A Epistemologia e Teologia Libertárias de “A Liberdade é Sagrada”

O Anti-Estado e a Contra-Religião

Introdução

Das estratégias disruptivas subversivas e populares de desalienação e desculturalização

Cabe uma introdução da minha invasão no campo libertário da teologia e religião e cultos e mitos populares e milenares.

Uma coisa é aceitar a liberdade de culto, outra coisa é entregar um campo inteiro do saber, da cognição e até mesmo da significação da vida a ignorância ou pior ao fanatismo e intolerância. Não faz sentido se restringir as explicações materialistas nem racionalistas quando elas não são capazes de responder aos nossos anseios por explicações de origem e finalidade existencial quando não podem nos fornecer nada além de relações de causas e consequências que não vão além do mera casualidade que não preenche o vazio existencial. Pelo contrário só abre o espaço para o crescimento mais uma vez da religião e o Estado como meios de imposição de preconcepções e valores.

Quando as explicações que temos sobre a existência não consegue traspor a mero acaso; quando precisam recorrer ao rótulo das coincidências para explicar a razão de ser das coisas; não importa o quão lógica, científica ou bem sucedida elas sejam; elas começam a se tornam insuficientes a necessidade insaciável dos seres sensíveis por conhecimento, necessidade absolutamente idêntica a necessidade de significação das coisas, mesmo quando não sabemos bem o que elas signifiquem.

Quando a razão entre o materialismo e a necessidade buscar o sentido da vida no metafisico, opta por ficar dentro da segurança das fronteiras cientificas conhecidas, ela não esta salvando seus fenômenos, mas perdendo literalmente campo para as mais convencionais e socialmente aceitas formas de loucura.

A razão ao se restringir ao materialismo e ignorar a dimensão transcendental da vida mesmo quando ela nitidamente afeta de forma cada vez mais evidente os fenômenos físicos, é a um erro ainda maior do que simplesmente dividir o o homem e o saber em fé e razão, é simplesmente neste momento de crise entregar a humanidade ao avanço reacionário das concepções primitivas e totalitárias que reproduzem os mitos de dominação supremacistas e escravagistas, as técnicas primitivas de alienação e reprodução de domínios e dominados.

O ateísmo assim como o anarquismo e agnose são concepções fracas no combate a idolatria dos fanáticos religiosos, nacionalistas e racistas especialmente quando decaem em niilismo. Não apenas não freiam o desejo de controle e violação dos autoritários, como não compreendem nem afirmar a liberdade como o principio da ordem natural e universal que ela é. Eles não se comunicam com os povos nem com o senso comum, não falam do principio criador nem da liberdade como ordem livre e natural.

Ideologias são questão de perspectiva e portanto sujeitas a subjetividade e relativismo, mas a liberdade não é um ideia, uma mera abstração é um fenômeno, tal e qual a vida e neste sentido é absoluta e não pode ser relativizada nem subordinada a valores culturais, morais ou ideológicos. Vida, liberdade e identidade são princípios de fato anteriores e geradores da moralidade e ideais e não vem primeiro por uma questão de ordem superior, mas de lógica e necessidade.

O libertarismo obviamente é só uma ideologia como qualquer outra, mas a Liberdade é o principio lógico e geracional do que não existe,a força geradora volitiva que não deixa de existir apenas por que não está ao alcance de nossa percepção ou concepções materialista, e que não pode ser substituída pelo mero acaso — que não é senão o nome da ignorância predeterminista que insiste em se reconhecer como tal.

A simples aceitação do lugar comum para nossas próprias concepções já é o arcabouço da nossa consciência. Deus e Estado são nomes que poderiam ser eliminados, mas tanto a necessidades de compreensão e sentido original, final e principalmente atual para a coexistência, isto jamais poderia ser eliminado ou explicado pelo reducionismo predeterminista; assim como não se poderia eliminar junto como os termos ou os mitos as forças existenciais que eles encobrem. De fato a Liberdade é por definição o único principio que verdadeiramente merece o nome de“criador’: pois mesmo negado ou renegado sempre se afirma.

Não sou eu que estou invadindo com a minha razão e liberdade o campo dos fanáticos e idolatras milenares de deuses e estados, mas eles que a muito tempo perverteram a ordem livre e natural geradora da vida com suas fronteiras e campos de concentração do saber. Tempo demais.

Nitheche estava errado, não devemos matar Deus nem o Estados, mas libertá-los e resgatar o que é há universal e sagrado encerrado e pervertido na caixa- preta destes mitos. Quem deve cair são os sequestradores e perversores da liberdade e não a ordem criadora e criativa encerrada por eles.

