A navalha de Ockham, a Espada de Alexandre e a Pulsão de Morte

Ou dos Contratos Sociais e Estados de Paz Pós-Trabalhistas

Tem gente que diz que vivemos na era da pós-verdade. Pós-Verdade virou até “verbete do ano” no Dicionário de Oxford em 2016 (e não diga grande bosta…) E lá se vão 3 anos… entende-se, tinha o plebiscito do Brexit, o Trump que começava a despontar pra valer… enfim, pós-verdade, mas pode chamar da mentira que basta ser repetida descaradamente a exaustão que se torna uma verdade, principalmente quando você passa não só ditar a escrita e a rescrita da história, mas a escrevê-la de fato, não só com novos fatos que serão ou não encobertos por novas mentiras ou para usar neologismos, fatos alternativos, mas as novas narrativas que irão prevalecer como fatos e verdades até que alguém assuma novamente o controle absoluto ou o monopólio dessas histórias. Enquanto isso… bem, enquanto isso a história de que vivemos numa era da pós-verdade, é só mais outra “pós-verdade”. Ou se preferir um termo popular bem brasileiro, é só mais outra clássica historinha pra boi dormir, adaptada para os tempos contemporâneos, não por acaso também chamados de pós-modernos, não só por falta de imaginário ou visão do futuro, mas por um apego fetichista emocional e ideológico ao passado de uma civilização em franca decadência e obediência quanto outrora o próprio império britânico e cultura vitoriana. Não, não estamos na era da pós-verdade. Estamos pós- coisa nenhuma, estamos literalmente no meio, ou talvez para ser mais preciso, no preludio do conflito que definirá quem serão aqueles que escreverão a história que se segue, supondo é claro, sem fatalismo que haverá alguém para contá-la.

Não, estamos no pós. Estamos nas preliminares. Preliminares compostas de uma guerra franca e aberta de informação, contra-informação, desinformação, na era das telecomunicações e automação da própria computação, processamento dos dados, porque a era que virá os player, leia-se potências que tem poder de fato, tanto militar quanto tecnológico para disputar quem vai ficar com o protagonismo já sabem qual é, e já estão há temos medindo forças incluso ciber-militares para saber o que é só bravata, o que não é, quem pode mais e quem aguenta o quê, e quanto.

Para disputar quem tem a própria informação, sua propriedade, logística e trasporte (leia-se transmissão), tornar-se o maior capital e mercado de capitais do planeta, e a posse dos recursos estratégicos naturais que permite o controle dessa arma que controla as armas, pessoas e as instituições. A velha geopolítica, econômica e comercial que envolve sabotagem, espionagem, propaganda, terrorismo psicológico, entre outros expedientes mais primitivos, agências estatais quanto megacorporações industriais de mentes e corações, mas sobretudo mapas de comportamento, bolhas de influência, tecnologias de influenciamento comportamento.

Sei que é difícil, mas esqueça por um momento todo o ruído que não pára. O barulho é alto, constante e ensurdecedor. Esqueça as velhas teorias de guerras de classes da esquerda na qual esses caras são um sindicado de ladrões fascistas bancando os agentes do imperialismo para faturar em cima; esqueça também as teorias das “novas” de direita que são globalistas tentando implantar um governo mundial totalitário para acabar os valores da civilização cristã-ocidental. Enfim esqueça todas essas teorias conspiratórias e paranoicas que vão perdendo qualquer fundo de verdade, ou melhor verdade de fundo, conforme vão se afundando cada vez mais em suas bolhas de insanidade ensandecedora. É uma armadilha cognitiva. Você não vai conseguir descobrir nada se preso nas querelas e problemas que os canalhas te impõem.

Ok. Ninguém precisa acreditar em Papai Noel, nem por outro lado perder completamente sua sanidade em teorias conspiratórias até acreditar que no fundo a Terra é plana ou que a NASA e a CIA esconderam tudo isso e mais alguma coisa de você. O mundo não é binário, não é preto e branco. E não é porque os filhos da puta da industria farmacêutica pela milésima vez aprontaram das suas, que o princípio científico da imunização, e logo a vacinação, perdeu sua funcionalidade como vacina, e não negócio. Uma coisa não necessariamente anula a outra, apenas eventualmente, não é uma regra, é uma circunstância.

O problema, portanto está em querer aplicar equações simples e liberais, para dar conta de realidades, circunstâncias que não são compostas de variáveis e não constantes. Em outras palavras, queremos respostas simples, para problemas éticos e humanitários, e em princípio a resposta como nas ciências exatas pode até ser simples no papel e com um número de variáveis controlado, some a complexidade e indeterminação e a entropia explode a ilusão de poder e controle, conhecimento e grandeza, e as vezes, só as vezes, a ciência se torna consciência e conhecimento do eu e do mundo, útil não só para não cair em enganação, mas antes de tudo para não se enganar e desenganar.

Sim é confuso. Precisamos confiar no emissor ou professor do dado, para adquirir a informação. E tendemos a confiar que o dado é verdadeiro porque foi transmitido por aquele canal, exatamente como abrimos a torneira e bebemos a água tratada e potável, e não que alguém jogou um corpo morto, na caixa d’agua, afinal não somos esquizoides-paranóides. Mas a pergunta é como saber que não tem, sem ficar como um maluco, desconfiando de tudo e todos? Ou como uma idiota, comprando tudo, engolindo todo tipo de placebo, meia fedorenta ungida, como pegar esses mother fucker no pulo?

Decair entre explicações simplistas onde acreditamos nos melhores dos mundos e intenções, ou piores, ou na impossibilidade evidente disto, apenas classificamos e apartamos os seres e coisas até onde tanto a paranoia com o outro quanto a cegueira seletiva sobre nós, que não passa de eu circunstancialmente e igualmente seletivo, apartada conforme as necessidades, a empurrar com a barriga e pela barriga esse nosso conto de fadas como custo externalizado para o alheio, incluso o futuro, e ganhos a ser a realização num presente materialmente maximizado e estendido até onde não puder mais, não importa as consequências.

Toda ideia tem seu fundo de verdade. Incluso a mentira. Porque não a ideia que não seja composta do substrato da realidade, ainda que o processamento do sujeito jamais tenha acesso sequer aos dados com os quais computa a formação das suas ideias mais primárias do real, que dirá então fenômenos propriamente ditos que ele supõe que tais impressões sejam a própria imagem e semelhança, ou narrativa fiel da concretude. Até mesmo as simplificações que permitem viver na calmaria como normose, quanto as paranoides conspiratórias, tem seu fundo de verdade. O problema é que esse fundo cada vez mais distante da realidade, e cada vez mais elaborado para racionalizar seja a ilusão de normalidade, seja da certeza de que a noia vai muito além da imaginação. Não está, mas também não vai.

O mundo ou seres não se divide ao gosto ou desejo das abstrações e ideias dos sujeitos. Pelo contrário, os padrões não respondem nem se submetem aos seus juízos, leis ou preconcepções, pelo contrário.

A ciência carece que a navalha de Ockham (e de Popper), mas a consciência precisa da espada de Alexandre. Outro genocida, eu sei, mas estamos falando aqui de navalhas filosóficas e contos e não das pessoas. E saber o conteúdo da fábula, da pessoa concreta é fundamental, para não perder e ficar preso na antessala dos jogos de espelhos ideológicos entre os seres, as coisas e as ideias, ou se preferir os espelhos. Inclusive pelo efeito de reflexões infinitas.

As navalhas filosóficas e científicas em geral, servem para resolver problemas dentro de um determinado paradigma, porém não nos ensinam a superar os problemas quando o paradigma é o problema, ou mais precisamente, quando as querelas entre todas as teorias, entre os paradigmas não importa o campo do conhecimento, se tornam uma armadilha, um nó insolúvel, se tornam eles próprios simbioticamente a disputa que como armadilha insolúvel e infindável que traga todo tempo e energia das pessoas. Há disputas problemas e crises cujos termos foram feitos ou chegam a um ponto onde não há solução. Na idade média por exemplo havia a querela entre os particulares e universais, jamais resolvida, por óbvio, pois não foi feita para se resolver, mas para perdurar por toda eternidade, junto com a idade média. Problemas assim não se resolvem, nem se deixam de lado. Nós cegos, que se passam por enigmas como a esfinge, decifra-me ou te devoro, simplesmente se corta ao meio sem cerimônia. Desata-se a fio de espada como Alexandre fez o nó górdio. Para uns pensar fora da caixa. Para outro pura apelação.

Entretanto a questão vai: ou se abandona os termos das teses e proposições que definem o que é possível e portanto impossível, ou vai se chegar sempre nos mesmos lugares. Para Alexandre foi até fácil porque o nó não era a sua própria realidade, mas quando trata-se do seu próprio eu e mundo, desfazer esse nexo que ata as coisas para formar novos nexos e conexões, significa perder o chão e céu, para criar novos. E cair no vazio enquanto reconstrói suas novas redes lógicas e neuro lógicas em tempo, porque o mundo não pára. Não é a toa que a fantasia normotica ou paranoide seja por vezes a escolha, é a mais segura do saltar sem paraquedas, só com agulha e linha e costurá-lo enquanto cai em queda livre para lugar nenhum. Melhor acreditar em Papai Noel mesmo sabendo que ele não existe e fingir que não viu o mendigo. Melhor projetar e enterrar no nosso inconsciente, nos nossos piores pesadelos e monstros e projetar em paranoia só o outro quando eles emergem, idealizam e em normose o nosso eu e nós. Integrar-se com a psique de toda a humanidade, em suas dores e sadismo, amores e ódios não é uma viagem psicodélica o alucinógena, é um realismo duro, cortante e pragmático, porém não mais materialista, nem tão pouco idealista. Já que nenhum dos dois representa nada, um é efêmero, outro uma mera ilusão ou imagem dessa efemeridade.

Porém o substrato da concretude permanece. De uma forma completamente distinta do que esperam nossas nóias, paranóias, neuroses, histerias, psicoses, frenias, manias psicopatias e loucuras em geral. Logo independente dos blocos e bolhas a gritar cegamente com suas tochas de um lado ou de outro clamando para que você escolha um lado, por que se você não está com eles, está contra eles. Não está encolhido, em cima do muro, está contra eles. Ambos, pronto para ser pego no meio do fogo cruzado, com dois flancos abertos. Não se engane, nem a si mesmo, totalitários tendem sempre a paranoia, e aos fatos alternativos, porque seu objetivo é o monopólio não só da narrativa do campo dos fatos e verdade, mas o domínio dos campos e recursos que se administra com essas técnicas de cultivo e possessão: vastos territórios geopolíticos e gente.

Não perca tempo e energia com essas querelas pós-modernas são nós górdios, você nunca os resolve e mesmo quando (aparente) os resolve eis que volta exatamente para o mesmo lugar comum, quando não um pior. Não é um problema que se resolve nem com os termos do uso, simplificação ou otimização, nem muito mesmo com as estruturas predispostas, nem tão pouco com a criação de outros submetidos aos critérios de prova de julgamento dessas mesmas superestruturas mas justamente com a transposição das preconcepções e pressuposições que constituem as superestruturas e supervisão paradigmática. Algo que não se faz meramente por negação, nem por antítese, nem muito menos síntese, contraposição ou justaposição do que está posto, mas transposição.

Não, não é preciso jogar todas as soluções fora, mas sim é preciso reelaboração dos termos, dos problema a partir do zero. É por isso que a navalha de Ockham não é suficiente, não é preciso, mais do que simplificar ao máximo as variáveis da equação. É preciso voltar os olhos para o real, e reformular a abordagem, ou visão da realidade, jogar referencias foras antigas, pegar outras.

Revoluções epistemológicas de ciência ou consciência não são feitas a corte de navalha, são feitas a corte da espada filosófica, elas não aparam, reparam, reformam, elam. Rompem toda uma rede, alteram a plasticidade, para liberar ligações, para religar de forma completamente nova uma rede de formas e novos campos que simplesmente não tem nada a ver ou dizer, aos outros formam literalmente outros campos comunidades, organismos, instituições, constituem outro tempo e espaços, outra era do viver, pensar e o mais importante agir.

Abandonar um antigo paradigma não significa que irá construir um novo a partir do zero. Muito pelo contrário, é sempre verdade o que dizem se alguém viu além ou foi muito longe, é porque estava sobre as costas de gigantes. Não necessariamente ainda de pé. Não só pilhando as ruínas de velhas edificações que derrubam as novas e se fizeram, mas assentado sobre elas construíram suas novas uma sobre as outras, literalmente. A metáfora, que não é tão figura de linguagem, também vale para o conhecimento, depois de passar a espada epistemológica, não só se conversa o que é útil e necessário, mas se apropria e reutiliza tudo o que agora não é mais obstáculo cognitivo mas enfim, matéria prima para a construção dessa nova arquitetura conceitual.

A começar pelas palavras que fora desse arcabouço de meras disputas ideológicas de falseamento do real com sinais falsos podem voltar a ser usadas, não para produzir ruído e desinformação, mas para produzir outra espécie de realidade concreta, que diferentemente das mentiras e fantasias tem por pretensão, sonho ou não, nada menos do que serem o mapa da construção de nova realidade possível, de um tempo e espaço que há por vir. Venha ou não, em tempo e para todos.

No texto anterior sobre a gene dos Trabalhos e a riqueza, e a gênese do futuro dos estados nações fiz questão de passar sem a fio de espada, logo sem o menor cuidado cirúrgico à esse culto sacrificial milenar ao trabalho. Neste, passo a fio da mesma espada tanto outros e, que o A que odeia B, se enforque nas tripas do seu desafeto e vice-versa, e furem seus olhos até ficarem cegos. Eu tô fora dessa tarantela contemporânea. Não tenho jurisdição sobre insanidade alheia, e quanto mais loucos que se pensam juízes e senhores de toda a vida alheia se autodestroem mutuamente tentando tomar o monopólio da violência, melhor, desde que não levem inocentes juntos. O ideal, que nunca acontece, mas não é por isso que você vai se juntar a esta ou aquela horda. Pelo contrário, vai ficar bem longe deles para poder construir uma bela arca no meio do nada porque sabe que eles, com um dilúvio ou praga, inevitavelmente vão chegar uma hora também até você, mesmo que seja no meio do deserto.

