Acabou as (des)eleições, um escrito inacabado…

O antes e o depois das eleições como teatro de guerra hibrida da informação

Acabou. As eleições terminaram. Ainda vai levar um tempo até baixar todo o clima de euforia e histeria, mas com a diminuição do bombardeio e terrorismo midiático de parte a parte, a tendência é que fora os permanentemente sequelados, que os demais voltem gradualmente ao seu estado “normal”, ou mais precisamente, aos níveis toleráveis e socialmente funcionais de normose e loucura cotidiana.

E bombardeio não é uma figura de linguagem. É um termo emprestado da guerra convencional, que explica tecnicamente as estratégias empregadas numa eleição que não foi uma só uma deseleição, mas uma verdadeira guerra de informação e desinformação, ou melhor uma batalha, porque a guerra da psicológica informação é só uma das dimensões da guerra hibridas e o teatro de operações brasileiro apenas mais um entre muitos campos de batalha.

A termo público-alvo nunca fez tanto sentido, ou teve um sentido tão literal. Na era da informação as linhas tênues entre guerra e paz, estão ainda mais cinzas, e a democracia nada mais do que o palco de mais batalha dentro da guerra hibrida global que quer gostemos ou não fazemos parte mais como alvo do que como player seja enquanto sociedade civil, seja como Estado-Nação. Alvos; seja como país ou cidadão.

Evidente que não podemos romantizar o passado. O cidadão e a sociedade de civil nunca foram o protagonista deste teatro, nem outras eleições jamais deixaram de ser uma guerra suja. A arte da política sempre foi uma guerra feita com outras armas, uma guerra simbólicas, feita de signos e palavras, um jogo sujo semiótico e psicológico. Mas essa batalha escalou para outro nível, e não me refiro de baixaria, porque isso é básico, já que como em toda guerra a moralidade não entra em campo de batalha. A guerra escalou nessa batalha para outro nível não tecnológico, mas estratégico. O tecnológico é mais do que evidente, no emprego massivo das mais novas ferramentas de telecomunicação em rede via internet. Mas por trás do emprego das novas ferramentas tecnológicas, há também as estratégias.

Estratégias militares seria até um pleonasmo, já que não só a palavras mas toda estratégia deriva do pensamento militar. No entanto esse foi o diferencial. E se engana, e engana muito, quem acha que as patentes militares se saíram tão bem nesse embate só como propaganda eleitoral. Generais venceram marqueteiros com facilidade, não só porque o caixa dois sua principal função de campanha estava comprometido, mas porque a propaganda política perdeu espaço para táticas mais avançadas de guerra de propaganda. As estratégias de marketing perderam para as militares, porque na era da informação, as táticas de guerra psicológica da informação e desinformação (que o mercado também usa e abusa) ganharam um peso muito maior do que o simples embalar um produto pré-fabricado. Foi assim que a direita tomou o palácio e de quebra dizimou a esquerda na batalha demagógica do teatro da política representativa: com uma bazuca e guerra de guerrilha contra e exércitos de militantes e mercenários em enfileirados em frentes convencional completamente ultrapassadas.

Mas não é sobre essa batalha, nem esse teatro de operações que quero falar, mas sobre a guerra. Ou melhor o nossa era, o nosso tempo de guerras globais domesticas e internacionais não-convencionais, guerras hibridas marcada onde a vantagem do conhecimento ganhou outro dimensão, com a psicologia e computação, e definitivamente a baleia azul e o momo não são apenas um jogo. Ou se são o são mais um jogo de guerra.

Dizem que as torres gêmeas marcaram o inicio do século XXI. Não, eles marcaram o fim do século XX. Estamos em plena fase de transição, ou se preferir de disputas de hegemonia. Não só entre potenciais ou ideologias, mas de disputa entre novos paradigmas, porque os velhos já eram. Embora muita gente ainda vá viver e morrer, sem nem saber, cega e presa ao arcabouço dos velhos paradigmas ultrapassados e decadentes.

Vivemos tempos de crise sistêmica. Tempos de adaptação e transição onde a seleção natural opera historicamente com muito mais rigor e rapidez que nas fases de paradigmas hegemônicos bem estabelecidos como normais, especialmente para os menos “aptos” ou se preferir os mais carentes e marginalizados. O pós-moderno é só a antessala de um tempo contemporâneo demais para receber uma denominação, até porque a denominação correta depende de como ele se define, e é a sua definição histórica que está em jogo. Termos bonitos para dizer uma coisa simples, o jogo ainda não acabou. Ele mal começou. E quanto mais demorarmos para nos reposicionarmos hoje e não amanhã nos nosso tempo e espaço, quanto mais insistirmos numa visão e práxis do passado para o futuro, por mais tempo permaneceremos alienados como players do presente.

A ultradireita não chegou como futuro para ficar, mas é inegável, chegou primeiro. E quanto mais renegarmos a realidade, mais tempo demoramos não só para entendê-la, mas para conseguir lidar com ela e mais tempo ela vai ficar pela mesma razão pela qual ascendeu ao poder: pela mais absoluta falta de novas alternativas. Não adianta negar a realidade, a falta de visão e incoerência da narrativa foi e continuará a ser fatal. Pois se a narrativa nos diz que quem chegou ao poder é uma “ditadura fascista” e a o que havia antes era uma “frente de resistência democrática”, o fato é que segundo os próprios termos dessa narrativa o resultado não poderia ser pior: a população preferiu a dita “ditadura fascista” a essa tal “ frente democracia” do antigo status quo. E o quão ruim, não só em estratégia, ideologia, ou demagogia, mas em fora os discursos pode ser na prática, ou memória das práticas, essas velhas representações democráticas para perderem do que qualificam de nazi-fascistas. Notem que não importa se você, ou eu, concorde com essas autoproclamada qualificação e desqualificações de si mesma e do adversário, o fato é que esses ideólogos e estrategistas perderam dentro dos próprios termos e dentro do seu próprio jogo, ou da sua democracia representativa, tanto no sujo quanto no limpo.

