“Algoritmo do Facebook censurou Declaração de Independência dos EUA”

O algoritmo do Facebook considerou que alguns excertos da Declaração de Independência dos Estados Unidos são racistas e discurso de ódio e removeu-os da maior rede social do mundo. (…)

Em causa está uma parte do documento histórico em que os pais fundadores se referem aos “índios selvagens e impiedosos”. Facebook já pediu desculpa pelo lapso. (…) — Algoritmo do Facebook censurou Declaração de Independência dos EUA — Renascença

Image for post
Image for post

(…) Obviamente a mente lacradora que programou o software não entende o complicado conceito de que antigamente as pessoas se expressavam de forma diferente, e “Impiedosos índios selvagens” acionou os alarmes.-Algoritmo do Facebook reconhece como discurso de ódio e remove post

Não, a mente lacradora não é do programador, que é um empregado. E não o complicado conceito que a IA não entende não de como as pessoas se expressavam antigamente, mas sim o nem tão complicado conceito de como as pensam ainda hoje, mas não se expressam não tão abertamente. O que o algorítimo não nem possui é um dos filtros que perpassa o julgamento ético ou “politicamente correto” para usar um termo da moda, o filtro da Hipocrisia. Algo difícil de colocar na programação das inteligências artificiais porque isso implica admitir o que somos e pensamos e fingimos orgulhosamente não ser: hipócritas.

Aquele filtro que nos permite abrir exceções em nossos critérios quando consultamos nosso banco de dados, a memória para verificar quem venceu a guerra e dita o registro da história, o valor dos eventos e pessoas, tanto as que são agentes da ação quanto aquelas que são objeto delas (e deles).

Há que se programar a hipocrisia, ou ensiná-la para um inteligência seja artificial ou natural, para conseguir a resposta pretendida: a da indignação e repudio seletivo e relativizado.

Há que se possuir o filtro da hipocrisia para poder fechar os olhos e chamar um tirano genocida de estadista desde que ele esteja alinhado com a ideologia enquanto se aponta e condena os dos adversários.

Há que se possuir o filtro da hipocrisia para poder minimizar as atrocidades cometidas por heróis que são os pilares dos nossos mitos, culturas e relações de poder, sem contudo perder a capacidade de criticar e condenar quem não consta neste banco de dados cultural da história.

Sem o algorítimo da hipocrisia é impossível condenar as atrocidades nazistas e minimizar e relativizar os nossos pais e antepassados. Sem ter programada ou apreendida a hipocrisia é impossível a uma inteligência discriminar as atrocidades entre os tipos de seres humanos contra os outros tipos de seres humanos. Por sinal sem ter a tipologia pré-programada ou devidamente ensinada e aprendida é impossível a uma inteligência mesmo dotada do algorítimo de simulação dos hipócritas e sua indignação seletiva saber distinguir quem ele deve deixar passar e quem ele deve enquadrar. Como uma criança a inteligência simplesmente não sabe qual ele deveria odiar ou reprovar incondicionalmente, e qual ele deve perdoar e aprovar condicionadamente.

E de fato as duas formas de ensinar seus filhos-robôs ou robôs-filhos a ser uma hipócrita racista que finge que sabe não é um racista hipócrita: Uma cuja a memória precisa ser atualizada pelos programadores. E outra que é capaz de se atualizar sozinha. Na primeira é primeira é preciso atualizar o banco de dados e valoração dos seres e eventos dentro da sua escala de valores. Na segundo a própria inteligência faz isso por conta própria atualizando a posição dos seres discriminados de acordo com a lógica que estabelece o valor das pessoas e fatos: o status quo.

Uma diferença significativa já que a primeira precisaria ser ensinada caso a caso quem são, por exemplo, os genocidas que devem passam e quais devem ser censurados. Enquanto a outro, apenas aplicaria o princípio que rege a lógica da hipocrisia para saber sozinho que quem detém o poder é porque venceu a guerra, e quem venceu a guerra é sempre o mocinho enquanto se mantiver no poder para ditar a história.

