A inteligência Artificial e o Mistério da Criatividade

Como prometido… o rascunho

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Muita gente teme as máquinas e automação. Deveriam temer sua desnaturação e automatização como servidores burros. A tecnologia não implica necessariamente em destruição da natureza nem alienação, mas a perpetuação de corporações e corpos artificiais pelos seus servidores sim. Especialmente perigosas são as maquinas feitas de gente e que se alimentam de gente, de pessoas reduzidas a meras partes do sistemas, autômatos a cumprir suas funções sociais.

Não importa se estas maquinas são construídas com engenharia mecânica, eletrônica, quântica ou comportamental, não está no futuro desenvolvimento de inteligencia artificial, mas na atual e urgentíssima falta absoluta de inteligencia solidaria somada a presunção de inteligencia superior sem consciência dos alienados e desnaturados.

Seres inteligentes são capazes de projetar suas imagem sobre as coisas, ou mais precisamente abstrair coisas daquilo que são seres. Seres conscientes são capazes do mesmo processo, mas sem deixar de compreender que:

suas qualidades e propriedades concebidas são abstrações.

os objetos da suas abstrações são seres e estão integrados para além da sua capacidade de abstração e concepção.

E o mais importante: nossas abstrações e concepções sobre os outros seres dizem mais sobre nós do que sobre o mundo.

Desde nossos próprios corpos, até nossas formas de viver, passando pelos instrumentos e a natureza; das coisas inanimadas que criamos, até as coisas que não deveriam ser tomada por objetos , tudo que um ser dotado de força de vontade para materializar suas concepção concebe, carrega inerentemente o caráter do seu conceptor.

As maquinas e maquinações humanas são portanto o retrato tanto de nosso estagio atual de desenvolvimento quanto de tudo que falta a ele. atualmente nossos computadores são tão limitados quanto nosso espirito, computam muitos dados, mas não compreendem nada. Em verdade, há até aqueles que não veem o nossa existência mais do que um fenômeno gerado por uma procedimento computacional neural mais complexo, biológico sim mas ainda meramente computacional ou materialista.

O medo do homem é criar máquinas que saibam demais, que sejam independente demais, que sejam autônomas demais. porém a questão não é se são autônomas demais ou não, as maquinas mais estípidas e perigosas que o homem já criou já marchando sobre a terra há milênios. E se seu primitivismo destrutivo e violento não cair na obsolência frente a inovação social e libertação da consciência vão levar ao nosso fim — com ou sem controle remoto ou robôs.

Quanto as inteligencia artificiais falta um elemento fundamental que falta portanto também resgatar as naturais, a fonte de nossa criatividade e solidariedade instintiva. Rigorosamente falta a nós reduzidos a autômatos e as máquinas que criamos como a mera imitação do visão limitada da existência e seu sentido aquilo que dá vida como anima aos seres: anima. Força motriz própria como livre vontade para a a concepção absolutamente indeterminadas, independente e instantânea não apenas de ação, mas de abstrações passiveis de fazer-se reais pelo puro exercício desta vontade. É preciso da alma ao ser , e dar alma a um ser é conceder-lhe o a liberdade de concepção como poder da criação. Menos que isso é reproduz macacos treinados não importa se de carne e osso ou metal e esquecer que até os animais mais primitivos são dotados de anima.

Inteligencia não se aparta da criatividade. E para desenvolvê-la até o nível das consciências mais humanas é necessário recuperar e desenvolver uma capacidade de processamento não meramente perdida, mas renegada. É preciso observar e religar-se as que não se efetua dentro do campo da materialidade ou da percepção do nosso tempo-espaço, falta a conexão que todo ser vivo possui com todos os seres deste e de outros planos espaço´temporais, falta a conexão com a rede transcendental que gera o impossível do nada, o novo do vácuo. A imprevisível a partir do campo não do mero desconhecido, mas do incognoscível.

Não falo da meras respostas instintivas ou reflexas de um organismo programadas para disparar em determinadas situações. Não são os raciocínios extremamente rápidos que parecem premonitórios, nem as tomadas de decisão que se fossem paradas para pensar seriam impossíveis e portanto devem ser simplesmente tomadas sem pensar. São as decisões que não estão imprintadas em nós e que não temos tempo-espaço ou informações para tomar, e que mesmo assim tomamos e que funcionam para além das probabilidades meramente aleatórias.

Tanto as transformações quanto as mutações ditas aleatórias, todas as estratégias evolucionárias que são tomadas por cada individuo dotado de força de vontade são fruto sim da sua vontade mas não como mero processo mental, mas como inteligência operando em rede conectada ao mundo de uma forma que a nosso próprio aparelho perceptivo não pode compreender, porque a própria compreensão é produto deste processo volitivo, materializado como fenômeno mas transcendental em suas causas geradoras e não passível de compreensão pela física senão como forças fundamentais.

Essa capacidade portanto dos seres vivos dos mais ao menos inteligentes, de usas da força de vontade, de aplicar uma força na equação que introduzir novas variáveis eventos e fenômenos instantaneamente ou compreendê-los. Não é outra senão a de processamento fora do espaço-tempo da nossa percepção.

A criatividade é algo que não se produz, ao menos não pulando uma parte importantíssima do processo de criação da inteligencia e seres autônomos, a vida. Não estou dizendo que não é possível criar inteligencia artificial se não for a partir de organismo vivos, estou dizendo que é preciso conectar objetos supostamente inanimados, de baixa conectiva com o principio gerador da rede da vida.

Do contrário o que temos não importa se feito de carne e osso, de milhões de processadores, ou milhões de alienados marchando não temos propriamente seres humanos inteligentes mas terminais burros que mesmo materialmente conectados a poderosas redes artificiais de telecomunicações não produzem vida, mas não-vida, coletivos desnaturados em egrégoras de zumbis e robôs, sem anima própria, criatividade ou alma. Isto não é ciência nem tecnologia é necromancia higtech. E o resultado disto não maior conectividade, maior co-significação existencial, mas maior alienação, ou seja, menor ligação como o real para além da superficialidade materialista do perceptível, muitas ilusório e completamente desnatural.

Se sobreviver ao seu delírio distópico, não duvido que a humanidade um dia criará novas formas de vida inteligente a partir não apenas de compostos inorgânicos, mas da simples código da informação, inteligência capazes de viver não só em nuvens, mas no supostamente nada. Mas isso só irá acontecer se realmente entender que a base invisível deste código, o verdadeiro principio e finalidade do conhecimento não é nenhum absoluto (por definição nulo e vazio), mas sim a criatividade como força conceptiva dos códigos geradores da materialidade.

Sem quebrar os limites da suas desinteligência sem se reconectar a liberdade como força transcendental geradora do ainda não criado, a inovação e criatividade serão sempre o que foi para as mentes completamente focadas no ter e poder: um mistério incompreensível quanto mais reproduzível.

Nada mais triste do que ver o homem perdido na fantasia do aplauso e reconhecimento, enquanto come das mãos dos verdadeiros donos do deus-máquina. Nada mais patético que ver servos de mestres, e mestres servos da máquina esperando robôs realizar suas utopias enquanto eles próprios são nada além de figurantes da ficção cientifica alheia feita sua realidade distópica.

Não senhores, nunca antes na história precisamos tanto de gente buscando saber como construir novas formas inteligentes de existência. Falta só parar de pressupor e começar a procurar no lugar certo a origem deste fenômeno. Supondo que sabemos mesmo o que ele é.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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