Como certeza, muita gente ainda vai continuar enebriada por um bom tempo até cair na real de novo. E não haverá choque de realidade capaz de tirá-las do seu estado de inconsciência, não porque cachorro velho não aprende truque novo, mas porque está ou politica-economicamente comprometida ou definitivamente psico-ideologicamente sequelada. Mas como Haddad e Ciro descobriram, ou melhor já sabiam, mas ao que parece, -porque na política tudo é sempre jogo de aparência-, só tomaram dimensão da extensão muitos nas suas fileiras ou mesmo dentro do seus partidos sequer jogaram para vencer. Ou melhor jogaram para atingir outros objetivos estratégicos: a sua sobrevivência política e quiça ainda a hegemonia onde ainda poderiam mantê-la; se não mais no território de um pais inteiro, então em redutos e outros campos. O campo da esquerda. Lutaram uma batalha não para vencer mas para manter a hegemonia dentro do campo da esquerda, não em redutos políticos, ou como líder da oposição, mas muito mais importante do isso como ideologia hegemônica dentro do campo social e cultural dos ditos campos de esquerda. E nisso foram bem sucedidos porque cada voto é uma cabeça arrebanhada a ser usada moeda de troca para as negociações palacianas.

Em outras palavras, enquanto os militares de Bolsonaro jogavam para vencer, as lideranças não só da esquerda, mas de todo o estatamento tradicional lutavam entre eles para ficar longe da cadeia, quem mantinha sua parcela do butim, e quem iria liderar suas fileiras. E ainda estão. E isso é só o aspecto da luta de poder doméstica. Na questão geopolítica, enquanto a esquerda lutava para emplacar sua narrativa conquistando mentes e corações de intelectuais gringos alinhados, ou seja, pregando para convertidos e comprometidos, aqui E aqui, como nos EUA, o “azarão”, trabalhava para conquistar a população, ou mais precisamente para manter o que já haviam conquistado com anos de trabalho de base dos evangélicos (neopentecostais).

O resultado todos já sabem. O feitiço se voltou contra todos os feiticeiros, e toda a narrativa caiu frente ao juiz e julgamento que a própria esquerda escolheu, ou melhor apostou, como o único legítimo: o povo nas eleições. Erraram feio na escolha do campo de batalha, apostando na natureza plebiscitária do pleito — mesmo não faltando exemplos, como o Brexit e a paz na Colômbia- e erraram mais ainda em suas suposição que eram capazes de reverter a percepção da população quando tivessem os meios de comunicação a seu favor. Um erro de prepotência e cálculo gigante. Os meios de comunicação tradicionais não são mais hegemônicos, muitos deles estão falindo, como poderiam sustentar a hegemonia das narrativas se mal se conseguem sustentar sua credibilidade e finanças?

O resto do que segue agora foi escrito antes do pleito, mas ainda vale…

Pare, um segundo e pense. Projete o futuro, olhando o quadro como se estivesse de fora. Fora, não só deste ou daquele lado da trincheira, mas fora ate mesmo do meio do fogo cruzado se eventualmente não escolheu um lado. Tente se puder, parar e pensar friamente por um segundo não como se tudo isso fosse o presente, mas como se o cenário que estamos vivendo agora já fosse passado. E você irá compreender meu ponto de vista, ligeiramente deslocado do calor do momento atual, a qual eu chamo de realista, mas se você chamar de pessimista, aceito a crítica.

Há quem ainda tente manter as aparências e reputação da mulher de Cesár, nos tribunais e instituições, mas mesmo entre os não há mais quem tenha coragem de chamar esse triste espetáculo, de a festa da democracia. Pelo contrário, depois desse freakshow, que eles insistem em chamar de eleições, a tendência não é só que as divisões e alianças e traições, e sobretudo o conflito rancoroso e belicoso pelo poder e sobrevivência política perdure, mas escale.

Haviam quem apostasse nas eleições como vetor para a resoluções para as tensões sociais que assolam o pais, mas ao final do pleito ganhe quem ganhar, o resultado continua não só continua o mesmo como a situação se escalou: a sociedade está mais dividida. E nos centros do poder o sistema permanece intacto em suas regras de governabilidade: quem ganhar vai ter que compor também com a banda podre e representantes dos interesses nada republicanos se quiser governar, ou melhor, se não quiser, virar um espantalho a lá Temer ou Sarney, ou cair feito um Collor ou Dilma.

Quanto ao problema da pacificação dos polos extremos, pode até haver uma trégua, mas apenas para reorganizar as tropas. Nenhum dos dois lados vai descansar enquanto não der um fim ao outro campo. E enquanto esse embate durar a sociedade continuará refém dessa guerra. E não, ao contrário do que muitos pensam, quando um dos lados enfim prevalecer, muito longe de termos uma estado de paz , teremos um estado de pax, nas aparências mais democrático do que é hoje, mais de fato menos republicano do que já e mais autoritário e hipócrita ainda.

A título de exemplo, de que você pode mudar as variáveis da equação que o resultado permanece o mesmo, porque as premissas e a matemática política ainda é a mesma use a imaginação.