Fé não é fanatismo, mas um estado de perpetua dúvida que configura a lucidez das certezas. A teologia libertária não é a imposição do libertarismo como culto contra a idolatria do poder ou racionalismo, mas sim a prática do respeito e proteção de todas as formas de entendimento que não tentam suprimir nenhuma das demais.

Não adianta fugir da realidade. Como ideologia a liberdade como qualquer outro valor jamais poderá ser imposta. Mas isso significa logicamente impor o impedimento de toda imposição forçada de valores. Não importa se são objeções de consciência filosóficas ou religiosas, esses princípios necessários a paz e liberdade se referem fé de uma pessoa e a direito a dignidade. Chame-os sagrados, chame-os universais; chame-os de consciência ou fé, são direito de uma pessoa e são inviolável.

A palavra liberta quando tem significado não para quem fala mas para quem ouve. Por isso quando afirmo que Deus não é Senhor ele é a Liberdade. Não se engane, não estou produzindo evangelho para alienados, mas o verbo, o código e as mensagens necessárias a libertação dos povos e pessoas infelizmente ainda presas na violência primitiva e obsoleta dos nossos ancestrais.

Deus é Liberdade. O Estado se não for libertário não é legitimo. E a sociedade se não for contra-violenta não é de paz, mas de ovelhas a espera de lobos e pastores.

Por que então não temos um mundo verdadeiramente livre e em paz ainda? Simplesmente porque as concepções primitivas autoritárias e totalitárias são ainda mais fortes e práticas e ocupam o imaginário e os espaços naturais, enquanto as libertárias não passam da negação das mesmas. A anarquia e ateísmo, assim como a não-violência são concepções que renegam o mal, mas não afirmar a Liberdade como a verdadeira ordem e bem. O medo dos absolutos no campo ideológico levou-no a dogmatização da relativização e do acaso no campo dos universais.

A contrariedade da liberdade no plano das ideias deve ser absolutamente garantida, mas no plano do real, não há nada de relativo nela, sua como violação é um crime contra humanidade e a natureza.

Posto desta maneira parece até que estou dizendo que se Deus como liberdade não existisse precisaria ser inventado.

Não.

É o oposto.

Entendo a liberdade como um fenômeno material e transcendental, gerador da inteligência e consciência. É a Liber do conhecimento e da vida como logos. Fé não é fanatismo, mas um estado de perpetua dúvida que configura a lucidez das certezas.

Simplificamente o que estou tentado dizer é que compreendo a liberdade como conhecimento constituinte da materialidade (espaço-tempo). E o conhecimento materializado é a matéria e movimento percebidos relativamente como tais. O conhecimento se manifesta em rede dos seres dotados de anima, mas somente enquanto os seres e a rede estão abertos e integrados não só aos seres conhecidos ou materializados do seu planos existencial (espaço-tempo), mas conectados com os princípios libertários, as forças geradoras destes multiversos como ordem criativa e indeterminada.

Sistemas fechados materialistas e predeterministas estão desconectados não apenas da natureza mas dos princípios geracionais da vida e indeterminância evolutiva e não só não compreendem o universo como rede, mas geram servidores burros como os Estados ou nossa ciência em estado de arte pela arte e inconsciente.

Nossa mente precisa se conectar ao mesmo tempo com o mundo e universo não apenas superficialmente conhecido mas o incognoscível que só pode ser intuído justamente pela busca de sentido e transformação do próprio mundo.

Enfim, estou dizendo que não apenas creio na materialidade transcendental dos princípios libertários como forças fundamentais geradoras da vida, como creio que nossa existência é a própria materialização perceptível destas forças interagindo no nosso plano físico-consciente. Em outras palavras que o fenômeno da nossa livre vontade é a própria realização do “milagre” reiterado da criação, ou em termos menos religiosos, da nossa existência neste tempo espaço e além.

O texto abaixo é do livro a Liberdade é Sagrada de 2014:

A percepção materialista ao ignorar a existência de realidades incognoscíveis, fecha as portas do pensamento ao transcendental, levantando fronteiras imaginárias ao livre pensamento para encerrar a concepção nos lugares comuns dos domínios mentais e físicos. Como todo culto ao absoluto, a preconcepção realista não apenas aparta e encerra o livre pensamento em campos de concentração do saber: a predeterminação dos entes e fenômenos segrega as formas de existência discriminadas e incompreendidas, privando-as não apenas da natureza e do bem comum, mas da sua integridade.

