A Economia Compartilhada muito além do Uber (Parte 3)

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The Ubers

Sim. É inegável que a nova revolução industrial da tecnologia da informação põe em cheque o trabalho servil contemporâneo, mas não irá acabar com territórios de extração do trabalho escravo nem de servidão politica. Falar de novos sistemas socioeconômicos dentro do mesmo dogma trabalhista é apenas falar de novos métodos e tecnologias de produção, revolução industriais não econômicas. Porque nada que não toque na desigualdade sobre o bem comum pode sem ser pretencioso chamar-se de nova politica ou economia.

Sim, no passado foram os taxis que eram o alvo dos ultrapassados serviços dos charreteiros. É evidente que é patético tentar deter o avanço tecnológico com proibições, ou mesmo (ainda que não seja um consenso no Brasil) manter uma economia com subsídios governamentais, mas justamente por estar a questão no contexto maior do: avanço tecnológico; mudança de paradigma estatal; e até do próprio trabalho-emprego; sua solução não é dada a canetas. De fato a solução não só não pode ser dada a caneta, mas tirando as canetadas que concedem vantagens indevidas e interferem na livre concorrência dos dois lados. E isto quer dizer, que não só se deveria devolver o que foi expropriado de todas as partes envolvidas muito antes do Uber surgir, mas se deveria restituir o devido a todos empresários e trabalhadores prejudicados pela sua ingerência estatal, compensando-os pelos capitais perdidos e que os impedem tanto de competir com os Ubers da vida, quanto os tornam dependentes de quem sequestrou seus direitos verdadeiros e não fictícios.

Será que há verdadeiros defensores do livre mercado com coragem para defender que da mesma forma que o taxista não pode ter o subsídio legal para deter o monopólio do transporte de pessoas, o Uber não pode ter subsídio legal para deter o monopólio da produção de softwares de transporte?

Se estamos mesmo interessados em livre mercado e não só remover a reserva de mercado dos “taxistas” ou melhor dos “proprietários dos pontos de taxi”, devemos discutir a remoção dos subsídios no mínimo de toda a cadeia a de serviços e produção de transporte, partindo dos fabricantes de veículos, estradas e demais tecnologias de comunicação como o Uber. Porque do contrario sem respeitar esse principio de isonomia para a livre concorrência o que estamos fazendo é na pratica esmagando uma classe de trabalhadores, para transferir os subsídios dos proprietários de taxis aos proprietários da tecnologia da comunicação.

Em outras palavras temos que indubitavelmente (e para ontem) eliminar todo protecionismo e estatal e reservas de mercados, mas não só dos proprietários de pontos de táxi, mas de todas reservas de mercado disfarçada de propriedade, como a propriedade intelectual de tecnologias como o Uber, cuja posse de fato não existe senão exatamente como um pontos de táxi, ou seja, como um privilégio governamental contra o fluxo livre do capital e do trabalho um entrave a verdadeira livre competição, E neste caso Uber com um agravante o capital beneficiado para variar é o estrangeiro.

Empresas como Uber estão muito bem protegidos e subsidiados pelas leis dos seus Estados Nações centrais. O que nós em nossos estados periféricos- com esses políticos e empresários senão vendidos e rendidos- podemos fazer? Podemos não deixar que os políticos [i]levantem leis estupidas e protecionistas que prejudicam a população em geral, já é um começo. Denunciar que Ubers não são nenhuma fundação filantrópica, aliás são o contrário. Podemos também denunciar que acreditamos que nossos políticos são limítrofes e que acreditamos que estão ligados até a máfias de transporte, isto seria importantíssimo se não extremamente perigoso. Porque neste caso você pode sofrer ameaças não só ilegais mas legais; se não for um comediante[ii] pode ser processado e ter que comprovar que aquilo que você não afirma mas só acredita é verdade. Como se vê o protecionismo estatal não se restringe as reservas de mercado, se estende aos protegidos até mesmo contra as liberdades mais fundamentais de credo consciência e expressão dos mesmos.

No Brasil um monte de crimes e criminosos, roubos, apropriações indébitas propriedades falsas tudo quanto é falcatrua e bandidagem vai se acumulando ao ponto de se tornar até mesmo público e notório, mas ainda sim você não pode falar o que pensa nem o que pensa que sabe com medo de tudo e todos inclusive de quem supostamente deveria te proteger. O Brasil nunca foi um estado policial sempre foi um estado bandido mesmo. Outorgando propriedades a ladroes e roubando sistematicamente com tributos e trabalho servil toda sua população. E o governo gringo que não tiver crimes de guerra, genocídio de populações nativas ou massacres de trabalhadores protestando por pão que jogue a primeira.

Veja portanto que não é só a reserva de mercado disfarçada de propriedade que tem subsídios legais contra as propriedades natural mas também os direitos de liberdade de expressão são feridos pelo estadismo autoritário. Se um dia fizermos uma analise verdadeiramente justa, julgarmos por uma justiça que não é também o produto da reserva de mercado mor, veremos que muito do que chamamos de direitos são títulos de privilégios estatal concedidos indevidamente a particulares contra direitos naturais dos indivíduos; e muito do que se chama propriedade na verdade é a expropriação estatais de bens comuns e particulares para formar não apenas reservas de mercado privados mas o pior dos monopólios, o mantidos na base da mais antiga e primitiva das tecnologia inventada pelo homem: o porrete.

Por isso, por mais incrível que possa parecer e até mesmos os próprios taxistas não acreditarem, o problema não está no Uber mas na “protecionismo” estatal não só para nosso com seus serviços, mas também para a tecnologia proprietária evidentemente estrangeira, afinal como é que se produz tecnologia competitiva num pais descapitalizado por burocracia e monopólios? Porém se consegui não complicar demais meu raciocínio se por mérito seu você consegui entender meu raciocínio: não podemos sequer simplesmente acabar com ambos subsídios sem compensar os prejudicados proporcionalmente, ou mesmo demandar restituição dos privilegiados indevidamente.

A governança a lá Pilatos não devolveria instantaneamente o equilíbrio perdido necessário a livre concorrência. Necessário se faz portanto: compensar aqueles que pagaram pela proteção estatal, isto é todos os trabalhadores que pagaram para poder trabalhar durante todo o período em que era proibido transportar pessoas sem pagar ao estado.

Claro que não sou ingênuo e sei que o maior prejudicado não é quem teve que pagar, mas quem não tinha como pagar ao estado, e não pode sequer trabalhar. O dilema do microempresário. Mas separado o joio do trigo, o trabalhador e empresário que ganham sua vida do sua trabalho e propriedade e os atravessadores disfarçados que ganham e ganharam muito junto a ingerência governamental, os táxis devem receber a reparação correspondente a tudo que o que foi entesourado durante o período protecionista, e não apenas cobrado do tesouro estatal mas dos particulares beneficiados pela exploração do trabalho em regime de reserva de mercado.

Quem sabe assim removendo todas as reservas de mercado e restituindo aos trabalhadores o que lhes pertence e que nunca deveria ter sido roubado, eles devidamente capitalização não possam enfim também aderir a livre iniciativa e também eles se tornar empreendedores de seus próprios serviços de alta tecnologia, e quem sabe senão competir em condições iguais ao menos ter uma chance de concorrer ou sobreviver com uma ferramenta tecnológica que já nasceu estrategicamente protegida e hipercaplitalizada.

E aí, quem é a direita ou esquerda ama a justiça e a liberdade assim?

[ii] E olhe lá. No Brasil é lei: não se pode falar coisas sérias se não for brincando.

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