A Idiotia da Idiocracia segundo ela mesma: a“cretinice pardeplorar”

Ou: pode até falar difícil… que a idiotia parlamentar é a mesma

Introdução

Antes de mais para que idiota não pareça uma ofensa gratuita e o texto faça faça mais sentido, não custa nada lembrar o que idiota e idiocrata dois termos fundamentalmente políticos.

O idiota é o cidadão adulto e capaz, que mesmo com em plena consciência, e domínio das suas faculdades mentais e liberdades renuncia de de bom grado a vida pública, transferindo seus direitos políticos e econômicos a um idiocrata, isto é, um representante que irá governá-lo supostamente de acordo como os seus interesses cidadãos e não os deles particulares.

Logo o idiocrata se define por oposição nesta relação como o político que além de representar diretamente seus interesses particular detém a intermediação do interesses dos cidadãos, idiotas ou não, a ele alienados; cidadãos estes que por sua vez, são sua base e moeda de troca nesse mercado político.

Neste sentido de relação portanto dentro de um mercado politico a idiocracia não é só a farsa portanto onde os cidadãos são reduzidos a idiotas, mas literalmente onde os cidadãos pacificados são negociados junto como seu trabalho e patrimônio reduzidos ao produto de roubo destes que seriam seus representantes.

Definida portanto o idiota, o idiocrata, e a idiocracia. O que seria então a idiotia dos idiocratas? Ou o que é a mesma coisa, essa “cretinice parlamentar” a qual o parlamentar Lindbergh denunciou com “escândalo” em seus colegas?

Em textos anteriores tratei do “idiocrata idiota” em sua forma mais autoritária e supremacista. Agora graças a crise institucional e ao racha entre os “pardeploradores” petistas será possível demonstrar com um exemplo também a diferenças entre os diferentes graus de idiotia nos escalões mais baixos dessa cadeia de poder. A idiotia de autoridades e privilégiados que frente ao cidadão comum são tubarões, mas que diante dos caciques e chefões da politica não passam de passam de peixinhos, quando não até laranjas e pau-mandados mesmos. Ou seja os políticos subalternos dentro da hierarquia idiocrática.

Espero portanto assim conseguir trazer mais um exemplo de como essa propaganda que eles vendem de inclusão e participação política de um povo por definição marginalizado e excluído dos desígnios do seus destinos político, não passa ela mesma, dentro desse falsa democracia, de mais ato desse espetáculo. Ou em outras palavras que a democracia liberal, a representativa, não é a verdadeira democracia popular, a direta, mas sim sua impostora. Uma farsa com atores políticos cada vez piores, cada dia mais patética, inverosímel, e principalmente com tramas mais previsíveis de tanto que se repetem.

Assim, ao final deste escrito espero ter conseguido mostrar um pouco de como nós cidadão comum partilhamos de uma mesma sorte. Aliás sorte não, Tragédia dos Comuns — para usar e subverter outra expressão cara aos idiocratas mais esclarecidos.

Espero mostrar como essa perceptiva dos comuns não é sequer a mesma daqueles que estão na base dessa pirâmide do poder, mas é sim a daqueles que estão fora, excluídos e ainda por baixo de tudo sempre a sustentar no lombo o maior peso dessa insuportável monstruosidade. Espero conseguir dar uma amostra (de tantas outras disponíveis) de como o povo não é a base social dessa superestrutura política; que a sociedade não é o fundamento desse poder, mas tão somente o chão que os poderosos pisam e limpam sua botas sujas embora ainda sim os sustente. E que portanto, embora esmagado por todo o peso dessa burocracia falida, corrupta e anti-social, ele por isso mesmo, não precisa fazer nada mais do que se mover, para abalar e rachar suas bases, e até mesmo demolir toda a estrutura especialmente em países onde as edificações e instituições não estão preparadas para terremotos, especialmente os sociais e verdadeiramente populares, a saber: a do povo que não tem dono.

Idiocratas versus Idiocratas

Podemos dizer que Lindbergh Farias é um idiocrata de alto escalão, afinal é um senador da república, mas como qualquer membro da burocracia bolchevique petista está submetido caninamente a vontade do núcleo duro que a comanda. E se isso faz dele um idiota, isto é, alguém que se aliena em favor não importa em troca do quê. Não faz dele um necessariamente um fanático suicida que se joga no poço quando seus chefes mandam. Pode até ser que ele se jogue, ou seja jogado, mas eis que temos uma boa definição para um o que seria idiocrata idiota: um idiocrata é tão idiota quanto qualquer outro alienado se acreditando servir ou levar vantagem acaba por se danar como qualquer outro idiota útil. E é nisto que Lindbergh pede que seus correligionários não se reduzam quando discursa sobre a “cretinice pardeplorar”.