É impossível se apropriar da livre vontade, assim como alienar o ente consciente do seu espírito libertário, mas negar a alma libertária é o mesmo que perverter o corpo em prisão da criação, e o sujeito em objeto de observação e emprego de quem assim define as classes pelos signos. E assim como a fundação da dominação está na redução da significação do sujeito a objeto alienável, a libertação das classificações e generalizações está na desalienação pela transcendência dos preconceitos pela auto-significação dos sujeitos.

A liberdade nasce da consciência pela manifestação de cada espírito libertário de seus princípios e sentidos em atos que dão nexo e valor a sua coexistência no mundo. E a existência não é constituída pela vontade de poder, nem muito menos por nenhuma supremacia prepotente, mas pela liberdade criadora das formas existenciais, o nexo ligado ao princípio sagrado da liberdade.

O entendimento não é feito de abstrações preconceptivas, mas de nexos existenciais; a ligação entre concepções segregadas entre si, e a revelação de formas e relações inconcebíveis pela preconcepção. E se a abstração se faz da discriminação do sujeito em relação ao objeto, e da segregação destes do mundo como opostos; a compreensão é feita da religação dos contrapostos ao nexo da diversidade que dá sentido a sua concepção. O raciocínio materialista é rigorosamente o produto da ignorância da integração irredutível da diversidade.

Abstrair é delimitar o compreensível, literalmente ignorar para conhecer. Mas renegar o incognoscível é preconceber a abstração como realidade prepotente. A natureza não é elementar nem conjuntural, mas complexa e integrada. E a sombra totalitária se projetará sobre o mundo como imagem do real enquanto se tomar os limites intrínsecos aos sujeitos-objetos como o próprio conjunto de todas as coisas. Enquanto a nulidade da mesmificação for um estado real e as revoluções meramente a negação desta absoluta falta de sentido, os poderes supremos e os todos poderosos subjugarão pessoas e liberdades naturais.

Não; não será a destruição das velhas estruturas que derrubará os supremacistas e segregadores, mas a fé na liberdade de criação de novos mundos. A libertação é feita da desalienação do sujeito pela fé no espírito libertário manifesta nos atos de comunhão de livre e espontânea vontade. É pela religação do ente a seu princípio criador e consciência criativa que a humanidade se liberta das prepotências supremacistas e preconceitos materialistas. É pela fé na liberdade que a humanidade se livrará dos estados de segregação dos povos e discriminação dos seres humanos.

O preconceito materialista não nega apenas o desconhecido, ele renega tanto a realidade do que não pode apreender nem compreender, quanto à dignidade do incompreendido, sentenciando à supressão e inexistência, tudo e todos que não se normalizam as instituições que compõem o status quo. E se a afirmação do empiricamente irreconhecível foi importante à libertação do pensamento dos domínios de poderes mitológicos, hoje, serve aos estados supremacistas tão bem quanto qualquer mito original de poder.

O racionalismo reduzido a materialismo priva e aliena as pessoas do seu livre pensamento tanto quanto qualquer outra doutrina fundada na assunção de preceitos evidentes, logo inquestionáveis. O racionalismo se tornou assim um entrave ao conhecimento da complexidade difusa e transcendental, mas não só porque se reduziu ao materialismo realista, mas porque se perverteu em culto absoluto dos seus preceitos como signos de autoridade real.

A razão perdeu-se da ordem sagrada da liberdade geradora do saber. E o método racional ao cair na armadilha do poder supremo, ao sentar-se no trono perdeu também sua luz, decaindo igualmente em projeção do estado real. E como toda ordem que se julga representante da ideia de realeza, os juízes e autoridades sobre o mundo projetado a imagem e semelhança do poder central são os guardiões do novo templo da preconcepção, e servem a essa supremacia segregacionista, racionalizadora da escassez, desinformação e eugenia como se sua ordem desnaturada fosse a original. Não importa a cultura ou tempo, os sacerdotes e escribas do culto ao poder são sempre os mesmo professores da ordem das sombras como se fosse a luz da liberdade.