Estamos portanto falando em parar de aparar barba e maquiar mortos. Estamos a tentar salvar os “fenômenos”, leia-se salvar um paradigma, que já era. Foi-se. Os Estados-Nações como conhecemos não vão morrer. Eles já não existem mais. Já estão em plena fase de transição para se tornar corporações “públicas”de serviços subsidiários à corporações privadas maiores. A história se repete organicamente. E a criatura toma o lugar do seu criador. Os tentáculos e filhotes do Leviatã enfim separam do corpo estatal e não só cresceram mas tomaram o seu lugar hegemônico. Exatamente como um dia a Igreja que coroou reis perdeu o seu para os mesmos déspotas absolutistas que outrora aliados como a burguesia que viria cortar suas cabeças, fundaria os Estados-Nações. O poder engendra os monstros, que se preferir as máquinas que expande seus domínios mas depois os engole. E engole por uma razão simples toda a escatologia trabalhista estava errada, ou mais precisamente, era só isto, uma escatologia, pregação para ovelhas de abate feito por lobos, seja a feita por crentes no paraíso imaterial, ao do crente em deus do materialista, ateu, marxista. Por sinal, trouxa de quem compra a teologia marxista que vende a abolição da propriedade, a liberdade materializada como condição, pela abstração da igualdade, um mero operador mental de comparação justamente dessas condições. A riqueza não se produz do trabalho, se produz da propriedade do trabalho, ou mais precisamente da acumulação de quantidades e riquezas que seriam impossíveis de se acumular apenas com o próprio trabalho, com a propriedade sobre o trabalho e produção do trabalhador, ou sem eufemismo, a propriedade da pessoa por X tempo como recurso humano. É portanto sempre sobre a posse do capital, seja como matéria prima animada ou já nem tanto, que se produz e reproduz o capital, o trabalho, energia são meras decorrências, e riqueza e lixo as consequências. Se a posse ou possessão das gentes se constitui até dos capitais políticos e econômicos o mais valioso bem até o presente momento da história, e logo as técnicas e tecnologias mais avançadas de dominação, arrebanhamento, encercamento, pastoreamento, reprodução e afins, o fator determinante de qual sociedade, estado e civilização prevalece, isto quer dizer que a alienação e extração do trabalho destes recursos humanos é só um entre muitos dos fatores determinantes ao estabelecimento, manutenção e crescimento de um modelo e seus regimes de produção. Uma das preocupações destas administrações e ministros da fazenda de gentes. E essas técnicas e tecnologias não só evoluíram muito, mas trocaram de mãos, ou melhor de sede corporativas.

Se outrora nas primeiras formas de organização social, sacerdotes desempenhavam centralmente este papel, ele foi perdendo o protagonismo para o tirano secular e sua burocracia estatal, que hoje novamente perde lugar dentro da industrial, na era da informação e telecomunicação para corporações privadas. Nem a igreja desapareceu, nem o Estado desapareceu. Mas vai chegar a hora que uma corporação privada assim como fez o Rei da Inglaterra, se autonomeará o seu próprio Papa, ou como Napoleão irá coroar-se a si mesma. Ou em outras palavras, fará e imporá a jurisprudência a revelia das fronteiras dos territórios nacionais, e não mais pagando propina nas alcovas palacianas dos governantes, mas cobrando abertamente tributos deles, isto é dos seus povos.

Sim, as classes dos atravessadores políticos é uma classe que, se extinta, vai subsistir na forma de novos cargos parasitários como o fez a nobreza e aristocracia decaída, mas não será mais a classe política lobista. Porque não será mais preciso fazer lobby. A democracia representativa vai pro saco, mas não irá emergir nenhuma democracia direta popular. Não nas periferias do mundo. Mas um capitalismo de estado ainda mais panoptico e megacorporativo. Em verdade os próprios Estados-Nações para competir com o capital dessas megacorporações transnacionais se tornarão cada vez mais máquina, mais eficientes e enxutas na provisão dos únicos serviços que fazem direito ao longo de centenas, as vezes milênios de evolução desde os protoestados a lá milicianos para tribunais do tráfico, para os únicos legítimos monopolizadores da violência dentro daquele território dominado conforme carta magna: Prover um estado mínimo, isto é, polícia e tributação. Manutenção da lei e da ordem. Tributa isto e mantém a expropriação contínua de tal forma que impede que jamais as pessoas mais vulneráveis escapam da miséria ou mesmo do crime, sim do crime. Porque a miséria garante que haja mão de obra barata mais o crime, afinal crime existe sem polícia, mas não na proporção necessária para uma força policial suficiente para manter toda uma população submissa e amedrontada e de preferencia com razão, pagando um estado armado (se até as armas não forem roubadas) até os dentes. Esse estado mínimo alimenta a miséria porque miséria é recurso humano em quantidade e barato, e o crime que por sua vez autojustifica o estado policial desproporcional e de fato impedir a criminalidade proliferando da miséria, que só cresce evidentemente como mais tributos e menos serviços sociais num ciclo vicioso, enquanto o aparelho estatal demanda mais recursos, principalmente se corrupto e até mesmo já ligado com a própria criminalidade já alimenta seu negócio. Mas isso não é insustentável? É obvio que é! Como eu disse. O trabalhismo é uma falsa ilusão que quando o próprio escravagista passa a acreditar no seu conto. É já um dos sinais da completa decrepitude do sistema.

Estamos portanto falando de redistribuição reversa de rendas e propriedades, onde aquele que menos têm paga pela proteção da propriedade que não têm, e pelo risco potencial que aquele que não possui propriedades representa para aqueles que a possui, ou seja, no caso ele. Uma externalização, de custos de quem possui para quem não possui. E uma transferência lenta da condição de proprietário para expropriado e o proprietário e pagador de impostos não percebe isto apenas porque morre no que é seu em parcelas e não de uma vez, como quem não tem nada, é porque não entende que aquela parcela não é mais protegida para ele, mas para o novo dono. É como um banco. Se o banco guarda o seu dinheiro. E depois de um tempo, ele comeu a metade ou 1 terço em taxas, ele não foi guardado para você, mas para ele. E você pagou para ele guardar, você bancou o banco, com o seu dinheiro. Ou melhor, você bancou seu próprio roubo, o quanto já é outra questão. E nisto, bancos são bem subsidiados pelo aparelho estatal, pois embora você não vá preso se não guardar seu dinheiro nele. Tem toda uma série de complicações burocráticas criadas pelo aparelho que prende quem não paga o que ele demanda, mesmo não recebendo seus serviços prestados. Eis a questão.

E logo não é a toa que quando esses estados entram em colapso ainda que meramente temporário, o sistema as pessoas alienadas se comportam como se fossem animais fugidos de um zoológicos ou mais precisamente loucos escapados de um manicômio a fazer o que Bocage pediu para colocar em seu epitáfio (e não pôs) comer, beber e foder até jazer sem ter dinheiro, a anarquia do ponto de vista do estadismo, desordem total não a ordem social que auto emerge de pessoas finalmente livres do seu arcabouço para exercer suas responsabilidades. O sistema se autoalimenta e autojustifica, inclusive não cortando asas, mas deformando personas e personalidades, institucionalizando pessoas que uma vez domesticadas se comportam exatamente como se conta e espera de bárbaros e selvagens não civilizados dentro dessa visão de mundo. E se não o eram, a comparação com o estado manicomial não é casual, porque você entrar e nascer são que não importa, sairá como se espera, dependente da tutela e tratamento, vigilância e intervenção, remediação para o resto da vida.

O ser humano, a sociedade estatizada não se cura meramente privatizando e desestatizando-a. E ainda sim é um modelo corporativo necrófilo falido, que continua, a devorar a natureza e a humanidade que demanda uma saída imediata, e não, não é Marte. Ao menos garanto não para esse nós, que é para quem escrevo essas palavras. Sim, nossa terra não é plana, mas por isso mesmo vamos dar voltas e mais voltas de um ponto a outro, para nos encontrar exatamente nos mesmos lugares comuns, que hoje salvos águas internacionais, todos que são terras firmes tem donos e mesmo essas águas são reivindicadas a ferro, fogo e forças armadas pelas maiores potências. Não existem lugares para sonhos e utopias, nem piratas nem libertárias. E se você acreditou que o mundo virtual era o caminho onde as idéias eram a prova de bala, e as criptografias inquebráveis e as novas primaveras dos povos, feitas com redes sociais e celulares, então se esqueceu de um detalhe: as ideias são à prova de bala, as pessoas não.

E um tirano não precisa sequer nem de onde vem o informação ou desinformação, ele só precisa passar o corretivo. É como o pai que pega a criançada fazendo barulho no quarto, nem precisa saber quem fez o que desce o cacete em todo mundo, indiscriminadamente e profilaticamente. Todos são suspeitos e culpados até que se prove o contrário? Pouco importa… O importante é que onde a carne é vulnerável, violência, a primavera dos povos sempre serão o prenúncio do inverno das guerras e holocaustos de regimes totalitários. Porque o verdadeiro empoderamento não está no poder, é o seu contrário, é o fim das vulnerabilidades que o ensejam. De tal modo que quanto menor a vulnerabilidade social maior o empoderamento de fato, o resto é punheta, é ilusão (massa de manobra de algum projeto de poder) que se não é anterior à manifestação, certamente emerge oportunisticamente a partir das janelas criadas por ela e novos tiranetes e salvadores surgem. E os antigos revolucionários ou correm para debaixo de suas asas, submissos, ou jazem nas prisões dos velhos drogados e torturados dos que desafiaram.

Não, não se quebra esse ciclo vicioso com novas gerações. Ao menos não como novas gerações dentro das mesma mentalidade apenas com velhas ideologias recicladas. Em verdade, nem com novas ideologias, porque ideologias e ideólogos são o velho modelo de mentalidade, é o nó górdio que precisa ser passado a fio de espada e não reformado a navalhadas filosóficas, seja simplificado a navalhas occanianas, seja popperanas para ser passível de ser falseável, e logo passível de ser empiricamente comprovável, (pelo menos até que se prove novamente cientificamente o contrário).

Não. Não precisamos de mais uma revolução científica. Até porque já tivemos uma. E ela já deu o que tinha de dar. Nasceu, cresceu, amadureceu, envelheceu, acomodou, virou uma filha da puta, e se vendeu, se acomodou em seu território, e virou um velhaco ganancioso e agourento. E é claro, isso só um arroubo de retorica hiperbólica. Porque a ciência não é uma entidade, nem uma instituição. São pessoas que nascem, crescem, amadurecem, degeneram e morrem e elas não são um organismo único. De modo que assim como no trabalho, há gente “trabalhando” e gente trabalhando. Há gente fazendo “ciência” e ciência.

E nisto proliferam muito da confusão e descredibilização onde cresce o oportunismo dos vendedores tanto de sabotagem e desinformação quanto de obscurantismo e fundamentalismo incluso reciclado de eras de trevas passadas. Alguns doídos, outros charlatões descarados, não importa. Porque num determinado ponto o charlatão também se perde na sua própria mitomania e aí vai toda a manada pro desfiladeiro em ordem, unida, quando não em disparada pra cima dos incautos.

A canalhice da Boing oferece um excelente exemplo para separar o joio do trigo. Você tem razão para desconfiar do Boing 737 Max, e mais ainda da Boing, colocou no ar sabendo que podia cair, caiu, jogou a culpa no outro, negou até onde não podia, negar mais, etc…, procedimento padrão da pschio-corporativismo, já tratei à exaustão esse assunto em outros escritos, básico e generalizado. Enfim, a “opinião pública”, seja lá que entidade seja esta, tem toda razão para não acreditar na industria e companhia aéreas, os putos em crises, são como qualquer empresário em crise, vou a falência, ou boto bromato no pão? Bromato na caralha do pão e depois a gente paga para ver ou negocia para não pagar porra nenhuma. Bussiness. Trouxa de quem engole essa propaganda. Agora, há uma distância entre não confiar na industria e companhias aéreas, e não acreditar que o homem não é capaz de voar, ou mais precisamente que os aviões não funcionam ou que não são um meio de transporte seguro, ou melhor podem ser, mas se não submetemos a interesses pecuniários escusos, onde o custo do rompimento de uma barragem e mortes é menor, do que sua construção bem feita, então o problema não está portanto na ciência, ou mais precisamente na engenharia aeronáutica, nem mesmo nas ciências contábeis e econômicas, mas nos interesses que ambas ou melhor que seus detentores estão submetidos.

O mesmo raciocínio básico vale para problemas ainda mais abrangentes e absurdos como a vacina. Não confunda industria e companhia farmacêuticas com a ciência da micrologia e imunologia que fundamenta as vacinas . Sim, com essas ciências é possível produzir não curas, mas doenças incluso como armas. Assim como uma industria farmacológica pode produzir nem uma coisa e nem outra, produzir até placebo, e vender criminosamente chamando-o de vacina. Mas isso não é ciência, e assim como os aviões da Boing que cai ou não, frango com salmonela, prédio ou barragem para arrebentar, isto não são negócios, são crimes devidamente senão legalizados, devidamente acobertados e subsidiados pela leniência de um estado feito justamente para produzir, acumular e redistribuir as riquezas das nações. E se você a essa altura do campeonato não sabe para quem, escreve uma cartinha para o papai noel, o papa, ou para o leão da receita federal que um deles te responde.

Mas é venda casada, e os casamentos servem para isso mesmo. O açougueiro nem parece mais um abatedouro, mas um laboratório de ciências avanças na propaganda, não o nazi, mas o da Nasa (esqueça a Operação Paperclip). E assim enquanto a ciência empresta sua credibilidade a fundo perdido para quem não paga, mas vive de tributos, incentivos e isenções e resgates, também perde seu capital social e toda reciprocidade popular. Confiança e reciprocidade também se capitalizam. E como nada é de graça, o que se ganha em paga, se perde em crédito e credibilidade, mas pode chamar moral.

E no vácuo da moral, perdida, outra moral se instala. E dá-lhe terras planas e meias fedorentas abençoadas, até porque, na lógica, dos capitais, essa gente não tem capital para pagar pelo tempo dessa gente de ciência, nem que eles queiram trabalhar para eles, porque não são livres docentes e pesquisadores, mas em geral empregados.

