Amanhã no julgamento de Lula não se decidirá nada, exceto se desligam ou não os aparelhos de um pais com morte cerebral

Go Back Torquato Netto

Dizem que opinião é igual bunda: todo mundo tem uma. Sempre teve, a diferença é que hoje na sociedade da informação quem não tem necessidade de mostrar a sua, é compelido a fazê-lo. Não tenho problema com nenhuma das duas de fora, nem bundas nem opiniões. Mas deixemos por um instante esses fetiches de lado, essa fixação do brasileiro na fase anal e vamos analisar as consequências de forma de lidar com toda essa merda.

De um lado você tem um grupo dizendo que vai dar merda se soltar, do outro se prender, e no meio grande maioria tão se saco cheio que está já cagando e andando para essa guerra de fezes de macaco enjaulados em zoológico. Opiniões fora e bundas pra dentro. Que conclusões podemos chegar dessas três posicionamentos básicos? Que vai dar merda? Não, já deu e perceberíamos isso facilmente se não estivéssemos ainda na fase de negação do luto. Não importa qual a decisão do STF, nenhum dos radicais aceitará a decisão em contrário, (nem o centro aceitará jamais sair dele, ou nada a direita ou esquerda que também esteja ainda no centro); da mesma forma nenhum dos moderados colocará o seu rabo no meio do fogo cruzado para parar a escalada do conflito. Por duas razões: primeiro porque sendo ou não se sentem impotentes para fazê-lo. E a mais importante de todas, podendo ou não fazê-lo não querem fazer, não só porque não tem afinidade com nenhum dos lados, mas porque não tem mais afinidade nem confiança no juiz nem na honestidade da justiça. Ou seja, podemos não querer acreditar ainda mas já era, a nova república (que nasceu velha) foi morta, e não, não inventaram ainda aparelho ressuscitador para morte quando é cerebral. De modo que agora quem tiver poder e querer para desligar os aparelhos vai fundar uma nova, assumindo o vácuo de poder moderador, não importa o quão radical de fato também o seja.

A grande questão não é se mas quando e como vão enterrar a velha e parir uma nova, seja ela mais outra redição das velhas ou não. A pergunta é o quão traumático, desorganizado, improvisado, e demorada será essa operação de “transição” e claro se anestesia vai mesmo ser forte o suficiente para o eterno paciente, o povo de quem eles vão arrancar mais entranhas não vai acordar no mais essa operação para criar outro monstro hospedeiros de privilégios e ambições de seus donos e criadores.

Seja na bala de ditaduras, seja na farsa das representações democráticas, ou na recombinação do mesmo regime, dos regimes autoritários mal disfarçados de estados democrático de direito, a dúvida que resta é a que menos interessa: quem vai ser prevalecer como senhor no tronos e alcovas dos palácios? Porque bala e porrada é o que espera quem não aceitar bovinamente a farsa que for imposta, venha de onde vier, seja qual for.

Porque governos, regimes passam mas as instituições ficam de um jeito ou de outro, porque é a história não se repete como farsa ela é a repetição da farsa, até mesmo quando a narrativa é o próprio fim da história seja ela proclama por Hegel ou um Fukuyama.

Dito isso paro e público o rascunho inacabado de uma analise que muito do seu sentido atual por falta contexto… porque o tempo não pára, ele se esvai até para quem se pensa ou é pensado como eterno.

GO BACK- 1971-1985

Você me chama
Eu quero ir pro cinema
você reclama
meu coração não contenta
você me ama
mas de repente a madrugada mudou
e certamente
aquele trem já passou
e se passou
passou daqui pra melhor,
foi!

Só quero saber
do que pode dar certo
não tenho tempo a perder

você me pede
quer ir pro cinema
agora é tarde
se nenhuma espécie
de pedido
eu escutar agora
agora é tarde
tempo perdido
mas se você não mora, não morou
é porque não tem ouvido
que agora é tarde
- eu tenho dito —
o nosso amor michou
(que pena) o nosso amor, amor
e eu não estou a fim de ver cinema
(que pena)

não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou

não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem

quero dizer
nossa graça
(tenemos)
é porque não esquecemos
queremos cuidar da vida
já que a morte está parida
um dia depois do outro
numa casa enlouquecida
digo de novo
quero dizer
agora é na hora
agora é aqui
e ali e você
digo de novo
quero dizer
a morte não é vingança
beija e balança
e atrás dessa reticência
queremos
quero viver

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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