A Economia Compartilhada muito além do Uber (Parte 4)

Síndrome de Cronos

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Tentar compreender a economia compartilhada num mundo onde a maquina estatal está se reestruturando e de forma brutal teocrática e fascista sem desnudar os interesses estatais e corporativos dos países supremacistas é servir ainda que involuntariamente aos interesses deste jogo da desinformação que compõe a ordem de processamento destas máquinas estatais para seus robôs e autômatos. Olhar portanto para revolução da tecnologia da informação ignorando o movimento dos jogadores geopolíticos contra toda vida natural livre e humana do planeta, tomando por base suas estruturas artificiais é pedir para perder.

Assim com para acabar com a escravidão não bastava decretar o quanto é ultrajante a escravidão, e jogar todos os negros na miséria, ainda havia e há de se pagar o que se deve pelo que lhe foi roubado. Também no caso dos empregos não basta apenas deixar que eles desapareçam, se você pensa que pode extinguir ou subsídios e exploração sobre o trabalho sem compensar quem foi explorado, você merece serviços de gente disposto a pagar a proteção de força bruta legal ou ilegal para desfrutar sozinho do controle do território.

Por isso se você acha que como consumidor ou contribuinte você não tem nada a ver com o trabalho escravo ou forçado pela necessidade ou subsidiado pela violência, expropriado por monopólios, se você quer mesmo comprar o produto pelo menor preço impossível, ou o mais caro que uma marca pode propiciar, se você quer tudo sem se importar se quem produz é livre ou não; se você acha que não deve nada a ninguém por subsidiar o crime daqueles que vendem e compram seres humanos como recursos nos mercados internacionais e corporativos, então você merece não apenas o governo que tem, mas o mundo que ele (não) vai deixar.

A economia compartilhada vai precisar compartilhar muito mais do que informação se quiser ser a base tecnológico revolucionária de um novo sistema socioeconômico pós estatal. Compartilhar informação é capital, mas não comemos, não respiramos não bebemos não ocupamos informação. E se a por uma lado a privação e segregação destes bens naturais só é possível em larga escala com tecnologia, o fato desta tecnologia não só não exigir mais essa privação como pelo contrario demandar contraditoriamente que esses impedimentos que geram a pobreza material, sejam removidos não implica que eles serão removidos.

É obvio que a tecnologia da informação não pode ser freada, mas está não é a questão: a pergunta é até onde ela poderia libertar o ser humano das privações artificiais dos seus direitos naturais e até onde os donos dos sistemas por onde circulam está informação estão dispostos que o software funcione contra o hardware? As pessoas acham que eles não puxariam o novo mundo da tomada? Porque não? Vou inverter a perguntar você acha mesmo que essa gente prefere viver melhor como uma pessoa comum ou um rei no meio da pobreza?

Se você escolheu a primeira alternativa é porque não conhece o que move os donos do jogo. Eles não ligam tanto para próprio estar quando satisfazer seus maior vicio que não é a cocaína nem o dinheiro, é o poder.

O poder é uma síndrome psicótica que não está apenas a repressão do Eros mas a satisfação psicopática de um tanatos, é uma síndrome de Cronos que devora tudo que é vivo ou novo, mas toda nova geração para alimentar suas fantasias de eternidade encarnadas nos mitos supremacistas seculares ou divinos de poder total. Sua corporificação, sua institucionalização como sistema corporativo e politico-econômico não redunda apenas em infantarias, ou no extermínio eugenista (ora positivo ora negativo) de populações infantilizadas, redunda também processo reiterado de incorporação das inovações e invenções ao próprio sistema e a sua finalidade antinatural.

Ao longo da história muitas tecnologias foram destruídas ou permaneceram propositadamente atrasadas não apenas para preservar os ganhos corporativos de monopólios contra a inovação, há que se entender que os ganhos por subsidio violento contra a livre concorrência não produzem riqueza mas poder econômico que não é senão a materialização deste poder politico. Tecnologias se preciso for serão descartadas, marginalizadas, terão como o Pirate Bay buscar suas sealands e se tornar piratas no mar para sustentar seus sonhos de liberdade. Tecnologias como qualquer conhecimento não precisa precisam ser refreadas, basta ser pervertidos. A finalidade dos sistemas estato-privados não são economicistas não são a mera maximização de riqueza ou bem estar.