E mesmo assim, a ciência continua a produzir conhecimentos absolutamente extraordinários. Tem muito a dar e continua dando. Mas seu enfraquecimento a afastamento junto às massas populares, não se deve só ao fato desses “artistas terem se vendido para as grandes companhias”. Serem uns bando de Justins Bibers, fazendo pílulas para deixar velho asqueroso de pau duro, e bostas afins em diferentes áreas. Longe disso, o pecado venial é muito mais original. Está entranhado nos próprios limites intrínsecos do pensamento científico. E se deve principalmente a autodelitação dos campos do conhecimento que covardemente foram deixaram para os vendedores de mitos e monstros transcendentais continuassem a ditar as leis e guiar as massas de alienados incluso para limpar suas gloriosas bundas e latrinas enquanto se ilustravam.

A revolução das luzes parou no empirismo e materialismo. Se contentou com a materialidade e concretude do mundo físico, abandonado o metafisico para filósofos e teólogos, ideólogos, idiocratas e alienistas em geral continuassem a ser os senhores absolutos desse mundo que não é outro senão o do absoluto desconhecido. Ok. Estou sendo injusto, faltavam as ferramentas que o próprio avanço do conhecimento especialmente no campo da física, psicologia, biologia e matemática proporcionaram no século XX, para que agora no século XXI enfim pudéssemos enfim não fingir que o plano da metafisica simplesmente não existia, mas era outra fronteira a ser adentrada de olhos bem abertos como a da fé na razão. Ou se preferir imagens bregas com a luz da fé da gnose em uma das mãos e a espada da lógica na outra. Ridículo.

Mas desse pacto dividindo a gnose em fé e razão, criando dicotomias incontornáveis, criou-se esse ser moderno não apenas quebrado, mas facilmente quebrável e aliciável para todos os fins. Avançar sobre esse campo do desconhecido é por sinal o que já se começa a fazer, como uma revolução cientifica que irá ultrapassar o próprio paradigma cientifico, incluso com o desenvolvimento de novos métodos tanto empíricos quanto lógicos não apenas mais complexos, para lidar com a entropia, mas para lidar com a construção de sistemas cujo equacionamento da previsibilidade não envolvem mais a presunção de determinismo, mas justamente o pressuposto oposto que longe de ser o mero indeterminismo envolvem o reconhecimento da autodeterminação como fenômeno constante e espontâneo em todos planos macro, micro e ordinários de uma força elementar que se manifesta como padrão de todas as formas de existências como possibilidade, mas pode chamar pelo nome que damos quando presente nos seres dotados de ânima ou vida: liberdade.

A revolução científica, enseja portanto outra revolução: a epistemológica. A revolução do paradigma do pensamento e visão sobre a matéria e phisis, enseja necessariamente a revolução sobre o pensamento e visão do próprio pensamento que vê e pensa não só a matéria e a phisis, mas reflete e repensa seu próprio logos enquanto psique. Uma revolução não só da ciência mas da consciência, da lógica não só sobre os objetos que se conhece e desconhece, mas sobre o próprio sujeito que concebe portanto o conhecido e desconhecido, o que é luz e trevas, o que é material e imaterial, e sobretudo o que é gnose e a agnose. E isso afetará duas partes da produção e aquisição e transferência de conhecimento:

primeiro no processo criativo e inventivo conceitual que hoje é uma caixa preta: ou quase… a concepção das hipóteses e proposições, fruto da imaginação ou cálculos e raciocínios inclusive computacionais por enquanto só naturais tão rápidos e instantâneos, que não podem ser meras respostas a dados concretos que ainda não chegaram ao aparelho sensível, mas predição ou antecipação, apostas fruto de processamento proveniente de dados que coletados em níveis de percepção da informação, onde o espaço-tempo não é portanto a conexão entre os seres e fenômenos não funciona exatamente da mesma forma, leia-se velocidade. O primeiro, um campo da heurística. O segundo da física quântica, que combinados, servem para formar, entre outras coisas a computação quântica. Que entre outras coisas, serve para reproduzir em escalas ainda bem rudimentares, uma capacidade humana e animal ainda negada pela ciência, como parapsicologia- que fora charlatanisse que ronda tudo que é marginalizado, não tem nada de paranormal nem sobrenatural. A capacidade de fazer projeções a partir de leituras da nossa sensibilidade em relação aos campos que constituem a materialidade de todas os seres e logo os conecta para além dos tempos e espaços percebidos em determinado espectro da percepção. Ficção? Nem científica. Não mais.

O título da matéria é sensacionalista. O computador não voltou no tempo. Nem produz moto contínuo. Ele alterou a entropia interna do sistema (e não se engane certamente ao custo da externa), mas as implicações da criação desse demoniozinho de Maxell, onde a informação de fato volta ou melhor se teletransporta como uma xícara quebrada do chão para a mesa são imensas. Para começar as mundanas: toda a solidez da segurança em que se baseia a nova cibereconomia se desmancha com a capacidade de processamento dessas máquinas. O fator tempo para quebrar qualquer chave desaparece, e uma senha que levaria bilhões de anos para ser descriptografada poderia não se sabe mais em quantos (poucos) instantes ser quebrada. A IBM famosa por histórico de colaboração com as atividades filantrópicas mais importantes e impactantes da humanidade já está na parada. Fica a dica.

Entretanto de longe a implicação mais importante, boa e ruim, é outra: a abertura da capacidade interna que abre para rearranjar seus bites de modo a espelhar estados passados e futuros da realidade. Isso não vai apagar os fatos, mas vai dar um retrato probabilístico muito mais preciso dos estados de possibilidades tanto passados quanto futuros de modo a fazer cálculos e predições muito mais precisos e inclusos de cadeia de eventos não só sequer ocorreram. Isto permitiria fazer premonições? Não. Porque esse computador precisaria estar conectado a rede de informações correta e como nós ser alimentado pela nuvem com a mesma capacidade de processamento.

Mesmo as mais avançadas redes neurais artificiais ainda que interligadas, não conseguiriam superar a capacidade de processamento dessa outra rede neural que naturalmente interligadas compartiham uma infinitude de conexões dentro de um mesmo campo ou melhor rede (do qual também são nós), sem sequer precisar enviar uma única mensagem, apenas por estarem imersas nesse mesmo organismo o universo, mas pode chamar de espaço-tempo.

Mas nada que um pouco de falta de ética não resolva e um coitado dentro de um turco mecânico agora quântico não resolva para fazer essa ponte ciber-simbiótica. De modo que enfim, que as máquinas possam não só computar heuristicamente, mas sonhar e ter as visões que constituem a pedra fundamental de todo saber cientifico, a hipótese a ser testada. Porque ver que a terra plana é fácil, imagina-la redonda, sem jamais ter circundado é de ser uma dedução feita a partir de hipóteses ou experiencia, é uma intuição feita a partir da imaginação, imaginação composta tanto de fragmentos do real, enquanto memórias, percepções, mas sobretudo, esse espírito do espaço-tempo que se está imerso, que pode não ser exatamente o mesmo das pessoas que o cercam, mas o de outras há muito distantes seja no passado ou futuro. Pois dos infinitos objetos que uma pessoa pode pensar, parar, imaginar uma o que veria se estivesse se movimentando exatamente a mesma velocidade da luz e olhasse para ela. Você pode colocar um computador para perfazer todas as possibilidades de criação e combinação aleatória de conceptos como um velho programa de xadrez, que ele ainda sim não irá conceber tal insight para uma cosmovisão. Já o demônio de Maxwell em forma IA, quando finalmente esses engenheiros se tocarem que existem uma rede e uma vida é preciso conectá-los ao campo dessa (in)consciencia coletiva para criar inteligencia… aí não serão outros quinhentos, mas outros milênios. E a pergunta de Philip K. Dick finalmente fará sentido…

Mas não vamos perder o fio da meada. Foco. E digo e escrevo isso mais para mim do que para o leitor. Senão já era. Vou-me embora. Como aliás fui…

Aqui, a seta do tempo que pretendo inverter é muito mais despretensiosa, é a dos contratos sociais. E despretensiosamente, é a palavra, porque é só para encher o saco, mesmo. Só como gancho retórico para chegar até onde realmente me interessa a pulsão de morte. Mas vale a pena.

Contratos sociais, são uma das bases das luzes do racionalismo. E se a cartas magnas viraram, a constituição, a bíblia de muita gente, e logo os supremos tribunais, os novos sumos sacerdotes, pode porque há em algum lugar na codificação dessa velha programação ficou um falha onde esses vírus, ou parasitas puderam se (re)instalar no organismo ou sistema operacional tanto faz a metáfora, o mal é o mesmo. Curioso portanto falar em ciência política, quando contratos sociais, são antes de tudo o exercício da imaginação, aplicada, mas ainda sim, imaginação e inventividade de homens posta empiricamente à prova. Progressos inegáveis. Mas e agora o que fazer se a engenhoca começa a falhar, unir-se ao bando dos dementes e gritar: God´s will!!! Ou Ala Akbar!!! Dependendo por qual grupo de fanáticos esteja encercado. Ou sei, lá é Corinthia, porra. Vai que cola. Não, muito século passado… Se calado for apanhar, melhor ir com uma sharia provinciana mesmo, porque o Brasil é provinciano, na dúvida grita mito ou lulalivre… é meio a meio de chances não se fuder. Bobagem. Se você já está na situação que precisar gritar algo para todo mundo ouvir, então não grita, corre e para bem longe daqui (se puder), porque você foi julgado faz tempo, senão por gestos, por aparências.

Fala-se em ciência politica, mas ciência se faz sobre fatos e fenômenos, incluso os antropológicos, e contratos sociais são convenções e não condições preestabelecidas nem por deus nem pela natureza. Porque a única natureza não só dos seres humanos, mas de todos os seres é justamente adaptar-se e antes disso de preferência adaptar todo o resto a ele, para tudo e sobre tudo manter-se como está. Melhorar, por vezes vem de um acidente da necessidade, ou quando não de uma compulsão adquirida não por virtude, mas pelos piores vícios para não dizer taras e manias. Diria que na natureza, no jogo da sobrevivência, vale a máxima “em time que está ganhando não se mexe”, mas nunca se está ganhando, todas as formas de existência estão sempre degenerando e decaindo, mais rápida ou lentamente, relações internas ou externas, de tal modo que o que alguns chamam de mutação aleatória, outros veriam como mudanças constantes absolutamente necessária que se intensifica não por acaso justamente quanto mais aumenta a pressão por mudanças.

A política e economia, longe de ser objetos da observação e estudo, mas são objeto antes da inventividade e imaginação por óbvio não da imaginação sobre o que não se pode concretizar, mas a idealização em sobre o que há de fato e de concreto tanto como não só como possível mas como o que se edifica e sustenta em um razoável período de tempo. E claro num espaço ou território suficiente para tanto. Para tanto, filósofos contratualistas usam de um expediente similar dos cientistas teóricos ou vice-versa, experiencias mentais. Nessas experiencias mentais chamam esses territórios regidos por suas regras ou leis de estados de paz ou civis, e todo o espaço ou tempo anterior a este, de estado de natureza. Nisto não inventaram nada de novo, porque a ideia de que existe uma civilização para dentro dos muros das cidades onde impera a lei e ordem enquanto a condição barbara e selvagem, reina a similaridade do mundo selvagem e natural para o bem e para mal fora, é muito anterior a invenção dessa oposição do estado de natureza versus o civil. Porém é deles que esses filósofos vão desenvolver a partir da formação de arquétipos distintos da natureza humana, seja o do homem lobo do próprio homem hobessiano, seja o bom selvagem rousseanino, passando pela apropriação lockeana a ideia de contratos sociais distintos, mais absolutistas e monarquicos, mais socialistas e coletivistas, ou mais liberais e particularistas. Embora, os regimes de fato, assim como os governos e instituições tenham permanecido, mais como um retrato da psique particular quanto coletiva da própria sociedade do que dessas teorias, mantendo portanto traços de todas essas características que determinam seu caráter, comportamento e personalidade desse corpo artificial muito mais pela prevalência de um desses caracteres determinantes do seu “caráter” do que qualquer um deles isolados como princípio ou logica interna.

Descrevo breve e porcamente, não só porque há farta literatura de qualidade sobre o tema, mas por uma razão ainda, mais importante, na verdade nenhum dos dois modelos nos interessa, senão como mera introdução, porque como disse, vamos passar a espada neles. Basta saber que os contratos sociais são baseados em experiencias mentais que partem de um estado de natureza do homem para construir um acordo, onde os problemas desse estado de guerra e violência e brutalidade são superados, por um estado civil e de paz. O problema desse modelo é que esse ser humano bom ou mau, se é um existiu concretamente, não existe mais. Não há matéria-prima. Trabalhar com um modelo que idealiza ou mesmo problematiza a gênese da humanidade não ajuda em nada. Monstros, anjos ou santos, ou nem tanto ao céu ou ao inferno, tão condição humana não existe. Assim como também não existe o ser amoral que é só uma barriga, que anda, um réptil, ou verme, que se deixar como até seus filhos, salvo é claro degeneração patológica da pisque gravíssima congênita ou adquirida. Mas fiquemos, com o estado mais provável, o que salvo o desvio padrão o ser humano não nasce cobra criada, propenso a violência? Claro. Domesticável? Com certeza, óbvio, senão não teria sido. Mas, nascido predestinado a ser um psicopata, ou imbecil desde o berço, aí, já é uma tese que não se sustenta, porque não haveria sobrevivência possível, antes da advento da tutela dos idiotas aos idiocratas. E sociedades sem estados como as primitivas, não seriam um estado brutal, mas impossível, na qual a espécie humana teria se extinto, um tentando comer gente, o outro buscando ou sentado esperando quem lhe guie pela mãozinha, mas que no fundo vai lhe comer em todos os sentidos civilizados ou não da palavra. Mesmo não querendo, ou achando que não… É o paradoxo do evangelização do missionário colonizador que tentando, ou melhor fingindo para ele e si mesmo e seus senhores, salvar os nativos do seus estado, converte-lo, os mata com seus germes incluso os culturais.