Pela força do condicionamento da repetição dos seus padrões banalizados desde o nascer até a morte na prisão perpétua de doutrinação, os doutores da lei ensinam no cativeiro do mundo artificial que o real é o natural. Mas a natureza não se rege por leis, a natureza é a ordem e a ordem natural não deriva da realidade de nenhuma autoridade ou determinação de poder, mas justamente do princípio contraditório, a capacidade de auto-regulação de cada existência, a capacidade dos entes e fenômenos interindependentes para criar e compartilhar tempos-espaços, a ordem natural não se erguer de nenhuma ordem preconcebida; a ordem natural advém do princípio criador: a Liberdade. A verdadeira realidade não é artificial, mas natural e advém não da projeção da lei dos homens e poderosos contra a natureza e a liberdade, mas da ordem libertária manifesta na natureza e no mundo livre. Na harmonia das sociedades e naturezas libertas dos domínios da violência e preconcepção.

A perversão da profissão do saber pela ordem do poder, penetrou nas ordens iluministas e as converteu em idólatras das estruturas piramidais. A ciência, outrora o abrigo contra a intolerância, ao agarrar-se nos seus próprios ritos e culto disfarçados de métodos e procedimentos se desintegrou na mediocridade da submissão a ordem preestabelecida. Para garantir a propriedade exclusiva do saber e a hierarquia, a nova ordem não apenas desintegrou e encerrou a razão nos seus domínios, mas também se prestou à vigia dos muros que apartam a fé da razão impedindo a liberdade de pensamento de se manifestar como fé racional e a razão de se professar sem as correntes do dogma racionalista.

A razão pervertida em racionalização do poder, e o raciocínio reduzido a encadeamento mental perverteu os caminhos do saber em campos de concentração dos preceitos e controle da desinformação e contrainformação. A razão convertida em estrutura de poder mais do que arcabouço do livre pensamento e segregadora das fés, se tornou a cultura desintegradora da humanidade provedora da ciência e religião servis aos estados, alienadas e aleijadas pela subserviência em todas as suas formas: política, econômica e epistemológica.

De todas as formas de servidão, de todos os cultos totalitários ao poder, nenhum jamais foi tão alienante quanto o culto que se julga a própria representação da verdade e razão, a encarnação do estado tribunal e real, juiz e senhor de todas as fés e culturas. De todos os fanáticos, nenhum é mais perigoso do que o supremacista incapaz de reconhecer sua própria cultura como culto, quando toma por objeto de idolatria nada menos que a sua própria percepção de mundo como representação total para todos.

Conhecimento nunca foi poder, conhecimento é liberdade, e liberdade de comunhão do pensamento. A propagação de ideias fixas; o culto disseminador da doença da compulsão obsessiva pelo poder e obediência; a cultura como se fosse arte; a ciência como o dogma da supraverdade, é ainda o culto milenar ao poder em sua forma moderna. E se o culto supremacista veste seu ídolo com os nomes de Deus, Razão ou Liberdade, o espetáculo da representação das formas não muda a essência da substancia; a propaganda do rótulo não muda o veneno do frasco: poder.

Fé sem razão é fanatismo. Mas quem coloca a razão acima da liberdade, não tem nem fé nem razão, mas idolatria ao poder supremo representado pelo ídolo da razão. E quem coloca sua fé na razão e sobretudo na preconcepção racionalista e não no livre pensamento e na permanente autocritica não tem fé, nem consciência, mas adoração ao seu ego projetado como superego contra o mundo. A face do culto não muda a forma do pensamento idolatra. Racionalistas, libertários, deístas e até agnósticos, todos são acometidos pelo mesmo afã no instante que passam acreditar poder tomar posse do insubstanciável, e pela ilusão de posse da verdade não a tomam nem a detém, mas dela se perdem, assim como da própria luz da liberdade e informação que continua sempre em movimento enquanto é ele que agarrado a sombra da verdade projetada que se detém para desaparecer junto com sua ilusão plastificada e mumificada de eternidade material.

Toda possessão materialista, todo signo de poder é ouro de tolo. Nada impede uma fé ou razão de contestar a outra, mas o pensamento que pretende se impor como único ou total, que não admite contradição, diversidade, nem dissensão, não é fé nem razão, é projeto de poder total. O pensamento científico ou religioso que se difunde por entitulamentos e invalidação do livre pensamento, não é fé nem razão, é crença. E ainda que seja verdadeiro para quem o tenha concebido nada é além de um preceito para o alienado que nunca pôs em questão o seu dogma.

