A já envelhecida “nova” democracia representativa brasileira (Parte 3)

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Opinião Pública

Mas não é essa a vontade do povo? Se pesquisarmos a opinião da população quem hoje se diria a favor de uma verdadeira democracia direta? Contudo quem pode ser a favor a do que desconhece, e nem se quer tem o direito pleno a informação e comunicação garantidos para conheça? Como sentir falta de algo que não se sabe que não se têm ou que se perdeu muito antes de se nascer?

É para isso que servem antes de tudo as representações de poder, seus ritos mitos, togas e perucas, tronos, cerimoniais, títulos, diplomas de poder e prepotências infantis e ridículas. São as fantasias da mente incorporada aos costumes que nos fazem ter pena e vergonha alheia, quando livres destes cultos, assistimos ao freakshow dos carentes que perseguem o aplauso e o gritos dos fanáticos por ídolos, objetos de idolatria e salvadores da pátria.

Sinal do fim dos tempos. Mas nada de pânico, o sinal do “fim dos tempos” para uma velha geração; a queda de um velho regime, do seus sistema de poder arcaico e ultrapassado que desnaturado se nega a dar lugar ao novo e a sua geração. Em crise, todas culturas político-econômicas especialmente na fase final de decadência histórica, com a proximidade da queda, respondem como seus líderes e governos: apelam para as formas mais baixas e grotescas de manipulação da população. E na tentativa desesperada de sustentar sua alienação cultural levam sua sociedade do espetáculo a níveis absurdos de desumanidade.

Hoje tanto a política quanto sua comunicação tão mal feitas, tão apelativas e sujas que as pessoas já não odeiam mais os políticos só pelos seus malfeitos, mas pela forma mal feita que fazem tudo, até os malfeitos. A representação política viciada no poder e perto do fim consegue ofender a inteligencia até de quem está definitivamente disposto a não usá-la. Consegue a proeza afastar até quem quer adorar poderes supremos . E se em princípio a gera revolta no fim ela se converte em insuportável náusea com a completa falta de mínima verossimilhança da podridão.

Os atores políticos atuais não são piores nem piores do que os anteriores, seus predecessores também fizeram tudo o que não poderiam para se sustentar no poder. O problema deles é que agora é preciso muito mais descaramento e violência para manter um sistema obsoleto incapaz de se adaptar ao mundo contemporâneo e natural sem destruí-lo.

Eles continuam a ser o que sempre foram. E esse é todo o problema. Esta incapacidade inerente ao poder e aos políticos de se aptar é exatamente o problema de todos os dinossauros. Num mundo que já não já não pode sustentar e suportar mais eles e seu comportamento, a dois finais o feliz eles são extintos por obsolescência. O triste: somos todos extintos por nossos mitos, monstros que deveriam ser peça de museu, junto com todos os seus males: guerras, genocídios desastres humanitários e ecológicos.

E quando se chega neste ponto de entropia do sistema não é mais possível fingir que nada aconteceu e voltar a ser tudo o que era. Há somente dois caminhos:

· ou se toma coragem e vai em frente evoluindo constitucionalmente para um estado mais pleno de direitos democracia

· ou se para e espera e acomoda com o retrocesso dos direitos e instituições democráticas fragilizadas enquanto o autoritarismo tome de vez o poder.

Neste nível de incredulidade e infidedignidade das instituições, novos políticos, governos ou partidos não salvarão nada, nem sequer privilégios de classe. Somente novas formas mais verdadeiras e corretas de se fazer politica prescritas e adotadas por força constitucional podem restabelecer a ordem que se liquefaz. E quanto maior for a inação dos verdadeiros democratas frente a necessidade de uma nova constituição verdadeiramente fundamentada em democracia direta, maior será o crescimento das demandas por lideranças e regimes que encarnem as ordem autoritárias.

Ou seja, ou ampliamos a democracia e os direitos fundamentais, ou então veremos as conquistas sociais se perderem de vez, e os reacionários tomarem mais uma vez o poder. E não se surpreenda portanto se portanto a agenda da extrema direta não for mais só dela mas de toda uma população.

Ou evoluímos nosso estado de direito democrático para atender as necessidades do tempo e da nossa geração; ou caminharemos para uma ruptura entre os representantes dos velhos regimes e o poder e as aspirações populares. Ruptura institucional que podem tanto gerar a nova constituição mais livre e democrática quanto o retorno de regimes de reacionários frustrados com a total falta de ordem.

Um coisa é certa, assim as coisas não vão ficar, a ordem será restabelecida. A questão é se teremos uma ordem mais hipócrita e autoritária ainda ou uma ordem mais livre e democrática. Resposta que depende única e tão somente se vamos ou não nos mobilizar como sociedade civil.

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