Logo a ideia de uma experiencia mental, a viagem antropológica para as origens do homem, é um tanto quanto inútil, porque o desafio tanto presente quanto futuro, se já não era, agora com certeza é outro. O dito homem natural se existe é um morto que anda. No corredor da morte, do inevitável encontro com seu semelhante. Quem sobreviveu desenvolveu imunidade, ele ou seu organismo se adaptaram, aprenderam a conviver, nem sempre de forma sã e sadia com a imundice e insanidade, ou eliminaram as ameaças modificando seu ambiente, o que também não os torna necessariamente mais sãos e saudáveis, nem tão pouco invulneráveis as mesmas ameaças foras de suas condições artificiais de vida, que não deveriam ser confundidas com as sociais, como sugere erroneamente as nomenclaturas da experiencia mental.

Diria que os seres humanos já não são mais só dependentes da vida comunitária, mas da vida social. Poderiam viver sem Estados, sem corporações impondo e cobrando servições públicos a base do monopólio da violência num território e guerreando uma como as outras para manter a liderança e controle da sua macacada. Mas não sem sociedade. E talvez, e digo talvez porque não quero subestimar a capacidade dos seres vivos e da vida em se superar, não conseguissem mais sobreviver em pequenos grupos comunitários isolados, ou nem mais quisessem se fosse para voltar a viver assim. Logo para não ser tão fatalista ou predeterminta reformulo, hoje, salvo exceções, não só não conseguimos viver, como não temos nem queremos nos conceber vivendo fora da sociedade, muitas pessoas ou mesmo grupos discriminados vivam a margem ou a parte dela. Estar fora, dentro ou fora dos muros, é certeza consciente ou não de uma sentença de morte da gene e legado onde só o quando é a dúvida. Sabemos que não podemos viver sem os serviços prestados uns aos outros não só na forma de trocas e voluntariamente, mas involuntariamente, os valores que se agregam espontaneamente pela mera e simples convivência.

Contudo o regramento do viver em paz, está profundamente ferido de morte. O ajuste onde A explora e tutela B. Degenerou tanto A quanto B, que já não conseguem sobreviver nem mais fora, nem consegue viver em paz dentro de um suposto projeto de estado de paz, cercado por fronteira e muros que dirá de humanidade, que dirá então sem fronteiras e muros, sem querer fagocitar suas diferenças, ou então se matar. Convivência não é uma terceira hipótese, por uma simples razão, o mundo nunca foi, nem se ele os recursos fossem infinitos, para quem não quer nada menos do que tudo. Tolerância é empate. É ter dois senhores sob a governar um mesma terra, e isso o o primata do monopólio da violência territorialista não consegue viver com. Ou o vencedor leva tudo, ou ele não é o vencedor. O segundo lugar, é o primeiro dos perdedores. Essa não é a mentalidade predominante, mas é a a mentalidade hegemônica dos que predominam por supremacismo. E aí de quem não pagar culto e obediência e reverencia tributos a sua (pré)potencia manifesta em ameaça e enfim demonstração de força de fato. E o mundo concreto, incluso o virtual sempre é refeito a imagem e semelhança da suas projeções simbólicas. é por isso que o deus e o mundo dos triângulos não têm 3 lados, mas tantos e quantos lados tiver a figura que ditar as suas formas e se tiver 4, o divino e mundano será quadrado, ainda que o mundo seja redondo e tudo que é sagrado esteja sempre além dos ditados, ditadores e suas pretensas formas. Tal que se é ditado ou tem forma logo não é sagrado. Mas isso é uma outra historinha do ilusionismo e conversão de massas…

E se você acha que isto é o fim do mundo, se engana, não seja tão condescendente com nossa condição. na média, é claro, ainda dá para piorar mais…

No texto anterior, pintei um cenário desolador, ou melhor, pintei não. retratei por que não usei de imaginação. Mas de pequenas amostras da nossa realidade. Agora sim, quero pintar com o exercício da experiencia mental um retrato ainda pior, não porque seja sádico ou masoquista, ou um misantropo, mas pelo contrário, porque mesmo acreditando, acreditando não, tendo a certeza que o sonho acabou, continuo ainda mais otimista, ou talvez ainda mais realista e pragmático em relação ao potencial do ser humano, humanidade, liberdade e cosmopolitismo. Um potencial e vocação que não só é capaz de superar os problemas atuais, como é capaz de lidar com um estado de coisas aparentemente impossível de ser transposto, que habitam nossos piores pesadelos, e atormentam nossas camadas mais profundas do inconsciente, e que de matéria farta justamente a mitologia e ficção de terror apocalíptico, com destaque para a contemporânea. Dos mortos-vivos, epidemias, guerras, desastres, invasões de seres superpotentes, clássicos reatualizados.

Medos, alguns baseados evidentemente em projeções de cenários da atuais, baseados nas tendencias de alta de cenários que ainda sim permanecem em relação a suas alternativas como baixas probabilidades. Outros, o que aqui, interessem, como matéria-prima para a experiencia mental, nem isso, apenas projeção dos medos mais profundos não só uns dos outros mas do que cada um de nós pode ser tornar, e tem se tornado, a grande metáfora do terro do homem contemporâneo: o zumbi, o apocalipse dos mortos-vivos. O matar e morrer devorando e sendo devorando, ainda vivo mas já sem consciência não só mais o estranho e distante, mas até o ultimo dos seres vivos, incluso, os entes mais queridos e próximos. O espalhar e controle final dessa epidemia de alienação do homem como lobo do próprio homem, onde não basta furar os olhos uns dos outros, mas o que fazemos simbólica e nem tão simbolicamente assim e controlada uns com outros, de preferência bem longe dos olhos da consciência, vem a tona nesse pesadelo, trazido como sempre pelo mito e ficção, como reflexão sobre nossa natureza, ou melhor desnaturação viral.

A mente é muito mais poderosa que nosso ego, ou mesmo que nosso superego acredita ou e seus manipuladores gostariam de acreditar. Nossos sentimentos mais profundos enterrados sempre encontram uma forma de vir a tona, e nem sempre de uma forma sã e sadia. Ou da forma doentia socialmente esperada, ou tolerada.

Não não vou deduzir o estado de paz, a partir de um apocalipse zumbi. Mas é tendo em mente o que há de racional, por trás desse medo irracional que pretendendo compor a experiencia mental. Esse mal estar da civilização, que já não consegue controle seu medo, e declara guerra não mais a seres, mas ao seu terror. Coisificando pessoas como os monstro a serem abatidos as portas de sua terra para preservar seu sangue e gene vivo, percebendo ainda que de forma inconsciente, que vão se tornando o mostro que enxerguem nessa vida permeada pelo pesadelo do terrorismo transforma em realidade. Antes da violência, e da dor, é a tortura, a antecipação do medo e terror, a chave da degeneração que torna pessoas livres a massa aforma pronta para introduzir o código, a massa aforma a ser moldada seja como monstros, servos, ou carne sacrificial.

O terror é a ferramente de guerra psicológica, propaganda e logo domesticação por excelência. Ele paralisa, tortura, deforma, e aquele que é torturado natural ou artificialmente por dores insuportáveis, sabe que a dor, a humilhação é algo que se acostuma, mas quando ela, periodicamente suspensa, criando o suspensa e a triste mistura que compõe tanto a esperança quanto o suspense do momento do se ou quando a tortura vai recomeçar, esse é ponto onde o ser humano quebra. Se a tortura, violência, violação, dor se prolonga por muito tempo e intensifica o ser humano apaga ou morre, mas se ela pára, se o ser humano tem um instante que pode voltar a respirar, pensar e quiça esperar, ele vai esperar, e se desesperar e experimentar o medo de uma forma completamente nova de certeza quanto a realidade: o sujeito dessa experiencia vai experimentar o terror não como ficção, mas como real, a medo não será uma mera expectativa, uma duvida ou certeza razoável, mas o seu estado permanente de espirito, que mais do que o sentir e pensar estará agora entranhado na sua gnose da sua condição existencial, sua fé no que esperar da vida, destino e sentido. E enquanto uns acordarão acreditando que o sol nasce para todos, mais precisamente, sequer pensam sobre esse tipo de coisa, porque não existe razão para duvidar nem desduvidar disso, ele só tem um certeza razoável: não para ele, o terror o governa o que lhe espera se não é o sofrimento, é a luta contra ele. E tal condição que em principio brutaliza, num dado momento quando as forças vão se esvaindo, apatiza. Tal que o individuo que volta de cada sessão, que nunca volta por inteiro, num dado momento, nem mais está propriamente ali. Tal que o maior sofrimento que leva a acabar com sua própria vida, não é enquanto luta, mas quando volta dela, e se dá conta que ainda pior que o terror, é a apatia que quando não transforma os seres em monstros prontos a devorar também o alheia apaga toda a filia e afiliações que constituem os afetos que ligam esse corpo que anda aos outros seres. E quem está vivo, se vê então literalmente como um morto, porque até sente dores e prazeres, mas eles já não significam nem dão sentido a existência. E não adianta ter pernas porque esse individuo não irá mais levantar, não mais sozinho, não mais por livre e espontânea vontade, não por amores, não por seus amores, mas pelo absoluto terror do que virá quando o apito tocar e se esse apito significar levanta e anda, senão… O problema portanto não é a miséria, mas a condição miserável que internaliza, inclusive para quem aparentemente tem tudo, menos o essencial força de vontade própria para governar não os outras mas a si mesmo, e não ser governado pelos desejos de crianças tirânicas mimadas que cresceram, envelhecem, apodreceram, mas não amadurecem, a começar pelo ditador ególatra-mor: ele mesmo. Porque não se engane não importa quão gigante seja o poder de um tirano, ou a servidão de uma vassalo quando voluntária: ambos são governados pela mesma covardia que os faz avançar contra quem podem e rastejar e servir contra quem não podem.

O terror, como ficção é revelador, quando a narrativa contada para pessoas dotadas da capacidade (e informação) para discernir a real da ficção, ou seja adultos, ou pelo menos adultos não infantilizados e imbecilizados pela desinformação. O que não é um problema da narrativa ou do conto, mas do sistemas de transmissão da informação tanto para a conformação de crianças em futuros adultos permanentes infantilizados, quanto da própria da comunicação da realidade propositalmente fictícia, ou feita como se fosse um espetáculo indiscernível da mesma para os mesmos propósitos; afinal, enquanto não se estabelece o monopólio dos canais e mídias de comunicação, o confundir e não explicar ganha prevalência como estratégia incluso porque para definir quem há de prevalecer sobre quem.

Não é portanto a toa que a comédia e os comediante volte a ser medievalmente volte a ser a grandes vilões desse novo mundo. Não estamos na guerra do terror, mas na guerra do terror, e quem ri em filme ou peida na com a boca missa ou na escola é herege, e vai de castigo. Ademais, eles estão mesmo despostos a não deixar nada engraçado. Calando todo que tente ridicularizar a seriedade do monstruosidade absurda novamente não só com a banalização, mas normatização e normose do absurdo da monstruosidade: a morte com regra prevista em lei a ser comemorada com orgulho nacional e não como falha ou exceção a ser encoberta como vergonha da humanidade.

Perversão pior não há. Pior do necrofilia. É o necropoder: quando os mortos encarnam no corpo e ideia dos mortos-vivos para foder com o resto de vida não só dos que mal conseguem sobreviver, mas do que nem nasceram ainda. E no que dependerem deles, não nascerão jamais. E veja só que lindo, em nome da soberania, autodeterminação, e até mesmo da liberdade, da liberdade! dos povos.

Ok. Vamos trabalhar é isso o que temos. Vamos trabalhos com isso. Ou melhor vamos passar um corte nisso. E recompor tudo, só que ao contrário. Ao invés então de propôs um contrato social baseado na gênese da humanidade, vamos inverter essa seta, vamos partir desse final apocalíptico hipnótico, dessa degeneração, da humanidade projetada como aviso pelo nossa inconsciente coletivo, e construir o contrato social, partindo desse estado que não queremos terminar e ser humano que queremos ser, e que (lembre-se é um experiencia mental) estaríamos decaindo para construir o modelo ideal, o norte.

Construção de um estado de paz ou civil portanto, é antes de tudo, e sempre uma idealização, que se por ventura ganha a concretude das práticas e quiça dos ritos e costumes regrados, continua remetendo constantemente o real a conformação esses ideal que pode ser tanto uma projeção do que se supõe como era a natureza ou como por ventura ela deveria ser. De tal modo que este estado ideal de como as coisas deveriam ter a noção do que é certo, passa tanto a compor a noção de justiça, quanto o próprio direito desse ou melhor nesse estado de paz. É portanto sobretudo uma noção, baseada num ideal, que por sua vez, se assenta por sua vez, num projeção ou de um passado ou de um futuro, que busca dar legitimidade ao estado de coisas, ou aos meios necessários, por princípios ou finalidades, por uma gene ou gênese, ou céu que como objetivo final se busca atingir, ou evitar, incluso perder o suposto caminho em direção a sua progressão, mesmo que enquanto ideal seja sabido que nunca se chegue propriamente lá.

Neste processo, a ideia portanto de um direito seja ela natural que antecede a convenção social dos homens, ou positivo que é um produto do seus contratos e acordos, passa a ter prevalência sobre a mera força de fato, ou a próprio posse de fato das coisas como fonte da legitimidade sobre a legitimidade não sobre as coisas em si, mas sobre a definição das coisas em si, e logo, portanto da sua posse.

Por exemplo, dos contratualistas que remetem ao estado de natureza e logo portanto aos e direitos naturais do homem, de longe a pressuposto mais interessante é do Locke, e a da apropriação lockeana, que tanto admite a posse particular daquilo que não pertence a ninguém, quanto ao mesmo tempo admite tendo isso estado disposto como bem comum a todos, que viriam depois deste é justo, que esse homem, contribua com uma parcela dos seus ganhos sobre sua agora propriedade particular. O modelo sobre o qual se erguem as democracias liberais.

No entanto como disse, há um problema a legitimidade dos direitos naturais e ele fica claro, quando invertemos, a experiencia do mundo como ele deveria ser projetando-a para uma origem que nunca houve, e analisamos tanto para o que ele realmente é, quanto para os n cenários do que ele pode realmente, incluso ditos os apocalíticos a partir desse modelo. Seja a legitimidade do direito de apropriação particular quanto a legitimidade do dever atrelado a esse dever (todo direito tem logicamente um, senão para com outrem, para consigo mesmo): o de contribuição com a coletividade que ele implica: ambas ideias, se baseiam num equívoco quanto a proveniência da força que faz dos direitos e deveres naturais uma lei. E repito, esse é o melhor modelo, e não o pior.