O fanatismo não está na fé, nem muito menos na razão, mas na desintegração da fé na livre razão pela idolatria. Qualquer princípio transformado em objeto de culto, qualquer manifestação estética reduzida à cultura, qualquer massificação da preconcepção é perversão da liberdade pela simbolificação do poder. Qualquer preconcepção prepotente o suficiente para conceber sua representação como o domínio da autoridade e exclusão das outras formas de pensamento e existência não está fundamentada mais em princípios ou qualquer finalidade original da sua fundação, mas no culto à sua supremacia, a mera objetivação dos meios a perpetuação da sua existência material como signo do poder. Não é mais a manifestação de um ideal ou de um espírito, não é mais comunidade, associação, sociedade ou igreja, mas a sua negação, é corpo artificial, corporação, egrégora, um campo do domínio hierárquico de poder. Religião ou ciência uma vez submetida ao mesmo estado de poder, uma vez convertidas em domínios de pessoas e saberes, cultos e culturas são apenas organismos do mesmo sistema, da mesma egregora, encarnações e tentáculos do poder.

Não existe razão sem liberdade de pensamento e o racionalismo inconsciente, a razão desprovida da crítica de seus próprios fundamentos preconceituais é incapaz de escapar do círculo de causas e consequências redundantes para chegar até a origem dos princípios transcendentais. Entretanto o racionalismo autoritário, a ciência é incapaz de prover o conhecimento buscado do sentido e principio da vida, não apenas porque negue o nexo transcendente, mas antes de tudo porque traiu seu destino, se acovardou diante do poder e desistiu de adentrar os domínios do desconhecido já nas primeiras fogueiras, deixando não apenas ele entregue ao poder da irracionalidade idolatra, mas as pessoas.

A ciência rendida e vendida ao poder total não iluminará nem libertará. Ao desistir de avançar com a livre razão sobre a superstição sobre a besta e seus mitos, a ciência abandonou não apenas os crentes aos adoradores do poder total, mas constitui junto com os estados de poder, seus próprios campos de domínio sobre o mundo material e mental. E neste pacto maldito entre religião e ciência autoritárias, Deus e a Humanidade, a liberdade e a livre vontade foram novamente queimadas em holocaustos em nome dos ídolos dos territórios de poderes totais e em favor dos seus falsos representantes, os todos poderosos, sustentando seus falsos domínios absolutos como reais.

A verdade autoritária não libertará. Toda corporação se constitui pela negação da liberdade de comunhão, estado alienante que nega não apenas a reintegração dos entes e saberes, mas, sobretudo nega ao livre pensamento a transposição das fronteiras que delimitam tanto o conhecimento quanto o domínio do saber.

O poder embora seja um estado de prepotência de unidade absoluta, nunca é uno, mas muitos e sempre perpétuo em conflito deflagrado ou não. Os Estados são a Besta, mas o Demônio não é um único um braço ou estado de poder, mas o próprio estado maior dialético formado por todos eles em perpetua conflito; é a própria discórdia como realidade, o poder absoluto que se ergue como o inconsciente coletivo e difuso das legiões opostas. O governo dos governos do mundo: a Discórdia.

Antes dos Estados dividirem para conquistarem, a discórdia que os conquistou, dividiu e domina há milênios é a força obsessora que move os homens institucionalizados nos diversos territórios e culturas. Mas se todos nascemos presos a distopias panópticas, ninguém nasce condicionada aos seus cultos territoriais. Antes de privar o ser humano do seu direito de livre pensar e encarcerar seu corpo e sua mente em domínios de mito e poder; é necessário separar sua mente do seu espirito criativo, aparta-lo não apenas dos outros, mas de si mesmo; é necessário desintegrar sua fé de sua razão.

Os Estados não nasceram quando se aprendeu a plantar. Mas quando se aprendeu a domesticar plantas, animais e homens. Quando passou a cercar e apartar a natureza e o homem em domus feitos não de meramente de vigias e muros, mas de mitos, medos e privações controladas.

Mais do que a renegação e censura do livre pensamento nos campos de concentração do saber e viver, as “cracias” de todos os tipos (“racionais” ou “teológicas”), segregam, desintegram e alienam os cativos aos preceitos dos campos de plantação das suas ideias, não só pela privação do sagrado direito de ir e vir dos corpos, mas dos pensamentos. É pela subtração e controle dos meios vitais, materiais e mentais para pessoas manifestarem sua livre razão e viverem de acordo com sua livre e espontânea vontade que se inaugura as ideias e pessoas fixas e suas fixações.