Já disse que não acredito numa virada, mas imagine que ela ocorra. Imagine quais seriam as condições populares e institucionais de governabilidade de um governo encabeçado pelo PT. Agora image o oposto. Qual é a chance de um governo Bolsonaro governar sem o sistema, sem o SFT de Toffoli, Gilmar, e Leva, Mello, e pior sem — como diria a cartilha da pragmática realpolik de Lula- o “negociar o apoio” de tantos coronéis e acusados de corrução que escaparam da guilhotina dessas deseleições para formar maiorias no congresso? Tem como? Claro que tem. Porém, nenhuma dessas formas é absolutamente legal, moral, constitucional nem republicana. De modo que ou elas vão decaem em medidas autoritárias que passam por cima dos corruptos ou decaem em leniência e corrupção na medidas que cedem dentro do presidencialismo de coalizão as demandas pela governabilidade.

Mais do que isso, imagine ou melhor tente projetar qual são as chance de um governo Bolsonaro ou Haddad pacificar seus opositores? Isto sem apelar para o emprego do monopólio da violência e vigilância, como já anunciaram. Quais são as chances de isso vir a ocorrer, sem que nenhum deles apele para seu viés autoritário e consume de fato a ameaça já declarada do emprego da força de fato para perseguir e reprimir os opositores mais radicalizados mesmo os que não cometeram crime algum? E qual a chance de efetuar essa repressão só dos criminosos de forma cirúrgica sem vigiar e eventualmente ferir direitos e opositores cujo único crime abominar o que que lhe indigna ou fere sua dignidade?

Há grande euforia com a renovação. Mas renovou-se os nomes, não as regras do jogo. Ou melhor, só metade dos jogadores, de modo que para mudar as regras de como o jogo de poder é jogado, dentro das regras do jogo é preciso de maioria, e não simples, mas absoluta, de modo que mesmo supondo que a renovação tenha sido enorme e perfeita, ainda sim ela não foi o suficiente.

Logo euforia a parte, sem desconsiderar a renovação de metade do poder legislativo, mas justamente levando-a em considerando, o problema não é outro, mas este mesmo, ou seja, a outra metade de tudo que ainda permaneceu. E se é injusto afirmar que todos não prestam, é também pela mesma lógico ingenuo acreditar que toda a renovação foi feita só do que há de mais cândido, puro e honesto. Logo, podres fora do velho e novo, o governo, seja qual ele for, terá que negociar com a banda podre.

E notem que estou pressupondo a título de mera simplificação que esse novo poder executivo será feito monoliticamente do que há de mais puro melhor e honesto, e não como todos os demais poderes, composto das mesmas contradições de todo corpo e corporativismo. Estou portanto supondo que eles seja feito só de virgens vestais ou pecadores arrependidos, idealistas convertidos a causa pública, sem judas, pilatos e fariseus em sua composição, um governo feito só de salvadores da pátria e seus fieis apóstolos. E mesmo dentro mitologia o mito não funciona, sem decair nos pecados mundados, ou virar um extremistas fundamentalista, porque: (i) ou o salvador dos gregos ou troianos vai ter que negociar e pactuar com o capeta; (ii) ou vai ter que expulsar os vendilhões do templo, ou melhor dos palácios. Vai ter que operar o milagre de comer como um porco, se comportar como um porco, viver no chiqueiro e rolar na lama, e não só sair limpo, mas transmutar toda essa merda em vinho. Ou se comportar como tirano, falar como tirano, agir como tirano e ainda sim ser considerado por um número razoável de fiéis que o sustente um legitimo representante da democracia liberal. É possível? Claro, Trump, tem conseguido as duas coisas, rolar na lama feito um porco com o mercado, se comportar como um ditador fascista com os excluídos e continuar sendo aclamado mesmo sobre fogo cerrado como grande estadista pela sua audiência cativa e cidadãos de bem devidamente protegidos por suas medidas comerciais, econômicas, e jurídico-políticas … ao menos a curto prazo.

Vê-se porque tanta gente espera nada menos que um messias, seja no meio do catequismo proselitista bolsonarista ou lulista, só mesmo alguém capaz de operar um milagre, o milagre da transmutação do sistema sem sair do sistema para transformar de fato o Brasil. Não é a toa que tantos brasileiros esperem um messias mais no old style do velho testamento e velho testamento capaz de trazer pragas e abrir terras e o mares para engolir seus inimigos do que na fraca, anêmica lei cristã do oferecer a outra face.

E nisso estou apenas falando das relações das problemas das relações palacianas entre o poder executivo e o legislativo e judiciário. Há a questão econômica, que se supõe ainda como remédio ou melhor unção milagrosa para todos os males, das divisões e tensões sociais, até a desigualdade de privilégios adquiridos incluso os de direito e justiça não só social mas penal, até o mais grave de todos os problemas de desenvolvimento brasileiro, que não é só o da falta de uma cultura de respeito absoluto as liberdades fundamentais, mas de respeito a mais fundamental de concreta de todas as liberdades como fenômeno e direito natural: a vida.

Ou em termos ainda mais precisos, um principio universal que saiu ainda mais abalado e relativizado, o direito humano, e logo a noção dos crimes contra a pessoa humana e a humanidade.

Se acham que vou bater na obviedade, Bolsonaro, se enganam. Como disse, sua apologia é o óbvio. Não vou colocar em questão suas tendências fascistoides e autoritárias devidamente maquiadas e que tanto esperam que a matura e consolidada instituições democráticas brasileiras ponham um freio ou arreio. Até acredito que irão. Mas os freios e arreios que as ditas frentes democráticas chamam de “normalidade” e “civilidade”, é o que os excluídos da sociedade e sobretudo dos círculos de poder do estado chamam de autoritarismo e barbárie nessas periferias do sistema.

