A Economia Compartilhada muito além do Uber (Parte 2)

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http://www.nydailynews.com/news/world/foxconn-employee-jumps-death-southwest-china-article-1.1095686

“Mas e os Empregos?”

A questão da perda dos empregos e da economia compartilhada é só uma parte da historia e está longe de ser seu fim. A luta pela liberdade vem muito antes da mera evolução tecnológica e está muito além dos domínios dela. Ela é uma questão milenar e transcendental, mas que se manifesta sim (e dolorosamente) no dia a dia, nas técnicas não apenas de produção ou de controle da população, mas sobretudo de reprodução cultural das populações como recursos. Um questão que está, portanto, presente nos mais simples e importantes conflitos da humanidade e da atualidade. Mas vou tomá-la por uma de suas partes atualmente mais caras e expostas: o Uber.

Dizem que o Uber pertence a chamada nova economia compartilhada e que ele não pode (não deve) ser destruídos pelos Estados, pois sua perseguição arretaria em custos e prejuízos consideráveis para toda sociedade: fora a perda de competitividade da próprio estado-nação protecionista que ainda sim não conseguiria por um fim ao serviço, dado que está fundamentado em um avanço tecnológico que não pode ser parado meramente com o subsidio estatal da coerção violenta e suas proibições. Todos argumentos corretos. Porém que se considerados como se fosse o todo da questão se tornam não só meias verdades, mas uma mentira. Será que todos que defendem por aqui o Uber são exatamente os mesmos defendem em seus países origem o Pirate Bay e o Popcorn, ou não estão alinhados com os que os perseguem? O Uber é economia compartilhada? com certeza, mas pero no mucho.

Não, não é uma mera questão de interesses de países centrais e periféricos, mas a questão central a da propriedade intelectual, que se reflete como um dos fator cada vez mais determinante a nova divisões nacionais e internacionais do trabalho, isto não se põe na mesa de negociação política. Por isso não devemos por enquanto falar dos hipócritas dos países centralizadores, tratemos primeiros dos nossos velhos conhecidos feitores de senzalas, nosso hipócritas dos países periféricos.

Porque mesmo sendo evidente obsolência econômica do trabalho assalariado perante a revolução informática parece que as socialdemocracias não querem se dar conta que o trabalhismo foi-se, nem pelo bem-estar social dos estados e nações querem admitir que o trabalhismo já deveria começar a ser substituído politicamente por outros paradigmas. Contudo o dogma do trabalho na periferia do mundo continua intocável tanto das direitas neoescravagistas quantas das esquerdas pelegas e reacionárias. Ninguém quer olhar a Luneta de Galileu. Preferem exclamar como se ainda existisse no final do século XX, mas e os empregos?

Não. Ninguém por aqui é tão idiota que acredita que os velhos políticos e empresários estão preocupados com os empregos. Eles mais do que nunca soam como são: velhos escravagistas perto da quando da iminência de uma nova abolição demostrando novamente toda a sua enorme preocupação pela perda da sua mão-de-obra subsidiada por necessidades artificiais e protecionismo estatais. Na neoescravidão do presente, o emprego, vemos que os que lucram com o trabalho alienado não estão preocupados com os postos “tomados” pelo Uber, pela economia semi-compartilhada, mas sim com os empregados e funções que perdem. Pois embora emprego e trabalho estejam forçosa e artificialmente unidos nos nossos sistemas de produção há um abismo separando os interesses dos trabalhadores dos empregados mesmo que estes nem se lembrem mais, e que começa a ser reaberto não pelos Ubers da vida, mas rigorosamente pela própria crise não só fase financeira do capitalismo atual mas sua raiz a redução dos custo de produção a quase zero que tornam o empregado obsoleto.

O Uber não é um serviço pirata é business. Um modelo de negócios globalizado que os estados periféricos não detém a propriedade para controlar. E por isso quando as autoridades e perguntam, mas e os empregos? sua preocupação se traduz em : qual a função da máquina estatal dentro desse novo arranjo do sistema onde não se precisará mais extrair trabalho forçado pela privação das necessidades vitais? Ou em bom português: o que eu capataz da farei quando o neoescravagismo acabar?