Transcender o horizontes de eventos predelimitados e superpotencializados como a totalidade absoluta, os conjuntos universo, dos campos de concentração do conhecimento e do conhecido não é impossível é uma necessidade. Abandonar as representações fechada, estática, imóveis e finitas da realidade não é apenas um ato de desobediência contra a perversão, é ato de iluminação, é ver o reflexo invertido das abertas, dinâmicas e infinitamente diversas e mutáveis formas existenciais. É a transgressão necessária da ordem supremacista pela renúncia à idolatria ao poder real, antinatural e contralibertário. É a libertação da ditadura do preconcepções do visível e possessível em favor do Movimento Sagrado da Liberdade de Concepção.

É preciso ter coragem para se ter fé. Para buscar racionalmente e com paixão o conhecimento das coisas e sentidos mais importantes da vida. Para buscar livremente os nexos e significados de conceitos que se tornaram palavras vazias ou alarmes para uma massa transformada em rebanho.

Ninguém nunca verá com seus próprios olhos o átomo, mas poderá entender ou interpretar o mundo e, até mesmo, se orientar e criar utilizando o mundo invisível do campo atômico, subatômico e suas forças. Pessoas observam a ideia de um corpo fundamental indivisível com aparelhos, mas o que eles veem é a sua própria preconcepção do imperceptível intermediada por invenções. A mente abstrai e imputa seletivamente existência para preconceber status de sujeito e objeto a cada abstração que compõe sua visão de mundo. Visão que deriva assim, tanto da sua percepção quanto da preconcepção. E da mesma forma que quem observa o átomo dá a luz a sua concepção de mundo, quem pela fé racional toma consciência dos limites da sua própria compreensão, reconhece o incognoscível.

Verdades não são absolutas nem relativas, são complexos; conceptos com poder de realização, tanto por nexo compartilhado entre os entes dotados de inteligência, quanto pela sua conexão com a rede dos entes e fenômenos difusos presentes no mesmo espaço-tempo ou não. O que dá atualidade a uma verdade não é a sua adequação às visões, preconcepções, ou mesmas ordens e estados já concebidos, mas a capacidade criativa para dar significado à sua própria concepção não exatamente como realidade, mas como diversidade existencial.

É a criatividade para dar ordem complexa e independente que dá verdade e materialidade às ideias e ideais e não à vigilância e julgamento das preconcepções e estados de predeterminação do que é real. O que faz de uma ideia mais do que uma abstração ou previsão, não é a sua coerência com a realidade aparente ou predeterminada, mas justamente a revelação de princípios e sentidos com nexo suficiente para dar significado a uma determinada atualidade- mesmo que está atualidade não esteja ainda presente no seu tempo.

Nem toda ideia é revelação, assim como nem todo pensamento é produto da livre vontade. Pensamentos podem vir de desejos, compulsões, necessidades e condicionamentos. A livre vontade é o pensamento que nasce não das necessidades do corpo ou das forças do mundo, mas justamente a vontade independente das causas aparentes, necessidades e privações do corpo e da mente; é a vontade que nasce não como consequência da comodidade, amestramento ou desobediência, mas independente das imposições, pressuposições e condições. É a liberdade da vida que pode nascer contra todas as impossibilidades, e independente de todas as probabilidades, não como contrariedade, nem como afirmação, mas como transcendência.

O espírito não é uma ideia produzida pela matéria, mas a imanência do novo. O espírito é a anima intangível dotada da capacidade de materialização. O plano espiritual é a realidade transcendental, o campo onde a existência é concebida fora dos lugares comuns. O plano metafisico é o plano imperceptível e emergente da realidade. E a contradição aparente das palavras apenas indica que o plano metafísico, assim como o plano do infinitamente distinto em tempo espaço e movimento, escapa da percepção ordinária, da realidade normalizada pela repetição natural ou artificial.

A projeção do real, a repetição dos mesmos padrões, fenômenos, e ritos cotidianos, são estressados e contrariados em situações limites, onde os campos do evidente e do incognoscível se encontram; onde rigorosamente nossa percepção e preconcepções são levadas às suas fronteiras; onde o estado real, ou melhor, a percepção ordinária da existência superficial e aparentemente estável cai diante da realidade dinâmica, criativa e revolucionária.

Perante a experiência da proximidade da concepção de eternidade e infinidade, nestes instantes ou a consciência se abre e transcende a contradição aparente, ou o ente se fecha e levanta muros de nulidades, insignificâncias e niilismo contra o horizonte de eventos do novo. Ou o homem sai da caverna e se levanta contra o espetáculo de sombras na parede ou assassina o mensageiro em nome da uniformização. Mas o código não morre com o mensageiro, se abre.