Como nos EUA, não adianta chamar de Trump de fascista, porque o que o discurso e as práticas que o caracterizam como tal, não diferem em gênero das práticas dos seus antecessores republicanos nem democratas, mas em grau tanto de retórica como práxis. Ou seja, isso não fez, nem faz, dessa extrema-direita de viés fascista com discurso “anti-sistema” que renasce no mundo um elemento completamente estranho a cultura e sociedade, nem muito menos ao próprio poder ou sistema. Não são água e óleo como tentaram se vender, e por isso mesmo o jogo da propaganda do contraste entre democratas defensores da liberdade, e fascistas autoritários defensores de regimes ditatoriais não funciona. E pior do que não funcionar embaralha confunde e sobretudo relativiza ainda mais tanto o senso comum não só do que bem ou mal, mas do que é verdadeiro e de fato sagrado. E se pensou em coisas e poderes e entidades intangíveis, quando falo em sagrado, e não sem pessoas e seres e absolutamente sensíveis e reais, como a vida de uma pessoa sem nenhum tipo de descriminação então você verá que o problema do que consideramos normal e anormal como culto e cultura não nasceu e nem vai morrer com petistas nem bolsonaristas, ou mesmo fascistas e comunistas, de fato não nasceu nem vai morrer com nenhum tipo de ideologia ou fanatismo ideológico, porque esse fanos não é a fábrica dessa loucura mas o produto dessa mentalidade de culto autoritário-servil ao poder e a força, e não a vida e liberdade.

Não é um vírus ao qual este ou aquele ser humano seja invulnerável, mas apenas uns e outros estão mais vacinados, ou apresentam mais ou menos sintomas dessas outra forma de raiva que não se transmite nem se propaga por nenhum agente patogênico, mas ao qual todos estamos estamos dentro de ambientes e comportamentos facilitadores da sua disseminação. O ódio é como uma doença endêmica se espalha e contamina as pessoas.E nisto consiste o principal erro dos detratores dos petistas e bolsonaristas, confundir fiéis com pastores, confundir a mentalidade de seguidores com as das lideranças. Confundir um pais, um povo, um mesmo um grupo quer se comporte como manada quer não, como seus lideranças que eles elegeram ou não.

Porém pior do que confundir idiotas com idiocratas, é se achar muito esperto ou muito inocente por não ser nem uma coisa nem outra. É confundir os arquétipos ideológicos com pessoas e achar que só você é uma pessoa em toda a sua complexidade e contradições enquanto os demais são monstros ou santos. Não são. Monstros e santos não existem, ou melhor só existem como mitos, como farsas ideológicas. Mesmos os piores genocidas da humanidade, os criminosos mais psicopáticos, não eram monstros, como os mais abnegados pacifistas nunca foram santos. Isso não quer dizer que os primeiros não sejam perigosos, nem que os segundo sejam corruptos. Isso não é uma tentativa de relativizar seus atos, mas de reafirmar a única coisa que seus atos nem os melhores nem os piores relativizam, por que é a sua e a nossa condição comum a todos e portanto universal, gostando ou não, eles ainda são tão humanos. E não há quantidade de erros e crimes, nem de acertos ou mesmo bons atos que uma pessoas faça na vida que efetue esse milagre da transmutação da matéria, por melhor ou pior que sejamos em palavras ou atos somos todos seres humanos.

E isso incomoda muita gente, que não quer ver o aspecto monstruoso do outro, existe dentro de si mesmo como sua potencia. O que faz uma pessoa boa não é a incapacidade de produzir causar e semear os maiores males, mas justamente o oposto, a capacidade e potencia e liberdade de poder fazê-lo e ainda sim, por livre e espontânea vontade e as vezes até mesmo contra interesses e desejos ou até vícios, fazer o oposto. O que faz uma pessoa ser boa não é ter propensão a empatia ou simpatia, mas mesmo nos piores momentos quando até esses instintos estão completamente sequelados, conseguir por força da sua vontade e consciência fazer o que deve não por dogma, mas por por essas capacidade senciente, o mínimo denominador comum ao entendimento como comunicação e consenso: ser capaz de se colocar sensivelmente no lugar do outro.

Acusar os outros de terem tendências machistas, tirânicas, autoritárias, racistas e totalitárias ou desonestas é algo que é sempre uma acusação hipócrita se não vier com a reflexão e autocrítica não só do próprio comportamento, mas da consciência de que tais caracterialistas não podem ser atribuídas exclusivamente a nenhum campo de uma sociedade ou culto, quando tais elementais fazem parte da cultura e mentalidade de toda nossa sociedade. Isso não elimina a responsabilidade de cada um sobre suas palavras e atos. Pelo contrário isso implica em justamente com o devido juízo a responsabilidade de cada um sobre seus atos e palavras.

É por isso que a retórica da civilização versus a barbárie não funcionou. Era só uma retórica. E só na retórica não funciona, porque na prática os termos se tornam vazios pela ausência de contraste entre aquele quem se proclama defensor de direitos, frente quem se acusa de persegui-los. E direitos humanos e justiça social na boca de demagogos não enfraquece o discurso oposto, fortalece enquanto mais uma ato de propaganda demagógica. Mas isso não é um erro estratégico, é um imperativo desses atores políticos que se autoproclamam , progressistas, democráticos, ora de esquerda, ora de centro-esquerda, ora socialistas raiz, ora social-democratas, deturpar o significado da palavra “fascista” como acusação ou xingamento a todos que não se aliam ou se alinham a suas posições. Um imperativo não só da sua estratégia de formação de desconstrução do outro e divisão, mas de dissimulação da sua própria natureza e práticas. Precisam acusar o tiozinho sem noção de ser uma fascista, para formar uma cortina de fumaça de que suas lideranças domésticas e regimes internacionais aliados, tem mais semelhanças e interesses comuns com as ditaduras de direitas, mais crimes contra a pessoa humanas e até mesmo contra a humanidade em sua folha corrida do que essas pessoas que hoje compram e repetem discursos autoritários, muitos pela mais absoluta falta de melhores opções minimamente criveis.