Lindbergh pode ser até ser ou ter bancado até agora um idiocrata idiota, mas ao que parece não está disposto a virar um idiota suicida, daqueles que se atirar no poço quando o mandam. Seu instinto de animal político parece estar falando mais alto. Ele quer sobreviver, e esta protestando, mas ver se ele não se atira mesmo junto. Porque no final das contas não faz a menor diferença se quem se joga no poço o faz cantando hinos, protestando ou caladinho a idiotice é a mesma, ou melhor, o fim do idiota (seja ele, um idiocrata ou não) é o mesmo.

Mas vamos contextualizar melhor.

O núcleo duro composto agora exclusivamente de Lulistas depois que os dilmista viraram suco junto com sua presidenta, estão em todos os sentidos isolados no poder do partido e só pensam em uma coisa: escapar da prisão. Esse núcleo duro sabe até pela quantidade de provas amealhadas contra eles que não tem como fugir, senão “caindo para cima”, isto é, voltando ao poder senão mais como protagonistas como coadjuvantes. Não importa o quão isso seja hoje improvável. Eles não tem outra saída. Vide as ideias “tresloucadas” dos mui-amigos como Ciro Gomes.

A cúpula petista sabe que a sorte não está mais do seu lado , ou mais precisamente não está mais ao alcance das suas mãos. Eles não tem mais a mão na roda da fortuna para de repente por um golpe do destino mudar “sua sorte”. Quem tem esse a sorte tão cara ao poder é agora o PMDB e o PSDB como eminencia parda.

Em outras palavras os comparsas podem ainda ser os mesmos, mas trocarem-se os papéis. Agora os antigos cúmplices, antes autoproclamados peças decorativas são os novos mandatários e mandantes e os ex-mandantes e mandatários não tem mais força política senão para serem mais do que cúmplices. Resta saber até onde e no quê… Deixando as especulações e ilações de lado desse mar de incerteza e inconfidência que eles estão se afundando, uma coisa é certa: nem todos os subalternos parecem mais tão resignados a ir tão longe no que eles não sabem onde nem como vai dar, e nem querem saber…

Por isso quando eles falam de Lula presidente eles não estão apenas jogando contra as todas as probabilidades esperando que elas virem. Eles estão negociando no mercado político seu produto. Lula ainda goza de uma “base social” considerável e quando eles jogam o nome dele não estão apenas fazendo ameaçando apostar ou fazendo chantagem… estão fazendo uma oferta hostil seja da futura venda da desistência da sua pré-candidatura seja o eventual apoio a outro candidato, caso ela vingue. E estão fazendo isso em promoção de liquidação, queima de estoque, estão vendendo tudo que sobrou ao preço baratinho da liberdade deles.

Outros setores do partido movimentos sociais e da esquerda que ainda orbita em torno dele evidente preferem uma proposta menos vergonhosa ou “mais coerente” do que se aliar, nos seus próprios termos “ao golpe midiático-jurídico-parlamentar”. O problema é que esse não resolve para a cúpula. Não que os golpistas e fascistas no poder, seus “ex-aliados”, não estejam dispostos a ajudar. Eles sabem que estão todos no mesmo barco. E que se quiserem se safar destas vão ter que co-operar. O problema é que os inimigos são outros e o governo interino pode até ter prometer, mas não tem (ou pelo menos não tinha antes da morte de Teori) qualquer controle minimamente suficiente para parar garantir nada.

Mesmo com a morte de Teori o grau de incerteza não diminui, mas aumentou, porque se por um lado abriu a chance que toda a classe política precisava, ainda sim para aproveitá-la podem ao invés de se salvar arrebentar de vez todo o sistema se revoltas e protestos populares explodirem.

Assim se a morte de Teori é tudo que eles podiam querer e precisavam para melar as delações da Lava-Jato. Para poder aproveitar a oportunidade, ou terminar o serviço, (fica a critério do leitor) Temer para poder tirar vantagem do ocorrido teira que se passar por cima de tudo e todos a lá Renan, e colocar um relator pau-mandado para absolver toda a classe política. Um risco gigante que ele não parece ser tão idiota para correr dado o estado de tensão e revolta pronta para estourar no Brasil.

Muitos políticos que não tinham mais nada a perder viram na morte de Teori o momento certo para se definir entre o povo e os esquemas. Outros viram tanto nela quanto nesses movimentos o limite ou mais precisamente o precipício dessa idiocracia. Eis o racha entre as fileiras da falsa resistência.

