Agradeço e fico muito honrado pelo convite e elogios. Mas não posso aceitá-lo. Contudo, como sua vontade por fazer algo de bom é claramente genuína, e você transparece sinceridade, preciso abrir meu coração com você. Não demonizo movimentos com cabeças ou lideranças, mas não é esse o meu credo.

Respeito todas as comunhões de paz. Até mesmo aquelas onde existe desigualdade de poder na tomada de decisão entre os membros, desde que haja consentimento expresso, voluntário e periodicamente renovado entre todas as partes adultas e capazes, nesta forma de relação e união. Ou seja, não tenho nada contra relações de poder ou desigualdade de autoridade desde que manifestamente voluntárias e consensuais, exatamente como você propõe; mas pessoalmente prefiro tomar parte de outras formas de relação e organização não só mais horizontais, mas que invertam disruptivamente a pirâmide dos valores antiéticos e desumanos da violência e prepotência que se valem justamente dessa desigualdade de autoridade e poder não só na tomada de decisão, mas na definição das questões para institucionalizar e legalizar o que não só é ilegítimo, mas um atentado criminoso contra a vida e liberdade naturais dos conscritos. Em outras palavras prefiro formas de relação e organização libertadoras que não só estabelecem a igualdade de liberdades pelo fim da desigualdade de poderes, mas que ao fazê-lo e sobretudo para assim fazê-lo, inevitavelmente acabam por seguir a muito difundida, mas pouco aplica proposta visionária e revolucionária do libertador: os últimos hão de ser os primeiros.

Assim como respeito a terra e a casa de quem as tem como estrangeiro, também respeito o credo do meu próprio povo e terra como nativo. Respeito ritos cultos costumes e cultos, em suma culturas que não tenho fé e não pertenço. E o faço não por ser obrigado, mas por respeito a liberdade de credo e associação das pessoas. Por respeito as decisões soberanas sobre o que não é meu por direito sequer tomar parte sem ser antes aceito, quanto mais intervir ou interferir a revelia do consentimento dos demais. Exatamente como também pela mesma razão respeito as decisões de todos demais naquilo que sendo comum a todos também é meu por direito participar, mas justamente por essa mesmo motivo, não é portanto exclusivamente meu, nem de ninguém, o poder nem de decidir, quanto mais o de guiar as decisões.

Evidente que como todo mundo (ou quase) também, me submeto a organizações e relações as quais não só não tenho vontade de tomar parte, ou mesmo sérias objeções de consciência, mas assim procedo não por concordar que devo me submeter a leis e ordens que considero criminosas ou prerrogativas arrogantes que considero nulas e ilegítimas, mas sim pelo triste e infeliz motivo que uma pessoa é obrigada a seguir e obedecer ordens de um sequestrador ou violador quando estes tem a ele sua família ou mesmo a vida de inocentes (quando as preza) como reféns. Ou seja, assim procedo só quando não tenho forças para me livrar dessa condição sem colocar em risco a vida destas pessoas, as quais não considero justo colocar em risco nem muito menos sacrificar para me livrar deles, mesmo que essa injustiça fira a minha própria liberdade em seu nível mais profundo: o da dignidade humana, o respeito a livre vontade como vocação humana à manifestação da consciência.

Embora não considere que a violação e agressão autorizem a agressão e violência. Acredito plenamente do direito a legitima defesa quando o indivíduo ou grupo é capaz de intervir em seu próprio favor ou de outros inocentes sem colocar em risco a vida ou liberdade de outros inocentes. O que implica portanto minhas objeções não são quanto a forma organização hierárquicas ou anárquicas, ou relação autoritária ou libertária, mas na imposição ou o que é a mesma coisa, violência com a qual qualquer uma delas é imposta. Por isso quando me refiro a violência não me refiro só a ameaça de agressão ou prisão, mas a de privação ou carestia das condições mais básicas de subsistências aos insubmissos, dissidentes, ou pura simplesmente não participantes da sociedade.

Não tenho portanto nenhuma objeção contra movimentos, organizações ou culturas que queiram ter lideranças, tenho em participar delas e ainda mais em ser líder de qualquer movimento. Porque embora não estejam fazendo nada contra ninguém, nada que não seja da sua própria conta, e portanto que não cabe nenhum tipo de intervenção, considero que fazem mal para todas as membros incluso aqueles que são as cabeças.