Em outras palavras chamar um Maduro de democrata, e aquele seu parente de um nazi-fascista, não é só de uma hipocrisia e incoerência e cara-de-pau sem tamanho, é entregar a faca e o queijo na mão para o adversário. É não só colocar todo mundo num mesmo saco, fazendo o trabalho deles de criar uma unidade, mas banalizar e relativizar pela generalização o verdadeiro perigo. O mesmo procedimento que é usado por exemplo por governos autoritários quando querem transformar todo imigrante em potencial terrorista. É evidente que existe a probabilidade de dentro de uma massa de imigrantes você encontre um terroristas. Porém, ao classificar todos como tal, você consegue perseguir uma classe por discriminação dela da sua imagem, e generalização da via imputação da imagem do perigo ou do inimigo.

Em outras palavras quando você generaliza, você hiperdimensiona a percepção de um problema ou perigo menor e ao mesmo tempo diminui a percepção do perigo maior, diminuindo o contraste e criando as sombras onde a banalização do mal se passa por normal. Onde o perigo real consegue se passar por discurso de boteco. Vou dar um exemplo, bem direito desse erro epistemólogo nessa guerra do politicamente correto contra a violência simbólica que virou uma ditadura ideológica cujo feitiço está se virando e sendo virado contra os feiticeiros: a perseguição do humor e da piada. Criminalizar o humor, chamar um humorista de fascista que um fascista se passe por humorista perseguido pela patrulha do politicamente correto. E pior não só renuncia e entrega uma das principais armas contra toda a forma de autoritarismo, a irreverência nas mãos de quem não tem nenhuma afinidade pela liberdade como pior aproxima a irreverência, entrega de bandeja a posição de oposição ao status quo ao autoritário que sabe melhor do que eles disfarças e tendências com figuras da linguagem. Assim como do outro lado, medidas autoritárias atraem quem não dá a mínima para a proteção do que das causas, pessoas ou princípios que elas visam defender, mas encontrar nesses dispositivos e aparelhos de patrulha e repressão os instrumentos perfeitos para realização de seus projetos de poder e satisfação dos seus desejos de controle do outro. De modo que no final, o que era uma causa progressistas ou mesmo revolucionária a passa a ser vista como autoritária e autoritária porque é aplicada e usada dessa forma. E o que era piada de mau gosto, ou pior ou ameça séria mas motivo de piada por falta de apoio passa a se tornar apenas um piada mortal. A palavra é uma faca de dois gumes, e eis que também agora pode-se atribuir a lógica reversa, e pode-se se minimizar tudo que se fala.

Um erro de estratégia de comunicação? Não, como eu disse um imperativo de todo projeto de poder. Todo projeto progressista e revolucionário autoritário está fadado a se tornar o projeto retrogrado e reacionário com ares de ditadura, porque sua causa nunca foi a defesa da vida e liberdade, mas o poder, defesa de causas e princípios para projetos de poder são meramente meios de tomar o poder, porque o poder é sempre o principio, meio e o fim. Por isso que em ditaduras disfarçadas ou não o que existem para além da policia da moral e dos bons costumes, seja ela de direita ou esquerda, são ou os bobos da corte. E essa farsa que leva um projeto de poder aos palácios é também, a causa da queda das suas cabeças quando o teatro perde a verossimilhança não com a vida, mas com a sua projeção passada, presente e futura do público, a dita realidade. De modo que a arte de governar o outro é essencialmente a de vender sonhos como esperanças e pesadelos como medo, e tanto o projeto de poder quanto o poder estabelecido que perde essa confecção como a imagem do real do seu público, perde também o controle primeiro da platéia, depois do espetáculo, e enfim do teatro. O teatro das representações políticas e ideológicas, seja a peça encenada o mito da teocracia de um faraó filho encarnado do próprio deus, seja a de um democracia, onde o grande líder eleito é a encarnação da própria vontade coletiva de todo um povo.

Como disse se quiser me chamar de pessimista . Afinal, o pessimismo e otimismo nunca são aferições de estado da realidade, mas de juízos de valor dado por relação comparativa não de visões de mundo, mas de estados de espirito em relação a essas projeções. Impressões portanto que se tem não da realidade, mas do estado outro, e que portanto pertence a visão de quem julga e não a natureza de quem é julgado. Um raciocínio que ajudaria a compreender a muitas coisas, isso se estivéssemos em geral dispostos a raciocínios, especialmente os dialógicos.

Entretanto quem geralmente lê o que escrevo não é regra é a exceção. Ou se preferir o desvio padrão, aquela pessoa que sabe que sua opinião na prática tanto faz, seja nas urnas ou mesmo em pesquisas, porque não se encaixa dentro dos 2000 amostras de tipos de gente com as quais se pode compor a visão de 200 milhões, já que não só pessoas com comportamento, mentalidade e personalidade absolutamente própria e individual, mas tipos, classes compostas, por renda, etnia, gênero, idade, preferencias etc… Somos tipos, ao menos para todos os efeitos tanto de pesquisa quanto de tomada de decisão coletiva, como as votações.