De um lado temos caciques políticos movidos por essa mistura explosiva de desespero e falta de escrupulosos, que mandaram o pouco pudor que já não tinham as favas e resolveram fazer as claras o que faziam na moita. Políticos que pressionados saíram de vez do armário (no mau sentido da palavra) e resolveram assumir e praticar em praça pública o esporte favorito que praticavam nas alcovas dos congressos e palácios… copular desenfreadamente em troca de cargos. Temos políticos que perderam de vez toda a vergonha e resolveram assumir suas relações e negociações sujas com quem até ontem denunciavam como golpistas; os inimigos, traidores e violadores daquela senhora proba chamada republica. Enfim de um lado temos políticos que estão dispostos a arrancar de vez a fantasia e vender até o ultimo patrimônio que lhe resta para ficar no poder, e estão mandando seus subalternos fazer o que façam o mesmo por eles. E do outro seus subalternos suplicando que não os mandem fazer isso,que não peçam que eles também rasguem a fantasia e não arranquem suas máscaras que escondem suas práticas. porque se da dignidade, dos ideais e da honestidade eles já venderam na encolha faz tempo, resta para eles esse único patrimônio politico que eles ainda tem para (en)cobri-los e mantê-los no mercado político: seus discursos.

Assim se a omissão e incompetência na revolta dos presídios, a recessão e medidas impopulares deveriam servir para colocar a corrupção e por consequência a Lava-Jato num segundo ou terceiro plano, entre as maiores preocupações dos brasileiros. E a morte do ministro do STF, deveria servir como aqueles acidentes que despertam todo o fatalismo e resignação sebastianista herdada como sacramento pelo povo brasileiro com sua sina imposta mais do que pela sorte por deus. O efeito desta doutrina e propaganda idiotizante tem até agora sido opostos. Tem pelo contrário criado mais instabilidade institucional e exposto ainda mais a idiotia dos idiocratas que nesta operação de risco altíssimo podem até ter ganho mais tempo (como se entregou o Ministro Padilha) mas ao custo do que restava de crédito que tinham entre os mais crédulos e aos juros do ódio e revolta do resto da população… que se resolver cobrar o que eles lhe devem, não terão nem como pagar.

Se homens desesperados são capazes de tudo, e homens viciados em poder de coisas piores ainda, imaginem do que não é capaz os mais poderosos quando desesperados…

Logo, só mesmo os mais completos e perfeitos idiotas seja no parlamento ou nas ruas não tem noção que do que está acontecendo e risco que estamos correndo. Até mesmo os mais completos vendidos aos interesses maiores, até os idiocratas mais hipócritas e insensíveis, os mais alienados da realidade que o cerca a ponto, não perderam essa noção do perigo. E por isso, coincidentemente ou não, depois da morte de Teori, nem eles estão mais dispostos a obedecer essas ordens. Ao menos não sem espernear publicamente.

Porém se o que pode salvar um Senador dessa vala comum que mandaram ele se jogar é o instinto de sobrevivência do animal político. Em nós o que pode nós salvar desse grande coalizão de Neros que virou a classe politica brasileira é o instinto solidário entre toda a sociedade, independente se somos de direita e esquerda. Porque se antes só não via quem não queria e agora só não ouve quem quer se fazer de desentendido, porque não são mais os críticos da hipocrisia dos políticos que estão os denunciando, sua idiotia são eles próprios.

Se só o instinto de sobrevivência politica, fez com que Lindbergh Farias “acordasse” para o tamanho da incoerência que fará afundar de vez o barco já todo furado do seu partido e de toda velha esquerda. Nós que não caímos nesse 171, que não compramos essa baboseira sabemos e denunciamos faz tempo que essa idiocracia precisa mais do que ter limites, ela precisa ter um fim.

O fim da idiocracia

Se queremos por mesmo um fim a essa idiocracia, precisamos ir muito além da denuncia que a divisão entre os partidos políticos de esquerda e direita é um engodo, que não existe divisão entre eles especialmente quando o negócio é pilhar e roubar e idiotizar a sociedade. Precisamos denunciar que a divisão da sociedade entre esquerda e direita, que é perfeitamente saudável sem a alienação as lideranças, se torna absolutamente doente e imbecilizante quanto posta a serviço dessas falsas divisões que na verdade compõe a mesma classe politica. Uma classe política que pode até não defender os mesmos interesses, mas nunca defendem interesses que não são os seus, nem interesses outros que o da sociedade.

A divisão da nossa sociedade é a maior arma da idiocracia para nossa alienação. É a própria expressão da nossa idiotia e vontade da nossa idiocracia sobreposta e contrária aos nossos interesses comuns.

A divisão e conflito dos ideais populares de esquerda e direita em favor das das ideologias das lideranças e idolatria dos lideres é a própria dinamica tanto do processo de imbecilização quanto a verdadeira base social da democracia por divisão de classes.