Mas é injusto colocar todo o medo do novo sistema só nas preocupações mesquinhas dos capatazes, tenha certeza que os donos da fazenda já estão refazendo suas contas e se perguntando por que manter tantas bocas comendo SEUS recursos se não servem mais de burros de cargas. Despopulação é um agenda bem velha. O problema é que se esqueceram de combinar com o mundo inteiro. E talvez um pouco tarde demais tenham se lembrando que dinheiro não faz não dinheiro. Que o capital não reproduz ainda sozinho. E passaram a depender de uma China cujo maior capital não era senão seu povo estatizado a o trabalho escravo para as mais avançadas empresas de tecnologias do mundo.

As duas máquinas estatais uma que reduz as pessoas a coisas para produz coisas, a outra a coisa para consumir coisas, tornaram-se mutuamente dependentes em seus processo autodestrutivo e ecologicamente destrutivo. E agora dependem de uma revolução não apenas tecnológica mas socioeconômica que reconceba a riqueza da estupida e artificial rarificação e acumular para a valorização da multiplicidade e diversidade natural das organizações e organismos.

Talvez você esteja se perguntando, mas como assim? Mas e como as pessoas vão viver sem empregos no futuro? Como as pessoas vão se alimentar sem trabalhar para os outros? Pane nos terminais burros. Calma. As pessoas vai continuar trabalhando só que num pouco menos para os outros, um pouco mais para si mesmo. Com mais gente podendo trabalhar no que quer para quem quer e até mesmo para si mesmo ou naquilo que acredito e menos gente trabalhando para quem não quer, no não quer e contra tudo aquilo que defende.

Ademais precarização não é nenhuma salvação, e nem de nada que deva ser salvo ou que sequer consiga se sustentar sem o subsidio estatal. O Trabalho alienado jamais existiria sem a estatização dos direitos e propriedades naturais (particulares e comuns) e não é algo que deve por justiça ser regulado ou amenizado, é um crimes, uma violação de direitos e liberdades fundamentais e como tal não deve ser contemporizado deve ser abolido e as vitimas indenizadas: trabalhadores consumidores e empresários que prejudicados como o subsídio estatal ao trabalho forçado.

É preciso, portanto acabar tanto como a precarização do trabalho quanto o subsidio a sua alienação. As alternativas são simples por que são poucas. Com cada vez menos gente precisando trabalhar para produzir coisas necessárias e uteis de duas uma:

· Ou continuamos a empregar o tempo livre de todo mundo em trabalhos estúpidos fabricando coisa inúteis até explodir o mundo em lixo e idiotice, apenas para manter o dogma do trabalho servir e obediente porque “o tempo livre é a oficina do diabo”, marginalizando e prendendo todos que não se institucionalizem voluntariamente .

· Ou paramos de mentir e infantilizar as pessoas com mitos escravagistas e entramos numa era de livre iniciativa criatividade e produção competitiva.

A primeira solução é ruim para todos mas boa a curto prazo da existência de alguns que não ligam para nada além da sua própria vida. A segunda é boa para a maioria do mundo, mas ruim para essa geração de parasitas até das próximas gerações que não por acaso lucrando com a destruição da natureza e a pobreza, eles vivem do subsidio estatal ao trabalho servil e da alienação politica.

A simples revolução tecnologia não tem capacidade para libertar completamente as pessoas nem dará a todos a liberdade que poucos desfrutam hoje. Mas sim, seremos mais e em maior número livres se não houver uma ruptura do avanço tecnológico. Tem gente hoje que acredita que a marcha do progresso tecnológico é imparável, mas se esquece da idade média. Não é preciso inteligência, não é preciso inventar nada de novo, basta a velha idolatria ao poder o fortalecimento do culto a própria supremacia da violência para que os mais primitivos preconceitos retornem ainda mais fortes.

Não? Olhe para o mundo agora. E você terá a oportunidade de ver a mais perversa e antiga invenção da humanidade sendo montada como o foram todas antes de se travestir de civilidade e legitimidade. Quer ver essa maquina estatal de fora e não de dentro: sendo da constituída e não como parte de uma? Olhe então para as superpotências e o Estado Islâmico. E pense: o que aplicativos podem fazer contra esse tipo de máquina e desumanização?

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