Não é uma questão de tolerância ou intolerância, concordância ou discordância, nem como os regimes ou movimentos mais ou menos autoritários; é uma questão de reconhecimento dos limites de intervenção que compõe a liberdade de todos, incluso a minha, tanto para me associar livremente quanto não o fazê-lo. Li outros textos seus, e entendi perfeitamente que quando você menciona os conceitos de “cabeça” e “liderança” você não está se referindo a mandos e desmandos, nem muito menos nenhum tipo de relação baseada na conscrição ou subtração de liberdades como forma de organização ou relação de autoritária de poder. Mas mesmo nestas relações onde a autoridade é dada e não tomada, mesmo nestes casos, ou melhor, só nestes casos, se o proceder não tiver finalidade estritamente pedagógica, isto é, se não visar justamente a anulação dessa dependência pela extinção dessa relação de desigualdade de autoridade e emancipação das partes, ele se torna justamente o processo inverso e contraposto de libertação vocacional pela educação ou difusão do conhecimento. Ele se perverte em anti-educação, doutrinamento. E mesmo observando isto, mesmo que fosse corretamente aplicado, o principio da autoridade servia ainda sim, para constituir propriamente escolas de pensamento, e não exatamente movimentos éticos, sociais ou humanitários.

Fora essas objeções. Também preciso dizer, embora lisonjeado, que você me superestima tanto em inteligencia quanto bondade. Não posso fingir o que não tenho nem o que não sou. Não tenho essa inteligência, tudo que escrevo é 99% lixo, e aquele um ou outro percentil perdido num texto ou paragrafo que merece mesmo seus elogios, é na verdade feito com o mesmo esforço e dificuldade extraordinária que uma mente medíocre tem para fazer qualquer coisa, seja para conceber tanto ideias geniais ou estúpidas. Não estou querendo passar uma modéstia que por sinal não tenho. É só sinceridade mesmo, e é com ela que te confesso que também como toda pessoa medíocre ainda por cima peco soberba e pedantismo. E bicho ruim ainda me divirto com isso, ou mais precisamente com o quanto isso incomoda as pessoas, especialmente em nosso país onde não só o sucesso é pecado, mas o fracasso quando impenitente e importunista.

De modo que a única coisa que me salva, se é que salva é a consciência. Mas não ao ponto de poder assumir tamanha responsabilidade. Não estou a altura. Na verdade o problema não é sua proposta, ou sequer minhas objeções, porque sei que são perfeitamente contornáveis através do dialogo onde as pessoas querem realmente buscar um entendimento. No fundo não é nem mesmo a minha mediocridade a qual a se remedia com a prática, estudo e persistência. Isso é claro desde que você não tenha cefaleia em salvas. Convivo com essa condição há mais de 20 anos e não vou dizer que ela nunca tenha me impedido ou atrapalhado de fazer nada porque estaria mentindo, nunca a escondi, mas também nunca precisei mencioná-la até hoje. Porque depois de cada crise tem se tornado cada vez mais difícil para mim não só o exercício de campo do ativismo social, mas agora até mesmo o da simples escrita ou mera reflexão. Vontade sobra, mas hoje me falta não só mais cada vez mais braços e pernas, mas justamente o que você mais precisa e convida para ser, uma cabeça.

Entretanto para não dizer que desculpa de aleijado é muleta, e como sua sinceridade e vontade por fazer algo me sensibilizou, vou lhe contar a as duas principal razões que mesmo que tivesse cabeça e concordasse com a forma de organização ainda sim não poderia aceitar seu convite: você cometendo o erro de toda pessoa boa ou que quer fazer algo bom, você está pressupõe amor e bondade a partir dos meus atos e discursos de bondade. É um erro. Não sou alguém fazendo coisas boas porque sou uma pessoa boa, sou uma pessoa ruim e perfeitamente ciente da minha ruindade fazendo o que literalmente o que bem entendo, ou mais precisamente o que eu entendo por bem, completamente a revelia não só da minha criação ou das imposições da sociedade, mas antes de tudo da minha índole. E não por amor as outras pessoas, mas por absoluta força de vontade de não ser mais ou melhor, mais simplesmente de não ser um monstro ou um lixo humano. Nesse sentido minhas perspectivas existenciais tanto quanto ao meu ser humano quanto aos demais como humanidade são extremamente mínimas e modestas.