Direitos e deveres naturais em verdade não precisam ser impostos, porque embora a punição da lei da natureza seja por vezes muito lenta para seres desinteligentes perceberem sua ação, é sempre certa, isto se forem de fato uma lei natural. É como se jogar de um abismo. Por vezes ele pode ser tão profundo que o individuo, ou no caso a coletividade, nem percebe que já era, mas o fato, é que ninguém precisa punir o idiota ou bando, quer eles tenham percebido ou não, eles já o fizeram, e na natureza a punição para a maioria das imbecilidades é a seleção natural é a morte. Aliás punição, não porque há que se lembram que ninguém, empurrou, mas quem pulou lá atrás foram eles, ou no caso, nós. Essa é a força dos direitos e deveres e leis naturais. São leis que demandam, observância e obediência, não porque tenham tiranos ou despostas cagando regrinhas, ou as alterado ao seu bel prazer, mas porque as faltas tem causas e sobretudos consequências que não precisam ser impostas, mas que já estão dispostas como fundamentos da vida para quem sabe viver, ou da morte para quem não. De tal modo que as leis humanas façam ou não referencia a esses direitos e deveres naturais, se não edificadas em observância a estas são como edificações sem engenharia, condenadas a cair, e não há boa vontade que substitua há falta de fundamentos e pilares, nem muito menos força bruta que substitua a arquitetura.

O que torna tais sistemas no mínimo curiosos. Porque ao mesmo tempo que toda legitimidade não emana da posse nem da força de fato, isto é não é porque alguém detenha algo, o ladrão, ou porque ele seja simplesmente o mais forte e poderoso, que seus ditames e mandamentos esteja correto, muito pelo contrário, o dito estado civilizado é justamente caraterizado, por essa distinção: nem sempre o que é, é o que deveria ser. Esses estados de paz não conseguiram de fato escapar da solução primitiva, não só por falta de tecnologia, mas antes de tudo por falta de uma visão pragmática de que não podem depender de tal solução se quiserem realmente deixar tal estado de desinteligência, a força bruta, ou mais precisamente os monopólios da violência que edificam, mas no melhor das hipóteses inteligente se ameaçam e dissuadem mutuamente com destruição mutua, o que como solução, está longe bem longe de ser tanto uma arquitetura minimante inteligente que pare de pé dirá um o diz ser: um estado, e de paz.

Não há possibilidade de paz, enquanto as estruturas que se buscam construir não atingem uma capacidade de invulnerabilidade em relação ao poder destrutivo alheio suficiente para tornar quem antes era adversário, não só em objeto de cuidado, mas em sujeito de emancipação da sua violência. Qualquer outra ideia ou é fantasia de paz, ou tara de guerra disfarçada de uma coisa ou outra com outros nomes, por óbvio.

Evidente que a posse da força de fato é absolutamente necessária para aplicação de um ideal onde o sistema que o garante não está invulnerável à violação e violência. Assim como é evidente que não e nem pode ser a mera da força de fato a fonte da legitimidade nem a convenção dos homens a revelia do direito natural e lei da natureza a fonte da legitimidade dos seus estados de paz. Contudo, se de um um lado não podemos cair no pragmatismos de utilitarismo e positivismo do outro o jusnaturalismo como norma ou proposição moralmente ideal ou moral também é tão vazio de força de fato quanto qualquer credo, vão-se os crentes e credulidades, a casa cai. Não é portanto, de surpreender que na prática, embora a 2 mais 2 sejam 4, e a terra ser redonda não seja uma mera convenção mais a representação simbólica de um fato, tais proposições no final das contas careçam do mesmo método de quem prega o oposta, se a ideia e ideal, dentro da arquitetura do sistema são só uma narrativa, então são tão vazia práxis, conteúdo e ethos quanto a própria falsificação ideológica do real e natural.

Se o método de validação da verdade e legitimidade é o mesmo. O resultado final é o mesmo. Ou em outras palavras. Pouca importa se o individuo ou o coletivo se joga no poço sozinho ou porque os outros se jogaram, ou não caga mais nele, porque ensinaram a não fazê-lo, se o humano na média não for capaz de entender a capacidade de raciocínio para deduzir SOZINHO que não deve pular no poço, cagar no poço, e sobretudo que sempre havendo gente não só vai pular, cagar e se uma vez pulando e cagando vai ter sempre outros macaqueando o alheio, não podemos viver a vigiar nem de adestrar uns aos outros, que aprendamos a construir poços que não precisem ser vigiados, nem cagados, e sobretudo e mais importante- por que isso não é o suficiente- poços onde gente sabendo que sempre haverá quem se joga e caga, irá buscar novamente abrir o poço para fazer desses coitados a sua fonte de posse e poder. Vendendo essa fabrica de loucos seu grande negocio, onde nos vigiamos, nos encarceramos, nos matamos, quando todo que precisamos fazer é começar a deixar os bens comuns bem longe das mãos não só de quem não sabe o que fazer com eles, mas de quem sabe muito bem manipular tanto eles quanto gente, criando não só problemas e necessidades onde eles não existiam, mas problemas e necessidades que antes sequer existiam.

O jusnaturalismo desprovido do necessário utilitarismo decai em no mesmo dogmatismo do positivismo e se não está sujeito as mesmas arbitrariedades das leis positivas dos homens se impõe assim ou assado porque assim o querem quem detém a força de fato, ainda assim, se torna uma imposição ou vazia porque que carece dessa força de fato mundana para valer ou é uma mera utopia, porque ao contrário a ciência politica ao contrario não produz tecnologia fundamentada nas leis e forças da natureza para engendrar e alimentar a dinâmica do seu aparelhos estatais, mas as forças mais primitivas de exploração de produção política e econômica. De tal modo que se aparelho estatal o motor politico do sistemas socioeconômico não é sequer um automóvel, mas uma carroça, puxada por bestas, tocada a cabresto chicote e mantida a ração. E logo os ditos direitos naturais ou humanas são normas a serem aplicadas a quem sente sentado na carroça, gente de bem, extensíveis no máximo a quem a toca e não a quem a puxa. Ou não há força motriz para mover essa joça. E nego, nego não branco, ainda chama essa porra de ciências humanas. Quando não é uma coisa, nem outra. Puta troço porco, enfeitado, perfumado, mas porco. E coitado dos porcos que não nasceram em chiqueiros, nem currais.

Logo, um direito natural como ao bens comuns não é um direito natural porque pertencia a todos como defendem os românticos ou idílicos de onde de tudo era de todos, ou pelo contrário nada era de ninguém, ou de quem pegasse primeiro, tomasse do outro, ou conseguisse manter até outro tomasse seja porque mais forte, ou porque dormindo no ponto, alguém mesmo mais fraco tomasse dele as vezes junto com sua vida, como diria por sinal com razão Hobbes. Mas porque cada uma dessas lógicas daria por caminhos distintos exatamente no mesmo lugar, a extinção. O bem comum é direito natural é uma tentativa de traduzir para a linguagem da lógica das relações pessoais e sociais humanas a lógica das causas e consequências naturais que na falta de instintos de gregários que previnam a imbecilidade de cairmos nesses vícios, podem ser deduzidos raciocínio, por exemplo através da observância da expectativa de vida reservada aos indivíduos e hordas praticantes exclusivamente tipo de estratégia de “sobrevivência”. Ou dos custos atrair não só cooperação, mas até mesmo competidores em livre mercado quando não sabe dividir sabiamente o premio com ambos. Um custo que pode ser por vezes não apenas alto, mas a cabeça do vencedor, pela aliança entre seus aliados com seus derrotados. Saber perder não é fácil, até para não cair servilismo. Mas saber ganhar é mais difícil ainda, porque é muito fácil sentar no trono da conquista e perder a noção que distribuir os ganhos é essencial não só para pavimentar as próximas conquistas, mas para não perder o que já foi conquistado. Percepção básica até mesmo dentro da visão autoritária de mundo, mas que se vai se degenerando pela própria contradição do autoritarismo que lhe é inerente e que primeiro lhe engessa e envelhece um regime e depois o mata. Maquiavel gostaria que os déspotas fossem capazes de se adaptar a qualquer circunstancias, mas se assim o fossem não seriam e nem poderiam ser mais despostas, não imporiam instancias conforme suas condições independe das necessidades alheias disporiam condições conforme as circunstancias e sempre em respeito as necessidades do outro. E é por isso que esses regimes que a imagem e semelhança dos que matam como querem, também eventualmente um dia morrem como não querem. O que não é consolo.

Tal capacidade de adaptação absolutamente necessária a seleção de todos organismo incluso os sociais, por definição não existe nos monopólios, sobretudo o da violência, os estatais, mas nas sociedades, nas associações que tem em sua origem antropológica a produção e as trocas voluntárias e não a pilhagem, o sequestro e a guerra, por mais que tal aparelho tenha procurado se civilizar e evoluir, em essência continua o mesmo, e em tempos de crise volta as origens digamos vocacionais, mostra os dentes, e tributa e se rearma com voracidade para preservar seu corpo, órgãos corporações e toda fauna que dele vive e nele habita ou orbita e sobretudo graças a prospera.

Assim sendo o direito natural não é nem precisa ser fundamento dogmaticamente. E por consequência o dever social que se fundamental sobre tal direito natural idem. de tal modo que quanto se diz que uma pessoa paga uma parcela do que é sobre sua propriedade particular porque parte dele está assentada sobre o que antes era o bem comum de todos. Isto não é feito propriamente porque ele tomou a propriedade de uma pessoa imaginária, ou um coletivo fictício, como se supõe quando se projeta essa experiencia mental para o passado, supondo é claro que ele não seja de fato um expropriador, uma ladrão e assassino que depois usa a lei para legitimar seus crimes. mas sim um apropriador natural. Alguém que se assenta e produz onde não havia de fato ninguém e faz daquilo sua propriedade. De quem, o primeiro, tomou, é obvio e evidente. Mas o segundo, sua responsabilidade, seu dever do qual deriva seu direito é outro. Ele tem uma responsabilidade que sequer incide sobre o passado, mas sobre o futuro. Não é um ladrão. E seu dever não é de restituição. Mas sim o de preservação e contribuição para o bem comum. Não destina uma parcela dos seus ganhos aos demais porque eles carecem, mas porque a eles pertencem, e carecem ou irão carecer se o que lhe é de direito por necessidade de subsistência e por consequência paz for garantido. Porque só antes do direito a posse, há o direito a vida, e só duas formas de manter o direito a posse intacto a posse intacto, porque não é possível extinguir o instinto de preservação da vida, e logo a luta de quem vive pela sobrevivência:

  1. mata-se o carente. Ou
  2. permite-se que se alimente.

Minto há um terceiro.

Alimenta-se desde que ele trabalhe para você.

O único problema desse terceiro. Fora a parte que pertence a ele que é da subsistência, e que não pode ser dada nem tirada mediante trabalho, porque é escravidão mediante carestia. E roubo mediante privação primitiva do bem comum. E que mesmo estão bem com sua consciência sendo um ladrão escravagista é que se a conta não fechar, e nas terras da sua tribo não tiver tanto trabalho para esse povo, que só come se labutar o sistema quebra. De modo que hoje mesmo canalhas, já entenderam que até num sistema de exploração do ser humano pelo ser humano é melhor não matar o burro, nem correr o risco de ser morto por eles. E estabelecer um limite humanitário, ou se preferir um limite à desumanidade das misérias, tal que não é sobre a fome que se empurra as massas para a labuta, mas a ganancia que é universal.

O problema nestes casos, é portanto outro. Acaba-se com a miséria, mas não se acaba com os miseráveis que continuam a crescer. Um problema demográfico como diria Malthus. Ou os naziecologistas. Muita gente, e de pouco pedigree, para pouco Planeta, leia-se recursos para mesmo estilo de vida e padrão de consumo. De tal modo que não falta quem prefira, o viva de deixa morrer, ou até mate, castre ou ponha-o para se matar, porque no planilha o progresso é o mesmo e a desigualdade social vai embora seja redistribuindo riquezas de A para B. Ou simplesmente matando B. Porque agora A é o conjunto universo da humanidade e a pobreza de B, não diminui mais os índices de desenvolvimentos humano. Pois é, índio morto não faz filho, e bancar o civilizado e progressista ao preço de pedido de perdão pra genocídio de povo extinto não custa nada… literalmente.

Mas voltemos para a noção, de propriedade e apropriação lockeana que fundamental as democracias e economias liberais, que no final das contas não reclamam do Estado, mas não conseguem viver sem um, porque precisam do seu aparato, no mínimo como estado minimo, ou estado policial, mas pode chamar feitor, que empurre e policie e tribute e eventualmente se mais prodigo jogue os restos para da mesa para que os desesperados e carentes se mantenham na linha trabalhando ou procurando emprego e não decaiam na criminalidade ameaçando sua propriedade. O estado guarda noturno e carcereiro para os mais revoltados e distribuidor de sopão e empregos bosta para os mais obedientes que deveria ser pequeno porque cuida do “lixo” da sociedade, mas que inevitavelmente sempre se torna enorme, não só porque é um corporação com interesses intestinos próprios e que se alimenta desse “lixo”, mas porque esse modelo de sociedade tente a transformar cada vez mais gente em lixo, e depender cada vez mais da policia, encarceramento a medida que a renda e propriedade se acumulam e desigualdade crescem e crescem subsidiadas pela redistribuição reversa e intermediada pelo Estado.

Sociedades e famílias ricas não crescem porque são canibais, essa já é fase do gigantismo que prenuncia sua degeneração e decadência, se o fossem desde o principio se desintegrariam, ou se comeriam antes de crescer, ou encontrar gente para se perverter parasitar e canibalizar. Antes precisam se integrar e a integração, é baseada em confiança e reciprocidade, numa moral que precisa estar presente até não só em organismos, mas até em corporações cuja finalidade é matar, como tropas, até soldados que não tem entre eles a certeza que seus companheiros não vão atirar nas suas costas ou abandoná-los não sobrevivem que dirá uma sociedade. Quando observamos nações gigantescas a se movimentar sem essa solidariedade o que estamos a ver é dinossauros a se moverem como galinhas sem cabeça, eles se movem pelo gigantismo de seus corpos, mas já estão mortos… e ainda não sabem.