Olhe para idiotas, fanáticos ou desonestos a esquerda ou direita Os esquerdistas que adoram seus líderes e ideologias odeiam os direitistas que adoram seus lideres e ideologias. E ambos odeiam mais ainda a esquerda e direita que não adora nem odeia seus lideres nem inimigos.

Agora se pergunte: como pode um cidadão x adorar um líder A, e odiar um líder B por todos seus crimes; enquanto um cidadão y adorar um líder B, e odiar um líder A exatamente por esses mesmos crimes? Como podem adorar e odiar respectivamente quando AB estavam juntos para roubá-los, x e y? Como podem achar A santo e B culpado e vice-versa se seus crimes forma cometidos quando eles estavam coligados no poder? Pior: como pode x e y podem se atracar para defender A ou B quando A e B não só eram inimigos para expolia-los sempre foram um só e continuam o sendo?

Pior ainda: como podem as classes politicas de esquerda dizer-se traída pelas classes politicas de direita quando qualquer poste no Brasil sabia quem com quem eles estavam compactuando? Quem não sabia? Como não sabiam se metade das suas carreira eles fizeram denunciando esses crápulas!!! Nossa… Sarney, Maluf, Renan… quem iria imaginar, quem podia esperar uma coisa destas deles? ah, faça-me o favor, até parece que eles acham agora que somos todos gringos e que caímos de Marte nessa porra ontem.

A mesma crítica se aplica a direita que repete ipsis litres a cegueira seletiva da esquerda… como podem as classes politicas de direita que tomaram o poder de seus aliados, a quem serviram muitas vezes serviram de capachos, dizerem que não sabiam de nada? Que não tem nada a ver com o que aconteceu? Que partido não chafurdou nessa lama do presidencialismo de compadres e sai limpinho e cheiroso? Como eles poderiam não estar metidos em tudo que CONTINUA acontecendo!!!

Como podemos ser tão cegos? “É a ideologia, seu idiota.”- respondi para mim mesmo.

Sim é óbvio que existe uma divisão ideológica no Brasil, um abismo profundo de classes, mas essa divisão não é entre a velha esquerda e direita, nem entre a classe burguesa e povão, mas sim entre a classe politica, essa aristocracia colonial, e o o resta da população que eles tratam como sua plebe. Uma divisão nada velada, de poderes, liberdades e direitos, muito bem marcada por foros e privilégios auto-outorgados por eles por eles em nosso nome, com a mesma cara-de-pau que um bandido do século passado passava cheques sem fundo falsificando assinatura dos outros.

A idiocracia só existe porque somos feitos de idiotas e só somos feitos de idiotas porque esse regime não é uma democracia é um estelionato. É uma tirania disfarçada, uma falsidade ideológica que usa técnicas completamente ultrapassadas e que não põe mais ninguém para dormir?

Teori está morto, e acidente ou não precisamos nos lembrar, que a justiça que esperamos não estaria nas mãos de um único homem se não houvesses foros privilégiados nem tribunais tão supremos. Precisamos lembrar que não só ele mas talvez muita gente poderia estar viva, como a moça que agonizou durante 70 minutos no avião se não houvesse uma classe de privilégiados eternamente no poder, que se mantém literalmente ao custo da vida alheia. Até como acidente isso é um assassinato.

Sim precisamos despertar, precisamos sair desse estado letárgico e rápido antes que quem venha acordar o povo como historinhas ainda piores sejam outros.

Já está passando do momentos de tolerar e até homenagear tiranos e até mesmo assassinos no poder desde eles que comungasse da nossa fé politica ou religiosa. A humanidade já passou por isso antes, e se nós idiotas não sabemos como acaba isso, os idiocratas no topo mais alto das pirâmides do poder não só sabem, como estão se lixando. e Muito deles até torcendo por isso. Afinal na conta deles menos de nós, menos plebe, seria apenas menos idiotas no mundo.

Será que vamos mesmo só ficar assistindo o funeral do nosso futuro?

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“A trapaça da sorte” e os Urubus sentados em cima dela.

Ave dolorosa

Ave perdida para sempre — crença
Perdida — segue a trilha que te traça
O Destino, ave negra da Desgraça,
Gêmea da Mágoa e núncia da Descrença!

Dos sonhos meus na Catedral imensa
Que nunca pouses. Lá, na névoa baça
Onde o teu vulto lúrido esvoaça,
Seja-te a vida uma agonia intensa!

Vives de crenças mortas e te nutres,
Empenhada na sanha dos abutres,
Num desespero rábido, assassino…

E hás de tombar um dia em mágoas lentas,
Negrejadas das asas lutulentas
Que te emprestar o corvo do Destino! — Augusto dos Anjos

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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