Há quem se surpreenda com o fato de muitas pesquisas errarem tanto, supondo e suspeitando não sem uma certa dúvida razoável, serem flagrantemente desonestas ou tendenciosas. Afinal respeito não se dá, se ganha a começar dando-se ao respeito,de tais pesquisas de opinião serem flagrantemente manipuladoras ou tendenciosas. O que não me deixa de surpreender não é quando eles erram, mas acertam. Não porque não deveriam, seus métodos estatísticos e probabilísticos quando aplicados com correção e honestidade a princípio realmente conseguem prever com razoável certeza e confiabilidade as decisões de um futuro próximo de um grande número de pessoas apenas tomando por base algumas amostras dessas populações. E é justamente isso, que não deixa de me surpreender como cultuamos e cultivamos a projeção e ideação de imagem pessoal própria e individual, mas no final das contas e no que interessa as tomadas de decisão, somos e nos comportamos como tipos e tipos em manadas.

Claro que não é desprezível o dado que essas tomadas de decisão são compulsórias e estão delimitadas a leques predeterminados de alternativas, que não representam nem a vontade própria nem sequer propriamente alternativas, mas ainda sim, não deixa de ser um feito notável e surpreendente a extração de comportamentos tão homogêneos de quantidades tão gigantes de pessoas dotadas de livre-vontade, tantas visões, e forma de vida e pensamentos e juízos tão iguais de seres que os quais cada um tem uma cabeça, mas não exatamente uma sentença.

Não me entendam mal, isso não é uma crítica a capacidade de entendimento, comunhão, concordância e consenso. Longe disso, é justamente o contrário. É uma apologia a essas capacidades, um elogio a concórdia, mas sobretudo uma defesa da condição absolutamente necessária para que o dialogo, entendimento e concórdia possam existir entre cada ser humano: a diferença. Diferença como propriedades e liberdades pessoais, e não como relação de desigualdade de propriedades e autoridade sobre o direito de livre expressão e associação. Mas não só essa diferença como direito igual de ser diferente, mas a diferença como expressão da autonomia e independência do ser enquanto entidade e não mera parte integrante de um todo.

Como disse se quiser me chamar de pessimista . Afinal, o pessimismo e otimismo nunca são aferições de estado da realidade, mas de juízos de valor dado por relação comparativa não de visões de mundo, mas de estados de espirito em relação a essas projeções. Impressões portanto que se tem não da realidade, mas do estado outro, e que portanto pertence a visão de quem julga e não a natureza de quem é julgado. Um raciocínio que ajudaria a compreender a muitas coisas, isso se estivéssemos em geral dispostos a raciocínios, especialmente os dialógicos.

Entretanto quem geralmente lê o que escrevo não é regra é a exceção. Ou se preferir o desvio padrão, aquela pessoa que sabe que sua opinião na prática tanto faz, seja nas urnas ou mesmo em pesquisas, porque não se encaixa dentro dos 2000 amostras de tipos de gente com as quais se pode compor a visão de 200 milhões, já que não só pessoas com comportamento, mentalidade e personalidade absolutamente própria e individual, mas tipos, classes compostas, por renda, etnia, gênero, idade, preferencias etc… Somos tipos, ao menos para todos os efeitos tanto de pesquisa quanto de tomada de decisão coletiva, como as votações.

Há quem se surpreenda com o fato de muitas pesquisas errarem tanto, supondo e suspeitando não sem uma certa dúvida razoável, serem flagrantemente desonestas ou tendenciosas. Afinal respeito não se dá, se ganha a começar dando-se ao respeito,de tais pesquisas de opinião serem flagrantemente manipuladoras ou tendenciosas. O que não me deixa de surpreender não é quando eles erram, mas acertam. Não porque não deveriam, seus métodos estatísticos e probabilísticos quando aplicados com correção e honestidade a princípio realmente conseguem prever com razoável certeza e confiabilidade as decisões de um futuro próximo de um grande número de pessoas apenas tomando por base algumas amostras dessas populações. E é justamente isso, que não deixa de me surpreender como cultuamos e cultivamos a projeção e ideação de imagem pessoal própria e individual, mas no final das contas e no que interessa as tomadas de decisão, somos e nos comportamos como tipos e tipos em manadas.

Claro que não é desprezível o dado que essas tomadas de decisão são compulsórias e estão delimitadas a leques predeterminados de alternativas, que não representam nem a vontade própria nem sequer propriamente alternativas, mas ainda sim, não deixa de ser um feito notável e surpreendente a extração de comportamentos tão homogêneos de quantidades tão gigantes de pessoas dotadas de livre-vontade, tantas visões, e forma de vida e pensamentos e juízos tão iguais de seres que os quais cada um tem uma cabeça, mas não exatamente uma sentença.

Não me entendam mal, isso não é uma crítica a capacidade de entendimento, comunhão, concordância e consenso. Longe disso, é justamente o contrário. É uma apologia a essas capacidades, um elogio a concórdia, mas sobretudo uma defesa da condição absolutamente necessária para que o dialogo, entendimento e concórdia possam existir entre cada ser humano: a diferença. Diferença como propriedades e liberdades pessoais, e não como relação de desigualdade de propriedades e autoridade sobre o direito de livre expressão e associação. Mas não só essa diferença como direito igual de ser diferente, mas a diferença como expressão da autonomia e independência do ser enquanto entidade e não mera parte integrante de um todo.

Como disse se quiser me chamar de pessimista . Afinal, o pessimismo e otimismo nunca são aferições de estado da realidade, mas de juízos de valor dado por relação comparativa não de visões de mundo, mas de estados de espirito em relação a essas projeções. Impressões portanto que se tem não da realidade, mas do estado outro, e que portanto pertence a visão de quem julga e não a natureza de quem é julgado. Um raciocínio que ajudaria a compreender a muitas coisas, isso se estivéssemos em geral dispostos a raciocínios, especialmente os dialógicos.