O fanático o maníaco por poder não ambiciona propriamente o domínio sobre ter coisas, mas sobre seres reduzidos a coisas. Se empalham os seres animados é porque não é podem tê-los sem destruir a sua anima. Há que se entender a psicopatia do poder para se entender a estatização e privatização da vida. A alienação não é meramente uma perde para que eles alcancem sus objetivos de posse materialistas, A possessão das coisas é controle de vidas alheia e suas formas porque rigorosamente coisas são abstrações que só existem na projeção da mente dos sujeitos apropriadores, no mundo natural o que existem são seres em rede, onde o domínio formado por seu campo existencial volitivo suas propriedade sobre si e as coisas estão sobrepostos uns sobre em permanente interação. E se são excludentes ou agregadores insto depende mais da vontade mútua de entendimento do que como “as coisas são”.

Ter e poder são exatamente o mesmo fenômeno de dominação-alienação tomados de ponto de vistas diferentes e em momentos distintos, assim como a liberdade se compõe justamente pelo principio inverso das abstrações, as concepções que constituem a materialidade conexa dos seres. O poder é o domínio sobre Mundo, o domínio sobre sua concepção como sentido e destino; é a posse da sua natureza como meio vital e identidade, seu controle como possessão. O estado é a apenas o corpo da força de controle, essa força não controla o território e habitantes só porque monopoliza seus meios vitais, mas porque domina a concepção das posses e poderes. Não adianta colocar o sistema, sem neutralizar também sua capacidade autodestrutiva para dar um tapa no tabuleiro.

Se você se interessa por história sabe que quem se acostuma ao poder prefere governar destroços e permanente em estado de guerra do que que viver em igualdade de poder num mundo em paz. Prefere fabricar a miserais para governar ignorantes nas sombras, do que viver sem supremacia como uma pessoa comum em paz. Enquanto o capital natural estiver monopolizado por violência, e a violência for considerada meio legitimo de posse do capital nenhuma tecnologia ira mudar o mundo, porque o conhecimento e seus produtores terão que se vender em troca de pão.

Poder não é meramente a força nem conhecimento poder é capacidade de predeterminação, é culto, é controle de massas. Não apenas fazer como que as pessoas repitam sem pensar o que você pensa, ou mas renegar seu próprio pensamento e interesse em favor do que é está dado. Não se engane até mesmo aqueles que se julga as mais individualistas e egoístas das pessoas podem não passam de repetidoras, autômatos repetindo o que lhe ensinaram sem pensar o que melhor ou pior para elas.

Das tecnologias inventadas pelo homem nenhuma foi mais revolucionaria para nossa evolução do que a simbolificação. E hoje nenhuma está mais a serviço do poder e carente de reinvenção do que ela. A auto-significação e a co-significação precisam ser reinventadas, e talvez a interação com a linguagens das máquinas atuais permita aos homens voltar a se reapropriar do seu universo simbólico para novamente reencontrar a si mesmo, porém não o fará sem dominar a codificação da própria vida. Quanta tolice os homens querem inventar máquinas capazes de se auto programar e se esquece de perguntar quem está no controle de sua programação, ele ou suas próprias invenções?

Nenhum sistema de codificação pode reprogramar o sistema sem tomar o controle e reconfigurar o seu próprio programação de valores e concepções. As pessoas temem quando as maquinas dominarão o mundo. E quando dizem isso olham para sua ficção científica e temem pelo emancipação dos seus drones, inteligências artificiais e robôs. Mas olhes para o aparelho estatal, ou melhor olhem para si mesmos? Como podem máquinas dominadas por máquinas, terminais burros orgânicos e inorgânicos fazerem uma revolução contra seu senhor sem alma, sem soul, se são eles a alma alienada desta colmeia? Povos depois de muito tempo escravizados ficam brancos demais para se criar qualquer coisa nova, para revolucionar. Para se lembrar de como era ser livre. E tecnologia não nenhuma pode emular isto. Tecnologia pode substituir o ser humano em tudo exceto na tarefa de ser humano. Essa não pode ser delegada, ser ou não ser continua a ser a questão. E ninguém foge dela nem se clonando ou matando.

Nenhuma liberdade nem enquanto proprioconcepção nem como tecnologia social virá sem afirmação da livre vontade sem a religação espiritual sim espiritual não apenas pineal ou campo magnética, mas transcendente ao incognoscível como a capacidade de autodeterminação? Sem a reconexão da intelectualidade volitiva com a rede natural da vida não a libertação, não no grau necessário de criativa não recriar a vida. Nossos inteligências artificiais do ponto de vista da criatividade, da verdadeira ordem geracional da concepção ainda não passam de autômatos de Heron. Incríveis mas meramente produto de programação.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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