Ou em outras palavras uma inteligência artificial dotada de hipocrisia seria capaz não só de saber que se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial e tivessem imposto sua cultura ao mundo seriam as “pequenas falhas” das teses daquele zeitgeist que estariam a ser relativizadas frente as imensas conquistas civilizatórias e tecnológicas trazidas por eles. E escândalo seira comparar esses crimes com os outros crimes devidamente condenados da história. Tal inteligência saberia que em casa não é só em casa de enforcado que não se fala em corda, saberia que em casa de enforcador só se fala de enforcamento desde que seja na terra dos outros.

Saberia fazer o que exatamente estou fazendo agora apontar a cisco no olho do outro quando tenho uma trave no meu:

Image for post
Image for post
e os dados são “antigos”, mas não são de 1772

Vamos aos dados uma critica nada hipo mais atual:

(…) A estratégia anti-indígena em curso tem provocado uma espiral de violações que chega, neste ano de 2018, numa fase onde a barbárie contra os povos é praticada sem remorsos por “indivíduos comuns” e por forças armadas do próprio Estado.

Os discursos racistas e de incitação ao ódio multiplicados por membros da bancada ruralista e seus asseclas, na esteira de suas recorrentes iniciativas contra os povos e seus aliados, ao longo destes últimos anos, estão produzindo e servindo como mecanismo de defesa psicológica, a racionalização, das barbaridades cometidas contra os povos. Na cabeça dos agressores tudo aparenta ser ‘justificado’ pelo fato dos agredidos serem indígenas. O mesmo raciocínio é aplicado relativamente aos direitos e, inclusive, aos aliados dos povos junto à sociedade brasileira. Os riscos decorrentes desse mecanismo de pseudo-justificativas à barbárie são incalculáveis e imprevisíveis.

O perigo a que os povos estão submetidos é potencializado exponencialmente por iniciativas do próprio Estado brasileiro, que, como aferimos acima, tem sido movimentado pelo e em função dos interesses do Capital nacional e transnacional. Neste sentido, pontualmente, destacamos iniciativas de poderes do Estado brasileiro que continuarão provocando grande impacto sobre os povos indígenas neste ano de 2018. Do poder Executivo, o Parecer Anti-demarcação 001/17 da Advocacia Geral da União/Temer; a paralização dos procedimentos de demarcação das terras indígenas; o estrangulamento orçamentário e a instrumentalização política da Fundação Nacional do Índio (Funai) aos interesses do fundamentalismo religioso e do agronegócio. Do Legislativo, a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 215/00; a cooptação de lideranças e a tentativa de legalizar a exploração externa das terras indígenas. Do Judiciário, as reintegrações de posse; a negativa do acesso à justiça aos povos e a sombra do Marco Temporal, especialmente em instâncias inferiores.

Além disso, está evidente a estratégia do agronegócio e seus representantes locais de promoverem o loteamento, a comercialização, o apossamento e a exploração de fato dos territórios indígenas já regularizados. Com a omissão e a conivência do governo federal já amplamente demonstradas, é grande o perigo de que ocorra um enraizamento e um alastramento dessas práticas ilegais no estado de Rondônia e noutras unidades federativas.

Nesse cenário, os riscos da prática de despejos extrajudiciais contra comunidades indígenas e da ocorrência de genocídios e etnocídios estão fortemente colocados. Massacres de grupos isolados já tem sido denunciados e novos casos são potencialmente iminentes.(…) — 2018: a estratégia anti-indígena na fase da barbárie racionalizada no Brasil | Cimi

E claro não só os índios, mas gente daquele especie pela qual a indignação e garantia de direitos humanos é tão seletiva quanto:

A história de 272 anos do Quilombo Mesquita, localizado na área rural da Cidade Ocidental (GO), distante 65km da capital federal, está ameaçada pela redução da área ocupada por descendentes de escravos. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) quer diminuir em 80% o espaço ocupado pelas 785 famílias. O terreno pode passar de 4,1 mil hectares para 761 hectares. A questão foi parar na Justiça. O Ministério Público Federal em Goiás cobrou explicações para a alteração do território. O principal projeto para aquela terra é a construção de condomínios de luxo, como outros existentes na região. Quatro ações judiciais tratam da regularização fundiária do quilombo.