Entretanto quem geralmente lê o que escrevo não é regra é a exceção. Ou se preferir o desvio padrão, aquela pessoa que sabe que sua opinião na prática tanto faz, seja nas urnas ou mesmo em pesquisas, porque não se encaixa dentro dos 2000 amostras de tipos de gente com as quais se pode compor a visão de 200 milhões, já que não só pessoas com comportamento, mentalidade e personalidade absolutamente própria e individual, mas tipos, classes compostas, por renda, etnia, gênero, idade, preferencias etc… Somos tipos, ao menos para todos os efeitos tanto de pesquisa quanto de tomada de decisão coletiva, como as votações.

Há quem se surpreenda com o fato de muitas pesquisas errarem tanto, supondo e suspeitando não sem uma certa dúvida razoável, serem flagrantemente desonestas ou tendenciosas. Afinal respeito não se dá, se ganha a começar dando-se ao respeito,de tais pesquisas de opinião serem flagrantemente manipuladoras ou tendenciosas. O que não me deixa de surpreender não é quando eles erram, mas acertam. Não porque não deveriam, seus métodos estatísticos e probabilísticos quando aplicados com correção e honestidade a princípio realmente conseguem prever com razoável certeza e confiabilidade as decisões de um futuro próximo de um grande número de pessoas apenas tomando por base algumas amostras dessas populações. E é justamente isso, que não deixa de me surpreender como cultuamos e cultivamos a projeção e ideação de imagem pessoal própria e individual, mas no final das contas e no que interessa as tomadas de decisão, somos e nos comportamos como tipos e tipos em manadas.

Claro que não é desprezível o dado que essas tomadas de decisão são compulsórias e estão delimitadas a leques predeterminados de alternativas, que não representam nem a vontade própria nem sequer propriamente alternativas, mas ainda sim, não deixa de ser um feito notável e surpreendente a extração de comportamentos tão homogêneos de quantidades tão gigantes de pessoas dotadas de livre-vontade, tantas visões, e forma de vida e pensamentos e juízos tão iguais de seres que os quais cada um tem uma cabeça, mas não exatamente uma sentença.

Não me entendam mal, isso não é uma crítica a capacidade de entendimento, comunhão, concordância e consenso. Longe disso, é justamente o contrário. É uma apologia a essas capacidades, um elogio a concórdia, mas sobretudo uma defesa da condição absolutamente necessária para que o dialogo, entendimento e concórdia possam existir entre cada ser humano: a diferença. Diferença como propriedades e liberdades pessoais, e não como relação de desigualdade de propriedades e autoridade sobre o direito de livre expressão e associação. Mas não só essa diferença como direito igual de ser diferente, mas a diferença como expressão da autonomia e independência do ser enquanto entidade e não mera parte integrante de um todo.

Como disse se quiser me chamar de pessimista . Afinal, o pessimismo e otimismo nunca são aferições de estado da realidade, mas de juízos de valor dado por relação comparativa não de visões de mundo, mas de estados de espirito em relação a essas projeções. Impressões portanto que se tem não da realidade, mas do estado outro, e que portanto pertence a visão de quem julga e não a natureza de quem é julgado. Um raciocínio que ajudaria a compreender a muitas coisas, isso se estivéssemos em geral dispostos a raciocínios, especialmente os dialógicos.

Entretanto quem geralmente lê o que escrevo não é regra é a exceção. Ou se preferir o desvio padrão, aquela pessoa que sabe que sua opinião na prática tanto faz, seja nas urnas ou mesmo em pesquisas, porque não se encaixa dentro dos 2000 amostras de tipos de gente com as quais se pode compor a visão de 200 milhões, já que não só pessoas com comportamento, mentalidade e personalidade absolutamente própria e individual, mas tipos, classes compostas, por renda, etnia, gênero, idade, preferencias etc… Somos tipos, ao menos para todos os efeitos tanto de pesquisa quanto de tomada de decisão coletiva, como as votações.

Há quem se surpreenda com o fato de muitas pesquisas errarem tanto, supondo e suspeitando não sem uma certa dúvida razoável, serem flagrantemente desonestas ou tendenciosas. Afinal respeito não se dá, se ganha a começar dando-se ao respeito,de tais pesquisas de opinião serem flagrantemente manipuladoras ou tendenciosas. O que não me deixa de surpreender não é quando eles erram, mas acertam. Não porque não deveriam, seus métodos estatísticos e probabilísticos quando aplicados com correção e honestidade a princípio realmente conseguem prever com razoável certeza e confiabilidade as decisões de um futuro próximo de um grande número de pessoas apenas tomando por base algumas amostras dessas populações. E é justamente isso, que não deixa de me surpreender como cultuamos e cultivamos a projeção e ideação de imagem pessoal própria e individual, mas no final das contas e no que interessa as tomadas de decisão, somos e nos comportamos como tipos e tipos em manadas.

Claro que não é desprezível o dado que essas tomadas de decisão são compulsórias e estão delimitadas a leques predeterminados de alternativas, que não representam nem a vontade própria nem sequer propriamente alternativas, mas ainda sim, não deixa de ser um feito notável e surpreendente a extração de comportamentos tão homogêneos de quantidades tão gigantes de pessoas dotadas de livre-vontade, tantas visões, e forma de vida e pensamentos e juízos tão iguais de seres que os quais cada um tem uma cabeça, mas não exatamente uma sentença.