Não estou querendo dizendo com isso que me contento em ser ou compactuo com essas pessoas doentiamente violentas ou omissas, dispostas a fazer qualquer coisa ou deixar que se faça qualquer coisa consigo ou os outros para manter seus privilégios ou comodidades. Mas justamente o contrário. Essa é a degenerescência que combato com mais afinco do que minha própria limitações orgânicas. E com não só não ganhei nenhum amigo poderoso por conta disso, como pelo contrário só fiz inimigos, ou melhor, eles me o deles como alvo. E se não tiveram sucesso contra mim, meu trabalho ou as pessoas que amo, não foi porque esperei pelo que há de melhor no ser humano deles, mas porque sabendo do que de pior somos capazes de fazer, pude antever e me precaver dos seus atos.

Sinceramente creio que seja seja preciso gostar nem amar ninguém para não ser um monstros, um bandido, um psicopata ou tirano. Na creio que seja não é preciso sequer se abster do ódio, ou do desprezo, para não se comportar como um assassino, ou simplesmente não assistir de braços com sua barriga cheia enquanto milhares de seres humanos incluso crianças morrerem pela estupida razão de nascerem já sem ter o que suficiente para comer. Não é preciso ser uma pessoa boa para não aceitar ou tomar atitude quanto a isso. Falo por conhecimento de causa. É perfeitamente possível ser pessoalmente bastante ruim, ou mesmo não gostar de conviver com as outras pessoas e mesmo assim não aceita compactuar nem ser cúmplice com esses crimes,nem tão pouco ficar de braços de cruzados perante essa monstruosidade. Não é preciso querer ser bom nem deixar ruim, basta querer ser gente. Mas não em discurso em ato.

O que me incomoda- e não estou me referindo a você, porque não o conheço pessoalmente e não sei o faz, e nem tem a obrigação de dizer para provar nada a ninguém- o que me incomoda profundamente como o discursos de amor ao longo da história da humanidade é o abismo entre o pregação e ato. Não só daqueles que promulgam que amam o próximo ou o estranho mas não são capazes de dar uma moeda ou movimentar um dedo que seja para fazer nada contra a carestia. Não só desses hipócritas, do qual prefiro a companhia de proscritos e até de insolidários convictos que pelos são mais sinceros ou bem resolvidos em assumidos seus vícios do que estes outros em suas virtudes mal simuladas e perversões mal dissimulados. Mas principalmente daqueles outros que se proclamam lideranças e pregam o amor enquanto semeiam não só ódio, mas a morte como guerra, fome, pilhagem e destruição não só da terra, mas até da água e do ar que todos os outros também precisam como eles viver. Não é amor que falta a essas pessoas é mínimo do mínimo de dignidade humana aquela que sem a qual não respeitamos a dignidade dos outros.

Há um abismo infinito separando não só o que as pessoas dizem que são e fazem ou farão mas do que elas dizem que não são capazes de fazer e não são. Não nego portanto prezo a sinceridade, a honestidade e admiro as pessoas que tem amor no lugar do ódio e desprezo pelas pessoas em geral, mas não é a disposição e conhecimento para o bem que salva as pessoas do mal e seus males, mas o conhecimento do mal. Não porque essa seja a nossa natureza, nascemos tão puros, e inocentes quanto por isso mesmo vulneráveis e se há alguma razão de ser em perdemos essa inocência e inevitavelmente adquirirmos malicia não é para nos tornarmos velhos degenerados, mas justamente combater essa degeneração em favor de cada nova geração. Não que eu acredito que nesse processo evolutivo de humanização perderemos nossos instintos e paixões e sentimentos mais primitivos como o amor ou ódio ou que isso seja bom. Porque assim como o claro e escuro, o prazer e a dor, cansaço e o descanso, um não existe sem outro. É impossível eliminar o ódio sem matar junto o amor, assim como é impossível eliminar todo erro e mal, sem matar junto a possibilidade do acerto de todo bem.

A ética é um produto da moral, da capacidade do ser de conhecer e distinguir o bem do mal. Tanto que não importa se uma pessoa é motivada por amor ou ódio, ou pela falta de qualquer tipo de sentimentos, se ela é capaz de distinguir o certo do errado ela então é capaz e deve assumir e responder por seus atos, tem consciência. Da mesma forma que aquele que não sendo capaz de fazer tal distinção, não possuindo tal consciência, não importa os sentimentos que motivem seus atos, ou a falta deles, não tem o direito de assumir responsabilidades nem portanto o dever de responder por aquilo que não consciência do que faz.