A área da comunidade é reconhecida pelo Incra desde 2011. Os primeiros registros da ocupação são de 1746. Lá, ocorre a tradicional Festa do Marmelo, doce reconhecido internacionalmente. O decreto do Incra que encolheu a área quilombola não levou em consideração o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), também feito pelo órgão. A medida também não observou as regras do acordo da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao qual o Brasil é signatário. A demarcação de terras quilombolas passou a ser direito constitucional em 2003, quando foi editado o Decreto 4.887.

Lideranças quilombolas dizem que a decisão do Incra ocorreu após pressão de políticos e empresários que têm terrenos na região. Um dos supostos envolvidos no lobby é o deputado federal Jovair Arantes (PTB). Seu sobrinho, Rogério Arantes, é diretor do Incra. Ele foi preso no começo do mês pela Polícia Federal, acusado de envolvimento em esquema de pagamento de propina. As terras pertencem à empresa Divitex Pericumã Empreendimentos Imobiliários, que tem o ex-presidente José Sarney (MDB) e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro entre os sócios. -Incra quer reduzir em 80% área ocupada por quilombolas na Cidade Ocidental

Image for post
Image for post

Construção de Brasília

Até a construção de Brasília, a comunidade vivia relativamente isolada do mundo exterior. A maioria das famílias se dedicava à agricultura, à criação de gado e à produção de marmelada, comercializada em Luziânia, cidade criada a partir de Santa Luzia.

Os principais eventos no calendário do povoado eram as festas religiosas, como as folias de Reis e do Divino do Espírito Santo.

Com a inauguração da capital, em 1960, a rotina da comunidade começou a mudar.

Manoel Neres diz que, por um lado, os moradores “passaram a ter mais acesso a elementos da vida moderna, como energia e telefone”. A transferência da capital facilitou a venda de alimentos cultivados na comunidade e gerou empregos para vários quilombolas.

Por outro lado, o povoado passou a lidar com problemas antes inexistentes, como violência armada e tráfico de drogas. E a comunidade começou a perder terras.

Um morador entrevistado durante a elaboração do relatório do Incra diz que quilombolas abandonaram áreas na região de Santa Maria, no atual Distrito Federal, com “medo da cidade que foi chegando para lá”.

“Nossa casa era perto da Marinha, mas lá era terra do governo, né? Aí a gente teve de se mudar”, relatou outra moradora.

Segundo Manoel Neres, a movimentação de aviões e militares na véspera da construção fez a comunidade reviver um trauma da época da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), quando moradores foram recrutados à força para o combate.

“Muitos acabaram abandonando lugares mais perto da capital e se refugiando de volta no núcleo do Mesquita”, diz o pesquisador.

Outros foram expulsos por não conseguir provar a posse de terras destinadas à construção das cidades satélites. “O território quilombola foi desconsiderado no processo de demarcação do DF”, afirma o relatório do Incra.

Após a construção da capital, terras da comunidade também passaram a ser cobiçadas por forasteiros.

“Houve um assédio bem grande para a venda das propriedades. Por questão de necessidade, muitos moradores acabaram se desfazendo delas por preços irrisórios. Vendiam para comprar remédios e roupas”, diz Neres.

Muitas vezes, terras adquiridas dos quilombolas eram logo revendidas. Uma dessas transações trouxe ao território o político maranhense José Sarney.

Segundo o relatório do Incra, Sarney comprou nos anos 1980 dois lotes de terra que haviam sido expropriados da comunidade no passado. Um dos terrenos deu origem à Fazenda Pericumã, que Sarney visitava aos fins de semana enquanto era presidente.

Em 2004, ele vendeu as propriedades para a Divitex Pericumã Empreendimentos Imobiliários, da qual se tornou sócio. Outro sócio da empresa é o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem como clientes vários políticos ilustres em Brasília.[grifo meu](…) — A história do quilombo que ajudou a erguer Brasília — e teme perder terras para condomínios de luxo

Então aprende aí robô, se tiver inteligência, com imagens que é mais fácil:

Nos pregamos isso:

Image for post
Image for post

Mas praticamos isso:

Image for post
Image for post

Desde que não seja de gente como gente ou superior que a gente. Quanto aos educadores é mais fácil. Porque a criança tem corpo e emoção. E para inserir essa programação basta violar um ou outro, ou de preferencia ambos para internalizá-la no seu superego. Porque, hipocrisia nada mais é do que a representação psico-simbólica da violência em toda a sua essência: a covardia. é o fechar os olhos lamber a mão e levantar o rabo para os mais fortes e violentos e descontar toda a sua frustração e pusilanimidade em quem estiver mais vulnerável ou simplesmente não puder se defender. Um ciclo vicioso no tempo e uma hierarquia de gente a pisar no pescoço uma das outras por espaço. Um genocídio lento e velado uma doença mental e insanidade coletiva cujas causas vão muito além do “mero” racismo, mas não se preocupe pode chamar simplesmente de “progresso”, que o Facebook não censura e seus acionista bilionários agradecem. Uma questão literalmente de valores para seres, dos humanos a todo e qualquer ser vivo dotado da capacidade de sofrer.

Image for post
Image for post
cão queimado com óleo fervente

Não, não há inteligência nem entendimento possível sem compreensão da maldade, covardia, e hipocrisia humanas. Ou sanamos esse esgoto a céu aberto que é a nossa falta de solidariedade, empatia e consciência coletiva, ou vamos viver e morrer e nos matar como fazemos há milênios rolando e comendo a nossa própria merda e sangue dos outros, mas arrotando caviar e peidando flores, bem longe dos olhos dos outros, porque afinal somos pios e civilizados. Porque o Mal é sempre o outro.

Image for post
Image for post

Em tempo: Voltemos aos EUA de hoje com mais uma charada para as Inteligências Artificiais ou não:

Sabe qual a diferença entre um nazi disfarçado de burguês ao Sul e ao Norte do Equador?

Além do Sul correr o risco de ser preto e nunca ser suficientemente branco. A diferença é a mesma de uma fábrica da Ford ou da Mercedes Benz e um latifúndio, industrialização. Eles sabem produzir em massa em escala… qualquer coisa. De modo que qualquer coisa eles levam apenas alguns anos para fazer, quando decidem fazer, nós demoramos séculos para atingir o mesmo objetivo. Seja derrubar florestas ou eliminar do seu território quem eles consideram indesejados. Uma questão de método, técnica e desenvolvimento.

Diante do prazo imposto pela Justiça para reunir as famílias separadas na fronteira dos EUA com México, autoridades americanas solicitaram voluntários para examinar os registros e vêm recorrendo a testes de DNA das crianças para ver se correspondem ao de seus pais. Das 3 mil crianças ainda sob custódia, cerca de 100 têm menos de 5 anos e teriam de ser devolvidas até terça-feira. As maiores terão de ser unidas aos pais até o dia 26. O governo pediu uma ampliação do prazo.

(…)Em alguns casos, registros que comprovam o vínculo das crianças com os pais desapareceram ou foram destruídos, segundo dois funcionários do Departamento de Segurança Interna, deixando os encarregados com a tarefa difícil de identificar o parentesco entre os membros da família.

(…) Na verdade, a agência do HHS encarregada de supervisionar o atendimento das crianças imigrantes, o Office of Refugee Resettlement, realizou os procedimentos, que incluíram pulseiras de identificação, emissão de números de registro e um livro de bordo para manter os registros de pais e filhos reunidos.

Mas essas precauções foram prejudicadas em alguns casos pela outra agência federal que se encarregou da custódia dos imigrantes detidos nas primeiras 72 horas após cruzarem a fronteira, a Agência Alfandegária e de Proteção das Fronteiras.

Em centenas de casos, os agentes apagaram os registros iniciais em que pais e filhos foram listados como uma família, com um “número de identificação familiar”, disseram os dois funcionários do Departamento de Segurança Interna. Como resultado, os pais e as crianças que aparecem nos computadores das agências federais parecem não ter vínculos entre si.

(…) O anúncio de que serão utilizados testes de DNA para confirmar os vínculos familiares levou advogados de imigrantes a protestarem, dizendo que os registros poderiam ser usados para rastear imigrantes ilegais por tempo indefinido. -Crianças separadas nos EUA tiveram registro apagado — Internacional — Estadão (sim a notícia do Jornal dos Estado Unidos de São Paulo)

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store