Não me entendam mal, isso não é uma crítica a capacidade de entendimento, comunhão, concordância e consenso. Longe disso, é justamente o contrário. É uma apologia a essas capacidades, um elogio a concórdia, mas sobretudo uma defesa da condição absolutamente necessária para que o dialogo, entendimento e concórdia possam existir entre cada ser humano: a diferença. Diferença como propriedades e liberdades pessoais, e não como relação de desigualdade de propriedades e autoridade sobre o direito de livre expressão e associação. Mas não só essa diferença como direito igual de ser diferente, mas a diferença como expressão da autonomia e independência do ser enquanto entidade e não mera parte integrante de um todo.

Dizem que somos grãos de areia no universo, mas não somos. Somos universos dentro de universo compostos não de uma totalidade totalitária, mas de uma universalidade que nasce do átomo da individualidade. E quando falamos de direitos humanos, se não estamos falando no respeito a essa condição fundamental de respeito absoluto a inviolabilidade dessa forma de vida em liberdade em relação as forças formadas por brigadas de maiorias ou minorias beligerantes, não estamos falando de nada de real e concreto, mas de uma abstração, quase tão fantasiosa quanto os delírios de poder dos membros ensandecidos dos inconscientes coletivos que formas as entidades, primeiro imaginárias e transcendências de idolatria de todos poderosos, depois absolutamente reais e mundanas do corpo das máquinas mundanas, incluso as estatais.

Em outras palavras, o entendimento e consenso, pressupõe dissenso, incluso de entendimentos. Assim como a comunhão que estabelece as comunidades em torno de um bem como denominador comum; e as sociedades que se estabelecem a partir da definição de partilha ou compartilhamento desse bem como igualdade de direito entre os associados; em todos formas de relação que implicam união e concórdia, há de haver no princípio e no final, antes e depois do processo, um mesmo bem fundamental absolutamente necessário preservado: a vida de cada pessoa não como um estatuto, mas como liberdade e identidade próprias, como sua propriedade sobre si e tudo mais que é exclusivamente seu, quanto o que não nem pode jamais ser propriedade exclusiva e particular de ninguém, mas de todos o bem comum, ou se preferir o termo pós-contrato social, a coisa pública.

Um bem que diferente dos demais é mais uma direito de cada um para usufruir como bem quiser, mas antes de tudo um dever, ou melhor uma responsabilidade de todos de preservação para usufruto primeiro naquilo que é absolutamente vital e necessário dentro do possível. Para além disso, para além da política, lidar com a regulação do excedente e não com a escassez existe a economia. Cujo nome completo é Economia Política, e não tem esse sobrenome por acaso. Mas por uma questão de ordem não de superioridade moral mas de princípio natural, não há possibilidade de nenhuma economia onde não existe política, não confundir com classe política-governamental, mas política como exercício do pacto social, a preservação do contrato social que funda a sociedade, isto é claro, supondo que tal contrato social tenha um dia existido entre os fundadores da sociedade brasileira, e não como uma farsa de poucos, para poucos a revelia ou contra os interesses da esmagadora, perdão, esmagada maioria, da população.

Onde portanto não existem indivíduos como partes não existem sociedade, existem totalidades, e a quantidade de partidos ou grupos totalitários formados para tentar impor a sua visão e controle do todo, não é indicador da diversidade, tolerância nem de liberdade, mas de rigorosamente da grau de tensão e discórdia e perigo de ruptura da sociedade, que tanto pode se fragmentar quanto ser esmagada ou devorada por qualquer um desses projetos totalitárias se por ventura eles não se destruírem mutuamente e a todos ao redor na sua luta para dominar o território, o ambiente, as instituições e a sociedade, ou o que restar delas. É portanto indicador de quantas são as diferentes ameaças de projeto de poder, e visão fundamentalista e totalitária, disposta a impor a força, ao através do império ou monopólio legal (ou nem tanto) da violência sua visão de mundo despótica e absolutista, variando do explicito ao dissimulado como tática de propaganda e guerra ideológica de informação conforme o momento estratégico.

Em suma dentro das relações sociais, há dois tipos de associação ou organização:

Uma é aquela baseada na preservação da diferença e diversidade para se efetuar como entendimento e igualdade de liberdade. A comunhão que forma os estados de paz republicanos.

A outra é aquela que é baseada na supressão ou eliminação dos diferentes, para a imposição de absolutos e totalidades. A união que forma os estados de pax imperial.

Uma suprime individualidades para formar coletivos de mentecaptos infantilizados fanáticos por suas bandeiras e lideranças de pátrio-poder, incapazes de se relacionar sem serem mediadas e tuteladas pela clássica solução aristotélica do terceiro homem, ou o Deus-Estado, um poder supremo que supostamente não seja um “homem” mas uma entidade desprovida de vontade e interesses particulares e portanto capaz de representar a todos, incluso como vontade coletiva e mediador conflitos dos seus interesses difusos. Ou seja um mito, hospedeiro de mitos, mitologias e mitólogos cínicos ou loucos.

Outra de cidadão adultos e emancipados capazes de se relacionar e resolver seus conflitos sozinhos e em paz, sem precisar da mediação, tutela de ninguém, especialmente de quem tendo a pretensão de se impor como tal poder literalmente no meio de toda relação e comunhão, se faz na prática como semeador da discórdia, e não da concórdia. Ou numa visão menos estática e pontual e mais dinâmica e sistêmica, literalmente o pregador que planta discórdia para colher medo e terror e vender segurança e restauração da paz e liberdade que eles mesmos, e quando digo eles mesmos me refiro a todos os partidários do autoritarismo de diferentes espectros e bandeiras derrubaram para estabelecer o estado que favorece a ambos: a guerra.

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