A ética não é portanto uma ciência que visa a produção de estímulos adequados de sentimentos que motivem as ações e comportamentos esperados, isto é a “ciência” do adestramento de animais. A ética embora também possa se dizer que vise a produção de comportamentos não o faz tentando produzir ou eliminar sentimentos, mas justamente desenvolver uma forma de pensamento que empodere nossa livre vontade para que governem nossos atos no lugar das paixões e não através da submissão ou repressão delas.

O ser humano é um animal mesquinho, covarde, e traiçoeiro, é um predador… bonitinho quando filhote perigoso e territorialista quando adulto…e eu gosto dele mesmo assim, mas não posso dizer que o amo principalmente incondicionalmente. E quando digo que sou uma pessoa ruim é justamente por gostar do ser humano e do mundo como ele é. Esse mundo cheios de vícios de defeitos e sofrimentos que mais se assemelha o inferno para a maioria parece ter sido criado pelo Diabo do que por Deus. Não consigo me imaginar no céu, ou no paraíso, prefiro mesmo é ir para o inferno só pelo gosto de “infernizar” o capeta e soltar todos os “bichos ruins” que ele tortura pela eternidade. Simplesmente não passa pela minha, essa noções de prisões e punições nem materiais nem transcendentais. Acredito e respeito a legitima defesa, mas finda a defesa, não creio que temos o direito que nenhum ser humano nem divino tem qualquer direito de dispor da da corpo quanto mais da anima ou alma do outro. Se é impossível conviver com pessoas que preferem se comportar como bichos ou monstros, a solução de paz é bem mais simples e obvia, deixamos eles viverem como querem em outro lugar e não os aprisionamos em nossos domus nem físicos, nem psicológicos nem muitos transcendentais por que se há uma coisa que não falta no além é tempo e espaço.

Não nego que o amor incondicional seja a maior e melhor de todas as virtudes, mas depender dele para que as pessoas não se matem ou não assistam as outras pessoas morrerem de braços cruzados é pedir demais de quem tem sensibilidade de menos. E mais do que isso, é pedir mais do que precisamos. As pessoas não precisam se amar nem sequer parar de odiar basta não acreditar que o que pensamos ou sentimos independente se é bom ou ruim nos dá o direito de agir sobre os outros. Porque o problema não é quem pratica o mal sabendo que o faz. Até porque este individuo não responde nem a razão nem ao amor porque não é sensível nem a uma coisa nem outra. O problema está justamente naqueles que que querem fazer ao de bom se a acreditam que o que pensam ou sentem de bom pode se impor não só como bem mas se preciso for como mal necessário contra a vida e liberdade alheia.

O nosso problema não está nos valores ou sentimentos que não temos, mas justamente na prepotência de supor que exista qualquer razão credo ou sentimento possa se sobrepor a vida e liberdade alheia. O simples pensar que exista qualquer sentimento ou concepção que nos autorize, dê direitos ou autoridade para agir a revelia da obrigação de respeito a vida e liberdade e a mentalidade que permite a institucionalização do mal como bem, da guerra como paz do monstruoso como normalidade.

Há uma série de noções e valores elementares baseados nos instintos que não sem nem só humanos, mas gregários mais primários que sem as quais, ou em condições extremamente precárias não podemos propriamente dizer que nos falta bondade ou amor, nos falta é o mínimo de humanidade. Algo que alguém não pode até dizer que não tem porque foi desnaturado, mas não porque não tem de forma inata a capacidade. Amar é uma virtude, mas não ser monstro, ser gente é uma obrigação. Não é possível impedir que as pessoas se odeiem, mas ter que não coloquem a mão sobre não só é possível como é uma obrigação não fazer ou impedir. condições de viver com dignidade é um direito, se comportar com dignidade uma obrigação.

Ciência e consciência são palavras vazias se não referem sobre o de concreto estamos exatamente cientes ou conscientes. Assim quando digo que guio meus atos pela consciência da vida e liberdade, e não pela amor aos meus conceitos pela e vida em particular liberdade as quais considero divinas, ou por piedade compaixão que faço o que faço ou fiz, mas por respeito a integridade humana incluso das pessoas que não gosto, desprezo ou que me mesmo que desprezam e odeiam. Amo meus filhos minha família, e até simpatizo, e gosto desta ou daquela pessoa, mas não amo os outros seres humanos e a bem da verdade no não sinto nenhuma falta de pessoas em geral como da maioria até prefiro distancia. Contudo não é por isso, ou pela falta daquilo que vou deixar de cumprir o que considero minha obrigação não como outros, mas antes de tudo comigo mesmo, com quem eu quero ser não em tese mas em ato.