A existência com significado, o ato significativo não tem origem na matéria, mas no espírito libertário e não se finda no corpo, mas se dissemina como lucidez imanente e indestrutível por todo o sistema.

Nos estados limites da matéria o plano metafisico, os planos espirituais libertários estão mais explícitos. A criação banalizada pela presença contínua e reiterada se renova nestes estados de observação retomando a noção imprescindível do mistério original da anima para o observador. E aquilo que nos planos da sua percepção ordinária é apenas matéria, nos plano dinâmico das redes complexas, é reconcebido como os nexos transcendente e libertário da criação.

A alma das coisas está nos princípios transcendentais que dão forma e movimento às coisas, à manifestação de identidade própria. A ordem não é ausência da complexidade é oposta é a negação da nulidade pela co-significância, é a negação da inercia pela força fundamental da vontade das existências em interação. A matéria não é formada por formas estruturais, é movimento percebido como forma num dado momento. Matéria é a forma perceptível da vontade manifesta. O espírito pode existir independente da matéria, mas não há materialização sem conexão com as outras formas de existência que se manifestando refletidas umas nas outras integram o espaço e tempo do seu mundo.

A consciência da existência autônoma do ente nasce da percepção da interação do ente com o mundo existente. Assim como a materialidade sem espiritualidade é uma ilusão, a espiritualidade como fenômeno absoluto é ficção. Não existe fenômeno completamente fechado ou desintegrado, pois a ausência completa de conexão é nulidade. O universo não é constituído meramente de um encadeamento de causas e consequências. Causas e consequências são a percepção da manifestação das forças de vontade conexas uma às outras e que dão forma a existência no espaço-tempo.

Vontade que se presentifica como a trajetória não determinada pelo tempo e espaço, mas por forças fundamentais transcendentes. Existência formada não apenas de eventos passados e estruturas presentes, mas permanentemente gerada pela rede de livres vontades atemporais que se realizarão. E os entes e eventos do passado, assim como os do futuro, são tão partícipes do presente, quanto à atualidade percebida, não apenas na medida das causas e consequências, mas no grau de integração para além do seu tempo e espaço no plano transcendente.

Deus não é entidade absoluta, mas a transcendência e imanência completamente integrada e difusa que está em tudo e todos sem pertencer a absolutamente nada. Deus é Liberdade e ninguém é senhor absoluto do seu destino, nem escravo do meio, porque a existência de cada ser e fenômeno é dada não de forma isolada, mas pela relação com os outros seres igualmente dotados de vontade tanto próximos quanto distantes, tanto conhecidos quanto desconhecidos. Um ser ou evento nunca deixa de interagir com a rede presente mesmo que para estes seres atuais a sua existência tenha se tornado apenas espiritual. A única morte possível é a irrealização do espírito libertário como coexistência e consciência.

A vontade pura é infinita e a tendência da existência não é permanecer a mesma, mas se manifestar em todas as formas possíveis, e onde há impedimento das formas coexistem e se integrarem no mesmo espaço-tempo, onde não houver possibilidade para as livres vontades se manifestarem em comunhão, pela mesma força de suas vontades novas realidades se formarão abrindo novos espaços e tempos possíveis para a sua integração. Novos Multiversos não apenas alternativos, mas materialmente diversos.

Ninguém precisa viajar ou reencarnar no passado ou futuro para mudar o mundo, toda ação presente gera uma bifurcação não apenas em direção ao futuro, mas em direção ao passado alterando não o tempo ou história, mas gerando novos mundos tão conexos quanto possível e tão alternativos ou novos quanto à necessidade de diversificação de possibilidades independentes de espaço-tempos.

A ordem do Universo não é o que não pode ser visto não existe, nem o que não tem razão preexistente para existir não acontecerá. A inércia é uma abstração perfeitamente lógica, mas ainda assim um apenas uma dedução racional e não uma força fundamental. Simplesmente não existe nada absolutamente ou permanente inerte. A ordem do universo como sistema dinâmico não é inercial, mas justamente a sua contradição: a manifestação dinâmica de toda a diversidade de padrões independentes aos preexistentes que justamente por sua repetição se continua se fazem nada, ou melhor, plataforma para a criação. A ordem do universo não é dialética, entrópica ou inercial, a ordem do universo é libertária, a ordem da geração transcendente dos novos padrões complexos.