O principio redistributivo que carece da força de fato, isto é carece da imposição de estado. E não da disposição de uma sociedade para constitui-lo como seguridade mutua, não é uma constituição de um contrato social, é a constituição de um mera sistema de tributação e redistribuição de rendas e como tal não tem a força necessária para estabelecer pactos social, mas carece da impostura e da força bruta estatal e sua corrupção para se sustentar. Um modelo de transferência de responsabilidade social e expropriação de propriedades fadado a ser expropriado e utilizado para outras finalidades as governamentais e populistas, que não são as sociais nem populares. Porque as representações não são coisas representadas, nem no mundo das ideias, nem muitos menos dos ideias constituídos como instituições representativas dos ideais. E trouxa de quem não coitado e ainda sim caia nos jogo de palavras.

Pois da mesma forma que o escravagista não tem lucro se tiver que trabalhar pondo para trabalhar os escravos, isto é, se num dado momento o escravo não estiver devidamente atemorizado e domesticado para fazer seu trabalho sem que o dono precise mais força-lo, também a sociedade precisa num dado momento conseguir fazer o que sua responsabilidade sem que precisar impor-se uma força coercitiva, seja da vigilância de um poder maior seja ainda pior do estado de vigilância de uns sobre a vida dos outros, porque na qualidade de débeis mentais que não conseguem levantar e andar sem apito, ou burros de carga sem cenoura na bunda ou na boca, neste estágio de desumanização generalizada não há tutela, autoritarismo, nem educacionismo que resolva. Quando a exploração da miséria e desinteligência atinge esse grau de desumanização, não tem volta, nem remédio. Pode montar sua arca de Noé, e nela preserve o fundamento para que o quando o diluvio baixar um verdadeiro estado de paz possa ser celebrado: que antes de ser um mandando é um sentimento de solidariedade. Do qual derivam não só os códigos. Mas suas decodificação. E que portanto dele carecem as pessoas para seu entendimento.

Não adianta nada preservar todo o conhecimento e códigos do mundo. Se as pessoas que os vão receber já perderam a capacidade de inteligi-los e processá-los, isto é, decifrá-los. E decifrar, não é reproduzir, mas ser capaz de recriar por conta própria o código de tal modo que aquilo que significa para quem o cifrou também faça sentido para quem o decifra, ou o que é a mesma coisa remeta a um realidade comum, que dará sentido tanto ao que ele quer dizer quanto as suas ideais e ideais nem tão comuns assim. Um mundo onde os sentimentos empáticos estão embotados, as palavras e códigos são tão reais quanto unicórnios, ou no máximo dinossauros, existiram mas só restam os fósseis. Paleontologia emocional.

Há um substrato gregário intuitivo na ideia de direitos naturais de bem comum, do qual a ausência dessa capacidade intelectiva mínima não impede só a compreensão desses conceitos, ou a capacidade de entendimento racional dessas teses, mas fere de morte a capacidade do individuo de se importar com os seres e fenômenos que ela trata, ele caga e anda com as coisas, vai lá querer saber dos seus sentidos significados? Foda-se. Essa é a pisque. Logo faz sentido você não precisa explicar duas vezes, para quem se importa com algo as causas e consequências de uma ação, desde que o objeto em questão tenha alguma importância para o sujeito, ou até mesmo explicar o valor e importância de um dado objeto, mas tentar atribuir tais valores e importância a quem não tem e sobretudo não quer ter nenhuma ligação sensível. Isso é uma loucura, porque todos os significados e sentidos por ele não são outros e alheios mas querem sê-lo, e pressupor que a vontade de poder de convencer pode suplantar esse querer é o ápice da prepotência, nesse sentido até mesmo os tiranos mais megalomaníacos e psicopáticos são mais realistas e pragmáticos, sabem que isto é impossível, e para realizar suas fantasias de poder e controlem apelam para a força bruta.

E não é toa portanto que observemos que tanto um quanto outro método, tanto a manipulação contra a brutalidade ainda sejam empregados de forma tão ostensiva e massiva. É triste, é monstruoso, mas por um outro o sinal do quanto ainda, há de potencia humana a ser reprimida, iludibriada e pervertida e no fundo temida.

É por isso, que por exemplo que quando se diz que a posse do bem comum é um direito natural. E que dever de quem detenha uma propriedade particular contribuir com parcelas do seu rendimento com a coletividade porque ela está assentada sobre o quem antes ou outrora foi de todos, ou seja um bem comum. Esqueça o antes ou outrora. Pode se concentrar, no agora e no agora que vai se acumulando como agoras, com juros e correção monetária, o amanhã. Porque o bem comum continua sendo comum por necessidade para quem está e que chega. E seu único bem ou interesse comum, mesmo que não haja mais nenhum sentimento solidário ou gregário, disponível, é o de como as coisas eram, mas de como as coisas podem ficar, as consequências, os riscos envolvidos numa distribuição burra das mínimos vitais que definiam o que era de direito natural dos seres vivos, antes de haver direitos e vão continuar a defini-los se um dia esquecermos o que é são direitos não em norma, mas causa e consequências. Uma má distribuição ecológica ou econômica dos recursos vitais quebra o equilíbrio ambiental ou do tecido social que sustenta o sistema seja ele natural ou artificial.

Uma concepção pobre dos seres e suas propriedades, que não anda com suas próprias pernas vai precisar de muletas, que no final das contas tornam o sujeito definitivamente aleijado e dependente e não oposto. Uma sociedade incapaz de conceber uma contrato social onde a propriedade lhe pertence como direito e responsabilidade social, inevitavelmente decai numa sociedade que transfere esse direito ou esse responsabilidade para um organismo externo que no final das acaba por engolir as duas coisas seja suas propriedades tributando-a para cumprir as responsabilidades que não assume mas transfere, seja expropriando de antemão as propriedades para impor-lhe como obrigação tais responsabilidades sociais e si não o papel de servidor, mas o de tutelador. Nos dois casos, o fim é o mesmo. Tutela e expropriação tributárias e trabalhistas progressivas na inversa progressão do autoritarismo e miséria e perdas da liberdades tanto políticas quanto econômicas.

Novamente uma questão de propriedade. Um erro clássico de todo soberano, incluso das sociedades que vão perdendo sua soberania para governos cada vez mais autoritários é transferir comodamente a administração dos seus problemas, acreditando que está se livrando de um custo ou peso quando em verdade. Uma coisa é delegar funções, outra é perder o controle da sua administração da sua propriedade, e naquilo que em que se é mais vulnerável. Quem assim procede não vai ser só roubado, vai ser deposto. Se é que algum dia foi livre, isto é governou de fato alguma coisa que fosse igualmente de fato sua.A começar pela sua própria vida. Daí, o patético e risível das castas que que acreditam que estão sempre ganhando toda vez que se apartam do povo para externalizam um custo econômico e transferir sua responsabilidade social para o governamental, melhor seria logo a alma ao diabo porque o custo politico seria menor. E a sociedade que transfere sua responsabilidade social muito antes de morrer encabrestada e abestada nas base, morre de debilidade mental nas cabeças. Há quem lute para ter posses e possibilidades para poder assumir responsabilidades e conquistar liberdade, e quem os tendo as entrega em troca de conforto sem perceber que a posse sem o ônus da propriedade sem o ônus da responsabilidade, inevitavelmente implica na perda tanto da propriedade quanto da condição concreta que ela propicia a liberdade, seja porque pela tutela dos irresponsáveis devidamente governados, seja pela queda dos irresponsáveis desgovernados incluso por vezes pelo desgoverno dos seus tuteladores. Afinal nada garante que o tutelador tenha mais interesse, responsabilidade ou capacidade na coisa alheia principalmente quando amalgamada e generalizada como publica que o próprio, muito contrário, em geral é menor, pelo menos até se apropriar em definitivo, não raro por meios corruptos, autoritários (ou ambos) dela como se fosse sua. Porém daí dizer que cada um tem o governo que merece, já é maldade. Pois se há um falta capitais, há outros falta anima, não por acaso comprada e vendida e devidamente reprocessada como gana e colocada como mercadoria por esse mesmo capital. De tal modo que não falta e não pode faltar não é só mão-de-obra barata, mas também devidamente qualificada em não só em vender-se, mas vender o outro enquanto tal, o traficante e cafetão liberdades e dignidades, o arrombado que não raro está sempre pronto para transferir o ônus da sua riqueza como legado da sua miséria não só ao próximo mas para uma próxima geração, incluso por vezes sua própria prole.

Logo para estabelecer esse estado social, precisamos superar o estado não de previa degeneração da humana. E para tanto precisamos, entender como funcionaria tanto a consciência quanto a inconsciência tanto de cada ser humano em particular quanto da rede, a coletividade, precisamos montar essa matriz a partir, do seu átomo, simular suas forças ou pulsões primordiais que como padrões dão formas suas estruturas, organismos e enfim entender sua dinâmica, para verificar como e porque esse cenário se gera e portanto se degenera.

Devemos descobrir qual caminho deveríamos seguir, sem nos importar de onde viemos, ou quem somos. Porque é está justamente a questão, dane-se. Se assim o foi, ou é, ou mesmo caminhando para ser. O ponto de partida não é determinação do futuro, pelo presente ou passado, mas pelo e para o futuro, não o que o idealizado, mas aquele que construirmos justamente através como o única utopia possível, pela negação e superação, apropriação e rearranjo e construção pragmática de todas as possibilidades que estão postas e impostas e que sabidamente não são as que queremos para ele.

Um processo que é implica na medida que implica numa mudança de visão de mundo também é naturalmente o produto de construção coletiva. Algo que se observarmos, ainda que lentamente já vem acontecendo em diferentes iniciativas e modificando esse campo dos padrões de visões e pensamentos e sobretudo ações que definem nos só o tempos ou eras da humanidade, mas seus espaços de ocupação e relação onde vivem ou se matam. Se discriminam, incriminam, apartam, desintegram, ou se solidarizam, pacificam e enfim se integram para também se sacrificar e morrer mas com um mínimo denominador e senso comum de liberdade que dá sentido a vida tanto particular quanto coletiva, liberdade que na qualidade de condição tanto material quanto espiritual, tem nome próprio: dignidade, o mínimo denominador comum libertário, mas pode chamá-la de direito natural a vida em liberdade, o direito que fundamenta o estado de paz, a legitima defesa e revolução contra a miséria da tiranias, o direito a propriedade inviolável e soberana de cada pessoa como proteção contra todas os tipos de privações, e sua responsabilidade que antes de ser social é humanitária e natural igualmente indelegável e intransferível de também manter sua proteger sua liberdade. Idiotas desprovidos de inteligencia empática que em breve se autodestruirão o fazem só com armas e muros afastando gente e bichos famintos e desesperados das terras que ele ocupa pilha e destrói. Psicoidiotas um pouco cegos e tarados, ligeiramente assassinos e suicidas, tendem a entender que não basta preservar um minimo de espaço ambiental e recursos vitais para quem o cerca e o alimenta, mas que é preciso certificar-se garantir e prover pela logica dos capitais a partir dos seus ganhos e rendimentos, para que tenham o suficiente para viver em paz, principalmente se já se apropriaram e transformar em capital e comeram a maior parte do era antes bem comum. Isto se não quiserem ser comidos ou terminar depois de se matarem mutuamente comendo uns aos outros dentro de seus estados-burgos mesmos simbólica, civilizada e politica corretamente é claro. Armas e muros não contém solucionam esse problema, porque esse não é um problema ético, moral nem religioso, humanista, de direito natural, nacional ou religioso, é tão simples como comer pregos, cagar onde come, ou trepar com primos, se os mandamentos ou costumes ou seus pregadores professassem a favor, as consequências e portanto o dever permanecer exatamente o mesmo. Muito embora agora a autoridade chama esse dever de desobedecer e não mais obedecer a lei, já quem a desobedece por estupidez ou ignorância, corrupção, tanto faz, a desgerência dá na mesma merda, é ela.

Ambiental ou social, a lógica é mesma, muito embora gente não seja bicho, nem deva ser tratada como tal, nem bicho é tratado com o minimo respeito e responsabilidade que é devido a todo ser vivo, que dirá então o ser humano. Todo ser vivo, por ser vivo tem direito a vida, e se isso não é um monte de palavras vazias, significa que quem quer detém os meios de vida detém a responsabilidade da provisão do provimento na exata medida da extensão do sue controle politico e econômico, isto é, da sua propriedade de fato sobre o que é base da provisão da vida e liberdade e logo alienação exploração criminosa de ambos via sua regulação da sua privação, a base do capitalismo que não se sustenta através do livre associação e competição para produção de riquezas, mas da exploração e reprodução e monopólio violento da miséria para a manutenção de monopólios da privação, mas pode chamar de economia politica da tirania e miséria, ou corporativismo tanto o estatal quanto o privatista, por sinal inimigos no espetáculo da opinião público, gêmeos fraternos e amantes incestuosos nas alcovas palacianas.

O socialista de estado é um oportunista. O liberal é mais do um burro em sua mesquinhez é acima de tudo um chorão e cagão. Reclama de seu estado tributador é um ladrão, mas não vive sem seu estado policial que só cresce. Chora de raiva dos corruptos, mas abraça como qualquer crente socialista o primeiro populista salvador da pátria, só para vestir o chapéu de corno. E não adianta gritar que não é manso nem é conformando, porque continua corno e a procurar outro projeto de poder disfarçado de nação que o chifre. Viver num mundo estatizado é viver num mundo onde não já sabemos que papai noel não existe, mas não conta todos fingimos que acreditamos, nem por tradição por medo de encarar o que é, ou melhor tudo o que não significa o Natal, especialmente nos outros 364 dias do ano.

Fala que o estado não faz nada direito, mas deixa a sua conta nada menos que o mais importante de todas as funções de uma nação, cuidar da arrecadação, destinação dos orçamentos, serviços públicos, e proteção e soberania e provisão do minimo vital que por sinal sequer consta como a base do contrato social, muito embora se existe qualquer razão para que pague um imposto que não seja um roubo descarado seja esta, como arrendatário, como direito de participação sobre uma parcela os ganhos e rendimento dessas propriedades. Um valor que portanto jamais poderia ser imposto, mas que deveria ser objeto de livre negociação permanente entre as partes já que tanto aquele que paga quanto quem recebe não ter o poder de autoridade para sonegar nem extorquir, mas a liberdade para abandonar sua parte nesse contrato social, sem estar com uma arma legalizada contra sua cabeça, o proprietário a não pagar tributos que não acha que deve e o trabalhador a não servir em suas propriedades sem receber o que considera justo, mas sobretudo antes sem antes cada cidadão receber de todas as propriedades publicas ou privadas o que é devido como membro da sociedade e dono de fato e direito do patrimônio da nação, o rendimento igualmente da arrecadação dessas propriedades sem o roubo de atravessadores e intermediários políticos.