Não é minha ética que constitui a minha consciência, mas a minha consciência que constitui a minha ética, e nesse sentido é mais do que uma simples código de conduta, é minha fé na liberdade, minha fé que como ser humano que sou inatamente dotado da força geradora do fenômeno da própria moralidade, que tenho a capacidade de discernir e escolher, mas de reconhecer e definir o certo e errado. E quando digo fé não estou usando uma figura de retórica, mas definindo um estado de espirito, poque mesmo que o próprio Cristo ou ou Deus em pessoa mandasse que matasse meu filho, ou o filho de qualquer pessoa eu não o faria. Não mataria as pessoas que eu amo ou odeio, não mataria nenhum inocente nem mesmo um criminoso não um rendido que não oferece mais perigo a vida de ninguém. Não, me sujeito a matar ninguém nem por ação, nem por omissão. Nem a bala, nem de fome. Não quero privar ninguém de comida, nem me apropriar das coisas de modo que alguém pereça ou tenha que submeter a mim ou alguém por carestia. E se não quero me sujeitar a fazer nem permitir que nada disso nem para os piores criminosos ou monstros porque haveria de querer para as mais inocentes? Não quero fazer compactuar assistir, nem muito menos fingir que não vejo nada disso sem fazer nada, sem fazer o que posso, mesmo sendo pouco. Me recuso a me sujeitar de livre e espontânea vontade isso. E isso não porque eu seja uma pessoa boa ou tenha amor no coração, mas simplesmente porque me repudia uma vida tão desprovida o mínimo do mínimo de sentido dignidade ou sensibilidade, uma forma de existência tão covarde, parasitária e desnaturada, tão omissa, destrutiva e desconexa da vida. simplesmente tamanha nulidade me repudia como repudia o próprio vácuo matéria, ou a morte ao que tem vida, devorar minhas próprias entranhas, fazer sacrifícios ou comer carne humana. Por isso mesmo qual fosse a lei e quem que fosse o tirano no céu ou na terra que me ordenasse em contrário não só resistiria com todas as forças que tivesse como os mandaria para inferno, que é o lugar deles se ou quando pudesse.

Perdão, mas como falar de amor para um ser humano que não consegue entender nem porque não pode amarrar ou espancar outra em um poste? É o mesmo que tentar explicar o que é renda básica para quem acha que trabalhar só em troca de comida (em natura ou especie) não é escravidão, ou seja é pedir para quem se não consegue ou não quer sequer andar, correr. O amor como a fé movem montanhas. Mas não precisamos de tanto. Precisamos tão somente de gente que ache tão normal e esteja tão disposta se submeter a escravidão, a tirania, a guerra, morte, estupro a pobreza e fome quanto viver na bosta, comer excrementos ou andar de quatro. Precisamos de mais gente boa com certeza e com quanto mais amor melhor, mas gente ruim que pelo queira ser gente e fazer alguma coisa e não só falar, mesmo que seja pouco já serve. Até porque se formos esperar por aquelas que pregam amor e bondade ou pior esperar que aqueles que tem mais posses e poderes para fazer primeiro alguma coisa, melhor é esperar sentado como nossos pais, e os pais dos nossos pais, porque vamos morrer como eles… esperando.

E perdão também pela resposta tão longa , mas não sentiria bem com menos. E por favor, não tome a minha recusa e desabafo como algo pessoal ou como uma crítica porque não é. Pelo contrário é justamente pelo valor que você deu a ética num sentido maior que as pessoas tanto evitam porque leva a indagações sobre as práticas, é que me levou a falar tão abertamente com você. E se em uma sentença pudesse resumir tudo o que queria dizer como o que disse até aqui seria a seguinte: não posso ser a cabeça do movimento, porque a cabeça do movimento querendo ou não já é você. E toda a força que ele precisa para chegar onde pode está em você. Já quantas pessoas vão entender se inspirar ou refletir sobre o que você disser ou colocar em prática, isso, meu amigo, já não é um problema seu, mas delas. É como a parábola do semeador, você semeia sem distinção, mesmo quando desconfia que todos os campos são feitos de pedras ou espinhos, até porque nunca se sabe de antemão qual realmente é qual, e não se sabe por uma razão muito simples: definir do que são feitos os campos não é algo que pertence a palavra nem ao semeador, mas a natureza dos próprios campos.

E a propósito vou ler calma os capítulos que sugeriu da obra.

Abraços.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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