nosso projeto de base nas quebradas do ABC paulista, no meio do Mato, tudo o que posso te dizer é que não foi nada facíl. Nada.

As dificuldades hoje são outras. Porém eu diria que o momento do país e do mundo é ainda mais grave e demanda mais seriedade e combatividade. E por isso, estrategicamente falando, o que era tolerável, que poderíamos de boa deixar passar batido antes porque eram ações bobas, inócuos e improdutivas que terminariam com o tempo prejudicariam os próprios quem acham que todo mundo é otário, e que os fatos nunca viriam a tona. Hoje são ações absolutamente desconstrutivas e desinformativas porque podem nos levar a perder outra oportunidade de ouro.

A repercussão e dimensão que a renda básica vem tomando a partir das experiencias e em especial agora com as governamentais não é simplesmente porque a renda básica “é uma boa ideia”, mas porque a ficha finalmente começou a cair: estamos para entrar no meio de uma tempestade perfeita. todo os demagogos e formas de demagogia, sobretudo que possam continuar gerando confusão entre promessa e realização. entre prática e tese, entre projeto e experiencia entre a ação e a embromação precisam ser colocadas em xeque: de modo que o demagogo ou faça ou pare de ficar criando factoides que se outrora ajudaram a divulgar a ideia hoje confundem e atrapalham a realização.

Precisamos hoje não de promessas, não de projetos, não de gente vendendo velhos projetos como o bolsa família como se tivessem sido um passo para a renda básica e não parte de um projeto de poder. Precisamos de gente não tentando explicar como o que temos é o ideal ou está funcionando como se fosse. Não podemos ter gente tentando usar da renda básica como promessa para fortalecer projetos políticos eleitoreiros partidários ou até mesmo pessoais, mas justamente o contrário. Fazendo de tudo para não perder o controle do “seu” apequenado a renda básica como se fosse coisa desse tal partido, desse tal politico, dessa tal corrente político. Quando ela não é tem dono, não é uma propriedade, privilégio ou direito politico. mas uma obrigação social e portanto de Estado.

É tudo tão absurdamente invertido e relativizado no Brasil que a gente acha o máximo e até agradece quando bandido político por não fazer, não roubar ou fazer e roubar pouco!!!

A renda básica é dentro da politica tradicional a eterna promessa é paraíso a terra prometida. É perto desse mal dito necessário promessa tamanha de bondade que os demagogos sem carisma que sabem que não vão cumprir suas promessas preferem evitá-la. Afinal melhor descumprir promessas criveis e ser chamado de canalhas do que descumprir promessas incríveis e ser chamado de maluco.

Notem portanto como interessa a ambas as partes, tanto aos detratores quanto aos defensores que a renda básica permaneça assim como vendinha de sonhos. Existe uma luta cultural e política enorme por trás da renda básica, uma luta contra uma mentalidade patrimonialista que permeia até mesmo a paternidade do que deviria ser rigorosamente domínio público.

Não sou posseiro nem mesmo de suposta propriedade intelectual ou patrimônio ainda que fictício alheio, mas a renda básica não é nem pode ser o latifúndio de ninguém para ficar assim mantida como patrimônio politico partidário tão improdutivo. Ela é um bem comum inclusive conceitualmente um bem público e popular e merece não apenas ser popularizada, mas como literalmente pertencer ao povo como direito; o que quer dizer que aos políticos deve ser o que é para nós os impostos: uma obrigação e não um mérito- exatamente como a probidade.

Neste sentido posso ser um inimigo para o Suplicy mas respeito ele como adversário muito mais do que muitos amigos e colegas, porque sei que ele apesar de tudo foi visionário e genial e de bobo não tem nada. Ninguém que se reelege durante 24 anos no ambiente radioativo do Senado de Sarney, Renan é otário. Otário é quem acredita que alguém lá seja tonto.

Veja o quanto é triste a politica eu que sou seu inimigo e apesar de tudo peço que respeitem o homem de 75 anos sua história e realizações, enquanto seus colegas ainda insistem em jogar a renda básica que ele serve com fidelidade canina tratam a renda básica como se fosse um projeto marginal e clandestino. Mas novamente vale a máxima: eles que são brancos, eles que se entendam.

O que não podemos permitir, não agora que desponta é que seja reduzida de novo reduzida a essa condição patética, justamente agora que começa a perder o ar do ridículo das promessa impossíveis e ganhar a realidade. Não podemos deixar que os detratores de plantão que vendem a impossibilidade para impor forçadamente suas distopias como mal menor, unica realidade possível consigam fazê-lo porque as práticas as experiencias da renda básica inclusive no plano macro não são devida e honestamente divulgadas, seja para não ferir as agendas decadentes da velha esquerda e seus programas condicionados, seja para não ferir as reformas de uma direita mais arcaica e ultrapassada ainda.

Renda Básica é um assunto grave e seríssimo e urgente.

Permitir que os velhos atores políticos venham com suas historinhas para boi dormir, nessa hora decisiva é pior do que deixar vender placebo para doente terminal. É calar-se perante quem vende bala de festim para quem vai para o fronte daquela que é possivelmente a ultima grande chance do mundo não decair numa crise humanitária e conflitos geopolíticos generalizados. Porque é isso que vamos enfrentar se não conseguirmos colocar a renda básica de pé em tempo, não só nos países mais ricos e industrializados mas também nos pobres e carentes.