Em verdade o Estado do Futuro não precisaria ser um Estado sobre um território, mas vários em livre competição. E se pensar isso sobre a forças armadas é por demais utópico. E é. Deixo toda a infraestrutura da prestação de serviços sociais e públicos civis, a cargo dessa experiencia mental. Pegue toda a arrecadação perdida no custo político, retire para a manutenção dos serviços ditos essenciais. Distribua diretamente para a população e permite que ele contrate e pague diretamente seus serviços sociais incluso do aparelho estatal agora descentralizado. Funcionários outrora públicos, receberão mais, livres dos parasitas políticos e máquina que carregam, serviços mal prestados ou sequer prestados agora não serão reclamados ou cobrados mas financiados diretamente pela população, que como individuo pode não ter o capital, mas livre para se associar pode não só constituir mas financiar o serviço que lhe falta e de acordo não só com sua demandas.

Há quem diga que eles não tem capacidade de tomar essas decisões sozinhos. É possível, mas sem o exercício do aprendizado da liberdade nunca vão apreender, e o pior quem não é capaz de tomar essas decisões sobre seus interesses, também não é capaz de discernir os discursos de quem irá resolver seus problemas que não consegue entender. Uma armadilha. Onde o individuo não sabe escolher seus representantes porque está alienado da vida pública delega e transfere seus problemas para terceiros, e está alienado da vida pública porque a única coisa que lhe permite fazer é delegar e transferir seus problemas para terceiros, isto é perpetuar sua alienação da vida pública, como prática cidadã, e ainda chamar isso de festa da democracia. Ser um idiota, carimbar e ainda comemora senão vem a ditadura, que já não era mais ditadura, é ditabranda. É foda? É foda, mas não reclama, senão de curro ainda mais, tá ok?

O único objeção verdadeira, é que muita gente vai deixar de trabalhar. E vai mesmo. Com o fim do subsidio a exploração do trabalho por privação da subsistência, corporações e empresas, incluindo crime organizado não legalizado não irá mais contar com esse incentivo a industria da miséria, esse seu setor improdutivo que subexiste de externalizar custos a sociedade e competir com empresas que respeitam e não exploram criminosamente o trabalho, até quebra-las já que não tem como colocar um produto mais barato, que o mais barato de todas as mãos-de-obra, a escrava disfarçada. De tal modo que esse não esse escravidão assalariada disfarçada de trabalho que não só não vive da miséria, mas quebra setores produtivos da riqueza, não arrecada, mas pelo contrário onera tanto para manter seus ganhos tanto subsidio fiscal e “trabalhistas diretos quanto custos sociais vai pro lugar que lhe pertence: pro inferno junto com as casta politica que lhe serve. Enquanto nosso povo expropriado da sua terra, politica e econômica finalmente tem renda para deixar de ser seu gado e participar da vida pública desse pais, compondo de fato o que o brasil nunca teve um mercado de trabalho e consumidores, e não de endividados e escravizados por essa canalha de parasitas que vendem a própria mãe, o filho, e se ficam para semente até os neto.

Mas e se eu estiver e errado, e se as pessoas institucionalizadas como loucos desvairados, sem seus tutores saírem prontas para roubar, matar, pilhar, e parar de trabalhar e viver apenas se empanturrando e drogando? Bem, então, rigorosamente voltariam exatamente para o ponto onde nos encontramos. Porque de duas uma ou o mundo cão é um mito, e portanto estamos nos defendo de inimigos imaginários, e logo não precisamos das defesas que temos, não na desproporção atual. Ou o mundo cão é uma realidade, e se é uma realidade a solução atual não está funcionando, e melhor seria começarmos a parar de brutalizar nosso semelhante nas bases, mas de nos desumanizar nas cabeças, permitindo que tenha condição tanto econômicas quanto politicas de se emancipar e assumir suas responsabilidades ao invés de subtrai-las para transferi-las a terceiros, fazendo-o da baixa sociedade escravos, e da alta os idiotas por mérito e excelência, o servo voluntário por corrupção e definição, que ainda canta em verso e prosa sobre educação, como se o processo de aprendizado, fosse feito sem o substrato do campo de dados do acerto e erros da experiencia. E enquanto nega e renega não só a seu semelhante mas renuncia as condições para aprender como seus erros da experiencia da vida social e pública, não só paga e alimenta o aparelho estatal e corporativo continuar aprendendo-a a otimizar a aliená-lo com mais eficiência de bom grado com suas supostas falhas.

É com certeza o problema da sociedade, uma criança com uns 50 100 ou 1000 reais por mês basal para sobreviver, é a delinquência juvenil que nasce sem pai e não raro morre sem deixar legado, e não a impunidade senil, tradição parasitária dinástica que se transmite de pai para filho junto com o produto do latrocínio e pilhagem legalizado ou pero no mucho.

Mas não há absolutamente nada de novo nesta visão do direito natural e dos contratos social. Exceto que a garantia da provisão do seu usufruto do que foi seria, ou é um bem comum, esse imperativo da responsabilidade social como dever redistributivo proporcional as posses e as carestias longe de carecer de intermediadores que apelem para a força de fato, precisa dela na pior das hipóteses para impedir que aqueles que se beneficiam da tirania e escravidão marchar contra as pessoas de quem esse estado de paz realmente precisa, gente de paz dotada do mínimo de sensibilidade e inteligencia solidária para integrar de fato uma sociedade livre. Sociedade portanto que não precisa ser tutelada nem governada, mas que por principio e definição e objetivo se governa, porque não é o propriedade de outrem, mas co-proprietária do seu mundo que todos carecem. A temida anarquia dos tiranos, ou mais precisamente a falta dos cabrestos deles, os despostas, mas pode chamar de democracia genuína, de gente livre, constituída da igualdade de autoridade sobre o mesmo denominador comum no qual a igualdade não é só mas absolutamente imprescindível: a liberdade. E Liberdade não abstrata, mas concreta sobre a única propriedade basilar que é de fato coletiva o patrimônio de uma nação, do qual sem a posse e controle não passa de um colônia ou assentamento, quando não campo de concentração de gentes sob a posse e controle de fato outros, e que sem a garantia do seu usufruto na medida das necessidades vitais de cada pessoa, não é garantia de liberdade basilar nenhuma, a bendita de dignidade mínima de não morrer, não matar e não ser morto, por não ter, ou por alguém não ter como sequer sobreviver. Afinal para viver e morrer como bicho, não precisamos pagar nem perder tempo pensando muito pra isso, isso de fato é de graça e já vem no pacote da vida.

E se todo aqui parece girar em torno de uma utopia, é porque é uma utopia, enquanto a matéria-prima desse que não se contrato social que não se sustenta pelo apelação e subsidio do que é imposto pelo monopólio da violência não está a disposição para construir, ao menos não em tijolos e argamassa suficiente para erguer uma casa que dirá um edifício para essa nova sociedade. Porque se a metáfora do poço da impressão de a arquitetura desse nova sociedade que a infraestrutura e superestruturas das sociedades são feitas de classes, instituições, arcabouços ideológicos nos quais se encerram as mentalidades e corpos das pessoas, é porque a espada não fez ainda seu devido serviço, quebrou o paradigma. Não são as pessoas que se encerram nos arcabouços ideológicos das classificações e institucionalizações, roubando suas anima como força motriz, mas são o individuo que enquanto átomo, como unidade fundamental desse universo e sua livre vontade como força dinâmica fundamental que movimenta a rede desse organismo social. De tal modo que as disposições e obstruções antes de serem arquitetura da codificação do sistema ou da própria concretude ágoras, polis e urbes, é sobretudo o novo padrão ou logos da arquitetura da psique que e ethos desse ser humano que é a fonte dos contratos sociais vivos e não o reprodutor dos contratos sociais dos necrófilos e necrófagos. Feitos e mantido pelos que vivem para preservar os direitos próximas gerações. E não entre mortos e os que vão morrer mas não encaram, ao sacrifícios dos que vivem, e dos que nem nasceram e serão sacrificados e dos que sequer nasceram porque já foram sacrificados para que eles pudessem se perpetuar artificial e necrofagicamente um pouco.

Na revolução epistemológica a fonte da verdade nunca está no que escrito, mas na verdade que se lê do livro da vida, naquilo que se precisa escrever. Daí que as soluções prontas, são sempre efêmeras e provisórias quando não absolutamente urgentes, quanto mais correspondentes com a atualidade da realidade, e as verdades permanentes tão evidentes e absolutamente evidentes como a necessidade da renovação, que a negação e contrariedade se explica mais como a própria necessidade da mesma, isto é, a incapacidade em fazê-lo que implica em desintegração e extinção do organismo ou seu padrão, é em si, a própria renovação não dele, mas da vida. O fim de uma estrutura obsoleta que não consegue mais se adaptar e evoluir e que acaba se autodestruindo nessa instinto contraditório que é o de preservar a todo custo sua forma de vida. A força geradora de vida, cumprido mais uma vez sua função, agora porém como pulsão de morte.

Portanto se é sobre átomo desse social , e a pessoa humana que se edifica, e não as estruturas sociais, é dentro do núcleo desse átomo que encontramos as forças fundamentais que alimentam toda a química dessa física. As pulsões que hoje estão degeneradas e pervertidas que servem para construir aquilo que consideram monstruoso na humanidade, e que por isso mesmo por estarem alienadas para ou por conta de finalidades outras, são as forças incluso de vontade não politica ou econômica, mas social solidária e gregária, são a desinteligência que sobra e a inteligencia que falta para que esses modelos não parecem descrição de quadros coloridos para cegos, ou música para surdos, ou dores do mundo imaginarias para barrigas e picas ambulantes.

Quando a realidade se torna uma alucinação, é preciso cortá-la, não com navalhas, mas com espadas, porém não com brutalidade que só deixa ruínas, mas cirurgicamente, com método e sobretudo cuidado para preservar os fundamentos que edificam e que estão sequestrados. Há que se cuidar sobretudo dos métodos, porque neles que se perdem não só princípios, e as finalidades mas os próprios sujeitos que longe de ser os sujeitos e a força motriz da sua da autodeterminação da sua história, são agora engrenagens de um jogo histórico que não conseguiram reescrever propriamente como a sua.

O tempo não é feito de contínuos, mas de ciclos e revoluções. E o que se chama de um estado, nada mais é que senão uma era, a constituição espaço e no tempo, a materialização do que outrora foi avento revolucionário e o princípio conservador desse avanço, mas que se perdeu a capacidade e o propósito de conservar não só as criaturas, mas a criação, o próprio motor da vida, deixa de ser um estado de paz, promoção e preservação da vida, para ser um estado perverso e pervertido e sobretudo fadado em última instancia a autodestruição de toda vida daquilo que já está velho, morto, apodrecido, obsoleto, mas que insiste em manter sua posse e poder nem ao custo da própria vida e sua geração. Mais do necropoder, isso é a fantasia da necromancia, prolongar a sua integralidade artificial da sua existência material, ou dos corpos materiais, ao custo do sacrifício e não raro holocausto de novos vidas. Uma materialidade que perseguindo a conservação da própria formas só faz se desintegrar neste câncer que é a fonte do seu poder, mas também da sua autodestruição. a perversão da pulsão da vida como pulsão de morte.

E é sobre essa pulsão tanto em sua condição são como uma doença que segue o escrito e que encerra essa reflexão. Porque é na compreensão dessa força motriz tanto como Eros quanto Tanatos que reside a formação de novo paradigma epistemológico, ou se preferir uma nova consciência, na pior das hipóteses minimante menos vulnerável portanto a manipulação inconsciente dessas pulsões instintivas, na melhor, capaz de se apropriar e empoderar dessa força motriz da vida, para construir uma cultura preservação da vida e da paz e não de ídolos e mitos e entidade feitos a imagem e semelhança dos senhores da guerra da morte e discórdia.

Revoluções só são violentas, só são uma guerra de gerações quando, tudo que cresce não amadurece nem se emancipa, e continua se comportando, como se tudo vivesse em função da preservação da sua vida, e não compreende, que num dado momento, os papéis se invertem, e ele que precisa se sacrificar para que novas vidas ganhem o mundo. Só que não. Não é essa ordem natural da vida que governa o mundo. Mas a ordem que pretende enganar o tempo e a morte, vivendo em vida e em morte através do outro. Um parasita material que sonha em ser histórica e até metafisicamente transcendental, mas que vive preso em um único arcabouço: o medo da morte, física e espiritual a desintegração do seu ego, do eu como corpo, descendência, legado, memória. O medo da nulidade existencial, que por sinal ele já concretizou enquanto saco sem fundo ou buraco negro que tudo suga sem produzir nada, além de expandir sua existência sem sentido por si e para si, fechada em si mesma. Minto, tem uma finalidade: o principio da conservação que se expande destituído de outra finalidade que não o conservar seu padrão consumindo tudo que o cerca, acabar com tudo, incluso com si mesmo. É a morte não só de si mas de uma rede, que se desfaz para recomeçar. E eis que aquele que desesperadamente tentando preservar exatamente tudo como está, alimenta o paradoxo daquilo que exatamente tenta destruir, a vida, se desintegra o que tenta maximizar, e a vida emerge não só da contradição, mas da própria nulidade mais uma vez, não porque precise dos idiotas que se autodestroem e renegam a vida para criá-la e construir o novo. Tanto faz, o principio gerador da vida por definição não precisa de nada para se autogerar, pelo contrário quem precisa dele, não é a fonte mas quem é por definição embora fantasie controlar a vida, matando e manipulando, querendo ou não, continua a ser um ser que é um ser gerado pela vida, e não que se cria a si mesmo, não a partir do nada, ou sequer da negação da geração da própria vida. Perder-se desse logos que antes de ser uma razão, ou um senso comum, é um profundo senso de sentido pertencimento a vida, que vai além da mera pulsão de sobrevivência, reprodução. É perder a vontade de viver que não deixa jamais de ser inconscientemente o saber e logo vontade de morrer por algo que faça algum sentido. E é aqui que entra em cena a perversão, quando esse algo deixa se ser o sacrifício voluntário da própria vida para preservar a geração de nova vida, para ser o sacrifício e holocausto de vidas alheias sobretudo as novas não só para dar prolongar as velhas, mas para conversar seres e entidades que não só morreram, mas que de fato jamais tiveram de fato vida, taras e fantasias, que se perpetuam mesmo depois de enterrados os monstros, e não adianta sumir com os túmulos ou suas múmias, por que a loucura não habita o cemitério maldito das suas covas, mas da inconsciência coletiva dos nossos cultos e culturas de idolatria ao sacrifício aos psicopatas como força suficiente para impor suas taras incluso do inferno. Porque os monstros podem ir para o diabo que os carregue, mas ficam-se os traumas que domesticam e fazem as pessoas a vagar como cachorros abandonados em busca de um novo dono e senhor. Como se pode ver, pelas personas e personalidades que governam e regem o mundo, muitas delas que não tem nem mais sequer propriamente vida por definição, dado que são a própria encarnação da fantasia de perpetuação alheia enquanto entidade, não só como pessoa jurídica, mas com jurisdição sobre a própria vida de quem de fato é dotado de direito a vida. Inútil cortas cabeças, ou derrubar templos. Cabeças nunca faltam. Porque a morada do servidão, não é o senhor mas o servo. E não o pesadelo não desaparece, quando se abre o olhos. Pelo contrário ele se monstra o quanto se fez concretude, no corpo da sociedade e espírito da humanidade. E?