A ordem libertária é a constituição autônoma de todas as formas existência e tantas formas diversas quanto as necessárias para dar materialidade às livres vontades difusas, sejam elas materializadas a partir de um mesmo mundo, advenham elas do mundo transcendental. Nem tudo que é possível se realizará, mas toda vontade com nexo suficiente para integrar-se irá emergir senão neste tempo e espaço em outro, mesmo que para sua manifestação seja necessário o rompimento com a velha ordem e o nascimento de um novo mundo.

Partindo da Vontade Pura e ligados a Ela, haverão tantos entes e fenômenos quantas forem às forças de suas vontades constituintes, e tantas realidades conexas quanto à capacidade de coexistência, exatamente pelo mesmo princípio que haverá tantas realidades paralelas quantas forem às forças criativas impossíveis de se materializarem no mesmo tempo e espaço.

E quem quiser entender que entenda, há tantos universos e realidades nascendo neste exato instante capazes de mudar não apenas nosso futuro, mas nosso passado, capazes de multiplicar criativamente nosso presente quanto à diversidade de autodeterminação materializada das livres vontades não apenas vivas, mas nascendo agora mesmo em todos os tempos e espaços simultâneos, passados e vindouros.

Universos que não se chocam nem se destroem como a matéria, mas que como o própria força fundamental criadora a liberdade se multiplicam e diversificam tanto pela sua conexão quanto pela sua difusão.

Toda força de vontade conexa é capaz de criar tempo e espaço. A existência não é o que está posto, mas a própria capacidade de indeterminação. O visível é ilusão de delimitação do indeterminado. O Universo é a manifestação permanente da vontade pura, a própria geração da diversidade infinita não da materialidade, mas de tempos e espaços para a materialização.

O impossível é apenas a estrutura delimitada da rede que não encerra nenhum espírito à sua formalidade, mas constitui a sua conexão. O mundo material não é uma caixa, mas uma porta. A materialidade não é a forma preconcebida nem imaginada do espírito, mas a manifestação instantânea do nexo. Não importa se o novo universo seja uma bifurcação de um mundo preexistente, ou seja, o produto de uma atualidade completamente nova e independente em relação à realidade conhecida haverá tantos universos quantos forças com poder de concepção de ordens autossustentadas e independentes, todas interligadas pelo princípio criador original: A liberdade, Deus.

A vontade existe independente da matéria, mas ela só se realiza como ato de fé. A materialização de uma nova realidade mesmo neste mundo só se faz pela força da sua vontade como ato e não como imaginação. Fé se professa pelo ato, pela ação e não-ação significativa no mundo. São as ações e não-ações criativas, que mudam e constroem os novos mundos. Aquilo que não pode ser neste mundo e que, contudo se faz presente, o impossível que se realiza como ato não altera apenas o futuro, mas o passado, cria um evento difuso no tempo e no espaço, uma nova realidade que não destrói a ordem preestabelecida, ergue uma nova ordem a sua revelia.

Atos de fé podem mudar o mundo e multiplicar realidades, mas não anulam o que está feito. As coisas podem ser destruídas, mas nada pode ser apagar da existência. Nem mesmo o princípio criador pode anular ou negar a criação, porque sua própria negação não é destrutiva, mas a recriadora. Nada pode fechar a atualidade para o princípio criador e os espíritos criativos recriarem novos mundos e realidades diversas. Nada tem poder para impedir a vontade criativa de multiplicar a diversidade existencial pela difusão dos tempos e espaços.

Nenhuma realidade constituída é capaz de anular a capacidade de cada ato independente gerar espaço e tempo necessário a materialização da sua força fundamental, criativa, libertária e autodeterminada. E a força de vontade reprimida nesta existência material, neste tempo e neste espaço não se anula e irá se manifestar explodir com toda a sua força represada como o nascimento de todo um novo mundo. E nada poderá impedir que um mesma alma que um dia viveu ou vive num plano, coexista em múltiplos corpos tempos e espaços difusos, em metaversos simultâneos, ainda que conexos senão pela livre vontade do seu espírito libertário. O universo não é a finalidade nem muito menos o fim do princípio criador. Assim como a ordem libertária não é o limite ao espírito livre e criativo feito à imagem e semelhança de Deus para a formação da sua existência, mas o principio que lhe dá anima e origem.

A fé não move só montanhas, a fé cria novos mundos. A fé que liberta os espíritos e cria novos mundos sem sequer precisar sair das celas do velho. Deus é liberdade, e a fé o estado de consciência como libertação da criação.

Quando nossa capacidade de compreensão ultrapassará nossos conhecimentos? Ou quando vamos descobrir que sempre haverá novos e outros mundos senão mais descobrir a inventar?

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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