Bem, pensando melhor agora, talvez o termo esteja mesmo incorreto, políticos como Suplicy não desempenham exatamente o papel, do inimigo, mas do amigo que no último ato quando cair o pano desse teatro de representações ruins finalmente se revelará toda a trama para o grande público e quem são amigos do “amigo”. E juro do fundo do meu coração que espero que ele não seja um deles. Nem nunca tenha sabido quem são.

Como se vê eu não sou politico, eu sou barraqueiro ignorante, foi o que aprendi vivendo na periferia suburbanas, me falta finesse, educação, etiqueta e sobretudo o charme discreto da burguesia sobretudo a de esquerda, ou se preferir sua hipocrisia. Querendo ou não sou do ABC paulista.

Enfim, traduzindo toda essa resposta que acabou virando um discurso (desculpa) em minha carta no seguinte: querem fazer alguma façam, façam e serão recebidos com os aplausos e reconhecimento que tanto querem e esperam. Venham com embromação e não vão ganhar mais o silencio complacente. Deixe os demagogos brincarem quando mais precisamos de seriedade e não teremos os Matarazzo, mas Dorias e Crivellas como os novos “caras do bem, fantasiados gente como a gente e robin hoods”. Podia até ser engraçado. Podia ser uma piada. Mas não é mais. Não dá mais para achar graça nisso, não depois do Trump.

Alias, diga-se de passagem se esse dois bostas (Doria e Crivela), não fizerem metade do que o Suplicy não fez, e se tiverem a coragem que ele teve de encampar abertamente a defesa da renda básica já terão feito muito nesse ambiente deformante das representações políticas muito mais que todos os outros políticos juntos… terão feito história. Não compra nem o gás na esquina, não muda a vida de ninguém que precisa mas para os valores deles é ouro. E para gente um ponto mais um ponto de apoio para fazer alguma coisa.

Sei que pode parecer estranho que eu nutra respeito a pessoa humana e tamanho desprezo ao ator politico canastrão. Que possa ser o um aliado honestos na causa da renda básica, e um inimigo ferrenho da sua fidelidade politico-partidária. Posso até ser um tolo em manter minha postura mesmo não havendo reciprocidade, mas não pretendo me perder agora depois de tudo que passei no meio caminho. Mesmo que isso implique em sincericídio.

Por isso deixando por uns instantes meu libertarismo e anti-estadismo de lado e analisando o mais friamente que consigo é realmente é uma pena que tanta gente como ele, Erundina ou Celso Daniel no auge da sua carreiras não possa ter “causado” mais. E não se iluda não foram os inimigos que os derrubaram, mas os amigos. É mesmo uma pena que Suplicy esteja ficando velho, ele é uma grande oponente, muito melhor que aliado. Embora não pareça, guarda ainda muito do boxer… bate forte, raramente abaixo da cintura e tem uma excelente esquiva, embora tenha abusado recentemente demais dos quinches , porém se subestimado pode surpreender e sinceramente espero que ainda tenha pernas para fazê-lo. Espero até que ele esteja puto, porque ele quase nunca fica puto, mas ele é muito mais produtivo puto do que tentando bancar o legal quase dormindo. Então se quiser que tome isso como provocação mas não venha me encher o saco, que responda a tudo isso sim, que tanta gente pensa mas não fala, da única forma que é verdadeiramente uma resposta: mexa os pauzinhos que lhe resta, ponha a mão no bolso, chame seus amigos e coloque outra experiencia de pé. Fora isso… que não perca o seu tempo, nem o dos outros fazendo espuma e firula. Não cola, não mais.

Esta a intensão do texto anterior que agora acabei traduzindo em mensagem clara: Precisamos sair dessa cultura de achar que se muda o mundo com votos e decretos e não com livre iniciativa e concorrência, livre especialmente deles. Quem quiser trabalhar cooperativamente vamos juntos, quem precisar fazer o seu próprio projeto que faça. Mas faça. Em todos os casos todos sairão ganhando! Cooperando ou competindo, todos correndo para chegar juntos ou para chegar primeiro a renda básica na prática tem essa característica maravilhosa: é um jogo win-win em todos os planos. Até quem supostamente perde, é ultrapassado, contrariado, sai no final das contas sempre ganhando mesmo que não consiga entender isso.

Por isso meus amigos e inimigos que tomem esse chamado a ação como provocação, como desafio: permitam-me retribuir o favor. Provem que eu estou errado, provem que vocês são capazes, provem que também no seus campo é possível: apenas façam.

É tempo de ação, é tempo de amigos de verdade sem aspas e planinhas. É tempo de sinceridade solidariedade. Tempo de Democracia. É tempo de Renda Básica.

Enfim, encerro esse texto na esperança de ter conseguido de vez esgotar de vez esse assunto cururento. E agora a menos que seja absolutamente necessário, não pretendo mais falar absolutamente nada sobre isso. Porque além de perda de tempo e energia, não precisamos deste tipo de polêmica. Pelo contrário. Precisamos blindar a renda básica e semeá-la como ideal e o pagamento em nossa pela sociedade bem longe disto tudo que é daninho.

Tudo o que precisamos é vontade política, Digo da nossa. Porque pode até não parecer, mas ela é na maioria do tempo o contrário da deles.

Perdão pela resposta enorme e abraços

Marcus

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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