E aí, que vamos fazer, o que vai fazer quem tem cabelos brancos? Vai pintar esticar a cara, comprar um carro novo? Se fingir de garotão, e cocotinha? Ou vai deixar pra molecada que não tem a menor ideia de quem são esses vagabundos, se fuderem no seu lugar? Confortável. Nesse sentido, sou obrigado a concordar com as populações que estão desaparecendo, para desespero de papas e governantes porque não tem filhos, ou a razão de menos de 2 por casal. É um egoismo, um foda-se todo mundo, senão consciente, pelo menos inconscientemente mais coerente. Realmente colocar gente no mundo para fazê-los meros objetos de seu fetiche, ou pior do fetiche alheio, para que eles se sacrifiquem ou sejam sacrificados porque não estamos mais dispostos a fazer sacrifícios, nem sequer queremos mais viver senão do sacrifício alheio, então como diria o poeta que nosso amor em nossas bolhas seja eterno enquanto dure. Melhor do crianças mimadas em corpos e alma de velhos degenerados a transferir o legado da sua irresponsabilidade psicopatologia para outra geração de clones alimentados da carne dos bastardos dessa desumanidade que ainda vive ainda vive de comer a carniça, mas arrota caviar. Devidamente processadora e temperado a todos os gostos e paladares civilizatórios, desde do fino gosto do progressismo de esquerda até o mais rustico conservadorismo de direita. Mas no final das contas carniça, incluso a de seus semelhantes.

Um sentimento mórbido que alimenta mais do que as camadas mais profundas da deep weeb ou do inconsciente coletivo humana mas as mais evidentes e explicitas que portanto se escondem no melhor dos todos os esconderijos: na invisibilidade da normalidade das multidões. Seja o capital que gira, seja na aparente complexa engenharia seja na dessa sociedade do espetáculo na era das redes sociais:

Fotos do cadáver de Bianca foram partilhadas online e quase 24 horas depois, continuavam publicadas, gerando uma movimentação complexa nas redes sociais.

Se, por um lado, houve quem pedisse para que as imagens publicadas no Instagram e na plataforma Discord fossem apagadas, houve quem aproveitasse esses avisos, para ir em busca das fotografias e ganhar proveito com elas. Segundo relata a BBC, a hashtag “RIPBianca foi, durante algum tempo, um dos tópicos mais discutidos na rede social Twitter e o perfil de Bianca no Instagram passou de dois mil seguidores para 160 mil.

Com a divulgação da história, muitos procuravam na Internet pelos nomes dos envolvidos, o que criou a movimentação para aumentar o número de seguidores do casal. E como foi divulgado que existiam fotografias dos cadáveres, o instinto mórbido de alguns internautas fez com que procurassem as imagens.

Aproveitando esta movimentação, vários utilizadores criaram contas falsas com os nomes de Bianca e Brandon, para surgirem nas pesquisas por notícias e angariarem seguidores, e outros decidiram publicitar que tinham as imagens publicadas, mas que só as mostrariam a quem fizesse “gosto nas suas contas nas redes sociais.

Para contrariar este movimento de oportunismo e voyeurismo macabro, amigos e desconhecidos decidiram publicar diversas imagens positivas, como paisagens ou corações, com as mesmas hashtags utilizadas para difundir as imagens do crime.(…) -Como O homicídio de Bianca foi usado para aumentar popularidade online

Seja nas guerras e crimes contra a humanidade que o fato é que que de tão banalizados já são como a fome, as bombas já caem e matam, apenas chove, não há nem mais sujeitos a serem responsabilizados. A morbidez e conformidade dita a ordem. As bombas simplesmente caem do céu e brotam do chão, respira-se no ar, já a água e comida, estas não, se a criança e seu pai quiserem ganhar vida e não a morte terão que fazer por merecer, com trabalho e alienado. Na verdade até quando estão morrendo, querendo ou não já estão trabalhando, e nós consumindo e deus do trabalho e do consumo seja louvado…

E se isso lhe faz sentir-se mal, bem, que bom pra você… e para os negócios, porque, você ainda tem anima, e logo, capital humano para ser transformado e consumido. Porque tudo tem um preço, uma perda e um ganho, até o consumo. E o pior preço é sempre os dos sacrifícios ou das coisas que estamos sacrificando ou indo a holocausto dentro de nós mesmo, e já sequer nos damos mais conta. No livro caixa do capeta a venda é sempre casada, são sempre dois a preço a preço de um, a vida que se perde porque se foi, e a que se perde porque fica. Lucra-se sempre nas duas pontas.

Na prática, tanto faz se sentimos muito ou não, o fato permanece, as meninas estão mortas. E a revolta e indignação que não tem a mesma a força da vontade para se materializar como gesto e 10 centavos de real ou 1 milhão de bolivares valem a mesma coisa, não servem nem para comprar um café na esquina nem para quem está morrendo do seu lado que dirá a mares de distancia. Mas vendem narrativas. Não o suficiente para arrecadar o mesmo para ajuda humanitária. E nem um milésimo do que já pagamos em tributos para financiar a industrial estatal-privada que as mata. Melhor seria não financiar o assassinato legalizado, mas eis que voltamos aos contratos sociais e a que norteia esse texto: como e porque não conseguimos escapar dessa pulsão de morte que tem nos levado a uma evidente destruição mutua assegurada.

Parece uma visão pessimista da humanidade, e do seu futuro. Pelo contrário. Uma vez deixada de lado as infantis desejos de controle e manipulação e vontade de modificar a natureza humana, a nossa natureza, paramos de lidar entre achando que o ser humano é um bichinho de pelúcia fofinho ou uma mostro demoníaco, o ser humano como todo ser vivo, pode não ser só um animal, ou tão simples como os demais, mas não deixa de sê-lo, e merece o respeito e não julgamento, é bonito independente desde seus hábitos desde que você não seja estupido o suficiente de achar que pode fazer dele seu pet. Não nasceu para ser um domestico, nem domesticado. E com isso, não estou dizendo que ele vai voltar para cagar e dormir no mato, estou dizendo, que não nasceu para estar amestrado. E que mais hora menos hora menos como quem resolve por um urso num circo, um tigre na coleira, acaba devorado pelos seus animais que não, não são de estimação. E se até um biólogo consegue respeitar e gostar de animal peçonhento como uma cobra, quando respeita sua natureza, o homem pode fazer o mesmo com seu nem tão semelhante assim, basta não querer dar um beijinho na boquinha da cobra, mas deixá-la vivendo no canto dele, especialmente quando ele quer viver no seu e enxerga em você nada mais do que a parte mais baixa da sua enorme cadeia alimentar.

O problema passa longe da luta pela sobrevivência, ou dos instinto de preservação. Nosso problema como humanidade reside na degeneração patológica desses instintos, ou mais precisamente como esses pulsões de preservação e reprodução da vida, sobretudo para além da mera materialidade biológica da vida, se tornaram mais do que pulsão de morte, mas uma compulsão homicida e genocidade de morte, transmitida geração após geração como culto, uma cultura autodestrutiva de idolatria a supremacia da violência e discórdia desigualdade e sobretudo servidão, disfarçada de paz, concórdia, igualdade e liberdade. Uma perversão de um instinto gregário e pulsão fundamental à vida e seu sentido que é pedra fundamental desses cultos e que contudo não pode jamais ser confundido com essa ordem, porque não pertence a ele. Pelo contrário, quando livre a força e vontade constituinte da consciência e da paz e liberdade que nos falta naquilo que é pulsão libertária e criativa da vida. A capacidade de viver e morrer não por ideias ou causas imaginárias, taras e fantasias alheias, se enterrar vivos junto com faraós, múmias, e afins, mas lutar pelos que aqui estão de corpo e alma, e pelos que hão de vir, para viver e poder morrer por gente, gente seres dotados de anima, alma seres que pode-se se amar e odiar, e não virtuais e imaginários, fantasias de tarados que um dia tiveram poder e posses suficientes para fazer todos dançarem sua música, e mesmo depois de morrerem, coitados torturados continuaram a dança-la, ao invés de compor a sua ou dizer para sua prole que finamente estavam livre para dançar conforme sua música. Mais triste do que ter que fazer o que um psicopata ou estatopata manda com uma arma apontada para sua cabeça, é fazê-lo porque ele nunca mais saiu dela, ou pior sequer conheceu um mundo, onde essa música manicomial maldita não tocava sem parar. E felizes dos surdos sobretudo voluntários, nesses mundo de ruídos porque eles podem ouvir seus próprios sentimentos e pensar, sem ser atormentados por possessos e possuídos pela taras vontades de quem não existe ou não existe mais senão como produto justamente desse delírio e histeria coletivo.

Me mostre uma ideia ou uma causa que vale mais que uma única vida humana e eu te dou espelho onde você poderá ver o que é um louco sempre potencialmente perigoso, especialmente se a vida que ele já quer sacrificar não é a única que ele tem direito sobre, a dele. Um bando reunido para sacrificar o alheio, tem muitos nomes e métodos ao longo da história: canibais, nazistas, mas o principio é mesmo, genocídio e holocausto. Uma pessoa, ou grupo disposto a dar a vida VOLUNTARIAMENTE pelo outro, num único gesto ou aos poucos morrendo cotidianamente, trabalhando, gestando, lutando tem outros nomes e muitas vocações e profissões: mártires, trabalhadores, soldados, heróis, pais, mães… e sobre a carne e osso tanto dessa gente, quanto dos servos, escravos, e que não puderam escolher se sacrificar que se assenta toda a vida e riqueza criada pela humanidade.

Quem adora e cria cobra e gafanhotos, sonhando um dia em ser o rei das cobras e seus gafanhotos se não morre picado, morre de fome. Minto, é uma loteria, trocentos otários vão encher os cofres da casa, e um vai levar o prêmio. Mas sobretudo a casa já ganhou, porque o mais importante já foi comprando e vendido.

Mas já chega. É hora de entrar de cabeça nessa bendita pulsão de morte, ou melhor da vida, porque de uma forma ou de outra a vida sempre vence e o novo sempre vem. Porém nem sempre da forma que gostaríamos, isto é com a gente, incluso. E se queremos fazer ainda parte da construção desse futuro, se achamos que ainda temos ainda alguma coisa para dar, e não só levar, está na hora de começarmos a considerar e trabalhar essa pulsão tanto em seus aspectos são e gregários quanto insanos e desagregadores bem mais a sério, tão a sério nos nossos modelos teóricos, políticos, econômicos e sobretudo sociais, no mínimo tão a sério quanto o próprio instinto de sobrevivência em particular, porque não raro o sobrepuja, e não raro é sobre ele ser herege não só estados, nações, e civilizações, mas as grandes ideologias do mundo, inclusos as religiões. E infelizmente não raro como cultura de necrofilia, antropofagia e martirização massiva do alheio, muitas vezes dentro da própria estrutura do culto do martirizado depois de alienado e pervertido. E enfim eternizado, num presente eterno, onde esse passado de morte governa pela completa anulação não só pelo medo e esperança, mas pela nulificação da visão e do tempo necessário para vislumbrar os futuros, no imediatismo de uma vida cotidiana que é o principal capital da vida, o seu tempo existencial, e seu sentido, foram não só pervertidos para a seita do passado, mas consumido pelo espetáculo do imediatismo, onde você até gostaria de ser uma pessoa mais presente, e preocupado com futuro, mas já não tem tempo…

O futuro sempre esteve em pauta. Mas não com o devido respeito que ele merece. Quando falamos de futuro, embora sejamos os sujeito da (pré)visão, ele em si não nos pertence. E trabalhar para ele pertença a quem de fato o viverá é o papel, de quem não quer ser um legado maldito ou uma assombração para quem viver a sua vida e não morrer pela dos seus antepassados. Nisto que a humanidade ainda não compreendeu o que significa a noção de herança. Herança não é aquilo que predetermina a gene cultural ou biologica das formas de vida que virão, herança é aquilo que dispõe a novas formas de vida para que ela seja capaz não só de autodeterminar sua forma de vida, adaptando as suas vontades as necessidades ou vice-versa conforme sua capacidade, mas sobretudo, continuar preservando esse padrão de autodeterminação, porque é dessa potência versus as possibilidades de fato concretizá-la que se determina até onde e quando uma forma de vida irá existir ou enfim dar lugar a outras, menos vulneráveis ao destino, o mundo, mas principalmente e antes de tudo a si a sua gene, não só geração após geração, mas no agora, por simples consciencia do futuro e amor incondicional à vida que por definição jamais será sua. Simplesmente a vida que segue a sua revelia, o único lugar onde a palavra amor faz inclusive algum sentido, o amor da criação a sua liberdade,ou da liberdade a sua criação. E neste caso a ordem dos fatores não altera o produto, que continua o mesmo, vida.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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